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Reunidos para discutir o futuro do ensino superior brasileiro, os participantes de audiência pública realizada na última quarta-feira (15) pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), dentre os quais a presidente da ANPG, Elisangela Liuzardo, concordaram em um ponto: para que o país tenha melhores faculdades e universidades, precisa fortalecer a sua educação básica. Ao debater as metas do segundo Plano Nacional de Educação (PNE), atualmente em discussão na Câmara, eles defenderam ainda a ampliação dos investimentos gerais em educação no país, de 7% para 10% do produto interno bruto (PIB), até 2020.
 
“O grande gargalo do ensino superior está no ensino básico. Nós corremos o risco de sofrer um apagão de capital humano e precisamos estabelecer um projeto para o Brasil para os próximos 50 anos”, afirmou o professor Isaac Roitman, coordenador do Grupo de Trabalho de Educação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), para quem o país precisa estabelecer políticas públicas para a educação desde a etapa de zero aos três anos de idade.
 
ANPG
 
Reafirmando a pauta dos pós-graduandos em defesa da ciência e do desenvolvimento do país, a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, defendeu o aumento dos investimentos em ciência e tecnologia, como forma de "ampliar a possibilidade de produção de riqueza" no Brasil. Atualmente, como observou, o país produz apenas 2% das patentes mundiais. 
 
A presidente da ANPG defendeu as 59 emendas apresentadas pela entidade ao Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020), com destaque pata o investimento de 10% do PIB brasileiro em Educação e a destinação de 50% das verbas do Fundo Social do Pré-Sal para educação, ciência e tecnologia. Esta última bandeira é defendida pela ANPG desde a descoberta das reservas de petróleo na camada do pré-sal e tem o apoio do Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.
 
Elisangela falou ainda sobre o Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG 2011-2020), o qual pautou que esteja articulado com os outros níveis de ensino.
 
Educação como prioridade
 
O presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), Paulo Speller, apresentou três sugestões para o debate do PNE. A primeira é o investimento na qualidade da educação básica, para que se possa cumprir a meta número 12 do plano, segundo a qual a educação superior deveria alcançar 33% da população de 18 a 24 anos até o final da década. A segunda é também a reivindicação de 10% do PIB para o setor. E a terceira, a transformação da educação em "política prioritária do Estado".
 
O percentual de 10% do PIB para a educação foi defendido ainda pelo consultor educacional da Associação Brasileira de Mantenedores do Ensino Superior, Celso Frauches. Em sua opinião, o obstáculo para a expansão do ensino superior no país não é a falta de vagas. No ano passado, relatou, havia 40 mil vagas ociosas nas universidades públicas e 1,5 milhão nas instituições privadas.
 
“Os problemas estão na formação básica dos alunos e, no caso do ensino privado, na falta de capacidade de pagamento das mensalidades”, disse Frauches, que defendeu a adoção pelo país de um Sistema Único de Educação Básica, nos mesmos moldes do Sistema Único de Saúde.
Assim como os demais expositores, o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Álvaro Prata, pediu 10% do PIB para a educação e manifestou sua preocupação com o ensino básico. Além disso, ele criticou a forte concentração de alunos do ensino superior em apenas três cursos: Administração, Direito e Pedagogia. O reitor pediu maior ênfase na ampliação da competitividade tecnológica do país.
 
Patentes
 
A senadora Ana Amélia (PP-RS), que presidiu a reunião, ressaltou a coincidência dos participantes da audiência em relação à "constatação grave sobre o gargalo do ensino básico". Por sua vez, a senadora Ana Rita (PT-ES) demonstrou preocupação com a deficiência de professores nas universidades públicas.
 
Da redação, com Agência Senado

A Capes desenvolve, em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), uma versão de fácil acesso ao Portal de Periódicos para os aparelhos. A versão ainda está em fase de testes, mas os usuários que quiserem contribuir com sugestões podem encaminhar suas observações para [email protected].

O diretor de Programas e Bolsas no País, Emídio Cantídio, e o diretor de Avaliação, Livio Amaral, participaram no último dia 31 de uma reunião para elaboração da nova ferramenta e diversas sugestões foram dadas para a melhoria da versão de teste. A equipe do Projeto de Atualização Funcional e Tecnológica do Portal de Periódicos da Capes já está providenciando as alterações solicitadas e adquirindo novos equipamentos para o desenvolvimento desta versão.

Acompanhe o site Portal de Periódicos para mais atualizações: http://www.periodicos.capes.gov.br.

Portal de Periódicos

Lançado em novembro de 2000, o Portal de Periódicos da Capes é considerado uma biblioteca virtual que reúne conteúdo científico de alto nível, disponível à comunidade acadêmico-científica brasileira. Em dez anos, o acervo do Portal passou de 1.882 títulos de periódicos com texto completo, para 26.372 títulos. O número de instituições usuários foi multiplicado por quatro, passando de 72 instituições para 311, no ano passado. Em 2010, foram contabilizados 67.392.805 acessos.

(Ascom da Capes)

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz – CEBRAPAZ realiza nos dias 17 e 18 de junho, em São Paulo, a Conferência Internacional A Integração Latino Americano: a importância da cultura da paz num mundo militarizado. O objetivo é discutir o tema sob o olhar da política internacional com representantes de países latinos, árabes e asiáticos, que debaterão as ações desenvolvidas em prol de uma cultura da paz.

 
“O fortalecimento da conquista pela paz através do respeito à soberania das nações, autodeterminação dos povos, princípio de igualdade e a abertura do diálogo para diminuição dos conflitos são questões fundamentais para a conquista da paz e seu fortalecimento”, afirma Socorro Gomes, presidente nacional do Cebrapaz.
 
O evento abordará temas como o fortalecimento da cultura da PAZ e em um mundo militarizado, ameaças à Paz no Atlântico Sul – 4ª Frota e Organização do Tratado do Atlântico do Norte – OTAN, investidas do Imperialismo na América Latina e a Luta dos Povos em Defesa da Soberania e Paz. Para o Cebrapaz, é necessário o combate de ações que promovem a prática guerreira, como as desenvolvidas pela OTAN, bases militares, marinha de guerra dos Estados Unidos e tropas ocupantes em países estrangeiros.
 
Estão confirmadas as presenças de representantes da Argentina, Colômbia, Cuba, Honduras, Palestina, Peru, Porto Rico, Venezuela e Vietnã, além de especialistas brasileiros.
 
Por uma cultura de Paz
 
A Cultura da Paz se baseia em um conjunto de ações que envolvem valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilo de vida que promovem o respeito à vida e à diversidade cultural, o fim da violência; enaltecem os direitos humanos, a solidariedade, a justiça, a liberdade, a igualdade e a democracia; que protegem o meio-ambiente, para que se dissemine a paz entre todos os povos e nações.
 
Esta definição foi divulgada pela ONU – Organização das Nações Unidas, em 1999, na Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz, na qual vários países aderiram. Esses países comprometeram-se a divulgar e difundir a declaração para uma efetiva concretização destes conceitos.
 
A ANPG se solidariza com a luta do Cebrapaz e convoca os pós-graduandos a participarem da Conferência e a apoiarem as ações em prol de uma cultura de paz.
 
Serviço:
Para maiores informações e inscrições:
[email protected] ou pelo telefone (11) 3223-3469.
 
Programação da Conferência:
 
17/06 – Sexta-feira
 
19h – Mesa de Abertura – Fortalecer a cultura da paz em um mundo militarizado
Palestrantes:
Socorro Gomes – Cebrapaz
Carlos Rafael Zamora Rodriguez – Embaixador de Cuba
Maximilien Arvelaiz – Embaixador da Venezuela
Duong Nguyen Tuong – Embaixador do Vietnã
Mediador: Denis Veiga Jr
 
18/06 – Sábado
 
9h – Mesa 1 – Ameaças à Paz no Atlântico Sul-4ª. Frota e OTAN
Palestrantes:
Rina Bertaccini – Argentina
Guillermo Borneu – Peru
Prof. Igor Fuser – Brasil
Mediador: Rubens Diniz
 
11h30 – Mesa 2 – Atual política dos EUA para América Latina e Caribe
Palestrantes:
Enrique Daza – Colômbia
Bertha Oliva – Honduras
Guillermo De La Paz Velez – Porto Rico
Ricardo Abreu – Brasil
Mediador: Ronaldo Carmona
 
15h – Mesa 3 – Luta dos povos contra as agressões
Palestrantes:
José Ramón – Cuba
J.K. Suleiman Rashid – Palestina
Majd Al Shara – Síria
José Reinaldo Carvalho – Brasil
Mediador: Alexandre Braga
 
18h – Coquetel de encerramento
 

 

Economista chama a atenção para a insustentabilidade do sistema industrial moderno, que segue a regra de extrair-produzir-descartar.

 

Mostrar que o debate sobre os grandes desafios da economia dos anos 2000 passa pela necessidade de superação da pobreza, mas sem esquecer os princípios da sustentabilidade socioambiental. Esse é o tema central da conferência Bases ecológicas da sociedade e da economia, que será proferida pelo economista Clóvis Cavalcanti, na 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 10 a 15 de julho, na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO).

 

Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e atualmente pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, Cavalcanti tem se dedicado nos últimos anos à chamada economia ecológica. Para os seguidores dessa corrente de pensamento, a economia nada mais é do que um subsistema do sistema ecológico. Nesse sentido, Cavalcanti observa que não existe sociedade sem natureza, mas existe natureza sem sociedade. Por isso, em sua conferência, ele chamará a atenção para a insustentabilidade do sistema industrial moderno, que segue a regra de extrair-produzir-descartar.

 

De acordo com ele, a ciência moderna é reducionista. "Ela ampliou e levou o conhecimento para muitas e distintas direções, mas nos privou de ideias sobre como formular e resolver problemas que surgem das interações entre os seres humanos e o mundo natural", explica. "De que forma o comportamento humano se conecta com mudanças nos ciclos hidrológicos, de nutrientes e de carbono? Quais são as formas de retro-alimentação entre os sistemas social e natural, e como tais formas influenciam os serviços que recebemos dos ecossistemas? A economia ecológica, como campo de estudo, tenta responder a essas questões."

 

Em sua conferência, Cavalcanti apresentará os princípios e instrumentos relativos à ligação entre meio ambiente e a economia. "Com esse propósito, vou introduzir no debate a dimensão biológica (ou dimensão da vida), além de uma visão do papel das leis da natureza, na percepção da realidade econômica e social, com as implicações que daí decorrem diante dos processos humanos", adianta. "Isso é necessário, principalmente para que se possam conceber regras e ferramentas de uma proposta científica, que contribua para a realização consciente do desenvolvimento sustentável – ou seja, progresso humano sem sacrifício irreparável dos ecossistemas."

 

Para Cavalcanti, a sociedade moderna está em rota de colisão com a natureza. Por isso, é preciso respeitar as taxas de regeneração da produção de recursos naturais (ciclo hidrológico, por exemplo) e de assimilação de dejetos (gás carbônico, por exemplo) dos ecossistemas. De acordo com ele o desenvolvimento sustentável deve consistir em promover a arte da vida e é, antes de tudo, de dimensão qualitativa. "Esses temas são centrais para o pensamento ecológico-econômico desenvolvido pela Sociedade Internacional de Economia Ecológica, da qual faço parte, e de sua componente brasileira, a Eco-Eco, de qual sou diretor", diz. "Essas são algumas das questões que vou abordar na minha participação na reunião da SBPC."

 

(Assessoria de Imprensa da SBPC)

Confira a mensagem do vice-presidente da SBPC eleito para o período 2011-2013.

Cara sócia, caro sócio,

 

Concluídas as eleições, contados os votos, eleitos: Helena, Ennio, Dora, Rute, Edna, Luca, Aleixo, Zé Raimundo, e Adalberto, resta agradecer a todos os que se empenharam em apoiar os candidatos, ler programas e assinar manifestos e recordar ideias e princípios.

 

Diretrizes e metas não faltam, escritos ou e-postados.

 

Uma decepção: somente 1500 dos 3800 sócios quites votaram!

 

Apesar dos numerosos apelos e dos escritos que circularam, poucos responderam.

 

Curioso, a SBPC é uma Sociedade que congrega seus associados em torno de ideais. Todos, em princípio imaginamos, deveriam estar motivados a participar. Não foi isso que ocorreu.

 

Entender é preciso. Devemos reencontrar o diálogo com a maioria dos sócios que não expressou seu voto. É mais uma missão para o próximo biênio.

 

Por outro lado o grande número de sócios e amigos que subscreveu o nosso manifesto e o manifesto de Helena revela que temos, os eleitos, uma torcida numerosa e determinada… que nos observará e cobrará as promessas, isso é bom, não deixará  ninguém dormir "nos pontos" e cimentará o diálogo solidário entre os eleitos.

 

É nosso o compromisso de levar à discussão da nova Diretoria os temas e programas  que a campanha despertou.

 

 Ass. Dora Ventura, Edna Castro, Ennio Candotti, Maria Lucia Maciel

Capes vai oferecer 40 mil bolsas com US$ 936 milhões de investimento. CNPq ficará responsável pelas outras 35 mil bolsas.

Os ministros da Educação, Fernando Haddad, e de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, se reuniram nesta terça-feira (7) em Brasília com reitores de universidade e de institutos federais de educação, ciência e tecnologia, para discutir as estratégias do plano para criar 75 mil bolsas para brasileiros estudarem no exterior até 2014.

A oferta de bolsas do programa de internacionalização vai envolver a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A Capes será responsável por ofertar 40 mil bolsas, com estimativa de investimento de US$ 936 milhões ao longo de quatro anos (US$ 234 milhões por ano). O plano de ação da Capes prevê em 338% o crescimento no número de bolsas no exterior em relação a 2010. O CNPq, por sua vez, será responsável pelas outras 35 mil bolsas.
 
Entre as modalidades das bolsas da Capes estão a graduação-sanduíche (quando o aluno passa um período no exterior durante sua formação no Brasil), doutorado-sanduíche (com parte dos estudos fora do país), dourado pleno e pós-doutorado.
Rompante
 
“Não se trata de um rompante em que levaremos muitos estudantes ao exterior, mas de um grande projeto, que será institucionalizado pelo governo federal”, explicou Haddad. Mercadante, por sua vez, destacou que o CNPq vai ampliar muito a sua oferta atual, que é de 5,3 mil bolsas por ano.
A intenção do governo é dar prioridade para áreas do conhecimento que consideram prioritárias para o desenvolvimento do país, como engenharia e tecnologia. “São áreas em que o mercado de trabalho está aquecido e há déficit de pessoal”, observou Mercadante. “Para cada 50 formandos no país, temos apenas um engenheiro.”
 
Estudantes de cursos técnicos de nível médio e os de educação profissional também receberão bolsas. Segundo o MEC, serão 6 mil para cursos superiores de tecnologia, 3 mil para licenciatura em matemática, física, química e biologia, 3 mil para bacharelado tecnológico e 3 mil para estudantes de nível médio.
O governo negocia com instituições de ensino de vários países para promoverem intercâmbio de estudantes brasileiros. Segundo o MEC, só nos Estados Unidos, das 97 universidades contatadas, 95% manifestaram interesse em receber estudantes brasileiros. Elas oferecem alojamento gratuito, estágios de pesquisa e treinamento prévio em língua inglesa. França, Alemanha, Espanha, Portugal e Japão também costumam receber estudantes brasileiros.
 
Fonte: G1
Foto: Evane Manço / Secetec
Ampliar o número de agentes promotores da política de Ciência e Tecnologia; dar maior expressividade às fundações de amparo à pesquisa; criar estratégias para minimizar as desigualdades regionais, promovendo o desenvolvimento nacional; e integrar agências de fomento, governos, setor empresarial e sociedade. Essas foram algumas das ações sugeridas no seminário “Possibilidades de políticas de pós-graduação para o Estado de Pernambuco”, realizado na tarde desta quarta-feira (26), no auditório da Secretaria de Ciência e Tecnologia.
 
O encontro, que contou com a exposição da coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Inovação Terapêutica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Suely Galdino, reuniu professores e pesquisadores para debater a criação de cursos de mestrado e doutorado em instituições pernambucanas, em especial a Universidade de Pernambuco (UPE), com foco na inovação. 
 
Em sua exposição, Suely fez um apanhado histórico do desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no País, desde o período de criação dos principais atores de fomento à pesquisa, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre as décadas de 50 e 60, até os dias atuais. A intenção foi traçar um panorama da área, mostrando os principais indicadores de pesquisa e desenvolvimento no Brasil e apontando soluções para impulsionar a produção de conhecimento.
 
“Pernambuco ocupa o 5º lugar em investimentos em bolsas e fomento, segundo dados do CNPq. Temos números significativos, mas os pesquisadores precisam ser reanimados com ações de estímulo na área, como a criação de programas de pós-graduação em rede, a inserção social e a aplicação de pesquisas a projetos estruturadores. É preciso aliar e absorver as ideias de inovação tecnológica e social”, explicou. 
 
Para o secretário de Ciência e Tecnologia, Marcelino Granja, iniciativas como essa são relevantes no sentido de contribuir para a formação de recursos humanos qualificados no Estado, consolidando Pernambuco numa posição estratégica de desenvolvimento. “O cenário atual do Estado é extremamente favorável ao fortalecimento da formação de quadros qualificados, à interiorização do conhecimento e ao seu avanço como centro de pesquisa. A política nacional de desenvolvimento regional se comunica com a ideia de integrar a Ciência e Tecnologia a serviço da sociedade”, finalizou. 
 
Fonte: www.sectma.pe.gov.br
Foto: Arquivo – Laycer Tomaz
O relator da proposta, deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), considera que o projeto é constitucional.

Proposta também determina que haja representação da sociedade nos órgãos máximos de deliberação das instituições públicas de ensino superior.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou nesta quarta-feira proposta que estabelece a eleição direta para escolha de reitores, vice-reitores e diretores das instituições públicas de educação superior. Conforme a proposta, participarão da votação os professores, alunos e servidores técnico-administrativos, nos termos do disposto em seus estatutos e regimentos.

A proposta, que tramitou em caráter conclusivo, retorna para o Senado, por ter sido alterada na Câmara.

O texto também determina que o órgão colegiado deliberativo superior das instituições públicas de educação superior será formado de forma democrática, com 2/3 dos assentos ocupados por membros da comunidade acadêmica e 1/3 por representantes da sociedade civil local e regional.

Em cada um dos demais órgãos colegiados e comissões, os professores ocuparão 70% dos respectivos assentos, inclusive nos que tratarem de elaboração e modificações estatutárias e regimentais, bem como da escolha de dirigentes.

O texto aprovado foi o substitutivo da Comissão de Educação e Cultura aos projetos de Lei 4646/04, do Senado, e 3674/04, da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA). As propostas modificam a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

De acordo com a Lei 9.192/95, cabe ao presidente da República indicar os reitores das universidades federais, a partir de uma lista de três nomes apresentada pelos respectivos conselhos universitários. Quanto aos órgãos colegiados máximos das universidades, são compostos apenas pela comunidade acadêmica, conforme a LDB.

O relator da proposta foi o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), que apresentou parecer favorável. A análise da CCJ se limitou aos aspectos de admissibilidade da proposta (constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa).

Fonte: Agência Câmara

O presidente da OAB-Jovem do Rio de Janeiro, Rafael Rihan, e o pós-graduando em  Direito Financeiro e Tributário pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Daniel Mitidieri prepararam um primoroso artigo com algumas considerações jurídicas sobre a nota de esclarecimento e ofícios emitidos recentemente com interpretações da Portaria Conjunta nº 1 de 2010 da Capes e do CNPq. O artigo busca servir de orientação aos pós-graduandos que ainda não tenham tido suas bolsas recadastradas e um instrumento para a garantia da defesa dos direitos dos pós-graduandos. A ANPG agradece aos autores do artigo e à OAB-Jovem RJ pelo apoio que tem oferecido neste processo.

Confira o artigo:

Anteriormente a 15 de julho de 2010, não era permitido ao estudante bolsista de pós-graduação manter atividade permanente remunerada. Sua fonte de renda deveria ser oriunda apenas das bolsas de mestrado e de doutorado, ou seja, da pesquisa acadêmica. Caso o aluno quisesse manter vínculo empregatício, não teria qualquer direito ao auxílio.

Por Rafael Rihan* e Daniel Mitidieri**

Tentando corrigir algumas injustiças que o modelo anterior impunha, foi editada a Portaria Conjunta CAPES – CNPq nº 01, de 15 de julho de 2010. Essa Portaria passou a beneficiar uma gama de estudantes de pós-graduação, primando pela coerência na política nacional de bolsas. Agora, a concessão desses benefícios, aliada ao exercício de outra atividade remunerada, passou a ser compatível, especialmente a docência, em qualquer nível, conforme dispõe o § 2º do artigo 1º.

Para a surpresa de todos os programas de pós-graduação do Brasil, no dia 02 de maio de 2011, os presidentes da CAPES e do CNPq publicaram na internet um documento denominado “Nota sobre acúmulo de bolsa e vínculo empregatício”. A referida nota fixou uma interpretação restritiva da Portaria conjunta de julho de 2010. Determinou-se que apenas poderiam ser concedidas bolsas aos pós-graduandos que passassem a exercer atividade remunerada após terem obtido a condição de bolsistas.

Ofícios circulares

Além de publicar a Nota, a CAPES enviou aos programas de pós-graduação o ofício circular nº 32/2011 CDS/CGSI/DPB, recomendando o cancelamento das bolsas dos estudantes que estivessem na situação descrita pela mesma.

A publicação dessa Nota, que tem limitadíssimo alcance jurídico, não sendo sequer um ato administrativo previsto em lei, causou forte reação na comunidade de pós-graduandos de todo o Brasil.

Dessa forma, a Associação Nacional dos Pós-Graduandos – ANPG, em audiência realizada em 16 de maio de 2011 com o Presidente da CAPES, conseguiu que as orientações traçadas no ofício circular nº 32/2011 CDS/CGSI/DPB fossem suspensas.

A CAPES, então, enviou novo Ofício Circular, o de nº 7/2011/DPB, informando: “as instruções contidas no Ofício Circular Número 32/2011 CDS/CGSI/DPB/CAPES ficam suspensas e, portanto, a folha de pagamento dos bolsistas no mês de maio não deverá conter os cancelamentos de bolsistas enquadrados nos termos do mencionado ofício”.

Nota versus Portaria

É de se sublinhar que o texto da Nota de esclarecimento é frontalmente incompatível com o texto e o espírito da Portaria Conjunta nº 01 de 2010. Nesta Portaria não há nenhum elemento ou expressão que sugira a interpretação dada pelos presidentes da CAPES e do CNPq, qual seja, eventual atividade remunerada do estudante só seria possível após o início do recebimento da bolsa. Caso contrário, não haveria validade no acúmulo de atividades.

Muito embora a tal Nota de esclarecimento tenha sugerido uma possível interpretação autêntica da Portaria Conjunta, eis que adotada pelas próprias autoridades que a expediram, não pode ser considerada como um genuíno ato administrativo. Com efeito, não foi observado um dos requisitos básicos desse instituto jurídico: a forma. A Portaria é um ato administrativo que pode ser dotado de caráter geral ou individual e deve conter informações suficientes para sua razoável interpretação. Se a Portaria carece de nota explicativa para ser aplicada, então ela deve ser revogada e não integrada através de canhestro expediente hermenêutico.

Assim, a Nota de esclarecimento, não tem e nunca teve caráter vinculante aos coordenadores de programas de pós-graduação das diversas universidades credenciadas. Tratou-se apenas de mero ato opinativo.

Açodamento

Não obstante isso, alguns coordenadores de programas de pós-graduação agiram com açodamento e tão logo a Nota foi publicada, decidiram “cortar” sumariamente as bolsas de estudantes que exerciam outra atividade remunerada anterior à condição de bolsistas.

Agora, mesmo com o Ofício Circular nº 7/2011/DPB/CAPES, que instrui expressamente os coordenadores dos programas de pós-graduação a não realizarem cancelamentos, alguns estudantes permanecem com suas bolsas “cortadas” e, diante disso, muitos têm se perguntado: o que fazer?

O primeiro aspecto a ser considerado é que toda universidade deve ter critérios objetivos para a concessão de bolsas. Além disso, esses critérios devem se adequar aos requisitos estabelecidos pelas entidades de fomento, no caso a CAPES e o CNPq (a ordem de classificação no processo seletivo de ingresso na pós-graduação, por exemplo, é um critério muito utilizado).

Dessa forma, quem preenche os requisitos gerais das entidades de fomento e os específicos da universidade e do programa de pós-graduação terá o direito à percepção da bolsa. Se tais critérios deixam de ser observados sumariamente pela autoridade a quem compete praticar o ato de concessão de bolsas, no caso o coordenador do programa, o estudante prejudicado poderá se valer de todos os meios legais para perseguir o seu direito a manter-se bolsista, inclusive através de ação judicial.

Processo administrativo

Não se pode tolerar que coordenadores de pós-graduação cancelem a bolsa de um estudante sem que antes ele seja ouvido. Para que o cancelamento da bolsa aconteça dentro de parâmetros legais e éticos, é necessária a abertura de procedimento administrativo, no qual seja assegurado ao estudante o exercício do contraditório e da ampla defesa. Em outras palavras, deve sempre ser respeitado o devido processo legal, que se aplica largamente aos processos administrativos, sobretudo naqueles que repercutem na esfera jurídica do particular.

A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal reconheceu que o devido processo legal tem repercussão geral, inclinando-se pela sua observância nos processos administrativos.

Eis o julgado:

EMENTA DIREITO ADMINISTRATIVO. ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO CUJA FORMALIZAÇÃO TENHA REPERCUTIDO NO CAMPO DE INTERESSES INDIVIDUAIS. PODER DE AUTOTUTELA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. NECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO SOB O RITO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E COM OBEDIÊNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.
(RE 594296 RG / MG – MINAS GERAIS REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a):  Min. MIN. MENEZES DIREITO
Julgamento: 13/11/2008)          

A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, aplicável às universidades federais e às privadas neste caso específico, eis que estarão atuando com delegação federal, também é expressa no sentido de se respeitar o devido processo legal. No caso das universidades estaduais, há que se verificar a existência de lei estadual de processo administrativo. O Rio de Janeiro, por exemplo, tem a Lei nº 5.427 de 2009 e São Paulo tem a Lei nº 10.177 de 1998. Caso o estado não tenha qualquer lei de processo administrativo, aplica-se diretamente o texto constitucional. 

Motivação

Outro direito que o estudante deve reivindicar é a motivação do cancelamento de sua bolsa pelo coordenador de curso. Ou seja, a universidade deve expressar as razões de fato e os fundamentos jurídicos que a levou a tomar uma decisão prejudicial ao interesse do aluno. A motivação é requisito indispensável a qualquer ato administrativo e sua imperiosidade também se encontra prevista em lei e decorre da Constituição. A falta de motivação fulmina o ato em sua origem.

A necessidade de motivação é corolário do devido processo legal, pois para que o cidadão possa recorrer ou impugnar judicialmente uma decisão contrária a seu interesse legítimo, precisa ter ciência dos fatos e dos fundamentos que levaram a autoridade a decidir em uma determinada maneira.

Assim sendo, se ocorreu alguma das situações aqui expostas, ou, principalmente, se o motivo expresso para o cancelamento da bolsa foi a Nota dos presidentes da CAPES e do CNPq, o estudante prejudicado pelo cancelamento da bolsa terá boas chances de reavê-la. O caminho pode ser um requerimento administrativo à instância superior competente da própria universidade, ou ingressando diretamente em Juízo.

Via judicial

A via judicial mais adequada para a reativação do recebimento da bolsa, nos parece, será a do Mandado de Segurança. No entanto, o estudante deverá ficar atento, pois essa ação tem prazo de 120 dias para ser ajuizada. O prazo se inicia a partir da decisão que cancelou a bolsa ou da que manteve o cancelamento, caso o estudante tenha optado por recorrer administrativamente.

Caso não ingresse em Juízo pela via do mandado de segurança no prazo de 120 dias, o estudante ainda poderá ajuizar uma ação ordinária, cujo pedido será a condenação da Universidade no dever de restaurar a sua bolsa injustamente suprimida.

O ingresso em Juízo deverá ser feito através de um advogado. Caso o aluno seja carente, este poderá buscar atendimento na Defensoria Pública. Deve-se atentar apenas para o fato de que se sua universidade for federal, a Defensoria Pública a ser procurada é a da União. Nos demais casos, compete a defesa à Defensoria Pública estadual .

No processo administrativo ou judicial, o estudante deve pleitear, inclusive, o pagamento retroativo e corrigido das parcelas da bolsa que tiverem sido deixadas de ser pagas durante o período de cancelamento. A supressão das bolsas foi um ato contrário ao direito e causou prejuízo financeiro a seus beneficiários, não podendo o aluno ficar prejudicado se nada de errado cometeu.  

Conclusão

O objetivo desse artigo é debater essa nebulosa situação que atingiu milhares de colegas. Busca-se contribuir para o fortalecimento cada vez maior do movimento estudantil, inclusive na feição da pós-graduação. Portanto, é de se louvar a brilhante vitória conquistada pela ANPG nesse debate tão relevante para as universidades e para a sociedade brasileira.


*Rafael Rihan
é advogado no Rio de Janeiro, Presidente da Comissão OAB Jovem da OAB-RJ e pós-graduado em Direito Administrativo Empresarial pela Universidade Cândido Mendes

 


** Daniel Mitidieri
é Procurador Municipal, advogado no Rio de Janeiro e pós-graduado em Direito Financeiro e Tributário pela Universidade Federal Fluminense (UFF).