As mulheres sempre demonstraram a sua potência revolucionária em estar à frente da luta na garantia de seus direitos mínimos para o bem viver e para a participação social. Não se ausentaram de vários momentos difíceis da nossa história, mesmo quando os ataques aos seus corpos e vidas foram cada vez mais incentivados durante os últimos 06 anos. Fomos acometidas e acometidos pela pandemia da Covid-19 que ceifou a vida de milhares de brasileiras e brasileiros. A ciência e tecnologia foram sucateadas, o negacionismo virou pauta defendida nacionalmente e as pesquisadoras e pesquisadores deste país foram silenciadas/os.
As mulheres foram as principais afetadas com a redução do estado e do serviço público neste período pandêmico. A sobrecarga do SUS e o medo de ir ao hospital e contrair o vírus redobrou a tarefa de cuidado com os adoecidos, que tradicionalmente recai sobre as mulheres no interior dos lares. Da mesma forma, foram elas as responsabilizadas pelo cuidado e educação dos pequenos quando houve o fechamento das escolas. A responsabilidade pelo trabalho de cuidados nos vitimizou de diversas maneiras: jamais esqueceremos de Rosana Urbano, primeira vítima fatal da covid no país, uma empregada doméstica que foi obrigada a trabalhar mesmo com seus patrões infectados.
Segundo o Ministério do Trabalho, 95% das pessoas que perderam o emprego durante a pandemia eram mulheres. Com o recrudescimento da fome, foram as mulheres chefes de família as principais vítimas, foram também mulheres organizadas nos movimentos sociais as grandes responsáveis pelas ações de solidariedade de distribuição de alimentos e outros itens essenciais. As mulheres eram e são maioria de usuárias do sistema de saúde. Além disso, os índices de violência doméstica aumentaram exponencialmente neste período.
Para nós, mulheres cientistas, o desafio também foi maior. O isolamento social, que nos colocou por um longo momento dentro de casa, agudizou a sobrecarga do trabalho doméstico, fazendo com que a produção das mulheres caísse, enquanto a dos homens aumentou em meio à pandemia. Contudo, sempre estivemos em movimento para a quebra do padrão hegemônico da produção do conhecimento, partindo de outras vivências e narrativas que são essenciais para o nosso avanço enquanto sociedade.
Neste ano, no dia 8 de março, Dia Internacional – de Luta – das Mulheres, teremos a possibilidade de estar novamente nas ruas – ação importante no combate ao capitalismo neoliberal que coopta as nossas pautas e tenta manipular a narrativa sobre este dia. Nós, mulheres pós-graduandas, precisamos estar mobilizadas para ocupar as ruas com as pautas que são caras e urgentes para nós, demonstrando a potência e resistência da nossa luta.
Para começar o nosso projeto de radicalizar a esperança, é de suma importância destacar o papel primordial das mulheres no combate à pandemia, como a valorização da atuação da cientista Jaqueline Góes, mulher negra, biomédica e doutora, que sequenciou o coronavírus em apenas 48 horas após o primeiro caso de COVID-19 ser confirmado no Brasil, e termos políticas públicas para aumentar a presença de mulheres e meninas na Ciência, enfrentando as estruturas do capitalismo, do colonialismo, do heteropatriarcado, e do racismo.
É preciso garantir a nossa presença dentro dos espaços da Universidade e Institutos de Pesquisa, com a aplicação de políticas públicas e ações afirmativas de forma universal nos programas de pós-graduação. Além disso, garantir a permanência das pós-graduandas, com políticas de auxílios, licença-maternidade, creche, extensão de prazo e de bolsa para mulheres mães de crianças de até 06 anos, e outras estruturas que são essenciais para que possamos construir um ambiente mais inclusivo e democrático.
Por isto, convocamos todas as pós-graduandas a se somarem às ruas nos atos que aconteceram neste 8 de março pelo país. As pautas das mulheres trabalhadoras, em defesa do bem viver, da democracia e por uma vida sem violência são também nossas pautas! Convidamos também as pós-graduandas a compartilharem conosco suas pesquisas, a fim de valorizar o conhecimento produzido sob nossos olhares e experiências.
Nenhum passo atrás! Seguiremos semeando saberes pela reconstrução de um Brasil de esperança, soberano, justo, popular e democrático!

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