Na manhã desta terça-feira, 14, em ambiente virtual, foi realizada uma reunião extraordinária do Grupo de Trabalho constituído para elaborar a regulamentação da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES).
O encontro ocorreu a pedido da ANPG para apresentação dos dados colhidos em 1.532 questionários respondidos por pós-graduandos sobre as políticas de assistência e permanência estudantil no período de mestrado/doutorado. A Capes e o Inep também apresentaram dados sobre essas políticas na pós-graduação.
As informações que se extraem da amostragem coletada pela ANPG deixa nítido que, na esteira da democratização do ensino superior com as políticas afirmativas, também há uma mudança no perfil da pós-graduação brasileira, hoje com corte mais popular. Segundo a pesquisa, 30,2% dos que responderam não possuem renda familiar além da bolsa de pesquisa, ao passo que 40,7% estão na faixa de renda familiar entre 2 a 5 salários-mínimos.

Esse demonstrativo corrobora a necessidade de inclusão de mestrandos e doutorandos dentre os beneficiários da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) e evidencia que o melhor critério a ser utilizado para o enquadramento seja o perfil socioeconômico de cada estudante.
Ademais, 61,1% dos pós-graduandos bolsistas que responderam ao questionário declararam que a bolsa de estudos é a principal fonte de renda familiar, o que demonstra que esse benefício, na realidade brasileira, além de fomento à ciência, cumpre também importante papel social.

Outro fator que se sobressai na pesquisa é que o valor das bolsas é considerado insuficiente para fazer frente às demandas econômicas dos pós-graduandos. Quase 90% dos pesquisados avaliam que os valor dos benefícios sequer é compatível com as demandas de manutenção dos estudos, o que torna ainda mais fundamental a existência de políticas de assistência e permanência estudantil na pós-graduação.

Para Vinícius Soares, presidente da ANPG e membro do Grupo de Trabalho, a reunião foi positiva e a ANPG conseguiu demonstrar que o novo perfil da pós-graduação requer um olhar diferente do poder público para esses pesquisadores. “Tivemos a conquista histórica da inclusão dos pós-graduandos no PNAES e agora precisamos concretizar essa política pública nas melhores bases possíveis. Vivemos um cenário de maior democratização do acesso à pós-graduação, o que será ampliado nos próximos anos com a política de cotas raciais. Essa nova e positiva realidade exige que o governo proporcione as condições para sustentar a popularização da ciência, o que será fundamental para o desenvolvimento do país. Sem dúvida, o investimento de agora terá retorno muito maior no futuro próximo”, avaliou Vinícius.