18 de abril de 2018

Nota de pesar

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Com muita dor e pesar, nesta terça-feira, a Associação Nacional de Pós-graduandos recebeu a notícia da perda de mais uma pesquisadora em consequência da depressão, doença que cada vez mais se torna comum no âmbito da pós-graduação.

A primeira turma de Especialização em Desenvolvimento, Etnicidade e Políticas Públicas, na Amazônia – Instituto Federal da Amazônia CMZL, ficará marcada pelo talento da discente Carolina ( nome fictício), economista formada pela Universidade Federal do Amazonas e que estava à frente da Comissão de Fundação da Associação de Pós-Graduandos do IFAM. Jovem, extremamente educada, inteligente e dedicada aos estudos, possibilitou a todos que tiveram a oportunidade de conhece-la, talvez, as melhores conversas e debates possíveis.

Com um caráter extremamente social, buscava discutir a economia para além dos números. Sua visão era para além dos métodos de econometria! Exercitava sempre que possível seu campo social, com reflexões para além dos índices. Entendia que o desafio de se fazer ciência no país possui muitos entraves, mas que estava disposta em seguir para um mestrado após a especialização, buscando formas de melhorar nossa sociedade através de sua pesquisa.

Infelizmente, Carolina foi mais uma vítima do fenômeno de adoecimento na pós-graduação que vem acometendo centenas de pós-graduandos brasileiros. Pesquisas e informações disponíveis têm demonstrado que os índices de estresses e adoecimento estão assustadoramente altos. A situação agrava-se em um cenário de cortes e contingenciamento de recursos das Instituições e da Pesquisa, crescendo a perspectiva pessimista em relação a carreira acadêmica. Associado ao fato que esse tema tem sido tratado em algumas universidades e programas de pós-graduação com descaso em um ambiente que não tem sido garantido os direitos básicos para assegurar a permanência do pós-graduando na academia em condições humanamente saudáveis.

Diariamente temos sido expostos a situações que são vistas como naturais pelo meio acadêmico, como falta de recursos para pesquisa e sobrevivência, pressão para produção cientifica em massa, carga excessiva de trabalho e diversos tipos de assédio que tem levado ao adoecimento mental do pós-graduando. O que faz com que esse profissional que dedica parte de sua vida para pesquisa e o desenvolvimento nacional tenha que interromper sua formação acadêmica e, consequente, evadir dos cursos de pós-graduação, e por vezes, a tirar sua vida.

Precisamos falar do Adoecimento na Academia e adotar políticas para combater a deterioração das condições de vida dos pós-graduandos, de forma a garantir um espaço mais humanizado na produção cientifica e evitar que talentos como Carolina e tantos outros que nos deixaram sejam perdidos.

Associação Nacional dos Pós-graduandos, 18 de abril de 2018