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É preciso desenvolver no continente uma universidade mais igualitária e com a cara de seu povo

O ensino superior no Brasil e na América Latina tem à sua frente grandes desafios. “A universidade precisa ter mais preocupação com a produção de conhecimento do que só coma expansão da instituição”, disse Luiz Roberto Curi, presidente da câmara de educação superior do Conselho Nacional de Educação, durante o debate realizado no 5º Salão Nacional de Divulgação Científica, na tarde desta quarta-feira (19), na UFMG.

O atual modelo de avaliação da Educação Superior, diz Curi, serviu muito bem para os propósitos da década de 1990, para combater os cursos ruins, mas, agora, “precisamos organizar a avaliação para outros desafios, mais consistentes, para desenvolver o país”.

“A universidade tem que estar atrelada à noção de produção de conhecimento científico. A perspectiva de desenvolvimento está vinculado com isso. Países que não apostam em ciência e tecnologia não prosperam”, concorda Nuria Giniger, do Científicos Autoconvocados de Buenos Aires, entidade que tem atuado fortemente contra as políticas do governo de Macri que ameaçam os direitos dos trabalhadores e do povo.

Vivian Urquidi, vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação Integração da América Latina (PROLAM) da USP, apresentou que nos últimos anos, cada vez mais, têm surgido grupos de estudos com diferentes perspectivas sobre a América Latina. “Estudar América Latina nos impõe não só um projeto de pesquisa, mas um projeto de vida”, diz.

Frente aos desafios da educação superior na América Latina é fundamental estabelecer metas e prioridades a partir da construção de uma agenda estratégica para a região. “Essa agenda deve considerar as condições, necessidades e imperativos local, nacional e regional”, disse Álvaro Maglia, diretor executivo da Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM).

Esse plano de ações, diz Maglia, será amplamente debatido na 3ª Conferência Regional de Educação Superior (CRES), que será realizada de 11 a 15 de junho de 2018, em Córdoba (Argentina), na ocasião do centenário da Reforma Universitária.

“Em 1918, os estudantes se rebelaram contra o sistema de educação, aqueles jovens foram os primeiros a dizer que a nossa universidade deve ter a cara da América Latina”, disse Francisco Tamarit, da Universidade de Córdoba e coordenador geral do CRES 2018.

Segundo o argentino, quase 100 anos depois da revolta de Córdoba, ainda é preciso se fazer uma reforma do sistema de educação superior, que é extremamente elitista. “A educação superior é um direito universal e um dever do Estado. Tornar esse direito disponível para todos é um dos desafios que será discutido na CRES”, diz  Tamarit.

“É importante construirmos uma unidade dos currículos, no sentido de criar uma proximidade acadêmico-científica das universidades no âmbito de um projeto de integração latino-americano, para que consigamos nos enxergar na geopolítica internacional enquanto pólo científico na perspectiva da emancipação dos povos da América Latina”, conclui Flávio Franco, diretor de relações internacionais da ANPG.
Texto: Natasha Ramos
 

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