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Para auxiliar as pós-graduandas e pós-graduandos em problemas decorrentes da relação com orientadores, instituições de ensino, agências de fomento e programas de pós-graduação, a Gestão 2018-2020 da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos), em parceria com a FEPODI (Federação dos Pós-Graduandos em Direito), instituiu uma Ouvidoria.
O objetivo deste órgão é ajudar na resolução de problemas, por meio de uma mediação entre os agentes. Isso trará respostas mais rápidas e menos burocráticas sobre pendências que dificultam a vida dos pós-graduandos.
Além da Ouvidoria ser um espaço para receber e auxiliar nas dúvidas dos pós-graduandos, ela também servirá para a elaboração de uma agenda de campanhas de prevenção do problemas mais comuns. “Estamos construindo um espaço não somente para atendimento de conflitos dos pós graduandos, mas também que a médio e longo prazo consiga evitar os mesmos”, explica Elisangela Volpe, coordenadora da Ouvidoria da ANPG.
Como funciona a ouvidoria?
A ouvidoria é um canal de comunicação que poderá ser acessada pelo e-mail [email protected] e está aberta para receber as demandas dos pós-graduandos. Os e-mails serão avaliados e os responsáveis pelo canal ajudarão a encontrar soluções adequadas, sempre levando em em consideração as especificidades de cada caso.
Quando enviar um e-mail para Ouvidoria sempre coloque seu nome completo e números de telefones.

O programa ID Jovem está integrado ao Estatuto da Juventude e é uma política pública criada pelo governo federal para permitir que jovens entre 15 e 29 anos, com renda familiar de até 2 salários mínimos, possam participar de mais viagens, eventos culturais, esportivos e de lazer. O ID Jovem é um documento digital que pode ser feito seguindo os passos recomendados no link: https://idjovem.com/id-jovem-como-funciona-cadastro-e-como-usar/ . Além disso, ele também se vincula ao Documento do Estudante através da Lei da Meia-Entrada.

Quem é cadastrado no Identidade Jovem pode, por exemplo, fazer viagens interestaduais de ônibus, trem ou barco com 50% ou até 100% de desconto nos assentos reservados aos beneficiários. Outras vantagens são a isenção nas taxas de inscrição de concursos públicos e vestibulares de universidades e institutos federais, bem como pagamento de meia em eventos culturais e esportivos.

Mas atenção: a Lei de Meia-Entrada faz referência ao Documento do Estudante para garantir o acesso à meia-entrada, então, o beneficiário do ID Jovem pode também fazer gratuitamente sua carteira de estudante através do site www.documentodoestudante.com.br .

Cadastre-se e curta a vida com o ID Jovem e o Documento de Estudante!

 

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Foto: Saulo Cruz/Agência Câmara

Na semana passada, 24 de outubro, a Frente Parlamentar Evangélica lançou um Manifesto à Nação com os pontos que irão nortear a atuação do grupo, que elegeu 180 congressistas, nos próximos quatro anos. O documento é divido em 4 eixos, sendo um deles dedicado a Educação e ao Ensino Universitário, no qual é chamado de “Revolução na Educação”.
O primeiro ponto deste eixo já mostra a que vem. Vejam só: “MÉRITO: A BASE DE UM SISTEMA EDUCACIONAL DE SUCESSO. Valorizar e incentivar o mérito em todo o sistema educacional nacional como condição do sucesso individual e, por extensão, no sucesso do Brasil. A tragédia que se instituiu no Brasil nas últimas décadas teve como uma das causas o desprezo pelo esforço, pelo estudo, pelo mérito conquistado ao longo do tempo, em benefício do caminho mais curto da demagogia, do uso político-partidário das escolas e universidades públicas, que se tornaram instrumentos ideológicos que preparam os jovens para a Revolução Comunista, para a ditadura totalitária a exemplo da União Soviética e demais regimes sanguinários”.
Para Gabriel Colombo, Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da ANPG, o documento programático da Bancada Evangélica demonstra o difícil cenário que os pós-graduandos enfrentarão já nesse período pós-eleitoral. “O manifesto congrega cerca de um terço dos deputados federais eleitos e está pautado no enxugamento dos investimentos públicos em áreas sociais e estratégicas, no desmonte do funcionalismo público, no obscurantismo e censura na educação, nos privilégios fiscais e tributários para os empresários. É o programa do atraso, do aumento da desigualdade social e da entrega de qualquer possibilidade de desenvolvimento soberano”.
O texto do manifesto continua: “O democratismo comunista é a destruição do ensino de qualidade, pois, quanto mais ideológico, mas ele se torna improdutivo, ineficiente e corrupto. O populismo educacional gerou incompetentes em todas as profissões, e as pessoas só conseguem superar esse atraso quando resistem a essa pressão e estudam por si mesmas. A corrupção dos valores e princípios da meritocracia atinge duramente a qualidade da Educação, que é sempre universal. Não existem Ciências Naturais que somente tenham validade no Brasil. Quem não sabe Ciências e Matemática no Brasil não sabe em nenhum lugar no mundo. Portanto, o demérito não resolve nenhum problema de Educação, e cria todos os gravíssimos problemas que resultaram no gigantesco atraso do Brasil. Educação é sistema insustentável ou sustentável. A sustentabilidade se forma quando todo o sistema, da Educação Básica ao Doutorado, se baseia na meritocracia. É isso que colocará o Brasil no grupo das nações mais desenvolvidas do mundo, pois a Ciência & Tecnologia são resultado da Educação”.
O segundo ponto do texto ainda reforça: “Libertar a educação pública do autoritarismo da ideologia de gênero, da ideologia da pornografia, e devolver às famílias o direito da educação sexual das suas crianças e adolescentes. Defender o direito à inocência da criança como direito humano universal. CÂMARA DOS DEPUTADOS Frente Parlamentar Evangélica 55 Na verdade, ou temos Escola ou temos Ideologia. São inconciliáveis. Teremos que reinserir a Escola e a Universidade públicas em seu leito tradicional e conservador: ensinar.”  Isso já demonstra que a liberdade e autonomia das Universidades brasileiras correm sérios riscos.
“Este manifesto representa um grande sustentáculo das políticas retrógradas que estão se desenhando para o próximo período de Bolsonaro, seja no campo da economia, no campo dos costumes ou até mesmo no movimento estudantil. Não é todo mundo que reconhece a importância da educação como elemento central para que o Brasil se desenvolva. Além disso, esta nova gestão está transformando os professores em inimigos, atacando diretamente sua liberdade de cátedra. Os professores já são desvalorizados, pois tem péssimos salários e condições de trabalho, e agora sofrerão perseguição se aprovado o que está neste manifesto da bancada evangélica”, reforça a presidenta da ANPG, Flávia Calé.
Graduação e Pós-graduação
“Para nós, pós-graduandos, esse manifesto representa de imediato mais dificuldade para acessar as bolsas com a fusão dos ministérios da educação, cultura, esportes e ciência e tecnologia. E também para conseguir emprego, já que o programa defende praticamente o fim dos concursos públicos com o “uso intensivo da terceirização da mão-de-obra” no setor público e aumenta o período de estágio probatório nos cargos públicos para 6 anos”, explica o diretor da ANPG.
Gabriel ainda reforça que o programa da Bancada Evangélica é o programa de Jair Bolsonaro. “Somado às ameças a democracia, à criminalização dos movimentos sociais e da oposição política, deixa claro que temos um desafio histórico para as entidades estudantis e de classe. Precisamos nos organizar em diferentes níveis. Fortalecer o movimento nacional de pós-graduandos e a ANPG, ao mesmo tempo atuar na construção da unidade em torno de uma Frente Ampla Democrática e Antifascista para atuar nas ruas e também no Congresso”.
No Manifesto o terceiro ponto do eixo de Educação tem uma frase que demostra risco a toda a pós-graduação brasileira: Libertar a Pós-graduação Mestrado e Doutorado da repressão aos professores pela CAPES. Rever todos os métodos de uso do dinheiro público. Rever o Ensino Superior e modernizar a Graduação. Conforme já exposto acima, o Brasil precisa trabalhar em duas frentes complementares: o desenvolvimento das commodities, e o desenvolvimento das patentes tecnológicas. Raríssimos países são capazes de ter as duas em harmonia. E para isso, a CAPES não pode descumprir a Constituição Federal no Art. 207. “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.” Os docentes orientadores de Mestrado e Doutorado só podem orientar até 8 estudantes, o que explica o imenso atraso do Brasil, salas de aula vazias, e um custo gigantesco para um resultado microscópico.”
O documento ainda usa as indicações do Banco Mundial para passar a cobrar mensalidades em Universidades Públicas (relembre aqui):
• Uma das ineficiências do sistema brasileiro está associada ao tempo dedicado pelos professores à aula. Em média, o professor brasileiro dedica 65% do seu tempo ao ensino e o restante a outras atividades. As melhores práticas internacionais sugerem um percentual de 85%.
• Os gastos públicos com os ensinos fundamental e médio beneficiam os mais pobres (são progressivos). Já os gastos no ensino superior tendem a ser regressivos. A grande maioria dos brasileiros matriculados em ensino superior estudam em universidades privadas. Em 2015, dos aproximadamente 8 milhões de alunos universitários, apenas cerca de 2 milhões estavam em universidade públicas (predominantemente estudantes oriundos de famílias mais ricas). E 15% dos estudantes de ensino superior estavam entre os 40% mais pobres da população.
• Limitar os gastos por aluno aos níveis das universidades mais eficientes geraria uma economia imediata de 0,26% do PIB.
• PROUNI, FIES, SISU, PRONATEC, e todos os demais programas do Ministério da Educação precisam passar por rigorosa auditoria independente, visando uma avaliação rigorosa dos resultados práticos educacionais, e uma avaliação de eventuais problemas de corrupção até agora não percebidos pelas autoridades. A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) tem particular importância nessas análises que se imporão natural e necessariamente. Enfim, é preciso desburocratizar, mas ao mesmo tempo ter um sistema de acompanhamento e controle sofisticado. Todo o Ministério da Educação deve ter no Ministério Público Federal, Polícia Federal e demais órgãos federais fortes aliados na tarefa de imprimir lisura, transparência e sustentabilidade ética e cívica, e eliminar todas as possibilidades de corrupção.

Encerradas as eleições, abre-se um novo ciclo para nosso país. Nossa geração tem um desafio muito grande: assegurar que viveremos em um país democrático e um país soberano.
Isso significa para nós, pós graduandas e pós graduandos, que nossa luta se dará pela defesa do pensamento crítico e da liberdade de pensamento. Mas também a defesa da educação, ciência, das suas instituições científicas e de fomento.
Esses são pilares que vem sendo duramente atacados. Nos últimos tempos, vimos as universidades invadidas pela justiça perseguindo alunos e professores que construíram belos movimentos em defesa da democracia e contra o fascismo. Vimos cientistas perseguidos por suas pesquisas, aulas interrompidas por policiais.
Mas nenhuma dessas ações impediu de florescer um amplo e imenso movimento de resistência. Essa força deve se manter para impedir qualquer retrocesso democrático. Mais uma vez a história chama nossa geração a defender a democracia. Honraremos as gerações anteriores que defenderam o estado democrático.
Seguiremos vigilantes e com coragem lutando pelo melhor do Brasil e do nosso povo. Lutaremos pela ciência brasileira e educação e, portanto, por nossa soberania. Somos muitos e juntos somos fortes!

Flávia Calé, presidenta da Associação Nacional de Pós-graduandos – ANPG

Democracia e enfrentamento às opressões: o que as pós-graduandas e os pós-graduandos tem a ver com isso?
Richarlls Martins
Meu corpo, faça sempre de mim um homem que questiona.
Frantz Fanon
O Brasil segue sendo um dos países mais desiguais do mundo, situado na região mais desigual do planeta e com indicadores sociais e econômicos que visibilizam publicamente lacunas em setores fundamentais, como educação, saúde e emprego. Estas disparidades podem ser traduzidas na ausência ou ineficácia de mecanismos públicos capazes de garantir, em última análise, ampliação da cidadania, direitos humanos e justiça social.
A formação social brasileira é constituída por mecanismos de segregação, que em sua gênese produziram um histórico de hierarquização, com processos instituídos e formalizados de diferenciação entre os sujeitos sociais em nosso território. Os séculos de escravidão legalizada, as diferenciações entre homens e mulheres nos sistemas educacionais e laborais, às múltiplas discriminações legitimadas por discursos científicos contra a população LGBTB, a dizimação dos povos indígenas, as práticas de violência e tortura sobre certos corpos, e o não acesso aos bens e serviços públicos da maior parte do contingente populacional formada por cidadãos e cidadãs em situação de pobreza, compõem as bases para entender as raízes da nossa democracia tão desigual e os postulados que nos fundam como nação.
Neste sentido, o processo eleitoral em curso no Brasil apresenta elementos centrais que nos ajudam a (re) pensar o país e o papel dos sujeitos políticos na construção e fortalecimento da democracia. Apresentam-se polarizadas duas problematizações necessárias que precisam ser refletidas pelo conjunto nacional de pós-graduandas e pós-graduandos e podem ser traduzidas em ‘como garantir um Estado democrático de direito sem enfrentar às desigualdades estruturais que produziram uma democracia oprimindo e ceifando certos corpos?’ e ‘é possível construir uma democracia deixando a maior parte de sua população para trás?’.
O desafio de nossa democracia ganha nesta eleição um contorno de princípio central para o enfrentamento das opressões, pois coloca em campos opostos dois projetos distintos de país e que não se propõem a dialogar.
Há de um lado, um discurso que afirma-se sobre o medo e ressignifica práticas sociais que exploram a segregação com base na diferenciação entre corpos. Neste campo, opera uma complexa aliança entre o nacionalismo e o Estado mínimo, o recrudescimento da força via segurança e a militarização, bem como uma tentativa de inscrever em ambiente doméstico – de forma muito mais radical que em outros países – uma política global de restauração conservadora de direitos, que traduz-se especialmente na localização de certos lugares sociais sob os corpos negros, de mulheres e de sujeitos com orientações sexuais e identidades de gênero não normativas. É uma engenharia política nova que apropriasse das novas tecnologias de comunicação no sistema eleitoral para defender um projeto político no campo da moralidade com forte componente religioso, do medo e de alinhamento com uma vocalização autoritária.
A linha de enfrentamento neste terreno situa-se hoje, em âmbito nacional, na composição de uma frente política polifônica, que apresenta como princípio o signo de defesa de democracia, não ao fascismo e a promoção dos direitos humanos. A complexidade deste outro polo está em conseguir responder rapidamente a um amplo conjunto da população demandas sociais legítimas, como a preocupação com os altos índices de violência e mortalidade, a crise econômica e de desemprego, que não são simples de serem contestadas no debate público, como o outro campo de forma simplista apresenta. Há no interior deste conjunto de atores e atrizes, a coesão de que a defesa da democracia passa por enfrentar o discurso de ódio, de autoritarismo e a composição neo-fascista presente no interior de sociedade e que encontra diálogo em postulados do outro campo.
Se entendemos que a missão central da produção científica e tecnológica, ou seja, nossa função social como pós-graduandas e pós-graduandos, é enfrentar as desigualdades latentes em nosso país e possibilitar um conhecimento que auxilie para o desenvolvimento sustentável, a ascensão de um projeto político que se afirma na desqualificação e não promoção dos direitos fundamentais, no esgarçamento do tecido social pelo discurso de ódio e se funda na lógica autoritária, certamente dificultará e apresentará barreiras éticas, políticas, sociais e econômicas para o cumprimento de nossa função social como pesquisadoras e pesquisadores.
Enquanto pós-graduandas e pós-graduandos assumimos o compromisso público com a democracia e com o enfrentamento a todas as formas de opressão. Neste sentido, nossa prática orienta-se pela missão de promover liberdade, igualdade social, étnica-racial, de gênero, bem como o respeito à diversidade de orientação sexual e identidade de gênero. Apenas é possível a produção científica quando a democracia está garantida. Logo, para efetivar o pleno exercício dos direitos políticos é fundamental afirmar uma democracia ativa, na qual incluamos todos os sujeitos sociais, especialmente os segmentos populacionais e grupos identitários em situação de maior vulnerabilidade e sub-representados politicamente. Este é o desafio do atual processo eleitoral em curso e cada vez mais é fundamental que enquanto pesquisadoras e pesquisadores estejamos do lado da democracia e contra toda inscrição autoritária.
*Richarlls Martins é diretor de combate às opressões da ANPG, diretor da APG Fiocruz/RJ, psicólogo, mestre em Políticas Públicas em Direitos Humanos/UFRJ e doutorando em Saúde Coletiva PPGSCM/IFF/Fiocruz.
*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade.

NOTA OFICIAL DA UNE, UBES E ANPG
A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, a União Nacional dos Estudantes, e a Associação Nacional de Pós Graduandos, entidades que sempre prezaram pela democracia e pelo direito do povo brasileiro e dos estudantes, entendem a gravidade do momento que nossa recente democracia vive com o resultado das urnas neste domingo.
Venceu o candidato que ameaça a universidade, escolas, os direitos sociais, a gratuidade de nossas instituições públicas, o investimento na educação e na ciência e a liberdade de organização. Venceu a mentira espalhada pelas redes sociais, um projeto que enganou boa parte do povo brasileiro.
Por isso convocamos os estudantes a se organizarem, não deixaremos tirarem o que é nosso, continuaremos lutando pela democracia e por uma educação de qualidade e para todos. Que organizemos AssemblEias Gerais dos Estudantes em todas as universidades do Brasil. É preciso fortalecer e defender o caráter gratuito das instituições públicas e a livre organização estudantil por meio das entidades estudantis.
O presente promete luta. Precisamos estar unidos e organizados para resistir.
Pelos estudantes, pelo povo e pelo Brasil.
UNIÃO BRASILEIRA DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS
UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PÓS-GRADUANDOS
28 de Outubro de 2018

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O Informativo da ANPG tem edição trimestral e nesta edição especial traz informações sobre o Segundo Turno das Eleições, com posicionamento da entidade, apresentação da nossa ouvidoria, posse na gestão 2018-2020, artigo sobre a previdência para os pós-graduandos e uma matéria sobre o incêndio no Museu Nacional.
Você pode ler online clicando aqui.
Ou fazer o download da versão em PDF: Informativo_outubro (2)
 

A Associação Nacional de Pós-Graduandos vem a público manifestar seu mais total repúdio as ações de policiais e fiscais da justiça eleitoral em universidades públicas em todo o país e defender a liberdade democrática. Nos últimos dias, têm intensificado-se ações policiais dentro das universidades, censurando e abordando professores e alunos, invadindo salas de aulas, sedes das entidades representativas dos mais diversos setores da comunidade acadêmica e apreendendo material com manifesto em defesa da democracia e da universidade pública.
A Universidade no Brasil historicamente tem sido lugar de resistência democrática, criando espaços universitários de debates e críticas sobre os rumos do país. Tal fato se torna tão verdadeiro quando observamos que a instituição foi uma das primeiras a ser alvo da Ditadura Civil-Militar que acometeu o país na década de 60. Ditadura que se inicia realizando uma reforma universitária que pudesse colocar a universidade aliada ao projeto político hegemônico na época e minar qualquer espaço de críticas sociais além de calar a oposição que crescia intensamente ao regime autoritário.
E, assim como foi no passado, após o golpe de 2016 e até os dia de hoje, Universidade brasileira volta a se tornar um dos principais alvos daqueles que detêm a hegemonia do poder. E são ameaças que precisam ser denunciadas!
São ameaças que não estão soltas e nem são espontâneas na atual conjuntura de ameaça iminente do fascismo no país nessa eleição. Elas fazem parte de um projeto político antidemocrático e antinacional que visa além de outras coisa, voltar aos tempos ditatoriais da década de 60, retirar direitos civis, sociais, trabalhistas e previdenciários, expulsar povo de dentro das universidades e exterminar qualquer tentativa de execução da função social da Universidade que é a discutir os rumos do país e servir a um projeto nacional de desenvolvimento econômico e social.
É preciso estarmos atentos e defendermos esta Instituição tão importante para construção de um Brasil democrático, independente, soberano e com qualidade de vida para o seu povo. Precisamos estar unidos e dialogar com a sociedade sobre a importância da Universidade, denunciando estas e outras tentativas de ameaça a liberdade democrática.
Associação Nacional de Pós-graduandos, 26 de outubro de 2018

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Mídia Ninja

 
Há menos de 3 dias do segundo turno, fiscais de tribunais eleitorais, policiais federais e militares, a mando de juízes, invadiram universidades públicas em todo o país para interrogar, intimidar e apreender materiais, além de ordenar a retirada de comunicados do ar. A prerrogativa usada pelos juízes é a de que os materiais constituem campanha para o candidato Fernando Haddad (PT).
Um desses exemplos aconteceu nesta última quinta-feira (25), quando policiais federais armados adentraram Associação Docente da Universidade Federal de Campina Grande (ADUFCG) obedecendo a um mandado de busca e apreensão, expedido pelo juiz eleitoral Horácio Ferreira de Melo Junior, para recolher o “Manifesto em Defesa da Democracia e da Universidade Pública”, assinado pela entidade sindical e aprovado pela categoria em Assembleia.
Para a presidenta da ANPG, Flávia Calé, este é um duro ataque à democracia que não pode ser admitido no nosso país. “O que temos assistido no Brasil é uma escalada antidemocrática com sentido de censura do pensamento crítico. A candidatura de Jair Bolsonaro, através da disseminação do ódio a tudo e todos que pensam diferentes dele estão sofrendo ataques que só vimos no Brasil no período da ditadura militar”.
“Como estudantes brasileiros, aprendemos a dialogar em uma Universidade livre e aberta. Atos como censura à opinião política das comunidades acadêmicas rememoram os repressivos dias da ditadura militar e ferem frontalmente a autonomia das Universidades”, explicou o Diretor de Direitos dos Pós-Graduandos, Welington Oliveira.
De acordo com o site Brasil de Fato e o Jornal Folha de São Paulo, outros episódios foram relatados. Na terça-feira (23), policiais invadiram a Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, para remover uma bandeira antifascista, que não continha qualquer menção à nenhum dos candidatos. A Universidade Federal de São João Del Rei (MG) recebeu também nesta quarta-feira um Mandado de Notificação que ordena a retirada do ar da Nota da Universidade Federal de São João del-Rei a favor dos princípios democráticos e contra a violência nas eleições presidenciais de 2018, assinada pela Reitoria da instituição. Eles têm 48h para retirar o conteúdo do ar.
Alguns professores também foram coibidos. Enquanto dava uma aula sobre fake news, na disciplina de Mídias Sociais, do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Pará (UEPA), o professor Mário Brasil teve sua aula invadida pela Polícia Militar. Em outra violação da autonomia universitária, o juiz Rubens Witzel Filho emitiu, nesta quinta-feira (25), um mandado de notificação para a Universidade da Grande Dourados (MS) proibindo a realização da aula pública “Esmagar o fascismo”, que seria realizada no mesmo dia, às 10h, nas dependências da universidade.
Para Germando Neto, Diretor de Universidades Públicas da ANPG, esta perseguição política que está acontecendo em diversas univeridades no Brasil nada mais é que um retorno do autoritarismo do passado que ainda permanece latento nas instituições brasileiras. “Se em outro momento nós vimos a Une e outras entidades estudantis serem fechadas e perseguidas, hoje o que acontece é que as Universidades se posicionam em defesa de sua continuidade, gratuidade e democracia contra o fascimo (que não são bandeiras de um candidato e sim históricas) enquando o TRE, polícia e militares as perseguem. Pode até se fazer a analógia que no Brasil tinhamos um mosntro dormindo e que acordou com o advento do fascimo em especial caraterzidado na figura do canditato Jair Bolsonaro”.
#EleNãoVaiNosCalar
A UNE, Jornalistas livres e Midia ninja foram notificados, a partir da solicitação da campanha de Bolsonaro, para retirar conteúdos de suas páginas que criticassem as falas e seu programa neoliberal e fascista. “Agora, vemos as mesmas ações em relação às universidades. O pedido de busca e apreensão do manifesto em defesa da democracia construído pela comunidade acadêmica, fere profundamente a liberdade de pensamento e expressão que nos assegura a constituição de 1988”, explica a presidenda da ANPG.
Para Calé, essas ações autoritárias buscam inibir qualquer resistência ao desmonte que vem sofrendo as Universidade Públicas. “As IFS estão em crescente ameaça pela ivestidas privatizantes, à entrega do patrimônio nacional aos interesses do capital estrangeiro como no caso da Petrobras e da Embraer e a perda de direitos dos trabalhadores e da população brasileira. Essas ações do TRE, polícia e militares escondem a resistência daqueles que lutam para que não se acabe a possibilidade de se fazer ciência no Brasil”.
“A justiça precisa cumprir seu papel constitucional. Essas medidas arbitrárias extrapolam suas atribuições e desvirtuam sua função para uma finalidade de perseguição politica de alunos e professores. ANPG se opõe veementemente ao autoritarismo e a censura das universidades brasileiras pela justiça. Queremos mais debates e não a obstrução da livre circulação de ideias”, finaliza a presidenta.

Fonte: Brasil de Fato e Folha de São Paulo

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Entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) promoveram no dia 14 de outubro, na Faculdade de Direito da USP (Sala Pires da Motta), o debate “Internacionalistas pela Democracia”, reunindo nomes como Celso Amorim (ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil), Tatiana Berringer, coordenadora do curso de RI da Universidade Federal do ABC e Antonio Freitas, diplomata e gestor da Tapera Taperá.
“O objetivo do evento foi debater alguns pressupostos da nação que estão em xeque neste segundo turno da eleição presidencial como, por exemplo, as relações exteriores e a própria defesa da democracia brasileira”, disse a presidenta da ANPG, Flávia Calé.
Celso Amorim, que era aguardado ansiosamente pelos participantes, frisou que nunca na história do país se ouviu de forma explícita posições tão radicais. “Nós nunca tivemos, nem no Governo Militar uma ameaça tão contundente”, disse o diplomata. Amorim comparou este momento com a história de Hitler, na qual até mesmo muitos judeus não acreditavam que o governo alemão seria tão violento. “A violência quando imposta segue sua própria lógica, não há como pará-la. A eleição de Haddad é uma necessidade para o Brasil”, completou.
Bianca Borges, vice-presidente da UNE de São Paulo, também falou sobre a importância deste momento e de estar contra o fascismo: “Democracia é um tema caro para nós, com 80 anos marcados pela defesa da democracia e que tenhamos um projeto pelo Brasil que caiba todas e todos. A nossa compreensão que neste segundo turno não é entre um projeto e outro e sim a democracia contra a barbárie”, disse.
O evento reuniu 200 pessoas e também foram debatidos maneiras dos estudantes de relações internacionais continuarem vigilantes pela democracia brasileira. Para isso foi criada a página https://www.facebook.com/internacionalistaspelademocracia/. Participe você também.