São Paulo, 17 de junho de 2021

 

A pandemia da covid-19, que se alastra por mais de um ano no Brasil, tem causado duros efeitos, potencializando a crise econômica e social que vivemos. E, apesar de já termos vacinas produzidas, o país enfrenta um dos seus piores momentos sanitários, com acúmulo de mais de 470 mil mortes de brasileiros que uma parte considerável poderia ter sido salva se o governo federal tivesse sido responsável se o governo
federal tivesse sido responsável e feito esforços para trazer vacinas o mais rápido possível e para todos. Pelo contrário, as notícias e a CPI da covid vem demonstrando que há um projeto genocida em curso no país, amparado em um negacionismo científico. Não à toa, Bolsonaro recusou dezenas de ofertas de vacinas (incluindo ter rejeitado 81 emails da Pfizer). Por isso, é urgente e necessário que todos os esforços sejam feitos por todos os entes federativos para ampliar a vacinação para todos, fortalecendo a estrutura sanitária do SUS.

Apesar de tudo isso, vemos diversos estados e municípios não medirem esforços para garantir a imunização do nosso povo. Porto Alegre, por exemplo, já vacinou com a 1ª dose mais de 50% da população com mais de 18 anos. Do outro lado, vemos o governo do Maranhão promover campanhas de vacinação que duram um final de semana inteiro e que tem ampliado exponencialmente a população protegida contra a COVID-19. O
município paulista de Serrana, que participou de um estudo de vacinação em massa, viu os casos de infecção reduzirem em cerca de 80%. Ou seja, possibilidades de garantir a vacinação de todo o povo brasileiro não faltam: o que falta é vontade política, por parte do desgoverno Bolsonaro, de que sejam garantidas as doses para salvar nosso povo!

Nesse sentido, a garantia da vacinação tem distribuído à nossa gente segurança e esperança por dias melhores. Acompanhamos, com muita alegria, profissionais de saúde e de educação receberem a vacina e, com isso, a certeza de que o único tratamento precoce é a imunização da nossa gente! Há de se destacar, no entanto, que tantos outros serviços essenciais precisam ser contemplados no Plano Nacional de Imunização. Infelizmente, profissionais de áreas essenciais como coleta de lixo, transporte público e trabalho doméstico, segmentos que sequer tiveram a possibilidade de isolamento social durante a pandemia, ainda não contam com perspectiva de serem vacinados.

Ressaltamos, ainda, que a vacinação de profissionais de educação deve significar, também, um olhar mais atento àqueles e àquelas que estão dentro das universidades e institutos de pesquisas buscando soluções para superarmos essa crise, sob as mais diversas áreas de conhecimento, contemplando como profissionais da educação também aqueles e aquelas que garantem seu funcionamento, como seguranças e profissionais da limpeza. Nesse sentido, as pós-graduandas e os pós-graduandos brasileiros estão envolvidos nas mais diversas práticas de ensino, pesquisa e extensão.

A possibilidade de retomada presencial dessas atividades, como o estágio docente, o cumprimento de horas em laboratórios, centros de pesquisa, atividades de campo e selecionados/as para doutorado-sanduíche, deve ser efetivada com garantias sanitárias para as pesquisadoras e pesquisadores. A pandemia e atividades de campo devem ser garantidas com a certeza de que nenhum pós-graduando seja infectado.

É por isso que defendemos que, desde já, haja a garantia de vacinação desses pós-graduandos e pós-graduandas que estão envolvidas diretamente nessas atividades: pós-graduandas/os em estágio docente; que estejam envolvidos em pesquisas e assistência direta à COVID; residentes em saúde; que estejam em atividades que demandam deslocamento e, por consequência, exposição; e, também, a imunização de
todas e todos os pós-graduandos que exerçam alguma atividade ligada a grupos de risco destacados no Plano Nacional de Imunização. Entendemos também que, para além da garantia da imunização daqueles e daquelas que se encontram em situação de exposição sanitária, muitos pós-graduandos e graduandas tem condições de realizar seu trabalho de forma remota e doméstica, mas, neste momento se deparam com graves consequências de saúde mental, acúmulo de trabalho doméstico e de cuidados. Por isso, a ANPG mantém a tônica da defesa de que é necessário a prorrogação universal dos prazos e bolsas de pesquisas.

Mais do que nunca, torna-se urgente a defesa do SUS e das Instituições Públicas de Ensino, como forma de defesa da vida e da democracia. A vacinação e a aceleração da imunização do povo brasileiro é urgente. Não queremos mais ver nosso povo chorar as dores de perdas que podem ser evitadas. Queremos poder voltar a contar a história de um povo que ri, que inventa, que cria e que luta por dias melhores. Queremos ter a certeza de que nossa gente não terá que escolher entre morrer de fome ou de COVID.

Associação Nacional de Pós-Graduandos

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