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A 63ª Reunião Anual da SBPC será realizada entre os dias 10 e 15 de julho, no campus da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. O tema central do encontro é "Cerrado: água, alimento e energia". O primeiro prazo para inscrição online termina em 25 de fevereiro.

Até o dia 25 de fevereiro, os interessados em participar do encontro podem fazer a inscrição com desconto. Para estudantes, professores da Educação Básica ou Técnica e/ou sócios de Sociedade Associada à SBPC, o valor da inscrição é de R$ 20 (sócio quite da SBPC) e R$ 40 (não-sócio). Para professores de Ensino Superior e demais categorias, a inscrição, no mesmo período, é de R$ 50 (sócio quite da SBPC) e R$ 100 (não-sócio).

Quem se associar à SBPC também terá desconto: o valor é de R$ 60 (estudantes, professores da Educação Básica ou Técnica e/ou sócios de Sociedade Associada) e de R$ 110 (professores de Ensino Superior e demais categorias), incluindo anuidade e inscrição na Reunião Anual. Os valores sofrerão acréscimo após o dia 25 de fevereiro.

A partir de maio, os inscritos na Reunião Anual poderão efetuar a matrícula em um minicurso (taxa de R$ 10).

 

3º Salão Nacional de Divulgação Científica

Durante a reunião, será realizado também o 3º Salão Nacional de Divulgação Científica, organizado pela ANPG. O Salão contará com mesas de debates, atividades culturais e mostra científica, entre outras atividades.

A primeira edição da atividade foi na PUC-SP, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2009, e a segunda ocorreu na 62ª Reunião Anual da SBPC em Natal, em julho de 2010.

Inscrição de trabalhos

 

Quem quiser submeter resumos para apresentação de trabalhos na 63ª Reunião Anual da SBPC deve fazer a inscrição no evento. Serão aceitos resumos de pesquisa científica já concluída, de trabalho contendo experiências e/ou práticas de ensino-aprendizagem (apenas para professor da educação básica ou técnica) ou de trabalho selecionado para integrar a Jornada Nacional de Iniciação Científica (aluno de graduação previamente comunicado da sua seleção, pela Pró-Reitoria de Pesquisa ou setor equivalente da sua instituição de origem).

O prazo para envio de resumos vai até 7 de abril. As normas – assim como a ficha de inscrição e demais informações sobre o encontro – estão disponíveis no site www.sbpcnet.org.br/goiania

História

Realizada desde 1948, com a participação de autoridades, gestores do sistema nacional de C&T e representantes de sociedades científicas, a Reunião Anual da SBPC é um importante meio de difusão dos avanços da ciência nas diversas áreas do conhecimento e um fórum de debate de políticas em C&T.

A programação científica é composta por conferências, simpósios, mesas-redondas, encontros, sessões especiais, minicursos e sessões de pôsteres para apresentação de trabalhos científicos. Também são realizados eventos paralelos, a exemplo da SBPC Jovem (programação voltada para estudantes do ensino básico), da ExpoT&C  (mostra de ciência e tecnologia) e da SBPC Cultural (atividades artísticas regionais).

O evento reúne milhares de pessoas, entre cientistas, professores e estudantes de todos os níveis, profissionais liberais e demais interessados. Nos últimos anos, o público circulante tem sido superior a 10 mil pessoas.

Da redação, com informações do Jornal da Ciência

 

Manter e ampliar os investimentos em pesquisas no país, garantir equidade na distribuição de recursos entre os estados e criar políticas para incentivar as indústrias a aproveitar o conhecimento científico produzido no país. Estes são os principais desafios do futuro ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, na opinião de professores da Universidade de Brasília (UnB).

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Para Isaac Roitman, professor aposentado, ex-decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB e membro da Academia Brasileira de Ciências, garantir o orçamento dos últimos oito anos, além de brigar para aumentar o montante de recursos da pasta, deve ser a prioridade do novo ministro. 

“O volume de recursos destinados à área de ciência e tecnologia foi a principal conquista da última década”, explica. “Manter esse orçamento é o mínimo indispensável”, defende. 

“É papel fundamental do futuro ministro convencer as demais áreas de que Ciência e Tecnologia são importantes”, emenda outro professor, Marco Antônio Amato, do Instituto de Física da UnB. Entre 2007 e 2010, os valores disponibilizados no orçamento para a área foram de cerca de R$58 bilhões.

No último dia 3 de dezembro, Luiz Antonio Elias, secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, anunciou que o orçamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico deve alcançar a marca de R$3,8 bilhões em 2011. Em 2010, foram liberados R$3,1 bilhões. “É importante que esse investimento seja mantido”, afirma Antônio Brasil, diretor da Faculdade de Tecnologia da UnB.

Política de diversidade

Além da manutenção do orçamento, Brasil aponta como desafio do novo ministro manter a política de equidade nos avanços de ciência e, principalmente, tecnologia em todas as regiões do Brasil. “A gestão de Sérgio Rezende buscou isso claramente. É importante a continuidade dessa política”, disse. 

“A atenção à ciência precisa ser tratada com mais igualdade entre os estados”, reforça o professor Marco Amato. “Espero que, apesar do fato de ser de São Paulo, Mercadante tenha um ministério e uma política de diversidade”, completa. 

Alguns professores vêem com preocupação o fato de o novo ministro ser um político paulista. “Tradicionalmente, a ciência e tecnologia são controladas por paulistas e cariocas e o fato de termos um político de São Paulo como chefe dessa pasta pode levá-lo a manter essa lógica, o que não é bom”, acredita o professor Elimar Santos, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB. 

Trabalho conjunto

Isaac Roitman enumera ainda como essencial a necessidade de construir uma política de incentivo à inovação. “Cientistas trabalham isolados dentro das universidades e empresas contratam conhecimento de fora, especialmente na área tecnológica. É preciso uma política de aproximação entre a academia, indústria e empresas, de forma a transformar ciência e tecnologia em inovação”, explica Isaac.

Para Marco Amato, o momento é favorável para que isso ocorra. “Esse é um avanço que depende de uma economia favorável, aquecida. É o que ocorre no Brasil nesse instante”, diz. 

Uma das ações do ministério no último ano mais aplaudidas pela comunidade acadêmica foi a Medida Provisória que dá preferência nas licitações públicas a produtos e serviços de conteúdo tecnológico produzidos no Brasil, como uma nova política de apoio à inovação. A medida já foi aprovada pelo Congresso Nacional.

Quando o discurso é uma tese

Em seu discurso de posse, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, faz referência ao Novo Desenvolvimentismo, tese recém-defendida em seu doutorado na Unicamp.

Confira aqui a íntegra do discurso de posse do novo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Fonte: Portal da UnB, com informações do Portal Vermelho

 

Em seu discurso de posse, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, faz referência ao Novo Desenvolvimentismo, tese recém-defendida em seu doutorado na Unicamp.
 
Para Mercadante, "se o Novo Desenvolvimentismo quiser se consolidar e se transformar em algo substantivamente novo é necessário ir além da ruptura em relação ao passado e avançar na construção do futuro, enfrentando os seus desafios". Neste sentido, a sustentabilidade ambiental surge como o primeiro grande desafio, dada a necessidade da transição à economia verde e criativa.
 
O ministro de Ciência e Tecnologia destacou ainda que o Brasil pode ser o primeiro país tropical desenvolvido do mundo. "Não há país tropical desenvolvido no mundo. Não temos modelo aseguir, nós estamos criando nosso próprio modelo e temos todo o potencial para sermos o primeiro país tropical desenvolvido, seefetivamente avançarmos rumo à sociedade do conhecimento e à sustentabilidade ambiental".
 
Confira a íntegra do discurso de posse do ministro Aloizio Mercadante:
 
“PRONUNCIAMENTO
 
POSSE MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA 
 
É com grande honra que assumo a missão e a responsabilidade de conduzir a pasta da Ciência e Tecnologia no governo da ilustre Presidenta Dilma Rousseff, a primeira mulher a governar o Brasil. Mas não se trata apenas de honra. Na realidade, assumo esta função com imensa alegria. Tenho grande admiração e afinidade com a área. Embora muitos estejam acostumados a me ver apenas como senador, minhas origens estão na Universidade. Desde muito jovem me dediquei à pesquisa e à docência na área econômica. Sou professor licenciado da PUC de São Paulo e da UNICAMP. Minha formação profissional e humana sempre esteve indissoluvelmente ligada à educação e à ciência. Respirei muito pó de giz e, ao longo dessa trajetória, debati, aprendi e convivi com importantes intelectuais que contribuíram para minha formação, como a minha amiga Maria da Conceição Tavares, e os saudosos professores Florestan Fernandes, Celso Furtado, Paulo Freire, entre muitos outros. 
 
Foi essa trajetória que construiu a minha identidade. Por isso, costumava dizer que “estava” senador, mas que era, na realidade, economista e professor. Agora, “estarei” ministro, sendo, com muita honra e acima de tudo, um educador e um economista. 
 
Pois bem, recentemente voltei à academia para defender a minha tese de doutorado na UNICAMP. Neste trabalho, sustento que o governo Lula representou uma inflexão histórica e lançou as bases de um Novo Desenvolvimentismo, um novo padrão que se distingue tanto do período neoliberal imediatamente anterior quanto do antigo nacional-desenvolvimentismo. 
 
De fato, o País mudou. E muito. A massiva transferência de renda para os setores mais pobres e desprotegidos, a recuperação sistemática e expressiva do nível de emprego e do poder de compra dos salários, a popularização do crédito, a democratização das oportunidades educacionais, via o PROUNI, e a criação expressiva de novas universidades públicas e de escolas técnicas profissionalizantes permitiram ao Brasil crescer de forma sustentada, e, ao mesmo tempo, distribuir renda e conformar um amplo mercado de consumo de massas. 
 
O social tornou-se, assim, o principal eixo estruturante desse novo ciclo de desenvolvimento. Um fato histórico realmente inédito, num país acostumado à exclusão e à concentração. Além disso, a constituição desse Novo Desenvolvimentismo no Brasil está se dando no contexto do aperfeiçoamento das instituições republicanas e da consolidação do Estado Democrático de Direito.
 
Outro ponto importante tange à nova inserção internacional do Brasil. A nova política externa e de comércio exterior diversificou enormemente nossas parcerias econômicas e comerciais, o que foi de fundamental importância para a superação da vulnerabilidade externa da nossa economia. Ela também foi essencial para aumentar o protagonismo internacional do Brasil. 
 
De fato, ela foi decisiva para melhor projetar os interesses nacionais no plano externo, abrindo um espaço anteriormente inexistente para o aumento significativo da nossa cooperação internacional em ciência e tecnologia. Pretendemos avançar nesse novo espaço ampliado, dando ênfase ainda maior a essa cooperação em todos os níveis e regiões geográficas, principalmente na América do Sul e África, mas também aprofundando a nossa identidade com os BRICs. Assim, investiremos fortemente na cooperação científica com a China, a Índia e a Rússia.
 
Essas são realizações muito significativas, que deitam as bases para progressos ulteriores. Entretanto, se o que chamo de Novo Desenvolvimentismo quiser se consolidar e se transformar em algo substantivamente novo é necessário ir além da ruptura em relação ao passado e avançar na construção do futuro, enfrentando os seus desafios.
 
O primeiro grande desafio é o da sustentabilidade ambiental. A imprescindível transição mundial para uma “economia verde e criativa”, que gere baixos índices de emissão dos gases de efeitoestufa e outros agentes poluidores, implicará investimentos e custos de monta para a maior parte dos países. No entanto, a atual crise ambiental planetária não gera apenas custos e sacrifícios, ela cria também um novo e amplo horizonte de oportunidades, especialmente para aqueles países que saírem à frente, compatibilizando progresso material com rigoroso respeito ao meio ambiente. 
 
Pois bem, o Brasil está muito bem posicionado, nesse aspecto. Temos matriz energética bastante limpa, baseada fundamentalmente em hidroelétricas e na exploração das biomassas, como o etanol e o biodiesel, que podem converter-se em commodities mundiais. Possuímos enorme biodiversidade, com grande potencial para ser transformada em produtos inovadores. Temos também terras férteis e água doce em abundância, recurso estratégico que se torna crescentemente escasso e que contribui para que o Brasil seja hoje o segundo país produtor e exportador de alimentos no mundo. Quero aqui destacar o papel da EMBRAPA, dos institutos do MCT e dos institutos denominados INCTs que atuam na área, bem como dos demais institutos nacionais, os quais contribuem decisivamente para esta espetacular evolução histórica da nossa agricultura e pecuária.
 
Portanto, para o Brasil a necessária transição à economia verde representa muito mais oportunidades do que riscos e custos, ao contrário do que ocorre na maior parte dos países, especialmente dos países já desenvolvidos, que têm, em geral, matriz energética mais “suja”, baixa biodiversidade e um histórico passivo ambiental que supera em muito o nosso. Os recentes avanços que realizamos na redução do desmatamento da Amazônia, em relação ao qual o trabalho de monitoramento do INPE foi essencial, e o novo e propositivo protagonismo internacional que assumimos neste tema na Conferência de Copenhague nos qualificam para dar um grande salto de qualidade no processo de desenvolvimento recente. 
 
Contribuir para mitigar as causas do aquecimento global e impulsionar a economia verde e criativa, aprofundando as pesquisas e a inovação para gerar mais valor agregado à nossa biodiversidade, em direção à sustentabilidade, nos diversos biomas, com especial atenção para a região Amazônica, será uma das nossas grandes prioridades. 
 
Mas para isso é necessário inovar. Com efeito, na imprescindível mudança de uma economia carbonizada e poluidora para uma economia verde e criativa, a ciência e tecnologia terão centralidade, pois a difícil equação entre qualidade de vida para todos, inclusive para aqueles que ainda não a têm, e a sustentabilidade ambiental para as futuras gerações só poderá ser resolvida mediante avanços tecnologicamente inovadores e economicamente viáveis. Este é um dos maiores desafios históricos da nossa comunidade científica.
 
E aqui devo mencionar o segundo e principal desafio que o Brasil terá de enfrentar se quiser se constituir num país efetivamente desenvolvido com uma economia eficiente e competitiva: a preparação do País para a “sociedade do conhecimento”. 
 
A União Europeia, em sua Estratégia de Lisboa, considerou seu principal desafio para este século "tornar-se a economia baseada do conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo, capaz de garantir um crescimento econômico sustentável, com mais e melhores empregos, e com maior coesão social". 
 
Pois bem, é imprescindível que o Brasil tenha um objetivo estratégico central semelhante. Apesar da nossa imensa vantagem comparativa, em termos de recursos e riquezas minerais e naturais, devemos ter este horizonte como uma diretriz estratégica para o próximo período. E é para isso que aceitei, com entusiasmo, a incumbência de assumir esta pasta. Quero contribuir para transformar, com as devidas adaptações, a “Estratégia de Lisboa” numa “Estratégia de Brasília”, que combine educação universal de qualidade, pesquisa científica, inovação e inclusão social, na perspectiva de uma nova produção científica Tropical. 
 
Não há país tropical desenvolvido no mundo. Não temos modelo a seguir, nós estamos criando nosso próprio modelo e temos todo o potencial para sermos o primeiro país tropical desenvolvido, se efetivamente avançarmos rumo à sociedade do conhecimento e à sustentabilidade ambiental.
 
Assim, assumo o dever histórico de ampliar cada vez mais a participação da ciência, da tecnologia e da inovação no PIB brasileiro. Nossa gestão vai ativar ferramentas que implantem definitivamente o item da inovação na agenda pública e privada e continuar o processo de distribuição dos benefícios dos avanços científicos e tecnológicos para toda a sociedade. O mundo da ciência e da tecnologia é estratégico para que possamos crescer com qualidade, com cultura de inovação, gerando maior valor agregado aos nossos produtos, serviços e processos, e aumentando, em consequência, a robustez e a competitividade global da economia, e acentuando o atual processo de inclusão social.
 
Muito embora a nova conformação da geoeconomia mundial, com a urbanização e industrialização de gigantes demográficos como China e Índia, tenha feito saltar os preços das commodities, especialmente das commodities agrícolas e minerais, interrompendo a antiga deterioração dos termos de intercâmbio, o que tem beneficiado muito o Brasil, o nosso país não pode depender, para competir no cenário mundial, apenas da exportação de nãomanufaturados e semimanufaturados. Não podemos nos acomodar e precisamos alavancar nossa produção industrial e de serviços com empresas modernas e competitivas construídas com base tecnológica avançada.
 
Temos muito competidores internacionais, inclusive emergentes, que já têm excelência na produção industrial. Embora exportemos, em nível ainda significativo, produtos manufaturados, especialmente para o Mercosul e a América Latina, estamos, aos poucos, perdendo competitividade, em especial frente à poderosa capacidade da China de produzir manufaturas com baixo custo. Não podemos nos conformar e nem ficar para trás. O desafio está lançado e exigirá um conjunto articulado de políticas públicas, com centralidade na ciência, tecnologia e inovação. 
 
A tarefa é imensa, pois partimos de um patamar inferior aos dos países europeus e dos demais países já desenvolvidos. Devido ao caráter tardio do nosso capitalismo, aqui temos de enfrentar, ao mesmo tempo, as pendências históricas do século XX, como a constituição de um sistema básico de ensino de qualidade, com os desafios do século XXI, como gerar uma robusta economia criativa e inovadora. 
 
Porém, temos de concluí-la. O Brasil demonstrou a si mesmo e ao mundo ser um país capaz de, em pouco tempo, produzir mudanças significativas e surpreendentes. Com a contribuição das nossas universidades e institutos de pesquisa, da nossa talentosa comunidade científica, dos estados e municípios, das empresas, do Congresso Nacional e de outras pastas, como a da Educação e Desenvolvimento e Indústria, bem como às relativas aos complexos produtivos da agricultura, insumos para a saúde e fármacos, biotecnologia, entre vários outros, tenho certeza de que poderemos fazê-lo. E fazê-lo bem e em tempo histórico acelerado. 
 
Entramos por último e saímos e bem posicionados no cenário póscrise, nesta que foi a pior crise desde 1929. Com nosso imenso potencial, sedimentado pelos avanços recentes na economia, na estrutura social e na infraestrutura, e agora aumentado exponencialmente pelos fantásticos recursos do Pré-Sal, temos tudo para superar, em tempo razoável, o fosso econômico, social e tecnológico que nos separa das nações mais avançadas. E a centralidade da ciência, da tecnologia e da inovação será absolutamente decisiva para que esta perspectiva histórica se consolide. 
 
Partimos, é claro, da boa base erguida pelas administrações que me antecederam, em especial a do Ministro Sérgio Rezende, que deixa um importante e sólido legado de ampliação e consolidação do Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação em todo o País. Com efeito, as políticas públicas de ciência tecnologia implementadas desde a primeira gestão do saudoso Ministro Renato Archer, mas em especial as destes últimos oito anos, estabeleceram as bases de um novo marco regulatório para o setor, robusteceram a formação de recursos humanos qualificados, criaram mecanismos legais para enraizar a cultura da inovação, investiram com vigor na infraestrutura da pesquisa e aumentaram o crédito para P&D às áreas vitais para o crescimento da Nação. Tenho convicção de que a comunidade científica e acadêmica e o Brasil tem muito a agradecer ao esforço e à competência do Ministro Sérgio Rezende e sua equipe.
 
Deve-se ressaltar a formulação e a execução do Plano de Ação em Ciência Tecnologia e Inovação que conseguiu atingir, entre 2007 a 2010, um orçamento de R$ 41,2 bilhões, um grande volume de recursos que foi integralmente investido. Só o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico aplicou mais de R$ 3 bilhões, no ano de 2010, em programas significativos, como o de biocombustíveis, tecnologias da informação e da comunicação, projeto Antártica, bioma amazônico, biotecnologia e fármacos, saúde, petróleo e gás, novas energias limpas, defesa nacional, programa espacial, programa nuclear, entre outros.
 
De fato, o cenário da ciência, tecnologia e inovação brasileiras mudou de qualidade. Publicações especializadas, inclusive internacionais, reconheceram isso em edição recente.
Contudo, é necessário partir dessa base sólida para juntos fazermos ainda mais, muito mais. Em primeiro lugar, temos a grande prioridade de aprofundar a política de formação de recursos humanos, em todos os níveis. 
 
Tudo começa na sala de aula. Tudo começa na formação e motivação dos nossos cérebros. Stephen Jay Gould, um dos maiores biólogos e teóricos da evolução do último século, recentemente falecido, menciona uma história que vale a pena recordar. Fizeram uma sondagem nas escolas de segundo grau norte-americanas para aferir quem os adolescentes admiravam mais. O primeiro nome da lista foi Michael Jordan. Fizeram sondagem semelhante na Coréia do Sul e lá o primeiro nome da lista foi Stephen Hawking. 
 
Nada contra os grandes nomes do esporte, da dança e da música, mas quando as nossas crianças e adolescentes começarem a admirar grandes cientistas, quando elas começarem a sonhar com a grande aventura do conhecimento, a maior aventura da humanidade, a que define o Homo Sapiens, teremos dado um passo fundamental e gigantesco em direção à nossa maturidade científica e tecnológica. 
 
Para isso, é necessário incentivar, de todas as formas possíveis, o interesse de nossos jovens pela ciência. É preciso criar, em parceria com o MEC, e de acordo com o preconizado pela IV Conferência Nacional de Ciência Tecnologia e expresso no Livro Azul, a política de disseminação da ciência e tecnologia nas escolas. A constituição da Semana Nacional da Ciência e da Tecnologia, as Olimpíadas da Matemática e das Ciências, os Portais da Tecnologia, são instrumentos que, além de vários outros, precisam ser intensificados para tal finalidade. Precisamos criar estruturas e espaços permanentes de motivação e estímulo para os jovens se interessarem pelo estudo das ciências. 
 
Ademais, acredito que a banda larga e a inclusão digital podem se transformar no mecanismo mais poderoso para atingir tal objetivo. De fato, a disseminação da banda larga nas escolas públicas do Brasil, inclusive as da área rural, tal como prevêem o Projeto Nacional de Banda Larga e projeto de lei que aprovei no Senado, permitirá grande salto de qualidade na educação de nossos jovens, além de reduzir a enorme discrepância no acesso às tecnologias de informação entre os distintos estratos sociais. Não resolveremos o nosso ainda grande apartheid social sem resolver o iníquo e perverso apartheid digital que priva a maior parte dos nossos alunos e professores do acesso ao século XXI.
 
Na ponta do processo, fizemos avanços importantes. Entre 1987 e 2009, a formação de novos mestres e doutores se multiplicou por 10, de um patamar de cerca de 5.000 para aproximadamente 50.000, o que já nos coloca num patamar intermediário no ranking internacional. Porém, precisamos trabalhar para alcançar patamares mais elevados, principalmente, mas não exclusivamente, em algumas áreas estratégicas, como a da engenharia. No Brasil, formamos um engenheiro para cada cinqüenta formandos, na Coréia do Sul, um para quatro. Ademais precisamos lembrar que o Brasil tem apenas 14% dos jovens entre 18 e 24 anos nas universidades. 
 
Vamos aprofundar a parceria com o MEC para que a CAPES e o CNPQ ampliem e aumentem, em todas as áreas, seus esforços na concessão de bolsas de estudos para a formação de novos talentos brasileiros. Precisamos também valorizar a carreira do pesquisador em tempo integral em nossas universidades e institutos. Não basta reproduzir o conhecimento existente, é vital produzir conhecimento novo. É importante também estabelecer, com condicionalidades e especificidades, a ampliação das políticas de fomento para as Universidades públicas Estaduais e Municipais e as privadas sem fins lucrativos.
 
Da mesma forma, é necessário continuar a ampliar o investimento público em ciência e tecnologia. Ciência e tecnologia é investimento no futuro, como bem acentuou a presidenta Dilma em seu discurso de posse. Hoje, já investimos 1,25% do PIB. Porém, é preciso enfrentar o desafio de fazer esse índice alcançar entre 2% e 2.5% na próxima década, como preconiza a IV Conferência da Ciência, Tecnologia e Inovação, meta nada fácil de ser atingida, mas importante para os nossos objetivos estratégicos. Contudo, devemos estar atentos ao fato de que, neste primeiro ano de governo, serão feitos imprescindíveis ajustes fiscais. Além disso, torna-se necessário melhorar os mecanismos de controle dos gastos e otimizar o uso dos recursos disponíveis. Devemos aprender a fazer mais com menos. 
 
Vamos também desenvolver uma política de estímulos para a repatriação de talentos no exterior, como estão fazendo a Itália e a China. De outro lado, precisamos articular a rede de cientistas e pesquisadores brasileiros que trabalham no exterior. Só nas universidades americanas há aproximadamente 3.000 professores brasileiros lecionando, que querem e podem participar de forma ativa do esforço nacional em ciência, tecnologia e inovação. Além disso, devemos desenvolver políticas de atração de cientistas estrangeiros talentosos, já que hoje o Brasil é uma referência positiva no mundo e tem condições econômicas que permitem avançar nesta direção.
 
A segunda grande prioridade tange ao aprofundamento do avanço da pesquisa científica no Brasil. Hoje, o País se situa na honrosa 13º colocação em termos de produção de pesquisa básica, medida pelas referências nas grandes publicações internacionais indexadas. Ademais, nossa produção tem qualidade superior aos dos demais BRICS, em várias áreas importantes.
No entanto, os esforços têm de ser intensificados, não somente para aumentar o volume global da pesquisa, mas também para aprofundar o atual processo de sua desconcentração regional e melhorar a sua qualidade. Temos que fortalecer os novos pólos do sistema de pósgraduação no Nordeste, Norte e Centro Oeste do país, que serão essenciais para a redução das assimetrias regionais e a constituição de um território integrado.
 
Uma medida de suma importância seria retirar os atuais e graves entraves burocráticos à pesquisa. Estabeleceremos um diálogo construtivo com as instituições de controle, como a Anvisa, a Receita Federal, a CGU e o TCU, com a finalidade de criar regras específicas para o setor, inclusive no que concerne à importação de componentes indispensáveis às pesquisas. O Estado brasileiro, a exemplo do que acontece em outros países, precisa dar um voto de confiança aos pesquisadores e cientistas.
 
Temos também que ampliar e aprimorar o marco regulatório do incentivo à pesquisa. A Lei da Informática, a Lei do Bem, a Lei da Inovação, às quais me dediquei muito como parlamentar, e a recentemente aprovada política de preferências nas compras governamentais, da qual fui relator no Senado, são exemplos de como se pode incentivar a pesquisa e a inovação com medidas de incentivos fiscais indispensáveis. No entanto, o Estado brasileiro, apesar dos grandes avanços recentes, ainda não dispõe de uma política de incentivos e subvenções em nível adequado. As empresas também serão chamadas a enfrentar esse desafio e a investir muito mais em inovação, que será essencial à competitividade sistêmica da economia brasileira.
 
Do mesmo modo, iremos ampliar o papel da FINEP, dinamizando e otimizando a capacidade de investimento do MCT nas áreas estratégicas para o desenvolvimento do país. Queremos que a FINEP seja, além de uma agência de fomento, uma instituição financeira, que atuará fortemente para oferecer recursos reembolsáveis e não reembolsáveis para o apoio à pesquisa e ao desenvolvimento em todo o país.
 
O fortalecimento dos atuais fundos setoriais, uma experiência exitosa, e a criação de outros, em especial para agricultura e sistema financeiro, também terão papel primordial, nesse esforço. 
A terceira prioridade e, talvez, o maior desafio, é à referente ao fomento à inovação. Com efeito, o Brasil precisa de um Grande Pacto pela Inovação. Afirmo, desde já, que a articulação entre a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) e o Plano de Ação em Ciência Tecnologia e Inovação (PACTI) será um dos eixos estruturantes da Fase II da nossa Política de Ciência, Tecnologia e Inovação.
 
É preciso reconhecer que a pesquisa científica brasileira é ainda fortemente concentrada em universidades e instituições públicas. Com efeito, no Brasil a participação de empresas, inclusive de empresas estatais, no número de pedidos de patentes é de somente 53%, ao passo que no Japão e na Alemanha esse índice é de cerca de 90%. Ademais, as empresas brasileiras investem, em média, apenas cerca de 0,51% do PIB em ciência e tecnologia, enquanto que no Japão, por exemplo, as empresas investem cerca de 2,7%. 
Já a pesquisa aplicada, aquela que gera inovação produtiva, ainda é insuficiente, especialmente quando comparamos a performance do Brasil com as de outras nações emergentes importantes. 
 
Esse descolamento entre produção científica nacional e processo produtivo é histórico. Com efeito, no antigo nacionaldesenvolvimentismo, a industrialização extensiva e tardia não priorizava, de um modo geral, a pesquisa em ciência e tecnologia como parâmetro decisivo. Além disso, a inflação, a instabilidade macroeconômica e os grandes custos associados, como câmbio, juros altos e carga tributária elevada, impediam investimentos de longo prazo e estimulavam a idéia de que a tecnologia deveria ser apenas algo a ser comprado quando estritamente necessário. 
 
Em passado recente, esse descolamento não foi superado pelo processo de abertura incondicional da economia brasileira, conduzido sem articulação com políticas industrial e de ciência e tecnologia consistentes, bem como pelo processo de adoção de normas relativas à propriedade intelectual inspiradas no TRIPS, os quais resultaram num mensurável aumento da nossa dependência científico-tecnológica. Continuamos com grandes desafios em nossa competitividade sistêmica, mas avançamos e podemos avançar ainda mais. Nossa contribuição estará em estimular e agilizar o processo de reconhecimento de patentes no país. Em muitos casos, há uma preferência pelo reconhecimento do exterior, por ser mais rápido e facilitado. Vamos implantar uma estrutura mais funcional e ágil, para que os pesquisadores e as empresas possam realizar todas as etapas do processo com agilidade para garantir a propriedade intelectual, incluindo a prospecção, a orientação sobre medidas de proteção, a negociação entre as partes envolvidas e o registro. 
 
Vamos fortalecer, profissionalizar e orientar os Núcleos Tecnológicos de Inovação para difundir a cultura da propriedade intelectual no meio acadêmico e, sempre junto com o MDIC, dar mais suporte ao INPI.
 
Assim sendo, no campo específico da ciência e tecnologia, torna-se necessário, além de manter e incrementar os investimentos estatais em pesquisa e na formação de recursos humanos, desenvolver uma nova política de estímulo específico à inovação produtiva, um modelo que traga a contribuição teórica “neoschumpeteriana”, que concebe a inovação como uma visão sistêmica, que articula organicamente todos os agentes envolvidos no processo. 
Coerentemente com tal modelo, precisamos articular de forma mais consistente, o saber gerado nas universidades e nos institutos de pesquisa com as necessidades tecnológicas do processo de produção industrial.
 
É preciso superar definitivamente a crença ingênua, prevalecente até pouco tempo, de que a abertura da economia e a normativa mais rígida tocante à proteção à propriedade intelectual acarretariam inexorável e isoladamente um grande aumento da inovação no Brasil. Esse caminho é insuficiente. Desde já, me comprometo a perseguir, na medida do possível, as valiosas sugestões contidas no Livro Azul, de avançarmos ainda mais no esforço que está sendo implantado de atração de plataformas de pesquisa e desenvolvimento de grandes empresas para o Brasil, como já ocorre na cadeia produtiva do Pré-Sal e automotiva, entre outras. Esse Livro, construído com ampla e democrática participação de todos os agentes envolvidos no processo, terá, sem dúvida, papel central na orientação da minha administração.
 
Não poderia também deixar de mencionar aqui a expressiva articulação já alcançada com o setor empresarial. A Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) continuará contando com o apoio decisivo do MCT. Trabalharemos ativamente para que a Sala de Inovação seja o espaço de diálogo estratégico com aquelas empresas que queiram instalar centros de P&D e conduzir projetos inovadores. A articulação dos agentes deve envolver também os demais entes da federação, mediante instrumentos como as leis estaduais de inovação, as fundações de amparo à pesquisa estaduais, articuladas pelos governos dos estados, através do CONSECTI e do CONFAP. 
 
Ademais, devemos articular também as ações das secretarias municipais de ciência e tecnologia, envolvendo todos os entes, entre outros projetos estruturantes, nos relativos aos parques tecnológicos e às incubadoras de empresas com base tecnológicas. Trabalharemos fortemente nestas parcerias, criando um novo marco legal nacional com novos incentivos fiscais, que assegurem um sistema nacional integrado.
 
De qualquer forma, o descolamento entre ciência e produção tem de ser superado. Pasteur afirmou que não há ciências aplicadas e sim aplicações da Ciência. Todo conhecimento científico deve encontrar a sua aplicação prática. Todo conhecimento científico pode e deve contribuir para aumentar a nossa competitividade e melhorar a qualidade de vida de todos os brasileiros. 
 
Já temos “centros de excelência” em inovação reconhecidos mundialmente, como a EMBRAPA, na agricultura, o ITA-CTA e a EMBRAER, em tecnologia aeronáutica, o CENPES da PETROBRAS, em prospecção e produção de hidrocarbonetos, entre outros. Temos de reproduzir e disseminar experiências exitosas como essas por todo o Brasil, principalmente nas regiões menos desenvolvidas. 
 
Também temos de ter especial cuidado com as áreas estratégicas e mais promissoras. A biotecnologia e a pesquisa biomédica precisam de meios e infraestrutura para avançar os estudos na era pósgenoma. A nanotecnologia abre um novo campo para a interdisciplinariedade entre química, física, biologia, microeletrônica, novos matérias e engenharias, e deve ter mais apoio. As energias renováveis, especialmente a solar, eólica e a de células de hidrogênio, serão fundamentais no futuro. As tecnologias de informação e comunicação assumem um papel cada vez mais estratégico. O complexo industrial da saúde, com ênfase na produção de fármacos, assume também relevância cada vez maior. 
 
A inovação na cadeia de gás e petróleo abre enormes possibilidades. Além disso, a pesquisa e inovação associadas aos nossos principais biomas, Pampa, Cerrado, Pantanal, Semi-Árido Nordestino, Mata Atlântica, e especialmente a imensa Amazônia, são vitais. Este último bioma deve ganhar prioridade estratégica não somente no conhecimento científico, mas sobretudo na geração de valor agregado, a partir da utilização dos recursos da floresta. Isto significa implantar parques tecnológicos e incubadoras vocacionadas a impulsionar atividades que agreguem valor aos seus recursos naturais, entre outros programas. E na Amazônia Azul, que inclui a nossa plataforma continental estendida, devemos implantar, conjuntamente com a Marinha e a comunidade científica, laboratórios fixos e permanentes de estudos oceanográficos em Alto Mar, que representem presença estratégica dos interesses nacionais na plataforma continental. 
 
O INPE, a Rede Clima, o INMET do Ministério da Agricultura entre outros parceiros institucionais, terão o grande desafio de estabelecer um sistema articulado e integrado de prevenção de desastres naturais, no qual a previsão de fortes precipitações esteja articulada ao mapeamento geofísico das áreas de risco e à mobilização preventiva da Defesa Civil. 
 
Devo mencionar adicionalmente, e com relevo, duas grandes áreas estratégicas: a aeroespacial e a nuclear. De fato, o Brasil não pode prescindir de um Programa Espacial fortalecido, que conte com recursos suficientes, nos níveis necessários para atender as importantes demandas por satélites e por aplicações espaciais, inerentes aos dias de hoje. Deve, inclusive, aproveitar comercialmente as vantagens geográficas da Base de Alcântara e promover o desenvolvimento industrial de toda uma cadeia vinculada às atividades do Programa. Também não podemos esquecer a relevância de termos um veículo lançador operante, pois com ele poderíamos dominar toda a cadeia da indústria aeroespacial. 
 
Nesse contexto, daremos redobrado apoio à Agência Espacial Brasileira (AEB). Igualmente estratégicas para o país são as aplicações da energia nuclear, que adquiriram nova credibilidade, em razão da luta contra o aquecimento global. O aperfeiçoamento da institucionalidade para o setor, com a criação da Agência Reguladora Nuclear Brasileira, e a busca de mais recursos, para permitir importantes investimentos no ciclo do combustível nuclear, no gerenciamento de rejeitos radioativos e no Reator Multipropósito Brasileiro, só para citar alguns, serão prioridades. Salientamos que a construção do submarino brasileiro movido à energia nuclear seria de enorme relevância para que o Brasil possa exercer a contento a sua soberania sobre a Amazônia Azul e seus gigantescos recursos, que deverão gerar uma infinidade de inovações relevantes. 
 
Senhoras e Senhores,
 
O Brasil mudou. Temos agora um novo país: mais forte, mais justo, mais democrático e muito mais presente no cenário mundial. Um país que já começa a chamar a atenção em todo o mundo com suas realizações, inclusive no campo científico. O país do futuro que nunca chegava é agora o país do presente, a “nação a ser observada”, como disse a The Economist. 
 
Lutei mais de trinta anos ao lado do presidente Lula para construirmos este país, tive a honra de ser líder do governo, líder do PT e do bloco de apoio ao governo, nestes oito anos em que estive senador por São Paulo, e sou testemunha do papel decisivo que a então Ministra Dilma teve em todo este processo. Agradeço publicamente ao meu companheiro Presidente Lula, que entrou definitivamente para a História do Brasil como o mais popular presidente, e entro confiante neste novo governo, o qual contará com a grande capacidade de gestão, liderança e trabalho da Presidente Dilma, que continuará este projeto e avançará ainda mais nas transformações econômicas e sociais do Brasil.
 
Mas não podemos nos acomodar. Na realidade, os avanços recentes apenas tornam mais urgente a superação dos desafios do século XXI, pois criou-se uma janela histórica de oportunidades que não pode ser desperdiçada. 
 
A nossa hora é agora. A hora da ciência brasileira é agora. Chegou a nossa vez. 
 
Não se trata de ufanismo. As oportunidades e as condições estão objetivamente dadas. Temos de aproveitá-las com determinação e inteligência. 
Acredito firmemente que chegaremos, ao futuro próximo, em situação muito melhor da que já estamos, e que nesse processo difícil rumo ao desenvolvimento econômico e social pleno, a ciência brasileira terá centralidade. 
 
E creio mais firmemente ainda que essa ciência será singular, independente e espelhará nossa identidade. No excelente livro “Sonhos Tropicais”, de Moacyr Scliar, que mistura realidade e ficção na elaboração de uma biografia do grande Oswaldo Cruz, há uma passagem deliciosa que satiriza a visão determinista e preconceituosa que parcela do pensamento conservador europeu tinha (ou talvez ainda tenha) sobre o brasileiro. Nessa passagem, na qual um personagem se refere a Oswaldo Cruz quando estava estudando em Paris, se diz: ‘Mas ele não parece brasileiro. Desculpa, mas não parece. Por exemplo: tem o ar pensativo. Os do trópico não têm ar pensativo’. 
 
Compreende-se: por que haveriam de pensar muito, se o sol brilha num céu azul, se as ondas de um mar cor de esmeralda batem em praias de areia muito branca, se os coqueiros, agitados pelas brisas, deixam cair cocos na areia e se, além disto, há bananas? Como ter pensamento lógico em meio a macacos que, de árvores próximas, lhes fazem caretas e gritam? 
 
Pois bem, a nova ciência brasileira, a Ciência Tropical, será a ciência do futuro. Tenho certeza que a ciência produzida sob o céu azul e frente ao mar cor de esmeralda terá cores e luzes próprias, e nos conduzirá a dias melhores. Muito melhores. 
 
O Brasil, com todo o seu potencial, com as bases econômicas e sociais lançadas pelo Novo Desenvolvimentismo e impulsionado pela centralidade da política de Ciência, Tecnologia e Inovação, se transformará, estou certo, no primeiro país tropical desenvolvido da História.
 
Muito obrigado!”
 
Fonte: Luis Nassif Online, Por Luiz Henrique, da Agência Dinheiro Vivo
2010 foi um ano de lutas e conquistas. Com diretoria e desafios renovados desde o primeiro semestre, a ANPG buscou garantir a intervenção dos pós-graduandos brasileiros em temas como política de bolsas para a pós-graduação, política nacional de ciência, tecnologia e inovação, além de educação, direitos da juventude, divulgação científica e diversos outros debates e ações que nos envolvemos ao longo deste ano. Mas temos certeza de que o envolvimento de cada vez mais pós-graduandos e uma pauta acertada, teremos mais conquistas em 2011 do que tivemos em 2010. Aproveite as festas de fim de ano e participe conosco das lutas!
 
Na última semana de 2010 ainda há lutas, como o repúdio aos cortes no orçamento previsto para a Ciência e Tecnologia em 2011, manifestado em nota pública. Mas o ano inteiro foi recheado de pautas, conquistas e atividades.
 
Desde abril, quando a atual diretoria da ANPG foi eleita em congresso realizado no Rio de Janeiro, não houve descanso ao movimento nacional de pós-graduação. Além de realizar as etapas finais da Caravana de Ciência, Tecnologia e Inovação da ANPG em maio, a diretoria teve uma semana agitada em sua posse, no mesmo mês. Foram audiências com o ministro da Educação, o presidente da Capes, o presidente do CNPq e o ministro da Ciência Tecnologia, consolidando uma robusta campanha de bolsas, que pautou os direitos dos pós-graduandos junto a esses órgãos. A posse foi seguida da 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, que a ANPG participou de forma destacada, distribuindo para os participantes as resoluções do seu recém realizado congresso, compondo mesas da conferência e expondo suas opiniões e articulando com os participantes em todos os debates. 
 
Em junho a ANPG participou da luta pela aprovação de 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação no Senado Federal e a APG da UFRGS tomou posse. No mesmo mês, foram fundadas a  Federação Nacional de Pós-Graduandos em Direito (FEPODI) e a APG da UFBA. No início de julho, a ANPG participou da pressão pela aprovação da PEC da Juventude, aprovada no dia 07 daquele mês. Julho também foi o mês de intenso debate acerca da Portaria Conjunta número 01 da CAPES e do CNPq, que permitiu o acúmulo de bolsas de pesquisa com atividade remunerada.
 
2º Salão
 
Durante a 62ª Reunião Anual da SBPC em Natal, em julho, a ANPG fez o seu 2º Salão Nacional de Divulgação Científica. Com o tema “Integração Científica e Tecnológica na América Latina”, o salão reuniu representantes de diversas instituições da América Latina em uma atividade que mais uma vez uniu ciência e arte para discutir os rumos do país… e, desta vez, também da América Latina. Na ocasião foi lançado o segundo número da revista científica da ANPG.
 
Em agosto a UFLA realizava o seu congresso de pós-graduação em conjunto com reunião regional da SBPC. Entre os debates, destacou-se a discussão sobre o convênio entre 7 universidades mineiras, que vem sendo chamado de “superuniversidade”. No mesmo mês, a ANPG foi a Brasília cobrar a instituição da licença-maternidade para bolsistas da CAPES, o que veio a se tornar realidade em novembro. E o reconhecimento de que esta foi uma pauta da ANPG foi registrado no Diário Oficial da União péla própria CAPES.
 
Em agosto teve ainda greve de médicos residentes, da qual o diretor de saúde da ANPG participou ativamente, com o apoio da diretoria da entidade.
 
Eleições
 
Em setembro foi publicada a avaliação trienal da CAPES – a ANPG participa do processo por meio da sua cadeira do Conselho Técnico Científico da agência. No mesmo período, a entidade garantiu a participação dos pós-graduandos nos debates sobre o novo Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG 2010-2020) e apresentou sua plataforma aos diversos candidatos a governos estaduais e à presidência da república. A ANPG engrossou também a lista dos que elaboraram e divulgaram o Pacto pela Juventude. Em setembro a APG da UFRGS realizou o seu 1º Salão de Pós-Graduação e a UFF garantiu gratuidade em todos os seus cursos, inclusive especialização e MBA.
 
Em outubro a entidade dos pós-graduandos brasileiros garantiu participação na maior feira de inovação do país, a Inovatec, lançou o Blog do PNPG e a APG da UFV elegeu nova diretoria. Participamos também da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e em novembro garantimos a intervenção dos estudantes de pós-graduação na Conferência sobre Desenvolvimento, organizada pelo IPEA.
 
Além da conquista da licença-maternidade pela CAPES, em novembro a ANPG engrossou a pressão das entidades estudantis para que nenhum estudante fosse prejudicado pelas falhas do ENEM. No mesmo mês os pós-graduandos da UFMA organizaram a sua APG e a ANPG reforçou as mobilizações pela aprovação do Estatuto da Juventude no Congresso Nacional.
 
Praia do Flamengo, 132
 
Em dezembro, o Congresso Nacional aprovou 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação, o que o presidente Lula veio a vetar depois. O mesmo presidente Lula lançou a pedra fundamental da sede das entidades estudantis no terreno histórico da Praia do Flamengo, 132, no Rio de Janeiro, e a ANPG participou do ato. Em dezembro, a APG da UFRJ elegeu nova diretoria, a ANPG compôs a delegação brasileira que participou do 17º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJE) na África do Sul, apresentou emendas que garantiram um remanejamento de 15 milhões de reais para bolsas do CNPq e reforçou a campanha por aumento da quantidade e do valor das bolsas de pós-graduação. Nossa derradeira luta é contra os cortes em Ciência e Tecnologia para o orçamento 2011.
 
Em 2011 começaremos participando de uma grande Bienal de Arte, Ciência e Cultura, organizada pela UNE no Rio de Janeiro logo no primeiro mês do ano. Durante a semana da Bienal, a ANPG realizará sua reunião ampliada para planejar as atividades… e aí virão CONAP, 3º Salão Nacional de Divulgação Científica, debates, seminários, mobilizações, campanhas e muito mais.
 
Participe da construção de um Brasil justo e desenvolvido, some-se à ANPG nesta luta e participe das nossas atividades. Por um 2011 com ainda mais lutas e conquistas que 2010. Que venha o futuro!
 
ANPG
Presidentes da UNE e da UBES com o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral no lançamento da pedra fundamental da sede das entidades estudantis.

Praia do Flamengo 132, nada será como antes

A funcionária pública Maria Arlinda de Castro, 68 anos, moradora da Praia Flamengo no Rio há mais de 40, ajeitava-se na grade de proteção montada em frente ao número 132, na tarde dessa segunda-feira, 20 de dezembro. Ao seu lado, chegavam centenas de curiosos, vendedores ambulantes, turistas e outras pessoas cuja atenção se prendia no enorme painel de 18 metros de comprimento e 6 de altura, montado em frente ao endereço e onde se impõe uma foto do ex- lider estudantil e presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) Honestino Guimarães, um dos muitos desaparecidos políticos da ditadura militar.
 
Muita gente não entendia ainda a movimentação e alguns burburinhos davam conta da visita do presidente da republica mais positivamente aprovado desde a redemocratização: “Lula vem aí”, ouvia-se. No entanto, a maioria não sabia o que aconteceria dentro daquele terreno, que por muitos anos abrigou somente um estacionamento. Dona Maria Arlinda sabia. No dia primeiro de abril de 1964,
ao voltar do trabalho por volta das 19h, ela percebeu que o trânsito estava interrompido. Descendo a pé e caminhando em direção ao número 132, viu o prédio da UNE e da UBES pegando fogo, destruído pela ditadura militar recém- instalada no país: “Foi muito triste e chocante”, relata.
 
Depois disso, dona Maria Arlinda testemunhou todo o período de perseguições da ditadura, acompanhou a proclamação do AI-5, viu pessoalmente a sede dos estudantes ser demolido em 1980, acompanhou a redemocratização do país em 1985, votou cinco vezes em Lula para presidente e, nessa tarde, retornou ao endereço numero 132 para vê-lo inaugurar as obras que reconstruirão o prédio da UNE e da UBES. De acordo com o projeto de lei 12.260, de 21 de junho de 2010, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, o Estado Brasileiro reconhece a responsabilidade pelo incêndio e demolição da casa dos estudantes, investindo agora em sua reparação.
 
Chegadas

Em frente ao terreno e por suas imediações, onde o trânsito estava interrompido e diversos carros de reportagem se amontoavam, balões ornamentavam a entrada e capacetes de construção da UNE e UBES eram distribuídos aos convidados. Entre ele muitos e emocionados ex-presidentes das duas entidades como José Frejat (1950), Aldo Arantes (1961) Jean Marc Von der Weid (1969), Wadson Ribeiro (1999), Gustavo Petta (2003 e 2005), Orlando Silva (1995), Lindberg Farias (1992), Thiago Franco (2006), Marcelo Gavião (2004), além de um dos fundadores da UNE, Irum Santana e da ex-esposa de outro, Francisca Talarico, que foi casada com José Gomes Talarico, falecido no início de dezembro. Francisca foi homenageada no evento e recebeu uma placa.

O clima de confraternização entre as gerações é brevemente interrompido com a chegada do arquiteto Oscar Niemeyer, que completou 103 anos de vida recentemente. Erguem-se as mãos de todos em aplausos ou empunhando câmeras e celulares para registrar uma imagem do homem que desenhou Brasília e que, também, generosamente cunhou o projeto da nova sede das entidades estudantis no local.

A agitação na Praia do Flamengo, 132 já era completa quando chegou o presidente Lula, acompanhado de sete ministros, do governador do estado do Rio Sérgio Cabral, do prefeito da capital Eduardo Paes, de deputados e senadores, além de outras autoridades. Aos poucos, as pessoas foram se ajeitando dentro do terreno, entre elas Dona Maria Arlinda. O escritor Arthur Poerner, talvez o maior conhecedor da história do movimento estudantil brasileiro, lembrou-se de outra visita de Lula ao local em 2008 e cochichou uma importante observação “É a primeira vez na história do Brasil que um presidente visita, duas vezes, a sede da UNE”.

Dia histórico

Se ainda havia alguém no local ainda não contaminado pela palpitação de um dia histórico, foi obrigado a render-se com a exibição de um vídeo contando a história do movimento estudantil e da sede na Praia do Flamengo. O telão homenageou jovens como Helenira Rezende e Honestino Guimarães, enquanto o público gritava “presente” a cada nova foto mostrada. Ao final da exibição, e ainda antes do presidente da UNE Augusto Chagas dizer as primeiras palavras, o coro da platéia já tomava conta de todo espaço: “A nossa história ninguém apaga, UNE e UBES de volta para casa”.

Augusto comemorou a presença de tantos personagens históricos do movimento estudantil no evento: “Essa platéia é a cara da UNE, com toda amplitude de idéias e pessoas que fazem a nossa luta por todos esses anos”. O presidente da UNE ressaltou, sob aplausos, que o projeto de lei que permitiu a indenização para reconstrução da sede não foi questionado por nenhum parlamentar de nenhum partido político. Dirigindo-se a Lula, afirmou: “Alguns não entendem a nossa relação presidente, confundem com subserviência, mas nós sabemos muito bem que essa reparação não representa favor ou agrado de ninguém, isso é justiça e nós reconhecemos a sua grandeza por ser sensível a isso”.

O presidente da UBES, Yann Evancovick fez questão de homenagear aqueles que tombaram e perderam suas vidas na esperança de retornar à Praia do Flamengo 132: “Quando este prédio se reerguer, se erguerão juntos os sonhos daqueles que por aqui passaram, que lutaram por esse momento que agora vivemos”. Lembrou também que a reconstrução da sede irá revigorar as lutas do movimento estudantil no próximo período. “Quero inclusive te convidar, presidente Lula, para a nossa jornada de manifestações no mês de março, por bandeira como 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação brasileira”.

Para a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, que também esteve no palanque do ato, com a colocação da pedra fundamental, "o Estado definitivamente reconhece sua responsabilidade em relação a esta e outras violências contra o povo brasileiro, e dá um passo decisivo no fortalecimento da nossa democracia. A luta da juventude e dos estudantes brasileiros faz parte da história do Brasil e a valorização da sua memória e dos seus espaços de luta fortalece os instrumentos da democracia que dão voz ao povo". 

Lula e os estudantes

Antes de tomar a palavra, Lula vestiu o capacete da UNE e inaugurou a pedra fundamental do novo prédio e conheceu a nova maquete do projeto. Assim que começou a falar, fez questão de render efusivos elogios a Oscar Niemeyer, aplaudido de pé por todos os presentes: “Niemeyer é motivo de orgulho para todos nós e uma lição àqueles, muito mais novos, que às vezes se mostram indispostos ou cansados para ir a uma passeata, uma assembléia ou outra atividade importante”, disse o presidente.

Muito à vontade, Lula também ressaltou que a relação de seu governo com os estudantes não envolveu complacência de nenhum dos lados: “O que fizemos foi um pacto para criar uma pequena revolução na educação desse país”, afirmou, referindo-se depois a programas como o Prouni e o Reuni, amplamente discutidos com o movimento estudantil e que permitiram a entrada de milhões de jovens nas universidades brasileiras. “Nenhuma decisão do nosso governo foi tomada sem consultar vocês”.

O presidente também deixou sua homenageou os jovens que perderam suas vidas durante o período da ditadura militar: “Precisamos aprender, na verdade, que quando um companheiro tomba, ele precisa nos inspirar a continuar lutando, ser a marca da nossa luta ate conseguirmos. O que vocês estão conquistando hoje é muito mais do que um espaço para uma sede, o que se ganha aqui hoje é um espaço para consolidar a democracia no Brasil”.

Em tom de despedida, o presidente finalizou: “Aproveitando que este é meu ultimo pronunciamento para os estudantes brasileiros, queria dizer que foi uma grande honra estar ao lado de vocês. Vou carregar uma lembrança extraordinária disso tudo até o ultimo dia da minha vida”.

Nada será como antes

Encerrada a atividade, depois que o presidente desceu do palco e conseguiu vencer, carinhosa e pacientemente, a avalanche de abraços, beijos e outros afetos do público, a Praia do Flamengo podia, enfim, começar a voltar à normalidade. A empresa de trânsito liberava as pistas, as equipes de reportagem retornavam as redações para produzir as matérias, as autoridades deixavam o local nos carros oficiais. Alguns ex-presidentes da UNE, amigos e apoiadores estenderam a comemoração no Boteco da Praia, que fica logo ao lado do terreno, até a meia noite.

No entanto, quando a noite realmente caiu, o que sobrou de tudo foi apenas o gigantesco painel de Honestino Guimarães em frente ao número 132. Muitos que passam pelo local agora devem estar se perguntando o que representa aquela bela foto de um jovem, de punhos erguidos, indiscutivelmente convicto, com um semblante forte e positivo.

A resposta está lá dentro do terreno, grafada no texto da pedra fundamental que foi inaugurada:

“O poder imaculado dos jovens
o traço de Oscar Niemeyer
e a rebeldia desta pedra
dizem que a casa dos sonhos invencíveis
nunca será derrubada

Em memória a todos que fazem parte desta história
Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2010”

A casa dos sonhos inesquecíveis

Quarenta e seis anos depois, hoje é o dia em que marcamos a pedra fundamental das obras para reerguer essas paredes e reabrir as portas e janelas da chamada “casa do poder jovem”.

Mais um capítulo se encerra para que outro se inicie, mais uma demonstração da vitalidade da juventude brasileira. Aqui, neste histórico pedaço de chão no Rio de Janeiro, começa a reforma da “casa da resistência democrática”.

A aprovação por unanimidade no Congresso Nacional do projeto de lei 22.260/ 2010 reconheceu corajosamente a dívida do estado brasileiro com seus estudantes durante um regime de exceção que ousou vencer a primavera, ceifando-lhe as flores.

No entanto, os sonhos daqui nunca saíram. Foram invencíveis. Não há como deter a alvorada, por mais escura que seja a noite. Em breve, os traços de Oscar Niemeyer darão vida a uma conquista de gerações.

Agradecemos a vocação democrática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, personagem fundamental em todo esse processo sempre acreditando na volta definitiva das entidades estudantis para o seu lar, na Praia do Flamengo, 132.

Mãos a obra!

Fonte: Estudantenet

Leia também: ANPG faz pressão no Congresso pelo aumento do orçamento para bolsas

Leia a íntegra da emenda elaborada

 

O CNPq oferecerá mais 2 mil bolsas de mestrado e doutorado em 2011. Este anúncio foi feito dia 10 de dezembro, após a conquista pela ANPG junto ao Congresso Nacional do acréscimo de 15 milhões de reais no Orçamento 2011 para a agência. A demanda dos estudantes é que a Capes (cujo orçamento previsto é quase o dobro que o de 2010) também aumente o número de bolsas e para que as duas agências reajustem os valores das bolsas, a fim de cumprir as metas do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) 2005-2010.

 

Em 23 de novembro a ANPG apresentou emendas no Congresso Nacional pautando o aumento dos orçamentos da Capes e do CNPq para garantir o reajuste dos valores das bolsas de mestrado e doutorado, assim como o crescimento do número de bolsas oferecidas pelas agências nessas modalidades. A ação foi parte de uma campanha de bolsas que a entidade desenvolve. Desde a posse da diretoria em maio de 2010, a ANPG vem pautando mais e melhores bolsas, tendo apresentado tais demandas aos ministros da Educação e da Ciência e Tecnologia e aos presidentes da Capes e do CNPq. A questão também foi debatida em espaços como 62ª a reunião anual da SBPC e a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI).
 

ANPG durante campanha de bolsas realizada em maio deste ano, na semana da posse da nova diretoria da entidade.

 

A demanda dos pós-graduandos é para que, além do aumento do número de bolsas oferecidas, seja promovido o reajuste dos valores das bolsas, com vistas a atender as metas estabelecidas pelo PNPG 2005-2010 que prevê  que o valor das bolsas em 2010 chegue a 50% de reajuste em relação a 2005. A emenda da ANPG propunha, de acordo com essas metas e a partir dos debates realizados pela entidade, o aumento de 20% do número de bolsas oferecidos pela Capes e pelo CNPq e reajustes que levariam as bolsas de mestrado a R$ 1.673,00 e as de doutorado a R$ 2.481,00. O último reajuste das bolsas foi feito em 2008.

Para a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, a valorização da formação de recursos humanos qualificados é um elemento fundamental à política de desenvolvimento soberano do país. Além disso, Elisangela falou sobre a importância do Estado instituir um processo de humanização das bolsas: “Os pesquisadores e as pesquisadoras brasileiros precisam ser munidos das melhores condições para incrementar a produção científica nacional. Isso significa, entre outras medidas, valorizar os pós-graduandos como elemento fundamental desta produção, por meio do reajuste do valor das bolsas e aumento do número, para democratizar o acesso a elas; significa retomar apoios como a taxa de bancada e o auxílio tese, políticas de moradia estudantil para pós-graduandos, implementação de políticas de redução das desigualdades regionais, além de garantias como a recém conquistada licença-maternidade para as bolsistas da Capes. É preciso, em resumo, investir na humanização das bolsas de pós-graduação, que deve ser um reflexo de uma ousada política de valorização da produção científica nacional”.

O aumento do número de bolsas anunciado pelo CNPq terá vigência a partir de março de 2011 e representa um acréscimo de cerca de 10% sobre as 19.765 bolsas de mestrado e doutorado oferecidas pela agência de fomento em 2010. A ANPG encaminhou documentos ao MEC, ao MCT, à Capes e ao CNPq, pautando as demandas de aumento do número e do valor de bolsas. Além disso, a entidade fará uma pressão junto ao parlamento para a aprovação do orçamento 2011 com aumento de verbas para as agências, conforme pressão já realizada na Câmara para que tal aumento fosse incluído no relatório do Orçamento 2011.
 

A presidente da ANPG, Elisangela Lizardo (à esquerda), e a vice-presidente, Carolina Pinho (direita), com a deputada Jô Moraes (PCdoB/MG) (centro), na campanha pelo aumento do orçamento para bolsas

 
O secretário geral da ANPG, Rodrigo Cavalcanti, que participou da elaboração da emenda da entidade apresentada ao Congresso Nacional, defendeu que o Estado cumpra as metas estabelecidas pelo PNPG 2005-2010: “os planos são uma referência para a implementação das políticas governamentais e o seu cumprimento é o caminho para a garantia dos resultados debatidos no momento da sua elaboração. As metas do PNPG, sobretudo em relação ao aumento do número e do valor das bolsas, são viáveis e devem ser cumpridas para o bem da ciência e tecnologia nacional. Consideramos uma vitória importante o anúncio de mais 2 mil bolsas do CNPq, mas o acréscimo ao orçamento do CNPq conquistado pela ANPG deve ser convertido em políticas mais ousadas, que garantam também o reajuste do valor das bolsas de mestrado e doutorado. O mesmo vale para a Capes, que também teve o seu orçamento aumentado. A nossa expectativa é que nos próximos dias esta agência também anuncie o oferecimento de mais bolsas de mestrado e doutorado em 2011, assim como o reajuste do seu valor.”

 
No total, o CNPq concede mais de 93 mil bolsas em várias modalidades, apoiando desde jovens pesquisadores com bolsas de Iniciação Científica até pesquisadores altamente qualificados, com a modalidade Produtividade em Pesquisa.

As novas bolsas serão concedidas aos cursos em forma de cotas. Vários critérios foram estabelecidos pelo CNPq para a distribuição das cotas, como o conceito do curso junto à Capes, o desenvolvimento de atividades em consonância com as diretrizes do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI), número de alunos sem bolsa e sem vínculo empregatício e localização regional.
 

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão um mínimo de cotas garantidas, como parte de uma política governamental de diminuir as desigualdades regionais em ciência e tecnologia.

Por Luana Bonone, Diretora de Comunicação da ANPG

Entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro ocorreu o processo eleitoral da Associação de Pós-graduandos da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

As eleições ocorreram em momentos pré-definidos nos campi da Ilha do Fundão, Praia Vermelha e no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCS.
 
Neste ano duas chapas concorreram às eleições: "APG em movimento" e "Você conhece a APG?"
 
A UFRJ possui 93 cursos de mestrado e 73 cursos de doutorado com certa de 10 mil pós-graduandos matriculados. A chapa que obteve mais votos foi a "APG em Movimento". A ANPG parabeniza as duas chapas pelo processo. Assim que houver informações sobre a posse, divulgaremos nesta página.
 
 
 
Por Julio Neto, Diretor de Políticas Educacionais da ANPG

Plano Nacional de Educação deverá ser lançado nos próximos dias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O próximo Plano Nacional de Educação (PNE) vai fixar uma meta de investimento de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. Essa foi a proposta apresentada pelo Ministério da Educação (MEC) à Casa Civil.
 

De acordo com o ministro Fernando Haddad, o plano será lançado nos próximos dias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2011, começa a tramitação do projeto no Congresso Nacional.

 "Evidente que temos um governo que termina e outro que começa, mas estamos trabalhando no sentido de fechar um consenso", disse o ministro. Dados referentes a 2009 mostram que hoje o país investe 5% do PIB em educação. Nos últimos cinco anos, o crescimento foi de 0,2 ponto percentual anualmente.
 

O próximo PNE vai definir as metas que o Brasil deve atingir em educação nos próximos dez anos. Segundo Haddad, o patamar de investimento de 7% do PIB deve ser atingido na próxima década, "mas quanto antes melhor".

Júlio Neto, diretor de Políticas Educacionais da ANPG, afirma que “o Brasil deve empenhar mais recursos, colocando as riquezas nacionais a serviço da formação do povo por meio da educação, pois esta é a maneira mais racional de igualar o desenvolvimento econômico ao social”. “Diversas organizações do Movimento Social de educação reivindicaram durante muitos anos a elevação do investimento do percentual do PIB para a educação para 10%, como possibilidade de democratizar e oferecer educação de qualidade a todos os jovens deste país”, completa.

 As bases do PNE foram traçadas durante a Conferência Nacional de Educação (Conae), que reuniu no mês de abril em Brasília cerca de 3 mil representantes de movimentos sociais, governos, pesquisadores, estudantes, professores e pais para discutir as prioridades do setor. O documento final da Conae recomendou que o investimento em educação seja elevado para 7% até 2011 e atinja 10% em 2014.

O PNE 2001-2010, que ainda está em vigor, também estabelecia uma meta de investimento de 7% do PIB em educação, mas o dispositivo foi vetado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Para especialistas e estudiosos do tema, esse foi um dos fatores responsáveis pelo fracasso do ano atual, que não cumpriu boa parte das 295 metas estipuladas, já que não havia previsão orçamentária para garantir os investimentos apontados pelo projeto.

 Outra meta que será incluída no PNE refere-se aos resultados do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). O MEC estabeleceu que até 2021 os estudantes brasileiros deverão atingir a média de 473 pontos no Pisa, patamar semelhante ao alcançado pelos países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que aplica o exame. Os resultados referentes a 2009, divulgados nesta terça-feira (7) pelo órgão,  mostram que a média do país está em 401 pontos.

Juliana Cruz, com Jornal da Ciência

por Conceição Lemes

Ter trabalho mencionado ou publicado na Science é o sonho de todo cientista. Pudera. Publicada pela Associação Americana pelo Avanço da Ciência, é a mais prestigiosa revista de ciência do mundo, ao lado da Nature , inglesa.

A triagem é rigorosíssima. Os critérios para publicação, científicos, mesmo.

Imaginem ser o tema de uma reportagem de seis páginas. É o supra-sumo.

Pois a edição 331 da Science, que começou a circular nessa tarde, dedica seis páginas à ciência brasileira. É a principal reportagem da edição. Nessa magnitude, é a primeira vez que isso acontece na publicação que já teve como um dos seus editores o Thomas Edison (1847-1931), criador da lâmpada elétrica, do fonógrafo e do projetor de cinema, entre outras invenções.

A reportagem começa e termina por Natal (RN). Mais precisamente no município Macaíba, que sedia o Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lilly Safra, mais conhecido como Centro do Cérebro, implantado pelos neurocientistas Miguel Nicolelis e Sidarta Ribeiro.

A reportagem destaca também, entre outras,  as pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Petrobras e da Amazônia. Sinceramente emocionante. Uma demonstração clara de que:

1) Lá fora, estão de olho no que se faz aqui.

2) É preciso mudar o modo de gestão científica no Brasil.

3)  A Universidade de São Paulo, apesar de ter grande produção científica, está perdendo espaço. Nenhuma pesquisa da USP foi destacada. Sinal de alerta de que há algo errado.

4) O que o Brasil está fazendo em termos de ciência tem sentido.

5) A visão do  Centro de Natal de que ciência é  agente de transformação social convenceu até os gringos, apesar de ela ainda sofrer resistência e bombardeio de setores da academia brasileira.

A propósito, todos os aspectos da  Ciência Tropical estão no artigo da Science. Sinal de que ela é o futuro.

Confira você mesmo. Segue a íntegra da tradução do artigo da Science, exceto os quadros.

 

 

 

 

 

 

Ciência brasileira: de vento em popa

Uma economia vigorosa e descobertas de petróleo estão impulsionando a pesquisa no Brasil a novas alturas. Mas as lideranças científicas precisam superar um sistema educacional fraco e um histórico de pouco impacto

NATAL – De pé, braços abertos, Miguel Nicolelis aponta para uma escavação retangular na terra seca nos arredores da cidade litorânea brasileira de Natal. “É aí que vai ficar o supercomputador”, diz ele. E indicando uma área ainda coberta de mato, acrescenta: “ali é o complexo esportivo”.

 

 

 

 

 

 

 

 

Nicolelis é o cientista mais conhecido do Brasil. Neurobiologista da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte, ele tornou-se famoso depois de experiências espetaculares que usam sinais emitidos por cérebros de macacos para fazerem robôs andarem. Mas quando apresentou, em 2003, seus planos de criação de um instituto de neurociência em uma região atrasada do Nordeste do país, poucos acreditaram que poderia dar certo (Science, 20 de fevereiro de 2004, p. 1131).

A ideia era combinar ciência de ponta com uma missão social: desenvolver uma das regiões mais pobres do Brasil. Nicolelis, que atualmente passa parte do ano no país, mostra-se ansioso para oferecer ao visitante uma “prova categórica” do sucesso. Ele pôs a mão na massa e construiu duas escolas de ciência para crianças mais uma clínica de atendimento materno, e recrutou 11 neurocientistas PhD para dirigir laboratórios numa sede improvisada. Dentro de alguns meses, diz ele, US$ 25 milhões de recursos  federais brasileiros vão começar a escoar para seus terrenos arenosos, criando um vasto complexo de neurociência que Nicolelis chama de seu “Campus do Cérebro”.

“No Brasil, precisamos da ciência para construir um país”, diz Nicolelis, um entusiasmado nacionalista cujas paixões incluem usar um boné verde do clube de futebol Palmeiras e entornar jarras de suco de maracujá amarelo. “Este lugar vai criar a próxima geração de líderes brasileiros.”

Alguns continuam a achar excêntrica a ideia de Nicolelis. Mas o momento não poderia lhe ser mais propício. Nos últimos 8 anos, o maior país da América Latina começou a viver uma grande expansão. Sua economia está crescendo de maneira acelerada e ele se tornou um ator nos assuntos mundiais, festejando um surto sem precedente de autoconfiança. O país vai receber a Copa do Mundo de Futebol de  2014 e os Jogos Olímpicos dois anos depois.

Os bons tempos estão beneficiando a ciência, também. Entre 1997 e 2007, o número de papers brasileiros em publicações indexadas, avaliadas por pares mais que dobrou, para 19.000 por ano. O Brasil figura hoje em 13º em publicações, segundo a Thomson Reuters, tendo ultrapassado Holanda, Israel e Suíça. Universidades brasileiras formaram duas vezes mais doutores este ano do que em 2001, e milhares de novos empregos acadêmicos foram abertos em 134 novos campi federais.

Trata-se de uma inversão da sorte para um país que durante os anos 1990 teve de enfrentar problemas econômicos terríveis. Naquela época, os pesquisadores mendigavam fundos; o Brasil chegou a ter sua bandeira retirada do logotipo da Estação Espacial Internacional depois de não conseguir financiamento para construir seis componentes. “Nós estávamos pensando cada vez menor”, diz Sérgio Rezende, ministro da Ciência e Tecnologia nos últimos cinco anos. “Se não conseguíamos resolver pequenos problemas, como poderíamos resolver os grandes? Agora estamos em condição de pensar grande novamente.”

O combustível que impele a ciência no Brasil é um imposto de P&D sobre grandes indústrias; ele aumentou o orçamento do ministério de Rezende de US$ 600 milhões, há uma década, para US$ 4 bilhões. A companhia de petróleo nacional, a Petrobrás, é a maior contribuinte. O Brasil reiniciou seu programa de pesquisas nucleares em 2008, após 20 anos de calmaria, e, em outubro, uma delegação viajou a Genebra para negociar uma associação com o CERN. Com a economia brasileira crescendo a uma taxa de 7%, neste ano, o país pode se dar ao luxo de pagar US$ 14 milhões por ano para isso.

Cientistas daqui dizem que seus argumentos em prol de mais educação, inovação e tecnologia foram ouvidos na capital, Brasília, e esperam que os orçamentos continuem crescendo sob o comando da presidente eleita Dilma Rousseff, a primeira mulher a ocupar esse posto no país. Segundo autoridades da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), até 2020 o Brasil deve dobrar ou triplicar a produção de alunos, de papers e os investimentos e se tornar uma força “formidável” em ciência. Autoridades federais querem ver o Brasil entre os 10 principais países produtores de ciência do mundo.

Mas o Brasil ainda não é formidável. Como o instituto de Nicolelis ­– onde a construção está com um atraso de anos no cronograma – a produção científica brasileira segue atrás de suas ambições. O país produz poucos papers de alto impacto e apenas um filete de patentes. Seu sistema de educação pública primária e secundária está em frangalhos, deixando o país de 195 milhões de habitantes cronicamente carente de trabalhadores técnicos.

“Precisamos ser lúcidos e não cair num discurso de vitória”, ressalva Sidarta Ribeiro, um neurocientista formado na Rockfeller University em Nova York e cofundador do instituto do cérebro de Nicolelis. “Em termos de impacto, somos marginais. O discurso externo para o mundo deveria ser que estamos interessados em ciência e estamos progredindo. O discurso interno deveria ser, ´Vamos melhorar. Vamos focar no mérito`.”

Tempos de expansão

O Brasil está claramente se destacando na América Latina, como mostram os indicadores. O país responde hoje por mais de 60% de todos os gastos em pesquisa na América Latina, e os cientistas brasileiros escrevem metade dos papers. A burocracia científica do Brasil é influente, também, contando com um ministério próprio desde 1985. Esse é um passo que a Argentina só deu há três anos e que a vizinha Bolívia está discutindo atualmente. “O Brasil é o único exemplo na América Latina em que 1% do PIB vai para P&D e o ministro da Ciência e Tecnologia é um físico que ainda publica. Assim, o Brasil é o farol”, diz Juan Asenjo, presidente da Academia Chilena de Ciências.

A globalização dos mercados também está operando em favor do Brasil. Como em outros países latino-americanos, a base de pesquisa do Brasil é pesadamente orientada para agricultura, ecologia e doenças infecciosas – ele é o primeiro do mundo em publicações relacionadas a açúcar, café e suco de laranja. A indústria pecuária brasileira produz 33% dos embriões bovinos do mundo. Pesquisa outrora secundária, hoje ela está crescentemente bem situada para abordar preocupações globais com produção de alimentos, mudanças climáticas e conservação.

Nicolelis diz que vê uma “maneira tropical emergente de fazer ciência” movida pela pesquisa em energia renovável, agricultura, água e genética vegetal e animal. “Essas são as questões definidoras do planeta, e, acreditem ou não, os players estão bem aqui”, diz Nicolelis.

A pesquisa biológica é uma área de crescimento acelerado. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, empresa estatal de pesquisa agrícola conhecida como Embrapa, pretende contratar 700 novos pesquisadores neste ano. A Embrapa é considerada uma das unidades de pesquisa agrícola de primeira linha do mundo e seu orçamento de US$ 1 bilhão é hoje do mesmo porte do orçamento do Agricultural Research Service do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. “Nunca vi tantos recursos para a ciência como nos últimos cinco anos”, diz Maria de Fátima Grossi de Sá, uma geneticista de plantas que recebeu recentemente US$ 1,5 milhão para desenvolver uma planta de algodão transgênica.

De Sá trabalha na estação de pesquisa da Embrapa em Brasília, que também está concluindo testes de uma soja resistente a herbicidas que será a primeira planta geneticamente modificada projetada por cientistas brasileiros a chegar ao mercado. A demanda por cientistas PhD está tão elevada que De Sá diz que é difícil encontrar alguns para assumirem cargos de pós-doc. “Nós passamos muito rapidamente da dificuldade de colocar PhDs a ter verbas sem receptores.”

A Embrapa está finalizando a construção de um centro de agroenergia de quatro andares e custo de US$ 15 milhões que empregará 100 pesquisadores no campus de Brasília. Um objetivo é transformar os 22 milhões de hectares de soja do Brasil em produtos mais valiosos como o biodiesel.

“Nós captamos energia solar e a transformamos em outras formas de energia. Achamos que podemos mudar muito rapidamente da agricultura voltada à produção de alimentos para a agricultura destinada à energia. Podemos ser um player”, diz Frederico Ozanan Machado Durães, diretor geral da nova unidade. Para ele, incontáveis carregamentos de soja que embarcam para a Ásia a cada dia de portos brasileiros poderiam energizar indústrias domésticas de lipoquímica e plásticos que produzem “produtos com valor agregado”.

O projeto representa uma importante virada do pensamento brasileiro: a saber, que a ciência pode transformar a economia do país, atualmente dominada por commodities como soja, carne bovina, cana de açúcar, minério de ferro e petróleo. “O novo Brasil será uma economia de conhecimento natural”, diz Gilberto Câmara, diretor da agência espacial do Brasil.

Com mais dinheiro e uma missão de ciência verde emergente, pesquisadores brasileiros dizem que serão levados mais a sério. A maioria dos cientistas seniores das Embrapa foi formada nos estados Unidos, como o Diretor-Executivo José Geraldo Eugênio de França, que em 1987 foi para a Texas A&M University para estudar genética do sorgo, França diz que notou uma mudança durante uma missão a Washington, D.C., em novembro passado, quando se encontrou com o consultor americano de ciências John Holdren e outras autoridades. “Pela primeira vez na história, tivemos um reconhecimento de que alguma coisa está mudando no Brasil. Eles não nos perguntaram quantos pós-doc precisávamos enviar, ou onde nós precisávamos de ajuda, mas onde poderíamos trabalhar juntos”, diz França.

Dinheiro privado

O objetivo mais importante neste momento, reconhece Rezende, “é que a ciência faça diferença na produtividade da indústria. Eu teria de dizer que esse é nosso grande desafio”. Outros objetivos são aumentar o número de cientistas, investir em áreas estratégicas, e resolver problemas sociais chaves.

A desconexão entre ciência e negócios é quase total no Brasil, segundo pesquisadores. Nos Estados Unidos, cerca de 80% do pessoal de pesquisa trabalha na indústria, segundo dados da OCDE, enquanto no Brasil essa cifra fica em torno de 25%. O Brasil quase não produz patentes – apenas 103 patentes americanas foram emitidas para inventores no Brasil em 2009 – e companhias brasileiras gastaram metade do que as européias gastam em P&D. Quando elas gastam, é mais na importação de tecnologia que em seu desenvolvimento.

Pesquisadores dizem que os 20 anos de ditadura no Brasil, findos em 1984, foram em parte responsáveis pelo atraso. As universidades se tornaram redutos da oposição política e círculos de leitura marxista, nos quais as patentes eram vistas como opressão. “Nós nos isolamos das grandes indústrias, que apoiavam os militares. Elas não podiam entrar na universidade. A universidade se tornou fechada, hermética, e agora precisamos mudar isso”, diz Maria Bernardete Cordeiro da Sousa, pró-reitora de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

As autoridades vêm tentando vencer o atraso na inovação. Em 2004 e 2005, o Brasil aprovou leis que concedem benefícios fiscais à P&D para empresas e começou a permitir que o Ministério da Ciência e Tecnologia conceda verbas a empresas, e mesmo pague salários de pesquisadores nas empresas industriais. Em agosto, o ministério anunciou um grande projeto de P&D industrial, oferecendo US$ 294 milhões em verbas para apoiar projetos de inovação dentro de companhias em “áreas estratégicas” como carros elétricos, marca-passos e culturas agrícolas geneticamente modificadas.

Ainda é cedo para dizer que os incentivos do governo estão funcionando. Somente um pequeno número de empresas se candidatou às isenções fiscais. Mas a inovação de risco no estilo americano, antes considerada estranha, está sendo vista cada vez mais em termos favoráveis. Capitalistas de risco começaram a se instalar no Brasil, e em 2010, tanto a IBM como a General Electric anunciaram planos de criar centros de pesquisa no país.

“Nos falta uma cultura de inovação e empreendedorismo. Há um  longo caminho a percorrer para mudar isso”, diz Luiz Mello, um médico que no ano passado foi designado pela segunda maior empresa do Brasil, a mineradora de minério de ferro Vale S.A, para gastar US$ 180 milhões estabelecendo três novos institutos de ciências corporativos. Mello diz que foi contratado depois de abordar o CEO da Vale, Roger Agnelli, para levantar dinheiro para um programa de engenharia. “A coisa se transformou numa reunião para ele dizer o que queria. E ele queria o MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts] da Vale”, recorda Mello. “Eu estava sendo convidado pra chefiar algo que seria um novo Bell Labs ou Xerox PARC.”

Mello viajou recentemente ao vale do Silício para colher idéias. Embora o negócio da Vale seja de baixa tecnologia, a companhia de commodities, que despacha imensas quantidades de minério para a China e a Europa, quer gastar pesadamente em pesquisa em parte porque tem enfrentado uma forte escassez de mão de obra especializada, aumentando a pressão de ambientalistas, e a concorrência de companhias globais. Os três laboratórios da Vale operarão com biodiversidade, energia renovável e tecnologia de mineração. “Esse é o maior investimento espontâneo em P&D que eu conheço no Brasil”, diz Mello.

As novas leis também encorajam universidades brasileiras a depositar patentes e criar escritórios de transferência de tecnologia, o que muitas estão fazendo pela primeira vez. Na Universidade Federal de Minas Gerais, o número de pedidos de patentes atingiu 356, incluindo uma para uma vacina canina contra leishmaniose , que já chegou ao mercado. “Tudo isso está provocando ressonância no sistema”, diz Ado Jorio, o professor que coordena os esforços de patente da universidade. “Está havendo uma explosão de publicações, e isso também vai ocorrer em inovação.”

Partilhar a riqueza

A ciência brasileira sofre de um outro desequilíbrio, entre o sul afluente e as regiões setentrionais pobres, que as autoridades colocaram como prioridade tentar corrigir. A maior parte da ciência ainda ocorre em apenas três estados sulinos, com a Universidade de São Paulo sozinha respondendo por quase um quarto de todas as publicações científicas. “Um dos maiores problemas que enfrentamos é essa assimetria brasileira, a desigualdade das regiões”, diz Lucia Melo, diretora do Centro de Estudos Estratégicos e Gestão em Ciência, Tecnologia e Inovação, um think tank de política científica do governo em Brasília.

Para levar a ciência ao interior negligenciado do Brasil, o governo se embrenhou numa farra de construção de universidades e reservou 30% dos recursos de pesquisa para os estados pobres do norte e do centro-oeste. Por um programa de 2009, autoridades em Brasília disseram que dariam bolsas de estudo para todos os alunos de pós-graduação em regiões distantes, independentemente do mérito acadêmico. A ideia provém do Partido dos Trabalhadores, o partido governante no país, que fez da melhoria das condições nas áreas pobres uma prioridade. Um programa de bem-estar bastante expandido ajudou a tirar muitos milhões de brasileiros da pobreza. Isso também deu aos cientistas brasileiros espaço para respirar.

“Antes, nós tínhamos de enfrentar a questão, ´Por que vocês estão dando comida e leite para um macaco quando há crianças famintas na casa vizinha?`” diz Cordeiro de Sousa, que também faz pesquisas sobre primatas. Mas ela vê uma compensação: os pesquisadores sentem uma pressão crescente para dedicar tempo para solucionar problemas locais. Ele está analisando a criação de um instituto do sal para respaldar a indústria local de mineração de sal. “É preciso ter uma vocação, porque no futuro poderemos ser chamados a responder intensamente.”

Em nenhum outro lugar a carência de ciência brasileira é mais preocupante do que na Amazônia, a floresta tropical que cobre aproximadamente 49% do território brasileiro, mas abriga somente cerca de 3.000 pesquisadores doutores, dos quais pouquíssimos fazem ciência aplicada. “Imagine o que esse número absolutamente irrelevante representa para essa região imensa”, diz Odenildo Teixeira Sena, secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas. Embora seja maior que a França e a Espanha juntas, o Amazonas possui somente um arqueólogo PhD residente, e apesar de seu vasto sistema fluvial, nenhum engenheiro naval, diz Teixeira.

Uma força de trabalho cada vez mais científica na região poderia ajudar a encontrar alternativas para a agricultura baseada na derrubada e nas queimadas. Mas as ansiedades nacionais também figuram no cálculo. “A maioria das publicações sobre a Amazônia não tem um autor brasileiro. Isso nos preocupa”, diz Jorge Guimarães, o funcionário do Ministério da Educação que supervisiona a educação superior no Brasil. “Precisamos de mais brasileiros participando.”

O Brasil nunca se sentiu seguro de seu controle sobre a vasta região que a Espanha cedeu a Portugal pelo Tratado de Madri de 1750. Com a Amazônia, um foco de manobras internacionais sobre créditos de carbono, a dependência do Brasil da produção externa de conhecimento se tornou “uma questão muito delicada”, diz Adalberto Val, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia em Manaus. Durante uma conferência nacional de ciência e tecnologia em maio último, Val propôs uma “hegemonia informacional” brasileira sobre o bioma da floresta. “Existe uma questão de soberania nacional”, diz ele

Esses tons nacionalistas podem parecer hostis fora do Brasil, mas eles caem bem no país. O físico Luiz Davidovich, que presidiu a conferência de maio, diz que a comunidade científica brasileira precisa levantar “grandes bandeiras” para mobilizar o país. “´A Amazônia é nossa` é uma delas”, diz ele.

Mesmo alguns especialistas estrangeiros responderam ao apelo. Daniel Nepstad, um renomado ecologista americano especializado em florestas tropicais largou seu emprego em outubro no Woods Hole Research Center, em Massachusetts. para se tornar residente brasileiro e empregado em tempo integral do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, uma organização sem fins lucrativos que ele cofundou, baseada na cidade de Belém.

Daniel Nepstad trocou Massachusetts pelo Instituto Pesquisa Ambiental da Amazônia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nepstad diz que sua filiação americana “era interpretada no sentido de que eu seria menos comprometido com a agenda científica no Brasil”. A política florestal brasileira está evoluindo rapidamente e, diz Nepstad, “enquanto a ciência for liderada por pesquisadores do Hemisfério Norte, estamos perdendo a oportunidade de tornar informações realmente boas em decisões políticas.”

Fazendo acontecer

Apesar de suas ambições crescentes, o Brasil ainda precisa provar que pode fazer pesquisa básica de classe mundial. A contagem dos impactos de seus papers científicos é modesta, cerca de dois terços da média mundial, e caiu em algumas áreas. Nenhum brasileiro ganhou o Prêmio Nobel em ciência ou medicina, enquanto a rival regional, Argentina, tem três. Os cientistas culpam problemas estruturais nas universidades estatais do Brasil. Críticos dizem que eles desencorajam a competição, por exemplo, com mandatos automáticos após três anos no emprego e avaliações que premiam a publicação em língua portuguesa.

“A atitude durante muitos anos foi evitar a competição, manter a cabeça baixa, e escolher um tema marginal”, diz Ribeiro. Em vez de competir de igual para igual em tópicos quentes com grandes laboratórios do exterior, diz ele, os pesquisadores brasileiros às vezes têm se contentado em estudar questões locais. “O pensamento era, ´O tamanduá é nosso por isso não se preocupem com os gringos`.”

Os cientistas brasileiros que voltavam do exterior, atraídos por empregos e os recursos de empresas iniciantes, se queixam de que ainda há muitos obstáculos que tornam quase impossível produzir uma ciência de classe mundial. Após 11 anos nos Estados Unidos, a bióloga Luciana Relly Bertolini retornou ao Brasil em 2006 com seu marido, Marcelo, para começar um laboratório para clonar cabras transgênicas. Embora o esforço esteja financiado de maneira adequada, Bertolini diz que a pesada carga de ensino requerida de professores e a falta de pessoa treinada implica que “aqui se faz ciência por teimosia”.

Também são notórios os regulamentos de importação kafkianos do Brasil. Mesmo simples reagentes demoram meses para chegar, com amostras radioativas e biológicas muitas vezes em condições duvidosas. Bertolini diz que um equipamento de fusão celular que ela encomendou da Hungria ficou preso por quatro meses na alfândega. “Pode-se ter a melhor cabeça do mundo e não conseguir jamais a competitividade porque o governo trabalha contra nós”, diz Bertolini. “Quando começamos a pensar nisso, queremos voltar.”

Alguns dizem que as perspectivas continuarão sombrias até esses problemas ser resolvidos. “Não tenho conhecimento de nenhuma ciência extraordinária no Brasil”, diz Andrew J. G. Simpson, diretor científico do Ludwig Institute for Cancer Research na cidade de Nova York.

Cidadão naturalizado brasileiro, Simpson viveu em São Paulo por sete anos e coordenou um dos triunfos memoráveis do Brasil, o seqüenciamento do patógeno de planta Xylella fastidiosa, que foi parar na capa da revista Nature em 2000. Mas quando Simpson retornou este ano para uma celebração de 10 anos do feito, ele notou que, pelo menos no campo da genômica, “não houve mais nenhum paper de grande impacto. Não houve um processo ascendente. Foi uma situação anormal.”

Autoridades brasileiras se concentraram antes em resolver outro problema: a insegurança nos recursos para pesquisa. Em 2008, em sua maior rodada de financiamento da pesquisa básica em todos os tempos, o Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil ofereceu US$ 350 milhões em três anos para financiar 122 institutos nacionais para enfrentarem temas que  variam  da computação quântica e células-tronco a modernização da estação de pesquisa na Antártica.

“Eles viram que precisávamos de programas de longo prazo com estabilidade”, diz Davidovich, que divide a direção do programa de computação quântica. Outros cientistas manifestam dúvidas privadamente sobre institutos com nomes grandiosos, notando que na verdade eles são redes virtuais com uma média de 20 pesquisadores universitários cada e dinheiro espalhado demais para se conseguir muita coisa. Em papers de posicionamento, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência disse que o Brasil precisa se concentrar na criação de mais empregos de pesquisa pura fora do sistema universitário. Ela quer um novo instituto com grande staff para estudar os oceanos, e outro para a Amazônia, moldados na agência de estudos agrícolas Embrapa ­– neste caso com financiamento condizente com a visão grandiosa.

Na cidade de Natal, o instituto de neurociência de Nicolelis, atualmente abrigado num hotel convertido, ainda precisa produzir uma ruptura brasileira. Mas ele está cada vez mais bem posicionado para isso. Possui laboratórios razoavelmente equipados, uma instalação para primatas, e uma multidão contratada de jovens professores com currículos promissores, incluindo dois recrutados do Max Planck Center, na Alemanha. Em agosto, a École Polytechnique Fédérale de Lausanne na Suíça doou um supercomputador IBM Blue Gene/L, que Nicolelis diz será o mais rápido da América do Sul.

Ribeiro, o brasileiro que retornou de um pós-doc na Rockefeller para ser o diretor científico do instituto, diz que o ano de ciência que ele esperava perder enquanto organizava o centro se estendeu para três, na medida em que teve que lidar com as autoridades alfandegárias e com um grande número de alunos mal formados. “Agora, eu finalmente estou começando a enfrentar avaliadores de novo, em vez de burocratas, o que é um sinal de que o plano funcionou”, diz Ribeiro, cujo trabalho inclui experimentos para observar o efeito do sono e do sonho na retenção da capacidade motora e perceptiva.

A rua de terra na frente de seu prédio que leva para uma favela próxima, o faz lembrar uma fotografia que viu do Founder`s Hall da Rockefeller depois que ela foi construída em 1906 e ainda estava cercada por campos lamacentos e carruagens puxadas por cavalos: “Eles não começaram com o melhor lugar para fazer ciência tampouco.”

Antonio Regalado

 Na madrugada desta quinta-feira (2), Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Lei que determina que 50% dos recursos do Fundo Social do Pré-sal sejam destinados à Educação

Após meses de ampla campanha realizada em todo o Brasil pelas entidades estudantis em defesa do patrimônio brasileiro, o grito das ruas finalmente ocupou as galerias da Câmara Federal e levou os deputados a uma decisão histórica. Por 204 votos a favor, 66 contra e duas abstenções, o Congresso Nacional aprovou na noite da quarta-feira (1) o projeto de lei do pré-sal que cria o Fundo Social e muda o sistema de exploração do petróleo de concessão para partilha.
 
Tema original do Projeto de Lei 5940/09, o Fundo Social, criado com a aprovação do substitutivo do Senado, terá recursos da exploração do petróleo do pré-sal para aplicação em programas sociais. O texto aprovado reserva metade do dinheiro para programas de educação. Desse total, 80% deverão ser direcionados à educação básica e infantil.

As entidades UNE, UBES e ANPG comemoram a aprovação do projeto como uma vitória histórica para os estudantes, professores e todos que lutam para aumentar os recursos destinados à educação brasileira, com objetivo do país alcançar 10% do PIB em investimentos na área.

Desde que foi anunciada a descoberta da camada pré-sal e seu potencial, as entidades estudantis defendem que essa riqueza permaneça nas mãos dos brasileiros, reparando um erro histórico que o pais cometeu em determinados ciclos de riqueza.

"A conquista de 50% do Pré-Sal pra Educação é motivo de muita comemoração para a ANPG. Há muito estamos construindo essa campanha em conjunto com a UNE e a UBES. É hora do Brasil pagar de uma vez por todas a dívida histórica com a Educação. A expectativa agora é que haja investimentos em Conhecimento Científico, através do aumento de bolsas de Iniciação Científica, por exemplo. Popularizar a ciência no Brasil é necessário! A batalha das entidades estudantis continua", destacou a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo.

Já o presidente da UNE, Augusto Chagas, defende que “não há política pública mais efetiva do que a Educação”. “É uma grande oportunidade saldar uma dívida histórica com os brasileiros, com real investimento em Educação. Esse patrimônio deve servir ao país!”. Chagas lembra que não pode acontecer com o pré-sal o que já houve com o pau-brasil, com o café, exemplos de ciclos econômicos que estão registrados nos livros de história mas não se traduziram em benefícios à população.

“É uma grande vitória. Investir em educação é construir uma nação forte e soberana”, declarou o senador Inácio Arruda nos primeiros minutos da manhã desta quinta-feira. Arruda é autor da emenda que diz que 50% do total da receita destinada ao Fundo Social “deverão ser aplicados em programas direcionados ao desenvolvimento da educação". “Fico muito feliz de ter tido a oportunidade de contribuir para a transformação de nossa realidade através da educação”, completou a co-autora do texto, senadora Fátima Cleide (PT-RO).

Muita celebração e congratulações circularam na web pelo microblog Twitter, ferramenta que o movimento estudantil usou para alertar os brasileiros e sensibilizar parlamentares durante grande mobilização da cibermilitância que desencadeou uma guerrilha virtual capitaneada pela UNE.

Agora, é pressionar o executivo

Para o presidente da UBES, Yann Evanovick, essa é a vitória de uma geração. “Após a conquista do volto aos 16, essa foi a nossa maior vitória. Precisamos reafirmar o nosso posicionamento para que consigamos a sansão presidencial. E essa mobilização tem de ser feita de forma maciça pelo movimento estudantil e a juventude brasileira, para que o presidente Lula se sensibilize com essa necessidade e não vete os 50% do Fundo Social do Pré-sal para a Educação”, convocou.

Histórico de lutas pelos 50% do pré-sal para a educação

Foi em março deste ano, durante a Conferência Nacional de Educação (CONAE), que a emenda dos 50% do pré-sal para a educação tomou corpo e foi protocolada no parlamento.  Enquanto estudantes batalhavam no auditório Ulysses Guimarães para aprovar textos na CONAE que garantissem mais financiamento da educação, diretores da UNE e a da UBES coletavam assinaturas de senadores para apresentação de emenda ao PL da Câmara que cria o Fundo Social, destinando 50% para a educação. A emenda, de autoria do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) e da senadora Fátima Cleide (PT-RO) foi aprovada em junho na Casa. No texto ficou assegurado que dos recursos, 80% deverão ser direcionados à educação básica e infantil e o restante no ensino superior.

Mas essa mobilização teve início bem antes. Em setembro de 2009 a UNE lançou a campanha que ganhou corações e mentes em território nacional e conseguiu unificar uma pauta de mobilização de todo o movimento educacional. O tema: “50% do Fundo social do Pré-Sal para educação e por um novo marco regulatório do petróleo com monopólio estatal”.

Para o presidente da UNE, essa bandeira que a entidade passou defender coloca os estudantes “novamente como protagonistas de um momento ímpar para o Brasil”, a exemplo da histórica campanha “O Petróleo é Nosso” que culminou na criação da Petrobras.

Debates pelo país foram realizados pelas entidades estudantis para esclarecer o objetivo da campanha e conscientizar os brasileiros sobre a necessidade de que essa riqueza fique nas mãos dos brasileiros.

Destaque ainda para a jornada de lutas 2010, que teve papel fundamental na mobilização da rede estudantil pelos “50% do pré-sal para a Educação”. Essa foi a principal bandeira, defendida nas ruas de todas as capitais.

 

Da redação, com UNE