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Atividade acontece no dia 29 de julho, em Natal (RN).

Promover um debate sobre mulheres e ciências no Brasil e no Reino Unido será a meta do Café Científico organizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo British Council, no dia 29 de julho, na 62ª Reunião Anual da SBPC.

O encontro acontece de 25 a 30 de julho, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal.

Foto:Marrie Currie,primeira mulher a ganhar um Nobel

O Programa Brasileiro Mulher e Ciência foi lançado em 2005, a partir do trabalho realizado por um grupo interministerial composto por representantes da SPM, do CNPq, dos ministérios da C&T e da Educação, entre outros. O grupo foi instituído para analisar e propor ações a partir de um cenário de invisibilidade das mulheres no campo das ciências. 

A atividade promovida na Reunião da SBPC dará continuidade à parceria, e tem como objetivo principal apoiar o Programa Brasileiro, levando o debate para um público mais amplo.

A palestrante brasileira será Maria Conceição da Costa (Unicamp) ea britânica será Clem




Herman (Open University, RU). A coordenadora  será Miriam Grossi (UFSC).

 

2º Salão na SBPC

Durante a 62ª Reunião Anual da SBPC acontece também o 2º Salão Nacional de Divulgação Científica. Integração Científica e Tecnológica na América Latina é o tema da atividade, realizada em conjunto com a União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Organização Continental Latino Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE) e a Comissão Nacional Executiva do PET (CENAPET).

 

Mostra Científica, debates e oficinas compõem a programação da atividade. Informações em www.salaonacional.org.br

Mais informações sobre o café científico pelo e-mail:

[email protected]

 

Da redação, com Jornal da Ciência.


 

 




Os pesquisadores interessados em concorrer a bolsas de Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora – DT têm até o dia 18 de Agosto para fazer suas inscrições por meio do Formulário de Propostas On-line, disponível na Plataforma Carlos Chagas. O julgamento será realizado por um Comitê Avaliador multidisciplinar, as novas concessões estão previstas para Agosto de 2010.

Esta bolsa tem como finalidade distinguir o pesquisador doutor, valorizando sua produção em desenvolvimento tecnológico e inovação, desde que seja titulado há pelo menos três anos, tenha um bom e crescente histórico de formação de recursos humanos, produção e transferência de tecnologia, e um projeto de pesquisa claramente inovador. É indispensável para a solicitação que o currículo do candidato esteja atualizado na Plataforma Lattes até o sétimo dia após o término do prazo de inscrição. Atualizações após esta data não serão consideradas para fins de análise.

A vigência da bolsa de pesquisador categoria/nível 1A é de 5 anos, a dos níveis 1B, 1C e 1D é de 4 anos e da categoria 2 é de 3 anos. É permitido concorrer em apenas uma modalidade: PQ ou DT. O pesquisador inscrito que queira alterar ou substituir a solicitação já enviada deve preencher a modalidade desejada e remeter ao CNPq.

Lembrando que os pesquisadores que já se inscreveram para as bolsas de produtividade não precisam se inscrever novamente, a não ser que queiram mudar sua opção de inscrição de PQ para DT ou vice-versa. Neste caso, será considerada apenas a última inscrição.

Mensalidades pagas de acordo com o enquadramento do pesquisador (categoria/nível) e conforme estipulado na tabela de valores para as bolsas de Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora:




www.cnpq.br/normas/rn_10_005.htm#pais 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do CNPq.




Bolsistas "fujões" são condenados a pagar R$ 19,6 mi

Tribunal cerca pesquisadores que não retornaram ao Brasil após cursos no exterior pagos com verba pública

Segundo o TCU, são 48 os bolsistas em situação irregular condenados; casos ocorreram entre 1981 e 1998, diz agência

RODRIGO VARGAS
DE CUIABÁ

Entre 2008 e 2010, o TCU condenou 48 ex-bolsistas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) a restituir um total de R$ 19,6 milhões.
São pesquisadores que não voltaram ao país após a conclusão de cursos no exterior pagos com dinheiro público. As duas instituições dizem que as irregularidades atingem menos de 1% das bolsas e vão de 1981 a 1998.
Desde 2002, 408 tomadas de contas foram encaminhadas ao TCU para julgamento de irregularidades.
No caso da Capes, a relação de contas abrange 91 ex-bolsistas. Outros 316 são do CNPq. O valor dos prejuízos supera os R$ 100 milhões.
Em acórdão publicado em abril deste ano, o Tribunal de Contas da União diz que o propósito da concessão de bolsas no exterior "é a formação de pesquisadores" , e não a "satisfação pessoal de determinado estudante".
O documento se referia ao caso da ex-bolsista Rogéria Waismann, condenada a devolver, em valores atualizados, um total de R$ 891.721,81 ao CNPq. A Folha não conseguiu contato com a pesquisadora, que não apresentou defesa ao TCU.
Segundo o tribunal, a pesquisadora recebeu verba em 1993 para custear um doutorado em psiquiatria na Universidade de Londres, mas não comprovou sua conclusão nem retornou ao país.
Outra decisão publicada este ano condenou o ex-bolsista Jorge Campello de Souza a ressarcir R$ 990.634,05 à Capes -o maior valor imposto pelo tribunal desde 2008 para casos semelhantes.
Contemplado com uma bolsa para doutorado na Universidade Stanford (EUA) em 1994, ele não voltou ao país.
Ao TCU, Campello disse que, após concluir a bolsa, realizou seminários, estudos e atuou como responsável técnico em uma empresa de sua família em Recife.

Qualquer investimento tem risco, diz presidente do CNPq

DE CUIABÁ

A seleção do bolsistas do CNPq é "muito séria e criteriosa", mas não está imune aos riscos de qualquer investimento, diz o presidente da instituição, Carlos Aragão.
Entre 1981 e 2009, segundo ele, o CNPq concedeu cerca de 34 mil bolsas no exterior, tendo identificado irregularidades em cerca de 1%.
"Do ponto de vista global, o estudante brasileiro que vai o exterior retorna, se integra, participa da comunidade e encontra espaço no mercado de trabalho", afirma.
A entidade fechou 2009 com 579 bolsistas no exterior. "O número está baixo e o plano é dobrar as vagas. Entre as décadas de 1980 e 1990, já chegamos a ter mais de 6.000 bolsistas", diz.
Segundo Aragão, a seleção dos candidatos, especialmente na última década, passou levar em conta o grau de vínculo ao país, seja ele empregatício ou a um programa de pós-graduação.
"Quando o bolsista não volta, nós temos um prejuízo, não resta a menor dúvida. Para nós, seria muito mais interessante que esses estudantes contribuíssem com o esforço de avançar com a ciência, a tecnologia e a inovação no Brasil", disse.
O presidente diz que, na maior parte dos casos, o descumprimento é motivado por "questões pessoais". "Os casos são os mais variados. Alguma oferta de emprego mais atraente, por exemplo."
Em nota encaminhada à Folha, a Capes disse que propostas de trabalho e a constituição de família no exterior são os principais motivos que levam pesquisadores a descumprir as cláusulas de retorno ao país.
Em 2009, a instituição mantinha 4.344 bolsistas no exterior -a maior parte (1.682) na modalidade chamada de doutorado-sanduíche, com o início e a conclusão do curso feitos no Brasil.
Para incentivar a volta, a Capes mantém programas para fixação de doutores recém formados. (RV)

 

Fonte: Folha de São Paulo

 




Cristiano Lopes, Diretor de relações Públicas da APPODI, solicitou a divulgação da notícia abaixo.

Mande você também notícias de sua apg. Através do endereço [email protected].

 

Na última sexta-feira, 9 de julho de 2010, na cidade de Recife, Pernambuco,estudantes de pós-graduação fundaram a ASSOCIAÇÃO PERNAMBUCANA DE PÓS-GRADUANDOS EM DIREITOS (APPODI). O objetivo é representar os interesses dos discentes matriculados nos PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO NO ESTADO DE PERNAMBUCO.

Na ocasião a proposta de Estatuto Social, foi devidamente discutida e analisada, sendo aprovada por unanimidade por todos os presentes.

 

Diretoria 2010-2012

 Vinicius de Negreiros Calado  – Presidente

Nicolas Mendonça Coelho de Araújo  – Vice-Presidente

Danilo Heber de Oliveria Gomes – Secretário

José Antônio Albuquerque Filho – Tesoureiro

Maria Emília Miranda de Oliveira Queiroz – Diretor de Fomento à Pesquisa Ricardo José Ramos de Carvalho – Vice-Diretor de Fomento à Pesquisa

Carlo Benito Cosentino Filho – Diretor de Promoção do Acesso à Produção Jurídica Nacional e Internacional

Manoel Amaro Pereira Júnior – Vice-Diretor de Promoção do Acesso à Produção Jurídica Nacional e Internacional

Maria Clementina Guedes Alcoforado – Diretor de Divulgação da Pesquisa e Produção Jurídica Pernambucana

Arnaldo Maranhão Neto – Diretor de Divulgação da Pesquisa e Produção Jurídica Pernambucana

Francisco Cristiano Lopes – Diretor de Assuntos Estudantis e Relações Públicas Susana Vieira de Araújo – Vice-Diretor de Assuntos Estudantis e Relações Públicas

 

Da redação.






De 22 a 24 de setembro a Associação dos Pós-Graduandos do CENA-USP (APG CENA-USP) realizará o III SIMPÓSIO CIENTÍFICO DOS PÓS-GRADUANDOS, em Piracicaba.

O evento contará com palestras, mesas-redondas, minicursos e apresentações de trabalhos, com especial enfoque no tema Ambiente, Energia e Tecnologia. Além de ter sido proposto pelos próprios alunos, cabe ressaltar que o tema Energia é de extrema relevância, primeiro pela instituição em que o evento ocorrerá (na qual há pesquisas sendo desenvolvidas diretamente com essa temática) e segundo, pela importância da associação das pesquisas com o ambiente.

As inscrições variam entre R$60,00 e R$70,00 e devem ser feitas, assim como a submissão de trabalhos, diretamente no sítio do evento.

A data final para submissão de trabalhos é 15/07/2010.

Informações completas sobre as normas para envio de trabalhos, programação e outros detalhes sobre o evento estão disponíveis no endereço eletrônico http://www.cena.usp.br/scpg/.

Contatos da Comissão Organizadora: [email protected] ou [email protected].

Da redação.



por Joelson Souza*

Na última quarta-feira, sete de julho, estudantes pesquisadores estrangeiros, se manifestaram em Lisboa com o lema “Eu produzo ciência em Portugal”, durante o Encontro com a Ciência e Tecnologia ocorrido na capital portuguesa. As manifestações são contra medidas votadas no dia 24 de junho na Assembléia da Republica. As alterações da Fundação Ciência e Tecnologia (FCT – ligada ao ministério da Ciência e Tecnologia português) impedem que estudantes estrangeiros que vivem há menos de cinco anos em Portugal e não estão contemplados pelos programas de doutorado que envolvam parcerias com instituições não-portuguesas ou pertençam aos PALOPS (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesas), se candidatem às bolas individuais de doutorado da FCT.

Para Lidiane Carvalho, estudante brasileira que trabalha no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e é integrante do movimento “Mobilização Contra a Discriminação de Estudantes Estrangeiros” em Portugal, as manifestações são lúdicas e silenciosas sem interferir nas atividades do Encontro.

Um dado interessante ressaltado por ela é que boa parte dos estudos apresentados durante o evento, que pretende mostrar a ciência nacional nas diversas áreas,é produzida por estrangeiros.

Organizadores da manifestação explicam que o movimento defende que não exista descriminação entre os estudantes que são estrangeiros, e que as medidas aprovadas sejam revogadas.

A ANPG se solidariza com os estudantes cientistas brasileiros e estrangeiros, na luta pela defesa do seu reconhecimento e não discriminação pelo governo português.

 

Joelson Souza é Diretor de Relações Internacionais da ANPG.

 




Para Marcelo Hermes, do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília, daqui a quinze anos o país não terá capacidade de fazer ciência de ponta "porque toda a geração se aposentou e os atuais não foram formados adequadamente"

No último dia 10, o Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, apresentou um estudo que concluiu, dentre outros, uma taxa média de 11,9% de crescimento ao ano do número de doutores no país. Para falar da expansão da pós-graduação no Brasil, a Associação de Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) entrevistou o professor do Departamento de Biologia Celular, Marcelo Hermes.

Confira a seguir:

O estudo do CGEE mostrou que entre 1996 e 2008 o número de doutores titulados no Brasil cresceu 278%. O que o senhor acha da expansão da pós-graduação no país?

A minha visão é contrária à expansão da pós-graduação, especialmente do doutorado. A maioria das pessoas acreditam que o crescimento no Brasil – e na UnB também – é positivo. A taxa de aumento, alguns anos atrás, chegou a variar entre 10% e 20%, um crescimento chinês. E todo mundo comemora isso, exceto alguns poucos. Eu acho que é um crescimento exagerado. Aliás, responder isso agora ficou mais fácil, desde que o país entrou no chamado super aquecimento. Esse crescimento de 9% ao ano o qual o país não suporta, já que não temos estrutura física para tanto bussines. E a mesma coisa acontece na pós.

Como é essa comparação?

Para se ter pós-graduação são necessárias quatro coisas: os alunos, que querem fazer pós; os professores, que vão orientar e dar aula; os cursos e, claro, dinheiro. Dinheiro não tem sido o problema. Então o que acontece? Você tem um crescimento muito grande tanto no número de cursos, de alunos e de orientadores. Um olhar desatento, pensa "que bom!". Não. Muito pelo contrário. O país está andando para trás com esse crescimento exagerado da pós. Primeiro porque os professores têm uma capacidade finita de orientar. Antigamente, cada professor orientava cinco, hoje está orientando dez alunos. E isso causa uma queda da qualidade. Obviamente, você não consegue dedicar suficiente tempo para orientar esses alunos. Para formar doutores é preciso um trabalho artesanal. Eles têm que ser treinados, pois podem se transformar em orientadores no futuro. Além disso, nem todos têm capacidade de ser orientadores. Tem muita gente que não tem a formação técnica e a capacidade de orientar. E nem todo mundo tem a qualificação necessária para ser orientador de doutorado. E com esse crescimento exagerado, a pós está pegando vários professores que não têm a menor capacidade de orientar, mesmo que não queiram, porque vão pegar uns pontos a mais, vão ter uma promoção. Outro problema é a existência de alunos que não deveriam estar fazendo doutorado, porque não tem capacidade para isso.

O senhor acredita, então, que nem todo mundo está apto a fazer um doutorado?

Sim. É curioso que hoje já entendemos que nem todo mundo deve fazer graduação. O candidato à presidência José Serra, por exemplo, está fazendo campanha pelo ensino técnico. A ideia é: o que adianta sair com um diploma de administração se você não vai administrar uma empresa? O problema é o mesmo no doutorado. Sendo muito otimista, acredito que metade desses milhares de alunos de doutorado é composta pelos que eu chamo de "doutores mobral", o doutor analfabeto, que mal sabe ler um artigo científico, quanto mais escrever. O Brasil quer formar doutores, então vamos formar de verdade.

Existe algum outro fator que contribua para a baixa qualidade na formação desses doutores?

Um fenômeno atual é o caso de pessoas que se formaram em faculdades particulares estarem ingressando na pós-graduação. São alunos mais fracos, isso é um fato. Mas estão entrando porque a pós está expandindo. Eu diria que 90% da produção de doutores vêm das faculdades públicas. E diria ainda que 90% dos que vêm das particulares são fracos. Essa produção vai crescer, depois vai estabilizar e lá para 2025 vai começar a cair, porque vai ser quando os atuais orientadores vão se aposentar. Pode até ser que a produção de teses continue a crescer infinitamente. Só que essa segunda geração de "doutores Mobral" vai produzir a tese e não publicar ciência, a menos que as revistas também baixem muito o nível.

Não existe reprovação em pós-graduação?

Praticamente não tem. 99,9% das pessoas são aprovadas no mestrado. O orientador corrige a tese antes de entregar para banca e muitas vezes a própria banca também reescreve a tese. Então a tese acaba não sendo mais do aluno, não é mais personalizada.

Qual o motivo para o investimento no crescimento da pós-graduação no Brasil?

Para ter produção de ciência deve existir mão de obra para fazer pesquisa. E quem é que faz a pesquisa? O pesquisador coordena; 80% das pesquisas são feitas por alunos de doutorado. São eles a mão de obra. A Capes entendeu que, ao expandir ao máximo o doutorado, maior a produção e quantidade de resultados. A cada ano aumenta o número de alunos formados doutores e a cada ano aumenta o número de trabalhos publicados. A própria Capes usa isso como propaganda para mostrar como é positivo esse aumento do doutorado no Brasil. Fazem questão de divulgar que o Brasil, a cada ano, eleva sua posição no ranking de países que produzem ciência, ocupando o 14º lugar. Mas isso é criminoso: você forma o doutor para produzir a média de dois artigos. E é isso o que ele vai fazer. Veja o custo do país para formar uma pessoa cujo objetivo é fazer dois artigos. E, muitas vezes, quem vai escrever é o orientador, pois ele não tem condição de fazer isso. Porque é tudo muito rápido, prazos restritos e tem que fazer funcionar. O crescimento da ciência e da pós-graduação brasileira é uma neoplasia, um tumor e um dia isso vai explodir.

O senhor acha que essa situação se sustenta no futuro?

Seria sustentável se as pessoas vivessem para sempre. Mas as pessoas morrem, se aposentam. Essa política está completando 6, 7 anos. Começou na era FHC em que se estimulavam os pesquisadores a publicar. Na era Lula a pressão é para se publicar o máximo que puder. Então os estudantes que estão sendo formados agora e que estão sendo ultra pressionados não sabem fazer pesquisa direito. Está sendo uma formação a jato, massificada, e quero ver essas pessoas quando a minha geração morrer ou aposentar. Quero ver se eles vão dar conta do recado, porque eles não tiveram a formação necessária. E quero vê-los formando outros profissionais dentro dessa visão de mega-produção de baixa qualidade. A minha crítica não é à publicação. Sou "produtivista". Mas sou contra ao mega-produtivismo.

O senhor acha que esse panorama é contornável?

O que está acontecendo no Brasil é uma farsa e uma fraude com dinheiro público. Se fosse algo que pudesse ser resolvido mudando a política, mas não é. Será um "dano irreparável". Eu diria hoje, sem problemas, que temos de 30 a 40 mil doutores "Mobral" no Brasil, disputando empregos. Qual o problema para o Brasil? Imaginamos o país daqui a quinze anos sem capacidade de fazer ciência de ponta porque toda a geração se aposentou e os atuais não foram formados adequadamente.

Como o senhor acha que essa questão do crescimento da pós-graduação é vista pelos outros pesquisadores?

Eu fiz uma pesquisa, publicada em 2008 em uma revista canadense, em que entrevistei vários colegas pesquisadores, selecionados ao acaso, sobre o que eles achavam da pós-graduação brasileira em vários aspectos. A grande maioria, e eu comparei com alguns señiors latino americanos (mexicanos, argentinos e chilenos), critica esses problemas de regras muito ruins da pós-graduação, de overwork e má qualidade dos recém-doutores sendo formados. O doutor tem que ser qualificado. Na minha área (Ciências Biomédicas) ele tem que ser capaz de propor um projeto de pesquisa, de executar esse projeto de pesquisa, de montar uma equipe, de buscar verba para isso, de publicar em periódicos internacionais, de ser avaliador de outros artigos, de dar palestras. Eu e os pesquisadores que entrevistei acreditamos que a maioria que está sendo formada não tem mais essas qualificações. Algumas pessoas falam que a qualidade do ensino como um todo está caindo. Não gosto de analisar por esse viés, não sou sociólogo. As coisas são mais simples: a pressão é muito grande, não está havendo tempo de formar as pessoas. Por exemplo, tenho um amigo no campus da Unifesp, que é professor titular, que reprovou os 10 candidatos de um concurso para professor e todos tinham doutorado. Que "ótimos" doutores.

 

Fonte: Jornal da Ciência e ADUnB.

 




A Fundação Joaquim Nabuco realiza concurso de Trabalhos Científicos sobre o Norte e o Nordeste do Brasil nas categorias Monografia, Dissertação e Tese/Trabalhos de Seniores sobre o tema Política Social.

O prazo de inscrição vai até 15 de agosto de 2010, e o edital está publicado em www.fundaj.gov.br

O Concurso premiará 3 (três) trabalhos científicos sobre as regiões Norte e
Nordeste do Brasil, nas áreas acadêmicas de pesquisa social, história e
patrimônio cultural.

Os prêmios:
I Categoria Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso): R$ 5.000,00
(cinco mil reais).
II Categoria Dissertação de Mestrado: R$ 10.000,00 (dez mil reais).
III Categoria Tese de Doutorado/Trabalho Científico de Pesquisadores
Seniores: R$ 20.000,00 (vinte mil reais).

Os trabalhos terão necessariamente que se reportar tematicamente às
Regiões Norte e Nordeste do País, e deverão estar clara e diretamente
vinculados às áreas de pesquisa social, história e patrimônio cultural e
ao tema da Política Social.

Cada candidato só poderá inscrever um único trabalho; os trabalhos terão
que ser inéditos, terem sido redigidos em língua portuguesa, e elaborados
até quatro anos antes da publicação do Edital anual do Concurso.

Nordeste







A região Nordeste abrigará dos dias 25 a 30 de julho deste ano a 62ª Reunião Anual da SBPC. O estado do Rio Grande do Norte sediará a atividade nas dependências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que conta em sua programação oficial com o 2º Salão Nacional de Divulgação Científica. Integração Científica e Tecnológica na América Latina é o tema da atividade, realizada em conjunto com a União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Organização Continental Latino Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE) e a Comissão Nacional Executiva do PET (CENAPET).

 

 

Mostra Científica, debates e oficinas compõem a programação da atividade. Informações em www.salaonacional.org.br

 

Da redação.

 







O artigo reproduzido abaixo, assinado pelo presidente do Conjuve, Danilo Moreira; o presidente da UNE, Augusto Chagas; e o Secretário Nacional da Juventude Trabalhadora da CTB, Paulo Vinícius, ilustra o sentimento de todos aqueles que lutaram pelo reconhecimento da juventude como setor importante e estratégico da sociedade.

A juventude, enfim, é parte da Constituição Brasileira!

O dia 07 de julho marca uma nova página na história brasileira. Se há 22 anos os jovens deste país conquistaram o voto aos 16 anos, nessa data a juventude brasileira se inseriu como sujeito de direitos na Constituição da República Federativa do Brasil.

A aprovação da PEC 42/2008 no Senado Federal em duas votações unânimes ilustra a envergadura que ganhou a representação política da juventude brasileira no governo Lula, assim como o reconhecimento de todas as forças políticas da importância e da necessidade de considerar a juventude como sujeito de políticas públicas de Estado.

Doravante, não estará sujeita a política pública de juventude aos ditames deste ou daquele(a) gestor(a). Com a aprovação da PEC, abrem-se largas avenidas para a consecução de um Plano Decenal e de um Estatuto da Juventude. Entra na ordem do dia a realização da II Conferência Nacional da Juventude no primeiro semestre de 2011, assim como a consolidação dos órgãos gestores que tratem das questões relacionadas à juventude.

E não é a toa. Estudos demográficos apontam para um dado relevante. Essa geração comporá uma parcela imensa da população economicamente ativa que será a maior e definirá a face do desenvolvimento nacional nas próximas décadas. Quando a Câmara e o Senado aprovam a PEC da Juventude, abrem caminho à definição de políticas públicas perenes num setor que decidirá efetivamente qual o novo Brasil que teremos.

Assegurando direitos à juventude e superando a omissão do texto constitucional, o Congresso abriu larga avenida à consolidação de direitos que só se insinuaram nesses oito anos de mudanças e continuidades. Direitos que se refletirão sobre o conjunto da população brasileira.

Assim, o parlamento respondeu ativamente à pressão feita pelo Conselho Nacional de Juventude, que reúne um retrato fiel e qualificado da juventude nacional. Esse coletivo mobilizou a Câmara e o Senado, mas a sua representação fez muito mais, numa trilha que uniu governo e oposição e acabou por afirmar políticas públicas como o PROUNI, o PROJOVEM, os Pontos de Cultura e o Segundo Tempo, além da expansão da educação superior e profissional. Ressaltou sucessão geracional no movimento sindical e no campo, construiu políticas de assistência estudantil enfatizou a importância das mulheres, dos negros e indígenas, dos trabalhadores e estudantes, das pessoas com deficiência, da cultura, da juventude que luta nas periferias.

É essa a moçada que propõe um Pacto da Juventude ao debate das eleições de 2010 e que compõe um bonito mosaico de movimentos sociais – como a UNE, a UBES, a CTB, a UGT e a CUT -, as juventude políticas, as ONGs, todos os tipos de movimentos.

Foi esse lastro social contemporâneo que extravasou nos blogs, nos portais e na massiva campanha que ganhou o Twitter. Foi essa voz que se fez ouvir na Tribuna de Honra e nas galerias do Senado, é essa a razão da vitória que só anima a mocidade brasileira na luta por mais direitos, pela construção de um novo projeto nacional de desenvolvimento em que possamos ver, como diz a canção que não dá pra esquecer "os meninos e o povo no poder eu quero ver".


Danilo Moreira – Presidente do Conselho Nacional de Juventude
Augusto Chagas – Presidente da União Nacional dos Estudantes
Paulo Vinícius – Secretário Nacional de Juventude Trabalhadora da CTB

 

Da redação, com Estudantenet.

 




Proposta vai agora à sanção presidencial

O Senado aprovou nesta quarta-feira (7/7) projeto de autoria do Executivo que cria a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab), a ser instalada no município de Redenção (CE). Por acordo de líderes, a proposta, que teria decisão terminativa na Comissão de Educação (CE), acabou indo a Plenário e agora vai à sanção.

O relator da proposta na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), informou que o compromisso da Unilab será ministrar ensino superior, desenvolver pesquisas e promover a extensão universitária com vistas à integração entre o Brasil e os demais membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Sua atuação estará dirigida à promoção do desenvolvimento regional e ao intercâmbio cultural, científico e educacional entre esses países. A CPLP estará representada tanto no corpo de alunos quanto no de professores, que deverão se submeter a processo seletivo com banca examinadora de composição internacional.

Os cursos da Unilab deverão enfatizar as áreas de formação de professores, o desenvolvimento agrário, gestão e saúde pública. Embora esteja prevista a criação de 150 cargos efetivos de professor, 69 cargos efetivos de técnico-administrativo de nível superior e 139 cargos efetivos de técnico-administrativo de nível médio, além de 37 cargos de direção e 130 funções gratificadas, a implantação da nova universidade está sujeita à existência de dotação específica no orçamento da união.

Ao comentar o mérito da proposta, Inácio Arruda relembrou fatos históricos que justificaram a escolha do Ceará para sediar a Unilab. Conforme explicou, cinco anos antes da promulgação da lei áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, 116 escravos de um lugarejo cearense que viria a se tornar o município de Redenção receberam sua alforria.

"Tais precedentes históricos, reforçados pela proximidade da cidade de Redenção em relação a Fortaleza, certamente contribuíram para que o Poder Executivo decidisse fixar nesse município cearense a nova universidade", considerou, no parecer.

Fonte: Jornal da Ciência