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A Mostra Científica da ANPG fez parte do 5ª Salão de Divulgação Científica e ocorreu dentro da 69ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), maior encontro de ciência do país
Do comportamento dionisíaco e apolíneo do carnaval de Salvador a polêmica pílula do câncer. Diversidade, inovação e sustentabilidade foram os conceitos dos trabalhos apresentados na Mostra Científica do V Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos). Em 18 e 19 de julho, graduandos, pós-graduandos, mestrandos e doutorandos defenderam ideias em diversas áreas da ciência na Escola de Engenharia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Divididos em cinco salas, mais de 100 trabalhos foram apresentados com destaque, entre outras áreas, para saúde, sociais aplicadas, artes, linguística, exatas, engenharia e educação. Teve estudos sobre música, comportamento, tecnologia, doenças, animais e grande eventos. Entre eles, o trabalho “Traços de comportamentos dionisíacos em um carnaval apolíneo”, do filósofo Ygor Borba de Oliveira.
Da UERJ (Universidade Estadual do Rio de janeiro), Diogo Santos, Danilo Oliveira, Hamilton Santos, Vitor dos Santos, Hugo Boareto e Marcelino José apresentaram o “Projeto Uirapuru -X: democratizando tecnologias na área de análises de fluorescência por raios-X”. Os estudantes produziram uma máquina que identifica a composição elementar do que é analisado. “A máquina pode ser aplicada nas áreas de geologia, patrimônio cultural em museus, biomédica, amostras biológicas, entre outros estudos”, explica Diogo.
Os autores do projeto, premiados na Mostra Científica com menção honrosa na área de exatas, fizeram uma demonstração do funcionamento da máquina para avaliar a composição de uma moeda e explicaram que já existe um modelo semelhante, porém, fora do Brasil. Segundo Diogo, uma máquina com a mesma capacidade pode custar até € 300 mil. “Criamos essa máquina gastando menos de um décimo do custo de uma máquina no exterior e ela nos deu um resultado melhor do que muitas que são vendidas. Além disso, o nosso produto é brasileiro, mais leve e fazemos assistência técnica aqui mesmo, sem precisar vim de outro país. O nosso produto é competitivo”, finaliza, Diogo, confirmando o nome da máquina como uma homenagem ao Brasil.
Ao final das apresentações os expositores trocaram informações sobre os trabalhos e discutiram, entre outros assuntos, a importância do debate e o futuro da ciência. “A Mostra é importante para divulgação do conteúdo científico dos alunos e também o possibilita participar de um grande evento para promover, circular e compartilhar conhecimento”, explica o enfermeiro e diretor de universidades estaduais da ANPG, Márcio Cristiano de Melo.
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Os expositores da Mostra Científica receberam um certificado de participação e tem até o 30 de julho para enviar os seus projetos na íntegra para serem publicados no site da ANPG.
Outros trabalhos apresentados na mostra científica
Alterações metabólicas e risco cardiovascular em pessoas vivendo com HIV/AIDS sem o uso de antirretrovirais
Um grupo formado por Mariana Amaral Raposo, Geyza Nogueira de Almeida Armiliato, Camila Abrahão Caram, Nathalia Sernizon Guimarães, Raíssa Domingues de Simoni Silveira e Unaí Tupinambás são autores do trabalho “Alterações metabólicas e risco cardiovascular em pessoas vivendo com HIV/AIDS sem o uso de antirretrovirais”. No estudo, feito em 2012, em Minas Gerais, foi possível identificar alterações metabólicas na população com HIV/AIDS (PVHA) antes do início da terapia antirretroviral (TARV), principalmente por baixos níveis séricos de HDL-colesterol, hipertrigliceridemia e obesidade abdominal.
Segundo Mariana Amaral, o acesso à terapia antirretroviral mudou o quadro de epidemia no Brasil e no mundo e, junto com a melhora na qualidade de vida e sobrevida da população com HIV/AIDS, aumentou o número de doenças não infecciosas. “O trabalho aponta para a necessidade de se avaliar e conhecer o perfil metabólico de pessoas que vivem com HIV/AIDS antes do início da terapia antirretroviral como forma de prevenção de futuras alterações metabólicas. A introdução da TARV pode potencializar a dislipidemia conferindo aumento do risco cardiovascular, principalmente entre aqueles com riscos clássicos para doenças cardiovasculares”, diz a mestranda da UFMG que apresentará o trabalho.
Cânhamo: um recurso economicamente sustentável
Substituir o algodão e o eucalipto pelo cânhamo com foco na sustentabilidade. Essa é a proposta das baianas Eline Matos, mestranda de economia da UFBA e Marina Amaral, graduanda de sociais da UNEB. A dupla explicou que já existem vários produtos fabricados a partir da planta derivada da Cannabis, como carro, papel, tênis, óculos, cereais e cosméticos. “Estamos fazendo este trabalho baseado numa perspectiva ecossocialista que pretende ampliar a luta em favor do meio ambiente e anticapitalista. É uma matéria prima rica em proteína, firme e pode ser usada em “N” possibilidades, ainda tem a vantagem de ser um recurso economicamente sustentável”, explica, Marina.
Na apresentação foi mostrado os impactos ambientais do algodão e do eucalipto e as vantagens de substituir pelo cânhamo. “O eucalipto consome muito agrotóxico e pesticidas que contaminam o solo e diminuem os mananciais e lençóis freáticos. O cânhamo já faz o papel contrário, pois nutre o solo”, afirma Eline. As estudantes esbarram na proibição da Cannabis para continuar as pesquisas. “Tem o lobby das empresas madeireiras que atrapalham para a substituição e os nossos estudos foram a partir de resultados feitos fora do país, então a maior dificuldade é que não dá para trabalhar com algo que é proibido”, finaliza Marina.
A vulnerabilidade da sociedade brasileira diante do uso da fosfoetanolamina tendo em vista a teoria principialista
Apontada como solução do câncer por alguns e motivo de desconfiança por outros, a polemica pílula do câncer também foi tema de trabalho na Mostra Científica da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) a partir de um trabalho de Edilaine Farias Alves, Marcello Henrique Araújo, Fabiana Araújo e Tatiana Tavares. “A pílula tem um grande valor para a sociedade por prometer curar o câncer e fizemos um estudo do que já foi publicado. Alguns centros de pesquisas começaram a desenvolver ensaios clínicos, mas ao longo dos testes os ensaios não apresentaram resultados esperados. São necessários mais ensaios clínicos para poder dizer se realmente é válido o uso dela”, explica Edilaine, bióloga e mestranda da UERJ.
Texto: Mateus Marotta Silva

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