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Na próxima segunda-feira (15), às 14 horas, o Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) promove a palestra “Cooperação Sul-Sul e Agendas de Política Externa em Perspectiva Comparada”.

O palestrante será o Prof. Carlos Milani (IESP-UERJ e UNIRIO), formado pelo Instituto Rio Branco no Curso de Preparação à Carreira de Diplomata (Ministério das Relações Exteriores, 1992), Mestrado em Ciência Política na Universidade de Paris III (1993), doutorado em Estudos do Desenvolvimento pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS, 1997), um primeiro pós-doutorado na UFBA (2002-2004, bolsa PRODOC/FAPESB) e um segundo no Instituto de Estudos Políticos de Paris (2008-2009, bolsa CAPES).

Foi funcionário internacional da UNESCO junto ao Setor de Ciências Sociais e Humanas (Paris, 1995-2002), professor no IEP de Paris (1997-2002) e professor convidado em várias universidades (Montreal, Colima, UFRGS, UCM, IEP/Paris). É, atualmente, professor-adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Departamento de Estudos Políticos, UniRio) e Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Administração da Unigranrio. Atualmente, é também pesquisador do IPEA no âmbito do PNPD-2011, com o projeto sobre a cooperação Sul-Sul em perspectiva comparada. É sócio pleno da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), da Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI), da International Political Science Association (IPSA) e da International Studies Association (ISA).

 

Serviço:

Palestra “Cooperação Sul-Sul e Agendas de Política Externa em Perspectiva Comparada”.

Palestrante: Prof. Carlos Milani (IESP-UERJ e UNIRIO)

Data: 15 de agosto (segunda-feira), às 14 horas

Local: IESP-UERJ  – Rua da Matriz, 82 – Botafogo – Rio de Janeiro

 

Da Redação.

A edição nº 2 do #pontofalei será com o economista Marcio Pochmann, que é presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp.

Com o tema juventude e desenvolvimento, ele responderá perguntas dos internautas à partir das 20h desta quarta-feira (10).

Marcio é um expoente do grupo chamado de "desenvolvimentistas", militantes da causa do desenvolvimento nacional com sustentabilidade e justiça social. Foi Secretário do Trabalho da Prefeitura de São Paulo entre 2001 e 2004 e na gestão criou o programa Bolsa Trabalho, que associava o benefício da transferência de renda à qualificação profissional de jovens.

#pontofalei é uma twitcam do sítio MadMídia. Perguntas, sugestões e comentários podem ser enviados através do perfil no twitter @pontofalei_ ou pelo e-mail [email protected]

Da Redação.

Prestes a completar 74 anos de vida, a União Nacional dos Estudantes (UNE) se prepara para dar início a mais um ciclo de mobilização, que teve seu ponto de partida no Congresso da entidade, mês passado em Goiânia, ao final de um processo que envolveu mais de 1,5 milhão de estudantes. Nessa quarta-feira (10), às 10h, em Brasília, o Auditório Freitas Nobre da Câmara dos Deputados foi palco da posse oficial da nova diretoria da UNE, que estará à frente da entidade pelos próximos dois anos.

Parlamentares e outras autoridades se revezaram na sessão solene da posse da nova diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE), na manhã desta quarta-feira (10), na Câmara dos Deputados em Brasília. Todos foram manifestar o compromisso de ajudar a entidade na luta pela melhoria na educação no Brasil. Do PSOL ao PSDB, parlamentares elogiaram a atuação da UNE em defesa do Brasil, não apenas na área educacional, mas como inspiração na prática política. 

O novo presidente, Daniel Iliescu, que comandou o evento, reafirmou o propósito da entidade de lutar, junto ao Congresso Nacional, para aprovar projetos que destina 10% do PIB (Produto Interno Bruto) e 50% do fundo social do pré-sal para a educação.
Desmentindo a propaganda feita pela grande mídia, de que a juventude brasileira atual é despolitizada, Daniel disse que “o Brasil é feito de lutadores, exemplos de vida, que se dedicam e não tem medo de enfrentar poderosos e aqueles que não querem justiça social em nosso país”. 

Ele e os demais oradores se uniram na defesa da ideia de que o desenvolvimento do país está ligado a uma educação de qualidade para todos. Iliescu disse que a solenidade de posse faz parte da programação do mês verde e amarelo, o mês de agosto que reúne data importante para a educação como o Dia do Estudante – 11 de agosto. 

Agosto Verde e Amarelo

O objetivo da UNE também é ocupar o espaço do Congresso para encaminhar as principais pautas de reinvindicações da entidade, como as 59 emendas do Plano Nacional de Educação (PNE), e lançar oficialmente a participação da entidade na Jornada Nacional de Lutas, que este ano engendra o tema “Agosto Verde e Amarelo”. Será um mês de muita mobilização, com diversas marchas e passeatas em todos os cantos do Brasil.
O estandarte da UNE é a defesa incondicional dos 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-sal para a educação. Mas em cada lugar haverá a incorporação de bandeiras locais aos protestos, como a luta pela melhoria do transporte público e mais investimentos na educação municipal e estadual.
A principal marcha do mês, a passeata nacional dos estudantes da UNE, UBES e ANPG, acontecerá no dia 31, em Brasília. O conjunto de manifestações unitárias conta também com a presença de movimentos sociais e sindicais. Para o novo presidente da UNE, Daniel Iliescu, o Brasil vive momento único de oportunidades em diversas áreas e precisa se convencer de que é “necessário e urgente priorizar a educação em todas as suas etapas”.
Por isso, a nova diretoria da UNE convoca todos os estudantes a participarem desta grande mobilização: “Vamos às ruas nessa jornada para tornar público o debate deste Plano Nacional de Educação que é tão decisivo. Precisamos envolver a sociedade para discutir a educação que queremos para os próximos dez anos”.

Para ler as 59 emendas do Plano Nacional da Educação (PNE) propostas pelas entidades clique aqui.

Fonte: Estudantenet e Portal Vermelho

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) publicou recentemente o “Plano de ação da Capes para expansão da formação de estudantes de pós-graduação, graduação e docentes no exterior”.

O documento traz, além de um relatório completo da atuação da Capes na cooperação internacional e na formação de recursos humanos no exterior, o cronograma e a previsão orçamentária para a implantação do novo plano de formação no exterior.

Acesse o documento.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Capes

ANPG, UNE e UBES mobilizaram delegação de mais de 500 estudantes para o congresso, que acontecerá a partir de amanhã em Montevidéu, Uruguai.

Durante os dias 10 a 15 de agosto, a cidade de Montevidéu, no Uruguai, se prepara para receber o 16º Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes (CLAE), o mais importante espaço de discussão para definir os rumos da educação no continente. Na ocasião, questões como a regulamentação do ensino privado, o fortalecimento da educação pública e a mobilidade acadêmica serão os principais temas discutidos.

Entre as mesas de debates destacam-se:

La necesaria organización de los estudiantes egresados y de posgrados que tem entre seus debatedores a ANPG (Brasil), Federico Kreimerman (FEUU), Lucas Aguilera (Consejero Superior UNRC, Arg) e ANIP (Chile);La reforma universitaria de Córdoba y su vigencia en el pensamiento latinoamericano e La unidad y lucha de los sectores de la educación: la perspectiva gremial de docentes y no docentes.

No congresso também acontecerá uma importante marcha relembrando os estudantes mártires das ditaduras na América Latina, quando quatro brasileiros serão homenageados: os estudantes João Carlos Haas Sobrinho, desaparecido em 1972; Honestino Monteiro Guimarães, desaparecido em 1973; Edson Luis de Lima Souto, morto em 1968 e Helenira Rezende de Souza Nazareth, também assassinada em 1968.

Além de compor a programação oficial do 16º CLAE, através da ANPG, vários pós-graduandos também compõem a delegação brasileira e participarão dos 5 dias de trocas de saberes e experiências com estudantes do continente.

Para o diretor de Políticas Educacionais da ANPG, Júlio Neto, o CLAE é um espaço importante para que as iniciativas de intercâmbio e fortalecimento do movimento latinoamericano em defesa da educação sejam construídos e fortalecidos, pontuou.

 

Da Redação.

 

Está em tramitação no Senado o Projeto de Lei 220/2010 que modifica o artigo 66 da Lei 9.394/1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que exige que professores universitários tenham diploma de pós-graduação –especialização, mestrado ou doutorado. De acordo com o projeto de lei, os docentes de instituições públicas e privadas poderiam lecionar apenas com o diploma de graduação, desde que contratados em regime temporário.

O projeto é considerado um retrocesso pelas autoridades e especialistas do setor educacional. Para assegurar um mínimo de qualidade ao ensino superior, a LDB recomenda que pelo menos um terço dos professores das instituições de ensino superior tenha título de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado). Essa determinação é acatada pelas universidades públicas e por várias universidades confessionais, mas desprezada por muitas universidades privadas – principalmente as que foram criadas nos últimos anos.

Alegando que não há mestres e doutores em número suficiente para lecionar nessas universidades, o relator do projeto, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), deu-lhe parecer favorável. O argumento usado é o mesmo dos dirigentes de várias escolas particulares. Segundo eles, haveria déficit de docentes titulados em várias áreas. "Um profissional com experiência tem muito a ensinar, mesmo que não tenha pós-graduação. Por outro lado, há aqueles que terminam a graduação e emendam com o mestrado. Que experiência têm eles para passar?", diz Ana Maria Souza, da Anhanguera Educacional.

Os especialistas, contudo, afirmam que os portadores de título de mestrado e doutorado têm sólido preparo teórico e conhecimento de técnica de pesquisa e metodologia científica – competências que os portadores de diploma de graduação não têm. Eles também alegam que o País tem 4,7 mil cursos de pós-graduação stricto sensu reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC) e fiscalizados pela Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes). Anualmente o Brasil forma 50 mil novos mestres e doutores. Hoje, 56% dos professores universitários são pós-graduados e a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) é que esse número chegue a 75%.

 

Opiniões

A Associação Brasileira das Universidades Comunitárias (Abruc) divulgou uma nota oficial em que se posiciona de forma contrária ao projeto de lei.

A ANPG propôs e aprovou uma moção na Assembleia Geral da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Associação dos Pós-Graduandos em Engenharia Elétrica da Unicamp (APOGEEU) também se manifestou com uma moção sobre o assunto.

“Os investimentos em formação de mestres e doutores precisam ser ampliados no Brasil, é fato.  A preparação que o mestrado e o doutorado oferecem aos futuros docentes é essencial para a garantia da qualidade da graduação, e disso não podemos abrir mão", opina a presidenta da ANPG, Elisangela Lizardo.

 

Negócio

Para os dirigentes de universidades públicas, se as universidades privadas enfrentam problemas para contratar docentes com mestrado e doutorado, o motivo não estaria na falta de pós-graduados em número suficiente, mas nos baixos salários. "O gargalo está nas más condições de empregabilidade que as instituições particulares oferecem", diz o professor Roberto Piqueira, da Escola Politécnica da USP.

Além de desprezar as atividades de pesquisa e extensão, que são fortemente enfatizadas pela LDB, os grupos nacionais e internacionais que são donos de instituições de ensino – muitos dos quais com ações cotadas em bolsas de valores – demitiram os docentes mais experientes e contrataram bacharéis recém-formados, com o objetivo de reduzir custos.

 

Possível veto

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou ser contrário à mudança. Segundo Haddad, a presidenta da República, Dilma Rousseff, também não concordaria em reduzir a exigência de qualificação de professores da educação superior. A proposta foi apresentada em agosto do ano passado, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado. Foi aprovada na comissão e está desde o início de julho na Ordem do Dia da casa, à disposição para ser apreciado pelo Plenário.

Se aprovado no Senado, o projeto deve ainda passar pela Câmara dos Deputados, antes de chegar às mãos da presidenta, que poderá sancioná-lo ou vetá-lo.   

Haddad observou que o Governo Federal vem investindo, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), na formação de pessoal com pós-graduação. A presidenta Dilma anunciou 100 mil bolsas de estudos para cursos no exterior, até 2014, no âmbito do programa Ciência Sem Fronteiras. 

 

Da Redação com informações do Estado de São Paulo e Ministério da Educação.

Entre os dias 18 e 23 de janeiro de 2011 a cidade do Rio de Janeiro recebeu a 7ª edição da Bienal da UNE: Brasil no estandarte, o samba é meu combate.

Mais de 5 mil estudantes participaram de debates, mostras artísticas, shows e puderam desfrutar além da rica programação com nomes de peso do samba como Leci Brandão e Haroldo Costa, mas também de toda beleza que a cidade oferece.

Mais de 100 deles apresentaram trabalhos científicos na Mostra de Ciência e Tecnologia, que homenageou o pesquisador José Márcio Ayres, árduo defensor da Amazônia.

Já estão disponíveis para acesso e download os Anais da Mostra Científica da 7ª Bienal da UNE.

ISBN:  978-85-61839-06-2

Acesse também o Catálogo da 7ª Bienal, com imagens e a história completa das bienais.

 

Da Redação.

 De 15 a 17 de agosto, no Rio de Janeiro, acontece o Seminário Internacional: História dos Conceitos entre Política, História e Literatura.

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A atividade acontece na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na PUC-Rio e na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Haverá emissão de certificado aos participantes.
 
Confira alguns dos palestrantes: Chenxi Tang (Berkeley)
David Armitage (Harvard University)
João Feres Júnior (IESP/UERJ)
João Paulo Garrido Pimenta (USP)
Jorge Myers (Universidad Nacional de Quilmes)
Lilia Schwarcz (USP)
Lucia Bastos (UERJ)
Luciana Villas Bôas (UFRJ)
Marco Antonio Pamplona (PUC-Rio)
Maria Elisa Mader (PUC-Rio)
Murilo Sebe Bon Meihy (PUC-RJ)
Pedro H. Villas Bôas Castelo Branco (UFF)
Roberto Rocha (UFRJ)
Sérgio Alcides (UFMG)
Sven Trakulhun (Universität Zürich)
 
Da Redação.
 

 

Vista aérea do campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

A partir do dia 29 de agosto estarão abertas as inscrições de seleção para os Cursos de Mestrado e Doutorado em História da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Há 21 vagas para Doutorado e 40 vagas para Mestrado.

A inscrição deverá ser feita na Secretaria do Programa de Pós-Graduação em História, Av.

João Naves de Ávila, 2.121, CEP. 38.408-100 – Uberlândia, MG. Campus Santa Mônica,

Bloco H, 2º. Andar, sala 1H50, Fone/Fax: (34) 3239-4395, e-mail: [email protected],  das 8 às 11h e das 14 às 17h.

As linhas de pesquisa para o Mestrado são: História e Cultura (8 vagas);  Política e Imaginário (14  vagas); Trabalho e Movimentos Sociais (10 vagas) e Linguagens, Estética e Hermenêutica (8 vagas).

Para o Doutorado as vagas estão assim distribuídas: História e Cultura (9 vagas); Política e Imaginário (3 vagas); Trabalho e Movimentos Sociais (5 vagas) e Linguagens, Estética e Hermenêutica (4 vagas).

O processo seletivo compreende as seguintes etapas:

– Avaliação do projeto de pesquisa;

– Prova de proficiência em língua estrangeira;

– Prova dissertativa de conhecimento específico para os candidatos ao Mestrado;

– Avaliação do curriculum vitae;

– Entrevista.

 

Mais informações e as datas de cada etapa podem ser obtidas no Edital.

 

Da Redação.

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected] 

Esqueceram das humanas?

 

Por Theófilo Rodrigues

 “Nossa República é torta, mas pode desentortar-se com o trabalho de vocês” (Luiz Werneck Vianna em conferência no XV Congresso Brasileiro de Sociologia).

Na semana passada a presidenta Dilma Rousseff anunciou com pompa e circunstância o programa Ciência Sem Fronteiras. O novo programa pretende oferecer até 2014 cerca de 100 mil bolsas de estudo no exterior para graduandos e doutorandos. Serão 75 mil bolsas financiadas pelo governo federal e outras 25 mil pela iniciativa privada.

O Ciência Sem Fronteiras é uma parceria entre o Ministério de Ciência e Tecnologia e o Ministério da Educação e as bolsas serão concedidas pelo CNPq e pela CAPES. O programa é um passo fundamental para o fortalecimento da produção científica brasileira com vistas ao desenvolvimento soberano do país, ainda que não altere decisivamente o lento processo de inovação tecnológica aplicado pelas empresas nacionais.

O programa possui 20 áreas prioritárias para onde serão concedidas as bolsas de estudo. Todas ligadas às áreas de exatas e biológicas. Justamente aqui reside a principal deficiência do programa: como desenvolver o conhecimento do país ignorando o relevante papel a ser desempenhado pela produção científica das áreas de humanas e ciências sociais?

Qual será o desenvolvimento que o Brasil terá na próxima quadra histórica com o alijamento da produção feita pelas ciências sociais? Ao isolar o campo de produção das humanas o governo federal passa um perigoso sinal para a sociedade brasileira, qual seja, o de que qualquer desenvolvimento serve aos interesses do país, independente de sua relação com a cultura local, a identidade nacional e a justiça social.

O francês Pierre Bourdieu já havia nos ensinado há algum tempo que “a atividade científica implica um custo econômico, e o grau de autonomia de uma ciência depende, por sua vez, do grau de necessidade de recursos econômicos que ela exige para se concretizar”. Sob esta chave interpretativa poderíamos vislumbrar uma autonomia das ciências humanas em relação às outras áreas. Mas não é disso que se trata. O pano de fundo da crítica a ser apresentada ao Ciência Sem Fronteiras tem claramente a ver com a decisão política tomada pelo governo de não investir na área que melhor pode subsidiar a formulação de projetos de alto impacto social, cultural e institucional.

O apagão de mão de obra qualificada pelo qual o Brasil passa, em especial nas áreas tecnológicas, não pode servir de justificativa para o isolamento de outros campos do saber. Precisamos sim de mais técnicos capazes de desenvolver a engenharia infraestrutural. No entanto, este processo não pode ser descolado do desenvolvimento da engenharia das relações sociais que é a vocação das ciências humanas.

Num momento em que o país pretende aliar em sua agenda o desenvolvimento econômico, social e democrático, o governo federal dá um passo atrás no estabelecimento de suas prioridades. Decisão contraditória que nos remete ao processo de desenvolvimento econômico conservador que o país viveu na década de 70 do século passado.

 

Theófilo Rodrigues é mestrando em Ciência Política na UFF.