São Paulo, 21 de março de 2022.

Na contra mão do mundo, que vem investindo em Ciência e Tecnologia para sair das crises sanitárias e econômica, o Brasil permitirá que a desvalorização do seu pesquisador alcance a marca de 09 anos na próxima semana. Isso porque há exatamente 09 anos não há um reajuste dos valores das bolsas de estudos dos mestrandos e doutorandos no país. Bolsas essas que acumulam um pouco mais de 70% de desvalorização no seu valor real desde 2013. Além disso, esse cenário se associa a toda a política de desmonte e de desinvestimento em ciência que estamos sofrendo há quase 6 anos, projeto que ratifica uma posição dependente do Brasil. Ou seja, apesar de todo o esforço dos cientistas brasileiros, estamos produzindo ciência com condições precárias e adversas, colocando em risco a continuidade de milhares de pesquisas brasileiras. Por isso, a ANPG vem convocar, novamente, a todos os pós-graduandos, a sociedade civil e organizada a se juntar, no dia 23 de março, ao 2° dia de mobilização em defesa da ciência – pelo reajuste das bolsas já.
Dados recentes do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para suprir as necessidades do mês com alimentação, moradia, educação, transporte e lazer seria necessário que o salário mínimo custasse, pelo menos, R$ 5.997,14. Valor quatro vezes maior que a bolsa de um mestrando e quase três vezes que a bolsa de um doutorando. Em outros termos, fica notório que não há condições mínimas de subsistência do pesquisador brasileiro frente ao valor da bolsa atual ainda mais sendo as bolsas de estudos a única fonte de renda desse trabalhador da ciência, com agravante de não ter nenhum direito trabalhista. Essa realidade não é justa com quem se dedica cotidianamente para estudar a realidade brasileira, nos mais diversos aspectos, apontando alternativas para nossos problemas.
Diante disso, a ANPG convoca mais uma vez a todos a se somarem nessa luta pelo reajuste imediato das bolsas de estudos no dia 23 de março. Não é razoável que prestes a comemorar seus 200 anos de independência, o Brasil continue a desvalorizar seu pesquisador e precária a produção cientifica. A ciência deve ser prioridade nacional para reconstruir de um país soberano e independente. É preciso imediatamente uma política de reajuste de bolsas, universalização da concessão delas e recomposição total do orçamento da ciência e tecnologia no país.

Associação Nacional de Pós-Graduandos

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