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Natasha Ramos

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Por Leandro Peña-Salvático*

Nos últimos anos, o Movimento Estudantil e o Movimento Negro brasileiro conquistaram importantes vitórias na Luta por Reparações Históricas do Povo Negro, que foram a aprovação da Lei 12.711/2012, que estabelece o Sistema de Cotas Raciais com Recorte Social para 50% dos ingressantes em cursos de graduação nas Universidades Federais; e a da Lei nº 12.990/2014, que estabeleceu uma cota de 20% das vagas em concursos públicos federais fossem destinadas à pessoas negras.

À estas conquistas seguiram-se outras a níveis estaduais e municipais, como a aprovação de Cotas Raciais com Recorte Social na UNESP (à contragosto do Governador Alckmin que propôs a criação de uma “Universidade Virtual” para estudantes de escola pública) e as Cotas em concursos da Prefeitura de São Paulo, lei sancionada por Haddad em 2014.

Existem iniciativas para adoção de Cotas na Pós-Graduação em programas específicos, mas não possuímos um projeto sistematizado que busque reverter o cenário de exclusão neste segmento das universidades brasileiras, onde uma fração ínfima de pós-graduandos e professores são negros.

Reverter este cenário de quase-ausência de negros na Pós-Graduação, dando aulas e ocupando cargos de liderança nas universidades se apresenta atualmente como uma tarefa urgente e necessária para avançarmos na luta por reparações históricas e justiça social no Brasil.

Inúmeras pesquisas demonstraram um aumento significativo no ingresso de negros nas universidades e em cargos públicos sem que houvesse nenhuma perda em qualidade do ensino e produtividade. Alguns autores, inclusive, apontaram para o fato de que o Sistema de Cotas aumentou a eficiência do investimento público pois a evasão dos estudantes cotistas é menor, consequentemente, diminuiu-se o “custo total / estudante graduado” nas universidades que adotaram o sistema de cotas raciais.

Apesar dos excelentes resultados, o sucesso dos Sistemas de Cotas adotados não podem ser medidos somente pelo incremento na eficiência financeira e na produtividade acadêmica das universidades, pois temos de adicionar a estes indicadores o fato de que esta ferramenta contribui para reverter a exclusão étnica-racial presente na sociedade e que se intensifica nas universidades brasileiras, onde somente as classes sociais com alto poder aquisitivo estiveram historicamente presentes.

Tomemos a USP como exemplo, a maior universidade pública brasileira (em números de estudantes e orçamento) possui uma média de 10-12% de ingressantes negros em seus cursos de graduação, número extremamente baixo considerando que os negros compõem 51% da sociedade brasileira e 35% da população residente no Estado de SP.

É inegável que 10-12% de ingressantes negros é pouco, mas a situação se torna alarmante quando fazemos um recorte por curso e identificamos que nos cursos de Medicina, Direito e Engenharia apenas 0,9% dos alunos são negros/as e que nos anos de 2010 e 2011, nenhum estudante de cor preta ingressou no curso de Medicina da USP.

A herança cultural da população negra, oprimida pelo tratamento social negativo (leia-se racismo) na escola, lhes confere menos oportunidades de ascensão social e lhes imputa a necessidade de sobrevivência através de trabalhos de baixa remuneração, o que faz com que uma grande parcela dos jovens negros optem (sem ter opção de fato) por pararem de estudar. Este fato é comprovado quando pelos números de evasão escolar e tratamento no Ensino Fundamental e Médio com recorte de raça e gênero.

Quando, em muitos casos, o jovem estudante negro tenta vencer este ciclo-vicioso, ele se depara com um cenário de condições extremamente desvantajosas de disputa e se vê obrigado a, novamente, sucumbir ‘ao seu lugar de origem-destino na sociedade’.

Outro fator a ser considerado é a herança cultural que faz com que a ausência de ‘negros estudados’ ao longo de séculos gerasse a ‘ausência de modelos profissionais negros’ e, por conta disso, um jovem negro que nunca viu um médico negro na vida, não tem um engenheiro ou advogado ou professor negro na família (vivo ou morto) para que possa se espelhar e acaba não acreditando que pode romper o ciclo-vicioso negativo no qual está inserido.

Este fato é demonstrado quando cruzamos os dados da FUVEST e percebemos nitidamente que a maior parte dos (poucos) negros que ingressaram na USP nos últimos anos são filhos de pais que possuem ensino superior completo, ou seja, eles foram os ‘modelos de seus filhos’. À herança cultural identificada nas estatísticas soma-se e confunde-se com o fato de que pais graduados tendem a ter melhores condições financeiras de prover uma boa educação, tanto formal quanto informal, a seus filhos. Tanto a análise individual quanto a sobreposição de cenários expressa acima corroboram com a tese de que as Cotas contribuem para inclusão étnica-racial.

As Cotas Raciais, com ou sem recorte de classe, são um importante instrumento para a promoção da igualdade racial no Brasil e devem ser implementadas através da reserva de vagas em todos os níveis das esferas pública e privada, visando a superação do racismo remanescente na sociedade brasileira.

As Cotas na Pós-Graduação das Universidades Públicas devem garantir o ingresso de negros/as em percentual igual ou superior à sua composição social e devem vir acompanhadas de políticas de permanência estudantil e de bolsas de estudo específicas visando a superação das barreiras sociais, econômicas e geográficas que afetam a população negra e indígena de nosso país.

A adoção de Ações Afirmativas como o Sistema de Cotas não é suficiente para, sozinha, acabar com um racismo cultivado por mais de 500 anos, todos sabemos disso, mas elas se mostraram eficazes na redução da disparidade racial nos EUA e nas Universidades brasileiras onde foram implementadas, isto já embasa e justifica a sua adoção e, a sua ampliação para todos os cursos de Pós-Graduação das Universidades públicas brasileiras.

*Leandro Peña-Salvático é Engenheiro Bioquímico, Fundador e CEO da SustenCorp, Mestrando no Instituto de Energia e Ambiente da USP e Coordenador do Núcleo de Consciência Negra na USP.

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

Faixa de Mesa (1)

A 9ª Bienal da UNE, que acontecerá entre os dias 1 e 6 de fevereiro de 2015, no Rio de Janeiro, contará com uma vasta programação artística e científica. Entre as atividades, a ANPG encabeçará a Mostra de Ciência e Tecnologia, além de realizar dois Seminários sobre temas de extrema importância para a Pós-Graduação Brasileira.

A entidade promoverá o seminário “Educação, Saúde e Desenvolvimento: A juventude por mudança na Saúde do Brasil para cuidar bem das pessoas”, dando sequência às atividades do Fórum de Pós-Graduandos em Saúde da ANPG. Esse seminário pretende debater um dos temas mais centrais na preocupação do povo brasileiro, que é a qualidade do serviço público de saúde.

“O debate de saúde nos cerceia em todos os grandes temas da atualidade, isso porque saúde não é apenas o contrário de doença, mas sim um conceito ampliado, que leva em conta diversos fatores que nos proporcionam qualidade de vida. Assim, debater saúde é debater a qualidade e o acesso à educação que o país oferece, bem como debater quais são as necessidades estratégicas para o desenvolvimento de uma nação soberana”, afirma o diretor de Saúde da ANPG, Dalmare Sá.

Além disso, esta discussão pretende abordar qual o olhar da juventude para este tema e quais as perspectivas do pós-graduando para que se consiga no próximo período aprofundar e efetivar a reforma sanitária que nos trouxe o Sistema Único de Saúde (SUS). “Essas questões tornam esse momento um ponto inicial para que possamos fazer de 2015 um ano de mobilização juvenil massivo para a 15ª Conferência Nacional de Saúde, espaço máximo de participação popular na construção de um SUS mais forte e que atenda às necessidades do povo. De Tal forma, este será o espaço onde a juventude poderá declarar à sociedade quais são suas pautas de saúde, o que eles querem que se movimente, o que eles querem que se inicie. Logo, o tema nos permite declarar que nós, os jovens, iremos nos articular e colocar em pauta nossos questionamentos e nossas contribuições nos espaços de controle social da saúde, com o objetivo mais profundo de cuidar bem do que temos de mais valioso no nosso país que é o povo brasileiro”, complementa Dalmare.

Ainda segundo o diretor de Saúde da ANPG, a 9ª edição da Bienal de Arte, Cultura, Ciência e Tecnologia da UNE mostra-se bastante propícia à larga captação do público estudantil da área de saúde, para participação e enriquecimento no debate de saúde. Além de ser reconhecidamente o maior evento estudantil da América Latina, permitindo que os estudantes e jovens das mais diversas áreas possam participar do Seminário.

“A Associação Nacional de Pós Graduandos é a entidade de representação nacional dos estudantes de pós-graduação brasileiros e uma das principais organizações da sociedade civil brasileira. Junto a outras importantes entidades que representam os interesses da juventude brasileira, como UNE e UBES, a ANPG compõe a base do movimento estudantil organizado no Brasil, lutando e reivindicando por uma sociedade mais equilibrada e desenvolvida, comprometida com a democracia e o respeito à diversidade, em busca de melhores condições de vida para a juventude”, comenta.

O seminário acontecerá na terça-feira (03/02), às 10 horas. A mesa de abertura contará com um representante do Conselho Nacional de Saúde, o ministro da Saúde Arthur Chioro e as presidentas da ANPG, UNE e UBES, Tamara Naiz, Virgínia Barros e Bárbara Melo, respectivamente.

A partir das 10:40, tem início a mesa do tema, composta pelo coordenador do seminário e diretor de saúde da ANPG, Dalmare Oliveira Sá, o ministro Arthur Chioro, a presidenta do CNS, Maria do Socorro, o presidente da ABRASCO, Luis Eugenio de Souza, e um representante do CONJUVE. O encerramento acontece às 13 horas.

No dia seguinte (04/02), a partir das 09:00, ocorrerão grupos de trabalho com os seguintes temas:

– Reformas democráticas do Estado e da sociedade brasileira
– Direito à saúde com ampliação do acesso e atendimento de qualidade
– Financiamento adequado do SUS
– Valorização do Trabalho e Educação em Saúde, Ciência, Tecnologia e Inovação no SUS
– Fortalecimento da participação e controle social na saúde

>>Para se inscrever no Seminário “Educação, Saúde e Desenvolvimento: A juventude por mudança na Saúde do Brasil para cuidar bem das pessoas”, clique aqui!

Da redação

Matérias relacionadas:

23/12/2014 – ANPG promove Seminário sobre Internacionalização na 9ª Bienal da UNE

11/12/2014 – ANPG na 9ª Bienal da UNE

Faixa

Confira as atividades que a Associação Nacional de Pós-Graduandos realizará na Bienal da UNE

Durante os dias 1 a 6 de fevereiro, acontecerá, na cidade do Rio de janeiro, a 9ª Bienal de cultura e Arte da União Nacional dos Estudantes. A Bienal da UNE, que será realizada na Lapa, Circo Voador e Fundição Progresso, é o maior festival juvenil do Brasil e recebe, em média, 15 mil estudantes, oriundos de todos os estados brasileiros. O tema desse ano será “Vozes do Brasil”, relacionado com a Língua e a Linguagem.

Durante a Bienal, a ANPG, entidade irmã da UNE, irá coordenar três atividades de fundamental importância para o evento e para o Movimento Nacional de Pós-Graduandos:

Mostra de Ciência e Tecnologia

A entidade representativa dos pós-graduandos coordenará a Mostra Científica da Bienal. Além dos trabalhos artísticos, a Bienal é, também, um espaço para a discussão e apresentação da ciência. A Mostra de Ciência e Tecnologia conta com ISBN conferido pela Biblioteca Nacional e é um importante espaço de divulgação científica.

Leia mais sobre a Mostra de C&T:

07/01/2015 – Prorrogado o prazo para inscrição na Mostra Científica da Bienal da UNE
23/12/2014 – Confira a errata do edital da Mostra de Ciência e Tecnologia da 9ª Bienal da UNE

 

Seminários

Além da Mostra, a ANPG organizará dois seminários sobre temas candentes para a Pós-Graduação Brasileira. Com a programação ainda a ser concluída, dada a agenda dos palestrantes, a entidade promoverá o seminário “Internacionalização da Ciência Brasileira: Realidades e Desafios”. O tema da internacionalização é presente nas principais Universidades brasileiras e foi fortemente impulsionado pelo Programa “Ciências Sem Fronteiras”. Entretanto, qual tem sido o rumo e a prática dessa internacionalização? Esse seminário pretende debater os caminho para o avanço da Ciência brasileira na relação com outros países, do Norte e do Sul.

>>Leia mais sobre o seminário “Internacionalização da Ciência Brasileira: Realidades e Desafios”

>> Faça sua inscrição no Seminário “Internacionalização da Ciência Brasileira: Realidades e Desafios”

A entidade realizará, também, o Seminário “Educação, Saúde e Desenvolvimento: A juventude por mudança na Saúde do Brasil para cuidar bem das pessoas”, dando sequência às atividades do Fórum de Saúde da ANPG. Esse seminário pretende debater um dos temas mais centrais na preocupação do povo brasileiro, que é a qualidade dos serviço público de saúde.

“Como é possível perceber, o esforço da ANPG é organizar eventos de interesse direto no cotidiano do pós-graduando e que dialoguem com o projeto de uma Universidade Pública e de qualidade. E tudo isso para que o pós-graduando e a pós-graduanda de qualquer lugar do Brasil possa participar e se tornar multiplicador desse Movimento que cresce numericamente e que quer crescer com qualidade, para poder influir realmente nos rumos de nosso país”, diz Tamara Naiz, presidenya da ANPG.

>>Leia mais sobre o seminário “Educação, Saúde e Desenvolvimento: A juventude por mudança na Saúde do Brasil para cuidar bem das pessoas”

>> Faça sua inscrição no Seminário “Educação, saúde e desenvolvimento: A juventude por mudanças na saúde do Brasil”

Da redação

Reunião MEC 2 Reunião MEC

A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, e a secretária da entidade, Hercília melo, foram recebidas ontem (15) numa audiência na secretaria executiva do Ministério da Educação. O secretário executivo do MEC, Luiz Cláudio Costa, o presidente da Capes, Jorge Guimarães, e Denise Neddermeyer, diretora de Relações Internacionais da coordenação, estiveram presentes.

O primeiro ponto tratado na reunião foi a questão dos cortes no setor educacional. Em defesa de investimentos públicos para o setor, a ANPG apresentou preocupações com as últimas declarações do Ministro da Fazenda, inclusive no tocante as ações da CAPES com a redução de recursos. Segundo o secretário executivo, não houve cortes para o setor educacional na medida em que o orçamento não foi aprovado. Ele assegurou que ações estratégicas para a educação superior e educação básica estão preservadas, como merenda, transporte, bolsa, etc. 78% dos recursos da CAPES são com bolsas e segundo a presidenta da ANPG, foi dito que o combate de corte no orçamento para a educação será reapresentada à presidenta Dilma.

Em seguida, a ANPG lamentou o atraso das bolsas que ocorrem desde dezembro. A ANPG reiterou a necessidade de cumprimento do 5º dia útil para pagamento das bolsas, considerando os compromissos de vida e pesquisa que cada pós-graduando têm. A secretária geral apresentou os relatos que a ANPG tem recebido após o último dia 13, demostrando situações que ainda estão afetadas com o atraso. Pós-graduandos e diretores de bolsas das universidades têm contactado a ANPG sobre a permanência de atrasos, como o doutorado sanduiche no exterior (como nos USA), doutorado no país (como na UFPE), taxas de custeio do PNPD institucional e mestrado profissional (como Letras do Ceará).

O MEC e a CAPES se comprometeram a garantir o pagamento das bolsas de pesquisas referentes à janeiro (pagas em fevereiro) até o 5º dia útil, sem atrasos como ocorrido recentemente.

A CAPES aponta que não houveram atrasos de bolsas de pós-graduandos contando 60 dias e solicitou o encaminhamento da ANPG de todo caso que chegar a conhecimento da entidade para solução. A CAPES não apresentou conhecimento dos casos de bolsas de pós-graduandos sem pagamento apresentados na reunião, comprometendo-se a ANPG a encaminhar todas as situações que possam ser recebidas. Segundo a CAPES está assegurada a taxa de custeio do PNPD, contudo com prazo de liberação ainda a ser definido.

Em seguida, a presidenta da ANPG apresentou ao secretário o diálogo que havia sido estabelecido com a ANPG para a inclusão dos pós-graduandos no PNAES. A ANPG participou da comissão na Sesu em 2012 que avaliou o processo de expansão das universidades e a implantação das políticas de assistência estudantil defendendo o princípio de igualdade de condições de permanência e conclusão de curso também para o pós-graduando, obtendo acolhimento favorável pelos ministros anteriores, Paim e Mercadante, contudo sem execução de medidas garantidoras. As diretoras reiteraram que há iniciativas institucionais que contemplam os pós-graduandos nas ações de assistência estudantis. Infelizmente, na maioria das realidades,” o tripé histórico de assistência estudantil, moradia, transporte e alimentação não absorve este segmento estudantil, que pode não ter deixado a situação de vulnerabilidade enfrentada na graduação, disse a presidenta”.

O reajuste permanente das bolsas e sua universalização possibilitariam melhores condições de vida e pesquisa. “Na UFPE temos levantamentos da demanda reprimida de pós-graduandos sem bolsa e vínculo empregatício e não podemos concorrer à moradia e nem a bolsas de permanência”, ressalta a secretária. O congelamento e a defasagem histórica no valor das bolsas, os vetos à acumulação de bolsa com vínculo empregatício e dificuldades de financiamento para a pesquisa só reforçam que os valores das bolsas precisam ser reajustados. A valorização da ciência e do pesquisador se faz realidade com a destinação de direitos, o documento elaborado no 24º Congresso Nacional de Pós-Graduandos aponta caminhos que podem ser efetivados.

Em resposta, o secretário se comprometeu à criação de um grupo de trabalho para analisar as atuais condições da pós-graduação brasileira, avaliando necessidades de assistência estudantil e outras medidas de inclusão social, mecanismos que garantam mais direitos para os pós-graduandos, inclusive que possa apontar para o governo federal e universidades as necessidades de disputa da matriz orçamentária Andifes para a pós-graduação. “A assistência estudantil e melhores condições de pesquisa só serão garantidas com o engajamento das universidades, chamar a ANDIFES e os pró-reitores para compor esta comissão é fundamental”, declara a presidenta, Tamara Naiz.

O impacto do reajuste das bolsas, sua universalização, o perfil socioeconômico dos pós-graduandos brasileiros, mudanças no decreto do PNAES e a atual normativa de acumulação de bolsa com vínculo empregatício também serão questões tratadas no grupo de trabalho, que terá a participação da ANPG, Andifes, CAPES, Forprop e com convite a ser feito ao CNPq. A comissão terá tempo determinado para seu trabalho, contribuindo nas perspectivas e avaliação dos pleitos que a ANPG apresenta pelo governo federal, destacou o secretário.

“Queremos ter resultados profícuos da comissão sendo entregues aos Ministros da Educação e Ciência e Tecnologia. Queremos que o governo apresente ao conjunto de pós-graduandos de todo Brasil seus compromissos”, disse a secretária.

Diante do debate acerca de vulnerabilidades socioeconômicas e democratização do ensino superior e da pós-graduação, a ANPG pleiteou participar da comissão do MEC coordenada pela CAPES para discutir políticas de inclusão e acesso à minorias sociais no mestrado e doutorado. A CAPES que coordena a comissão e o secretário executivo do MEC garantiram a participação da ANPG junto aos demais representantes da comissão: um representante da Capes; um representante da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secadi/MEC); um representante da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Sepir-PR); um representante da Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro); um representante da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN); um representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC); e um representante da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

A ANPG destaca a caravana a Brasília que está sendo convocada pela ANPG e a atual campanha por mais direitos aos pós-graduandos. Temos reunidos apoiadores institucionais e fortalecido nossas bandeiras junto ao movimento de pós-graduandos. Os pós-graduandos estão mobilizados por mais direitos e organizando atividades em suas universidades. Pelo nosso papel no desenvolvimento do país e melhoria na vida das pessoas, lutamos pela ampliação de direitos”, disse a presidenta.

“Fazer pesquisa no Brasil é um desafio. Os direitos que a ANPG apresenta para os pós-graduandos toca todo pesquisador”, ressalta o presidente da CAPES.

Da redação

Desde dezembro, muitos pós-graduandos têm entrado em contato com a ANPG, relatando o atraso no pagamento de suas bolsas de pesquisa. A maioria dos bolsistas que procurou a entidade recebe o auxílio da CAPES, que publicou nota na sexta-feira (9), informando que a ordem de pagamento havia sido emitida naquele mesmo dia e que levaria cerca de 48 horas para a compensação bancária. Grande parte desses bolsistas nos informaram que, conforme previsto, a bolsa já foi paga.

No entanto, houve uma outra parcela de bolsistas, que recebem o auxílio de agências de fomento estaduais (as FAPs), que procurou a ANPG para denunciar o atraso no pagamento de suas bolsas. Quatro foram as FAPs denunciada por eles: a FAPEAM, de Amazonas, FAPERGS, do Rio Grande do Sul, FAPESC, de Santa Catarina, e a FAPEMIG, de Minas Gerais.

“No que concerne ao atraso nas bolsas de agências de fomento à pesquisa à nível estadual, diretores da entidade têm pressionado por sua resolução. Reuniões para apoio institucional das universidades estão sendo feitas, assim como solicitação de esclarecimentos das fundações locais”, explicou Hercília Melo, secretária geral da ANPG.

A Associação representativa dos pós-graduandos entrou em contato com as Fundações de Apoio à Pesquisa citadas para obter um posicionamento. A assessoria de imprensa da FAPEAM informou que a previsão de pagamento da bolsa de dezembro será hoje (15) até o final do dia. Já a assessoria da FAPERGS disse que a CAPES havia feito um anúncio informando que as bolsas seriam pagas até o final desta semana. Segundo a FAPESC, a CAPES comunicou a eles que pagaria as bolsas ontem (14), mas não obtiveram uma resposta oficial da agência.

A FAPEMIG mandou a seguinte nota: “Primeiro, é preciso ressaltar que o problema com o não pagamento de bolsas pela FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) esteve concentrado na UFMG, nosso maior cliente no Estado de Minas Gerais. Nos últimos meses de 2014, a Fundação não recebeu os repasses normais de recursos do governo, o que se refletiu no não pagamento das mensalidades de dezembro. A FAPEMIG negociou uma solução e já realizou o pagamento dessas bolsas – o repasse para a instituição gestora, a Fundep, foi feito no dia 13 de janeiro, última sexta-feira. A Fundep irá, agora, realizar o depósito para cada bolsista. De acordo com a gestora, aqueles que têm conta no Banco do Brasil receberam hoje, dia 15/1. Para os demais, a mensalidade cairá amanhã, dia 16/1. Assim, não há mais nenhuma pendência para o mês de dezembro”.

A ANPG continua solicitando que os pós-graduandos que não receberam suas bolsas continuem enviando relatos para o email [email protected].

Da redação

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Cerca de 100 estudantes de pós-graduação da Fiocruz protestaram na última terça-feira (13), em frente ao Castelo Mourisco, em Manguinhos, contra os atrasos no pagamento da bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes).

A Capes havia informado à Fundação e por meio de sua página na Internet que o pagamento foi feito na sexta-feira (9/1) e seria creditado dentro dos prazos de compensação bancária, mas muitos bolsistas não haviam recebido até segunda-feira (12/1). No dia seguinte, a maior parte das bolsas já havia sido repassada, mas a Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz (APG Fiocruz) informa que ainda há casos pontuais de pesquisadores que não receberam.

Durante a manifestação, os estudantes de pós-graduação da Fiocruz leram uma carta de repúdio à falta de justificativas da Capes para o atraso e reivindicaram reajuste para as bolsas. “A bolsa é a única fonte de renda dos alunos, que têm dedicação exclusiva. O atraso tem um impacto direto na vida de todos nós pesquisadores”, afirmou Maria Fantinatti, uma das coordenadoras da APG Fiocruz.

O ato dos alunos foi acompanhado de perto pelo vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz, Pedro Barbosa, e pelo coordenador adjunto de Pós-Graduação da Fiocruz, Milton Moraes.

Ambos manifestaram sua solidariedade aos estudantes da Fiocruz e ressaltaram a importância dos pós-graduandos para a instituição e para a pesquisa científica no Brasil. Atualmente, a Fundação tem aproximadamente 500 bolsistas da Capes nos níveis de mestrado, doutorado e pós-doc.

“Nós estamos acompanhando de perto a situação dos nossos bolsistas. Eles têm um papel essencial na Fiocruz, que como instituição científica de ponta acredita e investe na formação de alta qualificação de seus pesquisadores”, afirmou o vice-presidente Pedro Barbosa.

O diretor da Asfoc, Alcimar Batista, também esteve presente ao evento e manifestou seu apoio à reinvindicação dos alunos.

Da redação com informações da APG-Fiocruz

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13/01/2015 – Bolsistas da Capes receberam hoje valores atrasados

Na última quinta-feira, o MEC entrou em contato com a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) para justificar o atraso nas bolsas de pesquisa concedida pela CAPES e expressar oficialmente um pedido de desculpas ao coletivo de pós-graduandos pelo transtorno causado (Leia mais aqui). A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, na oportunidade pressionou que o governo federal apontasse prazos para a resolução da situação e destacou que o diálogo deve ser no sentido da valorização dos pesquisadores brasileiros.

A CAPES publicou nota oficial na última sexta-feira (9), entrando em contato com a ANPG em resposta à última carta endereçada e manifestações ocorridas por todo Brasil face ao atraso nas bolsas que comprometiam as pesquisas e necessidades diárias de cada pesquisador. (Leia a carta aqui). O secretário executivo do MEC, Luiz Cláudio Costa, disse à presidenta que receberia a entidade esta semana, confirmando reunião para a data de amanhã (15).

A ANPG apresentará, na ocasião, os casos de bolsistas que ainda não receberam o pagamento do auxílio, mostrará sua insatisfação com o ocorrido, inclusive ressaltando que no próximo mês de fevereiro os pós-graduandos não podem ser novamente desrespeitados.

O corte no orçamento para a educação também será um ponto a ser abordado, na medida em que a ANPG repudia esse corte no financiamento público, entendendo que destinar verbas para a educação não é gasto, mas investimento. O repúdio ao corte de verbas para educação e a necessidade de disputar o orçamento para investir mais na educação permanente será ressaltado pelos diretores presentes, inclusive reiterando a importância do atual governo apontar medidas que garantam melhores condições de pesquisa.

O Documento de Direitos e Deveres dos Pós-Graduandos, aprovado no último Congresso da ANPG (24º CNPG), será discutido, levando à tona o atual congelamento de reajuste nos valores das bolsas, após sua última concessão no ano de 2013. Uma data-base para o pagamento das bolsas faz-se necessário, considerando que ressarcimentos de gastos excedentes com juros e multas exigem ações judiciais de indenização.

Ainda há casos de universidades com demanda reprimida de pós-graduandos sem concessão de bolsa de pesquisa ou que são impedidos de trabalhar para seu sustento para a não acumulação com a bolsa de pesquisa. A ANPG ainda abordará a rediscussão da normativa da acumulação de bolsa e vínculo empregatício, além de lutar pela seguridade do tempo de serviço dedicado à pesquisa, entre outros direitos presentes no documento de Direitos.

A pauta da inclusão dos pós-graduandos no Plano Nacional de Assistência Estudantil também será retomada. A ANPG havia recebido sinalizações favoráveis da SESU e do ex-ministro da Educação, José Henrique Paim, no atendimento dos pós-graduandos no que diz respeito à assistência estudantil no país. O então ministro Paim havia dito que o MEC iria estudar a melhor forma de realizar isso, se por meio de uma portaria ou de outra forma. (Leia a matéria na íntegra)

Apesar da CAPES informar que o pagamento das bolsas de estudo relativo ao mês de dezembro foi realizado no dia 09/01 e que os valores serão creditados nas contas dos bolsistas dentro dos prazos de compensação bancária, temos recebido casos de pós-graduandos que não receberam a bolsa na data de hoje (14). “Temos pressionado e encaminhado os casos para a CAPES se pronunciar. A ANPG se comprometeu a entregar na reunião de amanhã com o MEC todos os casos que a ANPG tenha recebido, referente a dezembro e janeiro”, comentou Hercília Melo, secretária geral da ANPG.””Solicitamos mais uma vez que os pós-graduandos continuem encaminhando seus relatos, para que peçamos ao MEC que se posicione à respeito”, acrescentou.

 A ANPG apresentou na carta à CAPES a realidade vivida pelos pós-graduandos, reforçando que a bolsa ofertada hoje tem valor insuficiente às necessidades de pesquisa e vida,  e pediu posicionamento. (Leia na íntegra a carta)

A direção executiva da ANPG, como dito nos informes da entidade, esteve reunida ontem (13) reavaliando a situação do atraso das bolsas, apontando a realização de ato durante a 9ª Bienal da UNE que será realizada de 1 a 6 de janeiro, com a previsão da presença da presidenta Dilma e ministros.

Durante a reunião, foi discutido pelo diretores da ANPG a importância do envolvimento das Associações de Pós-Graduandos (APGs) e de cada pós-graduando que organiza atividades neste evento, que mostre sua indignação nos seus espaços de comunicação e que contribui na reunião de apoiadores. Diretores da ANPG têm participado dos atos e convocado manifestações e reuniões, o que reforça o quanto a ANPG está comprometida com os direitos dos pós-graduandos. “Enquanto tiver um pós-graduando sem bolsa de pesquisa, estaremos pressionando”, disse Hercilia Melo, Secretária Geral da ANPG.

No que concerne ao atraso nas bolsas de agências de fomento à pesquisa à nível estadual, diretores da entidade tem pressionado por sua resolução. Reuniões para apoio institucional das universidades estão sendo feitas e solicitação de esclarecimentos das fundações locais.

A ANPG continua solicitando que os pós-graduandos que não receberam suas bolsas continuem enviando relatos para o email [email protected].

Muitos pós-graduandos enviaram a situação vivenciada com o atraso das bolsas com pagamento esperado para janeiro, contribuindo na construção das ações constitucionais que estavam sendo movidas. Mesmo que sejam casos pontuais como alega canais de comunicação da CAPES, a entidade representativa dos pós-graduandos brasileiros estará lutando para o cumprimento do pagamento. “Precisamos dessas demonstrações de problemas vivenciados ainda na data de hoje”, disse Hercília. “Nos comprometemos a solicitar posição na reunião de amanhã ou avaliar novas ações”, complementa.

Da redação

Os estudantes de pós-graduação com bolsas atrasadas tiveram os valores depositados hoje (13) na conta. São bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), de mestrado e doutorado, que recebem, respectivamente, R$ 1,5 mil e R$ 2,2 mil.

Segundo a presidenta da Associação Nacional dos Pós-Graduandos, Tamara Naiz, alguns bolsistas estavam sem receber desde dezembro.

Cerca de 38 mil mestrandos e doutorandos recebem bolsas para fazer pesquisas. Os alunos bolsistas devem se dedicar integralmente às atividades acadêmicas, ficando proibidos de ter vínculos empregatícios.

Segundo a Agência Fiocruz de Notícias, nem todos os bolsistas receberam os valores. Cerca de 50 estudantes protestaram contra o atraso em frente ao Castelo Mourinhos, em Manguinhos, na tarde de hoje.

Segundo a Capes, o valor de todas as bolsas foi depositado, mas devido a trâmites bancários, o dia que o dinheiro cai da conta varia de acordo com o banco indicado pelo pesquisador para o depósito.

*Alterada às 17h15 para acréscimo de informações

Fonte: Agência Brasil

Hoje (9), a CAPES publicou em seu site um comunicado sobre o Pagamento das bolsas de estudos concedida pela agência:

“A CAPES informa que o pagamento das bolsas de estudo relativo ao mês de dezembro foi realizado hoje (09/01) e que os valores serão creditados nas contas dos bolsistas dentro dos prazos de compensação bancária.”

Pagamento das Bolsas - CAPES

O comunicado foi publicado depois que milhares de pós-graduandos se manifestaram nas redes sociais com a hashtag #CadeMinhaBolsa, em protesto virtual convocado pela ANPG, na noite de ontem. A entidade segue acompanhando a situação dos atrasos das bolsas.

Da redação

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A ANPG buscou justificativas junto ao MEC para os atrasos e, em resposta, o secretário executivo do MEC, Luiz Cláudio Costa, entrou em contato com a presidenta da ANPG, Tamara Naiz, na noite desta quinta-feira (8), para justificar o atraso nas bolsas de pesquisa concedida pela CAPES e expressar oficialmente um pedido de desculpas aos pós-graduandos pelo transtorno causado pelo ocorrido.

O secretário informou que o atraso se deu por conta conta de complicações com o fluxo orçamentário do Tesouro, que se encontrava parado até hoje (8). Costa informou à presidenta da ANPG que os pagamentos das bolsas de pesquisa serão normalizados em breve.

Ao ser indagado sobre um prazo para que todos os pagamentos sejam efetuados, este não soube precisar uma data, mas disse que o Ministério da Educação está se empenhando para que isso aconteça o quanto antes.

“Informamos ao secretário nossos esforços em obter um posicionamento quanto ao atraso das bolsas junto a CAPES e a necessidade de um maior diálogo”, informou Tamara.

Desde dezembro, quando a ANPG começou a receber massivamente reclamações dos pós-graduandos sobre o atraso das bolsas, a Associação tenta se reunir com o MEC para ter um posicionamento deles sobre a situação das bolsas e também para discutir sobre mais direitos para os pós-graduandos e pós-graduandas, como a assistência estudantil. O secretário aceitou se reunir com a presidenta da ANPG na próxima semana.

Da redação

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