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Foto: Guilherme Bergamini

Do pequi, passando pelo bagaço da cana de açúcar, até os hábitos dos saguis e a tendência de mortalidade por doenças isquêmicas do coração: cabe de tudo na Mostra Científica do 25º Congresso Nacional de Pós-Graduandos, evento que será encerrado neste domingo, em Belo Horizonte.
Segundo Roberto Nunes Júnior, doutorando em filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco e vice-diretor Nordeste da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), é justamente essa peculiaridade o maior atrativo da mostra. “Ela reúne no mesmo espaço grandes áreas do conhecimento. Permite o diálogo entre elas, algo que é especial na ciência”, afirma. Além disso, segundo ele, a iniciativa é mais um esforço da associação em valorizar a pesquisa produzida pelos pós-graduandos. Ao todo, foram selecionados 27 trabalhos entre as inscrições recebidas.
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Alan B. Dias, mestrando em ciências biológicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Foto: Guilherme Bergamini

Alan B. Dias, mestrando em ciências biológicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), realiza um estudo sobre ecologia vegetal. Ele analisa as mudanças fenotípicas do pequi paulista de Botucatu com o do Centro-Oeste brasileiro. “O menor tamanho da flor pode alterar a fauna responsável pela sua dispersão. Assim, o pequi não seria só polinizado pelo morcego”, descreve. Com o estudo, o mestrando muda um paradigma da ciência, que diz que plantas polinizadas por morcegos não evoluiriam, abrindo caminhos para novas pesquisas e possibilidades.
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Bárbara Fernandes, mestranda da Universidade de São Paulo (USP) Foto: Guilherme Bergamini

Já Bárbara Fernandes, mestranda da Universidade de São Paulo (USP), procura descobrir como reutilizar um elemento extraído do bagaço de cana para aplicações industriais diversas, da área alimentícia à farmacêutica. “É um resíduo agroindustrial muito gerado no Brasil”, explica a estudante. Segundo ela, muitas empresas no país buscam por uma solução para os resíduos que agregue valor e lucro para além do portfólio principal da indústria. E, com isso, a empresa alcança essa meta sem agredir ainda mais o meio ambiente.
A pós-graduanda destaca que por meio da mostra ela consegue interagir com outros pesquisadores do país. “É muito importante para divulgação da nossa pesquisa. Podemos agregar conhecimento e achar projetos parecidos em que um possa alavancar o outro. E o que a gente faz aqui é ciência. Buscamos processos que vão cada vez mais otimizar os procedimentos”, explica.
Esse diálogo entre os centros de estudo, promovido pela Mostra Científica, é um dos objetivos de participação apontados pela mestranda Vanessa de Paula Lopes, da Universidade Federal de Viçosa. “Acredito na união das universidades para fazer pesquisas. Ela amplia o conhecimento e vai interligando os assuntos”, afirma.
Foi em outro congresso em Manaus que lhe foi sugerida a pesquisa morfológica de primatas. Atualmente, ela estuda o intestino grosso da cobra de duas cabeças, o que ajuda a determinar o indivíduo pelo tipo de alimentação e permite fazer uma análise da evolução dos organismos das espécies ao longo da história. Vanessa também desenvolve uma pesquisa sobre hábitos antrópicos de saguis. De acordo com a pesquisa, a espécie procura por sítios para dormir onde homens os alimentavam — contrapondo o instinto animal de se proteger de predadores. A ação humana nesse caso é responsável pela morte desses animais, que não conseguem retornar à caça posteriormente. Dessa forma, será proposta um plano de educação ambiental específica na comunidade.
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Jackeline Lara, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Foto: Guilherme Bergamini

Os resultados do estudo de Jackeline Lara, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também serão guias para uma ação focada na promoção da saúde na cidade. Como parte do seu mestrado, ela traça um perfil das vítimas de leishmaniose. “A letalidade é baixa, mas pode ser evitada. Não é uma doença grave, mas falta diagnóstico”, explica.
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Aldiane Macedo, Unicamp Foto: Guilherme Bergamini

Aldiane Macedo, também da Unicamp, tem uma longa pesquisa pela frente analisando a tendência de mortalidade por doenças esquêmicas do coração em idosos, de Pernambuco e São Paulo, entre 1980 e 2012. As doenças cardiovasculares são as principais causas de mortes no país.
Artênius Daniel, de Belo Horizonte

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