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Jornalista ANPG

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O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2021 foi aprovado na tarde desta quinta-feira, 25 de março, na Comissão Mista de Orçamento e, agora, segue em discussão no plenário do Congresso, onde precisa ser aprovado pelas duas casas legislativas.

Até o encerramento desta edição, Oposição e Governo buscavam um acordo para que fosse retirada a obstrução para que a matéria fosse votada, mediante o compromisso de um PLN para recompor os recursos de áreas como Educação, Ciência e o Censo Demográfico, frontalmente atingidas pelos cortes no texto.

A proposta que traz cortes de cerca de R$ 36 bilhões na Saúde, se comparado ao dispêndio de 2021, retira verbas das universidades (-18%) e institutos de pesquisa, ameaça bolsas de estudos de estudantes, entre outras medidas draconianas.

Para assegurar verbas para obras do Ministério do Desenvolvimento Regional, um dos principais destinos das emendas parlamentares para suas bases eleitorais, o relator, senador Márcio Bittar, cancelou dotações para o pagamento de benefícios previdenciários (13,5 bilhões), abono salarial (7,4 bilhões) e seguro-desemprego (2,6 bilhões). Até os recursos para a realização do Censo Demográfico foram cancelados.

O setor mais contemplado na proposta do governo é o Ministério da Defesa, com cerca de 8 bilhões em investimento, além do reajuste salarial, já que os militares são os únicos com previsão de aumento em 2021.

Roberto Muniz, dirigente do sindicato dos trabalhadores do CNPq, avalia a proposta de maneira geral é muito ruim para Saúde, Educação e Ciência e Tecnologia. “Em um ano de pandemia, de enormes dificuldades econômicas, o Orçamento privilegia a área de Defesa. Vai ter recursos para comprar aviões, caças e submarino, mas não tem para as universidades e instituições de pesquisa”, afirma.

Jornada de Lutas estudantis cobra recursos para Saúde, Educação, C&T e Auxílio Emergencial

As entidades estudantis ANPG, UNE e UBES convocaram para o próximo dia 30 de março uma jornada nacional de lutas com o tema “A juventude quer Vida, Pão, Vacina e Educação”. Em virtude da pandemia e a necessidade de distanciamento social, as manifestações serão virtuais e, quando presenciais, simbólicas. A ANPG convoca é incentiva a participação de APGs e representantes discentes nas atividades.

O lema trazido nas quatro palavras “Vida, Pão, Saúde e Educação” buscar sintetizar as preocupações centrais do povo brasileiro nesse momento de explosão da pandemia: as lutas pela vacinação e a preservação da vida; pelo auxílio emergencial e contra a carestia dos alimentos, que aflige principalmente os mais pobres; e a recuperação do orçamento para as áreas de Educação e Ciência, que estão nos menores patamares em uma década.

Marcos Johari Provezani Silva
Diretor de Relações Institucionais da ANPG

Helena Augusta Lisboa de Oliveira
Diretora de Juventude da ANPG

A ciência tem papel fundamental para a soberania e desenvolvimento do país, e deve ser orientada para atender aos interesses do povo, promovendo a dignidade das pessoas e a paz. Assim orientadas, a ciência, a tecnologia e a inovação permitem que sejam encontradas soluções para os diversos problemas que assolam o país, de forma sistemática, fundamentada pela metodologia científica.
Sem a orientação para o bem social, a ciência, a tecnologia e a inovação cometem atrocidades e injustiças. São diversos os casos em que elas são utilizadas para beneficiar pequenos grupos empresariais (pois elas custam muito dinheiro) à custa de prejuízos dos recursos naturais e de populações.
Cada experiência desastrosa dessas reforça a importância do investimento público nessas áreas visando benefício do povo, com apreço ao bem comum, com a valorização da vida e do equilíbrio da humanidade com o planeta. Diante de situações de calamidade como a pandemia, torna-se evidente a importância da ciência e das relações sociais para benefício do povo.
Longe de negar o papel da sabedoria e da cultura popular, a ciência pode auxiliar a compreender e sistematizar conhecimentos humanos que foram adquiridos por meio de diferentes metodologias. Ao contrário dos dogmas que são absolutos, irredutíveis e inquestionáveis, a metodologia científica prevê, na sua essência, a investigação do contraditório, o debate, o questionamento das ideias, a fim de se obter resultados mais robustos e sustentáveis possíveis. Para que isso ocorra é essencial que as pessoas que irão interagir para construir um desenvolvimento científico juntas, de forma saudável, saibam se comunicar de maneira assertiva, avaliadora e respeitosa, prezando pela união de todos pelo cuidado à vida.
Porém, em tempo de fake News, diversas notícias falsas são produzidas com o intuito de convencer leitores a aderirem a determinados posicionamentos, conforme o interesse de quem as produz, que muitas vezes não beneficiam diretamente o povo. Essas notícias se espalham rapidamente e entram no imaginário popular, que as interpreta como verdades inquestionáveis. Seja que o Corona não passa de uma gripezinha, que se faz uma doutrinação nas universidades e escolas ou que a vacina transforma pessoas em jacaré.
O tipo de educação que não estimula a autonomia do pensar, em outras palavras, que perpetua o comportamento do povo como passivo, o eximindo de sua responsabilidade de analisar informações, torna esse povo propício a ser uma grande massa de manobra, que recebe todas as informações sem as questionar.
Nesse contexto, constata-se a importância de se estimular o pensamento crítico na sociedade, que questione, pondere e avalie hipóteses antes de aceita-las como a Verdade.
A divulgação científica é uma forma de se divulgar os conhecimentos produzidos sem o grande rebuscamento de linguagem que é utilizado em contextos adequados, entre pessoas que pesquisam temáticas específicas. Ela é inclusiva, pois facilita o acesso e entendimento dos conceitos para pessoas leigas no assunto. Essa aproximação dos resultados obtidos pela metodologia científica e do próprio método com o povo, estimula uma cultura crítica e o empoderamento do povo, tendo papel social importante para a consolidação e ampliação do saber científico.
Nesse contexto, a Associação Nacional de Pós Graduandos reativa a sua revista e abre chamada para as pesquisadoras do país submeterem artigos de divulgação científica, compartilhando os resultados de suas pesquisas, em linguagem acessível às pessoas sem prévio conhecimento da área. O tema dessa edição é “Mulheres e mães pesquisadoras em tempos de COVID19”. A revista aceita artigos de todas áreas de conhecimento. Para mais informações, acesse www.anpg.org.br

 

 

AS OPINIÕES AQUI VEICULADAS NÃO NECESSARIAMENTE REFEREM-SE AS OPINIÕES DA ENTIDADE E SÃO DE RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES.

As entidades estudantis ANPG, UNE e UBES convocaram para o próximo dia 30 de março uma jornada nacional de lutas com o tema “A juventude quer Vida, Pão, Vacina e Educação”.

Em virtude da pandemia e a necessidade de distanciamento social, as manifestações serão virtuais e, quando presenciais, simbólicas. A ANPG convoca é incentiva a participação de APGs e representantes discentes nas atividades.

O lema trazido nas quatro palavras “Vida, Pão, Saúde e Educação” buscar sintetizar as preocupações centrais do povo brasileiro nesse momento de explosão da pandemia: as lutas pela vacinação e a preservação da vida; pelo auxílio emergencial e contra a carestia dos alimentos, que aflige principalmente os mais pobres; e a recuperação do orçamento para as áreas de Educação e Ciência, que estão nos menores patamares em uma década.

Flávia Calé, presidenta da ANPG, entende que o momento é crítico e requer união de todos os setores contra o negacionismo e a favor da vida. “O Brasil é hoje o epicentro da pandemia em todo o mundo, caminhando para a marca fúnebre de 300 mil mortos, fruto do negacionismo patrocinado por Bolsonaro e seu governo. A sociedade precisa se unir, derrotar essa linha, adotar o isolamento social e ampliar a vacinação. Só a ciência poderá fazer a vida prevalecer”.

O presidente da UNE, Iago Montalvão, diz que é hora de dar um basta nos desmandos do governo federal. “É a hora da juventude brasileira se rebelar contra esse desgoverno e incendiar os demais setores da sociedade a agir contra essa política de morte”, avalia.

Educação e Ciência, a batalha contra o apagão

Os próximos dias de março também serão decisivos para a produção de conhecimento no país, pois está prevista a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA/2021) no Congresso Nacional.

Se aprovada, a proposta enviada pelo governo sufocará os ministérios da Educação e Ciência e Tecnologia, paralisando programas e cortando bolsas de estudo. Os efeitos do garrote financeiro atingem desde a educação básica até a pós-graduação.

Exemplo eloquente é a situação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que tem R$ 14,4 bilhões de um total de R$ 19,6 bilhões – 74% do total – condicionados à aprovação de créditos suplementares pelo Congresso. Ou seja, o orçamento garantido na LOA/2021 é apenas um quarto do total.

Na mesma linha, o CNPq, a prevalecer a proposta atual, só terá recursos garantidos para o pagamento de bolsas de estudo até o mês de abril, o restante dependerá de créditos extras autorizados pelo Legislativo.

Por isso, as entidades correm contra o tempo para pressionar deputados e senadores e garantir o restabelecimento dos recursos cortados do MEC e MCTI, além de evitar a dependência de créditos suplementares.

Vitória estratégica: derrubada dos vetos na Lei do FNDCT

Ainda que o isolamento social imponha uma dinâmica diferente de mobilização, a pressão através das redes sociais e o debate político têm sido recursos importantes para minimizar danos ou até mesmo conquistar vitórias para os estudantes nesse último período.

Na semana passada, por exemplo, foram derrubados os vetos de Jair Bolsonaro à lei que proíbe o contingenciamento dos recursos do Fundo Nacional de Desonvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), instrumento estratégico para o financiamento das pesquisas e o incremento dos investimentos no setor. Em 2020, cerca de 90% dos recursos do fundo foram represados pelo governo, mas a partir de 2021 todo o recurso do fundo deverá ser obrigatoriamente destinado à C&T.

FIQUEM LIGADOS

A agenda de atividades da jornada também terá uma plenária unificadas das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e um ato de denúncia da ditadura militar, no dia 1º de abril.

AGENDA DE MOBILIZAÇÃO JORNADA DE LUTAS DA JUVENTUDE
Dia Nacional de Mobilização: 30 de Março

– Dia em Defesa do Ensino Técnico (17 de março).
– Plenária Nacional de entidades da UNE (20 de Março, 14h )
– Dia de Alerta pela Educação Pública e Fora Bolsonaro – Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo (24 de Março).
– Dia de Solidariedade em defesa da Vida e da Educação pública (28 de março)
– Plenária Virtual Unificada em Defesa da Educação Pública (31 de março)
– Dia de denúncia: Ditadura Militar Nunca Mais (1 de abril)

Em tempos de crise, a ciência salva vidas! Por isso, a ANPG decide reativar sua revista para edições semestrais. Para o ano de 2021, a revista trará duas edições especiais. A primeira, com chamada para trabalhos lançada em março em comemoração ao mês da mulher terá o tema “Mulheres e mães pesquisadoras em tempos de covid-19”.
Para enfrentar o negacionismo, uma ciência popular e acessível é fundamental. Por isso, os artigos serão aceitos artigos no formato de divulgação científica de todas as áreas do conhecimento. Sem perder o rigor do método científico, a Revista da ANPG será um espaço para que as pesquisadoras e pesquisadores divulguem os resultados de suas pesquisas com uma linguagem mais acessível.

 

A Revista da ANPG é registrada no ISSN 2176-0683

Foi com surpresa e indignação que a diretoria da ADUFERPE recebeu a notícia da convocação de nossa vice-presidenta, a professora Erika Suruagy, para depor na Polícia Federal, em inquérito criminal aberto a pedido do presidente Jair Messias Bolsonaro, para apurar a colocação de outdoors, no final de 2020, com os dizeres “O senhor da morte chefiando o país. No Brasil, mais de 120 mil mortes por COVID-19″. #ForaBolsonaro

Trata-se de um brutal ataque à mais elementar liberdade de expressão garantida constitucionalmente. É uma tentativa de calar opiniões e intimidar o legítimo e livre exercício da atividade associativa. Por outro lado, no mérito, a crítica ao governo federal externada no outdoor – e que pode facilmente ser estendida a outras esferas de governo – revelou-se desgraçadamente justa: à época eram 120 mil mortes a lamentar, hoje já são quase 300 mil.

Nossa Assessoria Jurídica está segura de que não há nenhuma base legal para que um processo seja instaurado. O fato de a professora Erika Suruagy ter sido convocada e de ter que prestar depoimento na Polícia Federal é de inteira responsabilidade de Jair Bolsonaro. Ele está claramente tentando intimidar sindicalistas, cientistas, professores, servidores públicos, artistas, intelectuais e cidadãos que discordam da política do governo. Não conseguirá! A unidade do conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras, com suas organizações sindicais e populares, vai barrar essas intimidações e ameaças de Bolsonaro. A democracia e o livre direito de opinião serão defendidos por todos e todas.

TODO APOIO À ADUFERPE!
NÃO À CRIMINALIZAÇÃO DO MOVIMENTO SINDICAL!
NÃO CALARÃO OS SINDICATOS!

NÃO IMPEDIRÃO A LIVRE MANIFESTAÇÃO!
FORA BOLSONARO!

O 8 de março é uma data que marca a história de luta das mulheres por todo o mundo. Há 111
anos esta data é uma referência para as mulheres em movimento, mulheres que ousam fazer ecoar
suas vozes, resistindo para garantir condições dignas de trabalho, de sustentabilidade da vida e
denunciar violências. É fundamental resgatar nossas origens, para lembrar que somos parte de um
projeto em movimento para mudar a vida das mulheres.
O Brasil hoje enfrenta uma série de crises: humanitária, social, econômica, sanitária e
política. Na nossa diversidade, compreendemos que para construirmos uma pauta unificada e sermos
em defesa da vida da população mais pobre, é preciso exigir o Fora Bolsonaro! Esse governo
genocida e negacionista não nos apresenta soluções válidas e eficientes para atravessarmos todas as
crises. A pandemia mundial do Coronavírus já matou mais de 260 mil brasileiros1, e também causou
um agravamento das desigualdades sociais. Nós mulheres temos a cada dia que passa nos reinventado
nesta sociedade patriarcal, machista, racista e misógina para garantir a nossa sobrevivência.
O Ministério da Educação foi incapaz de garantir a realização do Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem) com segurança, a marca do enem deste ano foi abstenção. Dados revelam que houve
55,3% de abstenções2 no exame presencial e 71,3%3 no formato digital. Trazendo o debate da
exclusão digital e da sobrecarga de trabalho doméstico que afeta principalmente as meninas, que
muitas vezes largam a escola para ajudar nas tarefas de cuidado em casa. O governo não debateu
como alcançar essa juventude que não conseguiu acompanhar de forma remota as atividades escolares
e abandonaram esse espaço que é tão importante para a transformação das vidas.
Precisamos pensar no futuro da juventude brasileira, garantir internet, material e merenda
escolar é necessário para que os estudantes não sofram ainda mais com a desigualdade educacional e a
desnutrição, Bolsonaro precisa sancionar urgente a PEC da Conectividade. Nós mulheres estudantes
exigimos Vacina para todas e todos, Auxílio Emergencial já e o fim de todas as formas de violência.
Organizadas nas escolas e universidades de norte a sul do Brasil, pautadas na solidariedade
construímos alternativas a esse modelo. Todas as conquistas só foram alcançadas com muita
organização. Somos mulheres de todos os povos, de diferentes culturas e realidades, e
denunciamos a violência e a opressão que as crises deste modelo capitalista,
heteropatriarcal, racista e destruidor da natureza provoca em nossas vidas.

 

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  1. https://news.google.com/covid19/map?hl=pt-BR mid=%2Fm%2F015fr&gl=BR&ceid=BR%3Apt-419
  2. https://g1.globo.com/educacao/enem/2020/noticia/2021/01/24/abstencao-do-enem-2020-e-de-553percent-24-milhoes-foram-aos-locais-de-prova-neste-domingo.ghtml
  3. https://g1.globo.com/educacao/enem/2020/noticia/2021/02/07/enem-digital-teve-abstencao-de-713percent.ghtml

O dia 8 de março faz parte dos nossos processos coletivos de resistência que enfrentam a
lógica neoliberal de destruição do Estado, privatização, competitividade e individualismo. A urgência
em defender a vida trouxe à tona o que há muito tempo exigimos: a ruptura com este
sistema é urgente! É nos movimentando que mudamos as estruturas, então vem conhecer e construir
essa resistência.

Pâmela Layla – Diretora de mulheres da UBES
Elaine Monteiro – Diretora de mulheres da UNE
Thais Florencio – Diretora de mulheres da ANPG

 

 

AS OPINIÕES AQUI VEICULADAS NÃO NECESSARIAMENTE REFEREM-SE AS OPINIÕES DA ENTIDADE E SÃO DE RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES.

A Lei Orçamentária Anual (LOA), que em tese deveria ter sido aprovada ainda em 2020, chega a março de 2021 envolta em muitas indefinições. A nova previsão da Comissão Mista de Orçamento, que envolve parlamentares da Câmara e do Senado, é que a votação aconteça até o fim do mês, mas o relatório de receitas estimadas para o ano só deve ser apresentado na quinta-feira (04/03).

O que há de concreto, por ora, é a proposta do governo, motivo de grandes preocupações, especialmente para as áreas de Ciência e Tecnologia e Educação, alvos preferenciais de cortes e contingenciamentos no atual governo. A proposta encaminhada ao Congresso apresenta uma queda drástica nos investimentos públicos, projetados para pouco mais de R$ 25 bilhões – em termos comparativos, os investimentos em 2014 foram de R$ 75 bilhões.

Se aprovada a proposta do governo, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação corre sério risco de colapsar e não conseguir cumprir seus compromissos mínimos. A previsão de recursos discricionários para a pasta é de apenas R$ 2,7 bilhões, com cortes em relação ao exercício de 2020, quando já existiram grande dificuldades para a manutenção dos trabalhos.

O CNPq é umas das instituições mais atingidas pela política de desmonte. A destinação do governo é de R$ 22 milhões para a rubrica de fomento à pesquisa, dinheiro utilizado para a compra de insumos, equipamentos, manutenção de laboratórios, entre outras coisas.

Roberto Muniz, dirigente do Sindicato do SindGCT, caracteriza o orçamento do MCTI para 2021 como uma “tragédia anunciada”. “Há cortes nos valores em relação ao ano passado, que já foi um ano muito ruim, em que as atividades de ciência e tecnologia já tiveram dificuldades. Cortar em relação ao ano passado já é péssimo e, para se ter ideia, para o MCTI haverá uma queda de 17,43%”, afirma.

Segundo Muniz, há um problema adicional, que é o método utilizado para construir o orçamento, que se ancora em autorizações futuras. “48,82% de todos os recursos previstos para o MCTI, quase metade, está condicionado a aprovação de créditos suplementares, Ou seja, se aprovado o orçamento, o recurso que o MCTI de fato tem garantido para trabalhar é 50%”.

No caso das bolsas oferecidas pelo CNPq, se aprovada a proposta do governo, só haverá recursos garantidos para o pagamento dos primeiros quatro meses do ano. “60% dos créditos para bolsas estão colocados de forma condicionada.(…) Quando chegar em abril, se o Congresso não votar créditos suplementares, nós não teremos dinheiro para pagar bolsas”.

Não é diferente a realidade do Ministério da Educação, desde os dispêndios com a educação básica até as universidades e a Capes, agência vinculada à pasta. O exemplo mais eloquente é o dos repasses da União para o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que tem R$ 14,4 bilhões de um total de R$ 19,6 bilhões – 74% do total – condicionados à aprovação de créditos suplementares pelo Congresso.

No comparativo histórico, a desitratação financeira também afeta em cheio a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), cujos investimentos caíram de R$ 7,7 bilhões em 2015 para R$ 2,9 bi em 2021, o que tem impacto em progressiva diminuição do número de bolsas de estudos oferecidas.

Pressão pela recomposição de recursos

A reação dos meios acadêmicos e da sociedade civil ao processo de desestruturação da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação tem crescido e procurado criar o ambiente para alterações na PLOA 2021 no Congresso Nacional.

Em evento realizado com apoio da SBPC, ABC, Andifes e diversas entidades, onze ex-ministros de C&T lançaram um manifesto pedindo a recomposição de recursos para a pasta. “A impressionante resposta, rápida e efetiva, dos sistemas nacionais de pesquisa e inovação aos desafios da Pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2 – não apenas no desenvolvimento e produção de vacinas, mas na oferta de novas tecnologias digitais – evidenciou a relevância de fortalecer a CT&I como um dos eixos da retomada do crescimento econômico, com sustentabilidade ambiental e equidade social, no mundo e no Brasil”, aponta o documento, lançado na última terça-feira (02/03).

A ANPG, a UNE e o Observatório do Conhecimento lançaram a campanha Educação Tem Valor, um abaixo-assinado eletrônico contra os cortes orçamentários para as áreas de produção do saber. A iniciativa tem quatro eixos fundamentais: recomposição do orçamento, fim da condição dos de universidades e órgãos de pesquisa à aprovação de créditos suplementares, a derrubada dos vetos ao FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e o respeito à autonomia universitária.

Para Flávia Calé, presidenta da entidade dos pós-graduandos, os desafios são “impedir os cortes na Educação e na Ciência e Tecnologia, além de derrubar os vetos de Bolsonaro à liberação do FNDCT, para impedir o apagão do setor”.

Os estudantes também pautaram a jornada de lutas do mês de março com a agenda da recomposição de recursos para os ministérios. Em nota da diretoria executiva, a ANPG conclamou pós-graduandosme pós-graduandas, representantes discentes, associações de pós-graduandos e os demais estudantes, professores, cientistas e toda a sociedade civil, a construírem uma jornada de lutas em defesa da vida e do orçamento do conhecimento durante o mês de março.

Fernando Borgonovi

É com muita preocupação que o conjunto do Movimento Estudantil (UNE, ANPG, UEE-RS, APG UFPel e DCE UFPel) recebeu a notícia da abertura de processo para ajustamento de conduta, na Corregedoria-Geral da União, contra os professores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e outras Universidades, o ex-reitor Pedro Hallal e o ex-pró-reitor Eraldo Pinheiro e outros professores.
Segundo Extrato de Termo de Ajustamento de Conduta, os professores estão sendo enquadrados pelo governo federal por “proferir manifestação desrespeitosa direcionada ao Presidente da República”, sendo que as críticas feitas pelo professores foram realizadas dentro de um contexto de análise do enfrentamento a Pandemia de Covid 19 e do desrespeito a consulta a comunidade acadêmica para a sucessão da reitoria, assim como vem acontecendo em diversas Universidades e Institutos Federais, em que a democracia interna dessas instituições têm sido sabotadas por escolhas ideológicas do Presidente da República em contraposição à vontade comunitária.
Destacamos que, o professor Eraldo Pinheiro, com uma vida acadêmica dedicada à pesquisa do esporte, e o professor Pedro Hallal, um dos maiores epidemiologistas do país e coordenador de um amplo estudo sobre a Covid-19 no Brasil, não podem ser penalizados por serem críticos a um governo autoritário e que têm sido notoriamente negligentes sobre a situação de tragédia sanitária, social e econômica por qual passa nosso país.
As universidades são espaços constituídos pela crítica e análise objetiva da realidade e não um lugar de aceitação atônita das políticas estapafúrdias da Presidência da República. Pensamos que todos os esforços do governo federal deveriam estar voltados para a vacinação geral do povo brasileiro e não alimentando perseguições políticas, de cunho autoritário, a professores. Assim, nos colocamos:

• Em defesa da democracia e da Autonomia Universitária;
• Total apoio aos professores, da UFPel, Eraldo Pinheiro e Pedro Hallal;
• Contra a perseguição política nas universidades federais.

 

A Fapesp é a maior fundação estadual de amparo à pesquisa do país, instituição para os avanços científicos e tecnológicos. A pandemia de Covid afeta diretamente as pesquisas de milhares de bolsistas, pois a dinâmica de isolamento social impôs novos desafios à produção acadêmica. Nesse contexto, a prorrogação de prazos e bolsas por até 12 meses, como pedem os estudantes, é fundamental para a não interrupção de trabalhos importantes para o desenvolvimento de São Paulo e do país. Todo apoio à luta dos bolsistas da Fapesp!

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) vem a público denunciar os perigos que ameaçam a sociedade brasileira com a possibilidade de termos, a partir de março, um verdadeiro apagão na educação e na ciência.

No momento em que o Brasil atinge a sombria marca de 250 mil óbitos por covid19, com a média móvel de mortes acima de 1 mil por dia, menos de 3% da população foi vacinada contra o novo coronavírus. Em meio à maior crise sanitária mundial, o governo brasileiro não dá garantias concretas de aquisição de novas doses da vacina para o povo e, sem planejamento prévio, desperdiça a estrutura do Sistema Único de Saúde, o qual tem condições de imunizar até 60 milhões de pessoas por mês. Vacina para toda população já!

Ademais, na contramão das soluções para a superação da crise social e econômica, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, seguindo a cartilha neoliberal, apresentaram para aprovação no Congresso Nacional o pior orçamento dos últimos 10 anos para educação e ciência. Para 2021, está prevista uma redução de 34% nos recursos para o Ministério da Ciência e Tecnologia, o que diminuirá em R$ 114 milhões o orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq). Já para o Ministério da Educação, a redução será de 18%, o que representará um corte de mais de R$ 1,4 bilhão das universidades e institutos federais, além de 1,2 bilhão da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (CAPES). Com agravante desse orçamento já diminuto, existem ainda as partes condicionadas à autorização do Congresso Nacional, os chamados créditos suplementares. Nesse caso, a saber, 60% dos recursos para as bolsas do CNPq estão dentro dessa regra – ou seja, estão garantidos apenas os pagamentos de 04 meses de bolsas da agência esse ano.

Assim, buscando reduzir os impactos desse cenário, propomos que o Plano Emergencial Anísio Teixeira seja incluído na Lei Orçamentária 2021, que entrará em votação no Congresso Nacional nos próximos dias. Nesse plano, constam uma série de medidas que podem expandir o número de pós-graduandos bolsistas, prorrogar as atuais bolsas da Capes e do CNPq, o que é extremamente necessário em virtude do prolongamento da pandemia, além de recuperar os benefícios que foram cortados com os sucessivos cortes de orçamento e a Portaria 34. Dessa forma, pode-se evitar o colapso na ciência brasileira. Mais investimentos em Ciência para produzir a vacina e salva vidas!

Além disso, Bolsonaro vetou dois artigos importantes do Projeto de Lei Complementar 135/2020, os quais proibiam recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) de serem contingenciados, o que seria fundamental para investimentos em projeto científicos importantes para o Brasil. Portanto, se não houver derrubada dos vetos pelo Congresso, a ciência brasileira perderá mais R$ 4,2 bilhões.

Não obstante, o Governo Federal orquestra a desvinculação das receitas constitucionais obrigatórias da educação e da saúde, a partir do Projeto de Emenda Constitucional 186/2019, atrelando esse ataque aos direitos sociais duramente conquistados pelo povo brasileiro à prorrogação do auxílio emergencial. Ou seja, como moeda de troca para socorrer os brasileiros que estão em condições de vulnerabilidade social, Bolsonaro e sua equipe querem aprovar que a União, Estados e Municípios não tenham mais percentuais mínimos para investirem em educação e saúde. Essa medida significa a destruição das garantias constitucionais de continuação das políticas públicas educacionais e sanitárias, como oferta de bolsas de estudos, assistência estudantil e a oferta de serviços de saúde básicos, como a vacinação.

Diante desse cenário, a ANPG volta a convocar os pós-graduandos, representantes discentes, as associações de pós-graduandos e toda a rede do movimento nacional de pós- graduandos, assim como os demais estudantes, professores, cientistas e toda a sociedade civil, a construírem uma JORNADA DE LUTAS EM DEFESA DA VIDA E DO ORÇAMENTO DO CONHECIMENTO, a partir dessa última semana de fevereiro e seguindo em todo o mês de março, para que se possa mobilizar e articular os Deputados Federais e Senadores a mudarem esse cenário, para criação das condições justas para solução da crise social, sanitária e econômica, dando dignidade ao nosso povo que vem sofrendo as mazelas dos sucessivos cortes em áreas sensíveis para o desenvolvimento social.
Por isso, defendemos mobilização nacional para que o Congresso possa:

– Vacinar toda população brasileira, urgente!

– Aprovar a prorrogação do auxílio emergencial para todos os brasileiros em condições de vulnerabilidade social;

– Rejeitar o Projeto de Emenda Constitucional 186/2019, para manter os recursos para saúde e educação, assegurar a vida e nosso futuro;

– Recompor o orçamento das universidades e institutos federais e das agências de fomento;

– Pôr fim ao condicionamento do orçamento das universidades e órgãos de pesquisa à aprovação de créditos suplementares;

– Derrubar os vetos ao FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que retiram a proibição dos recursos serem colocados em reserva de contingência;

São Paulo, 24 de fevereiro de 2021

Diretoria Executiva da Associação Nacional de Pós-Graduandos