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No bojo das atividades em reação aos novos cortes orçamentários, que retiraram mais de 630 milhões da Ciência e Tecnologia ao redirecionar as verbas previstas no PLN 16, a Associação Nacional dee Pós-Graduandos lançou um abaixo-assinado reivindicando o reajuste das bolsas de estudo de mestrado e doutorado.

Em menos de 24 horas, a iniciativa já recebeu mais de 6900 assinaturas de apoio. Para participar, acesse o link: https://bit.ly/reajusteja

As bolsas de mestrado e doutorado vinculadas a Capes e ao CNPq custam, respectivamente, 1500 e 2200 reais e não são reajustadas desde 2013. Nesses 8 anos de déficit, segundo as contas dos bolsistas, a perda de poder de compra supera 60%.

O INPC do IBGE do período acumula alta de 63, 47% e, se fosse aplicado às bolsas, os valores subiriam para R$ 2452 no caso de mestrandos e R$ 3596 para os doutorandos.

Os estudantes reclamam da desvalorização do poder público aos pesquisadores e dizem que são obrigados a manter regime de dedicação exclusiva, o que impede a obtenção de qualquer outro vínculo para obtenção de renda extra.

“É inaceitável o descaso do governo com aqueles que produzem 90% da pesquisa científica nacional. Não estamos pedindo nenhuma benesse, mas respeito condizente com nosso papel na sociedade”, protesta Vinicius Soares, diretor de Comunicação da ANPG.

A campanha visa pressionar as autoridades e buscar a valorização do setor de ciência e tecnologia, que passa por um desmonte no atual governo.

O ponto alto das mobilizações ocorrerá no dia 26 de outubro, quando está convocado o Dia Nacional de Paralisação da Ciência, com atividades de protesto previstas em todo o país.

São Paulo, 13 de outubro de 2021

 

15 de outubro dia nacional de mobilização em defesa da ciência
26 de outubro – dia nacional de paralisação dos pós-graduandos

A ANPG vem por meio deste indicar nova data de lutas em defesa da Ciência e alterar o dia nacional de paralisação dos pós-graduandos. Ao invés do dia 20 de outubro, como apontado por nossa última nota, indicamos o dia 26 de outubro como o Dia Nacional de Paralisação dos Pós-graduandos em virtude do dia 20 ser o momento de entrega do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID no Senado Federal. Portanto, a tendência é que os olhos dos brasileiros voltem-se para os apontamentos finais da CPI que há seis meses desvela o descaso do presidente da República perante a pandemia e denunciando as corrupções ocorridas na compra da vacina e no fomento à produção de medicamentos ineficazes ao passo de todo o processo de negação da ciência.
É por isso que a ANPG vem por meio deste apresentar um novo calendário de lutas, conclamando os pós-graduandos, a comunidade científica, as entidades e frentes do movimento social e o conjunto da população brasileira a se somarem às agendas de mobilização que serão construídas.
Assim, no próximo dia 15 de outubro, ao lado das associações e entidades científicas, faremos do dia do professor uma trincheira de mobilizações nas nossas universidades para denunciar o desmonte do nosso parque tecnológico, integrando o Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Ciência.
E, no dia 26 de outubro, convocamos a todos pós-graduandos e cientistas a paralisaram suas atividades no Dia Nacional de Paralisação dos Pós-graduandos, em defesa da Ciência, do reajuste das bolsas e valorização da carreira científica e dos jovens pós graduandos, a partir da recomposição Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico. Nós, pós-graduandas e pós-graduandos brasileiros, estaremos nas nossas universidades e instituições de pesquisa, nas redes e nas ruas para denunciar o desmonte das políticas de ciência, que pode levar nosso parque nacional científico e tecnológico ao colapso. Queremos mais ciência e menos Bolsonaro!

São Paulo, 09 de outubro de 2021

Veja a nota completa em PDF no final do texto.

Nota alterada em 13 de outubro de 2021.

O DIA NACIONAL DE PARALISAÇÃO DOS PÓS-GRADUANDOS SERÁ DIA 26 DE OUTUBRO.

A Associação Nacional de Pós-Graduandos vem a público denunciar o mais novo ataque de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes à Ciência Nacional. Em mais uma manobra que busca inviabilizar o orçamento para produção científica, o Ministério da Economia retirou cerca de R$ 635 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação, os quais seriam destinados para pagamentos de bolsas e execução de projetos científicos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ainda esse ano. Por isso, além da denúncia, convocamos a todas/ pós-graduandas/os e cientistas brasileiras/os a se somarem em uma paralisação nacional, no dia 26 de outubro, integrando o Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Ciência, para que essa situação seja revertida.
Esses recursos já seriam, justamente, para complementar o orçamento deficitário da agência, e foram oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (FNDCT). Cabe destacar que a liberação desses recursos para a ciência têm sido uma longa batalha da comunidade científica contra o governo. Ou seja, essa manobra vai contra, inclusive, ao que foi aprovado no Congresso Nacional, pela Lei Complementar 177/2021, o qual prevê que os recursos do FNDCT sejam destinados, para sua devida finalidade, para financiar o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) que já está respirando por aparelhos, devido as asfixias orçamentárias dos últimos anos.
Nesse cenário, estão sob ameaças além de bolsas, a execução de projetos científicos importantes para o desenvolvimento nacional, como o pagamento de projetos da Chamada Universal, recomposição dos Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, Pós-Doutorado Júnior, Ciência na Escola e Reator Multipropósito brasileiro e a Rede Vírus (uma iniciativa com projetos que combatem viroses emergentes, como a covid-19.
Por isso, é imperativo que a situação seja revertida imediatamente! Nossa defesa é que os recursos do FNDCT sejam estruturantes para recompor o orçamento do SNCT. Mas, sobretudo, que sirva para financiar um projeto de desenvolvimento com centralidade na retomada dos investimentos das pesquisas e dos nossos jovens talentos e pesquisadores, tal como apontado no Plano Emergencial Anísio Teixeira. Nesse projeto, dentre outras medidas, apontamos caminhos para a valorização da pesquisadora/o brasileira/o, através da recomposição do quadro de bolsas, reajuste dos seus valores e oferta de bolsas de pós-doc para mitigar os danos da perda de talentos que estamos sofrendo.
Nesse sentido, a ANPG convoca a todas/os pós-graduandas (os), as/os cientistas brasileiras/as, em especial os pós-graduandos/as, e a sociedade civil, a defenderem a ciência nacional, paralisando suas atividades no dia 20 de outubro, somando, assim, o Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Ciência. Caso não seja revertida, essa situação pode significar o apagão, ainda esse ano, do Parque Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação.

Diretoria da Associação Nacional de Pós-Graduandos.

A Associação Nacional de Pós-Graduandos vem ratificar sua convocação a todos estudantes de pós-graduação, às associações de pós-graduandos e toda a rede do movimento nacional de pós-graduandos, assim como de toda a comunidade acadêmica e científica, a se integrarem às manifestações nacionais do dia 02 de outubro pelo impeachment de Jair Bolsonaro.
Na primeira semana de setembro, o país viveu dias de aflição com o a escalada autoritária e golpista do Presidente da República, que, apesar de seu insucesso e fictício recuo, mantém em curso seu projeto, atacando a democracia, as conquistas sociais e a vida do povo brasileiro.
Somos diariamente bombardeados por notícias que denunciam o aprofundamento da crise econômica e social: fome, desemprego, inflação, queda na renda dos brasileiros e das brasileiras. No campo sanitário, o governo insiste em lutar contra a vacinação e fechar os olhos para as milhares de mortes causadas pela pandemia.
Na área da educação e da ciência, eles seguem no negacionismo, desmontando todo o parque educacional, científico e tecnológico, seja pela via de perseguições ideológicas ou estrangulamento orçamentário. Estamos submetidos a um dos menores orçamentos das duas primeiras décadas desse século, asfixiando agências, como a CAPES e o CNPq, as universidades públicas e todas as instituições que trabalham com ciência no país.
Além disso, a (o) cientista brasileira (o) segue a sina de desvalorização, com um cenário da maior parcela das (os) pós-graduandas (os) sem bolsas, estas com mais de 8 anos sem reajuste, com agravante de que muitos desses pesquisadores se veem obrigados a mudar para outros países ou entrar para o mercado informal de trabalho para conseguir sobreviver. Isso tudo sem contar com a perseguição política e cerceamento de suas liberdades apenas por produzir ciência.
Diante disso tudo, não há como não respondermos ao chamado histórico de defendermos o país e a vida do povo brasileiro. Por isso, convocamos toda a sociedade a caminhar juntos, respeitando as normas sanitárias, mas ocupando as ruas e exigindo que o Congresso Nacional faça sua parte e dê início ao impedimento da Presidência da República por todos os seus crimes de responsabilidade.
Dia 02 de outubro estaremos nas ruas em defesa da ciência, da educação, mas, sobretudo, em defesa da democracia e da vida do nosso povo.

Associação Nacional de Pós-Graduandos

Para entender melhor a situação da comunidade pós-graduanda da USP🕵🏽‍♀️, neste momento tão difícil e singular, as Associações
de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo (APGs da USP) foram a campo e buscaram
escutar seus pares 🗣.

Neste inédito relatório, foi avaliado o perfil das(os) pós-graduandas(os)📊,
medidas de biossegurança nos laboratórios 😷 e o conforto ao retorno das atividades presenciais,
bem como, investigar a saúde mental das(os) pós-graduandas(os) no contexto pandêmico e
compreender os seus desabafos e principais desafios 🤯.

📲 Para acessar o relatório na íntegra, acesse: https://doi.org/10.17605/OSF.IO/7GHV6

 

O Projeto de Lei Orçamentária para o ano de 2022, enviado pelo governo na data limite legal de 31 de agosto, traz importantes notícias para o setor de Ciência e Tecnologia, se comparado aos anos de 2019 e 2020. Pela primeira vez, é prevista recuperação de recursos para o MCTI e agências de fomento à pesquisa e não há dependência de créditos suplementares a serem aprovados pelo parlamento para que as previsões sejam cumpridas.

No total, as dotações previstas na classificação Ciência e Tecnologia, segundo estudo da SBPC, chegam a R$ 7,9 bilhões. O governo prevê o cumprimento da lei – inacreditável ter que comemorar algo assim! – e destina os recursos de R$ 4,2 bilhões do FNDCT para a Finep, algo que não foi feito neste ano, além de liberar os 2 bilhões ao IBGE para a realização do Ceso Demográfico.

Para Flávia Calé, presidenta da ANPG, é preciso que fique claro que os recursos do FNDCT não podem ser considerados como complemento orçamentário. “Quanto à liberação do FNDCT, o governo não faz mais nada que sua obrigação legal, aliás, com um ano de atraso”, afirma.

Flávia considera que que a receita do fundo deve viabilizar pesquisas que tenham relevante impacto para o desenvolvimento nacional e a recuperação das bolsas dos pesquisadores. “O FNDCT deve ser usado para projetos estratégicos na área de ciência, tecnologia e inovação e não para tapar buraco. Pensamos também que a liberação do fundo deve resgatar a perspectiva da carreira científica, reajustar as bolsas de estudo e reverter o desmonte desse período de retrocessos”, completa.

Segundo informações da presidência do CNPq, a agência terá incremento orçamentário de R$ 81 milhões, passando de R$ 1,018 bilhão na LOA 2021 para R$ 1,099 bilhão em 2022. Os recursos destinados às bolsas de estudos concedidas pelo órgão serão R$ 980 milhões, cerca de R$ 57milhões a mais em comparação com o ano anterior. A rubrica fomento à pesquisa também receberá acréscimo, passando de pouco mais de R$ 27 milhões para R$ 57 milhões projetados para 2022.

De acordo com a análise da Assessoria Parlamentar da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a CAPES terá um modesto acréscimo de 4% em seus recursos, indo para 3,14 bilhões previstos para suas ações em 2022. As bolsas de ensino superior da Capes projetam pequena queda de 2%, ficando com a destinação de R$ 1,9 bilhão. Já a área de Avaliação de Educação Superior e Pós-Graduação deve sofrer profundo corte se a proposta se mantiver, um decréscimo de 28%, passando a R$ 6,7 milhões.

O orçamento das universidades federais também projeta uma melhora de R$ 5,06 bilhões em 2021 para R$ 5,67 bilhões no próximo ano. Em compensação, para o governo a pandemia acabou, tanto que a destinação à Fiocruz cairá quase pela metade, de R$ 6,8 bilhões (2021) para R$ 3,7 bilhões em 2022.

Contudo, nada indica que o governo tenha mudado sua postura negacionista e nem é motivo para que a comunidade científica deixe de estar alerta e mobilizada para pressionar e impedir que o cenário de cortes e escassez dos anos anteriores se repita. O fato é que a PLOA/2022 foi recebida como mero ato protocolar no Congresso Nacional, pois o governo é obrigado a apresentar a proposta no prazo legal, e é voz corrente nos meios políticos que a peça é apenas uma projeção, existindo inúmeros impasses para confirmar as fontes de receita.

Um dos principais entraves é que a galopante inflação experimentada em 2021 que está acabando como espaço discal que o governo projetava. Outro exemplo de como a PLOA/22 depende de muitos fatores para ficar em pé é a PEC dos Precatórios, uma espécie de legalização de calote na qual o Executivo deseja liberar dezenas bilhões de recursos já comprometidos para utilizar em outros gastos.

1. A Capes, ao longo dos seus 70 anos, liderou a organização de um complexo sistema de pós-graduação e fomento à formação de recursos humanos altamente qualificados, voltados à construção do desenvolvimento nacional.
2. Nesse tempo construiu um sistema de avaliação e de aperfeiçoamento da pós-graduação brasileira visando atender as melhores práticas acadêmicas e científicas reconhecidas nacional e internacionalmente.
3. O Conselho Técnico-Científico é o órgão responsável, dentre outras coisas, por coordenar esse sistema de avaliação institucional e definição de seus parâmetros. E conta com a colaboração de respeitáveis pesquisadores e pesquisadoras, referenciados em cada área de conhecimento.
4. Nesse sentido, diante da Carta aberta dirigida à Presidência da Capes e assinada por todos os integrantes do atual CTC, a ANPG manifesta as seguintes preocupações que devem ser levadas em consideração para a resolução do problema posto:
5. Para garantir a estabilidade e integridade do sistema de avaliação é indispensável a manutenção dos atuais membros do conselho, que acompanharam o ciclo avaliativo desde o início.
6. A aludida adequação da composição do CTC ao estatuto da Capes não pode causar um dano maior à avaliação e mais insegurança jurídica, como acreditamos que possa ocorrer caso seja extinto o novo Conselho e recomece desde o inicio processo de escolha de novo conselho. Por isso, todas as decisões encaminhadas pelo conselho vigente desde 2018 devem ser asseguradas.
7. Defendemos um caminho mediado que deve ser construído com dialogo e que tenha como pressupostos a legalização da condição do Conselho e a preservação da estabilidade e integridade do nosso sistema de avaliação.
8. Sobre a publicação da portaria nº145, de 10 de setembro de 2021, que versa sobre o Qualis Periódicos, deve ter abertura para revisão de seu conteúdo e uma harmonia maior com o acúmulo alcançado no CTC através de debates realizados desde 2018.

Carta conjunta das entidades estudantis convoca atos pelo impeachment de Bolsonaro

Carta conjunta das entidades nacionais estudantis, lançada na tarde deste sábado, convoca a sociedade à participação nos diversos atos pelo Fora Bolsonaro. Lideranças da ANPG, UNE e UBES irão participar dos atos deste 12 de setembro com o objetivo de estabelecer relações e ampliar as mobilizações em defesa da democracia e pelo impeachment em atos unitários a serem realizados.

As entidades compõem a Campanha Nacional Fora Bolsonaro, que já organizou quatro grandes atos de caráter nacional pelo impeachment nos últimos meses, e não participaram da convocação da mobilização do dia 12. No entanto, com os acontecimentos de 7 de setembro, quando Bolsonaro e a extrema-direita realizaram manifestações de caráter golpista, entendem que há uma mudança no quadro político que impõe a necessidade de união de amplos setores para criar uma barreira contra tentativas de ruptura institucional.

Para Flávia Calé, presidenta da ANPG, nem mesmo a carta de recuo divulgada por Bolsonaro deve desmobilizar as manifestações. “Bolsonaro é e sempre foi um golpista autoritário. Seu recuo é à espera de oportunidade. O que o Brasil viu no 7 de setembro é de uma gravidade inédita: o presidente da República convoca os brasileiros à violência e à ruptura. O momento é gravíssimo e é nosso dever criar uma barreira intransponível em defesa da democracia. Por isso, a ampliação deste dia 12, que inicialmente foi convocado por setores conservadores não bolsonaristas, deve construir pontes para atos unitários que juntem multidões, de todas as opiniões políticas, pelo impeachment de Bolsonaro!”

 

LEIA ABAIXO NA INTEGRA A NOTA E A CARTA

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ESTUDANTES ÀS RUAS PELO FORA BOLSONARO

Leia o PDF AQUI

São Paulo, 11 de setembro de 2021.

Nota da UNE, UBES e ANPG sobre os próximos passos do #ForaBolsonaro

O ano de 2021 tem sido marcado pelas consequências da política genocida e antidemocrática de Bolsonaro. Pelas decisões políticas do Governo Federal, o país tem enfrentado aprofundamento da  crise econômica, social e política, com aumento do desemprego, da vulnerabilidade social e fome, além dos desafios impostos pelo retorno às aulas presenciais e continuidade das pesquisas. E mesmo com esse cenário, na semana que o Brasil se aproxima da marca de 600 mil mortos pelo coronavírus, Bolsonaro tem como agenda prioritária inflar a população para uma ruptura institucional, como mostrou no último dia 7 de setembro, agravando, ainda mais, a instabilidade das instituições democráticas ao mesmo tempo em que negligencia a morte e a fome que atingem milhares de brasileiros. Por isso, mais do que nunca, é fundamental reunirmos amplos setores pelo Fora Bolsonaro.

Afirmamos que as entidades estudantis não organizam e não convocaram as manifestações do dia 12, apesar de reconhecerem a importância de todas as iniciativas em curso que tenham como centro a defesa do Fora Bolsonaro. Neste sentido respeitamos todos os dirigentes das entidades que decidam participar dos atos. Trabalharemos, em conjunto com a Campanha Nacional Fora Bolsonaro, para que a próxima manifestação nacional #ForaBolsonaro, com indicativo de acontecer no dia 2 de outubro, seja ampla, unitária e que reúna todos que defendem esta pauta.

Assim, convidamos toda a rede do movimento estudantil – CAs, DCEs, DAs, grêmios, APGs, coletivos, federações e executivas de cursos – a se juntar às Entidades Estudantis Nacionais pelo Fora Bolsonaro, a assinar o manifesto dos estudantes brasileiros e construir um calendário de lutas e mobilizações estudantis pelo impeachment do presidente.

 

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CARTA AO BRASIL – ESTUDANTES PELO FORA BOLSONARO

A nossa geração enfrenta hoje o momento mais difícil de sua história. A convergência da crise econômica e social, evidente pelos altos índices de desemprego e número de brasileiros em situação de pobreza, com a crise política, diante das revelações das ações criminosas do governo Bolsonaro, têm levado ao seu enfraquecimento. Enquanto milhares de brasileiros perdem suas vidas, enfrentam a fome e se vêem impedidos de acessar as escolas e universidades, o presidente concentra sua energia em inflar seus apoiadores a apoiar um golpe de Estado.

Como Inimigo número 1 da democracia e das instituições, ele tentou levar milhares de manifestantes às ruas no último dia 7 para deflagrar um golpe de Estado. Não bastassem os escândalos e crimes em série cometidos por seu governo, os quais vieram à tona por meio da CPI da COVID, Bolsonaro, ao utilizar-se de um discurso de ódio, incitando a violência contra adversários políticos, ministros da Suprema Corte e deslegitimar os poderes da República, comete verdadeiro crime de responsabilidade e cria um clima de hostilidade e violência política que há muito não se via no Brasil.

E a única saída capaz de deter a sanha golpista de seu governo e seu projeto de destruição nacional é a mobilização nas ruas. Já fomos milhões nas ruas em defesa do Brasil e a gravidade do momento exige que ampliemos essa unidade.

E mais uma vez, a história convoca os estudantes brasileiros a continuarem seu papel de protagonismo nesse processo. É hora de mobilizarmos a rede do movimento estudantil em grandes passeatas. Defender as liberdades democráticas e a União Nacional dos Estudantes contra qualquer ataque autoritário. É preciso dar continuidade a esse processo de mobilização com responsabilidade, coesão, unidade e amplitude. A ampliação da oposição ao governo Bolsonaro nas ruas inaugura uma nova fase da nossa luta, e cria mais condições de vitórias do que nunca.

Por fim, reafirmamos nossa posição pelo impeachment de Bolsonaro e convocamos os estudantes, CAs, DCEs, DAs, grêmios, APGs, coletivos, federações e executivas de cursos, a se somarem à essa luta. Este governo tem aprofundado as consequências das crises enfrentadas, e não apresenta qualquer saída para a melhora da vida do povo em nosso país. Derrubar Bolsonaro é tarefa primordial da nossa geração! #ForaBolsonaro

Helena Augusta Lisboa de Oliveira
Diretora de Juventude

Recebi um e-mail de uma famosa Sociedade Química estrangeira. No e-mail, havia um convite para um evento online sobre a participação de mulheres na ciência, em tempos de pandemia. Atraída pela temática, corri para me inscrever. Estava com boas expectativas sobre o evento nessa Sociedade de tanto renome. Imaginei que eles trariam oportunidades para mulheres, trariam empatia para o que passamos, falando da competitividade cruel a que somos submetidas desde crianças, trariam propostas de caminhos para uma sociedade mais igualitária, com mais justiça social. Não imaginei que eles iriam me surpreender tanto.
Para começar, o único homem da seção era quem estava liderando as falas. Até aí tudo bem, nenhuma novidade, mas, puxa, num evento sobre empoderamento de mulheres! Mas “beleza”…
No decorrer do evento, mulheres falavam sobre como alcançar posições elevadas. As “dicas” eram sobre como se comportar, como se vestir, qual maquiagem usar, como falar. Foi me dando uma angústia… Até que as dicas começaram a chegar no sentido de “acolher” e “apoiar” as concorrentes à uma vaga. De uma maneira nitidamente falsa, mas que deixasse transparecer que você é uma pessoa de “bom coração”.
Nada foi falado sobre as estruturas machistas, racistas e preconceituosas a que somos submetidas, e que alimentamos com esse tipo de pensamento, que coaduna com a competição e inequidade social. Nesse ponto, constatei que realmente precisava intervir, por uma questão ética ao ver o quão limitado era aquele debate, de um assunto de dimensão imensamente maior do que aquilo que era trazido. A participação do público era exclusivamente por um chat, com moderação. As perguntas no chat eram ingênuas, dentro daquela mentalidade de que, se a mulher quisesse um espaço, ela que rale, pois a sociedade e aquele grupo, não iriam defendê-la. Eu estava chocada.
Pois bem, escrevi meu comentário checando se eles não iriam questionar as crenças preconceituosas racistas e xenofóbicas, sobre a estrutura que coloca as mulheres nessa condição, de terem que fazer um trabalho multiplicado, se quiserem alcançar iguais posições de homens. De que é papel exclusivo da mulher exercer atividades subservientes. Crenças essas que se reflete também no mundo da ciência, pois o nosso caminho para sermos cientistas sofre impactos dessa cultura doente em todo o seu percurso. Queria verificar se eles não achavam que essa cultura deveria ser atualizada.
Enfim, a moderação não aceitou meu comentário. Não aceitou mais nada que eu falasse. E constatei o tipo de defesa que eles estavam fazendo. Não era à mulher. O interesse era a manutenção dessa estrutura. Provavelmente porque quem se beneficia dela tem desconhecimento genuíno dos seus profundos danos humanos.
Aliviada, porém, percebo um movimento no ar inverso a esse, aqui no Brasil. Aqui há espaço para as sementes florescerem, ainda que tenha muita gente pisando sobre elas, por não compreender. Há mais espaço de fala, ainda que insuficiente, mas em crescimento e em luta constante. Há o surgimento de políticas de equidade, humildes e ineficientes, ainda. Tudo graças a muito sangue, muitas lutas, e muitas vidas. Aí a importância de permanecermos mobilizados e investirmos numa educação humanizada, para construção de um cultura de paz e humanitária, para não perdermos os direitos alcançados, e sermos exemplos a esse outro país que, apesar do destaque na ciência, perde tanto no quesito humanidade.
A temática dessa revista confirma que estamos indo na direção certa, da busca de uma equidade mais genuína. Com muito ânimo e esperança, celebro esse movimento. Sei que ainda teremos batalhas, mas sei que venceremos, pois o que nos move não é o medo, mas o suor e o amor pela humanidade.

 

AS OPINIÕES AQUI VEICULADAS NÃO NECESSARIAMENTE REFEREM-SE AS OPINIÕES DA ENTIDADE E SÃO DE RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES.

Para muitas pessoas a universidade é um ambiente de sofrimento mental. Aulas remotas, carga horária inadequada, pouco tempo para cuidar da saúde, pressão para a entrega de atividades, inseguranças, falta de sentido, assédios, discriminações e conflitos são alguns dos desafios que a comunidade acadêmica vem enfrentando neste cenário.

Para que a universidade efetivamente ofereça suporte para o desenvolvimento humano e a preparação para o exercício da cidadania, é preciso que ela seja um ambiente de sentido e de relações sadias. Sofrimento mental e humanização na Universidade serão os temas principais do Evento Saúde Mental para Agir, a ser realizado entre os dias 23 e 25 de setembro. Inscreva-se aqui.

O evento contará com dinâmicas ao vivo, palestras, inauguração da Rede para Humanização nas Universidades e a apreciação de um questionário para mapeamento de violências e sofrimento mental dos pós-graduandos. Confira a programação completa na página do evento.

O evento é promovido pela ANPG em parceria com o CNV em Rede.

Haverá emissão de certificado. As vagas para as dinâmicas são limitadas. Participe!

Associação Nacional de Pós-graduandos