Debate de abertura do encontro neste sábado (23.07) traçou caminhos para a (re)construção da soberania

 

Depois de quatro anos sem um Congresso presencial, a ANPG “quebrou o jejum” dos encontros calorosos neste sábado, 23.07, e deu início ao seu 28ª edição do Congresso Nacional de Pós Graduandos, na UnB (Universidade de Brasília).

Como em sua fundação, o Congresso da ANPG acontece em paralelo a Reunião Anual da SBPC ( Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência), em sua 74ª edição neste ano.

Com a participação total de 44 universidades, em 15 estados, a vice-presidente da entidade, Stella Gontijo, ressaltou a capilaridade das APG´s no último período.

“Mesmo em um cenário tão desafiador, os pós graduandos demonstram que são ativos e possuem muita disposição para se organizar para a reconstrução do país”, disse.

 

Regido pelo marco do bicentenário da independência do país, o debate inicial do Congresso trouxe participantes de diversas frentes, envolvidos com a educação e a pós-graduação  para apresentar propostas para construir um Brasil independente.

 

A reitora da UnB, Márcia Abrahão Moura, homenageada pela ANPG pela contribuição e parceria com as lutas da entidade, alertou que a essência para reconstrução deve ter princípios claros, pautados pela democracia.

“É preciso uma grande união de quem acredita em um país democrático, em investimento em educação e na importância da Ciência”. 

 

 

Fernando Morais, presidente do Sindicato dos Servidores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ressaltou a importância da juventude na reconstrução. 

“Para gerações anteriores que acompanharam um investimento em educação é muito claro que houve um rompimento nesse últimos anos, portanto é essencial que os mais jovens entendam as perdas. Para reconstruir é necessário ter um consenso que houve uma destruição”. 

Já o ex-ministro da Ciência e Tecnologia durante o governo Lula, Sérgio Rezende, apresentou um importante movimento para as próximas eleições.

“Ex-reitores e acadêmicos estão se organizando para lançar candidaturas ao Congresso Nacional e assembleias estaduais, formando uma grande bancada pela educação, em contraponto às bancadas da bala, que representam o extremo oposto”.

 

“Não há soberania sem investimento em tecnologia”

Com essa citação Augustina Rosa Echeverria, professora titular da UFG (Universidade Federal de Goiás), 

apresentou um contexto histórico da trajetória do investimento em ciência e inovação no Brasil e alertou para a descontinuidade desses ciclos em diferentes governos ao longo da história e correlacionando a dificuldade do país em alcançar a soberania.

Como exemplo, citou o ano de 1969, que militares interromperam as pesquisas com energia nuclear, e em 2015 quando o  então vice-presidente Michel Temer elaborou um programa de governo chamado “Uma ponte para o futuro”, sem citar a palavra Ciência nem uma vez. 

 

 

 Para Luis Manuel Rebelo Fernandes, coordenador da área de Ciência Política e Relações Internacionais da CAPES (2018-2022), a pandemia tem se mostrado um período de exposição das lacunas presentes na saúde, na tecnologia e na soberania brasileira

“São essas lacunas o principal legado a ser enfrentado nos 200 anos da independência, e que tem como pilar para solução o investimento público em ciência para garantir o desenvolvimento tecnológico. Até os países mais liberais seguem essa cartilha”.

Para o professor da UFC (Universidade Federal do Ceará), Ênio Pontes, devem existir propostas com alternativas ao modelo neoliberal e negacionista, que atualmente vigora no país.

“Caso contrário, a iniciativa privada tomará esse espaço, recebendo o investimento público e impedindo de gerar desenvolvimento ao povo”.

 

Os debates do 28º Congresso da ANPG sendo transmitidos pelo Canal da ANPG no Youtube.

 

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