46 comissões de avaliação, compostas por 877 pessoas participaram do processo de Avaliação Trienal 2010 dos Programas de Pós-Graduação stricto sensu no Brasil, divulgada nesta terça-feira (14) neste link. Entre os avaliadores, figura o representante da ANPG Thiago Matsushita, atual 2º Diretor de Relações Institucionais da entidade e membro do Conselho Técnico Científico (CTC) da CAPES. O diretor da ANPG trabalhou em defesa da qualidade e da democratização do acesso aos cursos durante a avaliação.

Os dados analisados, referentes ao período de 2007 a 2009, são dos 2.718 programas do país. Entre 19 de julho e 14 de agosto deste ano foram feitas as avaliações presenciais. Os resultados produzidos pelas comissões de área foram levados à deliberação e chancela do Conselho Técnico Científico da Educação Superior (CTC-ES) na sua 120ª reunião, ocorrida entre 30 de agosto a 3 de setembro de 2010, e refletem o desempenho dos programas de pós-graduação nesse triênio 2007/2009.
 
Muito esperada pela comunidade cientifica nacional, a Avaliação Trienal da CAPES apresenta positivamente um aumento da produção científica e um crescimento expressivo dos cursos de pós-graduação credenciados nas universidades brasileiras. Entretanto, este crescimento, embora expresse uma redução das disparidades regionais no cenário científico-acadêmico, ainda é marcado por muita concentração.
 
Em que pese o crescimento do número de cursos tenha sido maior nas regiões Norte (35,3%), Nordeste (31,3%) e Centro-Oeste (29,8%), a concentração no Sudeste – que teve o menor crescimento, de 14,9% – ainda a diferencia muito das demais regiões. A região Sul teve crescimento de 24,3% de cursos avaliados em relação ao ano de 2007.
 
Concentração alarmante
 
A região Sudeste concentra o maior número de cursos. São 2.190, representando 53,4% do total. O Sul representa 19,8%, com 810 cursos; Nordeste, 16,4%, 672; Centro-Oeste, 6,6%, 270 e a região Norte com 157 cursos, 3,8%. A presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, considera “alarmante” o grau dessa concentração de produção na região Sudeste, onde também se concentram os maiores índices de desenvolvimento econômico do país. 

 

Elisangela Lizardo e Jorge Guimarães durante mesa de debate da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI)

Para ela, “é preciso valorizar e, mais ainda, avançar nas políticas que propiciem desenvolvimento científico e econômico no país, que possui, por exemplo, uma grande demanda de exploração científica nacional das regiões amazônica e do Pantanal”.
 
Notas revelam necessidade de crescer os investimentos
 
Como já consagrado pela avaliação, os programas receberam notas numa escala de 1 a 7, sendo que: 1 e 2 indicam o descredenciamento do programa, enquanto notas 6 e 7 indicam desempenho de referência e de inserção internacional. Para programas que tenham apenas mestrado 5 é a nota máxima.
 
De acordo com o relatório, 2,7% dos programas (o que equivale a 75 cursos) obtiveram notas 1 ou 2, consideradas insuficientes e que provocam o descredenciamento. Outros 32% receberam nota 3, que significa desempenho regular, atendendo ao padrão mínimo de qualidade. Por outro lado, houve ligeiro aumento dos cursos com a nota mais alta possível (7), que equivale ao padrão internacional. Segundo a avaliação da Capes, 4,1% dos programas conseguiram a nota mais elevada neste ano, enquanto em 2007 esse índice ficou em 3,6%.
 
A avaliação trienal aponta, ainda, que a pós-graduação brasileira continua com uma forte taxa de crescimento e que cerca de 71% dos programas mantiveram a nota anterior, 19% obtiveram aumento de nota e 10% receberam notas menores.
 
Para Elisangela Lizardo, “os índices de riqueza de um país estão diretamente relacionados com sua capacidade de produzir ciência, tecnologia e inovação. Investir em programas de pós-graduação de alto nível é fundamental para garantir a formação de recursos humanos qualificados, capazes de produzir tais inovações. O aumento dos cursos de nível internacional é significativo para tais avanços, mas é imprescindível que haja maiores financiamentos para que os cursos 3 e 4 se qualifiquem para alcançar tais parâmetros”.
 
Na avaliação do presidente da Capes, Jorge Guimarães, o crescimento da pós-graduação no país não foi só quantitativo, mas também qualitativo. "Do ponto de vista do desempenho científico, houve melhora considerável. O Brasil vem galgando posições cada vez mais altas nos rankings internacionais", afirma.
 
Posição do Brasil no mundo
 
Hoje o país é 13º do mundo em produção científica do ponto de vista da quantidade de publicações. O presidente da agência espera que em 2010 o país chegue ao 12º lugar.
 
Já sob no aspecto qualitativo, que leva em conta o número de citações de artigos brasileiros em publicações de todo o mundo, o país ocupa o 22º lugar entre os 30 países que dominam 98% da produção científica no mundo.
 
Nos próximos dias, publicaremos uma conversa com o nosso representante no CTC da CAPES, Thiago Matsushita e com a presidente da entidade, Elisangela Lizardo. Convidamos ainda aqueles que desejarem enviar opiniões, comentários, críticas, pautas e sugestões sobre a avaliação a enviarem mensagens para comunicaçã[email protected]
 
 
Da redação, Luana Bonone, diretora de comunicação da ANPG, com Agência Brasil e SBPC
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