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| Professor Marco Antônio Raupp, presidente da SBPC |
Artigo do presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antônio Raupp*, sobre os desafios do(a) próximo(a) Presidente da República.
Diferentemente de seus antecessores, o próximo ou a próxima presidente da República poderá contar com a ciência como protagonista do desenvolvimento brasileiro. Não se trata de proposta inovadora, a ciência sempre foi um dos alicerces do crescimento econômico em qualquer lugar do mundo.
Essa possibilidade não nos ocorreu antes por razões compreensíveis. A ciência é uma atividade recente no Brasil, começou a ser feita de maneira organizada na década de 1930. Impulsos significativos ocorreram apenas a partir dos anos 1950, com a criação de agências de fomento da pesquisa, a institucionalização da pós-graduação e a expansão do sistema universitário.
Apesar de sua juventude, o ponto fundamental é que o Brasil conta hoje com um amplo e dinâmico sistema de produção científica. Temos em atividade cerca de 230 mil pesquisadores, cujo trabalho – mais de 30 mil artigos por ano, publicados em revistas internacionais – representa 2,12% da produção científica mundial. Esse porcentual coloca o Brasil em 13º lugar no ranking da ciência, à frente da Rússia e da Holanda, países com maior tradição nessa atividade. Há 20 anos nossa participação era de 0,63%.
Outro parâmetro da evolução: em 2009 o Brasil titulou 11.368 doutores, 134% a mais do que dez anos antes (4.853 em 1999).
É esse o sistema que o Brasil construiu – e que agora deve dar sua contrapartida à sociedade brasileira, principalmente porque o desenvolvimento econômico no mundo atual não pode prescindir da contribuição da ciência. Essa contribuição exige, porém, políticas públicas apropriadas, bem como a definição de um modelo de transferência do conhecimento da base científica para os setores industriais e de serviços.
De antemão, é preciso ficar claro que transferir os saberes da ciência para o setor produtivo empresarial não é função da universidade. O papel fundamental da instituição universitária é a formação de recursos humanos e a realização de pesquisa científica que contribua para a evolução do conhecimento em suas mais diferentes áreas.
Precisamos, portanto, de mecanismos específicos para a intermediação do conhecimento científico com o sistema produtivo. Nesse sentido, temos no Brasil três experiências extremamente bem-sucedidas a serem consideradas.
Nossa agropecuária é responsável por quase um quarto do produto interno bruto (PIB) brasileiro e em 2009 respondeu por 42% de nossas exportações. As pesquisas realizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estão literalmente na raiz dessa riqueza.
Temos a Embraer, a terceira maior fabricante mundial de aviões, que foi gerada no Centro Técnico Aeroespacial e no Instituto Tecnológico de Aeronáutica.
No setor do petróleo, criamos a Petrobrás, que se fez uma vencedora constante de desafios cada vez maiores graças a seu Centro de Pesquisas, o Cenpes.
Esses exemplos mostram que tivemos grande êxito quando fizemos esforços para a integração da nossa base científica e tecnológica com setores econômicos. E um dos fatores determinantes para esse êxito foi a utilização de mecanismos adequados, quais sejam, centros de pesquisa criados com finalidades específicas e desafios predefinidos.
Para cumprir sua missão, esses centros de pesquisa – sem a obrigação de ensinar, como ocorre com as universidades – dispõem das condições ideais necessárias: podem se utilizar do conhecimento já existente, adaptando-o para uma finalidade específica; podem gerar novos conhecimentos e novas tecnologias, para atender a demandas predefinidas; e, isentos de obrigações acadêmicas, têm flexibilidade para se adaptar ao ambiente produtivo empresarial.
A sugestão da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), portanto, é que os centros federais de pesquisa já existentes (a maioria com a denominação de institutos de pesquisa) sejam fortalecidos e tenham seu foco de estudo, seus objetivos e seu financiamento redefinidos em conformidade com os desafios que terão de enfrentar.
Da mesma forma, será fundamental a criação de novos institutos de pesquisa, igualmente dotados das condições para a realização de grandes projetos mobilizadores, capazes de criar novas e vigorosas vertentes na economia nacional. Fármacos e medicamentos, energia e microeletrônica são alguns dos setores em que o Brasil poderia empenhar grandes esforços visando à criação de parques industriais fundamentados na utilização de tecnologias inovadoras geradas aqui mesmo.
O desenvolvimento de tecnologias para a exploração sustentável de nossos recursos naturais, como a Amazônia e o mar, também caberia como desafio para centros de pesquisa dedicados a grandes temas.
Por esse modelo, o agente público e o privado atuam como parceiros. Vale salientar, porém, que esses centros não substituiriam a missão das empresas de realizar suas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Eles atuarão na fase pré-competitiva, gerando conhecimento científico e tecnológico que servirá de base às atividades de P&D das empresas, para que estas possam gerar produtos, serviços e processos inovadores.
Com esse conjunto de atributos e objetivos, esses centros de pesquisa serão um vigoroso instrumento de política pública para a inovação; serão uma forma de participação do governo no esforço de tornar o Brasil um país com alto desenvolvimento tecnológico; e serão também um indutor da inovação tecnológica nas empresas.
Num curto período, o Brasil organizou um sistema que contribui significativamente para a evolução do conhecimento científico. Chegou a hora da contrapartida: a ciência deve agora ser protagonista do desenvolvimento do Brasil.
*Marco Antônio Raupp é presidente da SBPC, diretor-geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos. Foi diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).
Fonte: O Estado de S. Paulo
Artigo publicado em 27/09/2010
O Conselho Universitário (Consuni) aprovou na quinta-feira, 23 de setembro, uma resolução regulamentando a reprodução, em cópias reprográficas, de livros, revistas científicas e periódicos na UFRJ
A universidade manifestou, também, por meio de moção, veemente repúdio a arbitrária invasão da Escola de Serviço Social por parte da Polícia Civil, dia 13 de setembro, quando foram apreendidos mais de 200 pastas com textos e artigos que se encontravam na fotocopiadora da Escola.
A resolução teve por fundamento o artigo 207 da Constituição Federal, o qual dispõe que "as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão" e objetivando conciliar a proteção dos direitos intelectuais de autores de obras escritas, bem como o direito à informação de estudantes, pesquisadores e docentes, decidiu pela permissão de reprodução, sem finalidade lucrativa, de trechos, como capítulos de livros e artigos de revistas ou periódicos, mediante solicitação individual e para uso próprio.
Além disso, o Conselho aprovou no artigo 2º da resolução, a reprodução integral, em cópias reprográficas, de exemplares de livros, que integrem o acervo das bibliotecas da UFRJ, desde que atenda a pelo menos um dentre quatro pré-requisitos: sejam obras esgotadas sem republicação há mais de 10 anos; obras publicadas no exterior e indisponíveis no mercado nacional; obras de domínio público, e obras nas quais conste expressa autorização para reprodução.
O Consuni autorizou ainda os docentes da UFRJ a disponibilizar material destinado às disciplinas que ministram, com vistas a reprodução reprográfica para estudantes regularmente inscritos.
Manifestações de repúdio
A Escola de Serviço Social (ESS/UFRJ) foi invadida pela Polícia Civil, sem que seus agentes portassem mandado judicial ou qualquer outro documento que autorizasse a ação da força policial. A arbitrariedade foi motivada por uma denúncia anônima de violação da lei de direito autoral.
Os agentes, acompanhados pela delegada-chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), apreenderam pastas, textos e equipamentos, insultaram estudantes, docentes e funcionários, e demovidos – por pressão destes – da intenção de prender o permissionário do serviço de fotocópias, Henrique Papa, levaram-no à delegacia, onde o interrogaram e indiciaram pelo suposto delito.
A diretora da ESS, Mavi Rodrigues, convidada a se pronunciar perante o Conselho, qualificou o ocorrido como um ataque á autonomia universitária. "Além das armas e da truculência, não portavam qualquer procedimento formal, que indicasse o direito de realizar busca e apreensão", protestou Mavi. O discurso de Mavi pode ser visto na íntegra, na filmagem da WebTV.
O conselheiro Anderson Tavares, representante do corpo discente, destacou que a necessidade de acesso a textos e livros entra em contradição com a política de propriedade intelectual. Para o conselheiro, o ocorrido na ESS explicita como o acesso a livros e textos didáticos não foi "abraçado" pela universidade como parte de sua política de assistência estudantil.
A conselheira estudantil Clara Gomide pediu voz a Rafael Lopes, representante do centro acadêmico da ESS, que, em sua manifestação, afirmou que a lei não beneficia os estudantes e, sim, à "máfia" das editoras. "Recebendo uma bolsa de 360 reais, o estudante já tem dificuldades para pagar por xérox, que dirá por livros. O curso de Serviço Social é da classe trabalhadora", destacou o estudante.
Durante a sessão, o reitor Aloisio Teixeira informou que o funcionário Henrique Papa está sendo assistido pelo Núcleo de Prática Jurídica, da Faculdade de Direito.
A Reitoria orientou a Divisão de Segurança (Diseg) a solicitar mandado judicial ou autorização da universidade a autoridades policiais e, na inexistência destes, lhes vedar a entrada nos campi. O reitor esclareceu aos conselheiros que enviou carta ao governador protestando contra a atuação da Polícia Civil e solicitou uma audiência com o secretário de segurança José Mariano Beltrame.
O Consuni aprovou, ao final da sessão, uma moção de repúdio à ação da Polícia Civil, exigindo a devolução do material apreendido.
Fonte: Bruno Franco, do Jornal da UFRJ
É pensando na necessidade de ampliar a inserção da inovação tecnológica no Brasil que se organiza em Belo Horizonte (MG) a Feira de Inovação Tecnológica (INOVATEC), entre os dias 5 a 8 de outubro. A ANPG realiza mesa de debates no evento dia 6.
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A ANPG realizará no dia 6 de outubro, quarta-feira, a mesa-redonda intitulada “Inovação e pós-graduação: um novo paradigma para a pesquisa”, com apoio da UFMG. Com a participação de parceiros dos setores públicos e privados, esta mesa fará uma discussão acerca dos limites enfrentados e as perspectivas que os estudantes podem ter como estímulo para que os trabalhos acadêmicos tenham a inovação enquanto objeto.
Alterada em 24/09, para acréscimo de informações sobre o estande
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Até 1999, 13 estados nunca haviam formado um doutor; agora, só Acre e Roraima estão fora da lista.
Universidades, públicas ou privadas, de 13 Estados brasileiros do Norte, Nordeste e Centro-Oeste não haviam formado sequer um doutor até 1999. Uma década mais tarde, esse quadro mudou bastante.
A formação de mestres e doutores nessas três regiões cresce proporcionalmente mais do que no Sul e Sudeste, elevando sua participação no mapa atual da pós-graduação e da produção científica do país, graças ao maior fluxo de recursos do governo federal e de agências estaduais de fomento à pesquisa.
A desigualdade na oferta de programas de mestrado e doutorado, contudo, persiste – fator que retarda o desenvolvimento e os avanços do sistema educacional, do nível básico ao superior.
O cenário regional revela forte concentração nos Estados mais ricos: em 2009, 79% dos pesquisadores brasileiros saíram das universidades do Distrito Federal, do Sul e do Sudeste, 15% das instituições de ensino superior do Nordeste e 6% das regiões Norte e Centro-Oeste; a mesma relação há dez anos apresentava distorção maior: 88%, 9% e 3%, respectivamente.
Demanda reprimida
Para Danielle Carusi, pesquisadora do Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento da Universidade Federal Fluminense (Cede-UFF), o atraso na criação de programas de pós-graduação e a falta de investimento nos anos 1980 reprimiram uma grande demanda no interior do país.
"Estamos num momento de retomada, o que é positivo porque descentraliza cada vez mais a formação educacional do eixo Rio-São Paulo e contribui para o desenvolvimento regional", avalia a economista.
Odenildo Sena, diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), reconhece a descentralização da aplicação de recursos federais em favor da produção de conhecimento no interior do país, mas ressalva que o momento é de "correr atrás do prejuízo".
"As melhores universidades e os melhores centros de pesquisa e de inovação tecnológica estão em São Paulo. Como competir com isso, enquanto estamos no centro da maior biodiversidade do planeta, com milhares de espécies de peixes e plantas medicinais à espera de classificação, e nos falta capital intelectual para transformar isso em conhecimento, em riqueza?", questiona.
Desigualdade histórica
Outra explicação para a desigualdade é histórica, diz Emídio Cantídio, diretor de programas e bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), agência de fomento à pesquisa do Ministério da Educação (MEC).
"A pós-graduação no Brasil é muito jovem, dos anos 1950, 1960. Começou com o nascimento das agências de fomento governamentais [Capes, CNPq e Fapesp] e se desenvolveu mais rapidamente no Sudeste, no Rio e em São Paulo, onde as universidades eram tipicamente de pesquisa."
No resto do país foi adotado um modelo de universidade focado na graduação. "Havia poucos mestres e doutores, titulação não era obrigação para dar aula. Os professores eram mais ligados ao mercado de trabalho e isso não permitia levar adiante programas de pós-graduação", lembra Cantídio, que fez parte de uma grande leva de acadêmicos brasileiros que se doutoraram no exterior nos anos 1970.
A partir desse período, os programas de pós-graduação começaram a se espalhar. Foram criadas exigências de qualificação e produção de pesquisa, seguidas primeiramente por universidades do Sul e Sudeste e, com maior atraso, por instituições do Norte e Centro-Oeste.
Universidades do século 21
Goiás, por exemplo, formou seu primeiro doutor em 2000, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, em 2006. Em Rondônia, o primeiro doutorado foi concluído há apenas dois anos, com a apresentação de uma pesquisa reconhecida internacionalmente sobre o controle epidêmico da malária na região amazônica.
Já Acre, Amapá, Tocantins e Roraima, todos com universidades particulares, estaduais e federais consolidadas, ainda não entraram nessa lista – Acre e Roraima são os únicos Estados do país ainda sem programas de doutorado em andamento. "A primeira pesquisa de mestrado no Acre começou em 2006, se leva algum tempo para chegar ao curso de doutorado", explica Cantídio.
O diretor da Capes acrescenta que um conjunto de políticas foi criado nos últimos anos para fortalecer a pós-graduação em regiões desfavorecidas, priorizando linhas de pesquisa com perfil regional e apostando no aumento da distribuição de bolsas de estudo.
O projeto federal Bolsa para Todos prevê que 100% dos doutorandos das regiões Norte e Centro-Oeste e grande parte dos mestrandos recebam auxílio no curto prazo. "Isso precisa ser impulsionado, é uma ideia que pressiona os pesquisadores e profissionais a permanecerem na região e ajuda no desenvolvimento, qualificando a demanda por investimentos produtivos", avalia Danielle.
De acordo com levantamento do Valor, com base em dados da Capes, entre os mais de 220 programas de mestrado e doutorado identificados hoje nas regiões Norte e Centro-Oeste destacam-se pesquisas interdisciplinares que associam direito, ciências agrárias, energia, planejamento urbano, diversas modalidades de engenharia, saúde e várias outras áreas a temas relacionados ao ambiente.
O único doutorado do Amapá, por exemplo, intitula-se biodiversidade tropical, curso que prepara pesquisadores e profissionais altamente qualificados para o aproveitamento sustentável da floresta amazônica. Além disso, há programas tradicionais, como ciências da computação, ciências sociais, administração e cursos na área de educação, cujo o alvo é melhorar a educação básica.
"Só é preciso tomar cuidado com a qualidade dos cursos oferecidos", pondera Danielle. A maioria dos programas de pós-graduação das regiões Norte e Centro-Oeste tem conceitos inferiores em comparação com as avaliações de qualidade dos cursos consolidados do eixo Sul/Sudeste. "Os cursos são avaliados a cada três anos, portanto é preciso esperar pela evolução", explica Maria das Graças Nascimento Silva, pró-reitora de pós-graduação e pesquisa da Universidade Federal de Rondônia (Unir).
Primeiro doutor de RO deu "muitas voltas"
A trajetória acadêmica do médico paulista Mauro Tada até o doutoramento pode ser tomada como referência para ilustrar o quadro de desigualdade regional no setor de pós-graduação e produção científica no Brasil. Em 2008, ele entrou para a história de Rondônia como o primeiro doutor titulado no Estado, mas precisou "dar muitas voltas".
Graduado pela Universidade de Brasília (UnB) em 1986 e apaixonado por medicina tropical, Tada prestou concurso e se tornou servidor público de Rondônia, onde pôde conduzir pesquisas sobre malária em Costa Marques, cidade na divisa com a Bolívia. A universidade mais próxima dali estava a mais de 500 quilômetros.
Na Secretaria Estadual de Saúde, ele dirigiu o Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem), mantido por recursos federais e de entidades internacionais. "Fui um privilegiado porque trabalhei com apoio e no maior laboratório ao ar livre para estudar malária. Não faltam recursos para a área de saúde e ambiente na nossa região, até o Bill Gates investe aqui, mas não há o mesmo interesse em outras áreas", conta Tada.
Mesmo com apoio, o pesquisador não conseguiu dar sequência aos estudos formais em Rondônia. Se deslocou para Minas Gerais para fazer uma especialização de dois anos e voltou para a UnB para o mestrado em medicina tropical, concluído em 1995. "Não havia estrutura nas universidades daqui e até hoje faltam pessoas com nível para formar novos doutores, é um processo demorado", pondera Tada.
O médico só deu início ao doutorado em 2005, desta vez em Porto Velho – a Universidade Federal de Rondônia (Unir) estava estreando a pós-graduação em biologia experimental, que atualmente abre dez vagas por ano. O primeiro trabalho de doutorado do Estado, sobre novas técnicas de controle da malária, detectou portadores assintomáticos da doença nas comunidades ribeirinhas do rio Madeira e hoje orienta políticas públicas de prevenção.
Dificuldades e "fator amazônico"
Passamos por uma série de dificuldades: o custo de vida aqui é muito alto, há problemas de comunicação com o resto do país, problemas para o levantamento da bibliografia, numa situação comum jamais podemos pensar no que eu fiz", diz Tada, em referência à segurança financeira que tem por ser funcionário público e fazer parte de um centro de pesquisas reconhecido internacionalmente.
"Um médico concursado ganha mais de R$ 9 mil e pode se virar sem bolsa, mas é difícil um biólogo ou qualquer outro pesquisador tocar o trabalho com auxílio de R$ 3 mil por mês." Atualmente, o piso das bolsas de estudo das duas principais agências de fomento federais (Capes e CNPq) é de R$ 1,8 mil e R$ 3,3 mil para programas de mestrado e doutorado, respectivamente.
Para minimizar problemas de desigualdade na pós-graduação, Tada sugere a adoção de um "fator amazônico", ou seja, um mecanismo para garantir mais recursos públicos para bolsas de estudo e fomento à pesquisa nas regiões Norte e Centro-Oeste. "É necessário que se coloque em evidência a regionalização e os gastos para cada local. Muitos pesquisadores ganham apenas para sobreviver."
Inaugurada em 1982, a Universidade Federal de Rondônia só começou a oferecer cursos de pós-graduação em 2001, com o mestrado em biologia experimental. Atualmente são oito cursos de mestrado e um de doutorado.
Segundo a pró-reitora de pós-graduação e pesquisa Maria das Graças Nascimento Silva, a Unir tem investido em parcerias com universidades do Sudeste para ampliar o quadro de professores-doutores da Unir e, assim, criar novos programas de pós-graduação e núcleos de pesquisa.
Combate à fuga de massa crítica
"Eles fazem o doutorado em universidades de fora do Estado, mas voltam para cá para darem sequência ao trabalho. O próximo passo é abrir nossos próprios cursos, já que não teremos mais fugas de massa crítica como no passado", conta ela.
Maria das Graças informa ainda que a Unir espera da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) autorização para a abertura de três novos programas de doutorado (literatura, matemática e engenharia agrária) e sete de mestrado (desenvolvimento regional, administração de empresas, psicologia, letras, ciências da linguagem, geografia e educação).
"O próximo passo é melhorar o conceito dos nossos cursos para torná-los mais competitivos em relação ao resto do país, aí sim podemos dizer que a desigualdade está sendo reduzida", afirma.
Nota da Redação do Jornal da Ciência: A reportagem acima, reproduzida do jornal "Valor Econômico", deu informação incorreta sobre os valores das bolsas de mestrado e doutorado oferecidas pelo CNPq e pela Capes. O valor correto é R$ 1.200 (mestrado) e R$ 1.800 (doutorado) e não R$ 1.800 e R$ 3.300, respectivamente.
Fonte: Jornal da CIência.
Publicado originalmente no jornal Valor Econômico, em 9/9, por Luciano Máximo
86,7% dos votantes garantiram, por meio de plebiscito oficial instituído pelo Conselho Universitário, o fim da cobrança de taxas e mensalidades das especializações lato sensu e dos MBAs
A comunidade universitária da Universidade Federal Fluminense (UFF) aprovou, por meio de plebiscito oficial reconhecido pela administração superior, o fim dos cursos pagos na instituição, inclusive cursos de especialização lato sensu e Master of Business Administration (MBA).
De acordo com a presidente da Associação dos Docentes da UFF (Aduff Seção Sindical), Gelta Terezinha Ramos Xavier, essa vitória é importantíssima para os três seguimentos (docentes, técnicos e estudantes), porque consolida a compreensão constitucional de que a universidade deve ser pública e gratuita em todos os níveis.
“Nós – docentes, técnicos e estudantes – trabalhamos juntos na construção de uma campanha pela gratuidade total dos cursos e garantimos que a UFF seja a primeira universidade do país nessas condições. Agora, queremos multiplicar a informação para estimular outras instituições de ensino superior a debaterem o assunto e adotarem a mesma medida”, afirma.
Construção democrática
O processo de plebiscito resulta de uma decisão do Conselho Universitário (CUV) de 1998 que, em atendimento às reivindicações da comunidade universitária, decidiu pela constituição de uma Assembléia Estatuinte para a elaboração da proposta do Novo Estatuto da UFF.
Decidiu também que os pontos divergentes entre os textos aprovados pela Assembléia Estatuinte e o Conselho Universitário seriam definidos pela própria comunidade universitária, por meio de plebiscito.
Na reunião ordinária do Conselho Universitário de junho de 2010, houve o entendimento de que os temas "Ouvidoria" e "Conselho Superior Único" deveriam ser excluídos do processo plebiscitário pois já existem leis maiores que regulamentam estas questões. Assim, o único tema para o plebiscito foi o texto sobre a "Gratuidade do Ensino", conforme a decisão tomada na reunião do CUV de 17/12/2008.
No caso em questão, a Assembléia Estatuinte propunha a gratuidade total, enquanto o Conselho Universitário defendia a gratuidade apenas para cursos de graduação, mestrado e doutorado. A posição da Assembléia ganhou por 86,7% dos votos, ou seja, 11.497 optaram pela gratuidade total, enquanto 1.751 membros da comunidade universitária, representando 13,2 % dos votantes, apoiaram a posição do CUV.
O plebiscito
No plebiscito, que ocorreu de 30 de agosto a 1º de setembro em Niterói e nos dias 2 e 3 de setembro nas unidades do interior, foi decidido sobre a manutenção do texto da Assembleia Estatuinte ou a instituição do texto da Comissão de Sistematização do Conselho Universitário:
– Texto da Estatuinte, Art.3°: "A UFF será regida pelos seguintes princípios: … III – da natureza pública e gratuita do ensino, sob responsabilidade da União; …"
– Texto da Comissão de Sistematização do CUV, Art. 2° §2: "O princípio da gratuidade do ensino aplica-se aos cursos de graduação e de pós-graduação stricto-sensu (mestrado e doutorado)".
A pergunta feita à comunidade da UFF foi "Você concorda que deva prevalecer o texto da Estatuinte?", com as opções: "Sim" ou "Não".
Valores
A UFF possui hoje 131 cursos de especialização lato sensu, entre especializações e MBAs, que envolvem 7,5 mil estudantes. A maioria é paga. Em alguns casos, muito bem paga.
A pós-graduação em Destística, oferecida pela Faculdade de Odontologia, por exemplo, com duração de 12 meses, requer que os alunos paguem R$ 1,1 mil. A especialização em Direito da Administração Pública sai a uma mensalidade de R$ 550, além da taxa de inscrição de R$ 100.
Há alternativas mais em conta, principalmente em cursos relacionados à formação de professores. Gratuidade completa, entretanto, é rara, mas existente. A Faculdade de Educação, na qual Gelda está lotada, não oferece nenhum curso pago e evita, inclusive, cobrar taxas de inscrição. Atualmente, oferecem nove dos 131 cursos de especialização da UFF, mas já chegaram a ofertar doze concomitantemente.
“Nossa experiência da Faculdade de Educação prova que a oferta de especializações gratuitas é perfeitamente viável. Os professores, em sua maioria, trabalham em regime de Dedicação Exclusiva. Não há razões para cobranças de taxas e mensalidades”, defende.
UFF em números
A UFF possui 2.852 professores efetivos e 4.005 servidores técnicos administrativos. São 35.599 estudantes de graduação, sendo que 6.386 estão matriculados em cursos de educação à distância, e 11.675 pós-graduandos, entre cursos de especializações, mestrados e doutorados.
Quer saber mais sobre o plebiscito da UFF? Acesse http://www.plebiscito2010.uff.br/
Da redação, com ANDES-SN e UFF
Na última quarta-feira (15/9), foi lançado o 1º Salão de Pesquisa em Pós-Graduação da UFRGS. O evento é promovido pela APG-UFRGS em parceria com a Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Universidade.
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O objetivo é possibilitar a divulgação das pesquisas desenvolvidas na Universidade, bem como, integrar pós-graduandos e docentes de todas as áreas de conhecimento e promover um amplo debate sobre a situação e os rumos da pós-graduação na UFRGS.
A expectativa é que a primeira edição do evento seja o pontapé inicial para a consolidação de um amplo debate que envolva discentes e docentes envolvidos na pós-graduação. Os trabalhos apresentados na Mostra Científica serão apresentados em Eixos Temático, como forma de fomento à interdisciplinariedade e inspirado no sucesso desta metodologia no II Salão da ANPG.
O evento funcionará a partir de 3 eixos de atividades:
a) Mesas Redondas: que contarão com a participação de discentes e docentes, promovendo a discussão sobre temas como Direitos dos Pós-Graduandos, Novo Plano Nacional de Pós-Gradual e Pós-Graduação e Docência.
b)Mostra científica: onde poderão apresentar trabalhos quaisquer estudantes vinculados aos programas e/ou cursos de pós-graduação da UFRGS.
c) Grupos de Discussão, Oficinas e Reuniões de Área: com inscrição pelo site do evento, no mesmo período dos trabalhos, estas atividades poderão ser propostas e serão incluídas na programação do evento.
O Salão é o primeiro evento promovido pela APG-UFRGS após sua refundação e a expectativa dos diretores da APG e demais envolvidos na organização é que o evento será um sucesso e terá muitas edições futuras.
Visite o site www.salaoufrgs.blogspot.com
De Porto Alegre, Gabriele Gottlieb, vice-prsidente reional Sul da ANPG e presidente da APG-UFRGS



