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Luiz Elias (secretário executivo), Carlos Nobre (Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento), Marco Antonio de Oliveira (Inclusão Social), Ronaldo Mota (Desenvolvimento Tecnológico e Inovação) e Virgílio Almeida (Política de Informática) tomaram posse nesta quarta-feira (2).
 
Ampliar informações e serviços úteis aos cidadãos, associar conhecimento científico à inovação, e agregar valor às cadeias de biodiversidade são algumas das missões dos novos secretários do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), empossados nesta quarta-feira (2/2) pelo ministro Aloizio Mercadante. A cerimônia ocorreu no auditório do MCT e reuniu autoridades da área científica e parlamentares.
 
A Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social (Secis/MCT) será comandada por Marco Antonio de Oliveira. Ele assume o lugar de Roosevelt Tomé Silva Filho. No governo do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, Oliveira foi presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
 
O professor do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Ciências Exatas (ICEx) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Virgílio Augusto Fernandes Almeida , substitui Augusto Gadelha na Secretaria de Política de Informática (Sepin/MCT).
 
Almeida é graduado em Engenharia Elétrica pela UFMG e possui mestrado em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO) e  doutorado em Ciência da Computação pela Vanderbilt University, nos Estados Unidos. Virgílio Almeida tem atuado, nos últimos anos, no Conselho Deliberativo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
 
Para a Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped/MCT), o ministro Mercadante nomeou Carlos Afonso Nobre, ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT). Nobre é considerado um dos maiores especialistas mundiais em mudanças climáticas e integra o Comitê Científico do International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP).
 
O meteorologista ainda coordena o programa de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a Rede-Clima do MCT.
 
Nas secretarias Executiva (Sexec/MCT) e de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec/MCT) não haverá mudança. Luiz Antonio Rodrigues Elias e Ronaldo Mota darão continuidade aos trabalhos já desenvolvidos em ciência e tecnologia.
 
Em seu discurso, o ministro Mercadante destacou a importância da pasta na erradicação da pobreza, no apoio à saúde e no desenvolvimento do emprego e renda. "É preciso impulsionar a tecnologia da informação, o uso da banda larga, a inclusão digital e o apoio às micro e pequenas empresas", disse.
 
De acordo com ele, a prioridade é desenvolver políticas voltadas para a sustentabilidade ambiental. "Esse ministério estará à frente da reflexão sobre políticas de sustentabilidade e geração de valor agregado à biodiversidade", disse.
 
Oura prioridade, segundo Mercadante, é o apoio necessário para a reconstrução das áreas atingidas pelas fortes chuvas ocorridas recentemente no estado do Rio de Janeiro. "Vamos melhorar a capacidade de leitura dos satélites e dos radares meteorológicos", garantiu o ministro.
 
Fonte: Assessoria de Imprensa do MCT
A repatriação de cientistas brasileiros que atuam no exterior, proposta pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, no início da sua gestão, pode não ser uma matemática simples.
 
De acordo com quem está fazendo ciência fora do Brasil, mesmo que exista vontade de voltar, a burocracia para se fazer pesquisa e a falta de competitividade nas universidades nacionais, diferentemente do que acontece nos EUA e na Europa, ainda são fatores de repulsa.
 
"No Brasil, os salários acadêmicos são iguais. Nos EUA, eu não ganho o mesmo salário que meus colegas. Há competitividade", diz o físico José Nelson Onuchic, professor da UCSD (Universidade de San Diego).
 
Ele está há 21 anos nos EUA, país que, estima-se, tenha 3.000 professores brasileiros.
 
A opinião de Onuchic é compartilhada por outros pesquisadores, como Alysson Muotri, que também é UCSD, mas é biólogo.
 
Em entrevista à Folha, disse que "para algumas pessoas, o real patriotismo é abandonar as melhores condições de trabalho no exterior e voltar ao Brasil. Alguns dizem "vem aqui sofrer com a gente, vamos juntos tentar melhorar este país’".
 
Quem faz pesquisa por aqui concorda com as dificuldades. "A gente perde muito tempo por lidar com tanta atividade burocrática", diz o biólogo Stevens Rehen, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
 
"Mas quem sai tem que saber que existem oportunidades para se fazer pesquisa aqui. Estou no Brasil não só porque estudei em universidade pública, mas por valores", completa o biólogo.
 
Onuchic não pensa em voltar de vez ao Brasil, mas, para ele, uma alternativa possível seria passar alguns meses por aqui.
 
Essa solução é uma das ideias de Mercadante para a repatriação. Em entrevista exclusiva à Folha, ele disse que pretende criar, via agências de fomento, um formato de "bolsas-sanduíche" (bolsa de pesquisa de curto período no exterior) ao contrário.
 
Seriam bolsas de pesquisa oferecidas aos brasileiros no exterior para que eles passem um tempo fazendo pesquisa por aqui.
 
"O Brasil é um país agradável, provavelmente os cientistas acabariam retornando", acredita o ministro.
 
A ideia é criar, com as bolsas de curta duração, uma espécie de rede da "inteligência brasileira" no exterior.
 
Essa política está sendo tocada na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). "As redes ajudam. Mas temos trazido também cientistas com o Programa Jovem Pesquisador. Há repatriados e também estrangeiros", diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da fundação.
 
De acordo com ele, a Fapesp já apoiou mil pesquisadores com esse perfil nos últimos dez anos. "A maior parte deles ficou aqui", afirma Cruz. A Fapesp, no entanto, não tem os números exatos.
 
"A gente sempre tem vontade de voltar", diz pesquisadora
 
Mesmo com as condições atrativas de países como EUA e da Europa Ocidental, há quem prefira ser cientista na sua terra natal. Entre esses pesquisadores está a cientista da computação Juliana Salles, da Microsoft Research.
 
A mineira formada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) hoje faz pesquisas em solo brasileiro, depois de quatro anos nos EUA.
 
A possibilidade veio com um convênio firmado entre a Microsoft e a Fapesp em 2006, para desenvolvimento de sistemas computacionais com foco em clima.
 
"É claro que a gente sempre tem vontade de voltar para o país de origem, né?", disse Salles à Folha.
 
Mas o motivo maior do retorno teve razões pessoais: seu marido teve dificuldades com o visto americano.
 
"O país viveu uma diáspora por causa de recessão, instabilidade, falta de recursos", analisa Mercadante, ao falar dos nossos cientistas em terras estrangeiras.
 
O ministro afirmou que pretende criar um comitê para mapear esses profissionais e estudar políticas de incentivo para trazê-los de volta. Foi o que fizeram a Índia, com o "Ministério dos Indianos do Exterior", e a China, em programa para levar seus cientistas de volta ao país (sob regime autoritário, claro).
 
O ministro também disse que pretende "aproveitar" a crise econômica que afeta alguns países desenvolvidos para atrair ao Brasil técnicos e cientistas estrangeiros.
 
Fonte: Folha de S. Paulo (2/2), por Sabine Righetti
"Findo a período de vigência do PNE-F [que ora se encerra], ainda não universalizamos sequer o ensino fundamental, apesar de este ser obrigatório desde a Constituição de 1988".
 
Por Otaviano Helene e Lighia Horodynski-Matsushigue*
 
O atual Plano Nacional de Educação (PNE) chegou ao fim e, como esperado, o Executivo federal apresentou nova proposta para os próximos dez anos. O que esperar dela?
 
Comecemos a análise pelo plano que ora se encerra (PNE-F). Com isso teremos elementos para prever o que, a depender do novo (PNE-N), poderá ocorrer com a educação nacional nos próximos dez anos. O primeiro fato sobre o PNE-F é que as metas estabelecidas não foram cumpridas; ao contrário, afastamo-nos ainda mais da maioria delas.
 
Por exemplo, no início de sua vigência, há dez anos, o número de concluintes do ensino fundamental correspondia a cerca de 75% das crianças da coorte etária típica. Segundo os dados consolidados mais recentes, esse porcentual pode estar reduzido a cerca de 70%. Assim, findo a período de vigência do PNE-F, ainda não universalizamos sequer o ensino fundamental, apesar de este ser obrigatório desde a Constituição de 1988.
 
As matrículas na educação básica permaneceram estagnadas, ou até diminuíram; a taxa de conclusão do ensino médio foi reduzida e hoje só um de cada dois brasileiros entra na idade adulta com esse nível educacional, o que nos põe em enorme desvantagem em comparações internacionais.
 
Por que isso aconteceu? Uma primeira razão é a simples falta de recursos financeiros, sem os quais é absolutamente impossível atacar o problema educacional. Embora investimentos de 7% do PIB em educação tivessem sido aprovados pelo Congresso, tal provisão, ainda que insuficiente, foi sumariamente vetada pelo Executivo de então. Assim, não havendo condições objetivas, as metas simplesmente não foram cumpridas.
 
Um segundo fator que pode explicar a inoperância do PNE-F é que não havia definição clara quanto a quem deveria cumprir as metas, o que é fundamental para um país onde as atribuições educacionais são repartidas por municípios, Estados e União. Na ausência dessa definição, os Poderes Executivos, o Congresso, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais não se sentiram responsáveis por nenhuma das metas e simplesmente se omitiram. Os órgãos responsáveis pela defesa da ordem jurídica também nada fizeram, apesar de uma lei nacional não estar sendo cumprida. E os Conselhos de Educação, nacional e estaduais, embora, em princípio, devessem cuidar das metas do PNE, igualmente nada fizeram.
 
Vejamos agora o novo PNE. Quanto ao financiamento, há uma previsão de que se deva "ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir, no mínimo, 7% do produto interno bruto". Embora uma estimativa realista, adotada até pela Conferência Nacional de Educação de 2010, indique que seriam necessários cerca de 10% do PIB, essa é uma meta importante.
 
Entretanto, como as metas do PNE-F não foram cumpridas, não há nenhuma garantia de que esta o seja. Para que isso venha a ocorrer duas coisas deveriam ser definidas: o que se considera gasto com educação (para evitar a prática comum, e amplamente adotada por Estados e municípios, de debitar na conta de educação coisas que nada têm que ver com ela) e qual a responsabilidade de cada ente da Federação na composição do total.
 
O PNE repete as mesmas omissões fundamentais do que se encerra, apresentando metas sem dizer quem as deve cumprir – um primeiro passo para sua falência. Por exemplo, a meta de incluir 50% das crianças com até 3 anos na educação infantil, embora louvável, não define de onde virão os recursos nem quem deve arcar com a responsabilidade. Além disso, continua não havendo previsão de punição se as metas não forem cumpridas; afinal, como punir alguém por algo que não foi feito sem que estivesse clara a sua responsabilidade nessa omissão?
 
Há, também, metas erradas no PNE-N, em especial no que diz respeito ao ensino superior. Uma delas é estabelecer a relação mínima de 18 alunos por professor nos estabelecimentos públicos. Essa proporção é altíssima para um país onde a pós-graduação e o desenvolvimento científico, cultural e tecnológico ocorrem basicamente nesse tipo de instituição. Ao contrário, esperar-se-ia que, se houvesse uma definição de limite para a relação estudantes/professores, este fosse máximo, não mínimo, condição necessária para tornar viável a execução com qualidade dessas tarefas.
 
Há, ainda, uma meta muito perigosa: elevar a taxa de conclusão de cursos superiores nas instituições públicas para 90%. Mesmo nos países cujos sistemas educacionais são bem estabelecidos ou, no caso do Brasil, em muitos dos cursos de alto prestígio, níveis de conclusão tão elevados não são atingidos.
 
Cabe perguntar: o que se pretende com essa meta? Forçar a aprovação de estudantes, mesmo quando despreparados? Baixar os níveis de qualidade do ensino superior público e igualá-lo ao de muitas instituições privadas? Vale lembrar que tal meta foi imposta, a partir de 2007, às universidades federais pelo programa Reuni e já se provou descabida na maioria dos casos.
 
No todo, o PNE-N mais se assemelha a uma peça de gerenciamento que a um plano que pretenda atingir as raízes dos problemas que nos levaram a um péssimo desempenho na educação. Tanto pela história do PNE-F como de outros projetos de lei, sabemos que o Congresso, que deverá analisá-lo, não tem compromissos com uma educação pública republicana, democrática e igualitária, e pouco podemos esperar dele.
 
Assim, se quisermos obter algum avanço, é necessário que a população e as entidades científicas, acadêmicas, estudantis, sindicais e educacionais se mobilizem. Caso isso não se concretize, corremos o sério risco de ver repetir-se o que aconteceu na última década: a educação continuar aquém das necessidades e possibilidades da sociedade, não servindo como instrumento de promoção do desenvolvimento pessoal e nacional, em sua conceituação mais ampla.
 
*Otaviano Helene é professor no Instituto de Física da USP, foi presidente da Adusp e do Inep; Lighia Horodynski-Matsushigue é professora aposentada do Instituto de Física da USP, foi vice-presidente da regional São Paulo do Andes-SN
 
Fonte: O Estado de S.Paulo (18/1)
 
Observação: As opiniões reproduzidas nesta coluna não refletem necessariamente as opiniões e deliberações da diretoria da ANPG.  A publicação deste artigo tem o objetivo de instigar o debate sobre a educação e a ciência e tecnologia no país.

O movimento dos Blogueiros Progressistas do Rio Grande do Norte recebeu, na noite desta sexta-feira (28), o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke (EUA) e co-fundador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lilly Safra. O evento, realizado no auditório da Livraria Siciliano (Shopping Midway Mall), serviu como preparação para o 1º Encontro de Blogueiros Progressistas do RN, marcado para os dias 25, 26 e 27 de março.

 

O tema do bate-papo foi “Redes sociais, participação política e desenvolvimento da ciência”. Nicolelis iniciou dizendo que sua participação no evento demonstrava o poder dessas novas formas de comunicação. “Estou no Twitter há apenas 15 dias, mas já estou aqui para falar sobre redes sociais – mesmo sem saber nada sobre isso”, brincou, arrancando risos da plateia.

Em seguida, disse que o título da palestra poderia ser “Eu juro que eu sou eu”, fazendo referência ao debate travado com uma badalada blogueira potiguar, a quem teve que provar que seu recém-criado perfil no Twitter não era um fake.

Nicolelis aproveitou o episódio como gancho para tratar da questão da identidade no contexto das redes sociais. Ele sustentou que o modelo de mundo que conhecemos, bem como nossa identidade, não passa de uma “simulação” do cérebro. Emendou dizendo que a “cultura do ‘eu’ é uma ilusão”.

“Eu me defrontei com essa ilusão ao tentar provar que eu sou eu. Eu me engajei num debate com uma jornalista que foi uma das coisas mais fascinantes. Comecei a falar das minhas opiniões, primeiro sobre a política do RN, mas não funcionou”.

“Pare pra pensar: nós vivemos num mundo em que qualquer um pode ser eu, qualquer um pode assumir qualquer personalidade. O sucesso das redes sociais, em minha opinião de neurocientista, se deve, primeiro,  a uma coisa que vou tratar no livro que será lançado no próximo mês. Daqui a algumas centenas de anos não vamos precisar disso aqui, teclado, celular… Nós vamos pensar e nos comunicar, nos amalgamar numa rede conscientemente sem a necessidade dessas coisas pouco eficientes, como os nossos dedos, os teclados… Nós já estamos observando, mesmo com os limites que temos, já vivemos os primórdios de uma sociedade onde a identidade real não faz diferença nenhuma”, discorreu.

O neurocientista destacou que as redes sociais “conseguiram fazer as identidades, às quais a gente se apegou tanto, desaparecerem”. “Você pode assumir o que você sempre quis ser, mas não podia por medo do preconceito. Nós ainda não conseguimos lidar com o fato que as pessoas são de diferentes matizes. As redes têm essa vantagem de permitir que as pessoas possam assumir [suas ideias] livremente”.

“Não existe isso de imparcialidade”
 

 

Após discorrer sobre as redes sociais e a dispersão da identidade, Nicolelis afirmou que a ideia da “imparcialidade”, tanto jornalística quanto científica, não passa de “balela”. “Como neurocientistas, estamos cansados de saber que não existe isso de imparcialidade, como pretendem os jornalistas. Não existe imparcialidade nem jornalística nem científica”.

Para comprovar sua sentença, relembrou a cobertura midiática das eleições presidenciais do ano passado, quando a imprensa tradicional, mesmo se dizendo “imparcial”, se alinhou à candidatura do candidato do PSDB/DEM, o ex-governador de São Paulo José Serra.

“O que aconteceu no Brasil na eleição passada foi a demonstração da falácia de certos meios de imprensa e do partidarismo que invadiu essa opinião dita imparcial. Mas o desmentido só ocorreu nesse lugar capilarizado chamado blogosfera. A guerra da informação foi travada aí. A eleição foi ganha na trincheira da blogosfera, porque os desmentidos eram instantâneos”, comentou.

Nicolelis defendeu que a “teia” – termo que disse preferir usar para se referir às redes sociais – que está se formando no Brasil “é um fenômeno mundial de relevância fundamental”. Para ele, a blogosfera teve um papel de destaque nas eleições de 2010.

“Essa teia já ganhou uma eleição do ponto de vista da informação, já derrotou o exército de uma mídia que tem opinião, mas que exerceu essa opinião sem dizer. Aí é que tá o engodo. A opinião é legítima, mas esconder que tem opinião não é”.
Miguel Nicolelis frisou que outro efeito provocado pelo surgimento dessa teia é o fato de considerar “inevitável a quebra do monopólio do conhecimento, da noticia e do fato”. “Cada um de nós pode ser o propagador de um fato, de uma interpretação do fato”.

Mesmo ressaltando sua condição de neófito, Nicolelis demonstrou entusiasmo com o potencial dessa “teia” desembocar no surgimento de um novo modelo de democracia, em que os indivíduos tenham um novo papel.

“A democracia representativa é muito interessante, mas ela faliu, porque o grande objetivo dos representantes dos indivíduos do planeta é representar a si mesmo. Existe um potencial imenso de uma nova democracia, onde os indivíduos tenham um novo papel, em que possam ser agentes atuantes e definidores da nossa cidadania”.

 

 

Retirado de: Blog Embolando Palavras

FAPESP e Institut National de Recherche en Informatique et Automatique selecionam propostas de intercâmbio em tecnologia da informação e comunicação entre pesquisadores do Estado de São Paulo e da França (Inria)

A FAPESP e o Institut National de Recherche en Informatique et Automatique (Inria), da França, lançam nova chamada de propostas para intercâmbio de pesquisadores no âmbito do acordo de cooperação científica e tecnológica entre as instituições.

Serão aceitas propostas de pesquisa e desenvolvimento em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e sua aplicação em quaisquer áreas do conhecimento nas quais haja colaboração científica entre pesquisadores do Inria e de instituições de ensino superior e pesquisa no Estado de São Paulo.

As propostas apoiadas receberão recursos para financiar missões envolvendo a ida de pesquisadores do Estado de São Paulo a instalações do Inria e a vinda de pesquisadores da instituição francesa a instituições paulistas.

Podem participar da chamada pesquisadores responsáveis ou principais de Auxílio à Pesquisa vigente na FAPESP dentre as modalidades: Auxílio à Pesquisa – Regular, Projeto Temático, Apoio a Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes ou Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid).

Pelo lado francês, podem participar pesquisadores e engenheiros do corpo científico do Inria e pesquisadores ou acadêmicos autorizados por sua instituição de origem a participar em projetos da instituição.

A FAPESP apoiará com recursos de até 10 mil euros anuais cada proposta selecionada. Os recursos oferecidos para as missões se destinam ao pagamento das passagens de ida e volta à França e ao pagamento de diárias.

Cada missão compreende a ida à França de pesquisadores principais do projeto FAPESP ou de seus alunos de pós-graduação e pós-doutorado, por um período de até um mês a cada oportunidade. A FAPESP concederá seguro-saúde pelo período aprovado.

Os pesquisadores que atuarem como visitantes serão considerados pelo organismo de recepção como “convidados”, devendo os mesmos se adequar às obrigações e regulamentos da instituição na qual serão recebidos.

As propostas poderão ser submetidas até o dia 1º de março de 2011. Cada proposta deve ser apresentada por um pesquisador do Estado de São Paulo à FAPESP simultaneamente à apresentação de proposta idêntica pelo pesquisador francês parceiro ao Inria.

Os documentos de submissão devem ser enviados em inglês e contemplar condições semelhantes às apresentadas pela equipe francesa.

Os laboratórios do Inria e seus projetos podem ser consultados em www.inria.fr/recherche/equipes/listes/alpha.en.html. Mais informações sobre a chamada no lado francês: www.inria.fr/medias/inria/documents/texte-de-l-appel-a-projets-bresil-2011.

Mais informações sobre a chamada: www.fapesp.br/acordos/inria

 

Fonte: FAPESP

Presidente do órgão diz que programas de pós-graduação regulares precisam melhorar desempenho: "Ou muda ou vai fechar"

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pela pós-graduação, vai exigir mais qualidade dos mestrados e doutorados no país. Cursos que recebem nota 3 na avaliação trienal da Capes – pontuação mínima, hoje, para continuar funcionando – deverão ser fechados, caso não consigam melhorar seu desempenho.

O presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, diz que as novas regras serão definidas até março. Ele defende o descredenciamento de mestrados e doutorados que tirem nota 3, considerada regular, em três avaliações trienais consecutivas – portanto, num período de nove anos. Hoje, a Capes descredencia de imediato cursos que recebam notas 1 e 2. A escala vai até 7.

– Ou muda ou vai fechar – diz Guimarães, convencido de que uma boa pós-graduação não pode ficar estagnada. – O certo é que o curso comece com 3 e vá a 7.

Levantamento realizado pela Capes mostra que 141 programas de pós-graduação obtiveram sempre nota 3 nas últimas três avaliações, divulgadas em 2004, 2007 e 2010. Quando um programa reúne mestrado e doutorado, ele recebe uma nota única, válida para ambos. Estão nessa lista 14 programas de instituições do Rio de Janeiro, sendo dois da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), um da Universidade Federal Fluminense (UFF) e três do Instituto Militar de Engenharia (IME).

Universidades prestigiadas como a USP (Universidade de São Paulo), a Unesp (Universidade Estadual Paulista) e a Universidade de Brasília (UnB) também estão na lista. Se for considerada somente a última avaliação, estão lá a UFRJ, a Uerj, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Guimarães quer passar um pente-fino nos 141 cursos aprovados com nota mínima nas últimas três avaliações. A ideia é que comissões de especialistas façam inspeções nos próximos meses, indicando à Capes quais providências devem ser tomadas – o que poderia até incluir a antecipação da próxima avaliação para fins de descredenciamento. Segundo ele, as visitas devem começar pelas instituições mais prestigiadas, pois elas deveriam dar o exemplo.

– Não se justifica que uma instituição como a USP, a Unicamp ou a UFRJ tenha um curso 3. Alguma coisa está errada – afirmou o presidente da Capes.

Os novos critérios serão discutidos pelo Conselho Técnico-Científico da Educação Superior, que reúne representantes de 46 áreas do conhecimento e terá nova composição em março. Para Guimarães, há mestrados e doutorados de boa qualidade que perdem fôlego e acabam caindo nas avaliações. Outros recebem a nota mínima 3 no ato de criação e não progridem.

Nos dois casos, segundo ele, há falhas da instituição. Guimarães diz que é compreensível que universidades sem tradição de pós-graduação tenham cursos com nota mínima. Isso vale para instituições novas ou que só criaram cursos de doutorado nos últimos anos. Mas ele não vê desculpa no caso de universidades prestigiadas, sobretudo em áreas do conhecimento com tradição de pesquisa:

– Ter um curso 3 na Física só é desculpável se for em instituição nascente. Passou uma avaliação, duas, três cinco, a culpa já é da instituição.

A última avaliação trienal mostrou, porém, que mesmo instituições de ponta têm cursos reprovados com notas 1 e 2. Em 2010, a Capes descredenciou 61 programas (2% do total avaliado), alguns deles oferecidos por USP, Unicamp, Unifesp, Uerj, UFF, PUC-Rio e Fiocruz.

A Capes quer mexer também na avaliação dos cursos de ponta, que recebem repetidas vezes notas 6 e 7 – consideradas muito boas em nível internacional. Guimarães defende que esses programas de mestrado e doutorado sejam avaliados a cada cinco e não mais três anos. Nas últimas três avaliações, 168 programas obtiveram notas 6 e 7, sendo que 44 só receberam 7 – oito deles do Rio.

(Demétrio Weber)
(O Globo, 31/1)
 

Fonte: Jornal da Ciência

"O Brasil está propondo à Argentina uma inserção internacional, calcada na geração e uso intensivo do conhecimento em CT&I, que inclua a América do Sul e a América Latina"

José Monserrat Filho é chefe, demissionário, da Assessoria de Assuntos Internacionais do Ministério de Ciência e Tecnologia. Artigo enviado pelo autor ao "JC e-mail":

"Com a Argentina queremos uma sociedade na área da tecnologia e inovação". Esta declaração da presidente Dilma Rousseff, mais a proposta de um protagonismo conjunto para favorecer também as Américas do Sul e Latina, configuram o objetivo estratégico mais ambicioso de seu primeiro encontro com a presidente Cristina Kirchner, em Buenos Aires, nesta segunda-feira (31/1).

As ideias de Dilma, publicadas ontem, com destaque, por três grandes jornais argentinos, não mereceram, no entanto, a mesma atenção pela imprensa brasileira em geral.

Dilma reconheceu algo que precisaria ser dito: "Até agora temos tido uma política que chamamos de conteúdo nacional". E anunciou a novidade: "Estamos pensando numa política de conteúdo regional, conjunta, com Argentina. Estamos elaborando uma agenda pela qual Argentina e Brasil, como países com grandes recursos alimentícios e também energéticos, possam aumentar a agregação de valor e a geração de empregos na região. Com Argentina queremos uma sociedade na área de tecnologia e inovação e uma sociedade para o uso da tecnologia nuclear com fins pacíficos".

Ou seja, sai o enfoque tradicional do "juntos, mas cada um por si" e entra a visão de uma cooperação bem mais articulada e avançada, com agenda e ações conjuntas para "aumentar a agregação de valor" em recursos comuns essenciais, visando inclusive "à geração de empregos na região", o que configura o compromisso dos dois países de trabalharem unidos em benefício também dos demais países da região.

Não por acaso, Dilma enfatizou "a ideia fundamental de uma relação especial e estratégica com Argentina". Neste sentido, "Brasil e Argentina têm responsabilidades diante do conjunto da América Latina, para fazer com que nossa região tenha cada vez mais presença e ação no cenário internacional. E podem fazê-lo e o farão de modo mais eficaz na medida em que nossas economias se articulem de forma mais estreita, se desenvolvam e criem laços em que ambos os povos ganhem com a proximidade em matéria de desenvolvimento econômico, de desenvolvimento tecnológico e de melhoria das condições de vida dos povos brasileiro e argentino".

Dilma lembrou que a aliança Brasil-Argentina permite "maior presença nos órgãos de articulação internacional". Citou o G-20 e o G-77, grupo dos países em desenvolvimento – hoje presidido pela Argentina -, que já reúne 131 dos 192 países das Nações Unidas. "O fato de que, no G-77, a Argentina tenha a posição de liderança, facilitará também a defesa dos interesses dos países do Sul", disse Dilma. E após recordar que "não tivemos presença" na Conferência de Copenhague sobre Mudança do Clima, explicou que "ter presença significa, hoje, expressar de forma mais efetiva uma parte da visão sobre o desenvolvimento sustentável que impera nesta região".

A presidente brasileira salientou ainda que "a relação bilateral também é muito importante para o Mercosul e a Unasul [União das Nações Sul-Americanas, criada em 2008]". A seu ver, desde o Governo Lula, o Brasil assumiu o compromisso, que ela promete aprofundar, de que "o destino do Brasil, de seu desenvolvimento, e a melhoria das condições de vida dos brasileiros devem estar ligados e compartilhados com o resto de nossa América".

Como ela justifica isso? Assim: "Este é um mundo globalizado. Deixou de ser basicamente um mundo de um ou dois polos, no máximo. É um mundo mais multilateral e exige a formação de blocos regionais". E mais: "Por isso, a Argentina é o primeiro país que visito. Não estou desvirtuando nenhum outro país [da América do Sul ou Latina], até porque para os outros países é absolutamente importante que Brasil e Argentina estejam juntos".

Neste contexto, é natural que, entre os 15 documentos a serem firmados nesta visita de Dilma à Buenos Aires, esteja, por exemplo, o Memorando de Entendimento que estabelece a cooperação em luz síncrotron entre Brasil e Argentina, aberto à participação de todos os países da América Latina. O memorando estará sendo assinado pelo ministro brasileiro da C&T, Aloizio Mercadante, e por seu colega argentino Lino Baranão. É um acordo sui generis. Por ele, a parceria Brasil-Argentina em área avançada do CT&I se dispõe a abrir iguais oportunidades a todos os países do continente.

Trata-se de regionalizar ao máximo o Laboratório Nacional de Luz Síncotron (LNLS/MCT), com sede em Campinas – inclusive sua nova fonte de luz muito mais poderosa, cujo projeto já pronto para ser construído nos próximos anos -, colocando todo este patrimônio científico e tecnológico, a partir do eixo Brasil-Argentina, a serviço do desenvolvimento latino-americano.

Nosso Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) tem trabalhado sistematicamente nesta direção. Presidindo o Grupo de CT&I do Conselho de Cultura, Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação da Unasul, o Brasil, em ação conjunta entre o Itamaraty e o MCT, marcou o ano de 2010, com três iniciativas valiosas: lançou a primeira publicação da Unasul no setor, com dados básicos sobre os Sistemas Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação de todos os países membros da organização, reunindo num volume informações sobre as instituições que deverão trabalhar juntas; promoveu o primeiro seminário sobre a definição de políticas comuns de CT&I; e organizou o primeiro encontro de Academias de Ciências da América do Sul, com o apoio da Academia Brasileira de Ciências. Essas realizações concorreram para enriquecer e fortalecer o plano de ação aprovado para ser concretizado neste ano. Duas áreas foram eleitas como prioridades maiores: energias renováveis e biotecnologia, em especial a envolvida com a saúde humana.

Acrescente-se que o MCT prestou total apoio ao Programa Latino-Americano de Física, lançado em dezembro de 2010 pela Sociedade Brasileira de Física, com ampla programação que procura mobilizar os pesquisadores, professores e estudantes de física de todo o continente e aumentar sua base de atuação tanto no campo do ensino e da pesquisa, como no campo da indústria.

Cabe trazer aqui o que escreveu o renomado economista argentino, Aldo Ferrer, em seu mais recente livro, "O futuro de nosso passado", publicado em 2010 pelo Fundo de Cultura Econômica: "O desenvolvimento da América Latina e do resto do mundo subindustrializado seguirá dependendo essencialmente da qualidade das políticas nacionais e de estratégias de inserção internacional compatíveis com o desenvolvimento de sua capacidade de gerir o conhecimento."

O Brasil está propondo à Argentina uma inserção internacional, calcada na geração e uso intensivo do conhecimento em CT&I, que inclua a América do Sul e a América Latina.

Não é tarefa fácil, nem é improviso de política imediatista e demagógica. É meta que se projeta no horizonte como pensamento talhado de grandeza, lucidez e responsabilidade social. Mas é um caminho a construir desde já, trabalhando o aqui e agora com olhar inteligente no futuro.
 

Fonte: Jornal da Ciência

Universidades federais de Ouro Preto e do Rio de Janeiro recebem inscrições em concurso para docentes

Está aberto concurso para docentes na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), para os campi de Ouro Preto, Mariana e João Monlevade. Com 54 vagas distribuídas por diversas áreas do conhecimento e para os níveis de assistente e adjunto, as inscrições para o concurso terminam no dia 7 de fevereiro. Veja o edital aqui.

Já o concurso da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é para o preenchimento de apenas uma vaga de professor adjunto, no Instituto de Física da universidade, no setor “Física Geral: Experimental ou Teórica”. As inscrições vão até as 16h do dia 8 de fevereiro, e podem ser feitas pessoalmente  na Secretaria do Instituto de Física ou por meio de correspondência registrada, postada até a mesma data. O edital encontra-se neste endereço.

Da Redação, com informações do Jornal da Ciência

Ao tomar posse como presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Glauco Arbix calculou em três anos o tempo necessário para a agência tornar-se instituição financeira plena e aumentar linhas de crédito. No entanto, fontes de novos recursos ainda não estão definidas

O novo presidente da Finep tomou posse na manhã desta sexta-feira, dia 28, no Rio de Janeiro, onde fica a sede da agência pró-inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Tanto o presidente empossado, Glauco Arbix, quanto o ministro Aloizio Mercadante, em seus discursos na cerimônia, reforçaram a proposta de aumentar o investimento público em inovação por meio da ampliação das linhas de crédito da Finep. O novo presidente da Finep sugeriu a meta de capitalizar a agência com mais R$ 4 bilhões, mas ainda não há um plano com detalhes sobre como isso será feito.

A proposta de tornar a Finep uma instituição financeira plena foi lançada e tem sido repetida desde a posse de Mercadante à frente do MCT, embora já tivesse sido aventada por Luis Fernandes, que transmitiu o cargo a Arbix, em entrevista ao "JC" no fim do ano passado. Leia mais em http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=74390

Em entrevista coletiva após a posse, Glauco Arbix detalhou pontos iniciais da proposta. A capitalização extra de R$ 4 bilhões se daria ao longo de quatro anos e a mudança institucional necessária para atuar como banco de fomento poderia levar até três anos.

Hoje, a Finep já é uma instituição financeira e empresta dinheiro a empresas. Contudo, explicou Arbix, a agência "nunca foi reconhecida como tal pelo Banco Central". Dessa forma, suas opções de captação de recursos no mercado são limitadas. As fontes de recursos aplicados pela Finep são o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), do qual é a secretaria-executiva e operadora, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND).

Segundo Luis Fernandes informou em seu discurso de despedida, a Finep aplicou R$ 3,1 bilhões do FNDCT em 2010. Em operações de crédito a empresas, foi aplicado R$ 1,2 bilhão (incluindo recursos do FNDCT). Dessa forma, a capitalização de R$ 4 bilhões significaria a duplicação do montante investido pela Finep ao cabo de quatro anos.

Embora ainda não esteja definido de onde virão os novos recursos, a jornalistas, Glauco Arbix apontou algumas possibilidades, após reconhecer que o FNDCT, fonte principal da Finep, está no seu limite de capitação e passará a "crescer organicamente".

"Precisamos de algo a mais. Isso [a capitalização] pode ser feito via Tesouro. Se nós nos transformarmos em instituição financeira, pode ser feito via mercado, porque nós poderemos captar", adiantou Arbix, sem precisar quais instrumentos de captação financeira poderiam ser utilizados, mas reforçando a importância de fomentar o mercado de fundos de "capital semente" e de "investidores-anjo".

Ainda de acordo com o novo presidente da Finep, tudo depende do novo desenho institucional a ser adotado pela agência. "No Brasil, não tem nada parecido com isso. E mesmo fora, as experiências são mais complicadas. Uma instituição financeira de tipo especial [focada em inovação] trabalha com o risco de forma diferenciada", completou Arbix.

Por causa da complexidade do novo desenho institucional, a transformação em instituição financeira plena poderia levar os três anos mencionados por Arbix. Ele destacou pontos complexos da mudança de status, como a necessidade de nova governança corporativa, atendimento a normas do Banco Central e às regras de Basileia, além de uma separação patrimonial rígida, para permitir a convivência da atividade financeira com a de agência de fomento, aplicando recursos não-reembolsáveis.

 

Lei de Inovação


A proposta de fortalecer a atuação da Finep por meio de sua capitalização está de acordo com o diagnóstico já conhecido e destacado pelo ministro Aloizio Mercadante em seu discurso desta sexta-feira, de que, "olhando para a inovação, temos muito o que fazer". Além do fortalecimento da Finep, Mercadante destacou a importância de avançar em termos de marco legal para apoiar a inovação.

Nesse bojo, o ministro informou a criação de um grupo de trabalho para analisar as legislações e apontou a necessidade de eventuais ajustes na Lei de Inovação. Um dos pontos citados por Mercadante foi a permissão para que empresas optantes pelo recolhimento de impostos por meio do lucro presumido (a larga maioria no mundo empresarial, sobretudo nas firmas de pequeno porte) também pudessem aproveitar incentivos fiscais.

(Vinicius Neder, do Jornal da Ciência)

 

 

Fonte: Jornal da Ciência

Oliva substitui o físico Carlos Alberto Aragão e já vinha atuando como diretor do CNPq desde fevereiro de 2010

A solenidade de posse de Glaucius Oliva como presidente do ocorreu na tarde desta quinta-feira (27) na sede da agência, em Brasília. Em seu discurso, Oliva ressaltou os avanços alcançados pela ciência brasileira nos últimos anos.

"Temos hoje uma respeitável comunidade científica e tecnológica, como atestam os números da Plataforma Lattes do CNPq, onde estão hoje registrados mais de 1,7 milhões de currículos, entre os quais 135 mil doutores e 237 mil mestres, distribuídos nos mais de 27 mil grupos de pesquisa cadastrados no Censo 2010 do Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP). O Brasil produz hoje 2,7% de toda a ciência mundial, e tem liderança reconhecida em várias áreas do conhecimento, como a agricultura tropical, a geofísica e a engenharia associada à prospecção de petróleo e gás em águas profundas, e a parasitologia, apenas para ficar em alguns exemplos", afirmou.

Sobre a instituição que agora vai presidir, Oliva disse que, em 2010, o CNPq atendeu a mais de 80 mil bolsistas; investiu R$ 1,85 bilhão em formação de recursos humanos e fomento à pesquisa; avaliou 74 mil solicitações, submetidas aos 70 editais lançados no ano; tem 64 mil processos vigentes e custo operacional inferior a 5% do orçamento.

Foram também criadas, disse ele, mais 14 mil bolsas de iniciação científica, mil bolsas de produtividade em pesquisa e 4 mil de mestrado e doutorado. O CNPq oferece ainda 7 mil bolsas de fomento tecnológico e um programa (RHAE) integralmente dedicado às empresas, com bolsas para incorporar pessoal qualificado em P&D. E, sem ônus para as atividades-fim, completou Oliva, o CNPq terminou o ano com uma nova sede em Brasília, adequada para atender suas necessidades nas próximas décadas.

Em sua fala, o ministro da Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante lembrou que em seus 60 anos de existência o CNPq contribuiu muito para formar a inteligência do Brasil e destacou os critérios que nortearam a escolha de Glaucius Oliva para a presidência do Conselho: uma longa e reconhecida carreira acadêmica, além da experiência como diretor de Engenharias, Ciências Exatas e Humanas e Sociais da Agência.

Mercadante também lembrou os desafios e as metas a serem alcançadas pela nova gestão: "Nós precisamos mostrar mais o que faz um cientista para a sociedade. Precisamos abrir o diálogo com a nova geração para despertar o interesse. O Brasil precisa combater a pobreza e distribuir renda por meio da Inovação", afirmou.

O ministro sugeriu que a forma de aferir a produção de conhecimento deve ser ampliada, não se limitando a títulos, prêmios e publicações, além de destacar a importância de gerar valor agregado para a biodiversidade nacional.

Glaucius Oliva assume o CNPq em substituição a Carlos Aragão, que dirigiu a agência por exatamente um ano. Sua gestão ficou marcada pelo esforço em incrementar a área de inovação, para a qual foram destinadas em 2010 cerca de sete mil bolsas de fomento tecnológico; pela internacionalização da agência, em que foram investidos R$ 44 milhões em operações multilaterais e bilaterais com diversos países; e por uma revisão profunda dos mecanismos de avaliação e acompanhamento das atividades apoiadas pelo CNPq, ainda em andamento e feita em conjunto com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

Em seu discurso de despedida, Aragão lembrou ainda as importantes parcerias firmadas com ministérios, empresas e, principalmente, com as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, o que possibilitaram duplicar os recursos originais destinados ao apoio do fomento à ciência, tecnologia e inovação.

Currículo

 O novo presidente do CNPq tem 51 anos e criou e coordenou o Laboratório de Cristalografia de Proteínas e Biologia Estrutural do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), onde até hoje é professor titular e do qual já foi diretor. Também é Coordenador do Cepid "Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural (CBME)" da fapesp e também do INCT de Biotecnologia Estrutural e Química Medicinal em Doenças Infecciosas do MCT/CNPq, Ministério da Saúde e Fapesp (INBEQMeDI).

O currículo Lattes de Glaucius Oliva pode ser visto em http://lattes.cnpq.br/3107924103069456

A íntegra do discurso de posse está disponível em:
http://www.cnpq.br/saladeimprensa/noticias/2011/0127b_discurso.htm

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do CNPq