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As mobilizações da juventude em junho representam uma mudança na conjuntura política no Brasil e abrem uma janela histórica para a realização das reformas estruturais necessárias para garantir a soberania nacional e os direitos da classe trabalhadora, promovendo o desenvolvimento econômico com justiça social, livre do racismo, machismo e homofobia.
Construímos no começo deste ano uma articulação ampla para fazer um diagnóstico coletivo da conjuntura, promover lutas sociais para pressionar os governos e enfrentar os inimigos do povo brasileiro. Participam diversas entidades que organizam a juventude em movimentos sociais e sindicatos de trabalhadores da cidade e do campo, entidades estudantis, feministas, juventudes partidárias, religiosas, LGBT, coletivos de cultura e das periferias.
O nosso manifesto de lançamento, apresentado em fevereiro de 2013, proclamava a unidade da juventude para “avançar nas mudanças e conquistar mais direitos para juventude”. Logo depois, fizemos uma jornada de lutas em todo o país em março/abril, com a plataforma que construímos de forma conjunta.
Já havia naquele momento a expectativa de que os jovens sairiam às ruas para cobrar dos governos mais investimentos em educação, melhores condições de vida, mudanças no sistema político e respeito aos direitos. As manifestações de massa que aconteceram por todo o país, que tiveram como estopim a luta contra o aumento das passagens do transporte público, mostrou a disposição dos jovens irem às ruas exigir mudanças.
A juventude nas ruas com demandas progressistas, que implicam necessariamente o fortalecimento da classe trabalhadora, da soberania nacional e do Estado brasileiro, cria um quadro político favorável para avançar no processo de transformação do país. Nesse quadro, temos o compromisso de consolidar a unidade política, enraizando a nossa articulação nas nossas bases, intensificar o processo de luta, tendo como plataforma o nosso manifesto, e contribuir com o processo de mobilização.
Não queremos retrocessos, mas lutaremos para o país avançar. A partir de 2003, obtivemos avanços por meio da luta, em um período de crescimento econômico, com políticas sociais e distribuição de renda, porém dentro de um quadro de governo de composição de forças da burguesia e da classe trabalhadora, que tem dado sinais de esgotamento e mantém bloqueadas as reformas estruturais.
A juventude quer fazer política. Queremos casar a energia dos jovens nas ruas com o histórico de organização da classe trabalhadora. O momento é de enfrentar os inimigos do povo brasileiro, fazer pressão sobre os governos e aprofundar as mudanças.
Não queremos medidas paliativas. Precisamos de um novo modelo econômico que rompa com a herança neoliberal, assegure os direitos dos trabalhadores, retome as empresas públicas privatizadas e imponha limites para o capital financeiro.
Não bastam os discursos dos governantes. É necessário ações concretas que apontem no sentido das reformas estruturais e politizem a sociedade brasileira, tendo como motor as demandas da juventude e as lutas sociais.
Não aceitamos o discurso da “governabilidade”. O Congresso Nacional tem uma ampla maioria conservadora que, no contexto de um governo de coalizão, impede as reformas estruturais. O melhor exemplo é o recuo imposto à presidenta Dilma Rousseff depois do lançamento da proposta de realização de um plebiscito para a realização de uma Assembleia Constituinte Exclusiva para a Reforma Política, mesmo sob o calor dos protestos nas ruas.
É necessário arrebentar as amarras que impedem as transformações sociais. Os governos precisam dar um sinal claro à juventude, aos sindicatos e aos movimentos sociais de que governarão com a sociedade mobilizada em luta para fazer as mudanças.
Estamos em luta por uma Reforma Política para viabilizar as grandes mudanças e enfrentar o problema da corrupção, que tem raiz na relação do Poder Público com o capital privado, cristalizada no financiamento privado de campanhas eleitorais. Precisamos democratizar o sistema político, garantindo a participação permanente da sociedade nas grandes decisões e ampliando a presença dos jovens, trabalhadores, camponeses, estudantes, negros, mulheres e homossexuais.
Estamos em luta pela democratização dos meios de comunicação, que criminalizam os protestos e legitimam a violência policial. Lutamos por mais investimentos na educação pública, com a garantia de 10% do PIB. Lutamos pela vida da juventude que é cotidianamente alvo da violência, especialmente nas periferias das grandes cidades, defendendo a desmilitarização da PM e uma profunda reforma no sistema de segurança pública.
Ficaremos mobilizados durante todo o mês de agosto em diversas atividades. Concentraremos esforços em uma nova jornada de lutas para defender a nossa plataforma entre 28 de agosto a 7 de setembro. Faremos uma manifestação em defesa do investimento em educação pública no dia 28 de agosto. Vamos fazer protestos na frente das sedes da Rede Globo em todo o país em defesa da democratização dos meios de comunicação na última semana de agosto. Fortaleceremos a mobilização do Gritos dos Excluídos, organizado pelas pastorais e por movimentos populares, na semana do 7 de setembro. Vamos à luta, juventude, fazer as reformas estruturais para transformar o Brasil!
 
São Paulo, 3 de agosto de 2013
 
JORNADA DA JUVENTUDE BRASILEIRA*
 
ANPG; APEOESP; Central dos Movimentos Populares (CMP); Central Única dos Trabalhadores (CUT); CNTE; Coletivo Nacional de Juventude Negra – Enegrecer; Coletivo Quilombo; Coletivo Paratodos; Coletivo Sinal Livre; CTB; CUT SP; Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia (ENEBIO); Fora do Eixo; Juventude Socialismo e Liberdade (JSOL); Juventude do PT (JPT); Juventude Revolução; Levante Popular da Juventude; Marcha Mundial das Mulheres (MMM); Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST); Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); Movimento Camponês Popular (MCP); Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA); Pastoral da Juventude (PJ); Pastoral da Juventude Estudantil (PJE); Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP); Pastoral da Juventude Rural (PJR); Rede Ecumênica da Juventude (Reju); Sindicato dos Bancários de SP; União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES); União Estadual dos Estudantes do RJ (UEE RJ); União Estadual dos Estudantes de SP (UEE SP); União da Juventude Socialista (UJS); União Nacional dos Estudantes (UNE); União Paranaense dos Estudantes (UEP).
 
*Entidades que quiserem aderir à carta e participar do processo de lutas devem enviar um e-mail para [email protected]


A ANPG esteve presente!

Na última segunda feira (5) a Presidente Dilma Rousseff sancionou o Estatuto da Juventude, criando e ampliando direitos para uma parcela expressiva de nossa população. Hoje, no Brasil, os jovens, brasileiros e brasileiras na faixa de 15 a 29 anos, correspondem a mais de 51 milhões.

Entre os principais destaques dessa legislação estão o reconhecimento de direitos de acesso à cultura e ao esporte – inclusive através do direito à meia-entrada e do direito à vida e à diversidade, com o reconhecimento do direito à orientação sexual. Também é importante destacar o direito ao trabalho decente – resguardando os jovens da superexploração e da precarização do trabalho juvenil–, o direito à participação democrática, através de conselhos e outras formas de elaboração de políticas públicas.

O direito à educação de qualidade, pública e gratuita e à saúde, com atendimento integral e especializado  são outras pautas importantes a serem apreciadas. Vale citar também o direito ao usufruto do Meio Ambiente com sustentabilidade, o direito à comunicação e à livre expressão, e o direito à mobilidade urbana.

 
Além disso, o Estatuto cria parâmetros para o Sistema Nacional de Juventude, estabelecendo diretrizes e responsabilidades para os Entes Públicos no tocante à elaboração e implementação de políticas públicas de/para/com Juventude.
 
O Estatuto é, portanto, uma carta de direitos bastante avançada, que corresponde a diversos anseios da população brasileira.
 
A Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) possui representação no  Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), e esteve presente no festivo momento de sanção e em toda a longa história da tramitação deste Estatuto.
 
Foram mais de dez anos de tramitação no Parlamento, com muitos avanços e recuos. Para a ANPG, a consolidação do Estatuto tem especial importância, pois, ela recebe reconhecimento legal (Art. 23) como entidade legítima para identificação e representação dos pós-graduandos no Brasil – inclusive assumindo responsabilidade com a confecção de instrumentos de acesso à meia-entrada em eventos culturais, esportivos e de lazer.
 

 


As entidades estudantis reforçaram suas pautas exigindo 10% do PIB para a educação e o financiamento público de campanhas  

Ato de posse das diretorias da UNE e da UEE/SP Foto: André Tokarski

Nesta quinta-feira (1), ocorreu a posse das diretorias da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE SP). A posse ocorreu durante o ato, na Faculdade de Economia e Administração (FEA-USP), em defesa da reforma política com financiamento público de campanha.

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) participaram da mesa de posse. Nela, pautas frequentes do movimento estudantil foram debatidas, como o Plano Nacional da Educação, a luta por 10% do PIB para a educação e a defesa das reformas estruturais democráticas.

Neste encontro, o papel das mulheres foi significativo. Na mesa, estavam as presidentas: Nicole Mendes, da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Luana Bonone, da ANPG, Carina Vitral, da UEE/SP, Vic Barros, da UNE, e Manuela Braga, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).

O encontro foi aberto ao público, e contou com os diretores eleitos em junho deste ano durante o 53º Congresso da UNE, realizado em Goiânia (GO), e o 11º Congresso da UEE-SP, realizado em Ibiúna, no interior do Estado São Paulo.

Também estiveram presentes no ato a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos, Luana Bonone, irá assinar uma Moção de apoio à sanção do Estatuto da Juventude. O estatuto busca atender ao clamor das ruas e dos movimentos juvenis, ampliando direitos fundamentais para os jovens e a sua participação nos processos políticos e democráticos. Outras reinvindicações do texto pedem a meia-entrada estudantil em atividades culturais, o direito à profissionalização, ao trabalho, à renda e ao ensino público de qualidade nos níveis básico, superior, profissional e tecnológico.

Nesta quinta-feira (1 de agosto), a Rádio Juventude debaterá o Estatuto da Juventude, às 17h30. O debate será transmitido por Twitcan e pelo site: radiojuventude.com.br. Quem quiser assistir ao programa, poderá comparecer na rádio, localizada em São Paulo, na Rua José Bonifácio, 29 – 10 andar conjunto 102 – Próximo a Praça da Sé. A participação também será aberta via Skype ou Facebook.

Confira abaixo a moção na íntegra:

Moção de apoio à sanção do Estatuto da Juventude

As entidades abaixo assinadas, representantes de organizações juvenis e conselhos municipais, estaduais e nacional de juventude, vem a público solicitar da presidenta da república, Dilma Rousseff a sanção do Estatuto da Juventude, exaustivamente debatido e aprovado em todas as instâncias do Congresso Nacional.

A juventude brasileira sai às ruas buscando maior participação política e ampliação de direitos. A sanção do Estatuto da Juventude representa um marco nas políticas públicas de juventude e uma sinalização do Estado de que há espaço para esta imensa e criativa parcela da população na consecução de um projeto de nação que combata a miséria e torne o Brasil um país para todos os brasileiros.  O Estatuto da Juventude reúne um conjunto de direitos que constituíram bandeiras defendidas pela juventude brasileira há  décadas, expressando uma ampliação de direitos, que caminha no sentido da consolidação de um novo país, mais democrático.

O Estatuto consolida a superação dos anos de chumbo da ditadura militar e amplia a participação política ao assegurar aos jovens que ocuparam as ruas em todo o país o direito à livre organização e a participação na formulação e avaliação das políticas públicas de juventude; assegurando a criação de conselhos estaduais e municipais de juventude e apontando para a criação de um sistema nacional de juventude que atribui responsabilidades aos municípios, estados e União.

 À juventude que não se basta em consumir cultura enlatada, o Estatuto garante o direito à “livre criação, o acesso aos bens e serviços culturais e a participação nas decisões de política cultural” e ainda o direito à meia-entrada estudantil em atividades culturais, desportivas e de lazer. Aos jovens que se levantaram contra os grandes meios de comunicação, que manipulam e restringem o direito de livre expressão, o Estatuto se embasa na Constituição Federal para reafirmar o ”direito à comunicação e à livre expressão, à produção de conteúdo, individual e colaborativo, e ao acesso às tecnologias de informação e comunicação”, definindo a veiculação destes conteúdos em emissoras de rádio e TV, dado que são concessões públicas.

 Em consonância com as vozes da juventude que ocupou as ruas com a pauta da mobilidade, e com o intuito de possibilitar que os jovens conheçam melhor o Brasil, o Estatuto assegura o direito a passagens gratuitas em transportes coletivos interestaduais. Aos jovens, que são os maiores atingidos pela precarização do trabalho e pelo desemprego, o Estatuto garante “direito à profissionalização, ao trabalho e à renda, exercido em condições de liberdade, equidade e segurança, adequadamente remunerado e com proteção social”, compatibilizando trabalho e estudo.

À juventude é garantido ainda o direito ao ensino de qualidade básico, superior, profissional e/ou tecnológico, independente de sua condição econômica, social e psicomotora. O Estado deve garantir aos educadores formação adequada para combater todos os tipos de preconceito, seja religioso, de gênero, racial ou de orientação sexual.

Netos dos que lutaram contra a ditadura militar e filhos dos que conquistaram as diretas e o Fora Collor, a juventude que conquistou redução de passagens foi às ruas e às redes afirmar que quer mais. Quer melhores cidades, com direito a mobilidade urbana, a espaços culturais e desportivos, a trabalho e educação de qualidade e querem direito a vida – negado a 20 mil jovens negros que morrem anualmente por causas externas nas cidades brasileiras.

A sanção do texto aprovado no Congresso expressa uma política de Estado que atende aos anseios dos movimentos juvenis organizados e responde à mobilização dos milhões de jovens que ocuparam as ruas e as redes sociais em centenas de cidades, por um novo Brasil.
 

As conferências do Health 2.0 – se configuram como um espaço de divulgação tecnológica para a área de Saúde, e será realizada pela primeira vez em Recife, no próximo dia 8 de Agosto. O evento que reúne empreendedorismo, tecnologia e saúde acontecerá no Anfiteatro do Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco, tendo pós-graduandos da instituição na comissão de organização.
 
O evento tem início às 18h, com Coffe Break e Networking estimulado. Em seguida, os palestrantes João Bosco de Oliveira (Genomika Diagnostics) e Jaílson de Barros Correia (Secretaria de Saúde do Recife) discutirão sobre o cenário da área de Saúde para os próximos cinco anos. Depois, participarão Vinícius Coutinho (Beagle Bioinformatics), Vítor Asseituno (EmpreenderSaúde) e Raphael Gordilho (MobHapp), na mesa “Intercâmbio entre Gerações – os grandes desafios e oportunidades em empreender em Saúde”. Em seguida, será a vez do Engenheiro Eletrônico formado pela UFPE e Diretor da TecSaúde, Sérgio Lomanchisky. 
 
A programação conta ainda com apresentações gratuitas de Startups (Open Pitche). Os interessados em participar desta fase devem enviar seus projetos em Vídeo ou PowerPoint para a organização do evento.
 
As inscrições para o Health 2.0 Recife podem ser feitas até o dia 7 de agosto. Para mais informações, visite o site: http://www.health20recife.info/

A Mostra Nacional foi realizada nos dias 22 e 25 de julho de 2013 na UFPE, durante a 65ª Reunião da SBPC. A mostra congregou estudantes, pesquisadores e professores de diversas áreas, considerando os sete eixos temáticos previstos no edital: Inovação de processos e/ou produtos; Políticas e ações de fomento à inovação; Experiências exitosas em inovação;  Inovação: conceito e crítica nas ciências humanas; Experiências e propostas em divulgação científica; Inovação e desenvolvimento sustentável;  Inovação: conceito, crítica e processos de criação em arte e linguagem. 

A ANPG agradece e valoriza cada participante que  partilhou sua experiência, abrilhantando o nosso evento e promovendo a divulgação científica. O cadastro da publicação na Fundação Biblioteca Nacional se encontra com o número ISBN 978-85-61839-13-0.
 

A Associação Nacional de Pós-Graduandos abre espaço para discutir as políticas de bolsas de pesquisa e o investimento em ciência de base durante o seu evento sobre divulgação científica

Apresentação musial dos Meninos do Coque durante mesa de abertura do 3º Salão da ANPG Fotos: Luiz Fabiano/ANPG
Na semana passada, entre 22 e 26 de julho, a ANPG completou as suas atividades no 3º Salão Nacional de Divulgação Científica, parte da programação da 65ª Reunião Anual da SBPC, sediado na Universidade Federal de Pernambuco. O salão foi realizado com o viés de promover o debate sobre a divulgação científica entre professores universitários, pós-graduandos, estudantes de todos os níveis de ensino e a comunidade em geral. A ANPG aproveitou o encontro para discutir a popularização do conhecimento e apresentar pautas e reinvindicações aos representantes das instituições públicas presentes no evento.

A associação entregou ao ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, e ao presidente da Capes, Jorge Guimarães, um ofício em defesa da ciência de base e da valorização da pesquisa. O documento critica os privilégios do setor financeiro e reclama por maior investimento em ciência básica, além de mais atenção para a indústria de transformação. 
Presidenta da ANPG entrega ofício ao Ministro da C,T e I, Marco Antônio Raupp  Foto: ANPG
 
No ofício, a ANPG ressalta que é preciso “aumentar a quantidade e a qualidade das bolsas de pesquisa, para que os pesquisadores em formação tenham tranquilidade para desenvolver bons projetos e garantir um bom nível de produção cientifica”. Para tanto, defende um reajuste das bolsas de pesquisa acima do valor da inflação em 2014 e uma política de valorização permanente das bolsas, em conjunto com uma maior distribuição do benefício, além de um investimento de pelo menos 2% do PIB em ciência, tecnologia e inovação.
 
ANPG e União dos Estudantes de Pernambuco entregam o ofício ao presidente da Capes, Jorge Guimarães
 
Na tarde do segundo dia do salão (23 de julho), a ANPG somou-se aos outros movimentos estudantis – União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e APG-PE  – nas ruas da universidade para pedir pelo “passe livre no busão, na ciência e na educação”. A reinvindicação pedia transporte público de qualidade e políticas de passe-livre; pela popularização da ciência e por qualidade da educação em todos os níveis.
 

Movimentos estudantis unidos nas ruas da UFPE pelo "passe livre no busão na ciência e educação"
O 3º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG promoveu debates que contemplaram seu tema central, “Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Soberania Nacional”. Todos os dias, ocorrem atividades paralelas no salão, como as exposições da Mostra Científica – com o propósito de difundir e reconhecer trabalhos acadêmicos –, as oficinas da Capes, do CNPq e da Porto Digital, os minicursos sobre empreendorismo e gestão da inovação do Sebrae. 
 
Ao fim do salão, a presidenta da ANPG congratulou todos os participantes e organizadores: “Parabéns a todos e todas que participaram da organização , que foram aos debates e que ajudaram a dar riqueza e cores a mais esta edição do salão. É importante enfatizar que nós conseguimos aprovar pautas importantes como priorizar a discussão sobre um Estatuto de direitos dos pós-graduandos, a ser aprovado no CONAP em outubro. Além de termos apresentado ao ministro do MCTI a necessidade de um novo reajuste das bolsas de pesquisa em 2014 ”. 
 
Paralelo ao Salão, a ANPG realizou também o I Seminário de Formação de Pós-Graduação em Saúde na UFPE, sob a coordenação da secretária geral da ANPG, Jouhanna Menegaz. Tão grande foi o número de participantes no seminário que alguns deles tiveram que assistir os debates do lado de fora da sala – evidenciando a importância de organizar debates integrados nas áreas da saúde. 
 
Jouhanna Menegaz, organizadora do seminário, e o debatedor Mozart Sale, secretário da (SGTES/MS)
 
A ANPG também participou de uma mesa redonda em parceria com a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (ADUFEPE), no dia 25. Estavam na mesa Fábio Paiva, coordenador do Fórum de Educação Básica da ANPG, Roberto Nunes, diretor de comunicação da ANPG, Elisangela Lizardo (PUC/ SP) e Ruy de Deus Mello Neto (USP-Havard)  para discutirar a “Educação e Escola: Ensino Ciência e Cultura nas Instituições escolares Brasileiras ”.  A mesa procurou debater como a universidade e a pós-graduação podem oferecer maior contribuição para a educação básica.
 
 
Fábio Paiva, Roberto Nunes e Elisangela Lizardo na mesa sobre educação e escola,em parceria com a ADUFEPE
 
Conforme a programação do salão, houve apresentações culturais, como o cortejo de rua, com os bonecos de Olinda, a música dos Meninos do Coque e as danças ciganas para celebrar o encontro em conformidade com algumas tradições da cultura pernambucana. 
 
Cortejo dos bonecos de Olinda, no dia 22
 
  
Apresentação de dança cigana, durante o 3º Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG
 
 

 

Durante debate promovido pela ANPG, discute-se a importância de atentar para os processos de popularização do conhecimento
 
                          Professor Ildeu de Castro Moreira, Lenilton Silveira e Tamara Naiz, da ANPG, e Daniel Ferraz Chiozzini
 
Nesta quinta-feira (25), a Associação Nacional de Pós-Graduandos realizou o debate “Inovação social, popularização do conhecimento e desenvolvimento humano” na Universidade Federal de Pernambuco. O encontro foi parte do 3º Salão de Divulgação Científica da ANPG, paralelo à 65ª Reunião Anual da SBPC. Os convidados, o professor representante da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, o docente da PUC-SP, Daniel Ferraz Chiozzini, e os mediadores, Tamara Naiz e Lenilton Silveira, concordaram que a inovação não se limita à inovação de produtos no mercado, mas, muito mais expressiva que isso, baseia-se em processos de popularização do conhecimento e evolução da estrutura social.

O representante da SBPC, Ildeu  de Castro, elogiou a atuação da ANPG no que se refere ao debate sobre a educação no Brasil – que não se restringe apenas aos pós-graduandos, discutindo e defendendo o acesso à educação, no geral, junto aos outros movimentos sociais. Para ele, a inovação não se realiza apenas nas indústrias e empresas, mas, nos ministérios, secretarias e instrumentos de transformação social. 

 
“A tradição geral do empresariado é fazer o que sempre fizeram”, comentou o debatedor, “expropriar uma parte dos recursos públicos para o núcleo interno, em vez de inovar.” Ele critica o investimento público exorbitante para fins privados, como os estádios de futebol erguidos para a Copa. “Precisamos inovar radicalmente a nossa educação”, reforça, “isso é inovação social. O microscópio tem 300 anos e o telescópio 400. Ainda assim, há escolas que não têm essas coisas e professores que nunca as viram. São inovações fundamentais.”
 
Como exemplo de inovação social efetiva, ele citou a colaboração entre Brasil e Moçambique, durante a gestão do ex-presidente Lula, quando o país levou para lá um centro tecnológico para produzir vacinas, em vez de vendê-las ou doá-las, como é de praxe entre os países desenvolvidos.
 
Já o professor Daniel Chiozzini destacou a importância de se descentralizar instituições do saber. “Museus e centros de ciência devem estar na periferia”.  Ele disse, ainda, que seria interessante agregar as ciências humanas nos centros de ciências, e “descontruir a imagem da ciência redentora e salvacionista.”
 
Lenilton Silveira, mediador da ANPG, acrescentou a importância de se unificar as ciências exatas e biológicas às humanas, investir em ambas e torná-las acessíveis. Tamara Naiz, também mediadora, questionou: “Para que e para quem serve a inovação?” Professora de história da rede pública, emocionou-se ao contar que muitos de seus alunos começam a trabalhar e abandonam a escola definitivamente. “Hoje, a inovação serve para a manutenção desse estado de coisas. A ciência tem que ser popularizada. Ela tem que ser apropriada pela população.”
 
Ela concluiu sua fala citando o poema uruguaio Defesa da Alegria, de Mario Benedetti:
 
“Defender a alegria como uma trincheira
defendê-la do escândalo e da rotina
da miséria e dos miseráveis
das ausências transitórias
e das definitivas
 
defender a alegria por princípio
defendê-la do pasmo e dos pesadelos
assim dos neutrais e dos neutrões
das infâmias doces
e dos graves diagnósticos (…)”
 

 

O documento também foi entregue ao presidente da Capes, Jorge Guimarães
 
Presidenta da ANPG, Luana Bonone, e Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp
 Foto: Alline Magalhães/ ANPG



Na terça-feira (23), o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, assinou o Manifesto em defesa da ciência de base e da valorização da pesquisa, elaborado pela ANPG, com pautas referentes à valorização permanente das bolsas de pesquisa em todos os níveis de ensino e a um investimento em ciências e tecnologias equivalente a 2% do PIB. O ministro foi conferencista de um dos eventos promovidos pela ANPG na 65ª Reunião Anual da SBPC, em Recife. No mesmo dia, após uma passeata pacífica pela educação, a ANPG entregou o mesmo documento ao presidente da Capes, Jorge Guimarães. 
 
 
ANPG e União dos Estudantes de Pernambuco entregam documento ao presidenta da Capes, Jorge Guimarães  
Foto: Luiz Fabiano/ANPG
 
O ministro Marco Raupp falou sobre Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Soberania Nacional.  A mesa da conferência foi composta ainda pela presidenta da ANPG, Luana Bonone, e pelo reitor da UFPE, Anísio Brasileiro. "A universidade deve ser repensada", disse o ministro, "os cursos estão dissociados da realidade. O ensino é um meio para se chegar ao aprendizado." O conferencista enfatizou que para transformar a ciência e a educação é necessário interferir em várias áreas: organização básica, legislação, análise das metodologias tradicionais do ensino, formação de professores e etc. Além disso, apontou as universidades públicas como grandes centros de produção de conhecimento científico e inovação.
 
Valorização das bolsas
Diante da pauta de valorização permanente das bolsas de estudo, o ministro respondeu que “bolsa de estudo não é salário e, por isso, não pode ser permanente”. * Mesmo assim, assinou o documento que defende maior valorização das bolsas através da aprovação de um mecanismo de reajuste permanente que, ao mesmo tempo em que impeça a defasagem por conta da inflação, consiga elevar o seu valor real para suprir a defasagem histórica.
 
A presidenta da ANPG, Luana Bonone, mencionou as perspectivas defendidas pela ANPG para o código da ciência e disse que as manifestações clamam por avanços: “É um respaldo popular para promover transformações, melhorias de serviços públicos, mais qualificação.” 
Passe livre
 
Entidades estudantis protestando na UFPE 
UBES, UNE, UEP e ANPG protestam na UFPE   Foto: Luiz Fabiano/ ANPG
 
A importância de levantar uma das principais bandeiras da ANPG demonstrou-se crucial nesses últimos dias, nos quais acontece a 65ª Reunião Anual da SBPC.  A União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a ANPG reuniram-se nas ruas da Universidade Federal de Pernambuco para reivindicar uma pauta comum, conforme cantavam: “passe-livre no busão, na ciência e educação”. 
 
Durante todos os dias desta semana, a ANPG está promovendo o seu 3º Salão Nacional de Divulgação Científica, como parte da programação oficial do evento da SBPC.  A maior parte das nossas atividades está concentrada no Centro de Ciências Biológicas da UFPE.  Conferência, debates, oficinas, Mostra Científica, I Seminário de Formação de Pós-Graduação em Saúde, apresentações musicais e de danças estão inclusos na programação.