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Carta Unitária das Entidades Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Técnica, Profissional e Superior sobre o segundo turno das Eleições Presidenciais 2026

EM DEFESA DA EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E DEMOCRACIA: NOSSO COMPROMISSO COM O PRESENTE E O FUTURO DO BRASIL

São Paulo, 09 de outubro de 2026

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 coloca o Brasil diante de uma escolha que terá consequências profundas para a democracia, para as políticas públicas e para o desenvolvimento do país. As entidades signatárias, representativas da educação superior brasileira, da ciência, da tecnologia e da inovação e dos Institutos Federais de Educação Profissional, têm acompanhado e participado dos grandes debates nacionais a partir de compromissos que fazem parte de nossa história: a defesa da democracia e do Estado de Direito, da educação pública, da ciência, da saúde pública e universal, da cultura, da autonomia universitária, da inclusão, da redução das desigualdades e da soberania nacional.

Neste segundo turno, estão em disputa projetos distintos para o Brasil. Diante dessa escolha, e a partir dos compromissos que orientam nossa atuação e das propostas já defendidas por cada entidade nesse processo eleitoral, manifestamos nosso apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nossa posição está vinculada a uma agenda para o Brasil. Defendemos universidades, institutos federais e  instituições de pesquisa fortes e autônomas; I financiamento público consistente e previsível para a educação, a ciência e a tecnologia; valorização de docentes, pesquisadores, técnicos, servidores em gestão C&T, e demais trabalhadores; políticas de acesso e permanência estudantil; promoção da arte e da cultura; ações afirmativas; liberdade acadêmica; investimento em pesquisa e inovação; e a capacidade do país de produzir conhecimento e desenvolver tecnologias estratégicas para seu próprio futuro.

Defendemos que educação, ciência e tecnologia ocupem lugar central em um projeto de desenvolvimento comprometido com a soberania nacional, a redução das desigualdades, a reindustrialização, a transição ecológica, o enfrentamento da emergência climática, o fortalecimento do SUS, a soberania digital e tecnológica e a geração de oportunidades para a população.

Essas escolhas dizem respeito ao futuro das universidades e das instituições científicas, mas estão longe de interessar apenas à comunidade acadêmica. O conhecimento produzido no país está presente na saúde, na educação, na agricultura, na indústria, na proteção dos biomas, na cultura, na inovação e em inúmeras políticas que chegam diariamente à vida da população. Este é um setor com profunda relação com o território nacional, que promove transformações e movimenta a economia local, regional e nacional.

Ao tornar pública nossa posição, reafirmamos também a defesa inegociável da democracia, do respeito à Constituição e às instituições, da soberania do voto popular e do resultado das urnas. O Brasil precisa seguir ampliando sua capacidade de educar, pesquisar, inovar e produzir conhecimento, e sobretudo, ser um lugar seguro para universidade e ciência. Precisa fortalecer sua capacidade de cuidar, garantindo saúde e educação como direitos fundamentais da população. Além disso, precisa enfrentar suas desigualdades e construir, com democracia, um projeto soberano e sustentável de desenvolvimento. É com esses compromissos que as entidades signatárias manifestam seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026.

Nesse sentido, convocamos a todos para se integrar no dia 15 de outubro para um Dia Nacional de Educação e Ciência na Rua, com construções de atos, aulões, serviços para sociedade, atividades extensionistas e cientificas. Atividades que possam dialogar com a sociedade sobre a importância desse processo eleitoral.

Academia Brasileira de Ciências (ABC)

Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG)

Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES)

Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal da Educação Profissional, Cientifica e Tecnológica (CONIF)

Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA)

Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições de Ensino Superior e Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (PROIFES)

Fórum das Entidades Representativas das Servidoras e Servidores das Carreiras de C&T

Instituto Brasileiro de Ciências Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis (IBRACHICS)

União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES)

União Nacional de Estudantes (UNE)

Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC)

Sindicato Nacional de Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes -SN)

Na manhã desta sexta-feira (14), em Washinton-DC, o presidente da ANPG, Vinícius Soares, acompanhado de mais duas delegadas brasileiras ao Y29, Ingrid Siss e Amanda Santos, participou de uma reunião com a diplomata Maria Luíza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos EUA, para entregar a carta final do Encontro de Juventude do G-20 (Youth 20), texto assinado por delegações de todos os países presentes ao encontro.

Na ocasião, Vinícius entregou uma carta de solidariedade à embaixadora, aprovada pelas entidades estudantis ANPG, UNE e UBES, que recentemente teve o visto diplomático revogado, em mais uma medida arbitrária e de hostilidade do governo Donald Trump contra o Brasil.

“Repudiamos a utilização de relações comerciais, sanções econômicas, medidas diplomáticas ou sanções migratórias como instrumentos destinados a interferir nas instituições brasileiras ou influenciar o processo político e eleitoral do país. As eleições brasileiras pertencem ao povo brasileiro”, manifesta o documento.

O presidente da ANPG reafirmou que há princípios inegociáveis nas relações entre países e que é inadmissível que um governo tente submeter outras nações por questões políticas e ideológicas. “Há princípios de direito internacional com os quais não se pode transigir, como a soberania e autodeterminação dos povos. É uma afronta ao povo brasileiro que o governo Trump contamine as relações políticas e comerciais bicentenárias entre Brasil e EUA para favorecer a família Bolsonaro nas eleições. Nossa soberania e nossa democracia são inegociáveis e lutaremos para protegê-las”, disse.

Nesta sexta-feira (07), na sede das entidades estudantis, em São Paulo, a ANPG realizou o credenciamento dos delegados e delegadas eleitos para seu 30º Congresso Nacional, o principal fórum deliberativo da entidade, que acontecerá entre 26 e 29 de novembro, em Vitória (ES).

Essa etapa, que é decisiva para a organização e garantia da legalidade do encontro, revelou que este será o maior e mais representativo Congresso da história de 4 décadas da ANPG. Demonstrando a capilaridade e enraizamento do movimento de pós-graduandos, foram credenciados 1.230 delegados eleitos, além de 261 suplentes, representando 119 instituições de ensino e pesquisa de todo o Brasil.

Para Vinícius Soares, presidente da entidade, os números reforçam que as lutas e conquistas dos últimos anos têm sido reconhecidos cada vez mais pelos pesquisadores e toda a comunidade acadêmica. “É demonstrativo de que a ANPG é uma entidade reconhecida pela sociedade e tem se capilarizado cada vez mais entre os pós-graduandos pelo papel que tem cumprido na defesa da ciência, da soberania e dos direitos dos pós-graduandos. Com muita democracia e unidade, realizaremos um Congresso vitorioso e que prepare as lutas e conquistas dos próximos anos”, afirmou.

Confira a ata da mesa de pré credenciamento clicando aqui

A ciência não pode ser tratada como estrutura administrativa descartável

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifesta profunda preocupação e repúdio à extinção da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (SECTI), determinada pelo Decreto nº 50.413, de 5 de agosto de 2026, que incorporou suas atribuições à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços.

A entidade compreende o estado de calamidade política, financeira e administrativa que o governador interino encontrou ao assumir a gestão, cenário que trouxe o desafio de enfrentar os interesses e esquemas de poder há muito entranhados na máquina governamental. Esse esforço é necessário, salutar e deve contar com o reconhecimento e apoio da sociedade.

Entretanto, essa medida específica representa um grave rebaixamento institucional da política de ciência, tecnologia e inovação em um dos estados com maior concentração de universidades, institutos, centros de pesquisa e programas de pós-graduação do país. A extinção de uma secretaria própria não pode ser compreendida como mera reorganização burocrática. Ela retira da ciência um espaço específico de formulação, planejamento e coordenação dentro do Governo do Estado.

O Rio de Janeiro abriga um dos mais importantes sistemas científicos do Brasil, reunindo universidades estaduais, a FAPERJ e uma ampla rede de instituições responsáveis pela formação de pesquisadores e pela produção de conhecimento em áreas fundamentais para o desenvolvimento do estado. O próprio decreto atinge uma estrutura à qual estão vinculadas instituições como FAPERJ, UERJ, UENF, CECIERJ e FAETEC.

Para a ANPG, essa decisão também atinge diretamente milhares de mestrandos, doutorandos e jovens pesquisadores. A pós-graduação brasileira não existe separada de uma política pública sólida de ciência e tecnologia. Bolsas, laboratórios, financiamento de pesquisas, formação científica, inovação e permanência de pesquisadores dependem de instituições estáveis e de políticas de longo prazo.

É especialmente preocupante que uma mudança dessa dimensão tenha ocorrido sem diálogo prévio com a comunidade científica e acadêmica, com os servidores e com as instituições diretamente afetadas.

A ANPG reafirma que eventuais irregularidades administrativas devem ser rigorosamente investigadas, com transparência, responsabilização e fortalecimento dos mecanismos de controle. Problemas de gestão, entretanto, não justificam o desmonte de uma política pública, corrigir procedimentos administrativos é diferente de extinguir a estrutura responsável pela política estadual de ciência e tecnologia.

Também causa preocupação que uma alteração estrutural de efeitos duradouros seja realizada sem um amplo processo de discussão pública. Políticas de ciência, tecnologia e inovação exigem continuidade, planejamento e previsibilidade. Seus resultados não obedecem ao calendário de uma gestão. A formação de um pesquisador, a consolidação de um laboratório ou o desenvolvimento de uma pesquisa estratégica atravessam anos e, muitas vezes, décadas.

Por isso, a Associação Nacional de Pós-Graduandos defende a revogação do Decreto nº 50.413/2026 e o restabelecimento de uma estrutura própria, autônoma e permanente para a Ciência, Tecnologia e Inovação no Estado do Rio de Janeiro.

Defendemos ainda a abertura imediata de diálogo com as universidades, instituições científicas, entidades representativas, servidores, pesquisadores e pós-graduandos, bem como a preservação dos recursos destinados à pesquisa e às instituições vinculadas e a garantia de continuidade dos programas e projetos atualmente em execução.

O Rio de Janeiro não precisa de menos ciência. Precisa de mais investimento, mais bolsas, mais pesquisadores, mais universidades fortalecidas e mais capacidade pública de produzir conhecimento.

Extinguir estruturas de ciência não produz desenvolvimento. Enfraquece justamente as condições para construí-lo.

Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG
7 de agosto de 2026

Teve início na noite deste domingo (26), na cidade de Niterói (RJ), a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC). Presente à solenidade de abertura, Vinícius Soares, presidente da ANPG, disse que, na atual conjuntura mundial, o desenvolvimento científico é essencial para a garantia da soberania do país e deve ganhar prioridade orçamentária.

Ao defender a elaboração de um plano nacional que debata de forma integrada a ciência, a defesa e a cultura, Vinícius fez menção às ameaças externas que afligem o Brasil e outros países da região a partir de ações do governo Trump. “Vivemos um tempo de ameaças à democracia, à soberania nacional e à própria ciência, em especial em nosso continente. Há tentativas de interferir em nossos processos democráticos, em nossas instituições e na capacidade do Brasil de decidir soberanamente o seu futuro”, afirmou.

Nesse sentido, o presidente da ANPG cobrou que os poderes executivo e legislativo revejam as prioridades estratégicas nos debates sobre a lei orçamentária, ampliando os investimentos no CNPq e na pesquisa científica. “Precisamos lutar pelo reajuste das bolsas e dobrar o orçamento do CNPq, uma das principais agências estruturantes do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Isso exigiria pouco mais de R$ 1,7 bilhão adicionais, menos de 3% dos recursos destinados às emendas parlamentares. Não estamos falando de falta de recursos, estamos falando de prioridades nacionais”, reforçou.

Em alusão à disputa eleitoral futura, afirmou que o Brasil vive uma “encruzilhada histórica”, na qual a neutralidade não deve ser uma opção para os cientistas. “Os fantasmas da longa noite do negacionismo científico, que tão recentemente atravessou nosso país, ainda rondam o presente e ameaçam voltar, agora alimentados também por agentes externos. Diante desse cenário, a neutralidade não protegerá a ciência. Quando nos omitimos diante dos ataques ao conhecimento, permitimos que o obscurantismo avance”, finalizou.

Vinícius Soares saudou o apoio da comunidade científica para a aprovação do projeto de lei dos direitos previdenciários dos pós-graduandos na Câmara e à luta pelo reajuste das bolsas de estudos. “Quero agradecer à SBPC, ABC, Andifes e a toda a comunidade científica pelo apoio à conquista dos direitos previdenciários dos pós-graduandos. A aprovação do projeto na Câmara demonstrou que, quando a ciência brasileira atua unida, conquista vitórias históricas. Agora seguiremos mobilizados para concluir essa conquista no Senado”.

Celebrar os 40 anos da Associação Nacional de Pós-Graduandos é muito mais do que recordar a trajetória de uma entidade. É reconhecer que a organização dos pós-graduandos foi decisiva para transformar a ciência em uma pauta estratégica para o desenvolvimento nacional. A história da ANPG se confunde com a própria consolidação da pós-graduação brasileira e demonstra que não existe sistema científico forte sem pesquisadores organizados e comprometidos com um projeto de país.

Fundada em 1986, durante o processo de redemocratização, a ANPG nasceu da compreensão de que a produção do conhecimento também precisava de representação política. Desde então, consolidou uma experiência singular. É, provavelmente, a única organização no mundo que representa nacionalmente estudantes de todas as modalidades da pós-graduação, reunindo especializações, MBAs, residências médicas e multiprofissionais, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos em torno de uma agenda comum de defesa da ciência, da educação e do desenvolvimento brasileiro.

Ao longo dessas quatro décadas, a organização coletiva dos pós-graduandos acompanhou o crescimento do Sistema Nacional de Pós-Graduação e participou das principais lutas em defesa da ciência brasileira. Esteve presente na defesa da CAPES, do CNPq e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, na valorização das bolsas, na expansão dos programas de pós-graduação, na reconstrução das políticas científicas e na defesa do investimento público em pesquisa como instrumento de desenvolvimento.

Essa atuação também alcançou as residências em saúde, compreendidas pela ANPG como uma modalidade estratégica da pós-graduação e essencial para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde. Ao lado das entidades representativas dos residentes, construímos mobilizações que contribuíram para a valorização das bolsas, para a melhoria das condições de formação e para a histórica conquista da redução da carga horária das residências. Defender melhores condições de formação nunca significou defender menos qualidade. Significou reconhecer que cuidar de quem cuida também é uma política pública.

Nos últimos anos, essa trajetória acumulou novas conquistas. A inclusão da pós-graduação na Lei de Revisão de Cotas representou um passo importante para enfrentar o racismo estrutural que ainda marca nossas universidades e ampliar a diversidade da produção científica brasileira. A conquista dos direitos previdenciários para bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado representou outro marco histórico, ao reconhecer que produzir conhecimento é uma atividade essencial para o país e que pesquisadores também precisam de proteção social.

Nenhuma dessas conquistas aconteceu por acaso. Direitos não surgem espontaneamente. Eles são resultado da organização coletiva, da capacidade de formular propostas e da disposição permanente de mobilizar a comunidade científica em defesa de um projeto nacional de desenvolvimento.

Vivemos um momento em que o conhecimento voltou a ocupar o centro da disputa geopolítica mundial. A inteligência artificial, a transição energética, a biotecnologia, a saúde, a defesa e a indústria de alta tecnologia mostram que a soberania das nações dependerá cada vez mais da capacidade de produzir conhecimento, formar pessoas altamente qualificadas e transformar ciência em inovação.

O Brasil construiu um dos maiores sistemas públicos de pós-graduação do mundo. Agora precisamos dar o próximo passo. Mestres, doutores, especialistas e residentes precisam estar cada vez mais inseridos na solução dos grandes desafios nacionais, fortalecendo o SUS, a educação, a indústria, o setor produtivo, a transição ecológica e a capacidade tecnológica do Estado brasileiro.

Os 40 anos da ANPG reafirmam uma convicção construída ao longo de toda a sua história. A ciência não avança apenas com laboratórios, editais e equipamentos. Ela avança quando existe uma comunidade científica organizada, capaz de defender políticas públicas permanentes e compreender que conhecimento é um dos principais instrumentos para construir democracia, reduzir desigualdades e fortalecer a soberania nacional.

Esse continuará sendo o papel da ANPG. Organizar os pós-graduandos brasileiros para fortalecer a ciência e contribuir para que o conhecimento produzido em nossas universidades e institutos de pesquisa esteja cada vez mais a serviço do desenvolvimento do Brasil e da melhoria da vida do nosso povo.

Vinicius Soares
Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG

São Paulo, 04 de julho de 2026


A Diretoria Executiva da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), em conformidade com seu Estatuto Social e com o Regimento Eleitoral do 30º Congresso Nacional de Pós-Graduandos (CNPG), informa às Associações de Pós-Graduandos (APGs), entidades representativas, ao conjunto dos pós-graduandos brasileiros e à comunidade acadêmica e cientifica, que o 30º CNPG será realizado entre os dias 26 e 29 de novembro de 2026, mantendo a cidade de Vitória (ES) como sede do evento.

A decisão de adequação do calendário decorre de uma avaliação política e organizativa construída pela Diretoria Executiva, e tem um objetivo muito claro: criar as melhores condições para realizar um CNPG à altura do momento vivido pela pós-graduação brasileira, Brasil e pelo próprio processo de fortalecimento da ANPG.

Nos últimos anos, a entidade vem experimentando um importante ciclo de crescimento, reorganização e ampliação de sua presença nas universidades e instituições de pesquisa brasileiras. Esse movimento já pôde ser observado durante a realização do 45º Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos (CONAP), que se consolidou como o maior CONAP da história da ANPG, reunindo associações de pós-graduandos de mais de 90 universidades e instituições de pesquisa de todas as regiões do país.

Mais significativo do que os números foi o processo político construído. Pela primeira vez em muitos anos, a ANPG conseguiu chegar a dezenas de instituições que não possuíam histórico de organização do movimento local de pós-graduandos, impulsionando a criação, reorganização e fortalecimento de APGs e incorporando novos sujeitos à construção coletiva da entidade e do movimento.

Esse processo se ampliou durante a eleição dos delegados para o 30º CNPG. A mobilização nas bases superou as expectativas iniciais e resultou em um expressivo crescimento da representação congressual, praticamente dobrando a estimativa inicial de delegados eleitos. Trata-se de um resultado que expressa não apenas maior participação, mas também maior capilaridade, legitimidade e enraizamento político da ANPG junto à comunidade de pós-graduandos.

Um Congresso dessa dimensão exige que sua realização ocorra nas melhores condições possíveis, garantindo ampla participação das delegações, qualidade do debate político e plena capacidade de deliberação.

Somado a esse cenário, a data anteriormente prevista coincide com o período do defeso eleitoral em decorrência do pleito eleitoral nacional. Como é de conhecimento público, o calendário das eleições estabelece normas específicas para a realização de atividades com apoio de órgãos públicos durante o período de defeso eleitoral. Embora tais regras tenham o importante papel de preservar a lisura do processo democrático, elas poderiam impor limitações administrativas e operacionais incompatíveis com a dimensão que o nosso Congresso adquiriu.

Dessa forma, a Diretoria Executiva, em consonância com a Diretoria Plena, deliberou pela realização do CNPG entre os dias 26 e 29 de novembro, preservando a cidade de Vitória (ES) como sede. A decisão permite que o 30º Congresso seja realizado com maior participação, segurança institucional, tranquilidade organizativa e sem quaisquer intempéries que possam comprometer seu pleno desenvolvimento.

Nesse sentido, permanecem válidos todos os processos eleitorais já realizados, bem como preservados os atos e prazos previstos no Regimento Eleitoral do 30º CNPG. Assim, permanecem regularmente habilitados a representar suas respectivas instituições no Congresso as delegadas e delegados eleitos nas etapas de base realizadas até 29 de maio de 2026, bem como aqueles eleitos pela Universidade de São Paulo (USP) nos dias 17 e 18 de junho de 2026, em caráter excepcional, em razão da adequação do calendário eleitoral local decorrente da greve estudantil. As entidades terão até o dia 15 de julho de 2026 para encaminhar à Comissão de Organização toda a documentação referente aos respectivos processos eleitorais. Na sequência, a Mesa de Pré-Credenciamento, responsável pela análise e validação da documentação encaminhada, será realizada no dia 07 de agosto de 2026, na sede da ANPG.

Mais do que uma alteração de calendário, essa decisão expressa a confiança da ANPG na força do processo organizativo que está em curso. O crescimento da representação nas bases demonstra que a defesa da ciência, da educação, da valorização dos pós-graduandos e da soberania nacional tem encontrado cada vez mais eco nas universidades e centros de pesquisa brasileiros.

Além disso, como parte do processo de preparação para o 30º CNPG e diante da importância das eleições de 2026 para o futuro da ciência, da educação e da pós-graduação brasileira, a ANPG convoca todas as APGs, para uma Reunião Nacional de APGs, a ser realizada nos dias 08 e 09 de agosto de 2026, em modalidade virtual. O encontro terá como objetivo construir, de forma coletiva e democrática, a Plataforma Eleitoral dos Pós-Graduandos, documento que reunirá as principais reivindicações e propostas da categoria e que será apresentado aos candidatos e candidatas aos diversos cargos em disputa nas eleições de outubro de 2026, reafirmando o protagonismo da pós-graduação no debate sobre o desenvolvimento científico, tecnológico e social do Brasil.

Com isso, o 30 CNPG já se avizinha como um marco na história da entidade. Será o espaço para reunir uma geração de pós-graduandas e pós-graduandos comprometida com a defesa da pós-graduação brasileira, com a produção científica como instrumento de desenvolvimento nacional e com a construção de um projeto de país que reconheça o conhecimento como elemento estratégico para a soberania, democracia, a inovação e a transformação social.

Convidamos todas as APGs, delegados e delegadas, entidades parceiras e pós-graduandos de todo o país a manterem o processo de mobilização, fortalecendo as eleições nas bases e construindo coletivamente aquele que tem todas as condições de ser o maior e mais representativo Congresso Nacional da história da ANPG.

Nos encontramos em Vitória, de 26 a 29 de novembro, para escrever mais um capítulo da história do movimento nacional de pós-graduandos.

Diretoria Executiva da ANPG

Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG

A segunda mesa de debates abordou o tema “Visões dos Setores Produtivos e do Serviço Público no Brasil na Inserção de Mestres e Doutores e o papel da Inovação”, com participação do ex-dirigente da Confederação Nacional da Indústria e consultor empresarial Eduardo Vaz, Lucas Vieira, coordenador de pós-graduação strictu sensu da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Luiza Martins, pesquisadora do Centro de Estudos e Memórias da Juventude), tendo como mediador Elvis Arruda, diretor de C&TI da ANPG.

Apresentando a perspectiva do setor produtivo industrial, Eduardo Vaz destacou o programa Inova Talentos, iniciativa conjunta formulada pela CNI e o CNPq, como um dos bons exemplos de política pública de aproximação entre a academia e o setor produtivo que geram empregabilidade para pós-graduandos. “Essa é uma articulação entre o setor produtivo e o CNPq que é um sucesso. É um exemplo como o marco legal de inovação pode funcionar e ampliar a empregabilidade de mestres e doutores junto à nossa indústria”, apontou.

O Inova Talentos é um programa para capacitação de mestres, doutores e estudantes de graduação por meio de atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em empresas e instituições científicas. Inicialmente, o programa contava com bolsas do CNPq, mas a partir de 2015 o acordo de cooperação passou a contar apenas com recursos privados.

Citando a necessidade de combater o “apartheid” entre a universidade e os setores produtivos, Eduardo Vaz apresentou iniciativas de outros países que visam a aproximação entre o conhecimento acadêmico e as necessidades da produção industrial. Lembrando um exemplo holandês, o consultor sugeriu a criação de um banco de dados de teses de mestrado e doutorado da Capes e do CNPq com palavras-chaves, que possa ser acessível à indústria, para fazer um “matching” (correspondência) entre as necessidades da indústria e as pesquisas realizadas, gerando empregabilidade para os pós-graduandos.

Para Eduardo, também é necessário que existam contrapartidas para os incentivos da dos pelo poder público à iniciativa privada. Mencionou um caso de multinacional que abriu parque industrial na China, com metade do capital próprio e metade chinês, mas o Estado exigiu a capacitação de engenheiros como contrapartida pelo investimento. “Temos políticas públicas de incentivo no Brasil que não exigem contrapartida, como, por exemplo, a absorção de mestres e doutores”.

Lucas Vieira, coordenador de pós-graduação strictu sensu da Escola Nacional de Administração Pública, falou sobre o papel do Estado na absorção abordando a falsa contradição entre a burocracia e a inovação. Para ele, uma burocracia profissional e estável é fundamental para a inovação e citou como exemplo a missão norte-americana de levar o homem à Lua, que gerou uma série de tecnologias que foram absorvidas pela indústria de transformação.

Segundo Lucas, não é possível pensar a atração e a fixação de mestres e doutores apenas pelas universidades, mas é preciso um projeto de desenvolvimento e reindustrialização, inclusive com polos regionais. “Criar um projeto de desenvolvimento passa por enfrentar contradições internas e criar consensos sobre esse projeto. A política pública é importante, mas entra o elemento de defesa da soberania, da ciência e tecnologia como elementos centrais ao desenvolvimento nacional”.

Para Elvis Arruda, diretor da ANPG, é preocupante a falta de perspectiva que assola os pós-graduandos brasileiros. “Antes, áreas como medicina e engenharia eram vistas como de futuro sólido. Após reformas como a trabalhista e a previdenciária, até nessas áreas vemos mestres e doutores virando MEIs. Precisamos de um pacto nacional de desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, com a pesquisa valorizada”, disse.

O baixo investimento em inovação tecnológica feito no Brasil, tanto pelo setor público quanto pelo privado, foi lembrado como um dos entraves a serem enfrentados para alavancar o desenvolvimento do país e ampliar a absorção de mão de obra especializada. “O percentual do PIB investido em inovação é de aproximadamente 1,5% e a maior parte vem do Estado. A indústria também precisa passar a investir mais”, disse Eduardo Vaz.

Luiza Martins, pesquisadora do CEMJ, disse que a entidade está em processo de elaboração do segundo volume do dossiê Newton Sucupira, agora com foco nas assimetrias regionais na fixação de mestres e doutores.

Confira a galeria de fotos completa no Flickr.

No próximo dia 01 de julho, Auditório Mackgraphe da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, a ANPG e o CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos), órgão ligado ao MCTI, realizarão o “Seminário Nacional Dossiê Newton Sucupira” para debater a inserção dos pós-graduandos no mercado de trabalho e a interface entre academia e o setor produtivo.

O Dossiê Newton Sucupira é um documento elaborado pelo Centro de Estudos e Memória da Juventude (CEMJ), em parceria com a Associação Nacional de Pós-Graduandos, para levantar dados sobre a empregabilidade de mestres e doutores no Brasil e fomentar o debate sobre o maior aproveitamento desses profissionais em segmentos estratégicos para o desenvolvimento econômico e científico do país.

A programação do evento busca privilegiar o diálogo entre o setor público e o privado, abordando o papel do Estado no incentivo à absorção dos profissionais; a visão dos segmentos econômicos industrial, agropecuário e de serviços acerca da contribuição de mestres e doutores para o incremento da produtividade e inovação; além de debater o papel do financiamento público e a inovação no serviço público.

Para o presidente da ANPG, Vinícius Soares, o debate sobre a empregabilidade dos pós-graduandos está diretamente atrelado a elaboração de um projeto de desenvolvimento nacional condizente com o potencial do país. “Historicamente, o sistema nacional de pós-graduação foi desenhado para privilegiar a carreira acadêmica. Isso continua sendo importante, mas é insuficiente na atual dinâmica produtiva. Para que o Brasil consiga se desenvolver de maneira sustentável, será necessário integrar a pesquisa produzida nas universidades às necessidades de um novo ciclo de industrialização com enfoque em ciência, tecnologia e inovação. A empregabilidade de mestres e doutores está necessariamente ligada à construção desse projeto de desenvolvimento. É o que queremos debater no seminário”, afirmou.

O Seminário Nacional Dossiê Newton Sucupira também terá transmissão on line. Confira a programação nas redes da ANPG e acesse o formulário de inscrição aqui.