A reunião do Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) em Recife/PE trouxe importantes debates para o campo da saúde coletiva no âmbito da pós-graduação. O início dos trabalhos no dia 13 de maio trouxe discussões que foram centradas nos Grupos de Trabalho sobre: Avaliação Discente e de Egressos; Avaliação; Produção Técnica e Solidariedade entre os programas.

Nos dias 14 e 15 de maio as discussões e repasses do Fórum ganharam maior amplitude, tanto em relação às questões acadêmicas quanto em relação ao momento político e de indefinições que enfrentamos (Vale conferir: http://www.abrasco.org.br/site/2015/05/forum-de-coordenadores-de-pos-graduacao-em-saude-coletiva-discute-o-contexto-politico-cientifico-atual/).

Nós, representação discente nesse espaço, participamos das discussões no Grupo de Trabalho sobre Avaliação de Discentes e de Egressos no qual colocamos como prioridade a ênfase de realizar uma avaliação mais qualitativa do estudante, considerando o esgotamento do atual modelo de avaliação baseado em um ideal produtivista o qual por vezes suprime a potência crítica e de criação das/os nossas/os estudantes de pós-graduação.

A preocupação de que uma sobrecarga nos critérios de avaliação poderia significar à saúde mental das/os nossas/os pós-graduandas/os também foi alvo de crítica. Ainda, manifestamos o receio de que esse processo de avaliação do discente possa induzir a uma maior dificuldade no acesso aos programas de pós-graduação, o que seria um dano execrável.

Em relação à avaliação de egressos foi dada ênfase a que essa seja feita de forma convidativa e criativa e que pudesse ser realizada uma espécie de mapeamento das experiências exitosas nos diversos programas de pós-graduação do país.

De encaminhamento concreto tiramos a responsabilidade em mapear os representantes discentes dos programas de pós-graduação stricto sensu em Saúde Coletiva além de identificar experiências de avaliação discentes e de egressos nesses programas.

Consideramos central e estratégico para o aprimoramento dos nossos programas que se discuta uma agenda que considere a avaliação de discentes e egressos dos nossos cursos. Esse debate não só contribui em grande medida para enriquecer a reflexão sobre “quem queremos formar(?)” como permite que possamos fazer um rápido diagnóstico acerca daqueles que “estão sendo ou foram formados”.

De nosso ponto de vista a discussão acerca da formação no nosso campo ainda é incipiente de modo que hoje ainda não temos a clareza necessária para afirmar se de fato nos nossos programas queremos formar pesquisadores, docentes, trabalhadores, militantes etc. Ou ainda se há a necessidade de um padrão a ser estabelecido que figure tal como uma “imagem-objetivo” dos nossos anseios.

A recente mudança nas direções da CAPES e em sua coordenação de avaliação nos suscitam esperança de que haja maior sensibilidade no que toca à realização de uma avaliação que não esteja baseada fortemente em critérios quantitativos mas que possa vislumbrar os aspectos relativos aos processos de ensino-aprendizagem bem como à contribuição social de nossas pesquisas e para a construção e fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

O campo da Saúde Coletiva com toda a sua riqueza e pluralidade singulares encontra unidade plena quando se afirma defensora da luta por um Sistema de saúde universal, integral, equânime e de qualidade. Nós também, estudantes de pós-graduação na área de saúde coletiva, visualizamo-nos enquanto combatentes nessas trincheiras de luta.

Fórum de Pós graduandos em Saúde

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