Docentes, técnicos-administrativos e estudantes da USP, Unicamp e Unesp deflagram greve por tempo indeterminado. Esta medida foi uma reação a deliberação do Conselho dos Reitores das Universidades do Estaduais de São Paulo (Cruesp) que congela o salário dos trabalhadores (docentes e técnicos-administrativos) das três universidades estaduais paulistas.

Faz-se importante levar em consideração alguns elementos que facilitam a compreensão dessa realidade. Segundo o Cruesp, o comprometimento do orçamento com a folha de pagamento atinge 94,47% na Unesp e 96,52% na Unicamp. Na USP, esse porcentual fica em torno de 105%. Nos últimos seis anos, o Governo do Estado de São Paulo deixou de repassar 2 bilhões de reais para essas universidades. Só em 2013, a cifra foi de 540 milhões de reais.

O caso da USP tem uma peculiaridade. No último dia 28/4, o reitor divulgou uma carta afirmando a falta de transparência orçamentaria da gestão de João Grandino Rodas (ex-reitor da USP) e que, desde 2012, a universidade perdeu R$ 1,3 bilhão de sua reserva orçamentaria. A “poupança” é usada para gastos que excedam o orçamento.

Responsáveis por 43% da produção científica do país, a situação financeira das três universidades estaduais paulistas merece atenção.

Utilizando como premissa a ideia de que a crise nas universidades públicas paulistas se dá pelo mal gerenciamento dos recursos e que não tem cabimento exigir mais verbas ao governo estadual, o colunista da Folha de S.Paulo, Hélio Schwartzman, assim como outros jornalistas da grande mídia, tem expressado que a solução para essa crise financeira seria a cobrança de mensalidades dos estudantes, principalmente daqueles que cursam carreiras financeiramente promissoras, como Medicina.

Diante desse cenário, os estudantes de pós-graduação publicam um manifesto a favor da greve e contra a privatização das universidades.

Manifesto de apoio à greve dos docentes, servidores e estudantes das Universidades Estaduais Paulista e em defesa do ensino superior público, gratuito e para todos

Nós, alunos da pós-graduação reunidos em assembleia, vimos a público manifestar nossa indignação perante aos ataques sofridos pelas Universidades Públicas do Estado de São Paulo de setores ligados ao capital financeiro que já atuam na educação e demonstram interesse no patrimônio incalculável das universidades públicas.

Entendemos que a atual proposta de arrocho salarial, vinda do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (CRUESP), é só mais uma estratégia do atual governador Geraldo Alckmin do PSDB para sucatear as universidades públicas e entregá-las de bandeja ao setor privado com uma folha de pagamento enxuta e com a garantia de extrema exploração da mais valia de trabalho acadêmico de ponta.

Além disso, vimos nas últimas semanas a grande mídia veicular uma enxurrada de matérias que insinuam que a saída da crise de financiamento público em que tais universidades estão inseridas é a cobrança de mensalidades de seus estudantes. Acreditamos que essa opinião vai de encontro aos interesses daqueles que defendem a democratização do Ensino Superior público e gratuito, que há muito se colocam contrários ao modelo de ingresso quase que exclusivo através dos vestibulares, que reafirmam critérios meritocráticos e afasta estudantes que frequentaram exclusivamente o ensino básico público, ou seja, oriundos da classe trabalhadora.

Com isso o que se quer é privatizar algo que deveria ser fruto de políticas que garantam o acesso às universidades públicas e gratuitas, já que desde sua fundação, a USP na década de 30, a UNICAMP e UNESP nas décadas de 60 e 70, frequentadas pela elite, eram mantidas pelo cofre público. No entanto, quando a pressão social, sobretudo da classe popular e trabalhadora passa a ser também por acesso e permanência ao ensino superior público e gratuito, o governo do PSDB no Estado de São Paulo propõe sua privatização.

Nós, alunos da pós-graduação, não podemos ficar indiferentes em relação à campanha de destruição das universidades públicas do Estado de São Paulo que o governo de Geraldo Alckmin está promovendo! Que só tem privatizado a educação e isso não tem significado melhora na qualidade. Chega de privatizações! Que os 10% do PIB, previsto no atual PNE seja destinado exclusivamente ao ensino público gratuito!

Diante deste quadro, nós, pós-graduandos da Faculdade de Educação da UNICAMP, manifestamos o nosso apoio aos docentes, servidores e estudantes em greve, e também reivindicamos que o patrimônio do povo de São Paulo seja fortalecido, preservando o caráter gratuito das universidades estaduais paulistas (UNICAMP, USP e UNESP), além de estabelecer mecanismos para que mais jovens ingressem nestas instituições de ensino.

Campinas, 13 de junho de 2014

Faculdade de Educação – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

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