Mesa de abertura aponta caminhos para o sétimo Plano Nacional de Pós-Graduandos e reitera a importância da defesa democrática do país

 

Na tarde desta sexta-feira, 1º de julho, foi dada a largada para o Seminário Educação & Ciência da ANPG (Associação Nacional de Pós Graduandos), com o tema “Caminhos para superar os desafios brasileiros” . 

 

A primeira mesa “Do PNPG ao PNE: qual sistema educacional é necessário para o Brasil?”

reuniu as três mulheres da mesa diretora – a presidente Flávia Calé, Stella Gontijo, vice-presidente,  e Raquel Luxemburgo, secretária-geral, – e convidados para debater o sétimo Plano Nacional de Pós Graduação, dentro do contexto atual, com atraso de quase dois anos teve a formação da comissão anunciada, na qual a ANPG terá uma cadeira.

Jorge Audy, professor titular da Escola Politécnica e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação da PUCRS e coordenador da comissão de acompanhamento do PNPG, avalia que um dos principais objetivos do próximo Plano é articular todas as agências de fomento, em todo país. 

“Além disso, é urgente rever os valores das bolsas de pesquisa que estão totalmente defasadas e assim tornar a pesquisa atrativa novamente aos estudantes”, observa. 

 

Flávia Calé, avalia que o PNPG é emblemático por estar sendo debatido no marco do bicentenário da independência do Brasil.

 

“A autonomia científica nos possibilita soberania e para a independência do Brasil  no século XXI é necessário torná-lo um produtor do conhecimento, sendo assim, a ciência e a educação são pilares”. 

 

Para a presidente também é urgente que o Plano preveja a implementação das cotas raciais na Pós-Graduação e plano de emprego para os jovens doutores, evitando a “fuga de cérebros” do país.

 

Tarcila Atolini, professora de engenharia química da UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri), alerta sobre as ameaças que os reitores interventores, estão gerando nas instituições, com a perseguição a professores e funcionários, e como afetam o propósito e objetivos das universidades..

 

“Os reitores nomeados por Bolsonaro e que não respeitam a ordem democrática representam um projeto privatista, com interesses, e que desmonta a universidade pública a serviço da sociedade”.

 

O presidente do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-graduação (FOPROP) Robério Rodrigues, também lista o desrespeito à democracia interna das instituições como um entrave para a que os com os programas de pós-graduação estejam alinhados com os problemas e necessidades da sociedade.

“Deve ser articulado no Congresso o fim da lista tríplice, para que a vontade da comunidade acadêmica seja respeitada nas eleições para a reitoria”.

 

Redução de Assimetrias 

Para Emmanuel Zagury Tourinho, reitor da UFPA (Universidade Federal do Pará) , o PNPG deverá avançar pela redução das desigualdades do território brasileiro. 

Ele explica a conjuntura que permeia a – ausência – de investimentos na pesquisa na região amazônica. 

“É um paradoxo que a região da Amazônia, com tanta importância para  o mundo e envolvida em tantos desafios, receba o menor orçamento de educação. Com o PIB produzido na região, financiamos a ciência e pesquisa para outras regiões”, diz.

O reitor ainda acrescenta que o Brasil chegou muito tardiamente à atividade científica, à estruturar instituições,  mas deve-se observar que construíram tanto em pouco tempo, sem políticas estáveis que favoreçam o desenvolvimento, e sem saber o orçamento do próximo ano. 

“As dificuldades não surgem pela falta de formulação, mas do pouco poder nas mãos das comunidades acadêmica e científica para definir as políticas públicas necessárias para o desenvolvimento da ciência e do país”, conclui.

 

Mulheres Cientistas

 

Durante a mesa também foi apresentada a Revista Científica da ANPG  – Ciência, Tecnologia e Políticas Educacionais -” Mulheres e Mães Pesquisadoras em Tempos de Covid-19”  que se dedicou a receber artigos das pós-graduandas, uma vez que os desafios da pandemia foram muito intensificados para as mulheres.

 

Bruna Garcia, diretora acadêmica, observa que as pós-graduandas ficaram sobrecarregadas nesse período e muitas interromperam suas pesquisas. 

“Trazemos muitos temas pertinentes  ligados aos desafios femininos e os impactos de gênero nesse período e apresentamos propostas para superá-los e as lutas das associações de pós-graduandos em organização para debater as mulheres, maternidades e parentalidade, para uma carreira acadêmica que seja mais diversa e plural”. 

 

Também foi anunciada a submissão de trabalhos para a Mostra Científica do 28º Congresso da ANPG, que poderá ser feita pelo link, com resumo do projeto e vídeo

 

A mostra será on-line e transmitida pelo canal do Youtube da ANPG e replicada nas redes.

 

 

 

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