Em meio à programação do II Encontro de Jovens Cientistas Negros e Negras da ANPG, foi realizada também a Conferência Livre de Saúde da Juventude Negra e Quilombola, etapa preparatória para firmar a participação dos pós-graduandos na 16ª Conferência Nacional de Saúde. A CNS será realizada em Brasília, entre os dias 4 e 7 de agosto.

Foi um dia inteiro de debates sobre questões candentes que impactam a vida dessa parcela da população. As mesas abordaram temas como o racismo estrutural e saúde, vulnerabilidade às infecções sexualmente transmissíveis, violência, mortalidade e saúde mental.

Manuelle Matias, enfermeira e vice-presidenta da ANPG, considera importante ter uma delegação de pós-graduandos na Conferência Nacional de Saúde para travar o embate em defesa do Sistema Único de Saúde. “O desmonte da política pública de saúde está muito acelerado, a gente vê uma política muito exitosa como o SUS sendo desmontado dia a dia e quem mais sofre com o desmonte das políticas públicas são os negros, a juventude negra, que são maioria entre os assistidos pelo sistema e a corda mais fraca dele”, diz.

Ela apresentou estatísticas devastadoras para quem ainda considera “vitimismo” a abordagem de especificidades que atingem determinadas parcelas da população. “A gente tem estatísticas que comprovam que o maior índice de suicídio é entre a juventude negra, a cada 10 suicídios de jovens, 6 são negros. Também tem o alto índice de doenças infecciosas, DST/AIDS, o alto índice de violência obstétrica nas mulheres negras, menor anestesia em procedimentos médicos. Daí a importância de um encontro nacional como este abordar esses temas”.

Fernanda Garrides, 1ª diretora de saúde da ANPG, disse que as atividades da conferência livre foram pensadas a partir do entendimento do racismo como causa social fundamental das desigualdades em saúde, já que os negros são maioria em funções no mercado de trabalho com baixos rendimentos e grande exposição a fatores de risco. “Alguns indicadores indicam a desvantagem da população negra [nas desigualdades em saúde], que apresenta menor expectativa de vida, maior mortalidade prematura, maior adoecimento por doenças infecciosas e maior prevalência de doenças crônicas”, alega.

Esse quadro, que já é grave, se manifesta de forma ainda mais efetiva no que tange à mulher negra. “O racismo coloca negros em pior situação na estrutura social, mas os modelos que mantêm o poder social da masculinidade e dos homens vão produzir subordinação, violência e inferiorização diferenciadas para as mulheres negras. São ela

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