A imagem do Cristo de braços abertos convidava pós-graduandos de todo o país a participarem do prestigiado congresso na maravilhosa cidade do Rio de Janeiro. A ideia era também instigar a participação dos pós-graduandos na vida nacional com a frase de convocação do congresso: “A ciência não está de braços cruzados, e você?”. 
 
Os materiais de convocação do congresso traduziram o clima da sua preparação, pois enquanto a média de participantes dos congressos anteriores era de cerca de 100 pessoas, o 22º Congresso Nacional de Pós-Graduandos, que ocorreu entre 15 e 18 de abril, contou com a participação de quase 600 pessoas, sendo 322 delegados e delegadas ao congresso e mais de 100 expositores na mostra científica.  Além destes, muitos estudantes participaram como observadores e as mesas somaram ao menos 15 palestrantes. Estes números revelam a força do congresso que aprovou a reformulação do Estatuto da entidade e elegeu uma nova diretoria, com 31 membros, dentre os quais a nova presidente da entidade, Elisangela Lizardo, mestranda em Educação pela PUC-SP e ex-tesoureira da ANPG.

ANPG e o momento político do Brasil

Para o presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Hugo Valadares, o crescimento da mobilização tem a ver com uma “maior inserção da ANPG nas universidades e também o crescimento de suas relações institucionais”. Na opinião de Hugo, esse processo ocorreu porque o momento político que vive o Brasil favoreceu uma atividade mais incisiva dos movimentos sociais brasileiros e a ANPG conseguiu aproveitar este momento para realizar atividades amplas, “como o 1º Salão Nacional de Divulgação Científica que realizamos em conjunto com outras entidades durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e a própria participação da ANPG nas reuniões anuais da SBPC, sempre buscando envolver estudantes de todos os níveis de ensino e dialogando com a comunidade científica nacional”.

Arquivo ANPG
Diretores da ANPG reuniram-se com o presidente da Finep, Luis Fernandes (de terno), em março deste ano, para debater ciência e tecnologia no Brasil

Além dos presidentes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Carlos Aragão, também participou do congresso no Rio de Janeiro e nomes como o professor Ildeu de Castro, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) também figurou nas mesas de debate, completando o rico rol de convidados. 

A 3ª Mostra Científica da ANPG, que ocorreu durante o congresso, teve 120 trabalhos selecionados, de universidades de todo o país e das diversas áreas de conhecimento. Mais de 100 deles foram expostos nas 9 salas reservadas para a mostra.

Desafios

O tema do congresso foi “Avançar na pós-graduação para transformar o Brasil” e, segundo a nova presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, a nova gestão deve refletir exatamente isso: “’tivemos muitos avanços, significativo crescimento mas é preciso ainda mais. Temos o desafio de atingir as metas do PNPG, na quantidade de vagas de pós-graduação e valores de bolsas. É preciso também nos preocuparmos com a absorção destes novos mestres e doutores no mercado de trabalho".

Não contente em pautar as bandeiras mais relacionadas ao cotidiano acadêmico, Elisangela pautou também as bandeiras da ANPG para o desenvolvimento do país: "A próxima gestão tem como desafio central conquistar os tão reivindicados direitos dos pós graduandos, listados e reivindicados a cada congresso. E para que haja de fato mais investimentos, nos somamos às outras entidades estudantis na reivindicação de 50% das verbas do pré-sal para educação, que inclui a pesquisa científica.” 

 
 
Por Luana Bonone
 
 
 
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