Em solidariedade aos estudantes da PUC-SP, a Associação de Pós-Graduandos da Universidade de São Paulo "Helenira Preta Rezende", aprovou em sua diretoria uma moção de apoio aos grevistas da PUC-SP.
 
Leia abaixo a íntegra do texto.
 
Para saber mais, acompanhe o site da APG-USP: http://apguspcapital.wordpress.com
 
MOÇÃO DE APOIO À LUTA PELA DEMOCRACIA NA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
 
 
A Associação de Pós-Graduandos da Universidade de São Paulo “Helenira ‘Preta’ Rezende”, do campus da Capital, manifesta seu total apoio às mobilizações da comunidade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) contra a nomeação da professora Anna Cintra para sua reitoria. Não consideramos legítima a decisão do Conselho Superior da Fundação São Paulo (FUNDASP), que desrespeita um dos processos eleitorais mais democráticos do sistema universitário brasileiro e, sobretudo, a história dessa instituição, fortemente marcada pela luta a favor da democracia no Brasil.
 
O processo eleitoral puquiano foi inaugurado no início dos anos 1980, como uma forma de oposição simbólica à ditadura Civil-Militar e transformou sua tradição em algo verdadeiramente democrático. Este processo sobreviveu a todo o desmantelamento iniciado pela FUNDASP, desde 2006. O atual episódio de atentado contra a democracia e a autonomia universitária da PUC-SP é a culminância de três dramáticos acontecimentos que marcaram a história desta universidade neste último período. A subscrição ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) contra a crise da dívida da Universidade, em 2006; as demissões de 30% do quadro de docentes e funcionários no mesmo ano; e a reforma estatutária e regimental, iniciada em 2007 e aprovada em 2009. Esta reforma criou o Conselho Administrativo (CONSAD), instância constituída por 2 membros do conselho executivo da FUNDASP e pelo reitor com poder de veto sobre as deliberações do Conselho Universitário (CONSUN). O CONSAD evidencia a avançada perda da autonomia universitária na PUC, já em processo de “redesenho” institucional.
 
Um dos grandes legados da PUC-SP é a compreensão de que seus funcionários, professores e estudantes são igualmente capazes de escolher e deliberar sobre seu corpo administrativo. Ao contrário, na Universidade de São Paulo – certamente a instituição mais marcada pela ditadura brasileira – o processo de escolha do reitor e dos cargos colegiados ainda obedece à formas completamente alheias às transformações democráticas do país. Assim como no caso de Anna Cintra, João Grandino Rodas perdeu na consulta interna, mas foi o escolhido pelo governador do Estado de São Paulo e segue à frente de uma das mais violentas gestões da USP em tempos democráticos. Gestão marcada pelo silêncio, filho do medo e da distribuição de verbas e favores.
 
Ao contrário do exemplo puquiano, esses acontecimentos se integram à tradição antidemocrática e autoritária, naturalizada nesta comunidade acadêmica. A campanha por uma Estatuinte soberana e democrática, a necessária instalação de uma Comissão da Verdade da USP, autônoma perante a reitoria, e a reintegração dos eliminados políticos das gestões Sueli Vilela e Grandino Rodas são algumas das lutas fundamentais para a inscrição da USP na história democrática do país.
 
As históricas e as recentes mobilizações por parte dos funcionários, alunos e professores da PUC-SP nos ensinam o valor da resistência contra o autoritarismo. Diante da falta de democracia que ainda é regra geral nas universidades paulistas, encontramos mais um exemplo de inconformismo e mobilização política ao qual queremos nos aliar com o ideal de que uma sociedade efetivamente democrática se constrói também no ensino superior.
 
 
Diretoria da APG-USP “Helenira ‘Preta’ Rezende”/Capital
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