Teve início na manhã desta quarta-feira (01/07), na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, o Seminário Nacional Dossiê Newton Sucupira, promovido pela ANPG em conjunto com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), para debater as perspectivas para a inserção dos pós-graduandos no mercado de trabalho.
A mesa inaugural, com o tema “O papel do Estado na indução da empregabilidade de mestres, doutores e o desenvolvimento nacional”, contou com a participação do presidente da ANPG, Vinícius Soares, e do ex-presidente do CNPq e atual deputado federal Ricardo Galvão, além de um vídeo do professor Anderson Gomes, representando o CGEE.
Vinícius Soares abriu os debates com uma digressão sobre o Parecer Sucupira e sua importância histórica para a formação do modelo e do sistema de pós-graduação brasileiro, baseado na necessidade de formar professores e pesquisadores para as universidades.
“Se olharmos a história brasileira, talvez poucas políticas públicas tenham produzido uma transformação tão profunda quanto a política nacional de pós-graduação iniciada a partir do Parecer Newton Sucupira. Ela permitiu que o Brasil deixasse de ser um país importador de conhecimento para construir uma comunidade científica capaz de produzir ciência em praticamente todas as áreas estratégicas. Hoje, temos universidades de excelência, temos uma comunidade científica respeitada internacionalmente, temos um Sistema Nacional de Pós-Graduação consolidado e temos uma capacidade formativa que levou décadas para ser construída”, celebrou.
Entretanto, o presidente da ANPG alerta sobre a necessidade de integração entre o conhecimento produzido na academia e as necessidades dos setores produtivos não acadêmicos, como a indústria de transformação, para ampliar a absorção de mestres e doutores e impulsionar o desenvolvimento nacional.
Segundo Vinícius, não se pode olhar um doutor apenas como alguém que concluiu um curso, mas como um agente de transformação produtiva. “Quem forma pessoas amplia sua soberania. Não é por acaso que os países que mais cresceram nas últimas décadas fizeram exatamente essa escolha. A China não investiu apenas em universidades, ela investiu em pessoas. Transformou a formação de recursos humanos em política industrial. A Coreia do Sul fez a mesma coisa. A Alemanha articulou universidades, institutos de pesquisa e empresas. Os Estados Unidos transformaram conhecimento em inovação, inovação em produtividade e produtividade em desenvolvimento”, exemplificou.
O deputado Ricardo Galvão elogiou a participação da ANPG no Conselho do CNPq pela capacidade de intervenção nos debates estruturantes sobre as políticas e não apenas nas questões específicas. “Admiro aqueles que conseguem manter a excelência em seus projetos acadêmicos, mas também conseguem ter olhar mais amplo e propor políticas públicas”, disse.
Na mesma linha de Vinícius, Galvão afirmou que só teremos desenvolvimento soberano “se a indústria de transformação usar o conhecimento de nossos mestres e doutores para produzir aqui”.
Para isso, a questão que mais preocupa o ex-presidente do CNPq é a dificuldade de o Brasil planejar estrategicamente. “Temos política pública, mas nos falta política de longo prazo. A visão estratégica está nos faltando. Não podemos fazer tudo, mas temos que definir o que é importante para a soberania e investir em longo prazo”, concluiu.