NOTA SOBRE A CHAMADA DE BOLSAS NO PAÍS DO CNPQ

São Paulo, 10 de outubro de 2025.

NOTA SOBRE A CHAMADA DE BOLSAS NO PAÍS DO CNPQ

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifesta sua preocupação com o baixo percentual de contemplados pelo edital Chamada de Bolsas no País, do CNPq. Entre os 8.573 pesquisadores e pesquisadoras inscritos, apenas 907 — ou seja, 10,58% — foram selecionados na soma de seis diferentes modalidades.

A principal causa para o modesto índice de contemplados, mesmo com o crescimento no número de inscritos em 17% (1.200 a mais que no ano anterior), é o orçamento disponível da agência. Proporcionalmente, o CNPq foi uma das instituições mais atingidas pelos sucessivos cortes e contingenciamento em governos anteriores. E, apesar da recuperação orçamentária no atual governo, seus recursos financeiros destinados ao fomento da ciência e tecnologia ainda estão aquém dos desafios nacionais, uma vez que diversos setores têm sido pressionados a cumprir as metas fiscais nas contas públicas. Além disso, o Congresso Nacional tem imposto cortes severos no orçamento para ampliar as verbas destinadas às emendas parlamentares. Apenas em 2025, setores do parlamento corta-ram R$ 79 milhões diretamente do CNPq e R$ 300 milhões da CAPES, ao passo que as emendas parlamentares alcançaram o patamar de R$ 50 bilhões.

É inadmissível que, mais uma vez, vejamos projetos estratégicos para o desenvolvimento científico e tecnológico do país serem adiados ou mesmo inviabilizados por falta dos investi-mentos necessários. Como demonstram os números do edital, não faltam cientistas qualificados no Brasil, mas sim os meios imprescindíveis para que possam realizar suas pesquisas.

Em tempos de ataques à soberania dos Estados, a ciência tem sido a resposta que diversas nações têm adotado para fortalecer e diversificar suas capacidades produtivas e solucionar os problemas de suas populações. O Brasil precisa seguir nessa mesma rota. Afinal, ciência é ques-tão de soberania.

Por isso, neste momento em que o Congresso Nacional discute a peça orçamentária para 2026, a ANPG convoca todo o movimento nacional de pós-graduandos e as entidades científicas a pressionarem o Governo Federal e o Congresso Nacional para retirar a ciência e a educação das metas do arcabouço fiscal, nos moldes do que já vem sendo estudado para o setor da Defesa — sob pena de perdermos gerações de cientistas e projetos capazes de transformar a vida da população brasileira.

É tempo de ampliar o orçamento para a Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), com urgência para dobrar o orçamento do CNPq. Ciência é um investimento essencial para o presente e o futuro do país.

Associação Nacional de Pós-Graduandos