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Frente de mobilização é lançada para combater ideias conservadoras, a austeridade e cobrar do governo as reformas estruturais para o país sair da crise

A Frente Nacional de Mobilização “Povo Sem Medo”, iniciativa de diversos movimentos sociais brasileiros, foi lançada no mesmo dia em que o mundo lembrava o assassinato do guerrilheiro revolucionário Che Guevara: 8 de outubro.

Trata-se de uma articulação ampla entre juventudes partidárias e de igrejas, movimentos estudantil, de negros, mulheres e sem-teto, além de centrais sindicais. Participam ANPG, UNE, UBES, CUT, CTB, MTST, Unegro,Intersindical e muitas outras entidades e organizações.

O ato de constituição da frente foi realizado no centro da capital São Paulo, em um auditório próximo ao metrô da Sé. Antes das falas e saudações, as centenas de presentes viram uma homenagem a Che Guevara, com trechos de poesia sobre a sua vida e a interpretação da famosa música Hasta Siempre (veja vídeo abaixo). Em 8 de Outubro de 1967, o líder revolucionário da esquerda foi capturado e morto pelo exército boliviano.

“Para nós da ANPG é um prazer muito grande estar aqui com todos esses movimentos. Hoje é uma data muito simbólica e eu vou começar minha fala citando uma frase do Che Guevara que diz assim: “Lutam melhor os que tem belos sonhos”. E eu sei que essa sala e as ruas desse país estão cheias de pessoas com belos sonhos. Porque existem várias formas de se mudar o nosso país e a nossa cidade. É importante perceber que nós não partimos do nada. Estamos aqui, sonhadores e sonhadoras, lutadores e lutadoras, herdamos a trajetória de luta do nosso povo, tanto e tantas outras que lutaram para mudar a trajetória do nosso país”, disse Tamara Naiz, presidenta da ANPG, durante o evento.

“Não dá para negar também que o nosso país mudou, é um país que tem 500 anos de desigualdade construída historicamente e reforçada. Não vai ser de uma hora pra outra que a gente vai mudar tudo que a gente precisa. Mas nesse momento, vivemos uma encruzilhada histórica, nesse momento os lutadores do povo vivem na defensiva, pois há uma ofensiva conservadora por parte da Direita, no Congresso Nacional. Há o ajuste fiscal imposto pelas elites e aplicado ao nosso povo, tirando direitos, e há uma ameaça golpista que quer cercear todas as nossas possibilidades de futuro. Dizemos não a todas essas ameaças conservadoras, à ameaça golpista, e ao ajuste fiscal”, acrescentou.

Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto, lembrou que a frente não é resultado só daquele dia, mas vem de várias mobilizações nas ruas do país contra os avanços das ideias conservadoras de uma direita que quer colocar na ordem do dia pautas como a redução da maioridade penal, o estatuto da família e a terceirização.

“Diferente da direita”, ele destacou a diversidade daquele ato: “Nesse momento em que os movimentos sociais e o povo brasileiro se levantam, a decisão é de levar de forma intransigente para as ruas as nossas contraofensivas ao avanço conservador, que não passará no nosso país, e às políticas de austeridade”, destacou.

“A saída tem que ser pelos debaixo, uma saída com a cara do povo, em uma frente onde tem negro, nordestino, mulheres, gays, lésbicas, onde tem a diversidade do povo brasileiro. Construir um novo ciclo de mobilização por reforma populares e pela esquerda”, destacou o representante do MTST.

LAERTE SEM MEDO

A cartunista Laerte foi uma das personalidades presentes. Em uma rápida saudação aos presentes, ela observou que estava ali tinha uma grande diversidade e afirmou estar feliz de poder participar do lançamento da frente.

Laerte_Povo_Sem_Medo

“Me sinto sem medo”, disse. “Espero que a ausência do medo nos leve à lucidez e que isso seja capa de fazer a gente enfrentar o ódio”, completou, fazendo referência aos vários casos de intolerância que tem tomado conta da sociedade nos últimos meses.

Outros artistas que não puderam comparecer enviaram o seu de apoio. Uma mensagem do escritor escritor Frei Beto foi lida durante o ato. Também mandaram um salve para a frente o ator Gregório Duvivier, os músicos Tico Santa Cruz e Karina Buhr, o escritor Ferréz, os jornalistas Leonardo Sakamoto e Juca Kfouri e a psicanalista Maria Rita Kehl.

ESTUDANTE ESTUDANTIS

A presidenta da União Nacional dos Estudante, Carina Vitral, lembrou o Che Guevara, o comandante de sonhos, da rebelião e da revolução. “E é na diversidade do nosso povo e das nossas organizações que a gente compõe essa frente para nos somarmos em nossos sonhos e nas nossas lutas”, disse.

Carina criticou a onda conservadora do Congresso Nacional, “em sua maioria eleitos pelos financiadores de campanha”, e que quer aprovar a terceirização, a redução da maioridade penal e o estatuto da família. “A saída é uma reforma política com o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais”, apontou.

“Contra a direita e por mais direitos. Essa segue sendo a nossa insígnia”, finalizou.

A presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, Bárbara Melo, foi dura ao dizer que a solução para a crise “não é colocar no ombro da juventude e dos trabalhadores”.

Bárbara destacou que a frente já tem um histórico de lutas. “Estamos aqui para aprofundar mudanças. É muito importante termos unidade”, disse. “A UBES vai ocupar cada vez mais as escolas e universidades, o MTST vai lutar cada vez mais por moradia digna, a CTB e a CUT vai defender cada vez mais os direitos dos trabalhadores”, convocou.

PRÓXIMAS AÇÕES
Os primeiros atos da “Frente Povo Sem Medo” serão dia 8 de novembro. Estão previstas manifestações em várias cidades. Em São Paulo, deverá ser na Avenida Paulista, que tem sido o local de referência para os grupos conservadores realizarem protestos por impeachment, pela volta da ditadura e contra os programas sociais.

A Frente pretende ainda pressionar o Congresso Nacional e o governo federal para avançar em reformas, como a do sistema político, do Judiciário, das comunicações, a tributária, a urbana e a agrária.

Frente de mobilização é lançada para combater ideias conservadoras, a austeridade e cobrar do governo as reformas estruturais para o país sair da crise.

Da redação com informações da UNE

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