Author

Jornalista ANPG

Browsing

logo
Vinte e cinco líderes de pesquisa e instituições de saúde pública da América Latina, América do Norte, África, Ásia e Europa se encontram no Recife, PE, para o lançamento do ZikaPlan – Rede de Enfrentamento ao Zika na América Latina (Preparedness Latin American Network). Essa iniciativa global foi criada a partir da chamada do fundo do investimento em pesquisas Horizon 2020 da Direção Global de Pesquisa e Inovação da Comissão Europeia. O ZikaPlan responde aos desafios postos pelo surto de Zika para as pesquisas e a saúde pública. A iniciativa tem uma abordagem abrangente para combater a ameaça do vírus Zika, a partir de:
– preenchimento das lacunas do conhecimento e das necessidades no atual surto de Zika para melhor entender a doença, prevenir sua disseminação e educar as populações afetadas;
– construção de uma capacidade de resposta sustentável na América Latina e outras doenças infecciosas emergentes.
O impacto do surto de Zika pegou de surpresa os cientistas e autoridades em saúde pública e atingiu fortemente as populações mais vulneráveis. A gravidade do surto e mutação do vírus têm gerado inúmeras questões de pesquisa. Para tomar medidas efetivas, as autoridades em saúde precisam conhecer a magnitude da doença e seu imoacto na saúde pública, quais intervenções irão funcionar melhor para prevenir e interromper sua disseminação e como melhor orientar e tratar os infectados. Esse surto de Zika, sem precedentes, tem também  a necessidade de contruir ou reforçar capacidades locais. Em algumas regiões atingidas pelo vírus não existe a necessária infraestrutura de pesquisa para entender a ameaça e subsidiar a rápida tomada de decisões.
Para preencher essas lacunas, as instituições de pesquisa no consórcio ZikaPlan irão investigar a associação do vírus Zika com a síndrome congênita e complicações neurológicas,  e a patogênese dos casos graves, através de uma série de estudos clínicos. Essas instituições irão explorar a transmissão vetorial e não vetorial e fatores de risco para a dispersão geográfica, medir a carga da doença e investigar como o vírus tem evoluído, comparando antigas e atuais cepas. Além disso, o ZikaPlan irá explorar um conjunto de medidas preventivas pessoais, inovação em diagnostico, modelagem de controle do vetor e estratégias  de vacina para subsidiar decisões politicas. As ciências sociais também irão desempenhar um importante papel no ZikaPlan para determinar as melhores estratégias de comunicação para manter informada as comunidades afetadas.
ZikaPlan irá trabalhar em conjunto com outro dois consórcios também financiados pela União Europeia, ZIKAction e ZIKAlliance, para estabelecer uma rede na América Latina e Caribe. Essa rede dará suporte para o fortalecimento da capacidade local da América Latina para preparar e rapidamente lançar uma resposta de pesquisa em larga escala para as ameaças das doenças infeciosas emergentes. ZikaPlan irá contribuir para desenvolver um plano de pesquisa inter-epidêmica, redes de pesquisas, recomendações de politicas, treinamentos, estratégias de disseminação desenhadas para fortalecer permanentemente as capacidades locais, para além de quatro anos de vigência do projeto. Os três consórcios irão criar órgãos comuns para o gerenciamento global dos programas científicos, comunicação e questões éticas, regulatórios e legais.
ZikaPlan está recebendo 11.5 milhões de euro concedidos pelo programa de pesquisa e Inovação Horizon 2020 da União Europeia, sob a convenção de subvenção de número 734584.
Sobre o Consórcio ZikaPlan
ZikaPlan e coordenado por uma direção executiva composta pela Professora Annelies Wilder- mith, diretora, representante da Universidade de Umeci; Professor Eduardo Massad, diretor substituto. representante da Universidade de São Paulo e mais 15 lideranças de grupos de trabalho de instituições parceiras. Conselhos consultivos independentes éticos, científicos e industrias dão apoio a essa direção executiva.
O consórcio constrói expertise e promove parcerias em diferentes áreas de pesquisas relacionadas ao Zika e outras doenças infecciosas emergentes. Os seus membros são oriundos de cinco continentes, sendo 13 da Europa, oito da América Latina, dois dos Estados Unidos, um da África e um da Ásia
 
Membros do consórcio ZikaPLAN
 

  • Ume& University. Sweden
  • London School of Hygiene and Tropical Medicine, UK
  • University of Glasgow, UK
  • The Chancellor. Masters and Scholars of the University of Oxford. UK
  • Queen Mary University of London. UK
  • University of Ulster. UK
  • Katholieke Umversiteit Leuven. Belgium
  • Erasmus Universitair Medisch Centrum Rotterdam, The Netherlands
  • Institut Pasteur. France
  • Fundacion Umversidad del Norte, Colombia
  • Universidad del Valle, Colombia
  • Fondation Merieux, France
  • The University of Liverpool, UK
  • La Jolla Institute for Allergy and Immunology. USA
  • The University of North Carolina at Chapel Hill, USA
  • Antwerp Institute of Tropical Medicine. Belgium
  • Universidade de São Paulo. Brazil
  • Instituto Butantan, Brazil
  •  Associção Tecnica-Cientifica Estudo Collaborativo Lat.no Americano de Malformacoes Congenitas. Brazil
  • Fundação Oswaldo Fiocruz. Brazil
  • Instituto Medicina Tropical Pedro Kouri, Cuba
  • Institut Pasteur de Dakar, Senegal
  • Schweizerisches Tropen- und Public Health-lnstitut. Switzerland
  • International Vaccine Institute. Republic of Korea
  • Universidade de Pernambuco, Brazil

 
O site do ZikaPlan esta disponível no Portal The Global Health Network
 

A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) aprovou, no dia 18, o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 547/2011, que tem como objetivo aprimorar a legislação que rege o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A proposta segue para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, em decisão terminativa.
O texto amplia a possibilidade de uso dos recursos, impõe a discriminação das receitas do fundo e a identificação de suas origens, especialmente daquelas decorrentes de operação de crédito e aporte de capital, para tornar mais transparente a apuração dos sistemas de gestão e controle. As mudanças alteram a oportunidade de uso dos recursos originalmente previstos nas modalidades de aplicação direta e indireta, aporte de capital e fundos de investimentos para empresas inovadoras, por intermédio da participação no capital de empresas.
O projeto pretende incentivar a aquisição de sustentabilidade dos recursos com a inserção do piso orçamentário e destinação específica de receitas/recursos do FNDCT resultantes do retorno das modalidades reembolsável e de aporte de capital (direto e indireto). A meta é garantir fluxo mínimo de recursos para as operações no longo prazo e assegurar a capitalização do fundo.
Além disso, o PLS substitui o conceito de Empresa de Propósito Específico (EPE) pelo conceito de “empresa inovadora”, uma vez que este último é mais abrangente e amplia a possibilidade investimento direto. O autor, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), entende que a legislação, quando trata do conceito de EPE, não o faz de maneira restritiva, mas ilustrativa. O conceito de “empresa inovadora” já é utilizado na Lei 11.540/07, alterada pelo projeto, mas sem uma clara especificação.
A matéria foi relatada ad hoc pelo senador Pedro Chaves (PSC-MS), na ausência do relator original, Cristovam Buarque (PPS-DF). Chaves considerou que a proposição aprimora a lei estruturante do FNDCT, por detalhar e explicitar melhor as receitas do fundo. No entanto, apresentou substitutivo sugerindo uma modificação para evitar um potencial deslocamento de recursos das pesquisas em universidades para as realizadas em empresas.
O projeto original determina que o montante anual das operações na modalidade de aplicação “reembolsável” — que é a principal forma de captação de recursos por empresas — passe a ser de no mínimo 25% e não mais fique limitado ao máximo de 25% das dotações consignadas ao FNDCT na lei orçamentária anual.
A alteração proposta pelo relator determina que as operações “reembolsáveis e as de aporte de capital” sejam submetidas a um teto de 50% das dotações consignadas pela Lei Orçamentária Anual ao FNDCT. “Com isso, garante-se que, no mínimo, 50% dos recursos do fundo sejam destinados à modalidade “não reembolsável”, que contempla, em grande medida, universidades e institutos de pesquisa”, explica Chaves em seu relatório.
Fonte: Agência Gestão CT&I
 

corte-cnpq-fw
Desde o começo desta semana a ANPG está cobrando um posicionamento do CNPq sobre os rumores de corte de bolsas.
A agência emitiu um comunicado oficial sobre o assunto, Veja:
NOTA À IMPRENSA
Os 220 membros dos Comitês de Assessoramento do CNPq reunidos em Brasília nesta semana estão realizando normalmente o julgamento das bolsas de Produtividade em Pesquisa (PQ) dentro dos critérios estabelecidos na Chamada.
Por não haver, no momento, definição orçamentária da Agência para o ano de 2017, ainda em discussão no Congresso Nacional, não há qualquer definição sobre cortes dessas bolsas.

Coordenação de Comunicação do CNPq

marca-horizontal-fapeg
O atraso de bolsas de bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) foi motivo de cobrança de esclarecimento da ANPG à agência estadual, que respondeu ontem o nosso contato.
De acordo com a agência, as bolsas da FAPEG não estão sendo pagas com atraso, o que ocorreu foi uma alterações de datas. Veja a carta:
“Agradecemos o seu contato e a oportunidade de prestar os esclarecimentos necessários. As bolsas da Fapeg não estão sendo pagas com atraso, o que ocorreu foi uma alteração nas datas. O pagamento para os bolsistas ocorre sempre após a quitação da folha salarial do Estado e também de seus encargos. Diante do cenário econômico atual, o governo de Goiás, há alguns meses, alterou a forma de pagamento da folha salarial. O pagamento, que antes era realizado até o final do mês trabalhado, passou a ser dividido: parte dos servidores recebe até o último dia do mês e o restante após o dia 10 do mês posterior.
Quando a folha do Estado era toda paga até o final do mês trabalhado, as bolsas eram pagas até o quinto dia útil do mês seguinte. Desde 2015, com as mudanças ocorridas, as bolsas da Fapeg passaram a ser pagas entre os dias 15 e 22 do mês seguinte, dependendo da liberação dos recursos financeiros e dos sistemas do Estado com o sistema bancário no qual o bolsista tem conta. Portanto, essa é uma situação permanente enquanto estiver vigente este cronograma da folha de pagamento do Estado.
A Fapeg possui, hoje, mais de mil bolsistas em diversos níveis e considera esta uma conquista importante, que tem propiciado o desenvolvimento de pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação em inúmeras instituições de Goiás.”

low-angle-view-of-airplane-in-clouds
Foi publicado no Diário Oficial da União uma portaria sobre a regulamentação que desobriga bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) que estudam no exterior com benefício do governo federal a retornar para o Brasil.
Pela regra anterior, o bolsista precisava permanecer no Brasil por período igual em que esteve no exterior. Agora ele pode continuar, mas para isso precisa apresentar um pedido feito no mínimo com 90 dias antes da data prevista do retorno com uma proposta de projeto de pesquisa científico-tecnológica a ser desenvolvido no exterior, mas que envolva o Brasil.
Durante o prazo de análise da proposta até a decisão final o bolsista/ex-bolsista deve continuar cumprindo as regras fixadas no termo de compromisso e demais normas da Capes.
Caso o projeto seja aceito serão definidas novas obrigações firmadas em contrato. As novas obrigações assumidas não serão objeto de concessão de novos recursos pela Capes.
Confira a publicação do Diário Oficial e tire suas dúvidas:
http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=20&data=19/10/2016

Acúmulo de bolsas FNDE e CAPES: saiba o que fazer

Colaboração de texto: Alysson Stiffert (UFMG) e Eudes Vitor Bezerra (PUC-SP)

 
Para o pós-graduando que necessita se defender judicialmente, porém de forma gratuita, contra a cobrança de devolução de valores relativos a acúmulo de bolsa CAPES e FNDE, seja para contestar tal devolução, seja para negociar parcelamentos e abatimentos, é aconselhável buscar alguma dentre as seguintes possibilidades:
1) Procurar, em cada cidade, a sede da Defensoria Pública da União (também denominada Defensoria Pública Federal). Pelo fato da CAPES se tratar de órgão federal, o fórum adequado para se impetrar um mandado de segurança, contestando ou minorando a cobrança da CAPES, será a justiça federal. Um defensor público federal será então encarregado de prestar a função advocatícia no litígio, sem cobrar remuneração, já que é funcionário estatal concursado. Exige-se apenas a comprovação de que o defendido não tenha condições de arcar com honorários de um advogado particular, sob critérios que variam de estado a estado (como, por exemplo, renda abaixo de três ou quatro salários mínimos). Para maiores esclarecimentos, além de telefones e endereços, buscar o site ou a sede desse órgão em cada cidade, sendo aconselhável perguntar se existe em operação algum núcleo da defensoria especializado na área educacional.
2) Procurar um Juizado Especial Federal Cível. Nestes Juizados, quando o valor da causa é inferior a 60 salários mínimos, não é necessário a presença de um advogado. Pode-se buscar uma conciliação ou outra providência do juiz responsável, que também pode nomear um defensor público federal para acompanhar o caso. É possível conferir o endereço do Juizado Especial mais próximo no site ou na sede da Justiça Federal de cada estado, ou através de busca na internet.
3) Procurar uma Divisão de Assistência Judiciária (DAJ), ou qualquer núcleo de assistência similar, nas principais Faculdades de Direito da cidade. Aí se encontrarão estagiários de prática jurídica, com professores orientadores e advogados em trabalho voluntário, que podem esclarecer dúvidas e encaminhar soluções.
4) Procurar um advogado militante de organizações representativas, como DCEs de Universidades, partidos e movimentos sociais, que aceitem prestar assistência ou praticar atos jurídicos de modo voluntário, por intermédio de tais organizações.
A recorrência a qualquer uma dessas opções pode encontrar dificuldades, mas são alternativas viáveis e sem custos a quem não pode pagar um advogado (cujo trabalho, aliás, mesmo quando bem remunerado, também não é uma garantia de sucesso na causa).
 
 

img_6460
O projeto de Lei 4559/2016, desenvolvido pelo Deputado Lobbe Neto, PSDB, que visa que os valores das bolsas concedidas pelos órgãos, sejam reajustados no dia 1º de cada ano, adotando a variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado e divulgado pelo IBGE, estava para ser votado hoje, dia 18, mas foi retirado da pauta da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara Federal no dia 18/10, devendo passar para o dia 24/10.
Já é a segunda semana consecutiva que o governo pede para tirar o PL de pauta. “Esperamos que esse projeto se torne uma realidade muito em breve. Já que há mais de 20 anos a ANPG luta pela aprovação de um projeto de lei que institua o reajuste anual das bolsas de pesquisa”, afirmou o vice-presidente da entidade Cristiano Flecha.

São Paulo, 16 de Outubro de 2016.

No dia 17 de Dezembro de 2014, cubanos e outros povos em todo o mundo comemoravam a volta dos 5 heróis de Cuba para casa. Era o começo da retomada do diálogo entre os EUA e Cuba. De lá para cá, muitas conversas aconteceram, houveram alguns avanços políticos, como a reabertura de ambas embaixadas, além de pequenos avanços na área comercial e econômica, como a queda de algumas restrições para os cidadãos estadunidenses viajarem para a ilha.
Mas ainda está longe de isso ser o fim do criminoso bloqueio comercial, econômico e financeiro imposto pelos EUA sobre Cuba. Um bloqueio que gera dificuldades e impossibilidades do país caribenho comercializar com diversos outros países, inclusive os EUA. Bloqueio que impossibilita a entrada na ilha de medicamentos, equipamentos médicos e agrícolas, e outros produtos que contenham tecnologia estadunidense.
No próximo dia 26 de Outubro, durante a Assembleia Geral da ONU, Cuba irá apresentar novamente, pelo 25º ano consecutivo, a sua resolução sobre o Bloqueio, que deverá ser votado pelos países.
Desta forma, a Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), se manifestam contra o Bloqueio e se somam a campanha “El bloqueo daña al pueblo de Cuba” (O Bloqueio causa danos ao povo de Cuba). Convidamos todas e todos os estudantes brasileiros a se somarem nas redes sociais neste dia 17, segunda-feira, às mobilizações, com as tags: #YoVotoVsBloqueo #SolidaridadVsBloqueo #CubaVsBloqueo #VsBloqueo.
E convidamos todos e todas a votarem contra o bloqueio através do site do povo cubano contra o bloqueio: www.cubavsbloqueo.cu.
 
ANPG #VsBloqueo
UBES #VsBloqueo
UNE #VsBloqueo
 
 angune ubes

aquifero_guarani
Agência Brasil

Esta semana a Rede Brasil atual trouxe uma entrevista com o Geólogo Luiz Fernando Scheibe, professor emérito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que alerta que o Aquífero Guarani, área de 1,1 milhão de quilômetros quadrados que compreende as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país e também parte de Argentina, Uruguai e Paraguai está no alvo do governo de Michel Temer. Segundo ele, a exemplo do pré-sal, também o aquífero poderá ser privatizado conforme a aprovação do Programa de Parcerias para Investimentos (PPI).
A relevância do Aquífero Guarani, um dos maiores mananciais mundial de água doce, é tamanha que tem sido alvo da especulação quanto ao seu uso e exploração. O Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani, conhecido por Projeto Aquífero Guarani (SAG), da Agência Nacional das Águas (ANA), foi criado com o propósito de apoiar Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai na elaboração e implementação de um marco legal e técnico de gerenciamento e preservação do Aquífero Guarani para as gerações presentes e futuras. Após a vitória dos conservadores na Argentina e o golpe brasileiro, restou ao Uruguai votar contra a privatização do aquífero.
Confira parte da entrevista feita pelo jornalista Helder Lima com o professor Scheibe :
O sr. diria que o Aquífero Guarani está em processo de privatização?
Nossa preocupação maior é com os aquíferos Guarani e Serra Geral – este último é um aquífero que está sobre o Guarani. O acesso à água é considerado direito fundamental de todos os seres humanos. Falar em privatização de qualquer fonte de água é algo que foge ao conceito de direito humano fundamental da água. Quanto à privatização de uma determinada fonte de água, não existe normalmente uma privatização, mas uma possibilidade de outorga, que é uma concessão feita pelo Estado. O Aquífero Guarani tem 1,1 milhão de quilômetros quadrados. Falar na privatização do aquífero é como falar na privatização de uma área que em praticamente um oitavo da área do Brasil. Não seria algo viável.
O acesso a essa água deve ser sempre público e não pode ser privatizado. A água não deve ser concedida de jeito nenhum, ainda que exista a possibilidade de outorga para determinados usos, desde que eles não comprometam o acesso das outras pessoas. No caso do Aquífero Guarani, por causa da extensão, o grande problema é o uso localizado do aquífero. Vamos tomar como exemplo a cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Essa cidade está localizada sobre uma área de afloramento do aquífero e uma parte da área tem cobertura pelo outro sistema aquífero, que é o Serra Geral. Em Ribeirão, estão fazendo uso tão intenso que, ao cabo de 50 anos de exploração, o nível da água dentro do aquífero já baixou mais de 60 metros, o que significa que a reserva disponível está diminuindo drasticamente.
 
Também é importante a gente ter clareza do que é o aquífero­ – uma rocha que contém água nos seus poros ou em suas fraturas. Não se trata de um corpo de água, mas de um corpo de rocha que contém água. E o movimento da água dentro do aquífero é extremamente lento. Enquanto em um rio a água se movimenta em metros por segundo, dentro do aquífero a água se movimenta em velocidade de metros por ano. O que acontece em uma determinada parte do aquífero tem uma abrangência local. O fato de em Ribeirão Preto estarem praticamente esgotando as possibilidades de exploração não quer dizer que o restante da reserva esteja sendo ameaçado.
É a maior reserva de água subterrânea do mundo?
Uma das maiores do mundo. Sua importância está mais ligada com o fato de que ela ocorre em uma área que é a mais habitada e industrializada da América do Sul. Só para exemplificar: na Amazônia tem um aquífero maior, Alter do Chão, que é quatro vezes maior, mas ele está em baixo do rio Amazonas e no meio da floresta. Então, não é um local em que essa água tem uma importância geopolítica, digamos assim. Embora não seja a maior reserva do mundo, 60% do PIB dos quatro países estão na área de ocorrência do Aquífero Guarani.
O Senado aprovou medida provisória que autoriza o chamado PPI, um dos tentáculos do governo Temer. Essa medida, que amplia possibilidades de privatizações e concessões, chega a preocupar no que se refere ao aquífero?
Olha, essa medida preocupa demais com relação a muitas outras questões e também em relação ao aquífero, porque antes de tudo é um patrimônio do povo dos quatro países em que ele ocorre. O fato de que você vai fazer concessões no longo prazo, especialmente para empresas estrangeiras, eventualmente limitando o acesso das populações a essa riqueza, é extremamente preocupante, porque se está concedendo um direito que é da população. A privatização ou outorga que limite o acesso de outras pessoas ou mesmo de empresas a esse recurso é extremamente preocupante. Como preocupa muito que o Estado brasileiro esteja concedendo a empresas estrangeiras, mesmo estatais de outros países, o acesso ao petróleo, ao pré-sal. A negociação feita pelo governo e pela Petrobras sobre a área de Carcará (em Santos, litoral paulista) é um exemplo disso. Um patrimônio que pode ser estimado em pelo menos US$ 60 bilhões foi entregue a uma empresa estatal norueguesa por US$ 2 bilhões. Temos de ficar muito preocupados.
Existem mais ameaças rondando o aquífero Guarani?
Tem as ameaças do uso abusivo de fertilizantes químicos e de agrotóxicos nas áreas de ocorrência desses aquíferos. No caso do Guarani, sua maior parte não está à flor da terra, mas embaixo de outros aquíferos, no caso o Serra Geral, e no noroeste do Paraná e parte de São Paulo tem outro aquífero muito importante, que é o Bauru. Todos estão sujeitos ao uso dessa quantidade imensa, não só dos agrotóxicos, dos quais o Brasil é campeão mundial de utilização, mas dos próprios adubos e fertilizantes químicos. Esses produtos têm muitos elementos que são prejudiciais à saúde. O uso intenso de fertilizantes e agrotóxicos, consequência direta do domínio exercido pela Monsanto, que agora foi comprada pela Bayern, esse domínio obrigando praticamente o produtor a usar sementes transgênicas, que por seu lado obrigam o uso do glifosato, que se revelou cancerígeno. Enfim, esse é um modelo que afeta as nossas águas superficiais e provavelmente dentro de algum tempo, já que subterraneamente o movimento é lento, afetará as nossas águas subterrâneas. Esse é outro problema extremamente grave.
Para ler a matéria da integra: http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/260571/Temer-abre-espa%C3%A7o-para-entregar-aqu%C3%ADfero-Guarani.htm

img_6722
Em matéria publicada pelo Estado de São Paulo, pelo jornalista Herton Escobar, cientistas falam sobre o desastre iminente para a ciência com a aprovação da PEC 241. Para o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich: “Se continuarmos na situação atual por mais 20 anos será mortal; vamos voltar ao status de colônia extrativista”, disse Davidovich à publicação. “Na verdade, não digo nem 20 anos. Se for cinco, já será extremamente complicado.”
Escobar expõe na reportagem que o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (hoje chamado MCTIC, após fusão com a pasta das Comunicações) encolheu consideravelmente nos últimos anos. Em valores corrigidos pela inflação, é quase 30% menor do que dez anos atrás, e aproximadamente metade do que era em 2010.
A SBPC também reagiu a aprovação: “É um cenário trágico para a ciência”, diz a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Helena Nader. Ela teme uma fuga em massa de cérebros para o exterior, caso a situação de perpetue dessa forma.
Ainda para o Estadão, o bioquímico Jerson Lima da Silva, professor da UFRJ e diretor científico da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) alertou: “Vamos voltar à realidade da década de 1990, quando a única saída para ciência, tecnologia e inovação no Brasil era o aeroporto”.  Segundo ele, o sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação vinha crescendo e funcionando bem desde o início dos anos 2000, até que os investimentos começaram a encolher em 2011.
A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, que participou semana passada de uma Audiência Pública no Congresso sobre o assunto, reiterou: “Acreditamos que a PEC pode ser desastrosa para essas áreas, pois provavelmente o orçamento ficará espremido entre as demais que são de natureza obrigatória. Também sabemos que a ciência não para e que ela tem um grande potencial para contribuir para a dignidade do nosso povo e gerar riquezas para o país”, finalizou.
Para as universidades a PEC 241 também será danosa
Em nota, o Conselho Universitário da UFMG, presidido por Jaime Arturo Ramírez, manifestou-se contrariamente à PEC 241, argumentando que, para as instituições públicas de ensino superior, os seus efeitos “serão desastrosos”. Lei na íntegra a carta:
https://www.ufmg.br/online/arquivos/anexos/nota%20conselho%20PEC%20241.jpg