O próximo sábado, dia 29 de Maio, marcará a volta da indignação de milhões de brasileiros que não suportam mais o desprezo à vida, as atitudes antidemocráticas, o empobrecimento e a fome, o desmonte dos serviços públicos essenciais para o presente e o futuro do país.

As manifestações estão sendo convocadas pela ANPG, o movimento estudantil e por um conjunto de entidades da sociedade civil organizada, que elencaram como bandeiras de luta a defesa da Educação e da Ciência contra os cortes de investimentos. Diversos segmentos defendem ainda o “Fora Bolsonaro”, já que o governo tem dado reiteradas mostras de omissão diante da pandemia que já custou mais de 450 mil vidas.

Para Flávia Calé, presidenta da ANPG, há em curso no Brasil um projeto genocida, que está causando milhares de mortes e deve ser barrado pela luta popular. “É preciso construir nas ruas e nas redes uma nova correlação de forças que nos permita derrotar o governo Bolsonaro e que possibilite derrotar esse projeto de desmonte do sistema nacional de ciência e tecnologia”, disse em vídeo de convocação dos pós-graduandas e pós-graduandas aos atos do dia 29.

Impedir o apagão da Educação e da Ciência

O governo federal tem utilizado os seguidos cortes no financiamento para promover o desmonte das universidades e da C&T. No MEC e no MCTI a situação é tão desoladora que não há recursos para manter o funcionamento das universidades e nem para a continuidade das pesquisas das vacinas em desenvolvimento. No caso das universidades federais, o orçamento aprovado para 2021 é quase 3 bilhões menor do que o destinado em 2014 – eram 7,4 bilhões há 7 anos atrás, serão 4,5 bi este ano.

Exemplo do descaso do governo, a situação da maior federal do país é ainda pior: a UFRJ tem previsto para 2021 o orçamento equivalente ao de 2008 – 13 anos atrás. A reitora Denise Pires Carvalho, em recente entrevista ao jornal O Globo, alertou que se não houver acréscimo de verbas, a universidade terá que paralisar as atividades no meio do ano. Fechar as portas também é uma ameaça no horizonte de UFG, UFPE, UNIFESP, UFSCAR, UNB, UFMG e UFBA.

“Nossa situação é dramática. Esses problemas já podem começar a acontecer ainda no mês de agosto com a descontinuidade dos contratos de limpeza e segurança e, o que é ainda mais dramático, da alimentação dos restaurantes universitários e também dos nossos nove hospitais”, afirmou a reitora Denise.

O Brasil passou por um ciclo de expansão e investimento no ensino superior entre o início dos anos 2000 até 2014. Saltou de 51 universidades federais para 69, além de 40 IFES, viu o número de estudantes universitários mais do que dobrar entre 2004 e 2017, saindo de 570 mil para 1,3 milhão. Esse movimento positivo está regredindo a galope, diante do processo de desmonte e corte de recursos empreendido pelo atual governo.

Na pós-graduação, o corte de bolsas é certo se não houver substancial suplementação orçamentária. De 2019 para cá, a Capes já teve redução de quase 3 bilhões em suas dotações, tanto que a agência já admite não ter recursos para pagar seus mais de 92 mil bolsistas a partir de novembro, inclusive os pesquisadores ligados aos 109 projetos de combate à Covid mantidos pela instituição.

O ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, em sabatina na Câmara dos Deputados, pediu aos parlamentares recursos para que não sejam interrompidas as pesquisas de vacinas para a Covid, tais como a Versamune, da USP-Ribeirão Preto, da UFMG e da UFPR, entre outros. Uma previsão de 200 milhões para a continuidade desses projetos foi por Bolsonaro na Lei Orçamentária deste ano.

Mas o pior cenário está reservado ao CNPq, que, pela brutalidade dos cortes, dá a entender que o projetado pelo governo é sua extinção. O orçamento caiu de 2,7 bilhões em 2020 para apenas 1,26 este ano, sendo que 60% dessas verbas não existem e estão na dependência da aprovação de suplementações orçamentárias através da quebra da chamada “regra de ouro” pelo Congresso.

As bolsas de estudo fornecidas pela instituição não poderiam ser pagas além do meio do ano pelos recursos efetivamente destinados e a verba para fomento em pesquisa – que abarca a compra de insumos, equipamentos e manutenção – caiu de 126 milhões em 2019 para 16 milhões agora.

Com segurança, participe do #29M

Para reverter esse quadro só uma saída: mobilização! Sem descuidar das medidas sanitárias para evitar agravamento ainda maior da pandemia, é preciso cumprir o dever cívico de lutar contra a ruína do país que tem sido promovida pelo governo Bolsonaro.

Com máscara, álcool em gel e mantendo o distanciamento, a ANPG convoca o Brasil a resistir.

Dicas importantes para você participar protegido:

1 – Não deixe de usar máscara, de preferência a modelo pff2/N95. Leve uma extra, caso aconteça algo com a sua ou precise dar para alguém que não tenha.

2 – Leve seu álcool em gel e faça uso sempre que sua mão mantiver contato com algo.

3 – Seja responsável, mantenha distanciamento entre uma pessoa e outra de pelo menos 2 metros.

4 – Possivelmente, você encontrará pessoas queridas que não vê há muito tempo, mesmo assim, tente as cumprimentar com gestos, evitando abraços, apertos de mãos e beijos.

5 – IMPORTANTE
Caso esteja com algum sintoma de covid-19, fique em casa!

Boa luta! O Tsunami voltou!

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