O Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), se negou a cumprir a resolução do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e Humanas (IFCH), que orienta a adoção de cotas étnico-raciais em seu processo seletivo para a pós–graduação, segundo informações do Blog Negro Belchior, da Carta Capital. Ainda segundo o blog, o Departamento não ofertará vagas para cotistas em 2016,

Segundo Douglas Belchior, autor do blog, “há uma reação branco-conservadora que tenta limitar o desenvolvimento de pesquisas e dificulta, ou impede, a presença de pesquisadores e pesquisadoras negros e negras no espaço elitizado da pós-graduação das universidades públicas”.

Além disso, o blog cita o doutorando e ativista negro Teófilo Reis, que teria sofrido perseguição e haveria sido impedido de compor o quadro de pesquisadores do Departamento. O Núcleo de Consciência Negra – NCN, da Unicamp, publicou Nota de Repúdio, na qual se manifesta publicamente contra a atitude do Departamento de Filosofia. Além disso, Teófilo também publicou carta aberta, na qual afirma que as pesquisas do centro não contemplavam o único requisito de seu trabalho, que é a pesquisa de um tema que contribua para a luta anti-racista.

Leia a Nota de repúdio ao Departamento de Filosofia da UNICAMP

Carta aberta ao Departamento de Filosofia da UNICAMP

Com relação às acusações difundidas pelo estudante Teófilo Reis, o Departamento de Filosofia divulgou a seguinte nota oficial (Nota 1), em que nega a acusação de racismo. Com relação às cotas na pós-graduação, o Departamento também emitiu Nota 2, esclarecendo seu entendimento e curso de ação adotados.

Nota 1: À comunidade do IFCH

Em vista da circulação de informações imprecisas a propósito de seu funcionamento no âmbito da pós-graduação, o Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp vem a público esclarecer que respeita e observa todas as normas acadêmicas vigentes com relação à permanência ou desligamento de alunas e alunos de seu Programa de Pós-Graduação. Nos raros casos em que a aluna ou o aluno decide mudar de área e de linha de pesquisa, são-lhe oferecidas oportunidades para procurar orientação adequada para realizar essa transição de especialidade e para a reelaboração do projeto de pesquisa, respeitado o tempo máximo de integralização e as cláusulas de desempenho acadêmico estabelecidos pela legislação em vigor. É inclusive facultado à aluna e ao aluno em transição de especialidade o recurso a orientadores de outras disciplinas de conhecimento que não a Filosofia. Esses procedimentos são balizadores da nossa conduta em todos os casos envolvendo as alunas e os alunos do programa. E foram dotados também no caso do aluno Teófilo Reis.

Unicamp, 30 de setembro de 2015

Nota 2: Departamento de Filosofia do IFCH

“Em função do seu seu atual perfil étnico-racial, que hoje ultrapassa a porcentagem sugerida pela Congregação e pela Coordenadoria de Pós-Graduação (CPG) referente à reserva de vagas, o programa de Filosofia do IFCH comunica que adotará medidas para respeitar a decisão destes colegiados quando for necessário.

Resultado da consulta feita aos alunos do programa (99 respostas):
Preto: 4,2%
Pardo: 22,1%
Indígena: 1,1%
Branco: 67,4%
Não declarado: 5,3%”

Da redação

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