Com o objetivo de qualificar e capacitar profissionais na área da gestão ambiental e fortalecer os processos de fiscalização e controles externos através das prefeituras e autoridades municipais constituídas, o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) do Estado do Pará lançou ontem,18, o curso de pós-graduação em auditoria da gestão municipal do meio ambiente.
De acordo com o presidente em exercício do TCM, José Carlos Araújo, essa é a primeira vez que ocorre uma iniciativa dessa natureza no Estado. A ideia surgiu a partir de um projeto implementado no Rio de Janeiro e visa acompanhar de perto todas as áreas de desenvolvimento do Pará. “Diferente de outros Estados, o desenvolvimento no Pará desemboca em todas as regiões, cada um com suas especificidades. O Tribunal de Contas dos Municípios precisa ter qualidade para exercer o trabalho de fiscalizador. Agora, mais do que verificar se os recursos foram aplicados corretamente, também vamos analisar a qualidade desses serviços”, disse.
O curso será realizado em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Ministério Público do Estado do Pará junto ao TCM. Serão oferecidas 60 vagas, sendo 15 para servidores efetivos dos 15 maiores municípios do Pará ou daqueles onde existam projetos que possam causar impacto ao meio ambiente; 10 para a sociedade em geral e 35 para funcionários do TCM e MP junto ao TCM.
A seleção é de responsabilidade da UFPA, através de análise de currículos. O curso terá duração de 12 meses e será realizado no próprio TCM, duas vezes por semana. A aula inaugural está prevista para o dia 8 de outubro, proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres de Brito.
O presidente da Ameresp, Paulo Navarro, conduziu a votação que decidiu pela entrada dos residentes paulistas na greve nacional, nesta quinta (19), no vão do Masp
Cerca de 500 médicos residentes do estado de São Paulo decidiram pela adesão à greve nacional durante assembléia organizada pela Associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo (Amersp) nesta quinta-feira (19), no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Residentes da capital e de cidades do interior, como Socoraba, Campinas e região do ABC, participaram da mobilização. A greve nacional dos médicos residentes começou desde terça-feira (17).
A greve é organizada pela Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), que teve sua direção eleita em congresso ocorrido em janeiro, em Manaus (AM). Os estados de São Paulo, Pernambuco, Paraíba, Paraná e Rio Grande do Norte não haviam aderido à greve de forma imediata. O diretor de Saúde da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e tesoureiro da Associação de Médicos Residentes dos Estado de São Paulo (Ameresp) Pedro Tourinho, explica que o motivo é a própria forma como a mobilização foi puxada: “essa crítica consiste no fato de que a ANMR eleita em Manaus passou por cima das associações estaduais”.
Pedro diz que a ANMR não convocou as associações estaduais para debater a pauta ou mesmo para articular como seria organizado o movimento de greve em cada estado. Entretanto, o diretor da Ameresp considera que “a greve é legítima e a pauta é histórica”. Justamente por este motivo, a assembleia paulista aprovou a entrada do estado na greve, por tempo indeterminado. Embora tenha posicionamento crítico à forma como a greve foi convocada, a Ameresp aderiu ao movimento e “São Paulo vai mostrar que é de luta e ajudar a fortalecer o movimento nacional dos médicos residentes”, conforme fala empolgada do presidente da entidade, Paulo Navarro, durante a assembléia no Masp.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, também é crítico da greve. A assessoria de imprensa disse que a opinião do ministro é de que a greve é “incoerente”, pois “o governo está disposto a negociar”. A assessoria informa que, para o ministro, a greve só se justificaria se esta possibilidade (de diálogo) estivesse esgotada.
Foto: Luana Bonone
Ao lado do presidente da Ameresp, o tesoureiro Pedro Tourinho leu a pauta de reivindicações
Pauta histórica
Os residentes têm uma pauta de reivindicações que, segundo Pedro Tourinho, é debatida desde 2004. Em 2006 os médicos residentes realizaram uma greve e obtiveram alguns compromissos do governo, como um reajuste de 23,7% das bolsas. Como a promessa não foi cumprida, a defasagem da bolsa cresceu e hoje chega a 38,7%.
Na segunda-feira (16), os ministérios da Saúde e Educação oferecem um aumento de 20% das bolsas a partir de 2011, conforme ofício enviado à ANMR. A associação, entretanto, recusou o acordo e o Ministério da Educação (MEC) aguarda receber comunicado oficial para iniciar uma nova rodada de discussões.
Em negociação com os médicos residentes desde março de 2010, o governo federal está analisando outras reivindicações do grupo, como a ampliação do período de licença maternidade de quatro para seis meses e o estabelecimento da licença paternidade de cinco dias para médicos residentes. Esses dois pontos já constam de projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional pelos ministérios da Saúde e Educação.
Entretanto, o Congresso Nacional vive período de “recesso branco”, motivo de crítica da Ameresp ao momento da greve: “o momento de eleição favorece a pressão política sobre os ministérios, mas, por outro lado, o Congresso Nacional está em ‘recesso branco’, não está votando nada relevante, o que dificulta as negociações, visto que muitas das nossas reivindicações já estão previstas em Projetos de Lei”, constata o tesoureiro da Ameresp.
Foto: Luana Bonone
O presidente da Amerusp, Gerson Salvador, apresentou a programação de mobilizações, lembrando que "greve não é férias"
Na greve, muito trabalho
Nesta quinta (19), os residentes de São Paulo, que são 45% dos 22 mil médicos residentes que atendem pelo SUS no país, decidiram pela adesão à greve. Mas o presidente da Associação de Médicos Residentes da Universidade de São Paulo (Amerusp), Gerson Salvador, lembrou que “greve não é férias”. Antes de anunciar a programação das mobilizações de greve, provocou: “quem fica parado não disputa nada, quem fica em casa colabora com quem é contra a gente”. Gerson convocou as centenas de mobilizados a fazerem greve “dentro dos hospitais”. Os residentes vão realizar, a partir de sexta-feira (20), concentração nos hospitais onde trabalham para conversar com os usuários do SUS, explicar as motivações da greve. A programação prevê ainda doação de sangue e um ato público na Praça da Sé na segunda-feira (23), a partir das 10h.
Uma pauta importante, apresentada sob efusivos aplausos pelo presidente da Ameresp, Paulo Navarro, é a presença de um representante de São Paulo no comando nacional de greve. Durante a assembléia, foi formado ainda um comando estadual de greve, com um representante de cada hospital presente.
O presidente da Associação Médica dos Servidores Públicos e diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Otelo Chino Jr., declarou apoio das entidades à greve. A ANPG também tinha diretores no ato, apoiando o movimento, visto que os residentes são estudantes de pós-graduação. Representante da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP) também manifestou solidariedade aos diretores da Ameresp.
No Rio, residentes estão em greve desde terça-feira (17), quando teve início o movimento nacional
Rio de Janeiro
Outros estados, como o Rio de Janeiro, já estão em greve desde terça-feira (17). Lá, a paralisação já atingia cerca de 80 hospitais durante a semana. O movimento é liderado pela Associação de Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (Amererj), que convoca nova mobilização para a próxima terça-feira (24), às 11h, no Auditório do Hospital Federal da Lagoa. Nesta quinta (19), os médicos residentes cariocas também estiveram reunidos em ato público, que ocorreu na Cinelândia.
“A área mais afetada é a do SUS (Sistema Único de Saúde) porque o atendimento é feito por cerca de 70% de médicos residentes. O atendimento também diminui no setor do ambulatório e das cirurgias eletivas. A emergência funciona normalmente", declarou a presidente da Amererj, Beatriz Costa.
De São Paulo, Luana Bonone, com Ministério da Saúde
Capes e MEC divulgam normas para bolsas. Investimento previsto é de R$9 milhões
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Secretaria de Educação Superior (Sesu), do Ministério da Educação, definiram normas para concessão de bolsas de pós-doutorado do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Segundo a Portaria conjunta nº 1, publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (17), serão disponibilizados cerca de R$ 9 milhões para o programa.
No total, 14 universidades federais se candidataram a receber recursos do programa com um total de 230 bolsas Reuni de Assistência ao Ensino.
As bolsas só serão concedidas após apresentação de plano de trabalho, com base na proposta institucional aprovada pelo Comitê Gestor de Bolsas Reuni, segundo a portaria.As universidades têm até sexta-feira (20) para apresentar projetos.
As cotas não poderão exceder aquelas previstas em cada projeto e as bolsas aprovadas para 2010 não poderão ser realocadas para uso em 2011.
A coordenação divulgará o número de bolsas a serem concedidas até 27 de agosto. As bolsas entram em vigor até 30 de agosto e têm vigência de até doze meses, com possibilidade de renovação por igual período.
Segundo a portaria, os candidatos às bolsas deverão desenvolver, durante o período de recebimento da bolsa, pesquisa acadêmica que vise a melhoria e a inovação do ensino de graduação e a integração com a pós-graduação, na área de atuação docente, gerando objeto educacional de interesse da instituição, sem prejuízo do atendimento dos demais requisitos e regulamentação inerentes aos bolsistas Capes.
Até 30 de agosto de 2011, as universidades federais deverão enviar à Sesu e à Capes relatórios de acompanhamento da execução do plano de trabalho, com resultados obtidos.
Veja os valores que poderão ser disponibilizados para as universidades federais:
Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) – 5 bolsas – R$ 198 mil
Universidade Federal de Goiás (UFG) – 4 bolsas – R$ 158,4 mil
Universidade de Minas Gerais (UFMG) – 12 bolsas – R$ 475,2 mil
Universidade Federal do Paraná (UFPR) – 20 bolsas – R$ 792 mil
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – 30 bolsas – R$ 1,19 milhão
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – 25 bolsas – R$ 990 mil
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – 55 bolsas – R$ 2,18 milhões
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) – 2 bolsas – R$ 79,2 mil
Universidade Federal de Roraima (UFRR) – 10 bolsas – R$ 396 mil
Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) – 8 bolsas – R$ 316,8 mil
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – 40 bolsas – R$ 1,58 milhão
Universidade Federal do Amazonas (Ufam) – 3 bolsas – R$ 118,8 mil
Universidade Federal do Rio Grande (Furg) – 12 bolsas – R$ 475,2 mil
Universidade Federal de Viçosa (UFV) – 4 bolsas – R$ 158,4 mil
Da redação com G1 e Assessoria de Comunicação da Capes.
A FAPESP e a Braskem/Ideom lançam nova chamada de propostas de pesquisa a serem desenvolvidas por pesquisadores de instituições de ensino superior e de pesquisa no Estado de São Paulo.
Os projetos selecionados deverão contribuir para o avanço do conhecimento e da tecnologia nas áreas de: Processos de síntese de intermediários, monômeros e polímeros a partir de matérias primas renováveis; Captura, armazenamento e conversão de CO2; Estudos e desenvolvimento de materiais que atribuam aos polímeros (obtidos a partir de matérias primas renováveis, ou não) as propriedades físico-químicas que possibilitam sua utilização nas diferentes aplicações demandadas pelo mercado; Poliolefinas (catálise, modificação química, outros); Formação de recursos humanos altamente qualificados nos itens descritos.
Ao manter nesta segunda chamada no âmbito do convênio entre as instituições os temas relacionados aos processos de síntese de intermediários, monômeros e polímeros a partir de matérias primas renováveis (foco da primeira chamada de propostas), e ao ampliar com temas relacionados à indústria petroquímica já instalada, a FAPESP e a Braskem/Ideom reconhecem a importância e necessidade da autonomia tecnológica do Brasil no setor petroquímico.
Aplicam-se à chamada as condições e restrições do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), da FAPESP, excluindo-se aquelas restrições e condições explicitamente excepcionadas na chamada.
As propostas deverão buscar alguns ou todos os seguintes objetivos de pesquisa: Soluções novas e criativas; Relevância imediata; Disseminação e comunicação; e Propriedade intelectual dos resultados.
O total de recursos para atender às propostas selecionadas é de R$ 10 milhões, sendo R$ 5 milhões da FAPESP e R$ 5 milhões da Braskem/Ideom. A adequação do orçamento proposto aos objetivos e à capacidade da equipe proponente constitui-se em aspecto relevante que será considerada na análise e seleção das propostas.
As propostas serão recebidas até o dia 16 de novembro de 2010.
A Ideom Tecnologia foi criada em dezembro de 2008 para ser a empresa de Inovação e Tecnologia da Braskem, tendo a sua sede localizada no Pólo Petroquímico de Camaçari, na Bahia.
A associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo (Ameresp) lançou nota crítica à forma e ao momento em que se organiza greve nacional da categoria. A entidade paulista, entretanto afirma que a pauta é justa e consensual dentro do movimento de médicos residentes e convoca mobilização no vão do MASP, em São Paulo, nesta quinta-feira (19).
"A greve é convocada em um momento um bocado inoportuno, em que o congresso está em recesso branco e, na avaliação da Ameresp, com poucas chances de vitória expressiva", analisa o diretor de Saúde da ANPG e tesoureiro da entidade estadual, Pedro Tourinho.
A greve foi convocada pela Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR) nos 24 esatdos e Distrito Federal, onde atua, a partir das 7h desta terça-feira (17), segundo a assessoria de imprensa da entidade. Informam ainda que a greve acontece por tempo indeterminado.
O ex-presidente da Ameresp, João Paulo Cechinel Souza, informa que os residentes correspondem a quase 70% dos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Pauta justa
Segundo Pedro Tourinho, de fato a mobilização dos residentes já está em andamento pelo Brasil afora. Pedro considera ainda que e a pauta de reivindicações é justa: "constitui-se na revisão da bolsa de residência, na extensão da licença maternidade, no estabelecimento de database anual para revisão de bolsa e na 13 bolsa", explica o médico, que completa: "a partir daí, mesmo reconhecendo que o momento não era o mais oportuno para fazer a greve, a Ameresp entendeu que deveria apoiar e fortalecer este movimento, tentando garantir ao máximo possível a conquista das reivindicações históricas do movimento dos médicos residentes. Esperamos assim fortalecer o movimento dos médicos residentes e qualificar os debates e discussões que vêm sendo travados".
A Ameresp, que participa das negociações estaduais e nacionais, já tendo feito contato com os Ministérios da Educação e da Saúde (MEC e MS), convocou, por ora, apenas uma paralisação de um dia, com assembleia de médicos residentes marcada para ocorrer nesta quinta-feira (19), a partir das 10h, no vão do Museu de Arte de São Paulo (MASP).
Embora a ANMR tenha informado que instituições do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Rondônia e Roraima tenham aderido ao movimento, a Ameresp critica a diretoria da entidade nacional e afirma que as entidades estaduais não foram chamadas a construir o movimento.
Proposta do Ministério da Saúde
Em nota divulgada na segunda-feira (16), o Ministério da Saúde informou que ofereceu aumento de 20% na bolsa mensal a partir do Orçamento de 2011. A proposta só foi possível por meio do remanejamento de recursos de outros projetos dos órgãos financiadores.O texto também anuncia a criação de um grupo de trabalho para analisar as reivindicações dos médicos residentes. “Em negociação com os médicos residentes desde março de 2010, o Governo Federal está analisando outras reivindicações do grupo, como a ampliação do período de licença-maternidade de quatro para seis meses e o estabelecimento da licença-paternidade de cinco dias para médicos residentes”, afirmou o Ministério da Saúde, em nota.
A ANMR afirmou que a proposta seria analisada nesta quarta-feira (18), em reunião da Comissão Nacional de Greve, que conta com representantes dos estados que aderiram à paralisação. Ainda assim, a proposta de reajuste do Ministério da Saúde foi considerada insuficiente, segundo a assessoria de imprensa da Associação.
Posição da Ameresp
Em sua página, a Ameresp publicou, a respeito da greve:
"A nova diretoria da AMERESP assumiu enfrentando um momento político importante, já que há um movimento nacional de greve dos residentes. A respeito deste tema, gostaríamos de deixar claro o posicionamento dos médicos residentes do Estado de São Paulo, deliberado no COMERESP:
– APOIAMOS INTEGRALMENTE A PAUTA DE REINVIDICAÇÕES DEFENDIDA PELO MOVIMENTO NACIONAL, porque consistem das mesmas reinvidicações que vimos construindo há meses;
– INDICAMOS A PARALISAÇÃO DOS MÉDICOS RESIDENTES NO DIA 19/08/2010, dia em que ocorrerão assembléias de médicos residentes por todo o estado e um grande ato público a ser realizado no vão livre do MASP, a partir das 10h.
– REPUDIAMOS A POSTURA DO COMANDO NACIONAL DE GREVE, que até o momento vem simplesmente excluindo a representação oficial dos médicos residentes do Estado de São Paulo das negociações. Entendemos que tal postura não se justifica nem soma para o sucesso do movimento nacional, mesmo porque o nosso Estado representa cerca da metade dos médicos residentes do Brasil.
– EXIGIMOS A INCLUSÃO IMEDIATA DA AMERESP NO COMANDO NACIONAL DE GREVE E NA MESA DE NEGOCIAÇÕES.A nova diretoria da AMERESP conclama os médicos residentes do Estado a aderir ao movimento, e se compromete em fazer todo o possível para que nós possamos não apenas participar, mas sermos PROTAGONISTAS no processo de negociações e na construção da unidade do movimento nacional dos residentes. Porque unidos, somos mais fortes!
Paulo Navarro de Moraes
Presidente da AMERESP – Gestão 2010/2011"
Médicos residentes que atuam em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) de 24 estados e do Distrito Federal estão em greve desde as 7h desta terça-feira (17), segundo a assessoria de imprensa da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR). A greve acontece por tempo indeterminado, segundo o órgão.
Aderiram à paralisação, ainda segundo a ANMR, instituições do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Rondônia e Roraima.
Ainda não há estimativa de quantos médicos residentes estão em greve, mas a Associação afirma que a adesão é maciça nos estados acima, com exceção de São Paulo. Ao todo, de acordo com o órgão, o Brasil tem 22 mil médicos residentes.
Entre as reivindicações da categoria está o reajuste de 38,7% na bolsa-auxílio paga a esses profissionais. Segundo a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), os residentes recebem R$ 1.916,45. Eles pedem ainda que seja fixada uma data-base anual para a categoria, a melhoria da supervisão dos programas de residência e o direito a licença-maternidade.
Proposta do Ministério da Saúde
Em nota divulgada na segunda-feira (16), o Ministério da Saúde informou que ofereceu aumento de 20% na bolsa mensal a partir do Orçamento de 2011. A proposta só foi possível por meio do remanejamento de recursos de outros projetos dos órgãos financiadores.
O texto também anuncia a criação de um grupo de trabalho para analisar as reivindicações dos médicos residentes. “Em negociação com os médicos residentes desde março de 2010, o Governo Federal está analisando outras reivindicações do grupo, como a ampliação do período de licença-maternidade de quatro para seis meses e o estabelecimento da licença-paternidade de cinco dias para médicos residentes”, afirmou o Ministério da Saúde, em nota.
A ANMR afirma que a proposta será analisada na quarta-feira (18), em reunião da Comissão Nacional de Greve, que conta com representantes dos estados que aderiram à paralisação. Ainda assim, a proposta de reajuste do Ministério da Saúde foi considerada insuficiente, segundo a assessoria de imprensa da Associação.
Desde abril de 2009, a Diretoria de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) é dirigida pelo físico Livio Amaral, professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
A história de Livio Amaral com a Capes começa em 1995, quando o professor passou a integrar a Comissão de Consultores Científicos da Capes na área de Física e Astronomia. Nos últimos anos, Amaral participou como membro do Conselho Técnico Científico do Ensino Superior e do Comitê Assessor Especial da Diretoria de Relações Internacionais, além de Coordenador da Área de Materiais.
A Diretoria de Avaliação (DAV) é responsável pelo Sistema de Avaliação da Pós-Graduação, implantado em 1976 e que cumpre papel fundamental para o desenvolvimento da pós-graduação e da pesquisa científica e tecnológica no Brasil.
Para Livio Amaral, o maior desafio da Avaliação é aplicar a mesma sistemática a todas as áreas de conhecimento em um só momento (Foto: ACS/Capes)
Capes: Hoje é o último dia da participação dos consultores na avaliação trienal. Qual a análise do senhor a respeito da Avaliação Trienal 2010?
Lívio Amaral: A avaliação incluiu cerca de 900 consultores que trabalharam sobre os 2.900 programas de pós-graduação distribuídos em 46 áreas do conhecimento. Esse processo de quatro semanas, um trabalho de muita dedicação e de muita demanda aos consultores, constitui esse processo que de algum modo é único no mundo. Não existe processo dessa forma e com essa abrangência em nenhum outro país.
Capes: A avaliação da pós-graduação é um processo que mobiliza por diversos dias centenas de consultores da área acadêmica. Como são e quando começam os preparativos para a Avaliação?
Lívio: Na verdade o processo de avaliação é continuado. A cada ano os programas de pós-graduação, por meio do aplicativo Coleta Capes, devem prestar informações à Capes. Essas informações são trabalhadas ao longo do ano. Nesse sentido, não se pode precisar quando começa exatamente o processo de Avaliação. Trata-se de um todo, um contínuo de procedimentos e de momentos de avaliação. Especificamente, o momento da operacionalização da avaliação trienal começou no início deste ano. A avaliação é um processo que envolve não apenas a Diretoria de Avaliação, mas também muito fortemente a Diretoria de Gestão e o Gabinete da Presidência da Capes.
Capes: O senhor já participou de outras avaliações como consultor da Capes. O que a avaliação deste ano teve de diferente em relação às avaliações de outros anos?
Lívio: Eu participei de outras avaliações na condição de membro de comissão, coordenador de área e como membro do Conselho Técnico Científico da Capes. Os cinco grandes eixos de avaliação são: proposta do programa; corpo docente; corpo discente, teses e dissertações; produção intelectual e inserção social. As avaliações destes eixos estão descritos nos respectivos documentos de área. Mas a cada nova avaliação, em função dos aprendizados de cada processo, esses cinco eixos são atualizados, modificados e aprimorados. O que eu destacaria como novidade neste ano é que na produção intelectual, nós estamos fazendo avaliação de livros, o que em muitas áreas é a principal forma de expressar o trabalho intelectual desenvolvido por alunos e professores. Nesta trienal, os livros pela primeira vez estão sendo analisados de um modo mais sistemático e comum em várias áreas do conhecimento.
Também é importante destacar que, dado ao fato que este ano temos a nova sede da Capes, o espaço que se tem aqui trouxe dois importantes pontos: o primeiro, o enorme conforto físico e ambiental, algo que tem sido bastante destacado por diferentes consultores; e o segundo, que a possibilidade de fazer toda a avaliação no mesmo espaço, coisa que nem sempre ocorreu em trienais anteriores, criou uma maior integração e oportunidade de interação entre consultores de diferentes áreas, o que leva a uma maior homogeneidade do processo.
De acordo com o diretor, a análise de livros é uma das principais novidades desta avaliação trienal (Foto: ACS/Capes)
Capes: Quais são os maiores desafios ao avaliar os cursos de pós-graduação?
Lívio: O maior desafio é sempre contemplar dois aspectos. O primeiro, adequar os instrumentos de modo a expressar ao final da avaliação a qualidade e a qualificação dos nossos programas de pós-graduação. O segundo, conseguir avaliar por uma mesma sistemática e mesmos instrumentos todas as áreas de conhecimento em um só momento.
Capes: Qual a missão mais importante da Avaliação?
Lívio: A avaliação cumpre o papel de analisar profundamente o panorama dos programas de pós-graduação no Brasil, e assim atestar a qualidade dos cursos e acompanhar a qualificação dos mesmos. A partir da avaliação obtêm-se elementos e indicadores que permitem induzir e fomentar ações governamentais de apoio à pós-graduação brasileira. Como resultado podemos fazer adequações para avançar científica e tecnologicamente e desenvolver corretamente o país, como por exemplo promover programas específicos para diminuir as assimetrias entre regiões do Brasil ou intra e inter áreas do conhecimento.
Capes: Quais as lições que a avaliação deste ano trouxe? O que senhor prevê para o futuro do processo de avaliação da pós-graduação?
Lívio: Há um entendimento da comunidade científica de que são necessárias algumas mudanças no processo de avaliação. Agora, ao final desta etapa, temos elementos para realizá-las. Pelo próprio crescimento da pós-graduação, em número de cursos, professores, alunos e trabalhos, cada vez mais fica difícil a capacidade de operar todo esse sistema da maneira como fazemos até então. Portanto, com o resultado da avaliação, teremos elementos para debater junto à comunidade acadêmica, mudanças nesse processo. Seja quanto ao período da avaliação, seja quanto à forma de avaliar cursos que já estão consolidados há bastante tempo no sistema. Esse debate já está em parte sendo feita na discussão do novo Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG).
O Projeto Temático "Observatório das Migrações em São Paulo (Fases e Faces do Fenômeno Migratório no Estado de São Paulo)", apoiado pela FAPESP, tem uma vaga de Bolsa de Pós-Doutorado no Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Nepo-Unicamp oferece oportunidade de pós-doutoramento para estudar a imigração internacional recente na Região Metropolitana de São Paulo, com destaque para a latino-americana (foto: GettyImages)
O objetivo é estudar a imigração internacional recente na Região Metropolitana de São Paulo, com destaque para a migração latino-americana.
Os candidatos devem ter formação científica em demografia, sociologia, antropologia, geografia e áreas afins. É também essencial experiência prévia em trabalhos de campo.
É esperado que o candidato tenha motivação e habilidade para organizar tarefas de pesquisa com independência e apresente desenvoltura na redação de relatórios e artigos científicos.
Os interessados devem enviar os seguintes documentos para a pesquisadora principal do projeto e responsável pela seleção dos candidatos, professora Rosana Baeninger ([email protected] e [email protected]), até o dia 25 de agosto de 2010:
a) Curriculum Vitae completo e atualizado, incluindo lista de publicações;
b) Carta de apresentação indicando a razão do interesse na bolsa e com um breve relato de sua experiência;
c) Duas cartas de recomendação.
O valor da bolsa de Pós-Doutorado no país da FAPESP é de R$ 5.028,90 e o período da bolsa é de 24 meses. A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros.
A seleção será feita no mês de setembro de 2010 para início em outubro de 2010. Os candidatos deverão ter disponibilidade no mês se setembro de 2010 para entrevista presencial.
Ontem , 12 de agosto, foi comemorado o Dia Internacional da Juventude. O Presidente da República,Luís Inácio Lula da Silva recebeu, na ocasião, o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), junto com conselheiros estaduais e municipais de juventude. Durante o encontro, o presidente Lula assinou o decreto de convocação da 2ª Conferência Nacional de Juventude, a ser realizada em 2011. A primeira Conferência, que aconteceu em abril de 2008, na capital federal, mobilizou mais de 400 mil pessoas em todo o Brasil e resultou na definição de um conjunto de prioridades e resoluções que deverão nortear as políticas públicas de juventude em todas as esferas governamentais.
Representantes do Conjuve em encontro com Presidente Lula e o Ministro Luiz Dulci. Foto: Blog do Planalto
Na oportunidade também foram destacadas vitórias recentes do segmento como a aprovação da Emenda Constitucional nº65, a PEC da Juventude, que supriu uma lacuna existente na Constituição Federal, incluindo o termo jovem no capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais. Outra conquista foi a aprovação, em caráter definitivo pelo Senado, da adesão do Brasil ao Organização Iberoamericana de Juvntude – OIJ.
Para Lula, uma vez que pauta da juventude foi instituída como política de Estado, não poderá ser excluída do programa dos próximos governos. “Se cada governante fizer uma parcela, um pouquinho, a gente pode chegar daqui a alguns anos e ter cumprido as necessidades de atendimento da juventude brasileira”, afirmou, lembrando que seu governo deu atenção especial à educação, principalmente ao ensino superior (com a criação de 14 universidades) e técnico (em oito anos, criou 214 escolas técnicas -o Brasil tinha até 2003 apenas 140).
O presidente ressaltou ainda que as conferências nacionais foram um dos instrumentos de seu governo para consolidação de uma convivência democrática “em um momento histórico em que nem o Estado nem o governo têm medo de conversar com a sociedade”. Lula lembrou que houve muitos governantes que tinham medo de falar com a sociedade porque governavam apenas para uma parcela das pessoas. “Nós construímos uma relação sadia, pelo fato de tratarmos as pessoas com respeito. Esta relação com a sociedade brasileira era um dos sonhos que eu tinha, um dos legados que eu queria deixar”, avaliou.
Dia Internacional da Juventude
A data – 12 de agosto – foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para voltar a atenção do mundo às questões da juventude. Por isso, anualmente a organização elege temas, especialmente ligados à saúde, participação, educação e trabalho , para pautar o trabalho dos agentes envolvidos na promoção dos direitos dos jovens.
A ONU definiu que 2010 seria o Ano Internacional da Juventude. Porém, oficialmente, o ano só começa após as comemorações do Dia Internacional da Juventude e se estende até a mesma data em 2011 . A Assembleia Geral da ONU pediu o apoio internacional de governos, sociedade civil, indivíduos e comunidades ao redor do mundo para dar visibilidade ao tema para toda população mundial. Vários eventos internacionais vão acontecer em agosto: o 5º Congresso Mundial da Juventude, em Istambul, Turquia; uma conferência global no México; além dos Jogos Olímpicos da Juventude, realizados em Cingapura. Em comemoração à data, a Secretaria Nacional de Juventude realiza, em Brasília, a 1ª Mostra do Projovem Urbano. O Projovem é um dos principais programas voltados para o público juvenil e um dos pilares da política nacional de Juventude.
Káthia Maria Honório, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH|USP) foi a laureada na área de Ciências Químicas na edição 2010 do Prêmio L’Oréal/UNESCO “Para Mulheres da Ciência”.
O projeto proposto pela pesquisadora envolve o uso de ferramentas de quimioinformática para o planejamento de novas substâncias bioativas com potenciais aplicações para o tratamento de fibrose, aterosclerose e câncer.
Os vencedores recebem uma Bolsa-Auxílio (Grant) no valor de US$20 mil.
O programa “Para Mulheres na Ciência” foi criado pela L’Oréal Brasil em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Comissão Nacional da UNESCO (IBECC), tendo como principal objetivo ceder espaço e apoio à participação das mulheres brasileiras no cenário científico do país.
Lançado em 1998, o prêmio é considerado o primeiro dedicado às cientistas mulheres em todo o mundo. A primeira edição do prêmio no Brasil aconteceu em 2006 e já beneficiou várias jovens cientistas brasileiras.
O programa seleciona até sete pesquisadoras por ano, sendo quatro bolsas para as áreas das Ciências Biomédicas, Biológicas e da Saúde, uma para as Ciências Químicas, uma para a área de Ciências Físicas e uma para as Ciências Matemáticas.
A cerimônia de entrega do prêmio será realizada no hotel Copacabana Palace, na cidade do Rio de Janeiro, em 23 de setembro de 2010.
Leia entrevista com a docente concedida para o sítio da EACH|USP:
Como foi a inscrição para o prêmio? Você já tinha tentado outras vezes?
Káthia Maria Honório, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH|USP) foi a laureada na área de Ciências Químicas na edição 2010 do Prêmio L’Oréal/UNESCO “Para Mulheres da Ciência”. Foto: EACH USP
Eu já tinha tentado há dois anos trás e não tinha sido contemplada.
Neste ano, quando abriram as inscrições, só no último dia, na correria em que vivemos, pensei: "É hoje, eu tenho que mandar". Aí fiz o projeto, que foi até uma aluna de iniciação aqui da EACH que deu início.
Então enviei o projeto, o currículo lattes e uma carta de aceitação da instituição (EACH|USP) dizendo que apoiaria o projeto de pesquisa.
Pedi para o professor Boueri e ele assinou.
Como surgiu a ideia para a pesquisa?
Quando essa aluna de iniciação (científica) me procurou, eu comecei a pensar em algum tema para o projeto e encontrei artigos na literatura que descreviam as aplicações do TGF-beta. Como sou da área de química medicinal, sempre tenho o interesse em pesquisar alguma doença e atrelar a química e as ferramentas computacionais para estudar potencias fármacos para essa doença.
O TGF beta é uma citocina, ou seja, uma molécula sinalizadora. O próprio organismo produz e ela se encaixa em um receptor do nosso organismo e, à medida que a molécula se encaixa, dispara vários alarmes para aquela célula.
Em células normais, quando o nosso organismo produz essa substância e ela se liga no receptor e é como fornecesse uma mensagem do tipo "se reproduza agora".Se isso ocorrer em determinada etapa da nossa vida, por exemplo na fase embrionária, isso é muito importante.
Em células normais, isso é um processo extremamente natural, mas em células tumorais essa substância (TGF-beta) vai atuar como um vilão, porque ela vai potencializar a divisão de células anormais. O que acontece: essa produção vai desencadear vários processos biológicos e fisiológicos que, ao invés de ajudar, vão ocasionar metástase e vários outros processos. O que meu projeto propõe é tentar inibir essa sinalização planejando novas substâncias.
Em caso de câncer, arteriosclerose e outras doenças, esse alvo biológico é importantíssimo. Se encontrarmos substâncias químicas que inibam esse processo, essas substâncias poderão ser candidatas a novos medicamentos.
O que é o meu trabalho de pesquisa, então? É planejar substâncias que se liguem em uma determinada região do receptor para inibir esse processo.
Como é ser um cientista mulher? Existem desafios especiais por conta disso?
Com certeza. Quando eu recebi esse prêmio, fiquei muito orgulhosa porque é uma iniciativa louvável da L´oréal, da Academia Brasileira de Ciências e da UNESCO por ressaltar essa área feminina da ciência.
Temos visto uma evolução muito grande da participação feminina na Ciência.
Hoje em dia, se você for contabilizar, muitas mulheres fazem doutorado, mestrado (pós-graduação).
Só que em algumas áreas, isso ainda é um pouco deficiente, por exemplo, somente 25% das bolsas de produtividade em pesquisa do CNPq está nas mãos de mulheres. A gente ainda tem que vencer muitos desafios.
E é complicado porque a mulher tem tripla jornada; temos que trabalhar com esse desafio gigantesco, arranjar tempo pra tudo.
Antigamente tinha aquele estereótipo que mulher cientista era desleixada. Hoje me dia não, vemos muitas cientistas de renome que fazem pesquisa de alto nível ainda se cuidam.
Eu acho que essas mulheres servem como grande exemplo para as novas gerações. Aliás, o intuito desse programa é incentivar a participação feminina na ciência. Eu sempre falo que eu amo o que eu faço e eu adoro ser cientista.
Como foi sua trajetória acadêmica e profissional?
Fiz minha graduação em São Carlos, na USP, começando em 1994. Fiz os quatro anos de graduação em Química e depois fiz o mestrado e doutorado lá também, na área de química teórica, com o prof. Alberico, que hoje é diretor do IQSC-USP.
Depois que eu terminei o meu doutorado, fui fazer pós-doutorado também em São Carlos, só que no Instituto de Física (IFSC-USP).
Em Junho de 2006 vim para a EACH. Desde então tento ajudar na parte de administração (comissões), ministro aulas no curso de LCN, faço minhas pesquisas e já participei de vários projetos de extensão. Já contribui também em disciplinas do Ciclo Básico e atualmente ministro as disciplinas de química do curso.
Na área de pesquisa, coordeno um projeto da FAPESP e um projeto do CNPq; tenho outros projetos em colaboração com o pessoal de outras universidades e unidades da USP. Tenho vários alunos de iniciação aqui da EACH, alguns trabalham comigo na área de química medicinal e outros com temas relacionados com ensino de química.
Tenho uma aluna de iniciação que tem bolsa da FAPESP, Tabata Suller, e recentemente um artigo científico do trabalho dessa aluna foi aceito para publicação. Tenho dois alunos de doutorado , a Daniele e o Vinícius.
Sou bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq.
Como você percebeu que gostaria de ser uma pesquisadora, que gostaria de se dedicar à área de pesquisa?
Então, isso foi uma coisa difícil porque na graduação eu queria ir para a indústria, a minha ideia era ir trabalhar em indústria de tintas. Durante a graduação em São Carlos eu podia optar, no último ano, por química fundamental ou química tecnológica. Aí eu pensei: "não, vou fazer tecnológica". Para fazer tecnológica, era necessário fazer estágio e consegui estagiar em uma usina de açúcar e álcool da região.
Quando terminei a graduação, fiquei em um impasse: "faço mestrado ou vou para a indústria". Fui procurar algumas coisas, alguns professores para trabalhar na indústria. Nada dava certo, então pensei: "Quer saber? Vou fazer o mestrado e vamos ver se depois vou para a indústria".
Fui cada vez mais gostando da área acadêmica e me encontrei. O grupo no qual eu trabalhei era um grupo muito bom; meu orientador dava abertura para trabalharmos além dos nossos projetos, ajudando outras pessoas, como alunos de iniciação e outros alunos de pós-graduação.
Isso foi muito gratificante e cresci muito como pesquisadora. Posso dizer que o currículo que tenho hoje é fruto de todo trabalho, esforço e dedicação. Nessa fase, pude ampliar meus horizontes dentro da pesquisa.
Eu não tinha muita experiência como docente ainda. Na pós-graduação, no mestrado e no doutorado, você fica muito concentrado em pesquisa.
Mesmo assim, junto com mais alguns colegas do próprio grupo, criamos cursos de extensão. O nosso orientador era o responsável. Então eu tive contato um pouco com a área de docência.
Aqui na EACH cultivei esse outro lado e vi que era isso mesmo: queria a pesquisa e a docência.
Se você tivesse que dar um conselho para uma jovem pesquisadora, alguém que sonha em produzir conhecimento, qual seria?
Eu acho que tem que ter determinação, foco e dedicação. Sempre querer melhorar. Eu me lembro que no começo do mestrado, meu orientador me pediu para escrever um artigo em inglês. Tinha acabado de sair da graduação, sabia escrever pouco em inglês, somente lia artigos e livros. Ai é óbvio que bate aquele medo, aquele frio na barriga, mas eu pensei: "vou enfrentar esse desafio". A minha filosofia é essa.
Quando me dá algum medo eu penso: "agora é que eu vou". Comecei a escrever o artigo em inglês, aos trancos e barrancos; fui atrás de cursos para poder suprir essa deficiência.
Na minha opinião, essa nova geração tem que ser persistente e sempre querer melhorar. Falo sempre que quando estamos na universidade, temos que aproveitar tudo e mais um pouco, todas as oportunidades que a universidade nos dá.