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Na última sexta-feira (30) as Associações de Pós-Graduandos (APGs) da Unicamp entregaram ao presidente da CAPES, professor Jorge Guimarães, um porquinho com moedas colhidas durante os protestos realizados na universidade pelo reajuste das bolsas de pesquisa. A doação tem o jocoso objetivo de complementar as verbas governamentais para garantir um reajuste, já que as bolsas de mestrado e doutorado estão com valor congelado há mais de três anos – já são 1.222 dias nesta quarta-feira (4). Considerando apenas a inflação acumulada do período, a defasagem chega aos 18%.

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Confira as imagens do diretor da ANPG Marcelo Fabiano, que é também integrante do movimento de pós-graduandos da Unicamp (Pró-pós), entregando a irreverente doação ao presidente da CAPES:

Veja mais fotos no perfil do Facebook de Gustavo Shimizu.

Da redação

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) fazem, nesta quinta-feira (29), um ato em favor da destinação de parte dos royalties do pré-sal para ciência, tecnologia e inovação. As entidades defendem a proposta abraçada pelo ministro Aloizio Mercadante (MCTI), de destinação de 30% dos royalties para Educação e 7% para Ciência, Tecnologia e Inovação. A ANPG participa do ato, embora mantenha a campanha iniciada em 2009, em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira ds Estudantes Secundaristas (UBES), pela destinação de 50% das verbas do fundo social do pré-sal para Educção, Ciência e Tecnlogia. A bandeira das entidades estudantis tem força no Senado.
 
O evento será às 15h, no plenário 1 do anexo 2 da Câmara dos Deputados, em Brasília. Foram convidadas entidades educacionais, científicas e empresariais, ministros, deputados e senadores.
 
A SBPC e a ABC, em conjunto com o próprio ministro Aloizio Mercadante, pautam que sejam destinados pelo menos 7% do montante dos roialties para o orçamento da ciência nacional.
 
As regras da divisão dos lucros gerados pela exploração de petróleo na camada do pré-sal, descritas no projeto de lei 8.051/2010 e apresentadas pelo deputado Fernando Jordão (PMDB-RJ), estão na pauta de votação na Câmara dos Deputados.
 
O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) apresentou uma emenda que garante a destinação de 50% das verbas do fundo-social do pré-sal para Educação. A pedido da ANPG, o senador concordou em incluir ciência e tecnologia neste percentual. A emenda tem força no Senado que, por proposta do senador Cristóvão Buarque (PDT-DF), deve aprovar, ainda, a vinculação de 80% desses recursos da educação para investimento na educação básica.
 
Duas boas propostas
 
Para a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, a aprovação de qualquer ds duas propostas significaria um grande avanço em termos de investimentos em educação e ciência e tecnologia no país. Elisangela considera muito salutar a inserção das sociedades científicas na luta pelos recursos do pré-sal, como as entidades representativas dos estudantes já fazem desde 2009, e acredita em vitória: "a defesa da vinculação de recursos do pré-sal para educação e ciência e tecnologia é uma pauta urgente e que convenceu a maioria do Congresso Nacional, então a perspectiva de uma vitória nesta votação é muito boa", avalia a presidente da ANPG.
 
A SBPC e a ABC também organizam um abaixo-assinado pela internet. O link do documento, que pode ser assinado pela internet, foi enviado para mais de cem sociedades científicas, dentre as quais a ANPG, que é a 99ª entidade filiada à Sociedade. "Estamos pedindo um percentual que é extremamente viável", disse Helena Nader, presidente da SBPC. 
 
O receio das entidades é em relação à postura da presidente Dilma Rousseff, que é contra qualquer tipo de vinculação, especialmente  se não houver um prazo de validade da Lei, sob pena de engessar os recursos provenientes da exploração do petróleo na camada pré-sal. Entidades e parlamentares buscam uma solução mediada junto à Presidência da República.
 
Da redação, com informações da Agência de Notícia Jornal Floripa

A pedido da comissão pró-APG da Universidade Federal do Ceará (UFC), o deputado Federal Chico Lopes (PCdoB-CE) fez um pronunciamento em apoio à campanha dos pós-graduandos pelo reajuste das bolsas de pesquisa. Em sua intervenção, o deputado declarou que a reivindicação dos pós-gradundos é "mais do que justa", além de "necessária e urgente para o progresso acadêmico e científico brasileiro".

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Confira a íntegra do pronunciamento:

 

Senhor presidente,

Senhoras deputadas, senhores deputados,

Venho a esta tribuna hoje para falar de uma importante luta dos estudantes brasileiros e de nossa comunidade acadêmica. Um movimento que ganha dimensão nacional, na tentativa de fazer valer sua reivindicação, que acreditamos ser mais do que justa: necessária e urgente para o progresso acadêmico e científico brasileiro.

Desde o dia 19, até esta sexta-feira, a 23 de setembro de 2011, todos os pós-graduandos do Brasil estarão organizados nas suas diferentes universidades, reivindicando o reajuste imediato das bolsas de mestrado e doutorado.  Essa reivindicação não é pautada apenas pelo corporativismo, mas passa pelo projeto de um País soberano também em Ciência,Tecnologia e Inovação, áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico.

Não há como discutir avanços nessas áreas estratégicas e produção científica qualificada sem falar do papel de uma pós-graduação de qualidade, capaz de formar mestres e doutores capacitados nas suas diferentes áreas de atuação.  E não há como falar de uma pós-graduação de qualidade, sem falar de uma política permanente de valorização das bolsas de pesquisa.

Essas bolsas, senhor presidente, senhoras e senhores deputados, já acumulam três anos sem reajuste por parte da CAPES e do CNPq, que hoje pagam a seus pós-graduandos, respectivamente, R$ 1200,00  e R$ 1800,00, menos do que três salários mínimos. Para se ter uma ideia da deterioração real desse valor, a mesma bolsa equivalia a 4,34 salários em junho de 2008.

Já são 1.206 dias sem reajuste! Desde então, a inflação acumulada soma 17,56%. Segundo os cálculos do Dieese de agosto de 2011, o montante necessário para um trabalhador e sua família suprirem as despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência é R$ 2.278,77. Segundo o IBGE, profissionais que concluíram graduação ganham, em média, 7,8 salários mínimos (R$ 3.642), enquanto os pós-graduandos, que se esforçam para ir além e contribuir com a pesquisa científica e o progresso acadêmico, recebem de R$ 1.200,00 a R$ 1.800,00, valores em claro descompasso e grande contradição.

Assim como lutamos e conquistamos uma política de valorização real do salário mínimo,precisamos consolidar uma política de reajustes reais e regulares para as bolsas de pós-graduação, se quisermos ter pesquisadores compromissados e com condições dignas de se dedicar a suas atividades.

Para que as metas do Plano Nacional de Pós-Graduação 2005-2010 fossem cumpridas, o valor atual da bolsa de mestrado deveria ser R$ 1.672,16 e a de doutorado R$ 2.479,78. Isso significa um reajuste de quase 40% dos valores atuais. Se queremos avançar para nos tornar uma economia forte, com protagonismo na conjuntura e no mercado internacional, precisamos nos somar a essa luta dos pós-graduandos, representados por sua Associação Nacional, a ANPG. Porque o Governo Lula, em seus oito anos, deixou grandes conquistas e vitórias para a comunidade acadêmica, impulsionando o ensino, a pesquisa e a extensão de modo inédito, investindo na infraestrutura dos campo, valorizando os professores, criando novas universidades e arregimentando mais e mais alunos, colaborando para uma maior democratização do Ensino Superior. Esse movimento positivo precisa se refletir, também, em melhores condições para os pós-graduandos, agora no Governo Dilma. Essa causa, além de justa pra com os nossos pesquisadores, é fundamental para o avanço da ciência e do desenvolvimento em nosso País.

Era o que tinha a dizer.


Chico Lopes

Deputado federal – PCdoB-CE 

 

Confira as imagens da mobilização ocorrida nessa sexta-feira (23). A campanha de bolsas continua nessa semana com a intensificação da enxurrada de e-mails para as autoridades. Saiba como participar clicando aqui.

Veja o que rolou nas universidades na Semana Nacional de Mobilização pelo Reajuste de Bolsas Já:

Confira as imagens do ato na UFSCar realizado nessa sexta (23):

Fotos: Álbum postado no perfil do facebook de Raquel Negrão, pós-graduanda da UFSCar.

Após o sucesso da “Semana Nacional de Mobilização pelo Reajuste das Bolsas Já!”, a campanha conitnua com novas ações. Com a justa pauta de reajuste imediato das bolsas de mestrado e doutorado Capes e CNPq, congeladas há 3 anos, nesta semana (26 a 30) a campanha se concentrará na enxurrada de e-mails para autoridades com a pauta do reajuste. Segue abaixo um modelo de e-mail (fique à vontade para escrever o seu próprio texto) e os endereços de quem queremos pressionar. 
 
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Corte, cole e envie. Contribua com a campanha!
  
Linha de Assunto: Campanha pelo Reajuste de Bolsas Já!
 
Exmo.(a) Sr(a) Nome da autoridade
Cargo 
 
Escrevo para reivindicar o reajuste imediato das bolsas de mestrado e doutorado no país, com valor congelado desde 2008. Apoio e faço parte da "Campanha Nacional pelo Reajuste de Bolsas Já!", organizada pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).
 
ASSINATURA
Atividade que exerce e/ou instituição em que faz pesquisa
 
Endereços de e-mail sugeridos:
 
Excelentíssima Senhora Dilma Rousseff
Presidenta da República
ATENÇÃO! Não é possível enviar e-mail direto. É preciso acessar o formulário disponível neste link e colar lá a sua mensagem. 
 
Exmo. Sr. Aloizio Mercadante
Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)
 
Exmo. Sr. Fernando Haddad
Ministro de Estado da Educação (MEC)
 
Ilmo. Sr. Glaucius Oliva
Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
 
Ilmo. Sr. Jorge Guimarães
Presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
 
 
Participe!
 
Baixe materiais da Campanha de Bolsas 2011
Assine e divulgue o abaixo-assinado online pelo #reajustedebolsasja
Siga a ANPG no Twitter (@anpg) e no Facebook (Associação Nacional de Pós-Graduandos)
Repercuta as ações da campanha e dissemine informações sobre o reajuste. Utilize sempre a hashtag #reajustedebolsasja
Envolva todos os seus contatos na campanha
 
ANPG
 

 

Foto: Renato Araújo/Ag. Brasil
Deputados durante sessão de votação da regulamentação da emenda constitucional 29, promovida pelo Projeto de Lei 306/2008.
O diretor de Saúde da ANPG, Pedro Tourinho, participa, nesta terça-feira (27), de um ato no Congresso Nacional mobilizado pelo movimento Primavera da Saúde. A pauta é 10% da receita corrente burta da União para a Saúde, como previsto no projeto original da Emenda Constitucional 29 (EC-29), elaborado pelo Senado. O objetivo é garantir aumento dos recursos para a pasta, diferente do que ocorreu na Câmara dos Deputados. O ato será a partir das 10 horas desta terça, com entrega de flores aos senadores, e também à presidente Dilma Rousseff.
 
O encaminhamento do projeto que regulamenta a EC-29 ao Senado transforma a “Grande Festa da Primavera da Saúde”, marcada para o dia 27 de setembro, em Brasília, em um ato ainda mais indispensável na defesa do Sistema Único de Saúde, avalia Gilson Carvalho, médico pediatra e de saúde pública. Além da atividade em Brasília, a Primavera da Saúde será marcada também por atos-festa em diversas regiões do país. 
 
O projeto de Lei que regulamenta a Emenda Constitucional 29 foi aprovado na Câmara dos Deputados, após três anos parado naquela Casa. Entretanto, a redação com a qual o projeto retorna ao Senado Federal para deliberação definitiva retira cerca de 7 bilhões em recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), informa Gilson Carvalho. 
 
A votação começou com apreciação do destaque do DEM que retirava do projeto a definição da base de cálculo da Contribuição Social para Saúde (CSS). Sem essa base de cobrança, a CSS não poderá efetivada. Assim, foi aprovado um projeto que mantém a forma de financiamento atual com um agravante: os Estados conseguiram tirar dos 12% de sua base de cálculo o equivalente aos recursos do Fundeb. Assim, a Saúde perde R$7 bi. Nos discursos, que se repetiram no Plenário, parlamentares de vários partidos se posicionaram contrários à criação de mais um imposto, o que apontava para o resultado final da votação. 
 
O diretor de Saúde da ANPG e integrante do Conselho Nacional de Saúde pela entidade, Pedro Tourinho, diz que as entidades que participam da Primavera da Saúde apoiavam a medida proposta de aplicação da CSS. Entretanto, diante da derrota na Câmara, a proposta que unifica o movimento social é a defesa do projeto originalmente elaborado pelo Senado, que propõe a destinação de 10% da receita corrente bruta da União para a pasta. "Se a garantia desse índice será feita por meio de redução de juros, pelo estabelecimento de um imposto sobre grandes fortunas, pelo aumento da taxação sobre produtos que oneram o Sistema Único de Saúde, isso é algo que o governo terá que resolver", avalia Pedro. Para ele, uma taxação progressiva – como a CSS ou o imposto sobre fortunas – é uma boa alterantiva, mas o central agora é garantir o aumento dos recursos da saúde, por isso o fundamental é garantir uma vinculação orçamentária conforme proposto pelo projeto original da EC-29.
 
Tal situação torna a manifestação desta terça-feira (27), assim como atos em todo o país de apoio à bandeira de mais recursos para o SUS mais imprescindível do que antes, avalia o médico pediatra e de saúde pública Gilson Carvalho. Estão sendo convocados todos os integrantes do Conselho Nacional de Saúde, assim como conselhos e secretarias estaduais e municipais, entidades dos movimentos sociais e “todos os defensores da saúde pública”. 
 
Engavetamento à vista
 
O receio do médico Gilson Carvalho é que o governo trabalhe para atrasar a tramitação do projeto por conta da polêmica acerca de um novo imposto. Segundo agências de notícias, os líderes aliados detectaram um movimento na base e na oposição para que o Senado ressuscite o mecanismo que obriga a aplicação de 10% da receita corrente bruta da União no setor. Essa vinculação injetaria muito mais recursos no setor do que o Planalto está disposto a despender. “Não há hipótese de o governo aceitar o restabelecimento dos 10%”, afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). “Não interessa ao governo votar esse projeto agora”, resumiu o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).”
 
Por outro lado, a oposição insiste na tecla de não criar nova fonte de recursos, contrariando o discurso da presidente Dilma Rousseff, que vem defendendo em diversas ocasiões a importância de garantir mais recursos para a saúde. “Não nos venha com a idéia de criar imposto novo ou nova receita para financiamento da saúde. Não precisa. Um país que fala em trem-bala para beneficiar uns poucos não tem autoridade moral para falar em mais recursos para a saúde”, declarou o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN). Até mesmo dentro da base aliada, há quem já tenha declarado ser favorável aos 10%, como o petista gaúcho Paulo Paim. “Como existe essa possibilidade de os 10% voltarem, vão empurrar o projeto com a barriga para o ano que vem”, prevê Paim. Outro problema para o Planalto é que o projeto do Senado prevê ainda mais gasto adicional, desta vez para os estados – que poderiam pressionar a União a repassar mais recursos para os governos estaduais.
 
A saúde em números
 
O Brasil ocupa a 72ª posição no ranking da Organização Mundial de Saúde (OMS) de investimento em saúde, quando a lista é feita com base na despesa estatal por habitante. Os diversos governos gastam, juntos, uma média anual de US$ 317 por pessoa, segundo a última pesquisa da OMS, com dados relativos a 2008.
 
O desempenho brasileiro é 40% mais baixo do que a média internacional (US$ 517). A liderança do ranking de 193 países pertence a Noruega e Mônaco, cujas despesas anuais (US$ 6,2 mil por habitante) são vinte vezes maiores do que as brasileiras. Apesar de o Brasil possuir a maior economia da América do Sul, três países do continente se saem melhor nesse quesito: Argentina, Uruguai e Chile.
 
As despesas a partir de convênios particulares movimentam mais do que o dobro das finanças do Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS é gratuito e atende os 190 milhões de brasileiros. Os planos privados beneficiam um quarto da população brasileira.
 
Da redação, com informações do Blo Primavera da Saúde e agências
 
Esta semana deverá ser decisiva para a definição da forma como serão distribuídos os royalties do petróleo. Enquanto o governo aposta num acordo em torno do relatório do senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) sobre o PLC 16/10, que aguarda inclusão na ordem do dia do Plenário, diversos senadores de regiões produtoras e não produtoras articularam suas propostas para garantir a participação de seus estados ou áreas de interesse na divisão dos recursos.A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a ANPG lutam para garantir vinculação de verbas do pré-sal para educação, ciência e tecnologia.
 
Lançada em outubro de 2009 pela ANPG em conjunto com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a bandeira de 50% das verbas do Fundo Social do pré-sal para a educação tem força no Senado. A emenda do Senador Inácio Arruda que representa a proposta dos estudantes tende a ser aprovada, desde que 80% do recurso seja destinado à educação básica, conforme acordo de líderes. Logo no começo da campanha, a ANPG pautou que a bandeira fosse por 50% do fundo social do pré-sal para educação e ciência e tecnologia, e permanece dialogando com o movimento para a garantia desta pauta.
 
Abaixo-assiando da SBPC e ABC
 
Neste mês de setembro a SBPC e a ABC passaram a mobilizar, com o apoio do Ministro Aloizio Mercadante (Ciência, Tecnologia e Inovação) uma outra campanha, que agrega esforços no sentido de garantir a vinculação de recursos provenientes da exploração do petróleo na camada do pré-sal para as pastas de educação e ciência, tecnologia e inovação. A SBPC e a ABC lançaram um abaixo-assinado com o objetivo de assegurar uma parte dos recursos do petróleo extraído da camada do pré-sal para educação, em ciência, tecnologia e inovação. Para assinar o abaixo-assinado, clique aqui.
 
O presidente do Senado, José Sarney, definiu o dia 5 de outubro como data-limite para o exame do veto do Executivo ao artigo 64 da Lei do Pré-Sal (Lei 12.351/2010), que trata do assunto. O governo quer evitar a derrubada do veto, o que representaria a distribuição dos royalties entre todos os estados e municípios, de acordo com os critérios do respectivo Fundo de Participação, ocasionando perda significativa na arrecadação dos estados e municípios produtores.
 
A proposta negociada pelo governo garante aos estados produtores, principalmente Rio de Janeiro e Espírito Santo, uma quantia próxima daquilo que já recebem anualmente: R$ 12 bilhões (valor estimado para em 2012). Além disso, o governo abriria mão de 4% sobre o percentual recolhido em participação especial.
 
Da redação, com Agência Senado e  Jornal da Ciência
 

Confira as oito imagens enviadas pela Associação de Pós-Graduandos da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (APG-UENF) para ilustrar a mobilização realizada na universidade para divulgar a Semana Nacional de Mobilização pelo Reajuste de Bolsas Já! Houve mobilização na sua universidade também? Envie fotos, vídeos e/ou informações para [email protected].

A campanha de bolsas continua, assine o abaixo-assinado pelo reajuste!

Diretores da APG-UENF divulgama  campanha de bolsas em seminários da universidade.
Comunidade universitária nadere à campanha de bolsas com assinaturas em mural instalado pela APG-UENF.

 

A movimentação nos corredores da universidade garantiu a divulgação da campanha entregraduandos e pós-graduandos na UENF.
Estudante deixa sua mensagem em apoio à campanha pelo reajuste das bolsas de mestrado e doutorado.
Estudantes que participavam de seminários conheceram a campanha de bolsas por meio de divulgação feita pela APG-UENF.
Além da divulgação em seminários e pelos corredores, foram afixadas faixas no campus universitário.
A faixa chamou a atenção na principal rua da universidade.
Os cartazes com apoios à campanha foram espalhados pela UENF.

 

Encerrando a Semana Nacional de Mobilização e dando conitnuidade à Campanha pelo Reajuste de Bolsas Já, organizada pela ANPG em conjunto com APGs de todo o país, diretores e colaboradores da ANPG conversam com o Ministro Fernando Haddad (MEC), na câmara municipal de São Paulo nesta sexta-feira (23) à noite.

O Ministro reconheceu que existe defasagem nos valores: "já faz tempo que não aumenta, né?".

Nesta sexta também, as APGs da UFScar e da USP de Ribeirão Preto realizaram manifestações pelo reajuste de bolsas. Em Ribeirão Preto a APG iria entregar a pauta de reajuste ao presidente do CNPq, Glaucius Oliva, que estraia na universidade.

O diretor da ANPG Thiago Custódio (na foto), em conjunto com os pós-graduandos Márcio Ortiz Meinberg (PUC-SP) e Marcelo Arias (APG-USP), além da graduanda Eleonora Rigotti, também da USP (na foto), apresentaram a pauta pelo reajuste de bolsas ao ministro Fernando Haddad durante atividade na Câmara Municipal de São Paulo nesta sexta-feira (23) à noite. 

Da redação

 

Alguma vez você já assistiu ou leu uma matéria de jornal falando sobre algum avanço científico realizado em alguma universidade brasileira e notou que, ao falar do autor desse avanço, o jornal se referiu a ele como "pesquisador", não como "professor"? Normalmente quando isso ocorre o tal pesquisador é um aluno de mestrado ou doutorado naquela universidade.
 
Por APOGEEU*
 
Com a exigência cada vez maior do aumento de qualidade e de eficiência na universidade o trabalho de um professor tem ficado mais e mais corrido. Ele precisa preparar aulas para graduação e pós-graduação, preparar e revisar artigos, participar de comitês científicos, desempenhar funções administrativas dentro da universidade, orientar seus alunos de mestrado e de doutorado e manter-se atualizado sobre os mais recentes desenvolvimentos científicos em sua área de atuação. Tantas tarefas a serem feitas em tão pouco tempo, junto com uma crescente demanda pela publicação de trabalhos (a chamada política do "publique ou pereça"), fazem com que a função de um professor seja cada vez mais a de um líder de grupo de pesquisa do que a daquele velho cientista solitário. Nessa posição de líder, cabe ao professor definir as frentes que serão abordadas pelo grupo e orientar em algumas das decisões de como as pesquisas serão feitas, ficando a cargo de seus alunos (especialmente os de pós-graduação) o papel de desenvolver o estudo em si através de profundos levantamentos bibliográficos, projetos de experimentos, muitos e muitos dias em laboratório e, por fim, a apresentação dos resultados obtidos. Esta situação é tão real que atualmente é considerado quase impossível que um professor tenha relevantes trabalhos de pesquisa sem que ele esteja envolvido com a pós-graduação de sua faculdade. Aliás, nesta mesma noite de domingo em que escrevo este texto, muitos pós-graduandos estão trabalhando arduamente em seus laboratórios ou mesmo em suas casas, realizando experimentos, lendo ou escrevendo artigos científicos, ou preparando aulas que deverão ministrar para alunos de graduação. Provavelmente vários destes futuros mestres e doutores passarão esta noite em claro para conseguir terminar seus trabalhos.
 
No entanto, apesar de todo esse esforço exigido destes pesquisadores, seu trabalho quase nunca é reconhecido como tal pela sociedade. Quando uma pessoa pergunta a alguém "o que você faz?" e ouve como resposta de seu interlocutor que ele faz mestrado ou doutorado a reação mais comum que ela terá é perguntar "mas você só estuda, não trabalha?". Claro, não se pode culpar o "cidadão comum", afinal o meio científico poucas vezes fez questão de se apresentar ao grande público. O triste, porém, é que este mesmo comportamento também é visto onde mais se esperaria alguma forma de apoio e reconhecimento, nas agências federais de incentivo à pesquisa e à pós-graduação. Ao que parece, a CAPES e o CNPq vêem as bolsas pagas aos alunos de pós como ações de caridade, o que pode ser notado no fato de que, apesar de o Governo Federal propagandear o crescimento da participação brasileira na produção científica mundial (feito principalmente sobre as costas dos alunos de mestrado e doutorado), o último reajuste dos valores da bolsa foi feito em 2008, há mais de 3 anos, não havendo qualquer sinalização de aumento nem mesmo para 2012! A situação mostra-se ainda mais grave quando se considera que um aluno de pós-graduação não possui direitos trabalhistas, como previdência social, férias ou décimo-terceiro. O único direito garantido, que é a licença-maternidade, foi conseguido apenas no último ano, após muita luta.
 
As dificuldades iniciam-se logo quando o aluno ingressa na pós: como esta etapa da vida demanda muito trabalho, é comum os professores cobrarem que os pesquisadores de seu grupo dediquem-se exclusivamente a seus mestrados e doutorados, eliminando, assim, a possibilidade de que eles se sustentem através de um outro emprego. Porém, como as agências federais cobram que as universidades ocupem sempre todas as bolsas disponibilizadas a elas, poucas destas podem ser reservadas para os novos alunos. Isso faz com que quando alguém ingresse na pós esta pessoa não tenha quaisquer garantias sobre quando irá começar a receber sua bolsa, ou mesmo se irá recebê-la. A escolha pela dedicação exclusiva à pós-graduação torna-se, assim, um tiro no escuro. Caso o aluno tenha sorte e consiga sua bolsa ele já irá encontrar um valor muito defasado, porém ao longo dos anos a situação irá se tornar ainda mais difícil. Os reajustes de valores realizados são sempre muito esporádicos de forma que, ao final de sua pós-graduação, um aluno de doutorado poderá ter perdido um quarto de seu poder de compra. Esta situação faz com que muitos dos futuros doutores cheguem aos 30 anos sem qualquer patrimônio, dinheiro para emergências ou mesmo contribuição para o INSS. Creio que, com o que já foi exposto, não seja necessário dizer o quanto constituir família é uma decisão difícil durante este período.
 
Concentrando-se apenas em engenharia e tecnologia, cuja falta de profissionais é apontada como um dos atuais limitantes para o desenvolvimento do país, o baixo número de mestres e doutores na área é tamanho que motivou a Comissão de Serviços e Infraestrutura do Senado a recentemente propor uma lei que flexibilizasse a exigência de pós-graduação para professores destes cursos. Também, pudera, por lei o salário-mínimo de uma pessoa formada em engenharia, trabalhando 8 horas por dia, é de cerca de R$ 4.600,00 enquanto que a bolsa de mestrado para a mesma pessoa formada em engenharia é de apenas R$ 1.200,00. Assim, os poucos interessados em fazer uma pós-graduação na área o fazem só por idealismo — de serem professores, de estarem sempre juntos ao limiar do conhecimento ou de ajudarem o país. Isto é insuficiente para o Brasil, que precisa tanto resolver gargalos de infraestrutura e gerar riqueza para resolver seus problemas sociais. Fica claro, portanto, que mantida essa política governamental de desvalorização dos futuros mestres e doutores essa deficiência de pessoal capacitado no país irá se perpetuar.
 
Não apenas para a formação de professores universitário, o maior incentivo à pós-graduação em engenharia e tecnologia é necessário também para que o país possa gerar conhecimento e inovações próprias, deixando de ser apenas um importador de tecnologias. Esta demanda fica ainda mais necessária nesse momento em que indústrias têm migrado de todo o mundo para países com mão-de-obra barata, mantendo-se nacionais apenas os serviços que exigem alto nível de especialização. Esta situação, que começa a ser vista também no Brasil, pode ser observada nos EUA, onde o projeto de dispositivos de alta tecnologia é feito em solo americano mas a produção industrial deles é realizada principalmente na China. Assim, as empresas não inovadoras estão fadadas a serem "exportadas" para outros países. Nas vezes em que buscou investir em pesquisa e desenvolvimento o Brasil teve experiências positivas, como pode ser visto na agricultura, na exploração de petróleo e na aviação. É importante ressaltar que, para cumprir esse objetivo, é preciso atrair para a pós-graduação mais pessoas com alta capacidade, algo que depende muito do aumento do valor das bolsas de pós-graduação e não apenas do aumento do número destas, que é a política adotada pelo Governo Federal e por suas agências nos últimos anos.
 
O aumento apenas do número de bolsas de pós-graduação parece ser parte de uma política que busca colher apenas resultados eleitorais, afinal um aumento no número de inscritos em mestrados e doutorados é muito mais impactante no ouvido do eleitor do que o reajuste do valor das bolsas. Esse mesmo tipo de comportamente pode ser visto no programa Ciência sem Fronteiras, que pretende oferecer 75 mil bolsas para que alunos de graduação e de pós tenham experiências internacionais. Com certeza essa é uma nobre ideia, mas cabe também notar que atualmente já há bolsas disponíveis para esta finalidade que sequer são preenchidas por falta de procura. Sendo o caso, não seria mais adequado para o país que estes recursos fossem aplicados para a melhoria das condições da pós-graduação no país?
 
Apesar de problemas nas políticas da CAPES e do CNPq, certamente muitas das atitudes exigidas para sanar os problemas aqui levantados exigiriam mais recursos para a Ciência, a Tecnologia e o Ensino Superior. Assim, peço aos senhores deputados, que estão no momento preparando o orçamento da União, que pensem sinceramente no Brasil que precisamos para o futuro e quais são as formas como poderemos alcançá-lo. Creio que todos verão o papel crucial que a pós-graduação tem para esse novo país.
 
*APOGEEU é a sigla da Associação de Pós-Graduandos da Engenharia Elétrica da Unicamp.