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Jornalista ANPG

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São Paulo, 27 de agosto de 2026

A Associação Nacional de Pós-Graduandos manifesta profunda preocupação nas mudanças das regras para Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) publicou novas regras para a Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE), com vigência a partir de 1º de setembro de 2026. Pela nova regulamentação, a modalidade passa a contemplar bolsistas de Doutorado Direto, Doutorado e Pós-Doutorado, deixando de incluir estudantes de Iniciação Científica e Mestrado, que até então também podiam acessar essa importante política de internacionalização da formação científica.

A mudança causa profunda preocupação uma vez que pode impactar dezenas de pesquisas no Estado que dependem diretamente do estágio no exterior para seu prosseguimento. A internacionalização não é um benefício acessório da pós-graduação, mas parte estratégica da formação científica. A possibilidade de desenvolver uma etapa da pesquisa em instituições estrangeiras permite o acesso a novas metodologias, laboratórios, bibliotecas e redes de colaboração, além de ampliar a circulação internacional da ciência produzida no Estado de São Paulo. Retirar essa oportunidade de pesquisadores em etapas iniciais de formação, especialmente do mestrado, reduzindo também o tempo disponível para o doutorado, significa restringir trajetórias acadêmicas justamente no momento em que redes científicas e projetos de pesquisa começam a ser consolidados e impactar diretamente nas pesquisas de doutorado já em andamento.

Essa medida precisa ser compreendida dentro de um contexto mais amplo de precarização das políticas públicas de educação, ciência e pesquisa no Estado de São Paulo. Nos últimos anos, o governo Tarcísio de Freitas tem adotado medidas de redução e flexibilização das garantias de financiamento dessas áreas. Em 2024, foi alterada a Constituição paulista para reduzir de 30% para 25% da receita de impostos o percentual mínimo exclusivamente destinado à educação, permitindo que os 5% restantes sejam direcionados, a critério do governo, para educação ou saúde. No campo da ciência, asdiretrizes orçamentárias estaduais também passaram a incorporar expressamente o mecanismo constitucional de desvinculação de receitas na definição dos recursos da FAPESP, questão que já provocou forte preocupação da comunidade científica diante da possibilidade de comprometimento de parcela significativa de seu financiamento.

Não podemos naturalizar a redução de oportunidades de formação de pesquisadores em um ambiente político marcado por sucessivas pressões sobre o financiamento público da educação, das universidades, da ciência e da pesquisa. A restrição de direitos e oportunidades também constitui uma forma de precarização do sistema científico.

É fundamental, nesse debate, reafirmar o papel histórico da FAPESP. A Fundação é uma das instituições mais importantes para o desenvolvimento científico brasileiro e sua missão não pode ser reduzida ao financiamento de projetos de pesquisa. Fomentar ciência significa também formar cientistas, garantir condições materiais para dedicação à pesquisa, apoiar jovens pesquisadores e promover sua inserção nacional e internacional.

O próprio orçamento da Fundação para 2026 reconhece a formação de recursos humanos como uma de suas ações centrais, prevendo recursos específicos para bolsas de formação no país e no exterior.

Não existe projeto de pesquisa sem pesquisadores. Não existe excelência científica sem formação. E não existe internacionalização da ciência paulista sem que estudantes e jovens cientistas tenham condições concretas de participar das redes internacionais de produção do conhecimento.

São Paulo construiu, ao longo de décadas, um dos sistemas de ciência, tecnologia e pós-graduação mais relevantes da América Latina porque compreendeu que o investimento público precisa alcançar tanto a infraestrutura e os projetos quanto as pessoas que fazem ciência. Preservar essa tradição exige que a FAPESP continue exercendo plenamente seu papel como agência de formação científica, e não caminhe para o desmonte das bolsas e das trajetórias individuais de formação.

A exclusão da Iniciação Científica e do Mestrado da BEPE é a diminuição do tempo de duração da bolsa de Doutorado precisam ser revogadas imediatamente. Também é indispensável que a FAPESP esclareça publicamente as razões que fundamentaram a alteração, os impactos financeiros e acadêmicos estimados, os dados referentes à demanda e às concessões dessas modalidades nos últimos anos.A Associação Nacional de Pós-Graduandos seguirá dialogando com a FAPESP e com a comunidade científica paulista em defesa da manutenção e da ampliação das políticas de formação e internacionalização. Mudanças dessa dimensão precisam ser precedidas de transparência, diálogo e participação da comunidade acadêmica, garantindo que nenhuma decisão administrativa comprometa trajetórias de formação ou represente mais um passo no processo de precarização da ciência e da educação pública paulista.

Defender a FAPESP também significa defender que seus recursos continuem chegando a quem faz ciência. Investir em pesquisa é investir em pesquisadores Diretoria da Associação Nacional de Pós-Graduandos

Na manhã desta sexta-feira (14), em Washinton-DC, o presidente da ANPG, Vinícius Soares, acompanhado de mais duas delegadas brasileiras ao Y29, Ingrid Siss e Amanda Santos, participou de uma reunião com a diplomata Maria Luíza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos EUA, para entregar a carta final do Encontro de Juventude do G-20 (Youth 20), texto assinado por delegações de todos os países presentes ao encontro.

Na ocasião, Vinícius entregou uma carta de solidariedade à embaixadora, aprovada pelas entidades estudantis ANPG, UNE e UBES, que recentemente teve o visto diplomático revogado, em mais uma medida arbitrária e de hostilidade do governo Donald Trump contra o Brasil.

“Repudiamos a utilização de relações comerciais, sanções econômicas, medidas diplomáticas ou sanções migratórias como instrumentos destinados a interferir nas instituições brasileiras ou influenciar o processo político e eleitoral do país. As eleições brasileiras pertencem ao povo brasileiro”, manifesta o documento.

O presidente da ANPG reafirmou que há princípios inegociáveis nas relações entre países e que é inadmissível que um governo tente submeter outras nações por questões políticas e ideológicas. “Há princípios de direito internacional com os quais não se pode transigir, como a soberania e autodeterminação dos povos. É uma afronta ao povo brasileiro que o governo Trump contamine as relações políticas e comerciais bicentenárias entre Brasil e EUA para favorecer a família Bolsonaro nas eleições. Nossa soberania e nossa democracia são inegociáveis e lutaremos para protegê-las”, disse.

Nesta sexta-feira (07), na sede das entidades estudantis, em São Paulo, a ANPG realizou o credenciamento dos delegados e delegadas eleitos para seu 30º Congresso Nacional, o principal fórum deliberativo da entidade, que acontecerá entre 26 e 29 de novembro, em Vitória (ES).

Essa etapa, que é decisiva para a organização e garantia da legalidade do encontro, revelou que este será o maior e mais representativo Congresso da história de 4 décadas da ANPG. Demonstrando a capilaridade e enraizamento do movimento de pós-graduandos, foram credenciados 1.230 delegados eleitos, além de 261 suplentes, representando 119 instituições de ensino e pesquisa de todo o Brasil.

Para Vinícius Soares, presidente da entidade, os números reforçam que as lutas e conquistas dos últimos anos têm sido reconhecidos cada vez mais pelos pesquisadores e toda a comunidade acadêmica. “É demonstrativo de que a ANPG é uma entidade reconhecida pela sociedade e tem se capilarizado cada vez mais entre os pós-graduandos pelo papel que tem cumprido na defesa da ciência, da soberania e dos direitos dos pós-graduandos. Com muita democracia e unidade, realizaremos um Congresso vitorioso e que prepare as lutas e conquistas dos próximos anos”, afirmou.

Confira a ata da mesa de pré credenciamento clicando aqui

A ciência não pode ser tratada como estrutura administrativa descartável

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifesta profunda preocupação e repúdio à extinção da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (SECTI), determinada pelo Decreto nº 50.413, de 5 de agosto de 2026, que incorporou suas atribuições à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços.

A entidade compreende o estado de calamidade política, financeira e administrativa que o governador interino encontrou ao assumir a gestão, cenário que trouxe o desafio de enfrentar os interesses e esquemas de poder há muito entranhados na máquina governamental. Esse esforço é necessário, salutar e deve contar com o reconhecimento e apoio da sociedade.

Entretanto, essa medida específica representa um grave rebaixamento institucional da política de ciência, tecnologia e inovação em um dos estados com maior concentração de universidades, institutos, centros de pesquisa e programas de pós-graduação do país. A extinção de uma secretaria própria não pode ser compreendida como mera reorganização burocrática. Ela retira da ciência um espaço específico de formulação, planejamento e coordenação dentro do Governo do Estado.

O Rio de Janeiro abriga um dos mais importantes sistemas científicos do Brasil, reunindo universidades estaduais, a FAPERJ e uma ampla rede de instituições responsáveis pela formação de pesquisadores e pela produção de conhecimento em áreas fundamentais para o desenvolvimento do estado. O próprio decreto atinge uma estrutura à qual estão vinculadas instituições como FAPERJ, UERJ, UENF, CECIERJ e FAETEC.

Para a ANPG, essa decisão também atinge diretamente milhares de mestrandos, doutorandos e jovens pesquisadores. A pós-graduação brasileira não existe separada de uma política pública sólida de ciência e tecnologia. Bolsas, laboratórios, financiamento de pesquisas, formação científica, inovação e permanência de pesquisadores dependem de instituições estáveis e de políticas de longo prazo.

É especialmente preocupante que uma mudança dessa dimensão tenha ocorrido sem diálogo prévio com a comunidade científica e acadêmica, com os servidores e com as instituições diretamente afetadas.

A ANPG reafirma que eventuais irregularidades administrativas devem ser rigorosamente investigadas, com transparência, responsabilização e fortalecimento dos mecanismos de controle. Problemas de gestão, entretanto, não justificam o desmonte de uma política pública, corrigir procedimentos administrativos é diferente de extinguir a estrutura responsável pela política estadual de ciência e tecnologia.

Também causa preocupação que uma alteração estrutural de efeitos duradouros seja realizada sem um amplo processo de discussão pública. Políticas de ciência, tecnologia e inovação exigem continuidade, planejamento e previsibilidade. Seus resultados não obedecem ao calendário de uma gestão. A formação de um pesquisador, a consolidação de um laboratório ou o desenvolvimento de uma pesquisa estratégica atravessam anos e, muitas vezes, décadas.

Por isso, a Associação Nacional de Pós-Graduandos defende a revogação do Decreto nº 50.413/2026 e o restabelecimento de uma estrutura própria, autônoma e permanente para a Ciência, Tecnologia e Inovação no Estado do Rio de Janeiro.

Defendemos ainda a abertura imediata de diálogo com as universidades, instituições científicas, entidades representativas, servidores, pesquisadores e pós-graduandos, bem como a preservação dos recursos destinados à pesquisa e às instituições vinculadas e a garantia de continuidade dos programas e projetos atualmente em execução.

O Rio de Janeiro não precisa de menos ciência. Precisa de mais investimento, mais bolsas, mais pesquisadores, mais universidades fortalecidas e mais capacidade pública de produzir conhecimento.

Extinguir estruturas de ciência não produz desenvolvimento. Enfraquece justamente as condições para construí-lo.

Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG
7 de agosto de 2026

Teve início na noite deste domingo (26), na cidade de Niterói (RJ), a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC). Presente à solenidade de abertura, Vinícius Soares, presidente da ANPG, disse que, na atual conjuntura mundial, o desenvolvimento científico é essencial para a garantia da soberania do país e deve ganhar prioridade orçamentária.

Ao defender a elaboração de um plano nacional que debata de forma integrada a ciência, a defesa e a cultura, Vinícius fez menção às ameaças externas que afligem o Brasil e outros países da região a partir de ações do governo Trump. “Vivemos um tempo de ameaças à democracia, à soberania nacional e à própria ciência, em especial em nosso continente. Há tentativas de interferir em nossos processos democráticos, em nossas instituições e na capacidade do Brasil de decidir soberanamente o seu futuro”, afirmou.

Nesse sentido, o presidente da ANPG cobrou que os poderes executivo e legislativo revejam as prioridades estratégicas nos debates sobre a lei orçamentária, ampliando os investimentos no CNPq e na pesquisa científica. “Precisamos lutar pelo reajuste das bolsas e dobrar o orçamento do CNPq, uma das principais agências estruturantes do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Isso exigiria pouco mais de R$ 1,7 bilhão adicionais, menos de 3% dos recursos destinados às emendas parlamentares. Não estamos falando de falta de recursos, estamos falando de prioridades nacionais”, reforçou.

Em alusão à disputa eleitoral futura, afirmou que o Brasil vive uma “encruzilhada histórica”, na qual a neutralidade não deve ser uma opção para os cientistas. “Os fantasmas da longa noite do negacionismo científico, que tão recentemente atravessou nosso país, ainda rondam o presente e ameaçam voltar, agora alimentados também por agentes externos. Diante desse cenário, a neutralidade não protegerá a ciência. Quando nos omitimos diante dos ataques ao conhecimento, permitimos que o obscurantismo avance”, finalizou.

Vinícius Soares saudou o apoio da comunidade científica para a aprovação do projeto de lei dos direitos previdenciários dos pós-graduandos na Câmara e à luta pelo reajuste das bolsas de estudos. “Quero agradecer à SBPC, ABC, Andifes e a toda a comunidade científica pelo apoio à conquista dos direitos previdenciários dos pós-graduandos. A aprovação do projeto na Câmara demonstrou que, quando a ciência brasileira atua unida, conquista vitórias históricas. Agora seguiremos mobilizados para concluir essa conquista no Senado”.

Celebrar os 40 anos da Associação Nacional de Pós-Graduandos é muito mais do que recordar a trajetória de uma entidade. É reconhecer que a organização dos pós-graduandos foi decisiva para transformar a ciência em uma pauta estratégica para o desenvolvimento nacional. A história da ANPG se confunde com a própria consolidação da pós-graduação brasileira e demonstra que não existe sistema científico forte sem pesquisadores organizados e comprometidos com um projeto de país.

Fundada em 1986, durante o processo de redemocratização, a ANPG nasceu da compreensão de que a produção do conhecimento também precisava de representação política. Desde então, consolidou uma experiência singular. É, provavelmente, a única organização no mundo que representa nacionalmente estudantes de todas as modalidades da pós-graduação, reunindo especializações, MBAs, residências médicas e multiprofissionais, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos em torno de uma agenda comum de defesa da ciência, da educação e do desenvolvimento brasileiro.

Ao longo dessas quatro décadas, a organização coletiva dos pós-graduandos acompanhou o crescimento do Sistema Nacional de Pós-Graduação e participou das principais lutas em defesa da ciência brasileira. Esteve presente na defesa da CAPES, do CNPq e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, na valorização das bolsas, na expansão dos programas de pós-graduação, na reconstrução das políticas científicas e na defesa do investimento público em pesquisa como instrumento de desenvolvimento.

Essa atuação também alcançou as residências em saúde, compreendidas pela ANPG como uma modalidade estratégica da pós-graduação e essencial para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde. Ao lado das entidades representativas dos residentes, construímos mobilizações que contribuíram para a valorização das bolsas, para a melhoria das condições de formação e para a histórica conquista da redução da carga horária das residências. Defender melhores condições de formação nunca significou defender menos qualidade. Significou reconhecer que cuidar de quem cuida também é uma política pública.

Nos últimos anos, essa trajetória acumulou novas conquistas. A inclusão da pós-graduação na Lei de Revisão de Cotas representou um passo importante para enfrentar o racismo estrutural que ainda marca nossas universidades e ampliar a diversidade da produção científica brasileira. A conquista dos direitos previdenciários para bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado representou outro marco histórico, ao reconhecer que produzir conhecimento é uma atividade essencial para o país e que pesquisadores também precisam de proteção social.

Nenhuma dessas conquistas aconteceu por acaso. Direitos não surgem espontaneamente. Eles são resultado da organização coletiva, da capacidade de formular propostas e da disposição permanente de mobilizar a comunidade científica em defesa de um projeto nacional de desenvolvimento.

Vivemos um momento em que o conhecimento voltou a ocupar o centro da disputa geopolítica mundial. A inteligência artificial, a transição energética, a biotecnologia, a saúde, a defesa e a indústria de alta tecnologia mostram que a soberania das nações dependerá cada vez mais da capacidade de produzir conhecimento, formar pessoas altamente qualificadas e transformar ciência em inovação.

O Brasil construiu um dos maiores sistemas públicos de pós-graduação do mundo. Agora precisamos dar o próximo passo. Mestres, doutores, especialistas e residentes precisam estar cada vez mais inseridos na solução dos grandes desafios nacionais, fortalecendo o SUS, a educação, a indústria, o setor produtivo, a transição ecológica e a capacidade tecnológica do Estado brasileiro.

Os 40 anos da ANPG reafirmam uma convicção construída ao longo de toda a sua história. A ciência não avança apenas com laboratórios, editais e equipamentos. Ela avança quando existe uma comunidade científica organizada, capaz de defender políticas públicas permanentes e compreender que conhecimento é um dos principais instrumentos para construir democracia, reduzir desigualdades e fortalecer a soberania nacional.

Esse continuará sendo o papel da ANPG. Organizar os pós-graduandos brasileiros para fortalecer a ciência e contribuir para que o conhecimento produzido em nossas universidades e institutos de pesquisa esteja cada vez mais a serviço do desenvolvimento do Brasil e da melhoria da vida do nosso povo.

Vinicius Soares
Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG

São Paulo, 04 de julho de 2026


A Diretoria Executiva da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), em conformidade com seu Estatuto Social e com o Regimento Eleitoral do 30º Congresso Nacional de Pós-Graduandos (CNPG), informa às Associações de Pós-Graduandos (APGs), entidades representativas, ao conjunto dos pós-graduandos brasileiros e à comunidade acadêmica e cientifica, que o 30º CNPG será realizado entre os dias 26 e 29 de novembro de 2026, mantendo a cidade de Vitória (ES) como sede do evento.

A decisão de adequação do calendário decorre de uma avaliação política e organizativa construída pela Diretoria Executiva, e tem um objetivo muito claro: criar as melhores condições para realizar um CNPG à altura do momento vivido pela pós-graduação brasileira, Brasil e pelo próprio processo de fortalecimento da ANPG.

Nos últimos anos, a entidade vem experimentando um importante ciclo de crescimento, reorganização e ampliação de sua presença nas universidades e instituições de pesquisa brasileiras. Esse movimento já pôde ser observado durante a realização do 45º Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos (CONAP), que se consolidou como o maior CONAP da história da ANPG, reunindo associações de pós-graduandos de mais de 90 universidades e instituições de pesquisa de todas as regiões do país.

Mais significativo do que os números foi o processo político construído. Pela primeira vez em muitos anos, a ANPG conseguiu chegar a dezenas de instituições que não possuíam histórico de organização do movimento local de pós-graduandos, impulsionando a criação, reorganização e fortalecimento de APGs e incorporando novos sujeitos à construção coletiva da entidade e do movimento.

Esse processo se ampliou durante a eleição dos delegados para o 30º CNPG. A mobilização nas bases superou as expectativas iniciais e resultou em um expressivo crescimento da representação congressual, praticamente dobrando a estimativa inicial de delegados eleitos. Trata-se de um resultado que expressa não apenas maior participação, mas também maior capilaridade, legitimidade e enraizamento político da ANPG junto à comunidade de pós-graduandos.

Um Congresso dessa dimensão exige que sua realização ocorra nas melhores condições possíveis, garantindo ampla participação das delegações, qualidade do debate político e plena capacidade de deliberação.

Somado a esse cenário, a data anteriormente prevista coincide com o período do defeso eleitoral em decorrência do pleito eleitoral nacional. Como é de conhecimento público, o calendário das eleições estabelece normas específicas para a realização de atividades com apoio de órgãos públicos durante o período de defeso eleitoral. Embora tais regras tenham o importante papel de preservar a lisura do processo democrático, elas poderiam impor limitações administrativas e operacionais incompatíveis com a dimensão que o nosso Congresso adquiriu.

Dessa forma, a Diretoria Executiva, em consonância com a Diretoria Plena, deliberou pela realização do CNPG entre os dias 26 e 29 de novembro, preservando a cidade de Vitória (ES) como sede. A decisão permite que o 30º Congresso seja realizado com maior participação, segurança institucional, tranquilidade organizativa e sem quaisquer intempéries que possam comprometer seu pleno desenvolvimento.

Nesse sentido, permanecem válidos todos os processos eleitorais já realizados, bem como preservados os atos e prazos previstos no Regimento Eleitoral do 30º CNPG. Assim, permanecem regularmente habilitados a representar suas respectivas instituições no Congresso as delegadas e delegados eleitos nas etapas de base realizadas até 29 de maio de 2026, bem como aqueles eleitos pela Universidade de São Paulo (USP) nos dias 17 e 18 de junho de 2026, em caráter excepcional, em razão da adequação do calendário eleitoral local decorrente da greve estudantil. As entidades terão até o dia 15 de julho de 2026 para encaminhar à Comissão de Organização toda a documentação referente aos respectivos processos eleitorais. Na sequência, a Mesa de Pré-Credenciamento, responsável pela análise e validação da documentação encaminhada, será realizada no dia 07 de agosto de 2026, na sede da ANPG.

Mais do que uma alteração de calendário, essa decisão expressa a confiança da ANPG na força do processo organizativo que está em curso. O crescimento da representação nas bases demonstra que a defesa da ciência, da educação, da valorização dos pós-graduandos e da soberania nacional tem encontrado cada vez mais eco nas universidades e centros de pesquisa brasileiros.

Além disso, como parte do processo de preparação para o 30º CNPG e diante da importância das eleições de 2026 para o futuro da ciência, da educação e da pós-graduação brasileira, a ANPG convoca todas as APGs, para uma Reunião Nacional de APGs, a ser realizada nos dias 08 e 09 de agosto de 2026, em modalidade virtual. O encontro terá como objetivo construir, de forma coletiva e democrática, a Plataforma Eleitoral dos Pós-Graduandos, documento que reunirá as principais reivindicações e propostas da categoria e que será apresentado aos candidatos e candidatas aos diversos cargos em disputa nas eleições de outubro de 2026, reafirmando o protagonismo da pós-graduação no debate sobre o desenvolvimento científico, tecnológico e social do Brasil.

Com isso, o 30 CNPG já se avizinha como um marco na história da entidade. Será o espaço para reunir uma geração de pós-graduandas e pós-graduandos comprometida com a defesa da pós-graduação brasileira, com a produção científica como instrumento de desenvolvimento nacional e com a construção de um projeto de país que reconheça o conhecimento como elemento estratégico para a soberania, democracia, a inovação e a transformação social.

Convidamos todas as APGs, delegados e delegadas, entidades parceiras e pós-graduandos de todo o país a manterem o processo de mobilização, fortalecendo as eleições nas bases e construindo coletivamente aquele que tem todas as condições de ser o maior e mais representativo Congresso Nacional da história da ANPG.

Nos encontramos em Vitória, de 26 a 29 de novembro, para escrever mais um capítulo da história do movimento nacional de pós-graduandos.

Diretoria Executiva da ANPG

Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG

Teve início na manhã desta quarta-feira (01/07), na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, o Seminário Nacional Dossiê Newton Sucupira, promovido pela ANPG em conjunto com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), para debater as perspectivas para a inserção dos pós-graduandos no mercado de trabalho.

A mesa inaugural, com o tema “O papel do Estado na indução da empregabilidade de mestres, doutores e o desenvolvimento nacional”, contou com a participação do presidente da ANPG, Vinícius Soares, e do ex-presidente do CNPq e atual deputado federal Ricardo Galvão, além de um vídeo do professor Anderson Gomes, representando o CGEE.

Vinícius Soares abriu os debates com uma digressão sobre o Parecer Sucupira e sua importância histórica para a formação do modelo e do sistema de pós-graduação brasileiro, baseado na necessidade de formar professores e pesquisadores para as universidades.

“Se olharmos a história brasileira, talvez poucas políticas públicas tenham produzido uma transformação tão profunda quanto a política nacional de pós-graduação iniciada a partir do Parecer Newton Sucupira. Ela permitiu que o Brasil deixasse de ser um país importador de conhecimento para construir uma comunidade científica capaz de produzir ciência em praticamente todas as áreas estratégicas. Hoje, temos universidades de excelência, temos uma comunidade científica respeitada internacionalmente, temos um Sistema Nacional de Pós-Graduação consolidado e temos uma capacidade formativa que levou décadas para ser construída”, celebrou.

Entretanto, o presidente da ANPG alerta sobre a necessidade de integração entre o conhecimento produzido na academia e as necessidades dos setores produtivos não acadêmicos, como a indústria de transformação, para ampliar a absorção de mestres e doutores e impulsionar o desenvolvimento nacional.

Segundo Vinícius, não se pode olhar um doutor apenas como alguém que concluiu um curso, mas como um agente de transformação produtiva. “Quem forma pessoas amplia sua soberania. Não é por acaso que os países que mais cresceram nas últimas décadas fizeram exatamente essa escolha. A China não investiu apenas em universidades, ela investiu em pessoas. Transformou a formação de recursos humanos em política industrial. A Coreia do Sul fez a mesma coisa. A Alemanha articulou universidades, institutos de pesquisa e empresas. Os Estados Unidos transformaram conhecimento em inovação, inovação em produtividade e produtividade em desenvolvimento”, exemplificou.

O deputado Ricardo Galvão elogiou a participação da ANPG no Conselho do CNPq pela capacidade de intervenção nos debates estruturantes sobre as políticas e não apenas nas questões específicas. “Admiro aqueles que conseguem manter a excelência em seus projetos acadêmicos, mas também conseguem ter olhar mais amplo e propor políticas públicas”, disse.

Na mesma linha de Vinícius, Galvão afirmou que só teremos desenvolvimento soberano “se a indústria de transformação usar o conhecimento de nossos mestres e doutores para produzir aqui”.

Para isso, a questão que mais preocupa o ex-presidente do CNPq é a dificuldade de o Brasil planejar estrategicamente. “Temos política pública, mas nos falta política de longo prazo. A visão estratégica está nos faltando. Não podemos fazer tudo, mas temos que definir o que é importante para a soberania e investir em longo prazo”, concluiu.

A segunda mesa de debates abordou o tema “Visões dos Setores Produtivos e do Serviço Público no Brasil na Inserção de Mestres e Doutores e o papel da Inovação”, com participação do ex-dirigente da Confederação Nacional da Indústria e consultor empresarial Eduardo Vaz, Lucas Vieira, coordenador de pós-graduação strictu sensu da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Luiza Martins, pesquisadora do Centro de Estudos e Memórias da Juventude), tendo como mediador Elvis Arruda, diretor de C&TI da ANPG.

Apresentando a perspectiva do setor produtivo industrial, Eduardo Vaz destacou o programa Inova Talentos, iniciativa conjunta formulada pela CNI e o CNPq, como um dos bons exemplos de política pública de aproximação entre a academia e o setor produtivo que geram empregabilidade para pós-graduandos. “Essa é uma articulação entre o setor produtivo e o CNPq que é um sucesso. É um exemplo como o marco legal de inovação pode funcionar e ampliar a empregabilidade de mestres e doutores junto à nossa indústria”, apontou.

O Inova Talentos é um programa para capacitação de mestres, doutores e estudantes de graduação por meio de atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em empresas e instituições científicas. Inicialmente, o programa contava com bolsas do CNPq, mas a partir de 2015 o acordo de cooperação passou a contar apenas com recursos privados.

Citando a necessidade de combater o “apartheid” entre a universidade e os setores produtivos, Eduardo Vaz apresentou iniciativas de outros países que visam a aproximação entre o conhecimento acadêmico e as necessidades da produção industrial. Lembrando um exemplo holandês, o consultor sugeriu a criação de um banco de dados de teses de mestrado e doutorado da Capes e do CNPq com palavras-chaves, que possa ser acessível à indústria, para fazer um “matching” (correspondência) entre as necessidades da indústria e as pesquisas realizadas, gerando empregabilidade para os pós-graduandos.

Para Eduardo, também é necessário que existam contrapartidas para os incentivos da dos pelo poder público à iniciativa privada. Mencionou um caso de multinacional que abriu parque industrial na China, com metade do capital próprio e metade chinês, mas o Estado exigiu a capacitação de engenheiros como contrapartida pelo investimento. “Temos políticas públicas de incentivo no Brasil que não exigem contrapartida, como, por exemplo, a absorção de mestres e doutores”.

Lucas Vieira, coordenador de pós-graduação strictu sensu da Escola Nacional de Administração Pública, falou sobre o papel do Estado na absorção abordando a falsa contradição entre a burocracia e a inovação. Para ele, uma burocracia profissional e estável é fundamental para a inovação e citou como exemplo a missão norte-americana de levar o homem à Lua, que gerou uma série de tecnologias que foram absorvidas pela indústria de transformação.

Segundo Lucas, não é possível pensar a atração e a fixação de mestres e doutores apenas pelas universidades, mas é preciso um projeto de desenvolvimento e reindustrialização, inclusive com polos regionais. “Criar um projeto de desenvolvimento passa por enfrentar contradições internas e criar consensos sobre esse projeto. A política pública é importante, mas entra o elemento de defesa da soberania, da ciência e tecnologia como elementos centrais ao desenvolvimento nacional”.

Para Elvis Arruda, diretor da ANPG, é preocupante a falta de perspectiva que assola os pós-graduandos brasileiros. “Antes, áreas como medicina e engenharia eram vistas como de futuro sólido. Após reformas como a trabalhista e a previdenciária, até nessas áreas vemos mestres e doutores virando MEIs. Precisamos de um pacto nacional de desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, com a pesquisa valorizada”, disse.

O baixo investimento em inovação tecnológica feito no Brasil, tanto pelo setor público quanto pelo privado, foi lembrado como um dos entraves a serem enfrentados para alavancar o desenvolvimento do país e ampliar a absorção de mão de obra especializada. “O percentual do PIB investido em inovação é de aproximadamente 1,5% e a maior parte vem do Estado. A indústria também precisa passar a investir mais”, disse Eduardo Vaz.

Luiza Martins, pesquisadora do CEMJ, disse que a entidade está em processo de elaboração do segundo volume do dossiê Newton Sucupira, agora com foco nas assimetrias regionais na fixação de mestres e doutores.

Confira a galeria de fotos completa no Flickr.

No próximo dia 01 de julho, Auditório Mackgraphe da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, a ANPG e o CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos), órgão ligado ao MCTI, realizarão o “Seminário Nacional Dossiê Newton Sucupira” para debater a inserção dos pós-graduandos no mercado de trabalho e a interface entre academia e o setor produtivo.

O Dossiê Newton Sucupira é um documento elaborado pelo Centro de Estudos e Memória da Juventude (CEMJ), em parceria com a Associação Nacional de Pós-Graduandos, para levantar dados sobre a empregabilidade de mestres e doutores no Brasil e fomentar o debate sobre o maior aproveitamento desses profissionais em segmentos estratégicos para o desenvolvimento econômico e científico do país.

A programação do evento busca privilegiar o diálogo entre o setor público e o privado, abordando o papel do Estado no incentivo à absorção dos profissionais; a visão dos segmentos econômicos industrial, agropecuário e de serviços acerca da contribuição de mestres e doutores para o incremento da produtividade e inovação; além de debater o papel do financiamento público e a inovação no serviço público.

Para o presidente da ANPG, Vinícius Soares, o debate sobre a empregabilidade dos pós-graduandos está diretamente atrelado a elaboração de um projeto de desenvolvimento nacional condizente com o potencial do país. “Historicamente, o sistema nacional de pós-graduação foi desenhado para privilegiar a carreira acadêmica. Isso continua sendo importante, mas é insuficiente na atual dinâmica produtiva. Para que o Brasil consiga se desenvolver de maneira sustentável, será necessário integrar a pesquisa produzida nas universidades às necessidades de um novo ciclo de industrialização com enfoque em ciência, tecnologia e inovação. A empregabilidade de mestres e doutores está necessariamente ligada à construção desse projeto de desenvolvimento. É o que queremos debater no seminário”, afirmou.

O Seminário Nacional Dossiê Newton Sucupira também terá transmissão on line. Confira a programação nas redes da ANPG e acesse o formulário de inscrição aqui.