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Por Stella Ferreira Gontijo – Diretora de Mulheres da ANPG, militante do coletivo Kizomba e da Marcha Mundial das Mulheres – com Letícia Perét – Militante do coletivo Kizomba e da Marcha Mundial das mulheres

A pauta do direito ao aborto se consolida no interior dos feminismos latino-americanos a partir da década de 1980, com os processos de redemocratização em vários países que viveram, por décadas, violentas ditaduras. Hoje, muito se fala do direito ao aborto como uma questão de saúde pública e, de fato, essa é uma das faces para as quais devemos olhar. As mulheres abortam, seja esta prática legalizada ou não, e continuarão abortando, seja pela falta de condições materiais para prosseguir com a gestação e criar aquele filho, por exemplo, seja por suas condições psicológicas, ou seja, por uma decisão sobre destino e projeto de vida que não inclui aquela gestação. Só no Brasil a cada ano são realizados entre 700 mil e 1 milhão de abortos, o que corresponde ao fato de que 1 em cada 5 mulheres brasileiras já realizaram aborto em algum momento (PNA, 2016). Além disso, segundo a Pesquisa Nacional de Aborto, em 2016, cerca de metade das mulheres precisou ser internada para finalizar o aborto. Ao contrário do que diz o senso comuns, quem realiza aborto são mulheres comuns, de todas as classes sociais, raças e das mais diversas religiões (PNA, 2016). Entretanto, pelo aborto ser criminalizado no Brasil, ele acontece de maneira clandestina, deixando entre as vítimas de complicações e mortes, em sua maioria, as mulheres negras e periféricas. São elas grande parte das mulheres que não têm acesso aos métodos utilizados para um procedimento seguro e que têm dificuldade em alcançar um acompanhamento posterior, tanto médico quanto psicológico.

A questão que nos propomos a colocar em reflexão é que, além de uma questão de saúde pública, devemos tratar a criminalização do aborto a partir da ótica do feminismo anticapitalista, antirracista, contra o patriarcado heteronormativo, e que deve responsabilizar o Estado pela criminalização do aborto que, por sua vez, coloca a vida das mulheres em risco. Essa perspectiva no trato da questão deve substituir aquela ótica do feminismo liberal que trata o aborto meramente enquanto um direito individual e que não aprofunda nos debates estruturais, de classe e raça. Para isso, voltemos ao início da consolidação da sociedade moderna, quando os conhecimentos produzidos pelas mulheres sobre seus corpos e sobre a reprodução foram gradual e violentamente criminalizados. A queima das bruxas foi o meio pelo qual se consolidou a dominação sobre as mulheres e seu isolamento da esfera pública, através da violência. Também fez parte desse processo a transformação do momento do parto, que até então era conduzido por mulheres. As mulheres parteiras, com seus conhecimentos passados de geração a geração, foram retiradas desse espaço para dar lugar ao médico homem, que deveria deter todo o controle sobre o procedimento, cada vez mais medicalizado. Tudo isso se deu com o propósito de retirar das mulheres sua autonomia e, com isso, o direito aos seus corpos, colocando a mulher, assim, a serviço do capital. A mulher se torna, então, mera reprodutora de força de trabalho, sem um valor dentro da lógica do que é considerado trabalho produtivo e remunerado. Este processo, sustentado até os dias de hoje pelo neoliberalismo, nos nega esse direito de autonomia e liberdade, e retira do Estado a responsabilidade pelas nossas vidas.

No contexto em que vivemos em 2019, com o avanço do conservadorismo não só no Brasil, mas em toda a América Latina (e no restante do mundo), nossos corpos e nossas vidas seguem sendo atacados. A ascensão de governos marcadamente com tendências antidemocráticas e fascistas – como é o caso de Bolsonaro no Brasil e Macri na Argentina -, nos expõe à violência e à privatização ainda maior dos nossos corpos, colocados a serviço do capitalismo patriarcal, racista e LGBTfóbico. No anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2019) está retratado, em números, o aumento da violência contra as mulheres, com o crescimento do feminicídio em 4%, e da violência sexual em 4,1%, em relação ao ano de 2018. Nesse cenário, o Conselho Federal de Medicina, em um ato pouco divulgado mas extremamente grave e violento, por meio da Resolução nº2232 de 17 de julho de 2019, dá respaldo ético à violência obstétrica ao retirar da mulher o direito à recusa terapêutica, dando prioridade, mais uma vez, à vida do feto, acima da vida das mulheres.

O debate sobre a descriminalização e a legalização do aborto deve se dar levando em consideração a discussão sobre a autonomia das mulheres, que tiveram, por centenas de anos, suas existências colocadas a serviço do capitalismo patriarcal. O direito de escolha, de decidir sobre o próprio corpo, é um direito da mulher negado pelo Estado neoliberal. Por isso, no dia 28 de setembro, as mulheres da América Latina e do Caribe se unem em defesa do aborto, autonomia e igualdade.

“Resistimos para viver. Marchamos para transformar.”

 

 

 

Referências bibliográficas:

Cartilha da SOF – Sempreviva Organização Feminista. Direito ao aborto, autonomia e igualdade. São Paulo, 2018;

DINIZ, Debora; MEDEIROS, Marcelo; MADEIRO, Alberto. “Pesquisa Nacional de Aborto”. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2017, vol.22, n.2, 2016, pp.653-660.

FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa. Mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2017.

Stella Ferreira Gontijo – Diretora de Mulheres da ANPG, militante do coletivo Kizomba e da Marcha Mundial das Mulheres – com Letícia Perét – Militante do coletivo Kizomba e da Marcha Mundial das mulheres.

 

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade.

 

A reitora interventora da UFGD, nomeada pelo Ministério da Educação em junho de 2019, desrespeitando o processo democrático realizado na Universidade, marcou para quinta-feira (26/09), a 97ª reunião do Conselho Universitário (COUNI), após dois meses sem convocações. As entidades representativas  das categorias inframencionadas já haviam manifestado preocupação com a omissão da reitoria em relação a não realização de reuniões ordinárias do COUNI e, também, em relação a determinação de alterar o local das reuniões dos conselhos superiores – do auditório para uma sala com capacidade reduzida. Essa medida que restringe a participação da comunidade, confronta o Regimento do COUNI, no seu “Art. 30: As reuniões do Conselho Universitário serão públicas e, a critério do Plenário, estará aberta a membros da comunidade universitária (docentes, discentes e técnicos administrativos) a participação em suas reuniões, com ou sem direito ao uso da palavra.”

Muitas pessoas, entre docentes, técnicos/as e estudantes, compareceram à Unidade I para participar da reunião, que deveria ser iniciada às 08 horas. No entanto, a interventora, Professora Mirlene Damázio, não compareceu à sala para presidir a reunião, nem mesmo seu vice e a equipe de pró-reitores, tampouco aceitou receber conselheiros para acordar a modificação do local, para que assim houvesse espaço para todas as pessoas presentes.

Apesar do descaso da reitora interventora e, seguindo o regimento do conselho, com quórum mínimo atingido, a 97ª reunião do Conselho Universitário da UFGD foi iniciada sob a presidência do conselheiro com maior tempo de serviço na universidade presente, Professor Sidnei Azevedo de Souza. Em questão de ordem, foi aprovada a transferência da sala 304 para o cine-auditório. A partir de então, deu-se início a discussão da pauta, que continha mais de mil páginas a respeito de assuntos de relevância para toda a Universidade.

Já não bastasse o fechamento de dois dos três portões de acesso à Unidade I e reforço da vigilância no local, nos surpreendemos com a presença de guarnição da Guarda Municipal de Dourados nas dependências da Universidade desde o início da manhã, deslocada sob o pretexto de garantia da ordem. Durante o decorrer da manhã, também esteve presente uma guarnição da Força Tática da Polícia Militar. Segundo informações, foi encaminhado um ofício à Polícia Federal alertando para uma possível “invasão” nas dependências da universidade e, diante disso, foi feito o deslocamento das forças policiais até a UFGD. Entretanto, por volta das 11 horas da manhã, e após diálogo entre a Polícia Federal, professores, estudantes e representante da OAB/ Dourados, os policiais se retiraram pois constataram que não havia nada que representasse falta de segurança, ausência de garantias para a realização da reunião ou ainda qualquer ameaça de “invasão ou prejuízo a ordem na Universidade”.

Assim posto, repudiamos a atitude desrespeitosa e irresponsável da reitoria interventora para com a Comunidade Universitária, tanto em relação à sua postura antidemocrática de não comparecer à reunião, quanto da produção da nota inverídica lançada no site da UFGD, em que a reitora diz transferir a reunião para outra data, ato que consideramos ilegítimo e autoritário. Demonstramos, também, muita preocupação com a ação truculenta da reitoria interventora de solicitar a presença de forças policiais na Universidade. Não havia razão para acionar a polícia, pois a comunidade acadêmica pretendia somente ter a garantia do direito de participar da reunião e se manifestar como permite a lei.

Convocamos a comunidade acadêmica da UFGD a se manifestar em relação aos fatos ocorridos. É muito grave que nossa Universidade esteja passando por um momento como este, sendo necessária a mobilização de todos e todas para defender a UFGD, a autonomia universitária, o diálogo e o caráter gratuito e de qualidade da educação pública.

Não à intervenção!
Não ao Future-se!

Dourados – MS, 27 de setembro de 2019.

Diretoria do Diretório Central dos e das Estudantes da UFGD

Diretoria da Associação de Pós-graduandos/as – APG UFGD

Diretoria do Sindicato dos/as Professores e Professoras – ADUF Dourados

Diretoria do Sindicato dos/as Trabalhadores em Educação em Instituições Federais – SINTEF UFGD

A ANPG constrói junto a outras entidades da comunidade científica e educacional Greve Geral da pós graduação dia 2 de outubro.

O dia visa dar visibilidade à importância da ciência para o desenvolvimento e para alternativas à crise econômica que assola o país.

Neste dia realizaremos aulas públicas, exposição de nossas pesquisas e atividades que dêem visibilidade à causa da ciência. Ocorrerá ainda a Marcha pela ciência ao congresso Nacional, onde nos somaremos à SBPC.

Dia 3 de outubro nos somaremos nas passeatas às entidades do movimento educacional.

O objetivo é sensibilizar os parlamentares, a sociedade e autoridades do executivo para alterarem a proposta de Orçamento para 2020 (PLOA 2020), que traz cortes drásticos para a CT&I e agências de fomento como CAPES, CNPq e FINEP.

PROPOSTA DE PAUTA ORÇAMENTÁRIA A SER LEVADA À CMO E AOS PARLAMENTARES PELAS ENTIDADES
– Reivindicar recursos para investimento no MCTIC, para o orçamento de 2020, no mínimo igual ao de 2017, para manter atividades básicas;

– Reivindicar a extinção da Reserva de Contingência do FNDCT, que se configura em desvio de finalidade

– Reivindicar que o orçamento da Capes e CNPq retornem ao valor aprovado pelo Congresso para 2018, de maneira a recompor integralmente as bolsas contingenciadas.

– Destinação no Orçamento 2020 dos recursos de custeio e investimento para as universidades federais e os IFES no nível do aprovado pelo Congresso para 2019.

PAUTA LEGISLATIVA
-Aprovação do projeto que destina 25% do Fundo Social do Pré Sal para C&T;

-Mudanças no FNDCT, transformando-o em fundo financeiro;

-Aprovação da PEC 24, que exclui na Emenda 95 (teto de gastos), as receitas próprias das Instituições Federais de Ensino.

AÇÃO JUNTO AO GOVERNO E AO PARLAMENTO
– Não extinção do CNPq e Finep, como tem sido aventado em setores governamentais

CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES

DIA 1/10
✔ 17h – reunião das entidades coordenadoras da Iniciativa com o senador Marcelo Castro, presidente da CMO, no Gabinete do Senador. Entrega do documento sobre o Orçamento para CT&I.

DIA 2/10
✔ 8h30 às 10h – recepção das Sociedades científicas e participantes da Marcha para a Ciência no plenário 13 da Câmara. Organização dos grupos que farão as visitas aos gabinetes dos parlamentares, em especial os da CMO e lideranças partidárias;
✔ 10 h – 15h30 Visitas e conversas com parlamentares. Entrega do documento sobre o Orçamento para CT&I.
✔ 16h – em frente à rampa do anexo 2 da Câmara, ato político da Marcha para a Ciência.

DIA 03/10

✔Passeatas por todo o país em defesa da educação e da ciência e tecnologia.

Na tarde de ontem, 25 de setembro, ocorreu a I Assembleia de Pós-Graduandos do Pará, no auditório do ICED/UFPA, contando com representativa participação de discentes de pós-graduação da UFPA, bem como de programas de outras universidades, como UEPA e CESUPA. O apoio total às paralisações de 2 e 3 de outubro foi aprovado, tendo como foco principal a participação unificada no ato do dia 3/10, em Belém.

O espírito crítico e a necessidade de unificação das lutas deram o tom do debate. Em pauta, estavam os cortes de bolsas, a rejeição ao FUTURE-SE e a construção de uma agenda unificada de lutas e reivindicações para combater os ataques que a educação pública vem sofrendo, sobretudo o ensino superior e a pós-graduação.

Uma comissão de interlocução foi composta por representantes de todos os programas de Pós-Graduação presentes na Assembleia para abrir diálogo com a Administração Superior da UFPA (e de outras universidades), como o legislativo e com o governo estadual, na busca de meios para recompor o déficit de bolsas no estado após os cortes na CAPES e no CNPq.

Estiveram presentes na assembleia o DCE UFPA, a UNE e a ADFUPA. A ANPG foi representada por seu diretor de Comunicação, Vinicius Soares, que trouxe apontamentos sobre a conjuntura nacional, informações sobre a entidade e opiniões sobre a organização o movimento.

A assembleia foi realizada pelo Coletivo de Pós-Graduandos do Pará e pela Associação de Pós-Graduandos da UFPA (APG UFPA), contando com o apoio do Instituto de Educação – ICED e do Programa de Pós-graduação em Educação – PPGED/UFPA.

Por José Maria Reis (zehma) – Presidente da APG UFPA

A ciência brasileira pede socorro. Bolsonaro já demonstrou que é inimigo do pensamento livre e da produção de conhecimento. Os cortes orçamentários que afetam as universidades e as agências de fomento à pesquisa, como a Capes e o CNPq, fazem parte de um projeto que visa atacar os pilares da Nação e desestruturar a capacidade do país construir um projeto de desenvolvimento do qual o povo trabalhador faça parte.
Por isso, hoje, defender a ciência contra o obscurantismo é a causa unifica o país e mobiliza grandes parcelas da sociedade. As grandes manifestações mostraram que há energia para enfrentar os ataques e obrigaram o governo a reverter parcialmente os cortes.
Mas há muito por fazer e sua participação é fundamental. Você pode ajudar a ciência a resistir, sobreviver e se fortalecer. A batalha da vez é pelo orçamento de 2020. É preciso garantir recursos suficientes para a recomposição e o pagamento de todas as bolsas de estudo e o funcionamento pleno das universidades federais no ano que vem.
Por isso, a ANPG tem trabalhado para mobilizar os pós-graduandos e pressionar e convencer parlamentares de todos os partidos a ampliarem os recursos para essas áreas. Sua ajuda é fundamental para pressioná-los em suas bases eleitorais. O instrumento usado será o abaixo assinado #TireAMãoDaMinhaBolsa, que é uma iniciativa vinculada à Campanha SOS Ciência. Funciona assim:

  1. Assine e divulgue o abaixo assinado em defesa das bolsas de estudos, das agências de fomento (CAPES e CNPq) e do orçamento da Educação e Ciência e Tecnologia. É fácil, é só entrar no bit.ly/TireaMaodaMinhaBolsa e assinar. Compartilhe com seus amigos e consiga mais assinaturas!
  2. Utilize o abaixo-assinado como texto padrão e dispare para os e-mails dos deputados e senadores de seu estado. Veja a lista com e-mails e contato dos parlamentares aqui: bit.ly/2mJbnkS
  3. Convoque seus colegas do grupo de pesquisa, programa e campus para falar sobre a conjuntura da pós-graduação, ciência e educação no país.
  4. Organize uma assembleia de pós-graduandos e pesquisadores junto com sua APG para debater a defesa da pós-graduação e ciência no país. No dia 02 de outubro em sua instituição vale promover atividades como ato de rua, exposição para a sociedade sobre o que é produzido em sua instituição…).
  5. Marque presença no evento geral da greve do dia 02. Faça um evento com as informações da sua instituição. Coloque a ANPG como co-organizadora junto com sua APG e divulgue para todo mundo. Esse é o link www.facebook.com/events/420538198586250/ 
  6. Converse com professores, funcionários e familiares sobre a importância da greve para a ciência no país.
  7. Forme uma comitiva de pós-graduandos e pesquisadores, inclua professores, membros da Instituição para se juntar à marcha em Brasília dia 02. Vamos dialogar com os parlamentares sobre a importância de mais investimentos para ciência e tecnologia.
  8. Preencha o formulário da ANPG e nos ajude divulgar suas atividades nas redes da entidade. Tire fotos, vídeos, chamadas da preparação da greve e no dia 02 de outubro e divulgue nas redes marcando a ANPG. Estamos juntos nessa! Inclua também as informações sobre a marcha à Brasília. Esse é o link  bit.ly/2kGAcxu
  9. Passe em sala, laboratório, corredores da instituição, mande e-mail para todos do programa de pós e instituição, convocando e falando da importância de parar as atividades dia 02.
  10. Faça oficina de cartazes, imprima as plaquinhas e os materiais disponíveis no Drive da Greve. O link é esse aqui bit.ly/2kLukTl

Vamos juntos nessa luta e fazer uma grande greve no dia 2 de outubro em defesa da Pesquisa, Ciência e da Educação.

A Associação Nacional de Pós-Graduandos, a União Nacional de Estudantes e a União Brasileira de Estudantes Secundaristas vêm por meio desta esclarecer o acidente ocorrido durante o trajeto dos estudantes que estavam na Missão Chico Mendes que teve como primeiro ponto a cidade de Humaitá.

Na manhã do dia 21 de setembro, próximo ao munícipio de Humaitá- AM, alguns estudantes, professores, trabalhadores e diretores das entidades que integraram a primeira caravana da missão Chico Mendes sofreram um acidente na BR 319, nas imediações do KM 443. Devido às más condições da BR um dos carros da caravana bateu no ônibus que transportava os participantes e um segundo carro, para evitar uma colisão maior, acabou capotando na estrada e caiu em uma ponte. Por causa do difícil acesso as vítimas receberam os primeiros atendimento em hospital local chegando na noite de 22/09 na cidade de Manaus. Felizmente, todos passam bem, embora alguns ainda estejam hospitalizados.

Desde sábado, assim como durante a missão, as entidades estudantis disponibilizaram todo aporte médico e logístico para que todos tenham recuperação rápida e possam voltar a suas atividades, contribuindo ainda mais para o sucesso da Missão Chico Mendes e para construção de um Brasil mais justo.

Um abaixo-assinado pela recomposição das bolsas de estudos e do orçamento das agências Capes e CNPq foi lançado, neste dia 20 de setembro, com apoio de 54 entidades de pós-graduandos, acadêmicas, de estudantes e docentes. A iniciativa, capitaneada pela ANPG, é mais um movimento da sociedade civil para pressionar o governo federal e sensibilizar o parlamento a buscar soluções que salvaguardem a educação e a ciência do risco de colapso de financiamento.

A adesão ao documento “TireAMãodaMinhaBolsa – Em defesa das bolsas de estudos, das agências de fomento (CAPES e CNPq) e do orçamento da Educação e Ciência e Tecnologia” pode ser feita por qualquer pessoa ou entidade que queira manifestar solidariedade e preocupação com as medidas do governo que afetam essas áreas. A expectativa dos organizadores é fazer a entrega do manifesto e das assinaturas no Congresso Nacional ao fim da Marcha Pela Ciência, dia 02 de outubro. Também nessa data, foi convocada a greve nacional da pós-graduação, que deve paralisar universidades de todo o país em defesa da ciência e da educação.

O abaixo assinado online está disponível no link  bit.ly/TireaMaodaMinhaBolsa . Pedimos que todos assinem e compartilhem para ampliarmos essa mobilização em defesa das bolsas, da CAPES, CNPq e da ciência e tecnologia do país.

A Associação Nacional dos Pós-Graduandos, em conjunto com a comissão de bolsistas CAPES e CNPq da Universidade de Brasília (UnB), acaba de lançar a Campanha + Pesquisa + Educação, destinada a sensibilizar o Congresso Nacional para a emergência de instituições de fomento à ciência diante dos sucessivos cortes orçamentários que têm sido alvos. A iniciativa também é parte da Campanha S.O.S Ciência, lançada pela entidade em julho.

Na tarde de 18 de setembro, as lideranças estudantis já fizeram uma “blitz” na Câmara dos deputados, visitando parlamentares de diversos partidos políticos para que estes se comprometam a garantir os recursos necessários para Educação e Ciência e Tecnologia no orçamento de 2020. Para Flávia Calé, presidenta da ANPG, “o acompanhamento cotidiano do parlamento é fundamental para assegurar o êxito das pautas da pós-graduação. A batalha orçamentária em curso no Congresso Nacional é decisiva para que sejam satisfatórios os recursos das bolsas e de áreas importantes, como a educação e a ciência e tecnologia”.

Segundo Amanda Vitória Lopes, mestranda do programa de Ciência Política da UnB, a ideia de procurar parlamentares surgiu de conversas com amigos que trabalham no legislativo e detectaram que havia espaço em diversos segmentos políticos para ouvir as reivindicações de quem é diretamente afetado pelos cortes. “A receptividade tem sido muito boa. Nosso lema é “ninguém diz não para a educação, ninguém diz não para a ciência e para o desenvolvimento do país”. Todo mundo está de acordo, o que a gente está precisando é lembrar eles disso”, afirma.

O diretor de Comunicação da ANPG, Vinicius Soares, participou da ação na Câmara e relatou as intensas articulações para reverter a situação de inanição a que o governo submeteu a educação e a ciência. “Hoje conversamos com deputados, nos gabinetes ou nas comissões, para tentar ampliar o orçamento da CAPES e do CNPq. Fizemos isso mostrando relatórios de como os cortes impactam em cada estado. A ideia é sensibilizar e chegar no relator do orçamento”, disse.

Para que a Campanha + Pesquisa + Educação ganhe mais força e capilaridade, as lideranças estão orientando que a iniciativa se reproduza nos estados e municípios, que são as bases eleitorais de deputados e senadores.

Cortes e crise na pós-graduação
O CNPq, órgão fundamental para o fomento à pesquisa responsável por 84 mil bolsistas, esteve ameaçado cortar os repasses para todos os estudantes a partir de setembro. A situação relativa ao ano de 2019 só foi resolvida graças à pressão das grandes manifestações da comunidade acadêmica que ajudaram a viabilizar o acordo de repasse de 250 milhões dos recursos recuperados da Petrobrás.

No caso da CAPES, após ter congelado 11.800 bolsas ao longo do ano, o MEC autorizou a reabilitação de pouco mais de 3000 benefícios na semana passada. Ainda assim, a proposta de orçamento enviada pelo governo ao Congresso prevê corte de mais de 1 bilhão nos recursos da agência para 2020.

Corte de recursos terá impacto direto na sociedade

 

Vahan Agopyan

Nas últimas semanas, um assunto recorrente tem sido as dificuldades enfrentadas pelas agências federais em manter o número de bolsas de estudo e honrar os auxílios já concedidos decorrentes do contingenciamento financeiro.

Nesse quadro, destacam-se as bolsas de pós-graduação. Elas beneficiam jovens talentosos dos cursos de mestrado e doutorado do país, que estão se preparando paras as carreiras de pesquisador e de docente. Essas instituições oferecem outros tipos de bolsas, como as de iniciação científica, para os alunos de graduação, e as de pós-doutoramento, destinada aos novos doutores que se envolvem em projetos de pesquisa, sem vínculo empregatício.

Os dirigentes das principais agências —como a Capes, vinculada ao Ministério da Educação, e o CNPq, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações— estão se desdobrando para reduzir o impacto negativo da restrição orçamentária no ambiente científico nacional, mas os orçamentos dessas instituições precisam ser recompostos com medidas emergenciais neste ano e na proposta orçamentária de 2020.

Os jovens que estão envolvidos ou pretendem seguir na pós-graduação stricto sensu terão suas aspirações frustradas. Muitos deles poderão abandonar o sonho de desenvolver uma pesquisa e ingressar na vida profissional. Outros, mais persistentes, devem continuar como alunos de pós-graduação em tempo parcial, prolongando suas atividades na universidade por longos anos.

Esse quadro é sombrio. A produção científica mundial é fortemente apoiada nas pesquisas desenvolvidas nos programas de pós-graduação. Mesmo nas instituições científicas não universitárias, a pesquisa depende dos pós-graduandos e dos pós-doutorandos.

Portanto, a redução do número de bolsas está diretamente relacionada à diminuição do volume de pesquisas e do ritmo de formação de recursos humanos qualificados —e, em última instância, do desenvolvimento econômico, tecnológico, social e cultural do nosso país.

As universidades são inábeis na divulgação de suas atividades e, por isso, muitos perguntarão se de fato a redução da pesquisa trará prejuízos para o Brasil. Você que lê este artigo, por exemplo, provavelmente já se beneficiou de algum estudo conduzido na USP, mas este é um tema que não pode ser discutido em um espaço reduzido como este.

O corte dos recursos não surtirá efeitos negativos apenas no aspecto acadêmico das instituições, mas terá impactos diretos na sociedade e na qualidade da vida das pessoas.

O número de bolsas disponíveis não é grande. A USP, que é o maior centro de pós-graduação do país, com 30 mil alunos e 7.000 mestres e doutores formados por ano, recebe 12 mil bolsas em todas as áreas do conhecimento, das quais 75% são oriundas das agências federais.

Mesmo que parte considerável dos alunos não necessite de bolsa, pois tem empregos que estimulam esse tipo de atividade, a universidade teria capacidade para receber mais 5.000 ou 6.000 bolsas, já que os programas de pós-graduação da USP são muito concorridos e os ingressantes passam por seleção rigorosa, com grande potencial de sucesso. Se tivéssemos mais bolsas de pós-graduação, o volume de pesquisa da USP seria ainda maior.

As universidades estaduais paulistas, que respondem por quase 40% da produção científica brasileira, são afetadas pela crise das agências de fomento federais. Um eventual colapso nesse sistema terá reflexos nas instituições e em toda a pesquisa nacional.

Talvez seja uma falha da academia ter suposto que era óbvia para a sociedade a compreensão de que o investimento em ensino e pesquisa é garantia de um futuro melhor para a nação. Devemos assumir a mesma abordagem dos países que são considerados por muitos como modelos, caso de Coreia do Sul e Israel, que nunca deixaram de investir em ensino e pesquisa, mesmo nos momentos mais desfavoráveis, como em meio à guerra e à fome.

Vahan Agopyan

Reitor da USP e professor titular da Escola Politécnica

Folha de São Paulo