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Martin Chalfie esteve no Brasil em maio deste ano, para participar da reunião da Sociedade Brasileira de Química. A entrevista concedida à Folha Online é reproduzida abaixo.

Pressão por pesquisa aplicada estrangula a ciência, diz Nobel

RAFAEL GARCIA
da Enviado especial a Águas de Lindoia

Chalfie ganhou o Nobel, em conjunto com Osamu Shimamura e Roger Tsien, por descobrir como usar a GFP, uma proteína luminescente de águas-vivas, para marcar a ativação de genes.
Em entrevista à Folha, ele explica por que não imaginava de cara que sua técnica ganharia tantas aplicações, mas se entusiasmou com o trabalho mesmo assim.

Folha – Qual é o assunto da sua palestra aqui?

Martin Chalfie – O título da palestra é "GFP iluminando a vida". O subtítulo, que não contei a ninguém ainda, é "Aventuras em ciência não-translacional". Essa é uma expressão que inventei, então vou explicar.

Há uma pressão muito grande para justificar a pesquisa científica com supostas implicações imediatas que ela pode trazer. Pessoas têm defendido que deveria haver muito mais pesquisas que apliquem informação diretamente ao combate a doenças. Em outras palavras: "traduzir" ["translate", em inglês] o que foi feito no laboratório para a clínica.

O problema é que a maioria das pessoas que eu vejo defenderem isso querem que absolutamente tudo seja translacional. Agora, se você não tem informação básica para traduzir, não sobra nada para fazer.

Minha apresentação é, em parte, um apelo para que não esqueçamos o fato de que, para quase tudo o que sabemos sobre medicina, há uma sustentação de ciência básica que é muito importante.

A política científica americana está esquecendo a ciência básica, então.

Acho que há alguns erros. Quando as pessoas pressionam pela pesquisa translacional, às vezes elas assumem que nós já aprendemos o suficiente. Para mim e para a maioria dos meus colegas, porém, isso é uma falácia.

Quero mostrar como uma coisa maravilhosa [a GFP] foi encontrada acidentalmente por alguém pesquisando questões básicas sobre águas-vivas, e como ela teve implicações e se tornou útil para estudar doenças e para desenvolver biotecnologia.

Além disso, muitas pessoas pressupõem que pesquisadores de ciência básica não pensam nas implicações do que fazem. Isso é falso.

Acho irônico que nos EUA haja esse apelo por pesquisa translacional, e pelo que vejo, quando treinamos pessoas nas faculdades de medicina, a quantidade que eles aprendem do básico está encolhendo. Ao mesmo tempo, querem que a ciência básica seja aplicada ao combate a doenças. É uma contradição.

Quando o pacote de estímulos do governo Obama foi lançado nos EUA, os NIH [Institutos Nacionais de Saúde] receberam um bocado de dinheiro. A primeira coisa que fizeram com parte desse dinheiro foi abrir uma disputa pelas chamadas "Challenge Grants" [bolsas desafio]. Essas bolsas eram maravilhosas e cobriam cem diferentes tópicos. O problema é que, das cem áreas que eles escolheram, apenas duas não eram translacionais.

Eu não sou contra pesquisa aplicada, mas não acho que ela deva suplantar a ciência básica numa escala de 92 contra 2.

Uma coisa inusitada sobre seu trabalho que lhe rendeu o Nobel é que ele não é sua linha de pesquisa principal.

É estranho receber o reconhecimento por algo que era uma parte relativamente pequena da minha carreira. De vez em quando ainda faço algo sobre GFP, mas é mesmo um trilho secundário. No nosso laboratório, estávamos tentando descobrir quais células estão ativando os genes nos quais estávamos interessados e, quando ouvi falar da GFP, me dei conta que elas poderiam ser uma maneira maravilhosa de fazer esses experimentos.

A maneira como a maioria dos cientistas trabalha é a seguinte: eu tenho uma ideia e vou atrás dela. Mas, se no meio dos experimentos, algo diferente aparece, eu vou seguir aquela pista.
Quando recebemos verbas, o que temos não é um contrato, é uma bolsa.

Em um contrato, prometemos fazer A, B, C, e temos de fazer. Minha visão sobre como bolsas devem ser é dizer: "neste momento, acredito que a resposta para essa questão seja fazer A, B e C".

Mas se eu fizer A, e descobrir depois disso que é mais importante fazer D e E em vez de B e C, o financiamento precisa lhe conceder a liberdade de seguir suas ideias.

Se eu tivesse a ideia de usar a GFP como marcador e tivesse de ter escrito um contrato para obter uma verba, eu teria levado nove meses, reclamariam que eu não tinha dados preliminares e não saberia se iria funcionar.

Mas nós nunca tivemos de escrever um pedido de verba para obter o financiamento que usamos para produzir a GFP. Ela era parte da verba geral dos NIH que eu tinha para meu laboratório, e eles ficaram muito felizes de eu ter feito esse trabalho.

Douglas Prasher, seu colega que isolou o gene da proteína GFP, não ganhou o Nobel, abandonou a ciência e vive como motorista de vans hoje. Vocês chegaram a conversar depois do prêmio?

Ele foi um dos meus convidados na entrega do prêmio. Eu acho que ele poderia, sim, ter sido incluído na lista do prêmio, e o fato de ele ter abandonado a ciência depois é irrelevante. O problema, na verdade, é a regra de que cada Nobel só pode ser entregue a no máximo três pessoas. Eles tiveram de discutir a quem dar o prêmio e escolheram eu, Tsien e Shimomura. Agora, Douglas realmente fez a peça chave do projeto.

Além disso, é preciso olhar as razões pelas quais Douglas saiu da ciência. Antes do meu estudo sobre a GFP, o campo de estudos da bioluminescência não era muito grande. Era difícil conseguir dinheiro para essas pesquisas e, quando Douglas saiu do pós-doutorado, não tinha como se sustentar como pesquisador independente.

Depois disso, ele se mudou para o Alabama para trabalhar na Nasa. Ele estava fazendo ótimas pesquisas lá, mas no começo da administração Bush o presidente disse que mudaria a ênfase das pesquisas para mandar astronautas de volta à Lua. Muitas linhas de pesquisa foram encerradas imediatamente para que os cientistas pudessem ter tempo para atender à vontade do presidente. Algumas pessoas perderam seus empregos, e creio que Douglas Prasher tenha sido uma delas.

Ele então se viu em um dilema. Huntsville, onde ele vivia no Alabama, não tem muitos outros empregos para cientistas fora da Nasa. Antes disso, quando ele se mudou para lá, foi muito difícil para a filha dele, que teve problemas para mudar de escola. E no Alabama, ele perdeu o emprego bem na época em que ela estava terminando o ensino médio. Então, desta vez, ele tomou a decisão de ficar na cidade, porque é uma pessoa incrível. Fez isso porque não queria abalar a vida de sua filha de novo, e deu um jeito de arranjar um emprego qualquer. Esse é o Douglas.

Muitos prêmios Nobel de Química têm ido para estudos que alguns cientistas qualificariam, na verdade, como biologia molecular. Talvez o problema seja a falta de um Nobel de biologia geral. É o caso do seu trabalho?

Bom, a razão pela qual não existe um premio para a Biologia é certamente porque o prêmio de Fisiologia e Medicina foi muito usado no passado para premiar biologia em geral. O que está por trás do prêmio de Crick e Watson, que ganharam o Nobel de Medicina e Fisiologia em 1962 [pela descoberta da estrutura do DNA]? Aquilo deveria ser um prêmio de química, mas era muito importante para a fisiologia, para a medicina e para a biologia. Houve alguns prêmios que foram para moléculas, mas não foram de Química. Muitos prêmios de Química foram dados a pessoas cujos trabalhos se relacionam a processos biológicos. A bioquímica é uma área que tanto a química quanto a biologia alegariam possuir.

Para mim, foi uma surpresa ganhar o prêmio de Química. Pelo que sei, agora as pessoas no departamente do Química da Universidade Columbia querem que eu seja parte do instituto deles. (Risos.) É uma coisa divertida. Gosto de estar aqui para falar no encontro da Sociedade Brasileira de Química.

O sr. ainda está trabalhando com as células responsáveis por tato e sensações mecânicas? Que questões está buscando resolver?

O trabalho que tenho feito no meu laboratório desde o meu pós-doutorado na Inglaterra e depois, quando vim para a Columbia em 1982, envolve questões que ainda estou abordando hoje. Nós as escolhemos porque podemos produzir indivíduos mutantes desse pequeno verme com que trabalhamos [C. elegans] que são incapazes de sentir toque.

Há duas maneiras com que uma mutação poderia causar isso. Uma delas seria ao interferir com o desenvolvimento do animal, de forma que as células responsáveis por esse sentido não sejam produzidas ou sejam produzidas de modo incorreto. E os genes que fariam esse desenvolvimento sair errado nos dariam uma ideia sobre como o desenvolvimento ocorre — como células diferentes como as de músculos, pele e neurônios surgem e se distribuem.

O estudo sobre esses genes ainda está prosseguindo e ocupa grande parte do nosso trabalho.

O outro tipo de gene que poderia sofrer mutações e fazer um animal ficar insensível ao toque seria um que, ao ser alterado, deixasse de produzir um componente crítico responsável por esse sentido.

Os biólogos têm uma noção boa sobre quais moléculas permitem pessoas e animais captarem a luz. Nós conhecemos a molécula rodopsina, presente nos olhos, há mais de 125 anos. É essa molécula que capta a luz e desencadeia o processo que nos permite ver.

Mas isso não é verdade para sentidos como a audição e nossas percepções de equilíbrio, referência corporal e vários tipos de tato _forte, leve ou sensação de textura e vibração. Todos esses sentidos são gerados por células diferentes em nossa pele e em outros lugares. E todos esses sentidos são estimulados de alguma maneira pelo movimento mecânico: o movimento faz essas céluluas mandarem sinais elétricos ao cérebro.

O que todas essas coisas têm em comum é que a biologia não tem a menor idéia de como elas funcionam. Então essa é última grande questão a responder sobre como nosso corpo sente o mundo ao redor.

Nós já descobrimos a primeira resposta para isso, uma molécula que produz esse sentido. Estamos tentando descobrir agora como ela funciona, se há outros componentes necessários e como esse aparato opera no nível molecular. Em outras palavras: o que acontece com uma célula quando ela é tocada.

O sr. ainda mantém colaboração científica com sua mulher? Em seu trabalho original sobre a GFP há uma citação a um estudo dela.

Sim, mas na verdade nós nunca assinamos um estudo juntos. Nós conversamos muito sobre nossos experimentos quase o tempo todo, mas nossos trabalhos seguiram direções diferentes. Na época, precisei citar seu trabalho porque ela fez um experimento crítico, revelando efetivamente que a GFP poderia ser usada para mostrar onde um gene estava ativo.

Eu achava que ela iria exigir parte do prêmio…

Bom, ela já tem a minha parte inteira para ela!

O sr. vai falar para uma audiência com muitos cientistas jovens aqui. Que conselhos vai dar a eles?

Um dos problemas em se receber o prêmio Nobel é que as pessoas pedem conselhos a você. E eu realmente não sei que conselhos dar. Minha tendência é reagir de maneira oposta. Se há alguma lição para extrair de tudo isso é que essas lições não existem. Eu tenho entusiasmo e interesse pelo que faço e me considero sortudo por isso.

Mas eu não acho que exista um caminho claro para se fazer boa ciência. Não dá para dizer a alguém "vá para essa universidade e não para aquela que você será um bom cientista". Às vezes eu escuto as pessoas dizerem sobre algumas habilidades "se você não começar seu treinamento aos cinco anos de idade, não vai conseguir competir". Isso não faz o menor sentido.

Não acho que as pessoas tenham de ter nenhuma atitude em particular, exceto o profundo interesse pelo que fazem. Se você olhar para nós três que ganhamos o Nobel pela GFP, vai ver isso.

Osamu Shimomura é uma dessas pessoas que sempre seguem em frente para fazer o experimento em que estão interessadas. Ele trabalha muito duro. Suspeito que tenha sempre sido um estudante brilhante. E ele é um cientista mais do tipo operário: não vai muito a congressos e se concentra mais naquilo em que está interessado.

Roger Tsien era alguém que ia todo ano a competições científicas quando estava no ensino médio. Ganhou uma delas, a Westinghouse Science Competition. Sempre foi visto como um um cientista talentoso, brilhante e competente desde o início.

Quanto a mim, tomei um caminho diferente dos deles dois. Eu certamente não era estúpido, mas não era o aluno mais brilhante da faculdade. Eu trabalhava duro naquilo em que estava empenhado, mas havia outras pessoas que certamente tinham mais talento e habilidade do que eu e se saíam melhor nas lições.

Acho que isso mostra que não existe um caminho que seja necessariamente o certo para se fazer boa ciência. E prever se o seu trabalho terá reconhecimento e vai ganhar prêmios, então, é impossível. Acredito que meu diferencial seja mesmo o meu entusiasmo para fazer pesquisa.

O sr. ainda tem tempo para atividades fora do trabalho depois de ter ganho o Nobel? Fiquei sabendo que o sr. gosta de nadar e tocar violão.

Estou já há muitos anos sem nadar. Eu deveria voltar porque preciso me exercitar. Mas eu ainda toco violão. Meu pai é violonista profissional e me deu um violão quando eu tinha 12 anos. Então, já faço isso há uns 50 anos. É algo que me dá muito prazer. Nos últimos cinco anos tenho procurado trabalhar um pouco mais com composições, e me divirto com as surpresas que saem daí.

Que gêneros de música o sr. prefere?

Recentemente, depois de me recuperar de um ombro machucado há uns três anos, decidi que eu precisava tomar mais lições, minha mulher descobriu um incrível seminário de violão clássico no verão em Nova York, e eu decidi participar. Era sobre violão brasileiro, e foi a experiência da minha vida! Adorei aquilo.

Na época, um violonista que acabava de obter seu doutorado em composição na Columbia, Arthur Kampela, brasileiro, morava perto de mim, e também pude ter aulas com ele por algum tempo. Eu tentei tocar algumas composições dele, mas eram muito difíceis para mim. Hoje, aprecio muito Villa-Lobos e outros compositores brasileiros e latino-americanos, e posso tocar algumas de suas peças.
 

 







As lideranças do governo e da oposição no Senado se comprometeram a votar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 042/2008) nesta terça ou quarta-feira (6 ou 7 de julho). A Proposta, conhecida como PEC da Juventude, insere o termo jovem no capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais da Constituição Federal, garantindo-lhes o acesso a direitos que já são constitucionalmente assegurados às crianças, adolescentes e idosos.

A Proposta, que tramita no Congresso Nacional desde 2003, foi aprovada com unanimidade na Câmara dos Deputados. Segundo o presidente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), Danilo Moreira, sua aprovação pelo Senado é determinante para consolidar as políticas públicas de juventude na agenda nacional, assegurando a melhoria da qualidade de vida de 50 milhões de brasileiros e brasileiras com idade entre 15 e 29 anos. "A PEC dá segurança jurídica ao tema, permitindo o avanço das políticas juvenis, além de indicar a necessidade de um Plano Nacional de Juventude, estabelecendo metas a serem cumpridas pela União, em parceria com estados e municípios e organizações juvenis nos próximos dez anos". O plano deve conter ações nas áreas de cultura, saúde, esporte, cidadania, trabalho, inclusão digital e educação, deflagrando, segundo o presidente do Conjuve, um processo contínuo e articulado de investimentos em juventude.

Danilo Moreira explica que seria muito importante a aprovação da PEC também pelo caráter simbólico, já que 2010 foi apontado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional da Juventude. Na sua opinião, o reconhecimento deste segmento na Constituição Federal seria um sinal para o mundo que o Brasil realmente aposta no presente e investe no futuro.

Corpo-a-corpo com senadores

A partir das 14h de hoje um grupo de conselheiros do Conjuve vai percorrer os gabinetes do senado , em especial nas lideranças partidárias, apresentando o material que explica a PEC. “Vamos pedir que eles coloquem o projeto em votação ainda nesta terça-feira”, diz Moreira.


Redes sociais na jogada

No twitter a mobilização já começou. A ideia é mostrar a grande expectativa que existe  no Brasil todo com relação à aprovação da PEC. Por isso, nada mais justo que a Juventude use o microblog para pessoalmente mostrar seu desejo aos parlamentares.  Participe também desta mobilização virtual !

Aproveite a campanha e passe a seguir o @conjuve, a ANPGa @_une e @_ubes no twitter.

 

Exemplo de tweet:

#PECdajuventudeJA! Caro senador @SENADOR, líder do PSB, precisamos do seu apoio para priorizar a votação da #PECdaJuventude

 

Siga a ANPG no twitter: @anpg
Siga a presidente da ANPG no twitter: @elis_lizardo

 

Da redação com Estudantenet e Juventude.gov.br

 

 

Devido ao sucesso da mostra, que teve aumento significativo do número de trabalhos inscritos nos dias finais, e principalmente atendendo à demanda daqueles que nos enviaram mensagens solicitando adiamento do prazo para inscrição de trabalhos, as entidades organizadoras do 2º Salão Nacional de Divulgação Científica decidiram adiar para o próximo domingo (11 de julho) o prazo final para inscrição de trabalhos na Mostra Científica. Para inscrever o resumo do seu trabalho, acesse o formulário de inscrição online e confira o edital da mostra.
 
Esta é a última chance para quem pretende apresentar o seu trabalho na atividade, que ocorre nos dias 25 a 30 de julho em Natal (RN), como parte da programação oficial da 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O Salão é organizado pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Organização Continental Latino Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE) e a Comissão Executiva Nacional do Programa de Educação Tutorial (Cenapet).
 
Quem pode participar da mostra
 
Podem inscrever trabalhos na mostra científica estudantes do Ensino Médio, Técnico ou profissionalizante, graduandos e também pós-graduandos, bolsistas ou não. A mostra será registrada junto ao International Standard Book Number (ISBN) e os trabalhos apresentados serão publicados em CD e também na internet, no Hotsite do Salão e também no Portal da ANPG
 
O Salão
 
De 25 a 30 de julho de 2010, estudantes, pesquisadores, professores e gestores da área de Ciência,Tecnologia & Inovação se reunirão em Natal (RN) para o 2º Salão Nacional de Divulgação Científica. Com o tema "Integração Científica e Tecnológica da América Latina", a atividade faz parte da programação oficial da 62ª Reunião Anual da SBPC.
 
Os debates, atividades culturais e oficinas acontecem no Centro de Biociências da UFRN. As inscrições para o 2º Salão podem ser feitas através do sítio www.salaonacional.org.br, onde também há mais informações sobre o evento.
 

Por Luana Bonone, diretora de comunicação da ANPG 







A ANPG visitou na segunda-feira, 28 de junho, a Universidade Federal da Integração Latinoamericana – UNILA, em Foz do Iguaçu.

Compreendendo uma estratégia inovadora de cooperação universitária internacional, a UNILA funciona com cursos de Pós-graduação e prepara o primeiro processo seletivo para seis cursos de graduação bilíngüe (Português-Espanhol) para estudantes do Cone-sul, inclusive brasileiros.

Na reunião, Júlio Neto,Diretor de Políticas Educacionais e Vasco Rodrigo, Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação trataram, entre outros assuntos, do 2º Salão Nacional de Divulgação Científica da UNE, UBES e ANPG, cujo tema é a Integração Científica e Tecnológica na América Latina. Na oportunidade foram feitos os convites para participação de gestores e dos atuais estudantes da instituição no evento que ocorrerá entre os dias 25 e 30 de julho na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN) em Natal.







 

 

 

 

 

Vasco Rodrigo, prof. Hélgio Trindade(reitor), Júlio Neto e Gerónimo de Sierra(vice-reitor).

Em declaração aos diretores da ANPG, Hélgio Trindade, reitor Pró-tempore da UNILA afirmou que o projeto de integração educacional na América Latina é defendido principalmente pelos estudantes e que a UNILA será um grande gesto do Brasil em alavancar a integração educacional.

 

UNILA
A Unila começará a funcionar com 300 vagas em seis cursos. Metade das vagas será destinada a estudantes da Argentina, Paraguai e Uruguai. A seleção desses estudantes será feita pelos ministérios da educação dos três países, de acordo com o reitor.

Os estudantes brasileiros serão selecionados pela nota do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) 2009. Estudantes de escola pública terão benefícios na seleção, segundo Trindade. As inscrições serão gratuitas e realizadas exclusivamente na internet. A divulgação do edital será feita pelo site www.unila.edu.br.

Criada em janeiro deste ano, a Unila funciona atualmente em uma sede provisória do Parque Tecnológico de Itaipu. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) atua como instituição tutora da universidade. A universidade terá aulas em português e espanhol.

 

Da redação.
 

 







Está prorrogado para o próximo domingo (4/7) o prazo final para inscrição de trabalhos na Mostra Científica do 2º Salão Nacional de Divulgação Científica, organizado pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Organização Continental Latino Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE) e a Comissão Executiva Nacional do Programa de Educação Tutorial (Cenapet).

O Salão faz parte da programação oficial da 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e, de acordo com o edital, a intenção da Mostra é permitir uma integração dos estudantes de Ensino Médio, Técnico, Graduação e Pós-Graduação e a difusão das diversas pesquisas produzidas no Brasil.

Assim, poderão apresentar trabalhos estudantes de qualquer nível de ensino, vinculados a instituição de ensino e/ou pesquisa no país ou no exterior. O prazo final para inscrições de trabalho foi prorrogado para 4 de julho. Acesse o formulário de inscrição online.

O Salão

De 25 a 30 de julho de 2010, estudantes, pesquisadores, professores e gestores da área de Ciência,Tecnologia & Inovação se reunirão em Natal (RN) para o 2º Salão Nacional de Divulgação Científica. Com o tema "Integração Científica e Tecnológica da América Latina", a atividade faz parte da programação oficial da 62ª Reunião Anual da SBPC.

Os debates, atividades culturais e oficinas acontecem no Centro de Biociências da UFRN. As inscrições para o 2º Salão podem ser feitas através do sítio www.salaonacional.org.br, onde também há mais informações sobre o evento.

Por Luana Bonone, diretora de comunicação da ANPG

 

Está prorrogado para o próximo domingo (5/7) o prazo final para inscrição de trabalhos na Mostra Científica do 2º Salão Nacional de Divulgação Científica.

De acordo com o Edital, a intenção da Mostra é permitir uma integração dos estudantes de Ensino Médio, Técnico, Graduação e Pós-Graduação e a difusão das diversas pesquisas produzidas no Brasil.

Assim, poderão apresentar trabalhos estudantes de qualquer nível de ensino, vinculados a instituição de ensino e/ou pesquisa no país ou no exterior. O prazo final para inscrições de trabalho foi prorrogado para 5 de julho. Acesse o formulário de inscrição online.

A taxa de inscrição para o 2º Salão de Divulgação Científica da ANPG é de R$ 20,00 e deve ser depositada na seguinte conta:

Banco do Brasil
Titularidade Associação Nacional de Pós-graduandos
Agência: 4328-1
Conta Corrente: 6698-2

O comprovante deverá ser enviado por e-mail para o endereço [email protected] ou apresentado no dia da Mostra. 

A inscrição (tanto no Salão como na Mostra) não dá direito a alojamento, alimentação ou transporte. 

O Salão

De 25 a 30 de julho de 2010, estudantes, pesquisadores, professores e gestores da área de Ciência,Tecnologia & Inovação se reunirão em Natal (RN) para o 2º Salão Nacional de Divulgação Científica, organizado pela ANPG, em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a Organização Continental Latino Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE).

O Salão tem o tema "Integração Científica e Tecnológica da América Latina" e é parte da programação oficial da 62ª Reunião Anual da SBPC.

Os debates, atividades culturais e oficinas acontecem no Centro de Biociências da UFRN. As inscrições para o 2º Salão podem ser feitas através do sítio www.salaonacional.org.br.

Da redação

 







            Depois de décadas em crise, a indústria brasileira de construção naval está passando por um momento de recuperação proporcionada, em grande parte, pelos investimentos que estão sendo realizados no setor de óleo e gás no País. Mas para não sofrer um novo revés, os estaleiros nacionais terão que reparar e não repetir os mesmos erros que cometeram no passado, quando também se apoiaram no mercado interno e em um único setor para viabilizarem seus projetos, alerta o professor e chefe da área de Transporte Aquaviário do Programa de Engenharia Oceânica da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Floriano Carlos Martins Pires Junior.

 

            “O Brasil já aprendeu a lição de que não se pode contar somente com a demanda doméstica e de um único setor para consolidar as atividades de uma indústria naval em longo prazo”, afirma Pires Junior. “É preciso diversificar a atuação para outros segmentos de transporte marítimo e aproveitar essa nova oportunidade para aumentar a competitividade internacional”, indica o especialista que abordará esse assunto em uma conferência que fará na 62ª Reunião Anual da SBPC – evento que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realizará de 25 a 30 de julho em Natal (RN) e a ANPG participará da programação oficial, inclusive realizando a II edição do Salão Nacional de Divulgação Científica. www.salaonacional.org.br.

 

            De acordo com Pires Junior, o modelo de desenvolvimento da indústria de construção naval adotado pelo Brasil na década de 80, quando o setor viveu um de seus melhores momentos, provocou efeitos desastrosos e que perduram até hoje. Extremamente protecionista, o plano se baseou em uma política de substituição de importação que previa a construção de navios no País para atender à demanda interna da marinha mercante. Porém, com a desregulamentação do setor de navegação, a abertura do mercado nacional e a entrada de competidores internacionais, a maioria dos estaleiros brasileiros entrou em crise e fechou as portas por falta de encomendas no mercado interno e porque não tinham tecnologia para competir no exterior.O professor afirma que eles precisarão recuperar o atraso tecnológico em relação aos concorrentes internacionais.

             “O perfil de profissional que nós temos hoje no Brasil atuando nesse setor é o mesmo das décadas de 70 e 80. Será preciso qualificar e aumentar a quantidade de recursos humanos para atender à demanda do setor nos próximos anos tanto nas áreas de produção e operacional como de engenharia”. Segundo ele, as instituições de pesquisa e formação de recursos humanos para o setor naval no Brasil, como a Coppe/URFJ, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes), estão se mobilizando e tomando iniciativas para suprirem as deficiências tecnológicas e de recursos humanos do setor. Mas ainda falta um maior engajamento das indústrias em participar e se envolver diretamente nesse processo.

 

Serviço: A palestra do engenheiro naval Floriano Carlos Martins Pires Junior será realizada no dia 25 de julho, às 10h00, durante a 62ª  Reunião Anual da SBPC, que acontece de 25 a 30 de julho em Natal (RN), no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O evento, cujo tema é “Ciências do mar: herança para o futuro”, contará com centenas de atividades, entre conferências, simpósios, mesas-redondas, grupos de trabalho, encontros e sessões especiais, além de apresentação de trabalhos científicos e minicursos. Veja a programação em www.sbpcnet.org.br/natal/home/

 

Da redação, com informações da SBPC.

 

















A FINEP e o CNPq, agências do Ministério da Ciência e Tecnologia, e a CAPES (Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), do Ministério da Educação, acabam de divulgar o novo edital para o Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD), com R$ 41,25 milhões destinados a incentivar a atuação de jovens doutores em projetos de pesquisa. 

As propostas podem ser enviadas até o dia 2 de agosto de 2010.
 
As inscrições devem ser feitas por meio do formulário de propostas de acordo com cada linha do edital,  nos seguintes sites: Linha 1 (projetos vinculados a programas de pós-graduação): www.capes.gov.br ; Linha 2 (projetos vinculados a empresas) e Linha 3 (projetos vinculados a grupos de pesquisa): carloschagas.cnpq.br.  A divulgação dos resultados e o início das contratações estão previstas para setembro de 2010.
 
A parcela mínima de 30% do valor total do edital será destinada a projetos a serem desenvolvidos por pesquisadores vinculados a instituições executoras sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os projetos aprovados terão a concessão de bolsa de pós-doutorado no valor mensal de R$ 3,3 mil, paga pelas agências, além de recursos de custeio para o bolsista no valor anual de R$ 12 mil. O tempo máximo para execução é de até 60 meses. As propostas também poderão prever contrapartida de outras instituições que sejam parceiras do projeto, como exemplo as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAP), empresas, institutos de pesquisa, instituições de ensino superior, fundações universitárias, organizações não-governamentais, entre outras.

 

Clique aqui para mais informações.

 

Da redação com informações da FINEP.

 










   Dos cerca de 7 mil hospitais brasileiros, apenas 2,3% são hospitais universitários, mas eles são responsáveis pelo uso de um em cada dez leitos, e de 25% dos leitos de UTI. Além disso, mais de 37% de transplantes de alta complexidade ocorrem em hospitais universitários.

   Com tanta responsabilidade, há uma crise de gestão e de custos nessas instituições, o que foi apontado em levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU). A situação foi debatida nesta quinta-feira (24/6) na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.

   O assessor da Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União no Rio Grande do Sul, André Kirchheim, apontou os três principais problemas que precisam ser resolvidos de imediato. "A insuficiência e a precariedade de pessoal desses hospitais universitários; a questão de financiamento; e a necessidade de os hospitais terem autonomia gerencial, porque muitos desses gestores não têm autonomia", explica.

Terceirizados

   Os terceirizados formam a metade dos trabalhadores em hospitais universitários, e sempre surgem impasses quando os contratos terminam. Com relação ao orçamento, 80% dos recursos vêm do Ministério da Educação e 20% do Ministério da Saúde, o que é insuficiente.

   No início do ano foi editado um decreto presidencial criando o Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais, que prevê o aumento gradual do financiamento pelo Ministério da Saúde.

   No entanto, falta uma portaria interministerial regulamentando o assunto, que deve ser publicada ainda nesta semana. Para 2010 estão previstos R$ 200 milhões, mas seriam necessários R$ 750 milhões.

Regras de financiamento

   A diretora do Departamento de Atenção Especializada da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Maria Inez Pordeus Gadelha, reconhece a necessidade de mudar as regras de financiamento. "A questão maior é essa complexidade que eles têm e uma única fonte de financiamento não resolve a questão", avalia.

   "Grande parte dos gastos deles, e eles são realmente mais caros, que é natural, deriva de outras atividades que os hospitais universitários, até por perfil institucional, são obrigados a prestar e a fazer." Ela ressalta que os hospitais universitários são mais caros porque, além de atenderem a população, ensinam, o que obriga o uso de mais material hospitalar.

Sem flexibilidade

   O presidente da Associação Brasileira de Hospitais Universitários e de Ensino, Carlos Alberto Justo da Silva, afirma que as normas vigentes impedem a flexibilidade orçamentária e, consequentemente, o uso mais racional dos recursos nos hospitais.

   Ele citou, como exemplo, mudanças estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que implicam no uso de material hospitalar mais caro e que não são acompanhadas de uma contrapartida orçamentária.

 

(Da redação com informações do Jornal da Ciência e Agência Câmara)

 

  




O professor uruguaio Ernesto Spinak concedeu uma entrevista à Agência FAPESP na qual falou sobre os sistemas usados para medir a produção científica, entre eles, o Fator de Impacto.

Os dois principais focos de trabalho do professor uruguaio Ernesto Spinak são a automação de bibliotecas e a avaliação de sistemas de informação. Com o apoio financeiro de organizações internacionais, ele foi o responsável pela avaliação da coleção de bibliotecas na Argentina, no Chile e na Bolívia. Seus cursos de controle de qualidade, avaliação de bibliotecas virtuais e estatísticas bibliométricas são referência na América Latina.

Confira a entrevista na íntegra:

Agência FAPESP – De que maneiras pode ser feita a avaliação da produção científica?

Ernesto Spinak – O que mais se faz é capacitar a produção científica, criando metodologias e utilizando índices métricos, como o Fator de Impacto. Também faz parte da avaliação o uso do sistema peer review, a avaliação por pares, usado mais na relação editorial entre os trabalhos científicos e as publicações. Tenho estudado a aplicabilidade desses procedimentos de avaliação na internet, de quais regras ou índices usados para medir a produção científica em papel podem ser transpostos para a web.

Agência FAPESP – Quais são as dificuldades de aplicação de métodos numéricos para avaliar a qualidade da produção científica?

Ernesto Spinak – Quando usamos métodos numéricos estamos supondo que os números medem a qualidade. Digo suposição porque ninguém até hoje demonstrou que eles revelam ou não a qualidade. Porém, fatores como o mercado e a visibilidade da revista que fez a citação, assim como sua força econômica, interferem no impacto que o trabalho científico causa na sociedade. As publicações de instituições menos poderosas, de países menos ricos, podem ter uma qualidade tão boa quanto as de países desenvolvidos, mas elas têm mercado menor. Uma revista publicada nos Estados Unidos tem o respaldo de um milhão de cientistas, enquanto uma boa revista chilena terá visibilidade de cinco mil pesquisadores.

Agência FAPESP – O que é o Fator de Impacto?

Ernesto Spinak – É um sistema que determina a quantidade de vezes que uma publicação é citada em certo período de tempo, dividida pela quantidade de artigos publicados. O Information Sciences Institute (ISI) utiliza um período de dois anos. Na minha opinião, é melhor calcular entre três e cinco anos. Um período mais longo permite que publicações de periodicidade maior, ou que sofram problemas de mercado, tenham a possibilidade de aparecer no índice.

Agência FAPESP – Além do ISI, que outras instituições fazem levantamentos usando o princípio do Fator de Impacto?

 
Ernesto Spinak – O projeto da biblioteca virtual Scielo (Bireme e FAPESP), e outras duas instituições na Índia e na China. O Fator de Impacto é reconhecido internacionalmente, mas existe muitas correntes contrárias a ele. Existem mais de 30 indicadores de qualidade da produção científica, o Fator de Impacto é apenas um deles.

Agência FAPESP – De acordo com sua análise, por ser um sistema numérico, o Fator de Impacto não mediria a qualidade da produção científica. Mas o fato de uma revista ter escolhido publicar um trabalho entre tantos existentes já não é um indicador de qualidade?


Ernesto Spinak – Por que escolheram um trabalho em detrimento de outro? Porque era o que estava à vista, sobre a mesa ou na base de dados. Há vinte anos, aproximadamente, as cifras mostram que os textos citados não são necessariamente aqueles que as pessoas lêem. Essa é uma velha discussão entre Eugene Garfield, do ISI, e Maurice Line, da British Lending Library (BLL), ambos aposentados atualmente. A BBL é o maior instituição a abrigar documentos e a produzir fotocópias no mundo, cerca de 6 milhões de cópias ao ano. Segundo Line, as estatísticas sobre o conteúdo do que as pessoas solicitavam para copiar não correspondiam com o Fator de Impacto medido pelo ISI. Este fator serve para medir, do conjunto de publicações, quais são as mais citadas, não necessariamente as melhores, embora supõe-se que as melhores estejam no todo.

Agência FAPESP – Como o senhor avalia a produção científica na América Latina, estamos produzindo material de qualidade?



Ernesto Spinak – Não vou opinar sobre o que é melhor porque existem distintas estratégicas de produção. No Brasil, Bireme e FAPESP têm o projeto Scielo, que há muito tempo era necessário para dar visibilidade às publicações latino-americanas. Assim, o Fator de Impacto de muitas publicações locais aumentou graças ao Scielo e essas revistas estão no ISI. O Brasil tem uma política de divulgação científica que deu ao país visibilidade, como aconteceu no Chile. No momento em que a internet passou a ser usada como instrumento de divulgação, os dois países ingressaram nos sistemas internacionais e suas produções estão sendo incorporadas ao mainstream. O Uruguai, por exemplo, tem uma política totalmente diferente. A decisão é não ter revistas científicas próprias e publicar diretamente nas melhores revistas internacionais. Então, no ISI, não há registro de revistas uruguaias, mas os autores do país publicam nas revistas do primeiro mundo. A situação latino-americana é muito variada. Países como Jamaica ou Trinidad e Tobago têm produções científicas bem menores do que Argentina ou Uruguai mas, como ex-colônias britânicas, eles ganham o direito de publicar nas revistas inglesas, o que lhes dá visibilidade.

Agência FAPESP – Segundo o Fator de Impacto, qual é o país da América Latina que tem maior número de citações?

Ernesto Spinak – Essa questão tem muitas respostas, mas diria que, em números absolutos, é o Brasil, em virtude da maior quantidade de publicações. Mas é possível afunilar esses dados por população, pelo Produto Interno Bruto (PIB) ou por quantidade de cientistas, por exemplo. As cifras não são comparáveis imediatamente e também dependem das políticas dos países. Os pequenos, como Taiwan ou Finlândia, que não têm tanta produtividade científica em números absolutos, têm a pesquisa mais dirigida à geração de patentes ou à busca de tecnologias. Em casos como esses, o Fator de Impacto acaba sendo nada além de um simples número.