Manter e ampliar os investimentos em pesquisas no país, garantir equidade na distribuição de recursos entre os estados e criar políticas para incentivar as indústrias a aproveitar o conhecimento científico produzido no país. Estes são os principais desafios do futuro ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, na opinião de professores da Universidade de Brasília (UnB).

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Para Isaac Roitman, professor aposentado, ex-decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB e membro da Academia Brasileira de Ciências, garantir o orçamento dos últimos oito anos, além de brigar para aumentar o montante de recursos da pasta, deve ser a prioridade do novo ministro. 

“O volume de recursos destinados à área de ciência e tecnologia foi a principal conquista da última década”, explica. “Manter esse orçamento é o mínimo indispensável”, defende. 

“É papel fundamental do futuro ministro convencer as demais áreas de que Ciência e Tecnologia são importantes”, emenda outro professor, Marco Antônio Amato, do Instituto de Física da UnB. Entre 2007 e 2010, os valores disponibilizados no orçamento para a área foram de cerca de R$58 bilhões.

No último dia 3 de dezembro, Luiz Antonio Elias, secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, anunciou que o orçamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico deve alcançar a marca de R$3,8 bilhões em 2011. Em 2010, foram liberados R$3,1 bilhões. “É importante que esse investimento seja mantido”, afirma Antônio Brasil, diretor da Faculdade de Tecnologia da UnB.

Política de diversidade

Além da manutenção do orçamento, Brasil aponta como desafio do novo ministro manter a política de equidade nos avanços de ciência e, principalmente, tecnologia em todas as regiões do Brasil. “A gestão de Sérgio Rezende buscou isso claramente. É importante a continuidade dessa política”, disse. 

“A atenção à ciência precisa ser tratada com mais igualdade entre os estados”, reforça o professor Marco Amato. “Espero que, apesar do fato de ser de São Paulo, Mercadante tenha um ministério e uma política de diversidade”, completa. 

Alguns professores vêem com preocupação o fato de o novo ministro ser um político paulista. “Tradicionalmente, a ciência e tecnologia são controladas por paulistas e cariocas e o fato de termos um político de São Paulo como chefe dessa pasta pode levá-lo a manter essa lógica, o que não é bom”, acredita o professor Elimar Santos, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB. 

Trabalho conjunto

Isaac Roitman enumera ainda como essencial a necessidade de construir uma política de incentivo à inovação. “Cientistas trabalham isolados dentro das universidades e empresas contratam conhecimento de fora, especialmente na área tecnológica. É preciso uma política de aproximação entre a academia, indústria e empresas, de forma a transformar ciência e tecnologia em inovação”, explica Isaac.

Para Marco Amato, o momento é favorável para que isso ocorra. “Esse é um avanço que depende de uma economia favorável, aquecida. É o que ocorre no Brasil nesse instante”, diz. 

Uma das ações do ministério no último ano mais aplaudidas pela comunidade acadêmica foi a Medida Provisória que dá preferência nas licitações públicas a produtos e serviços de conteúdo tecnológico produzidos no Brasil, como uma nova política de apoio à inovação. A medida já foi aprovada pelo Congresso Nacional.

Quando o discurso é uma tese

Em seu discurso de posse, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, faz referência ao Novo Desenvolvimentismo, tese recém-defendida em seu doutorado na Unicamp.

Confira aqui a íntegra do discurso de posse do novo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Fonte: Portal da UnB, com informações do Portal Vermelho

 

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