Em meio ao 46º CONAP, a ANPG lançou o “Dossiê Newton Sucupira” – “Entrelaçamento” investigativo sobre a inserção de mestres e doutores no mercado de trabalho no Brasil”. O nome é referência ao Parecer 977/1965, elaborado pelo professor Newton Sucupira, que definiu as bases, objetivos e a estrutura do Sistema Nacional de Pós-Graduação.
Na mesma linha do “Dossiê Florestan Fernandes”, que traçou um diagnóstico sobre a pós-graduação no país, o novo documento procura aprofundar o debate sobre a empregabilidade dos pesquisadores e fazer apontamentos para ampliar sua interligação com o setor produtivo não acadêmico nacional.
Uma das constatações do estudo foi a grande prevalência da academia como caminho profissional dos pós-graduandos. Segundo pesquisa do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) de 2024, a área da Educação é a que mais emprega mestres e doutores no Brasil, concentrando 72% dos doutores e 37,7% dos mestres no país em 2021.
O “Dossiê Sucupira”, ao estudar os Planos Nacionais de Pós-Graduação ao longo das décadas, mostra que esse percurso não se dá ao acaso, mas por uma opção de colocar a formação de professores para o magistério universitário como objetivo central do sistema de pós-graduação brasileiro. “Foi criada, desde o primeiro PNPG, uma política pública de formação de quadros docentes, inclusive seguindo o Parecer Sucuprira. Hoje, a realidade é que a gente não tem espaço para a absorção de todos nós na academia”, reflete Cris Fairbanks, uma das pesquisadoras do dossiê.
Nesse contexto, o poder público se consolida como a principal área de absorção de mão de obra de doutores. “O setor público é o principal empregador em todas as áreas, com destaque para as Engenharias (38,1% em 2021), Ciências Exatas e da Terra (40,4%) e multidisciplinar (32,6%)”, apresenta o dossiê.
A boa notícia é que fazer pós-graduação é um diferencial profissional importante. O estudo “Brasil: Mestres e Doutores 2024”, elaborado pelo CGEE e uma das referências do “Dossiê Sucupira”, mostra que, entre 2009 e 2021, o número de doutores empregados cresceu 192% e de mestres cresceu 139%. “Outro dado importante é que, mesmo em momentos de crise econômica, a taxa de empregos de mestres e doutores se mantém em trajetória positiva”, assinalou Natália Trindade.
Para ampliar a relação entre a pós-graduação e os setores produtivos não acadêmicos, o estudo aponta possibilidades, como a contratação de mestres e doutores como contrapartida necessária para empresas que utilizem créditos ou subsídios de bancos e empresas públicas.
O “Dossiê Newton Sucupira” é um documento elaborado pelo Centro de Estudos e Memórias da Juventude (CEMJ), em parceria com a ANPG, e teve Natália Trindade como coordenadora e Cris Fairbanks, Dan Oloruama, Luiza Martins, Daisy Jorge Lima e Beatriz Lopes Durval na equipe de pesquisa.