A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) vem a público manifestar sua solidariedade aos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) que vêm construindo mobilizações em defesa da permanência estudantil, da universidade pública e da ampliação das condições dignas de acesso e permanência no ensino superior, bem como repudiar com veemência os atos de violência praticados durante a ação de desocupação da Reitoria da USP realizada pela Polícia Militar.
A ocupação e a greve estudantil na USP se inserem em um contexto nacional de mobilização da comunidade universitária diante do aprofundamento da precarização das políticas de assistência estudantil, das condições de permanência e da necessidade de fortalecimento do financiamento público da educação superior, da ciência e da pesquisa. Entre as pautas levantadas pelos estudantes estão reivindicações relacionadas à moradia estudantil, alimentação, bolsas e condições estruturais adequadas para a permanência universitária, temas historicamente defendidos pelo movimento estudantil e pela ANPG em âmbito nacional.
A ANPG compreende que a universidade pública deve ser um espaço de produção crítica do conhecimento, participação democrática e livre organização política. Nesse sentido, considera extremamente grave que reivindicações legítimas da comunidade estudantil sejam respondidas com repressão policial, utilização de força física, bombas e ações violentas contra estudantes mobilizados.
A criminalização dos movimentos estudantis representa uma afronta à democracia e ao direito constitucional de livre manifestação e organização coletiva. A história do movimento estudantil brasileiro demonstra que as universidades públicas sempre avançaram por meio da participação ativa de estudantes, trabalhadores e pesquisadores na defesa da educação pública, gratuita e democrática.
Além disso, causa profunda preocupação o conteúdo da nota divulgada pela própria Reitoria da USP após a operação policial, na qual a administração universitária afirma não ter sido previamente informada sobre a ação da Polícia Militar dentro da universidade durante a madrugada, indicando que a decisão teria ocorrido sem comunicação institucional prévia à gestão universitária. A situação agrava ainda mais os acontecimentos, uma vez que levanta questionamentos sobre a condução da operação policial no interior de uma universidade pública e sobre o respeito à autonomia universitária assegurada constitucionalmente. Em um cenário democrático, é inadmissível que conflitos políticos e estudantis sejam tratados prioritariamente sob a lógica da repressão e da força policial. 
A ANPG reafirma sua defesa intransigente do diálogo como instrumento fundamental para a resolução de conflitos dentro das universidades. É responsabilidade das administrações universitárias construir canais efetivos de negociação e escuta com a comunidade acadêmica, evitando qualquer escalada de violência e preservando a autonomia universitária e os princípios democráticos.
Manifestamos nossa solidariedade aos estudantes atingidos pela repressão, às entidades estudantis da USP e a toda comunidade universitária mobilizada. Reiteramos a necessidade de imediata apuração dos episódios de violência ocorridos durante a desocupação e defendemos a retomada das negociações entre os estudantes e a Reitoria da USP.
Em defesa da universidade pública, da democracia e do direito de organização estudantil.
Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG
Maio de 2026.