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Reunidos em assembleia geral no último dia 1º de junho de 2010, na Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), os estudantes da pós-graduação aprovaram a criação de sua entidade representantiva: a APG-UFBA. A assembléia contou com a participação de estudantes dos programas de mestrado e/ou doutorado em Educação, Direito, Comunicação, Música, Dança, Ensino de Filosofia e História, NEIM (Núcleo de Estudo Interdisciplinar sobre a Mulher), Residência em Saúde Coletiva e da Especialização na área da Educação Física. Além disso, recebeu apoio de estudantes dos programas de Engenharia Elétrica, Administração e Letras.

Acesse também: Passo-a-passo para montar uma APG (cartilha)

 

Mobilizados pela necessidade de unificar as lutas em defesa de seus direitos, os estudantes aprovaram por unanimidade a fundação da associação, assim como o estatuto que passa a regir a entidade. A assembleia foi organizada, segundo orientação da ANPG, por uma comissão formada por 20 estudantes de 8 programas diferentes, que começou a se organizar em julho de 2009.
 
 
Unanimidade 
Na assembleia, a chapa única "APG: Construir, lutar e conquistar", foi eleita pelos estudantes para gerir a entidade sob uma plataforma apresentada ao conjunto dos presentes e aprovada também por unanimidade. Entre os pontos que a agora gestão defende, destacam-se a luta pelo Bandejão gratuito no restaurante universitário, a garantia de assistência estudantil também aos pós-graduandos integrando a luta por R$ 600 milhões específicos do MEC para a Assistência Estudantil, a batalha por mais bolsas e reajustes nas bolsas de mestrado e doutorado, garantia dos direitos dos pós-graduandos bolsistas como a licença-materinidade e o 13º  salário, a luta por uma sede da APG na UFBA e o apoio ao projeto da FUP/CUT em defesa da Petrobrás 100% estatal, bandeira aprovada também no 22º Congresso Nacional de Pós-Graduandos.
 
Agora a gestão deve se reunir para organizar a posse, bem como a divulgação da fundação da APG para a comunidade acadêmica na UFBA. 
 
Um passo importante na luta em defesa da unidade dos estudantes em suas entidades pela conquista de seus direitos!
 
Por Maíra Gentil, Vice-presidente regional nordeste da ANPG e integrante da gestão eleita da APG-UFBA

 

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas até 16 de julho. A Universidade Federal da Integração Latino-americana é em Foz do Iguaçu (PR) e vai oferecer vagas também para estudantes da Argentina, Paraguai e Uruguai 

 

A UNILA, abre edital de seleção para o ingresso de 150 alunos brasileiros. Os estudantes podem concorrer a vagas para graduação em Ciências Biológicas: Ecologia e Biodiversidade (manhã); Relações Internacionais e Integração (tarde); Economia, Integração e Desenvolvimento (noite); Sociedade, Estado e Política na América Latina (tarde); Engenharia Ambiental de Energias Renováveis (manhã); e Engenharia Civil de Infraestrutura (manhã). Em cada curso são oferecidas 25 vagas para estudantes brasileiros, as demais serão preenchidas por alunos da Argentina, Paraguai e Uruguai. 

O candidato poderá indicar no formulário de inscrição dois cursos de graduação de interesse sendo opção 1 e opção 2. De acordo com o edital, o candidato somente concorrerá à opção 2 caso as vagas para este curso não tenham sido preenchidas por candidatos da opção 1. A seleção dos alunos brasileiros terá como base as notas do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), de 2009.

A UNILA está localizada em Foz do Iguaçu, Brasil, com sede provisória no Parque Tecnológico Itaipu (PTI). A Universidade tem a missão de contribuir, nos planos acadêmico e cultural, com a integração da América Latina. Com proposta acadêmica inovadora inter e transdisciplinar, a UNILA é uma universidade bilíngüe (português e espanhol).

Especificidades do Edital 
O reitor da UNILA, Hélgio Trindade, observa que no processo seletivo haverá uma ponderação em favor dos candidatos egressos de escolas públicas brasileiras. O aluno que frequentou três anos na rede pública terá a nota do Enem multiplicada por 1.3; com dois anos de escola pública, a nota será multiplicada por 1.2; e um ano, 1.1.

Segundo Trindade, a ponderação tem base estatística: 89% dos alunos brasileiros de ensino médio estão matriculados na rede pública, enquanto apenas 11% nas escolas privadas. Nos processos seletivos tradicionais, no entanto, as escolas privadas preponderam sobre as públicas, estabelecendo uma distorção. "Por isso nós queremos com essa ponderação valorizar os alunos que vêm das escolas que são majoritárias", explica.

Trindade acrescenta que a expectativa é que já no próximo processo seletivo, em março de 2011, o número de alunos selecionados possa chegar a dois mil. Também será ampliado, progressivamente, o número de países participantes nos processos de seleção da UNILA até alcançar toda a América Latina.

As inscrições deverão ser realizadas exclusivamente pela internet, no site da Unila (www.unila.edu.br), até o dia 16 de julho.

 

II Salão Nacional de Divulgação Científica da ANPG

De 26 a 30 de julho, na cidade de Natal(RN), acontece a 2ª edição do Salão Nacional de Divulgação Científica da UNE, UBES e ANPG. A atividade acontecerá durante a programação da 62ª Reunião Anual da SBPC.

Um dos participantes esperados para a atividade é o Reitor da UNILA, Hélgio Trindade.

"Nessa perspectiva, assumo o compromisso público de instituir, num futuro próximo, o Conselho Consultivo de Integração Universidade-Sociedade para estabelecer o diálogo aberto e permanente entre a UNILA, sua cidade e sua região”. Disse o professor Hélgio em discurso proferido durante a posse do Vice-Reitor, professor Gerónimo de Sierra.

As palavras do Reitor e a própria existência da UNILA em muito se aproximam com o tema do Salão promovido pelas entidades estudantis: A Integração Científica e Tecnológica da América Latina.

 

Da redação, com informações da Assessoria de Imprensa UNILA e Estudantenet.








Dos primeiros tempos de sua criação, em junho de 1980, até 2010, a Fundação de Amparo à pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) veio mudando seu perfil. Fruto da fusão da Fundação Centro de Recursos Humanos da Educação e Cultura (CDRH) e da Fundação Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio de Janeiro, no início, a instituição teve sua vocação para a pesquisa dificultada pela vinculação com a Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral do governo do Estado.

Na primeira gestão do governador Leonel Brizola (1982 a 1986), seu trabalho esteve focado na implantação do Programa Especial de Educação e gerenciamento dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e apenas na gestão seguinte, do governador Moreira Franco, uma mudança de estatuto e de objetivos, possibilitou centrar seu objetivo no apoio à pesquisa, tal como vem desempenhando, desde então.

 

 

“Hoje, a Faperj é uma fundação de grande relevância no cenário do governo estadual e mesmo nacional. Fechamos o triênio 2007/2009 com a execução de um orçamento recorde de R$ 785 milhões, com perspectiva de se atingir a marca de R$ 1,1 bilhão no quadriênio 2007-2010", comentou o diretor-presidente da fundação, Ruy Garcia Marques.

 

 

 

Theatro Municipal reformado recebe comunidade científica

Várias atividades ocorridas durante a semana abriram as comemorações, como o
Seminário para Acompanhamento dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) sediados no Estado do Rio de Janeiro  e a reunião do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti), do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap) e do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Municipais de CT&I.

Mas a grande atração terá lugar na quinta-feira, dia 24 de junho, a partir de 19h30, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, templo da alta cultura carioca, que abrirá as suas portas para receber a comunidade científica e tecnológica do RJ e celebrar os avanços e conquistas da pesquisa fluminense, com a presença do governador Sérgio Cabral. Durante o evento, serão entregues os termos de outorga de oito editais lançados pela Fundação, além de medalhas comemorativas a bolsistas e pesquisadores de todas as grandes áreas do conhecimento, de diversas modalidades, desde o ensino médio ao doutorado, e a empreendedores que receberam o apoio para o desenvolvimento de seus projetos de pesquisa e inovação durante o exercício de 2009, conforme deliberação do seu Conselho Superior.
 
Na ocasião, será lançado o livro Rio Científico – Inovação e memória, organizado sob a coordenação do pesquisador Ítalo Moriconi, Coordenador Executivo da editora EdUerj, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a partir de demanda da Faperj. O livro conta, em uma linguagem simples, a história dos acontecimentos científicos do Estado, levando em conta iniciativas relevantes em diversas áreas do conhecimento.

O diretor presidente da Faperj, Ruy Garcia Marques, celebra a data: “É uma grande honra para mim ocupar a presidência da Fundação neste momento”. E prosseguiu: “A FAPERJ está completando 30 anos de existência, no mesmo ano em que ocorre o centenário de nascimento de seu patrono, o eminente pesquisador Carlos Chagas Filho (1910-2000),e vem desempenhando um papel de grande relevância no estímulo às atividades científicas e tecnológicas, em todo o Estado, a partir de um planejamento orientado por uma política pública desenvolvimentista. Sem dúvidas, temos que agradecer aos diversos dirigentes da Fundação que, no passado, imbuídos do mais alto espírito realizador, contribuíram para o momento que hoje presenciamos”.

 

Da redação, com informações da Assessoria de Comunicação da Faperj.

 

 







No dia 11 de junho de 2010, durante o XIX Encontro do CONPEDI (Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito), foi realizado fórum de discentes, na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, no qual foi aprovado o estatuto e eleita a diretoria da Federação Nacional de Pós-Graduandos em Direito – FEPODI.

 

O evento foi marcado pela presença de discentes de diversos programas de pós-graduação de todas as regiões do país e pela reabertura de um espaço democrático de debates e reivindicações para os mestrandos e doutorandos em Direito do Brasil.

 

 

 

Veja quem está na Diretoria:

Diretoria Executiva:

Presidente: Pablo Malheiros da Cunha Frota – UFPR

1º Vice-Presidente: Fabio Maia – UFSC

2º Vice-Presidente: Alexandre Ricardo Pesserl – UFSC

Tesoureira Geral: Marília Xavier – UFPR

Secretária Geral: Nathália Lipovetsky – UFMG

Diretor de Comunicação: Rogério Monteiro – PUC/MG

Diretoria Plena:

1º Diretor de Políticas Institucionais: David Barbosa de Oliveira – UFC

2º Diretor de Políticas Institucionais: Nathalie Santos – PUC/MG

Diretor de Ciência e Tecnologia: Francisco Lopes – Univ. Católica de Pernambuco

Diretora de Instituições Particulares: Mariana Ribeiro Santiago – PUC/SP

Diretor de Relações Internacionais: Marcelo Ramos – UFMG 

Diretor de Instituições Públicas: Bárbara Goulart – Faculdade de Direito de Vitória

Diretora de Eventos Acadêmicos: Maria Clara Oliveira – UFMG

Vice-presidente Regional da Região Sul: Luciana Xavier – UFPR

Vice-presidente Regional Sudeste: Felipe Bambirra – UFMG

Vice-presidente Regional Centro-Oeste: Luciana Ramos Jordão – UFG

Vice-presidente Regional Nordeste: Vinicius Calado – Univ. Católica de Pernambuco

Vice-presidente Regional Norte: Juliana Terezinha da Silva Medeiros – UEA

Colaboradores:

Gustavo Siqueira – UFMG

Kleber Vinicius – UFPA

Newton Pereira – Univem

Valter Moura – UNIFOR

Venceslau Tavares – UFPE

Vitor Alves Pereira – UFU

 

Da redação, com colaboração de Gustavo Siqueira, Diretor Acadêmico-Científico da ANPG.







De 25 a 30 de julho de 2010, estudantes, pesquisadores, professores e gestores da área de Ciência,Tecnologia & Inovação se reunirão em Natal (RN) para o 2º Salão Nacional de Divulgação Científica, organizado pela ANPG, em parceria com a UNE, a UBES e a OCLAE.

O Salão tem o tema "Integração Científica e Tecnológica da América Latina" e é parte da programação oficial da 62ª Reunião Anual da SBPC.

Os debates, atividades culturais e oficinas acontecem no Centro de Biociências da UFRN. As inscrições para o 2º Salão podem ser feitas através do sítio www.salaonacional.org.br.

O 2º Salão contará também com a realização da Mostra Científica. De acordo com o Edital, a intenção da Mostra é permitir uma integração dos estudantes de Ensino Médio, Técnico, Graduação e Pós-Graduação e a difusão das diversas pesquisas produzidas no Brasil.

Inscrição de trabalhos vai até 30 de junho

Poderão apresentar trabalhos estudantes de qualquer nível, vinculados à instituição de ensino e/ou pesquisa no país ou no exterior. O prazo final para inscrições de trabalho é 30 de junho. Acesse o formulário online clicando aqui.

A taxa de inscrição para o 2º Salão de Divulgação Científica da ANPG é de R$ 20,00 e deve ser depositada na seguinte conta:

Banco do Brasil

Titularidade Associação Nacional de Pós-graduandos

Agencia: 4328-1

Conta Corrente: 6698-2

O comprovante deverá ser enviado por e-mail para o endereço [email protected] ou apresentado no dia da Mostra. 

A inscrição (tanto no Salão como na Mostra) não dá direito a alojamento, alimentação ou transporte. 

Da redação

Da esquerda para a direita: a diretora da ANPG Angélica Müller, o reitor da UERJ, Ricardo Vieralves e o diretor do antigo IUPERJ, Jairo Nicolau. Atrás, o representante dos alunos, Fernando Perlatto. Foto: Vitor Mourão

Em outras ocasiões, nesta página, foram relatadas notícias sobre a crise do Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (IUPERJ) devido à falta de pagamento aos professores desta instituição. No Congresso da ANPG deste ano, realizado em abril na UFRJ, foi realizado um Ato Público de apoio ao IUPERJ e aprovada uma moção de solidariedade ao Instituto.

Na noite desta terça-feira, 22 de junho, foi dado importante passo na direção da solução destes problemas. Em evento no auditório principal do Anexo do Palácio Guanabara, onde estiveram presentes o governador do Rio, Sérgio Cabral, o reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ricardo Vieiralves, o diretor do (até então) IUPERJ, Jairo Nicolau, entre outros integrantes do alto escalão administrativo do estado, foram assinados os documentos que criam as bolsas para professor visitante que permitirão a incorporação dos professores deste Instituto à UERJ. Será criado um novo instituto denominado Instituto UERJ de Pós-Graduação e Pesquisa (IUPPERJ).
 
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, participou da solenidade, ocorrida nesta terça-feira. Foto: Vitor Mourão
Patrimônio intelectual
 
O professor Ricardo Vieiralves ressaltou que a solução dos problemas colocados leva em conta a importância da preservação do patrimônio intelectual do Estado, informando ainda que os novos programas de pós-graduação serão vistos como sucessores dos programas existentes até então, conformado acertado com o presidente da CAPES, Jorge Guimarães.
 
O representante dos alunos do IUPERJ, Fernando Perlatto, entregou uma carta de apoio ao processo de transição referendada pelo corpo discente do instituto, além de fazer um discurso agradecendo a seriedade que o governador e o reitor da UERJ têm dedicado ao instituto, defendendo ainda a importância da manutenção de sua integralidade e de sua excelência.
 
ANPG presente
 
A ANPG esteve presente no evento, com a presença de Angélica Müller, diretora de Relações Institucionais. Na ocasião, Angélica conversou com os pós-graduandos do Instituto que demonstraram estar atentos neste momento de transição e solicitaram o acompanhamento da entidade nacional nas negociações que se seguirão com a CAPES e a UERJ.
 
Colaboraram Angélica Müller (ANPG) e Vitor Mourão (Iupperj)







José Saramago, escritor português, faleceu no última sexta -feira, 18 de junho, na Espanha. Deixando órfãos leitores de todo o mundo, o escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", diz uma nota assinada pela Fundação José Saramago e publicada na página do escritor na internet.

Autor de "Ensaio sobre a cegueira" (adaptado para o cinema em 2008 pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles) e de "O evangelo segundo Jesus Cristo" (obra que provocou polêmica com a Igreja Católica e foi proibido em Portugal em 1992), o prêmio Nobel de Literatura de 1998 e vencedor de um prêmio Camões – a mais importante condecoração da língua portuguesa – deixa em sua última obra uma contribuição aos intensos debates sobre Universidade e Democracia.

Leia um trecho abaixo.

"Democracia e Universidade" – por José Saramago

A não poucos deverá parecerá estranho que venha aqui falar destes temas um sujeito que nunca se sentou nas aulas de uma universidade nem passeou pelas suas alamedas, e que, além do resto, conserva desde há longos anos inclinações ideológicas e políticas que o tornaram, aos olhos das pessoas bem pensantes, em alvo das piores suspeitas. Digamos, então, repetindo a frase clássica, que se trata de um caso em que o vício, talvez por não ter mais nada que perder, se resignou a prestar homenagem à virtude. Espero que os bons propósitos que me animam nesta hora de gratidão e júbilo vos mereçam crédito bastante para que venha a ser-me perdoado algum erro de apreciação, de perspectiva, algum lapso, simplesmente, nascido de um conhecimento insuficiente, que desde já confesso, das matérias em exame. Rogo-vos, portanto, a par da atenção e da simpatia que vos são naturais, a mais extremada benevolência de que sejais capazes.

É costume afirmar-se que ninguém é tão exigente e escrupuloso em questões de religião como um céptico, particularmente aquelas que se relacionarem com o dever de obediência estrita aos preceitos de carácter ético que nela se contêm. Compreende-se que seja assim: tendo perdido todas as esperanças de entrar no céu, se alguma vez as chegou a alimentar, o céptico chama a si o direito de reclamar dos crentes que, enquanto vivos, se comportem de maneira a merecerem a imensa sorte que lhes foi prometida no paraíso… Ora, pela mesma ordem de razões, não me tendo sido nunca abertas, como aluno, as portas do céu universitário, pertence ao domínio da mais pura lógica compensativa manifestar eu o desejo de que as duas partes em causa, isto é, a instituição que ensina e os estudantes que aprendem, venham a alcançar um ponto perfeito de equilíbrio, quer no grau da exigência mútua quer na intensidade da auto-exigência própria. Exigência no plano da didáctica, naturalmente, mas também, e esta será a motivação primordial do meu discurso, exigência formativa.

Não ignoro que a principal incumbência assinada ao ensino em geral, e em especial ao ensino universitário, é precisamente a formação. A universidade, diz-se, prepara o aluno para a vida, transmite-lhe os saberes adequados ao exercício cabal de uma profissão escolhida entre o conjunto de necessidades manifestadas directa ou indirectamente pela sociedade, escolha essa que se algumas vezes pôde deixar-se guiar pelos imperativos morais de uma vocação, é com mais frequência a resultante quase automática dos diversos progressos tecnológicos e científicos, e também, como sua consequência natural, das demandas empresariais interessadas, quando não de nem sempre explicadas tendências caprichosas do mercado de trabalho que actuam com a força atractiva de irresistíveis tropismos. Em qualquer caso, a universidade terá sempre razões para considerar que cumpriu o papel que lhe foi atribuído, isto é, entregar à sociedade gente nova supostamente dotada de suficiente preparação para receber e integrar no seu acervo de conhecimentos aquelas lições que ainda lhe faltam, as da experiência, madre de todas as coisas humanas, e, no futuro, os ensinamentos complementares que lhe serão proporcionados por essa outra madre moderna e providencial a que demos o nome de «formação contínua», a qual, como é sabido, tem a obrigação de nos manter actualizados na actividade profissional até ao último dia das nossas vidas…

Chegados a esta altura do exposto, se a universidade, como era seu dever, formou, e se a formação contínua tomará à sua conta o resto do trabalho, a pergunta é inevitável: «Onde está o problema?» O problema, o meu problema, não o vosso, reside no facto de até agora me ter limitado a falar da formação necessária ao bom desempenho de uma profissão, deixando provisoriamente de lado a formação do indivíduo, da pessoa, do cidadão, essa suprema trindade terrestre, três em um corpo só. É tempo de tocar o delicado assunto.

Qualquer projecto formativo pressupõe, obviamente, um objecto e um objectivo. O «objecto» é a pessoa a quem se quer formar, o objectivo está na natureza e na finalidade da formação. Uma formação literária, por exemplo, não apresenta mais dúvidas que as que resultarem dos métodos de ensino e da maior ou menor capacidade de recepção ou interesse do educando. A questão, porém, mudará radicalmente de figura sempre que se trate de formar pessoas, isto é, sempre que se pretenda incutir no que designei por «objecto», não as simples matérias disciplinares que constituem um curso, mas um complexo de valores éticos e relacionais que se supõe serem tão indispensáveis à vida como o será a aquisição dos conhecimentos teóricos e práticos necessários ao exercício de uma profissão. No entanto, formar pessoas não é, por si só, um aval tranquilizador. Uma educação que propugnasse ou admitisse ideias de superioridade racial ou biológica estaria a perverter a própria noção de valor, colocando o negativo no lugar do positivo, substituindo os ideais solidários do respeito humano pela xenofobia e pela intolerância. Desgraçadamente, não nos faltam exemplos na nossa história antiga e recente.

Aonde pretendo chegar com este já longo arrazoado? À universidade. E também à democracia. A universidade, porque, em minha modesta opinião, ela deveria ser, tanto ou ainda mais que uma instituição dispensadora de conhecimentos, o espaço por excelência da formação do cidadão, da pessoa educada nos valores da solidariedade humana e do respeito pela paz, educada também para a liberdade, educada para o espírito crítico, para o debate responsável das ideias. Argumentar-se-á que uma parte importante dessa tarefa pertence por definição à família, como célula básica da sociedade, porém, demasiado o sabemos, a instituição familiar atravessa uma crise de identidade que a tornou impotente diante das transformações de todo o tipo que distinguem o nosso tempo. A família, salvo dignas mas não numerosas excepções, tende a entorpecer as consciências, ao passo que a universidade, sendo, como é, lugar privilegiado de pluralidades e encontros, congrega todas as condições para suscitar, estimulando-a, uma aprendizagem prática e efectiva dos mais amplos valores democráticos, começando pelo que me parece fundamental: o questionamento da própria democracia. Há que procurar a maneira de reinventar de alguma forma a democracia, de arrancá-la à imobilidade a que foi condenada pela rotina e pelo descrença, bem ajudadas, uma e outra, pelos diversos poderes políticos e económicos a quem convém manter a decorativa fachada do edifício democrático, mas que nos têm impedido de verificar se por trás dela ainda algo existe. Se quereis a minha opinião, o que ainda resta é, quase sempre, usado muito mais para armar de eficácia as mentiras que para defender as verdades. O que chamamos hoje democracia assemelha-se tristemente ao pano solene que cobre a urna onde já está apodrecendo o cadáver. Reinventemos, pois, a democracia antes que seja demasiado tarde. E que a universidade nos ajude. Ela pode, vós podeis.

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José Saramago, escritor português, Prêmio Nobel de Literatura (1988)
1922-2010
www.josesaramago.org

 







José Monserrat Filho é chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência e Tecnologia. Artigo enviado pelo autor ao "JC e-mail" e reproduzido aqui, na íntegra.

O Brasil decidiu reatar relações diplomáticas com a China apenas em 1975 – depois que os Estados Unidos já o tinham feito. Mas, nestes 35 anos, aconteceu algo incrível e irônico ao mesmo tempo. A China ultrapassou os Estados Unidos como principal parceiro comercial do Brasil.

 Hoje, Brasil e China mantêm um regime de "parceria estratégica", aprovado de comum acordo em 1993 e motivo de orgulho para ambos. Cabe lembrar: eles assumiram este status especial em momento decisivo, buscando superar a primeira grande crise de seu relacionamento.

 Em 1993, urgia salvar o programa espacial sino-brasileiro, adotado em 1988 e bem-sucedido nos primeiros anos – como primeiro acordo entre países em desenvolvimento envolvendo alta tecnologia -, mas quase cancelado no período de 1990 e 1991, por inadimplência do Brasil, sobretudo.

 Restaurada a cooperação espacial, foram lançados, em período relativamente curto, três satélites da série Cbers – China-Brasil Earth Resources Satellite (Satélite Sino-Brasileiro de Observação de Recursos Naturais da Terra): o Cbers-1, em 1999; o Cbers-2, em 2002, e o Cbers-2B, em 2007.

 O Brasil converteu-se em país sensoriador, perito em sensoriamento remoto por satélite – essencial para monitorar toda Amazônia. Mais ainda: tornou-se o maior distribuidor de imagens de satélite do mundo, abrindo acesso gratuito e fácil a todos os dados do Cbers. Basta baixar pela internet. Ao mesmo tempo, sistemas especiais de distribuição de imagens Cbers estão sendo montados para a América Latina e Caribe, e para a África.

 Mas surgiu um problema: o Cbers-2B – lançado para impedir qualquer interrupção da cobertura entre o fim do Cbers-2, ocorrido este ano, e o início de funcionamento do Cbers-3 – acabou concluindo sua vida útil sem que o Cbers-3 tivesse sido lançado. Hoje não há nenhum Cbers ativo em órbita. O Cbers-3, que está sendo montado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, SP, deve ser lançado só em 2011. E o Cbers-4, em 2014.

 O lançamento do Cbers-3 atrasou-se, principalmente porque o Brasil teve dificuldades de comprar no mercado mundial componentes para esse satélite, bloqueados pelos Estados Unidos por se tratar de satélite construído junto com a China. Washington estabelece restrições no comércio com a China de matérias consideradas sensíveis (uso duplo, para fins pacíficos e militares).

 Não obstante, a cooperação espacial segue em frente. Mas o que ela mais precisa hoje é ganhar novos espaços. Avanço significativo seria a construção conjunta de um satélite radar, que pode observar a terra em condições bem melhores, varando barreiras climáticas. Este parece ser o maior desafio nas negociações atuais na área espacial entre os dois países. O acordo em torno de um satélite radar sinalizaria mudança qualitativa de patamar no programa sino-brasileiro.

 Entretanto, já há clara consciência de que a colaboração Brasil-China não pode se limitar ao programa espacial. Nessa linha, em 2004, os dois países criaram o Comitê de Coordenação e Cooperação de Alto Nível (Cosban), de ampla abrangência. Em 2009, durante a visita à China do presidente Lula, aprovou-se o primeiro Plano de Trabalho em Ciência, Tecnologia e Inovação.

 E, em abril deste ano, quando da visita ao Brasil do presidente da China, Hu Jintao, adotou-se ambicioso Plano de Ação Conjunta para cinco anos (2010-2014), visando diversificar e intensificar o trabalho conjunto dos dois países.

 O Plano de Ação fixa sete objetivos gerais, dos quais destaco quatro: 1) "Ampliar e aprofundar as relações bilaterais em todas as áreas"; 2) "Coordenar melhor as iniciativas de cooperação em todas as áreas da Parceria Estratégica Brasil-China, bem como todos os seus instrumentos institucionais"; 3) "Estabelecer metas precisas e objetivas em cada uma das áreas de cooperação, baseadas em iniciativas específicas"; e 4) "Adotar visão estratégica sobre as relações bilaterais, a médio e longo prazo, diante dos desenvolvimentos na arena internacional".

 Traduzido em miúdos, este último objetivo significa reconhecer que as relações Brasil-China podem ter implicações estratégicas na arena internacional. Isso não é nada trivial em matéria de presença ativa e protagonismo no mundo complexo do século XXI.

 O Plano de Ação, além do mais, valoriza o papel do Subcomitê de Ciência e Tecnologia do Cosban, logo renomeado como "Subcomitê de Ciência, Tecnologia e Inovação". Afinal, a inovação no setor produtivo – e em toda a sociedade humana – é o grande desafio do nosso tempo.

Eis as áreas prioritárias do Plano de Ação: bioenergia e biocombustíveis, nanotecnologia e ciências da agricultura. O compromisso, aí, é de fortalecer a transferência de tecnologia e a realização de projetos conjuntos de pesquisa. No futuro, já se admite acrescentar as áreas de pesquisa e desenvolvimento na indústria têxtil, e de ensino e popularização da ciência.

 Cabe salientar cinco importantes projetos de cooperação em curso hoje:

 1) Programa de Bioenergia e Biocombustíveis, implementado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro através do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ); Universidade de Tsinghua; Academia de Ciências da Agricultura de Guangxi; e Academia Chinesa de Ciências da Agricultura Tropical (Catas);

 2) Centro Brasil-China de Inovação Tecnológica para a Mudança de Clima e Novas Energias, em criação pela UFRJ e Universidade de Tsinghua para realizar projetos de pesquisa destinados a reduzir as emissões de gás estufa e a identificar novas fontes para biodiesel. O Brasil está investindo nesta iniciativa cerca de R$ 1,4 milhão, como ajuda inicial;

 3) Centro Bilateral de Pesquisa e Inovação em Nanotecnologia, criado em 2009, com início de funcionamento marcado para este ano, devendo estudar, entre outras, as áreas de nanometrologia, encapsulação de medicamentos e nanomateriais;

 4) Programa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Academia Chinesa de Ciências da Agricultura (CAAS) para criar laboratórios especializados em ambos os países, com pessoal próprio e com a missão de promover pesquisas básicas e aplicadas em biocombustíveis, biotecnologia e genética de plantas; e

 5) Intercâmbio Acadêmico entre a Universidade Federal de Viçosa (Minas Gerais) e a Universidade de Agricultura de Pequim, a ser firmado em breve, para fomentar a cooperação nos campos de ensino e pesquisa em ciência, tecnologia e inovação em áreas agrícolas. Como parte do programa, as duas instituições planejam criar o Instituto Internacional de Segurança Alimentar e Redução da Pobreza, com a ativa participação de organizações intergovernamentais internacionais.

 Assim, Brasil e China já têm breve mas produtiva história. Hoje, vislumbram larga e rica perspectiva de cooperação diversificada. Seu potencial vai bem além do que se vê em nossos dias. Brasileiros e chineses podem fazer muito mais do que fizeram até agora. E tudo para seu próprio bem e, tomara, em benefício também de um mundo mais inteligente, mais justo e mais próspero para toda a comunidade mundial, que disso precisa como o ar que respiramos.

 

 







A Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES),  com base no Tratado de Amizade assinado entre Brasil e Portugal em 22 de abril de 2000 e no Memorando de Entendimento assinado entre CAPES e a Universidade de Coimbra em 19 de maio de 2010, torna pública a realização de seleção de projetos de melhoria do ensino e da qualidade na formação inicial de professores, nas áreas de Química, Física, Matemática, Biologia, Português, Artes e Educação Física.

 

A intenção é estimular o intercâmbio de estudantes de graduação em licenciaturas, em nível de graduação sanduíche. O programa visa apoiar a formulação e implementação de novas diretrizes curriculares para a formação de professores, com ênfase no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

 

O bolsista selecionado obterá Dupla Diplomação e o início das atividades está previsto para setembro de 2010.

 

Para os estudantes brasileiros de graduação, cujo período de permanência no exterior deve ser de 24 meses, os benefícios são seguro saúde e auxílio instalação, pagos em uma única vez, no Brasil; bolsa no valor de 600 euros por mês; e passagem aérea.

 Serão apoiados até 30 projetos. Cada projeto poderá contemplar até sete estudantes, contemplando, no total, 210 estudantes.

As inscrições serão gratuitas e efetuadas por meio do preenchimento de formulários e

envio de documentos, exclusivamente via Internet, até o dia 16 de julho de 2010, horário de Brasília,no endereço eletrônico:

http://www.capes.gov.br/cooperacao‐internacional/portugal/licenciaturas‐internacionais


Acesse aqui o edital.

 

Da redação, com informações da Assessoria de Imprensa da Capes.