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Jornalista ANPG

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A ANPG recebeu com indignação a notícia sobre o encerramento dos cursos de pós-graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero, a mais tradicional do setor no país.

Embora a instituição alegue dificuldades financeiras, os estudantes reclamam, com razão, que nenhum diálogo e nenhuma prestação de contas para embasar a decisão foi apresentada.

Além disso, os pós-graduandos foram comunicados que o encerramento é imediato e que os projetos em andamento terão de ser concluídos em outras instituições. Tal situação é inadmissível por quebrar contratos, trazer insegurança jurídica e prejuízos insanáveis a formação desses pesquisadores. Em qualquer situação os alunos não podem ser penalizados.

Esse caso soma-se a descontinuidade de programas de excelência ocorridas na Unisinos e PUC RS, o que revela que além da crise na educação superior tem afetado também as universidades privadas, em especial as comunitárias. É preciso imediatamente um plano de reestruturação desses programas, mas para isso essas instituições precisam abrir os dados dos programas e mostrar a verdadeira situação para elaborarmos alternativas viáveis de continuidade desses programas, os quais muitos são referência nacional.

A ANPG se solidariza com a comunidade acadêmica da Cásper Líbero e pede à Instituição que resguarde os direitos dos matriculados. Ao mesmo tempo, coloca sua Ouvidoria à disposição para orientar os estudantes quanto a possíveis medidas judiciais.

São Paulo, 19 de dezembro de 2022

Diretoria Executiva da ANPG

Confira a Line-Up do The Town 2023

 

Na manhã desta terça-feira, 13, o presidente da ANPG, Vinicius Soares, foi recebido pelo vice-presidente da República eleito e coordenador da transição de governos, Geraldo Alckmin. Também participaram da reunião as presidentas da UNE, Bruna Brelaz, da UBES, Jade Beatriz, e o presidente da UJS, Tiago Morbach.

O encontro possibilitou debater mais detalhadamente o quadro da Ciência e da Educação no Brasil, depois da implantação da política de desmonte pelo governo cessante.

Para recuperar os setores, a ANPG sugere a ampliação de investimentos no MCTI e no MEC, a construção de um PNPG que recupere o sentido estratégico da pós-graduação e do Sistema Nacional de C&T para o desenvolvimento do país, a valorização dos jovens cientistas, o combate à fuga de cérebros e ações que resguardem a saúde mental no ambiente acadêmico.

“Foi um diálogo muito positivo e cooperativo. Apresentamos ao vice-presidente as pautas que consideramos prioritárias para que a ciência seja um vértice para a reconstrução nacional, para a retomada do crescimento com distribuição de renda”, afirmou Vinícius.

O reajuste das bolsas de estudos fornecidas pelas agências federais Capes e CNPq recebeu atenção especial. Há 10 anoa sem reposição, o benefício perdeu cerca de 70% do poder de compra e deixou de ser atrativo para muitos jovens cientistas.

Segundo o presidente da ANPG, valorizar a carreira científica não é uma pauta corporativa, mas uma necessidade para desenvolver o país, sem o que a perda de jovens talentos continuará sendo realidade. “Precisamos do reajuste nas bolsas já e também de mecanismos permanentes de recomposição, além de diireitos básicos, como trabalhistas e previdenciários, que são condizentes com a condição de estudante-trabalhador do pós-graduando. Afinal, não há ciência sem pesquisador”, pontuou.

Vinicius celebrou o compromisso assumido pelo vice-presidente em apoiar o reajuste das bolsas dentro do novo governo. “Nós mostramos que seria necessário 1,5 bilhão no orçamento para realizar uma recomposição de 68% para todos os bolsistas Capes e CNPq, o equivalente à inflação acumulada desde 2013. Alckmiin se colocou à disposição para ajudar a pautar o reajuste nas prioridades do orçamento”.

O Plano Emergencial Anísio Teixeira, documento elaborado pela ANPG que condensa tais propostas, foi entregue ao vice-presidente, juntamente com o abaixo-assinado da campanha pelo reajuste das bolsas, que conta com 100 mil assinaturas

São Paulo, 12 de dezembro de 2022.

 

Mesmo com o findar do governo mais nefasto da história recente do país, Bolsonaro, Paulo Guedes e sua equipe econômica tentaram confiscar recursos da educação e dar um calote em milhares de estudantes, não pagando bolsas de estudos, se valendo do Teto de Gastos. Entretanto, a resistência e luta dos estudantes, liderados pelos pós-graduandos, permitiram derrotá-lo mais uma vez. Prontamente, aANPG lançou a Paralisação Nacional da Pós-Graduação em defesa do pagamento imediato das bolsas #PagueMinhaBolsa, que, além de engajar os pesquisadores, agregou artistas, influenciadores digitais, políticos e vários setores da sociedade. Foi
essencial termos respondido com rapidez, acompanhando as movimentações em Brasília, denunciando a situação para a imprensa e sociedade civil, construindo plenárias, assembleias e paralisando nossas atividades no último dia 08 de dezembro. Essa movimentação associada a denúncia da situação e mobilização do Supremo Tribunal Federal garantiram que o governo fosse encurralado e pudesse restituir os repasses financeiros para pagamento das bolsas. O resultado tem sido os pagamentos das bolsas, os quais se não realizados poderiam agravar ainda mais a situação de milhares de jovens que estão em vulnerabilidade social, no Brasil e no exterior, e paralisar as
atividades das Instituições Federais de Ensino Superior – IFES.
Apesar da vitória em reaver o pagamento das bolsas, as quais deveriam ser um direito já garantido, esse cenário de caos tem sido o reflexo da vida do pós-graduando no país. Não bastasse a falta de previsibilidade de pagamento, ainda enfrentamos uma desvalorização de nossa condição: desvalorização do valor e defasagem no quantitativo da bolsa de estudos; ausência de direitos estudantis (como acesso às políticas de assistência estudantil), trabalhistas e previdenciários; excesso da carga de trabalho; ambiente adoecedor; obrigatoriedade da devolução das bolsas em caso de desistência do programa, entre outras. Por isso, nesse processo de reconstrução nacional faz-se necessário continuarmos as nossas mobilizações para conquista do reajuste das bolsas e direitos dos pós-graduandos para pintarmos o Brasil que queremos.
A primeira pauta a ser conquistada necessita ser o reajuste das bolsas de estudos para 2023, a qual tem sido alvo de uma campanha nacional relançada no início do mês de novembro, o qual possui um abaixo-assinado com mais de 100 mil assinaturas (https://bit.ly/reajusteja). A partir da articulação da ANPG, a equipe de transição dos setores de ciência e tecnologia e de educação fizeram a recomendação de reajuste das bolsas em 40%, esse passo permitiria que a bolsa de mestrado e doutorado passassem a valer R$ 2,100 e R$3,080, respectivamente. Apesar do valor ser abaixo dos 75% de corrosão inflacionária no valor das bolsas desde o último reajuste, o reajuste vai permitir um alívio para a subsistência dos pós-graduandos. Entretanto, para isso acontecer, vai ser necessário que a Câmara de Deputados aprove a Proposta de Emenda Constitucional 32/2022, conhecida como PEC da Transição ou PEC Bolsa
Família. Essa PEC abrirá um espaço para recompor o orçamento da educação (CAPES e IFES) e garantir o reajuste das bolsas.
Por isso, entendemos que a nossa mobilização imediata deve ser lutarmos pela aprovação da PEC e garantir o reajuste no orçamento. Nesse sentido, convocamos a todos os pós-graduandos a estarem essa semana em estado de mobilização e vigilância para pressionarmos os deputados aprovarem o texto. A ANPG enviará mais orientações sobre a mobilização.
Reajuste aprovado, viraremos uma chave que permitirá aprofundarmos o debate sobre a garantia dos direitos estudantis, trabalhistas e previdenciários para os pós-graduandos, ao mesmo tempo que continuaremos atuantes na elaboração do Novo Plano Nacional de Pós-Graduação e na derrubada da EC 95.
Diante desses desafios, a ANPG convoca a todos os pós-graduandos para a luta em defesa do jovem pós-graduando, da educação, da ciência e da soberania nacional. No próximo período, o país precisará ser reconstruído, devendo os investimentos na população, na educação e na ciência ser elementos centrais para pintarmos um Brasil que queremos, com geração de emprego e renda, oportunidades e esperanças.

Executiva Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduandos.

 

Acesse o documento da Nota executiva ANPG 12 de dezembro

Confira a Carta de São Paulo da diretoria da ANPG 2022-2024

 

Era final de expediente na quinta-feira e quase todo o país já vivia a tensão as quartas de final da Copa do Mundo quando o ministro da Educação, Victor Godoy, usou sua conta no Twitter para anunciar a liberação das verbas do MEC e garantir o pagamento de todos os bolsistas da Capes e residentes. Mais cedo, 50 milhões já haviam sido desbloqueados para honrar as bolsas da Educação básica.

Terminava assim uma semana de intensa mobilização de pós-graduandos e pesquisadores que contagiou o país e impôs um duro revés ao governo Bolsonaro, que, nos seus estertores, anunciou um profundo corte de recursos que resultaria em calote noa pagamentos de mais de 200 mil estudantes de todo o país.

Tão logo foi anunciada a medida, a ANPG, em conjunto com a UNE e a UBES, anunciou uma paralisação nacional nas universidades. Rapidamente, atos começaram a ser realizados em dezenas de instituições de ensino e repercutiu até em protestos realizados no exterior.

Nas redes sociais, uma avalanche de postagens levou a tag #PagueMinhaBolsa, em Tuitaço convocado pela ANPG, aos assuntos mais comentados da plataforma durante dois dias, tendo chega do quarto assunto mais comentado do país.

Em paralelo à pressão política nas ruas e nas redes, o movimento estudantil abria uma frente de luta jurídica que viria a ser um xeque-mate no governo. Na quarta-feira, foi impetrado no Supremo Tribunal Federal um mandado de segurança contra Bolsonaro, pedindo a imediata reversão do bloqueio de verbas ordenado pelo decreto 11.269/2022, considerado ilegal por ferir direito adquirido dos bolsistas.

O relator, ministro Dias Toffolli, deu 72 horas para que o governo explicasse o calote, o que foi lido como uma tendência de que o Supremo acataria a demanda dos estudantes.

Com a pressão política aumentando e sob ameaça de derrota jurídica, o governo foi forçado a se mexer.

Para Vinicius Soares, presidente da ANPG, Bolsonaro subestimou a capacidade de mobilização dos estudantes e foi obrigado a recuar. “O presidente é inimigo da Ciência e queria dar seu último golpe antes de sair. Mas ele não contava com nossa reação, que foi imediata, em várias frentes e ganhou ampla simpatia da sociedade, que valoriza os jovens cientistas”.

 

r CONFIRA ONDE OCORRERAM ATOS #PAGUEMINHABOLSA

 

 

 

DIA NACIONAL DE PARALISAÇÃO DOS PÓS-GRADUANDOS

#PAGUEMINHABOLSA

            Em virtude das últimas notícias sobre o confisco dos recursos do Ministério da Educação, causando o não pagamento das bolsas de milhares de pós-graduandos pelo país, a ANPG convoca todas/os pós-graduandas (os), as/os cientistas brasileiras/as, e a sociedade civil, a reivindicarem o pagamento imediato das bolsas de estudos aos estudantes brasileiros, paralisando suas atividades a partir do dia 08 de dezembro de 2022 até o pagamento de todas as bolsas.

A situação atual é consequência direta da escandalosa devassa nas contas públicas que Jair Bolsonaro realizou para garantir recursos para o orçamento secreto e sua reeleição, associado aos efeitos de sua política econômica. Em virtude disso, há bloqueio financeiro que não permitem que a CAPES, Universidades e outros órgãos cumpram com suas obrigações financeiras, como pagamento de água, luz, terceirizados e as bolsas de assistência estudantil e de estudos, no Brasil e exterior, como mestrado, doutorado e residências.

Não bastasse a desvalorização das bolsas de estudos que atinge 75%, Bolsonaro e Paulo Guedes estão dando um calote na educação. O cenário é bastante claro, se trata de um projeto de destruição da pós-graduação e da ciência e tecnologia brasileira, do fomento público e de qualidade irrestrita. São milhares de jovens pesquisadores que tem sua sobrevivência ameaçada concretamente pela quebra de contrato ao não serem pagos por seu trabalho produzindo ciência no país. Estamos falando de milhares de jovens, o qual possuem como única renda as bolsas de estudos.

É necessário que avancemos para derrotar esse projeto de destruição da ciência e tecnologia brasileira com mobilização, conversa direta com os colegas e com os demais participantes da universidade, tanto alunos e alunas de graduação, técnicos e técnicas e docentes, além da construção ativa de nossas entidades representativas, sobretudo as APGs. Nesse sentido, convocamos a todos se mobilizarem, organizando plenárias em suas instituições no dia de amanhã a fim de organizarmos nossa luta para um Dia de Paralisação Nacional Dos Pós-Graduandos, no dia 08 de dezembro de 2022, até que as bolsas de estudos sejam pagas, com atos e mobilizações em todo o Brasil. Ao mesmo tempo, a ANPG dispenderá todos os esforços para garantir o pagamento das bolsas pela via jurídica e/ou em articulação com o Congresso Nacional.

 

Associação Nacional de Pós-Graduandos.

 

Nota-Paralisacao-dos-Pos-Graduandos-ANPG-2022

Após a intensa participação nos debates do 19º Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes, realizado no final de novembro, na Venezuela, a ANPG foi eleita para integrar a Coordenação do Movimento de Pós-Graduação na OCLAE, entidade que congrega as representações nacionais de estudantes de todo o continente.

Para Vinícius Soares, presidente da ANPG, a indicação reflete a importância e história da ANPG e do Brasil no concerto dos países da região. “Hoje, somos a única entidade de movimento de pós-graduação da América Latina. Teremos justamente a missão de organizar o movimento aqui no Continente, na perspectiva de estarmos mobilizados e organizados para fortalecer as democracias, a soberania dos povos e defesa de uma educação e ciência a favor do desenvolvimento da nossa região”, afirmou.

O 19º CLAE recebeu presencialmente cerca de 2500 estudantes, de mais de 20 países, além de milhares que acompanharam as atividades de forma virtual. Segundo Rarikan Heven, diretor de Comunicação da ANPG e coordenador do Brasil na Comissão de Organização, o Congresso foi valioso para unificar lutas nesse momento de reformulação política na América Latina. “Foi muito importante o debate sobre a mercantilização da Educação, sobre as grandes empresas que administram conglomerados educacionais no Continente e a necessidade de fortalecer a pós-graduação, que ainda vive uma realidade de poucos investimentos”.

Rarikan também destaca os temas gerais tratados no encontro, como democracia e integração. “Muitos problemas que enfrentamos aqui são os mesmos enfrentados por estudantes de outros países da região. Por isso, é fundamental defender a democracia, a solidariedade entre os povos. Os estudantes saem do CLAE muito fortalecidos e prontos para tocar a luta em defesa da educação em toda a América”, completa.

A delegação brasileira no encontro contou com mais de 70 lideranças, representando estudantes secundaristas, universitários e pós-graduandos de diversos estados. O Secretariado Executivo da OCLAE é composto por integrantes de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Brasil, este representado por Bianca Borges, diretora de Relações Internacionais da UNE.

Nos últimos dias, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) participou de reuniões de trabalho com os grupos responsáveis pelas áreas de Educação e Ciência e Tecnologia na transição de governos. Além de contribuir com informações sobre a real situação vivenciada pelos pesquisadores nas universidades, a entidade também levou as demandas e pautas dos pós-graduandos para o governo eleito.

O presidente da ANPG, Vinícius Soares, apresentou dados sobre a situação da pós-graduação no país e a corrosão nos valores das bolsas de estudos – que representa perda de 75% no poder de compra -, o que tem impactado negativamente a pesquisa científica brasileira. As bolsas, que não são reajustadas desde 2013, com valores atualizados deveriam estar em R$2600 (mestrado) e R$3800 (doutorado), mas pagam apenas R$1500 e R$2200, respectivamente.

Pouco após a reunião da entidade com o grupo de Ciência e Tecnologia, técnicos da transição afirmaram à imprensa que devem sugerir ao novo governo um reajuste imediato, já para 2023, de 40% nas bolsas do CNPq.

O anúncio foi visto como uma sinalização positiva e que precisa se estender a todos os bolsistas. “Lutar vale a pena! Vamos lutar para que essa proposta do reajuste se torne realidade para o CNPq, CAPES e todas as outras bolsas de estudos no país e no exterior”, apontou Vinícius, através de suas redes sociais.

Outros temas importantes foram abordados, como a inexistência de direitos trabalhistas para os pós-graduandos, falta de perspectivas no mercado de trabalho, a fuga de cérebros e a grave situação de saúde mental no ambiente acadêmico, particularmente afetado pela pandemia, dentre outras pautas centrais.

O Plano Emergencial Anísio Teixeira, contribuição da ANPG para elevar a ciência como motor do projeto nacional de desenvolvimento, foi apresentado aos GTs da transição como a sistematização das reivindicações dos pós-graduandos brasileiros.

Segundo Vinícius Soares, o novo governo se mostrou aberto ao diálogo e preocupado com o diagnóstico da “herança maldita” deixada pelo atual governo. “Esse contato foi positivo e é fundamental que prossiga. Com diálogo aberto, podemos apresentar demandas, debater a situação atual e as propostas para superarmos a tragédia de um governo negacionista. O momento agora é debater democraticamente e propor saídas para fazer da ciência a alavanca para tirar o país da crise”, afirmou.

Teve início nesta segunda-feira (21/11), em Caracas (Venezuela), o XIX Congresso Latino e Caribenho de Estudantes (CLAE), evento reúne delegações representativas de entidades estudantis de todos os países da região para debater os desafios políticos e educacionais comuns e a integração de suas lutas.

Com o lema “Da resistência à revolução – outra América é possível”, o Congresso acontece até o dia 25/11 com extensa e diversificada agenda de discussões e elegerá as agremiações que terão assento na próxima diretoria da Organização Continental Latino e Caribenha de Estudantes (OCLAE).

Representando os pós-graduandos brasileiros, a ANPG participará das mesas “O papel do movimento estudantil nas transformações sociais – A unidade de trabalhadores e estudantes”, na quarta (23); e “Uma mesma luta – a organização dos estudantes de pós-graduação”, na quinta (24).

São Paulo, 08 de novembro de 2022.

A Associação Nacional de Pós-Graduandos vem por meio deste informar que relançou a Campanha Nacional pelo Reajuste das Bolsas de estudos, no último dia 04 de novembro, durante a posse de sua atual gestão 2022-2024. Nesse caso, vem também convocar a todos os pós-graduandos, o movimento nacional de pós-graduandos e toda sociedade civil e organizada a se integrarem nas mobilizações em torno da pauta.
A tarefa imediata é mobilização para garantir que o reajuste das bolsas seja incluído no orçamento da União para 2023. Por isso, é imperativo que todos possam assinar o abaixo-assinado lançado http://www.bitly.com/reajusteja e compartilhar com familiares, colegas e amigos para atingirmos, no mínimo, 200 mil assinaturas pelo reajuste.
De 2013 para cá, tudo mudou, menos as bolsas de estudos. Iremos completar ano que vem 10 anos sem reajuste das bolsas, as quais são o principal mecanismo de subsistência do jovem pesquisador no Brasil. É preciso a reparação do seu poder de compra, o qual já está em mais de 75% de desvalorização desde o último reajuste. Não é justo que o Brasil continue na rota de descaso com aqueles que produzem 90% da ciência nacional e que vem dando respostas para as múltiplas crises que estamos vivendo. Além disso, é preciso criar condições dignas para a produção cientifica no país, pois essa ausência tem gestado fenômenos sociais prejudiciais ao país: a fuga de cérebros e perda de talentos. Nossos jovens estão desempregados, em vulnerabilidade social, e já não têm a pós-graduação e pesquisa como perspectivas.
Nesse sentido, convocamos a todos a estarem em mobilizados em defesa do reajuste das bolsas. Assinem, divulguem o abaixo-assinado e acompanhem os próximos passos da campanha nas redes sociais e site da ANPG. Vamos aproveitar a virada de chave que o Brasil deu, no último dia 30 de outubro, para sinalizar a necessidade urgente do reajuste das bolsas para o Congresso Nacional e novo governo eleito. Apenas com o jovem pesquisador valorizado, conseguiremos trilhar no caminho para retomar o desenvolvimento econômico nacional e resolução das múltiplas crises que assolam diariamente nossa população.
Pelo Reajuste das bolsas já!

A simbólica Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP) abrigou, na noite desta sexta-feira (04/11), o ato de posse da nova diretoria eleita da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), entidade representativa de mestrandos e doutorandos brasileiros. Participaram do evento, de forma presencial ou remota, dezenas de lideranças da academia, das ciências e do movimento estudantil.

Pelas circunstâncias históricas, a solenidade ganhou ares de comemoração, afinal, após quatro anos de descaso e sabotagem do governo à ciência e aos pesquisadores, a vitória da frente democrática liderada por Lula nas eleições presidenciais promete descortinar um novo tempo de esperança para a Nação.

O novo presidente da ANPG, Vinicius Soares, deu a tônica do que seria o ato, demonstrando a satisfação dos jovens cientistas ao ver derrotado o projeto autoritário, após 6 anos do golpe de 2016 e o trágico período de Bolsonaro. “Muitos que estamos aqui pensamos que seria impossível chegar. Estamos resistindo desde 2016. Em 2019, no começo do governo Bolsonaro, já tivemos que colocar milhares de pós-graduandos nas ruas contra os cortes. Defendemos uma frente ampla, unindo os divergentes para combater os antagônicos, e vencemos. Precisamos manter a luta para que essa conquista prevaleça”, afirmou.

Para a entidade, as principais pautas da pós-graduação no próximo período serão o reajuste imediato das bolsas, a recomposição orçamentária das agências Capes e CNPq para, no mínimo, os níveis de 2014; e a finalização do novo PNPG. “Bolsonaro tirou o Brasil do mapa da ciência e colocou no mapa da fome. O povo brasileiro pode contar com ANPG, vamos resgatar nossos símbolos nacionais e reconstruir o Brasil”, assegurou Vinicius.

Ana Priscila, vice-presidenta, apontou que, mesmo com a vitória de Lula, será necessário garantir o governo eleito, diante do golpismo dos bolsonaristas. “Vamos precisar de esperança, mas também de “pé na porta””, disse, em alusão à resistência, “porque já estamos chamados a garantir a posse do presidente eleito”.

A secretária-geral Raquel Luxemburgo considera que o primeiro passo foi dado ao derrotar Bolsonaro nas urnas, mas será necessário um processo maior de lutas para derrotar a corrente política que ele implantou. Para tal, avalia, será necessário aproximar a ciência da realidade do povo. “A ciência que a gente produz, majoritariamente, não é para a nossa população; o que queremos é construir uma ciência popular, uma pós-graduação popular”.

Convidada à mesa, Flávia Calé, ex-presidenta da ANPG, falou sobre a importância de criar pontes para a retomada do debate público no Brasil e sobre a perspectiva de avanços de pautas que seriam inimagináveis em um novo governo reacionário, como investimentos em C&T através de estatais. “Passamos por um período de trevas, fazendo a resistência que nos trouxe até aqui, mas vocês podem ter um caminho aberto para grandes avanços e conquistas”, disse.

Anfitrião do ato, Marcio Alves, pró-reitor PUC-SP, destacou a importância de zelar por cada vitória obtida, visto que os últimos 4 anos mostraram como conquistas podem ser frágeis. “A destruição [feita pelo governo Bolsonaro] foi de tal monta que a reconstrução não será tarefa de curto prazo”, avaliou.

Para Robério Rodrigues, professor da Uesb e diretor da Foprop, o governo atual acelerou e agravou um processo de desvalorização da ciência iniciado antes desde 2015, quando foi imposto um ciclo de decréscimo de investimentos na ciência brasileira, sucateamento do parque científico e desvalorização do pós-graduando. “O que esperamos é a valorização de quem faz ciência, com a contagem de tempo de trabalho para quem pesquisa e a recomposição das bolsas, que estão há 9 anos sem aumento e com 70% de perda de valor”, afirmou em apoio às pautas da ANPG.

Opinião semelhante foi manifestada por Odir Dellagostin, presidente do Confap (Conselho Nacional de Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, para quem é prioridade valorizar a ciência produzida por pesquisadores que estão nos laboratórios coletando e sistematizando informações, os estudantes. Conhecedor da defasagem das bolsas, Dellagostin foi categórico quanto à urgência da pauta.

“O valor das bolsas é o pior da série histórica dos últimos 25 anos. Portanto, é urgente fazer a recomposição das bolsas. De março de 2013 até agora, a desvalorização chegou a 75%. Na década de 90, as bolsas chegaram a valer 10 salários-mínimos. Claro, o mínimo cresceu e talvez não seja o caso de [a bolsa] ser 10 hoje. Mas, sem dúvida, não pode valer 1,8”, garantiu.

Helena Nader, presidenta da Academia Brasileira de Ciências (ABC), ressaltou o papel histórico da ANPG nas lutas pelo avanço e desenvolvimento nacional. “Vocês são parceiros de longa data. Juntos vamos na luta pela educação e pela ciência do nosso país, pela valorização da pós-graduação e dos valores das bolsas”, disse.

O ex-ministro da Educação e atual presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) enalteceu a importância da vitória do campo democrático no pleito eleitoral. “É importante saudar a realização de eleições democráticas, apesar de tamanho uso da máquina, algo nunca visto desde 1930. É preciso garantir que essa vontade popular se expresse, até porque vem ao encontro dos anseios da ciência, da educação, da saúde e do meio ambiente”.

Reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e presidente Andifes, Marcelo Fonseca, considerou que, passado ciclo tão conturbado de um governo de desmonte institucional, será necessário reerguer as estruturas da Educação e da Ciência. Para ele, “nesse novo ciclo que o Brasil passará, teremos uma nova tarefa, a de reconstrução. É preciso reestruturar essa fase da formação acadêmica”.

Também participaram do ato diversas lideranças de entidades da sociedade civil, como Ênio Pontes, representando o ProIfes; Jade Beatriz, presidenta da UBES; Deltan Felipe, da Abrapen; Camila Infanger, do Parent in Science; Mariana Moura, dos Cientistas Engajados; Mayra Goulart, do Observatório do Conhecimento e Luiz Carlos, da APG da PUC-SP.

O encerramento do ato de posse foi marcado pela leitura da Carta “Para pintar o Brasil que queremos” na pós-graduação, documento que apresenta um conjunto de reivindicações e lutas que devem nortear as ações da ANPG neste biênio.

 

Leia a CARTA ANPG FINAL