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*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected] 

Theófilo Rodrigues é mestrando em Ciência Política pela UFF e diretor da APG-UFF.

Tramita com vigor no Senado Federal o Projeto de Lei 399/2011 de autoria do senador paranaense Roberto Requião (PMDB). O PL altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n: 9.394/1996), para dispor sobre a revalidação e o reconhecimento automático de diplomas oriundos de cursos de instituições de ensino superior estrangeiras de reconhecida excelência acadêmica. Em outras palavras, com a validação automática qualquer estudante que tenha obtido seu diploma de graduação, mestrado ou doutorado em um curso de outro país, previamente cadastrado, teria seu diploma reconhecido no Brasil.

Não há dúvidas sobre os benefícios existentes no intercâmbio acadêmico e científico. Estimular que estudantes brasileiros façam seus cursos fora do país bem como que pesquisadores de outros países venham trabalhar em território brasileiro deve ser alvo permanente de nossas políticas públicas. Não à toa observamos o Programa Ciência sem Fronteiras, que destinará cerca de 100 mil bolsas de estudos no exterior até 2014, apresentar-se como carro chefe da política de pós-graduação do governo da presidenta Dilma Rousseff. De fato, a internacionalização da pós-graduação é inclusive um eixo central do 6º. Plano Nacional de Pós Graduação (2011-2020).

Contudo, tal internacionalização deve seguir critérios muito bem definidos sob o risco de se afetar perigosamente a qualidade dos profissionais que aqui atuam. Hoje, um diploma de curso estrangeiro só pode ser validado no Brasil caso haja curso similar em universidade pública brasileira e a instituição deve avaliar a grade curricular e a dissertação ou tese do proponente antes de validar o diploma. O PL do senador Requião não entra em maiores detalhes, deixando para posterior regulamentação do Poder Público a definição de quais cursos seriam validados automaticamente. A lista de cursos que poderiam ser validados automaticamente seria divulgada periodicamente pelo Poder Público.

A proposta pode ser boa na medida em que desburocratiza consideravelmente os trâmites necessários para quem quiser validar seu diploma. Mas, por outro lado, caso não haja fiscalização pode incorrer no risco de permitir que profissionais sem a qualificação necessária atuem em áreas sensíveis. Sabe-se hoje, por exemplo, da existência de centenas de cursos de fim de semana em países da América do Sul que oferecem diplomas de doutorado em Direito cujo único rigor é o do pagamento em dia.

Caso o projeto do senador Requião seja aprovado, o governo brasileiro deverá, através da CAPES, constituir uma comissão própria apenas com o objetivo de cadastrar e fiscalizar os cursos estrangeiros passíveis desta validação automática. Do contrário, não apenas a ciência, mas a sociedade brasileira em geral estará sob um perigoso risco. 

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 A Universidade Estadual Paulista (Unesp) lançou na última quinta (14) o Projeto Unesp Aberta, que disponibiliza pela internet disciplinas livres como oportunidade de aperfeiçoamento de professores nas áreas de Humanas, Exatas e Biológicas.

A iniciativa oferece gratuitamente materiais didáticos digitais dos cursos de graduação, pós-graduação e extensão da Unesp elaborados em parceria com o Núcleo de Educação a Distância (NEaD) da universidade.

Entre os materiais disponíveis na Unesp Aberta estão mais de 17 mil itens educacionais, como mapas, imagens, softwares e animações, 300 videoaulas, 300 textos e 138 livros digitais do selo Cultura Acadêmica, além do acervo da Biblioteca Digital – que reúne material pertencente ao sistema de bibliotecas da Unesp e de seus centros de documentação.

O acervo contempla ainda o material dos cursos da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e da Universidade Aberta do Brasil (UAB) e de cursos presenciais da Unesp que também utilizam as tecnologias digitais.

As disciplinas livres disponibilizadas integram a Rede São Paulo de Formação Docente (RedeFor), convênio da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo com Unesp, Universidade de São Paulo e Universidade Estadual de Campinas para dar cursos de pós-graduação a professores da rede pública do Estado.

O projeto da Unesp prevê as inclusões de versões em inglês e espanhol, bem como a incorporação de recursos de acessibilidade, como Libras e audiodescrição. O acesso ao material não dá direito a qualquer tipo de certificação de conclusão ou apoio educacional.

O lançamento do projeto também marcou a inauguração do auditório do NEaD, que conta com 150 lugares, além de uma sala de reunião e de salas de aulas.

Unesp Aberta: www.unesp.br/unespaberta 

Fonte: Agência FAPESP

Os dados referentes a depósitos de patentes internacionais elaborados pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) retratam o Brasil como um país em transição. No ano passado, 572 pedidos de patentes brasileiras foram depositados no exterior por meio do Tratado de Cooperação em Patentes. O número coloca o país no 24º posto do ranking internacional liderado pelos EUA, com 48.596 depósitos. Entre os Brics, a China lidera com 16.406 pedidos, seguida por Índia (1.430) e Rússia (964). Na outra ponta, o relatório da Ompi também demonstra que, entre 2007 e 2011, o número de pedidos de patentes brasileiras cresceu 43%, enquanto a média mundial foi de 13,7%.

A evolução do interesse brasileiro em proteger suas inovações também pode ser verificada no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi). Em 2006, o órgão acolheu 23.303 pedidos. Em 2011, foram 31.924. Consciente de que a produção brasileira melhorou, mas ainda é baixa, a presidenta Dilma Rousseff declarou, em encontro com empresários no mês de abril em Washington, que o Brasil estava muito “focado” na publicação de artigos científicos e que deve priorizar o registro de patentes.

Para essa meta tornar-se realidade, indústria e universidade vão ter que se aproximar. Ronald Dauscha, diretor da Siemens e da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), avalia que as universidades cumprem sua tarefa, produzindo ciência básica, mas falta às companhias brasileiras capacidade para aproveitar esse conhecimento.

Para ele, ainda são exceções no Brasil as empresas que têm centros de pesquisas avançados e profissionais qualificados que conhecem a produção científica e estão aptos a interagir com os pesquisadores universitários.

Dados da Thomson Reuters revelam uma peculiaridade brasileira que confirma o diagnóstico de Dauscha. Entre 2001 e 2010, quatro das cinco maiores solicitantes de patentes brasileiras foram instituições públicas e universitárias. A exceção é a Petrobras, empresa de capital misto, que possui um centro de pesquisa onde trabalham mais de 600 doutores e mestres e mantém várias parcerias com universidades. No período, a petrolífera requereu 415 patentes. No segundo posto vem a Universidade Estadual de Campinas (394 patentes) e, na sequência, a Universidade de São Paulo (235), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (143) e a Universidade Federal de Minas Gerais (139).

Sérgio Queiroz, professor de política científica da Unicamp e coordenador de pesquisas para inovação da Fapesp, acredita que as empresas devem galgar aos primeiros postos de pedidos de patentes nos próximos anos motivadas pela necessidade de inovar em consequência da concorrência internacional no Brasil e do desejo de conquistar mercados no exterior. “As empresas inovam porque precisam”, diz.

Antonio Carlos Teixeira Álvares, presidente da Brasilata e professor de inovação da Fundação Getúlio Vargas, argumenta que a indústria brasileira se desenvolveu copiando produtos do exterior, processo que foi acentuado entre os anos 60 e 80 do século passado devido à política de substituição das importações. A inovação era desnecessária. Até meados dos anos 90, a instabilidade financeira prejudicava ações de longo prazo nas empresas, inclusive a inovação.

O Brasil ainda é um novato em pesquisa e desenvolvimento. Para Álvares, o importante é que o empresário nacional está se conscientizando que precisa inovar para conquistar mercado.

Apesar do avanço brasileiro, o professor Sérgio Queiroz afirma que dois fatores tendem a limitar a ascensão do país a galgar posições. O primeiro é o baixo investimento em educação. O segundo é o perfil produtivo do país. Ele lembra que a indústria brasileira está mais concentrada em segmentos como alimentos, metal-mecânica, mineração e siderurgia, que investem comparativamente pouco em pesquisa.

Fonte: Valor Econômico

No dia 27 de Junho de 2012 a Associação de Pós-Graduandos da Universidade de Brasília organizará no auditório da reitoria um treinamento para uso do Portal de Periódicos Capes e outras bases de dados para pós-graduandos da UnB.



Para se inscrever basta enviar e-mail com seu nome completo para o e-mail da APG-UnB ([email protected]). Os participantes devem trazer seus computadores para o curso, no local há internet sem fio (wi-fi).



Após o término do treinamento, às 16h30 terá início a Assembleia Geral e Eleições 2012 APG-UnB. Durante a Assembleia Geral haverá a possibilidade de criação de chapas para as eleições. Todos(as) pós-graduandos(as) podem participar ou montar uma chapa, exceto alunos especiais. As chapas devem conter no mínimo 5 e no máximo 7 pessoas.



Serviço

CURSO DE PERIÓDICOS CAPES

27 de Junho de 2012 às 14h00

Local: Auditório da Reitoria



Baixe o Regimento Eleitoral 2012 – APG-UnB e o Estatuto da APG-UnB

Mais informações: www.facebook.com/groups/apgunb

[email protected]

http://www.unb.br/apg 

Grupo de Discussão: [email protected]



Da Redação.

Uma plataforma global para pesquisa em sustentabilidade foi lançada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), nesta quinta-feira (14), por uma aliança formada pelos principais agentes internacionais da ciência, agências de financiamento à pesquisa e organismos vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU). 

Denominada “Future Earth” (“Terra do futuro”), trata-se de uma iniciativa com duração de dez anos para apoiar pesquisas que resultem no conhecimento necessário para responder eficientemente aos impactos das mudanças ambientais globais. O lançamento foi feito no “Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development”, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

A ideia é fornecer as bases que permitam sustentar a transformação em busca da sustentabilidade do planeta para as próximas décadas. Milhares de cientistas em todo o mundo serão mobilizados pela iniciativa, ao mesmo tempo em que serão estabelecidos acordos com governos, órgãos e instituições responsáveis pela adoção de políticas públicas de modo a oferecer opções e soluções de sustentabilidade pós-RIO+20.

Entre as metas da nova plataforma global estão a produção de pesquisas orientadas para soluções que integrem desafios em mudanças ambientais com o desenvolvimento sustentável, de modo a satisfazer as necessidades humanas por alimentos, água, energia e saúde.

Colaborações inter e transdisciplinares entre pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento científico e tecnológico serão efetuadas de modo a encontrar as melhores soluções para as principais questões em torno do futuro do planeta.

Outra proposta da plataforma é aumentar a capacidade de pesquisa em ciência, tecnologia e inovação, especialmente em países em desenvolvimento, bem como engajar a nova geração de cientistas.

A plataforma Future Earth é uma iniciativa conjunta do International Council for Science (ICSU), do International Social Science Council (ISSC), do Belmont Forum, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da Universidade das Nações Unidas (UNU). A Organização Meteorológica Mundial (OMM) participa como observadora. Agências de fomento à pesquisa em todo o mundo integrarão os esforços da iniciativa.

Como membro do Belmont Forum – consórcio que reúne agências de financiamento à pesquisa de 13 países, além das da Comunidade Europeia – a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) participará da iniciativa auxiliando na escolha dos temas das pesquisas, na elaboração das chamadas e na análise, seleção e cofinanciamento dos projetos. Cada projeto deverá ter a participação de pesquisadores de pelo menos três países.

“Um dos pontos fortes desta aliança é que ela congrega cientistas, usuários dos dados das pesquisas e as agências de fomento, que irão decidir pelo financiamento dos projetos. E algumas dessas agências de fomento estão reunidas no Belmont Forum, sendo que quatro delas são de países emergentes”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e membro do Belmont Forum.

Alguns dos próximos passos que deverão ser dados para a concretização da iniciativa serão a criação de um conselho de governança e de um comitê científico, que deverá ser estabelecido em 2013.

Mais informações sobre a Future Earth: www.icsu.org/future-earth. 

Fonte: Agência FAPESP 

Iniciou-se nesta quinta (14) no campus Cedeteg da Universidade Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO), a abertura do "4º Simpósio de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação Tecnológica da Unicentro". O evento seguiu nesta sexta-feira (15), com mais três conferências.

Na abertura, o professor Claudio Mello, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Unicentro, fez um relato da evolução da pós-graduação na universidade e destacou que, neste ano, a instituição está submetendo, à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior  (Capes), novas propostas para apreciação, sendo uma para o doutorado em Biologia Evolutiva, e as outras para os mestrados em Ensino de Ciências e Matemática, em Desenvolvimento Comunitário e em Engenharia Sanitária e Ambiental. Além destes, a Unicentro também submeterá a proposta de adesão ao mestrado profissional em rede nacional em Letras.

Encontro de Pós-Graduandos 

No período da tarde, foi realizado o "1º Encontro de Pós-Graduandos da Unicentro", que debateu o tema “Situação da pós-graduação no país e os desafios para os pós-graduandos”, ministrada pelo diretor de Comunicação da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Theófilo Rodrigues. O palestrante apresentou alguns dados da situação atual do Brasil na pós-graduação, como os rankings mundias de Artigos Científicos (13º lugar) e de Patentes (47º lugar), comparando com alguns outros países mais desenvolvidos na Ciência, como a Rússia, Japão, China e Estados Unidos.

Rodrigues também destacou algumas formas que o Brasil pode adotar para melhorar o desenvolvimento da Educação e da Ciência e Tecnologia. Durante a conferência, também foram discutidos pontos sobre  "Assistência" (aumento nas bolsas auxílios para os pós-graduandos), "Internacionalização" (melhoria no Programa Ciência Sem Fronteiras), "Assimetria" (desenvolvimento centralizado em alguns regiões do país) e o "Financiamento" (considerado ponto fundamental para a realização das pesquisas).

Após a explanação, houve um momento aberto para debates. O destaque nas discussões ficou por conta da sugestão de criação de uma Associação de Pós-Graduandos (APG) na Unicentro.

Fonte: UNICENTRO

A Comissão Especial do Plano Nacional de Educação (PNE – PL 8035/10) aprovou, nas tarde de ontem, em caráter conclusivo, o texto principal do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR). Com exceção do Psol e do PDT, os demais partidos votaram a favor do relatório.

O PNE estabelece 20 metas educacionais que o Brasil deverá atingir em dez anos. A principal delas é a que determina um patamar mínimo de investimento em proporção ao PIB.

O relator fixou o índice em 8% do PIB, mas entidades científicas e estudantis, como a ANPG, a UNE e a UBES pedem 10% – atualmente o país aplica 5,1% do PIB em educação

Saiba mais: ANPG, UNE, UBES e SBPC organizam ato em Brasília: PNE Já!

Na próxima semana, não há previsão de reuniões da comissão do PNE por causa da Rio+20 e das festas juninas no Nordeste que deverão esvaziar o Congresso Nacional. Com isso, a votação dos 160 destaques apresentados ao relatório deve começar apenas dia 26. Com o calendário eleitoral começando a partir de julho, diminui as chances da tramitação do PNE termine neste ano, já que a proposta ainda precisa ser encaminhada ao Senado. 

Da Redação com informações da Agência Câmara.

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected] 

Rafael Chagas é diretor da Associação de pós-graduandos da UFF, mestrando em saúde coletiva da mesma universidade e ex-diretor de políticas educacionais da UNE.

Certamente o processo de greve deflagrado nas universidades federais há alguns dias se apresenta em um contexto diferente de outros movimentos grevistas na educação superior de anos anteriores. As últimas greves tiveram como marca a desmobilização da comunidade universitária e o pouco diálogo com o conjunto da sociedade, desgastando este legítimo instrumento dos trabalhadores. No entanto, este ano, temos assistido um movimento mais vigoroso, com novos sujeitos políticos em cena e pautas que se articulam para além das entidades tradicionais do movimento social de educação. Esse novo cenário traz um ambiente propício para a discussão do conteúdo deste movimento.

A novidade desta greve parece resultado de uma questão decisiva: De qual universidade e de qual sociedade esta greve está falando? Há de se imaginar que novos elementos na conjuntura vão exigir outras elaborações que irão implicar em novos processos reivindicatórios. Destacam-se dois pontos fundamentais em que se evidenciam mudanças importantes. Primeiro, a ampliação da universidade pública no Brasil e em segundo a diminuição da pobreza com geração de emprego e renda.  Assim, o debate se deslocou do âmbito da necessidade de existir ou não universidade pública em uma sociedade onde grande parte da população vivia na condição de miséria, para a possibilidade da universidade repensar o seu papel na democratização do país.

Estas novas condições engendram um conjunto de contradições no interior das universidades. O REUNI, programa do governo federal responsável pela ampliação da oferta de vagas e pela interiorização da universidade, também tinha por objetivo mudar a estrutura universitária no sentido de democratizá-la. Entretanto, este projeto enfrenta dificuldades para a sua plena implementação, tanto pela limitação orçamentária, quanto pela sua conformação ao caráter autoritário que caracterizou historicamente as instituições de ensino superior no Brasil. Não se imaginava que a universidade mudaria radicalmente apenas com a adesão das IFES a um projeto governamental. Os setores conservadores que se beneficiam de um modelo anti-democrático de universidade, construído há mais de 100 anos, não seriam derrotados apenas por um processo legal e burocrático. O choque entre o que tem surgido de inovador e a velha estrutura da Universidade se apresenta de tal ordem que a mobilização torna-se uma condição necessária para as propostas de mudança se viabilizarem.

Por outro lado, o fortalecimento das classes populares resultado do crescimento do trabalho e da renda no Brasil exige pensar um novo papel dos serviços públicos no debate ideológico. Os interesses privados do mercado logo se colocarão como provedores de serviços pagos de baixa qualidade, como educação e saúde, para atender esse novo mercado. A ascensão social vinculada apenas ao aumento do consumo não cria mecanismos de mudanças, ao contrário, conforma as possibilidades abertas com o crescimento econômico. Torna-se fundamental o Estado ofertar serviços públicos de qualidade e universais, com o objetivo de fortalecer a cidadania para além do consumo. Portanto, a ampliação do ensino superior público deve ser uma questão prioritária nos debates da greve, já que o crescimento das universidades federais está aquém das exigências impostas pelas transformações presentes na sociedade brasileira.

As contradições e as possibilidades presentes nesses processos de mudanças permite a construção de agendas de transformação com mais vigor pelo movimento grevista. Enquanto no passado as IFES estavam sendo sucateadas pelo desmonte operado pelo neoliberalismo brasileiro, este ano a mobilização se insere em uma conjuntura de retomada dos investimentos na universidade pública e de centralidade do ensino superior na discussão de um projeto de sociedade. Assim, passamos de um movimento de resistência ao modelo vigente a um processo de disputa de projetos, onde a universidade pública não está em questão, mas sim o que queremos dela. 

Soma-se a isso, a entrada de um novo público na universidade, resultado do REUNI, tanto de docentes como de estudantes. Esses novos sujeitos, evidentemente, pressionam para que a universidade atenda suas demandas e interesses que, na maioria das vezes, não são nem escutadas. A impressão que passa é que a universidade mantém uma relação de estranhamento com estes sujeitos, mas agora eles estão dentro dela e exigem participar de sua dinâmica. A reivindicação destes setores vai desde a infraestrutura necessária até uma nova concepção de construção do saber, mais democrática e com relevância social. Isso pode ser percebido em algumas agendas que sustentam esta greve, onde estudantes se mobilizam por condições adequadas de estudo e trabalhadores se colocam contra propostas que aprofundam a divisão do saber entre os que produzem pesquisa e os que se dedicam a docência. 

Assistimos, neste sentido, o surgimento de um novo tipo de protagonismo no interior das universidades, onde os sujeitos se organizam e estabelecem redes para além das entidades tradicionais dos trabalhadores e do movimento estudantil. Estes novos atores políticos elaboram suas pautas a partir do vivido no cotidiano e não através de modelos pré-estabelecidos ditados pelas estruturas das entidades tradicionais. Os sindicatos de trabalhadores das universidades e o movimento estudantil tem uma grande oportunidade, nesta greve, de se reinventarem e se colocarem a altura das questões de seu tempo.

Portanto, esta greve tem revelado movimentos interessantes para além do que podemos enxergar a primeira vista. Estes movimentos contestatórios, elaborados a partir do cotidiano das instituições por novos atores políticos, é onde se encontra a possibilidade desta greve conseguir superar uma concepção apenas corporativa, evidenciada em greves anteriores, e construir processos com a potência necessária para produzir mudanças radicais na estrutura das universidades brasileiras, caminhando para superar definitivamente a crise de legitimidade em que se encontra a universidade em relação ao conjunto da sociedade.

Como toda atividade humana, a ciência tem uma história – e muito interessante, diga-se de passagem. Para mostrar como unir de forma atrativa história e ciência, os Seminários em Divulgação Científica recebem em 18 de junho, segunda-feira, às 9h, a historiadora Andréa Fernandes Costa para tratar do tema “As potencialidades do uso de instrumentos científicos históricos na divulgação da Ciência em museus”.

A pesquisadora do Museu Nacional/UFRJ falará sobre a sua experiência como Chefe do Serviço de Programas Educacionais da Coordenação de Educação em Ciências do Museu e Astronomia e Ciências Afins (Mast). O evento é gratuito, não requer inscrição prévia e será realizado na sala de aula da Oficina Escola de Manguinhos.

O ciclo de palestras “Seminários em Divulgação Científica” faz parte do curso de Especialização em Divulgação da Ciência, da Tecnologia e da Saúde, uma parceria entre Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, Casa da Ciência/UFRJ, Fundação Cecierj e Museu de Astronomia e Ciências Afins, com apoio da Rede de Popularização da Ciência e da Tecnologia da América Latina e do Caribe (Red-Pop), da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência e do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia/Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social/MCTI. Saiba mais sobre o curso em www.museudavida.fiocruz.br/lato

Serviço

Seminário: “As potencialidades do uso de instrumentos científicos históricos na divulgação da Ciência em museus”, com Andréa Fernandes Costa

Evento gratuito

Horário: dia 18 de junho, segunda-feira, às 9h.

Local: sala de aula da Oficina Escola de Manguinhos

Endereço: Av. Brasil, 4365 – Manguinhos (perto da Passarela 6 e dentro do campus da Fiocruz).

Mais informações: (21) 3865-2234 ou [email protected]

Fonte: Museu da Vida

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou na última sexta-feira (8) o edital n° 25/2012 Capes-Fulbright Master of Fine Arts (MFA). O edital torna pública a seleção de bolsistas para realização de mestrado nos Estados Unidos da América na área de produção cinematográfica com vistas à formação de roteiristas. O envio das candidaturas segue até o dia 31 de agosto de 2012.

De acordo com o edital, serão concedidas até três bolsas de estudo, renováveis, anualmente e com duração máxima de três anos acadêmicos da instituição nos EUA. A seleção se desenvolverá em três fases, todas de caráter eliminatório e, a partir da segunda fase, a seleção se revestirá de caráter classificatório.

Inscrições

Os interessados poderão se inscrever gratuitamente pelo sítio da Fulbright, por meio do preenchimento de um formulário on-line e o envio do Signature Form e Argumento de Longa Metragem, documentos que deverão ser enviados anexos ao formulário online.

Benefícios

Entre os benefícios, os bolsistas da Capes receberão: Mensalidade no valor de US$ 1.150,00, paga exclusivamente nos meses de efetiva permanência nos EUA, sendo que, no primeiro e no último mês, o valor da mensalidade será pago proporcionalmente ao período de permanência na cidade de estudos; pagamento da anuidade e taxas acadêmicas da universidade norte-americana; seguro saúde complementar, no valor de US$ 90,00 mensais e auxílio deslocamento.

Acesse a página do Programa de Bolsa de Estudos para Master of Fine Arts (MFA).

 

Fonte: Ascom da Capes.