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Natasha Ramos

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Lennon Corezomaé, do povo Umutina, foi aprovado no processo seletivo 2015 para o Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação

O estudante Lennon Ferreira Corezomaé será o primeiro pós-graduando indígena a cursar Mestrado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Lennon também foi o primeiro indígena a concluir o curso de Licenciatura em Educação Física na Universidade, em 2014, com desempenho acadêmico exemplar, e ao final do mesmo ano, foi aprovado no processo seletivo 2015 para o Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), na linha de pesquisa Práticas Sociais e Processos Educativos.

Abrindo as portas para o povo indígena na pós-graduação da UFSCar, Lennon desenvolverá nos próximos anos a pesquisa “Escola Indígena: compreendendo os processos educativos relacionados à afirmação da identidade Umutina”, que tem como objetivo compreender, a partir do olhar do seu povo, os Umutina, o papel da Escola Indígena Jula Paré na formação e valorização de sua identidade.

Para Lennon, a valorização da identidade do seu povo transmitida pela escola indígena é de grande importância. O agora educador físico conta que estudou em escolas não indígenas, onde algumas vezes foi discriminado por outras pessoas. “Quando se estuda na aldeia não tem isso. A gente se respeita, pode andar tradicionalmente, pode falar nosso idioma, fazer nossos rituais e ninguém discrimina a gente. É desse modo que a escola indígena nos fortalece”.

A metodologia da dissertação de Lennon terá como base a História Oral, a qual permite que minorias culturais e discriminadas, tais como indígenas, homossexuais e negros, dentre outros, encontrem espaço para validar suas experiências. Segundo o indígena, a academia é um espaço essencial para a discussão sobre as minorias, mas também há um problema, já que essa discussão geralmente não sai do âmbito acadêmico. “É importante abordar esses assuntos, pois é um momento de reconhecimento e de luta pelos nossos direitos. Temos que trazer as minorias para esse espaço”.

A conquista de Lennon evidencia mais uma vez a importância das políticas de ações afirmativas no Ensino Superior, contribuindo para que indígenas e não-indígenas aprendam uns com os outros, primando pela interação cultural e pela troca de saberes e de conhecimentos. Segundo Lennon, as ações afirmativas também são importantes para que as pessoas possam conhecer de fato o povo indígena.

“O que geralmente as pessoas conhecem é o que se passa na televisão ou o que aprendem na escola, que é superficial. Para muitos, o indígena é um selvagem que não trabalha, diferente do que a gente mostra quando chega aqui. Quando eles realmente conhecem um indígena brasileiro, o que nós fazemos, nossas lutas, nossas conquistas e nossas dificuldades, diminui um pouco o preconceito. Espero que as experiências diversas pelas quais eu passei me ajudem a trabalhar na questão indígena e ajudar meu povo e todos os povos indígenas que eu puder”, conclui Lennon.

Fonte: UFSCar

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Fotos: Eduado Paulanti

A nona edição da Bienal de Arte e Cultura da UNE se encerrou na tarde da última sexta-feira (6) com milhares de estudantes unidos na orla do Rio de Janeiro para a Culturata, uma grande passeata em defesa das bandeiras do movimento estudantil. A manifestação, em clima de carnaval, contou ainda com o bloco da ANPG, “Tomara que Caia”, composto pelos diretores da entidade e diversos pós-graduandos de várias partes do Brasil.

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A concentração teve início por volta das 16h, quando jovens de todos os cantos do país se reuniram no posto 9, em Ipanema, e juntos marcharam e cantaram até o Arpoador para celebrar os seis dias de encontros e trocas do maior festival estudantil da América Latina.

O ato começou sob forte chuva, e os estudantes predominaram na orla do Rio. A Polícia Militar chegou a tentar impedir a caminhada, mas ao final venceram a energia e a vontade da estudantada.

“Este evento, em especial, o seminário de Internacionalização [realizado pela ANPG durante a 9a Bienal da UNE], foi importante para percebermos que em todos os cantos do Brasil os pós- graduandos estão questionando um processo de internacionalização da ciência que não tem direção, não tem objetivo claro e que, por isso, acaba por desviar a ciência brasileira de seu propósito: o de propor soluções para os problemas do nosso povo. O sequestro da agenda de pesquisa e a debandada de cérebros estão entre os resultados desta internacionalização a todo custo”, diz Mariana Moura, da APG USP-Capital.

De megafone na mão, a presidenta da UNE, Vic Barros, puxou os gritos por um “Brasil de paz e sem violência”, e celebrou a “maior Bienal da história da UNE”. Vic também fez ecoar o canto pela reforma política, pela democratização da mídia, pela reforma universitária e por uma política econômica democrática.

“Aproveitamos esta manifestaçao cultural para levar para as ruas as bandeiras da Campanha por Mais Direitos para os Pós-Graduandos e as Pós-Graduandas, em especial a de valorização das bolsas de pesquisa, que sofreram atraso nos meses de dezembro e janeiro e estao com seus valores defasados. Além dessa pauta, defendemos também a universalização e um mecanismo de reajuste anual do valor, pois acreditamos que a bolsa de pesquisa nao é só um direito do pós-graduando, mas uma necessidade para um país que precisa investir muito mais em Ciência e Tecnologia”, diz Tamara Naiz, presidenta da ANPG.

Ao final, sob os tambores do Rio Maracatu, os estudantes tomaram a pedra do Arpoador e hastearam as bandeiras do movimento estudantil, gravando na história e na memória de todos a passagem de um encontro mais do que especial.

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Da redação com informações da UNE

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“Internacionalização deve ser um processo de solidariedade e integração entre nossos povos”, afirmou Ricardo Guardia Lugo, presidente da OCLAE, durante Seminário de Internacionalização

Fotos: Eduardo Paulanti

A ANPG realizou a última mesa do Seminário “A Internacionalização da Ciência Brasileira: Realidade e Desafios”, na manhã desta quinta-feira (05), durante a 9ª Bienal da UNE. A discussão, que teve como tema “Integração, internacionalização e mobilidade científica e acadêmica na educação superior”, contou com a participação de Álvaro Maglia, secretário executivo da Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM), Ricardo Guardia Lugo, presidente da Organización Continental Latinoamericana y Caribeña de Estudiantes (OCLAE), Mário Luiz Neves de Azevedo, Membro do Comitê Científico da ANPEd e Professor Associado da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e Andrea Latge, representante da Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Última mesa do nosso seminário, o objetivo desse debate é discutir o aspecto mais educacional dessa internacionalização”, introduz ao tema a presidenta da ANPG, Tamara Naiz. “A mesa pretende promover uma discussão de relevância da Internacionalização da ciência brasileira no aspecto da educação”, complementa.

Em seguida, tomou a palavra Mario Luis, que iniciou sua fala dizendo que internacionalização da educação superior é circulação de ideias, compartilhamento de culturas. “Internacionalização pode gerar integração sim”, diz. Em seguida, ele atenta para o que chama de capitalismo acadêmico. Ele citou o acordo geral sobre comércio de serviços da OMC, de 1995, que diz que o campo do serviço deve ser desregulamentado. De acordo com esse acordo, a educação deve ser pensada como um serviço transnacional, ou seja, que não é limitado pelas fronteiras. Isso contribuiu para o aumento na oferta de vagas das instituições de ensino superior privadas. “Atualmente, 74% das matrículas no Brasil são em instituições privadas”, comenta.

Segundo ele, são 4 milhões de estudantes que estão em algum país que não o seu de origem. No entanto, desse número, apenas 30.000 desses alunos são brasileiros. “Um número muito pequeno”, diz. O professor explicou ainda que os países que primeiro recebem os estudantes tupiniquins são: Estados Unidos, Portugal, França, Alemanha e Espanha.

Para finalizar sua fala, ele comentou sobre os “mitos da internacionalização”. Um dos exemplos citados foi o mito de que estudantes estrangeiros no campus são os agentes desse processo. “São, mas se eles ficarem no gueto não é internacionalização, é preciso interculturalidade”, diz. Outro mito é o de que reputação e rankings são fiadores da internacionalização. “É mito, porque você constrói esses dados”, explica.

Regionalização

O uruguaio Álvaro Maglia inicia sua fala, afirmando que internacionalização não é apenas movimentar pessoas, tem que haver um objetivo político claro. “Se não tivermos esse objetivo claro, estamos entregando nosso patrimônio de conhecimento de nossa gente de graça para os países desenvolvidos”, afirma.

Nesse sentido, ele diz, interessa para nós falar de pelo menos um conceito: a regionalização. “Nós da AUGM, utilizamos esse termo para dizer que é necessário criar um projeto político regional, que significa que nossos acadêmicos e científicos possam gerar um conhecimento autônomo adequado para o contexto dos nossos países da América Latina e Caribe. Esse conhecimento tem que estar a serviço do bem-estar e desenvolvimento dos nossos povos”, afirma.

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A regionalização é uma proposta da AUGM, organização fundada em 1991, que propõe uma aliança entre as universidades latino-americanas e caribenhas, dentre as quais, 11 são brasileiras (8 federais e 3 estaduais).

“A primeira grande atividade da AUGM foi a 1ª Conferencia Regional Latino-Americana e Caribenha realizada em Havana (Cuba), em 1996, na qual participaram conselhos de reitores de todo o continente, além dos acadêmicos das universidades que compõem a AUGM. As conclusões desse evento foram importantes para definir as proposta da Conferencia Mundial da Educação Superior, em Paris, realizada pela UNESCO, em 1998. Isso contribuiu para que, nessa conferência, fosse definido que a educação superior é um bem público e social que é dever dos Estados [contradizendo o acordo da OMC, de 1995]”, explica Maglia.

Posteriormente, em Conferência Regional em Cartagena de Índias, na Colombia, 2008, foi estabelecido elementos para um plano de ação, dentre eles, a internacionalização, entendida como regionalização. Isso teria como objetivo promover um melhor desenvolvimento da academia e da ciência. “Esse primeiro plano de ação tem com tarefa a criação de um espaço de Ciência e Tecnologia regional da América Latina, com a missão de derrubar um conjunto de obstáculos políticos, que sabemos que existem”, explica.

Todas essas ações fizeram com que a UNESCO reconhecesse o protagonismo da AUGM e concedesse ao grupo uma sede em Montevideo. Essas contribuições se fundamentam a partir da melhor qualidade de formação dos profissionais acadêmicos latino-americanos, significando ter programas de pós-graduação muito fortes, com boa qualidade.

Internacionalização: solidariedade e integração

“Internacionalização deve ser um processo de solidariedade e integração entre nossos povos”, afirmou Ricardo Guardia Lugo, da OCLAE, que assumiu a fala na sequência de Maglia. O cubano afirmou ainda que é preciso uma mobilidade que responda aos interesses da América Latina e de nossos povos.

A OCLAE foi criada em 1986 para apoiar as organizações estudantis de educação superior. A entidade, desde o começo, se caracterizou como uma organização anti-imperialista, que tem um importante papel histórico na América Latina e Caribe.

“Nós, da OCLAE, consideramos que a mobilidade e a internacionalização são processos que tem grande importância. Esses não são conceitos que refutamos, mas devemos encará-los de outra forma. O processo de internacionalização tem que ser um processo de solidariedade e unidade dos países da América Latina. Defendemos um olhar regional e intra-regional de interação dessas universidades”, diz Lugo, concordando com o que havia dito Álvaro Maglia. “Por outro lado, devemos cuidar para que a mobilidade não vire um instrumento das perspectivas neoliberais”, acrescenta.

“Consideramos que a internacionalização e a mobilidade acadêmica devem servir para formar novas perspectivas, por exemplo, nas Engenharias, Humanidades, Energia. Seria maravilhoso se um estudante brasileiro estudasse no Chile e ao mesmo tempo tivesse um professor cubano que transmitisse o desenvolvimento científico da América Central. Ele depois voltaria para seu país e teria a síntese dessa rica experiência latino-americana para contribuir em sua área”, exemplifica. “Tudo que eu falei não é uma simples utopia, é possível fazer, de fato”, acrescenta.

Ele cita ainda a experiência em Cuba, e como esse exemplo deveria ir para outros países. “O enfoque das escolas da Medicina de Cuba é preventivo e comunitário, é desenvolvida para tratar os pobres. A educação em nosso continente deve ser por e para os latino-americanos. Tudo isso deve ser parte do sonho e para a luta por uma segunda independência de nossos povos”, finaliza.

Andrea Latge, representando o vice-reitor da UFF, compartilhou com os presentes as experiências que ela observa na universidade, a partir do programa na área de Física em que atua. “Temos feitos muitos acordos bilaterais, convênios… Temos conseguido trazer diversos estudantes e também nossos alunos tem tido a oportunidade de ir estudar em outros países. Acho o Ciência sem Fronteiras uma excelente iniciativa, mas ele precisa saber para onde está indo; esse processo tem que ser um ganho tanto para o aluno quanto para a universidade brasileira”, diz

Em sua curta apresentação, ela comenta ainda o fato de a internacionalização ainda ter menos oportunidades na área de Humanas, “pois a pesquisa na áreas duras, de exatas, são ciências mais universais, do que por exemplo a área de educação, de historia”, comenta.

“Defesa da Alegria”

Após as intervenções dos palestrantes, os pós-graduandos abordaram temas diversos relacionados à mesa. Gabriel Nascimento, da UnB, salientou a necessidade de se haver uma contrapartida para o estudante, para que este, ao voltar de seu intercâmbio, empregue o conhecimento adquirido para o desenvolvimento do Brasil. Já Cristiano Junta, da UFRS, questionou os critérios produtivistas da mobilidade acadêmica. Phillipe Pessoa, da USP, por outro lado, atentou para a importância de se fazer ciência dentro de uma diversidade científica, mesmo dentro das ciências duras.

Finalizando as intervenções, Tamara assume a palavra, retomando duas dimensões abordadas pelos palestrantes durante a discussão: a educação como bem público ou como um serviço. “Como um bem público, [a educação] é direito das pessoas, é dever do Estado, importante para o desenvolvimento do país”, afirma. “Educação como serviço, comércio, transforma as universidades em empresas privadas, que seguem a lógica do mercado”.

Ela encerra sua fala, com um poema do poeta uruguaio Mario Benedetti, “Defesa da Alegria”, em homenagem a Maglia, pois “a ciência deve estar a serviço da alegria de nossos povos”.

Por Natasha Ramos, do Rio de Janeiro

Por Mario Benedetti
Defender a alegria como uma trincheira
defendê-la do escândalo e da rotina
da miséria e dos miseráveis
das ausências transitórias
e das definitivas
defender a alegria por princípio
defendê-la do pasmo e dos pesadelos
assim dos neutrais e dos neutrões
das infâmias doces
e dos graves diagnósticos
defender a alegria como bandeira
defendê-la do raio e da melancolia
dos ingênuos e também dos canalhas
da retórica e das paragens cardíacas
das endemias e das academias
defender a alegria como um destino
defendê-la do fogo e dos bombeiros
dos suicidas e homicidas
do descanso e do cansaço
e da obrigação de estar alegre
defender a alegria como uma certeza
defendê-la do óxido e da ronha
da famigerada patina do tempo
do relento e do oportunismo
ou dos proxenetas do riso
defender a alegria como um direito
defendê-la de Deus e do Inverno
das maiúsculas e da morte
dos apelidos e dos lamentos
do azar
e também da alegria
 

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Fotos por Eduardo Paulanti

Na manhã desta quarta-feira (03), a ANPG realizou a mesa “Impactos sociais e econômicos da cooperações e do desenvolvimento científico e tecnológico no cenário internacional”, dando prosseguimento ao terceiro dia de debate do seminário “A Internacionalização da Ciência Brasileira: Realidade e Desafios”, durante a 9ª Bienal da UNE.

A mesa contou com a participação de Jerson Lima Silva, da Academia Brasileira de Ciência (ABC) e diretor científico da FAPERJ; Manuel Marcos Maciel Formiga, professor da UnB e chefe de assessoria de assuntos internacionais do MCTI; Ildeu de Castro, doutor em Física, professor da UFRJ e conselheiro da SBPC; e Omar Andrés Gomes Orduz, representante da Asociación Colombiana de Estudiantes Universitários (ACEU).

A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, mediadora da mesa, deu início ao debate, destacando os principais assuntos que seriam abordados durante a discussão: cooperação científica e tecnológica, desenvolvimento de tecnologia, transferência de tecnologia, patentes, concentração e popularização do conhecimento, o papel da tecnologia na promoção do bem estar e inovação social.

Em seguida, Jerson Silva tomou a palavra para discutir o papel das FAPs (Fundações de Amparo à Pesquisa) no processo de internacionalização, e o indicativo de crescimento nas publicações científicas ocorrido nos últimos anos. “Há uma correlação entre como a pós-graduação cresceu, principalmente, a partir da década de 90 com o crescimento das publicações”, aponta.

Segundo ele, o Brasil está na 14ª posição no ranking de publicações científicas. “No entanto, quando se olha para a qualidade dos papers publicados (esta pode ser medida pela quantidade de citações por artigo), o Brasil ainda está muito atrás, na 24ª posição”, comenta.

O diretor científico da FAPERJ disse ainda que “se por um lado conseguimos produzir muitos trabalhos em periódicos, por outro, a nossa produção de patentes internacionais ainda é um número muito pequeno”. Ele atenta ainda para o fato de que, apesar do crescimento da Economia nos últimos anos, se não deixarmos de ser uma economia baseada, apenas, em commodities, vamos estagnar.

“Como uma agência de fomento pode tentar contribuir para isso?”, Jerson questiona introduzindo a parte de sua fala em que ele se atem a falar da FAPERJ, usando-a como exemplos para falar também de outras FAPs.

A missão da FAPERJ, segundo o diretor científico da Fundação, é implementar e valorizar o sistema científico e tecnológico estadual, apoiando atividades em todas as áreas do conhecimento e setores de atividades profissionais, pesquisadores e empreendedores. Além disso, promover a interligação entre Ciência, Tecnologia e Inovação e a sociedade.“ Se a gente não apoiar a ciência básica a gente vai continuar copiando coisas que estão sendo feitas em países desenvolvidos”, diz.

Jerson também falou sobre como a FAPERJ atua, através de concessão de bolsas, e comentou as ações de internacionalização da agência: Doutorado sanduiche e doutorado sanduiche reverso (que traz pesquisadores de outros países); Pesquisador visitante; Ciência sem Fronteiras (em parceria com a CAPES e CNPq); e Cooperação com agências, institutos e universidades de outros países. “A FAPERJ atua tanto lado a lado com a academia, mas também ao lado das empresas, com ações para difusão e popularização da Ciência,Tecnologia e Inovação, por meio da publicação de diversos livros”, finaliza Jerson.

Armadilha da Renda Média e Cooperação Internacional

O professor Marcos Formiga introduziu sua fala, abordando uma pesquisa que ele participou há dois anos, a partir da qual foi possível estabelecer as seguintes manchetes: Hoje o mundo está mais rico, mais saudável, mais educado e mais pacífico. Vive-se mais e mais conectado. Por outro lado, segundo ele, hoje, é possível observar o aumento do preço dos alimentos, a diminuição das reservas de água, o aumento dos níveis de corrupção e crime organizado, a fragilidade do meio ambiente como suporte de vida, o aumento do endividamento dos países e insegurança econômica, agravamento das mudanças climáticas e ampliação do fosso entre ricos e pobres. “Como vocês podem ver, o Brasil apresenta vários desses problemas”, comenta.

Mas, “como o Brasil é visto de fora?”, questiona o professor que atenta para o fato de a indústria brasileira estar vivendo um momento muito difícil, um processo de desindustrialização, menos operária, que deixa de ser uma grande estrutura para se configurar em estruturas menores e complementares. “Essa é a terceira revolução industrial, chamada de manufatura digitalizada/aditiva”, explica ele.

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Segundo Formiga, o Brasil caiu na armadilha da renda média, ou seja, a pobreza está sendo superada, mas o país continua preso (não avança mais) por incapacidade institucional. “Nas últimas cinco décadas, o Brasil consolidou-se membro dos países de renda média (4000 a 125000 mil dólares por habitante)”, explica. “Agora é preciso achar novas fontes de ganhos de produtividade por meio de tecnologia e criação de novos empregos”, complementa.

Como saída para essa “armadilha”, ele aponta alguns exemplos: deixar de imitar e passar a inovar, abertura comercial, infra-estrutura tecnológica, educação superior, inovação e empreendedorismo e instituições sólidas. E completou que “não é possível desenvolver Ciência e Tecnologia hoje sem a tríplice universidade, governo e empresa”.

O professor da UnB ainda atenta para o fato de a globalização econômica ter vindo antes da globalização da ciência e da tecnologia. “Estamos vivendo, com todos esses paradoxos, a economia da abundância, baseada no conhecimento, que se renova constantemente, não se esgota e se multiplica”, diz.

No entanto, o Brasil ainda ocupa o 2º lugar dos países emergentes, segundo estudo realizado com mais de 100 países, quando se leva em consideração os estágios para se atingir a economia digital. “Ainda é preciso avançar”, enfatiza o professor.

Segundo ele, a cooperação internacional torna a Universidade menos provinciana, menos auto centrada e menos deslumbrada com o sucesso local. “É preciso promover a mobilidade, diversificação e intercâmbio para que se faça comparabilidade”, diz.

O professor ainda destaca que é muito frágil a nossa cooperação com países latino-americanos, o que, segundo ele, mostra que não sabemos nos relacionar com nossos países vizinhos. “O Brasil investe pouco em cooperação, mais de 30% do orçamento para cooperação são para pagar gastos com organismos internacionais”, finaliza.

Diversidade da pesquisa

O doutor em Física, Ildeu de Castro, homenageado da Mostra de Ciência e Tecnologia da 9ª Biena da UNE, tomou a palavra, afirmando que é necessário qualificar melhor a internacionalização e analizar os impactos que isso tem no país.

“Temos que nos basear no que deu certo em outros países e ver o que pode ser adaptado à nossa realidade. O primeiro aspecto que gostaria de chamar a atenção é a importância na formação de pessoas. É preciso melhorar a educação básica e ampliar a educação superior, inclusive cooperando com outros países”, diz Ildeu, lembrando, sem seguida, que a ciência sempre foi uma atividade muito internacionalizada.

Ele também desmistificou a ideia de que a Ciência é algo neutro. “Não podemos ser ingênuos. A ciência e a tecnologia podem ser usadas tanto para a melhoria da vida das pessoas quanto para promover a desigualdade social. Pela nossa afinidade política, nós queremos uma ciência que emancipe as pessoas”, diz.

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Ele argumenta que “o Brasil é um país muito misturado, e isso deveria facilitar a cooperação. Mas, a cooperação com países de língua portuguesa, como Moçambique, poderia ser muito maior. A cooperação internacional tem que se expandir, inclusive nos países, ditos de 3º mundo”. argumenta.

Além da necessidade de se haver mais cooperação com o exterior, é importante lembrar da cooperação de universidades do eixo Rio-São Paulo com instituições de ensino superior de estados como o Amazonas, onde há uma riqueza científica imensa e pouco explorada. “Estamos vivendo um momento em que a comunidade científica deve fazer mais pressão para que haja mais recursos e mais participação social nas politicas publicas”, diz Ildeu.

O professor-doutor terminou sua fala, citando um exemplo de um artigo que ele leu recentemente. “Fizeram uma pesquisa grande com vários países sobre qual o fator que contribuía mais para o desenvolvimento cientifico e tecnológico. Concluíram que esse fator é a diversidade da pesquisa. Afinal, você não tem como saber de onde pode sair a inovação científica”, encerra.

Projeto epistemológico cultural e científico independente

O colombiano Omar Orduz trouxe ao debate a necessidade de se discutir o desenvolvimento da educação. Ele disse que o modelo da educação atual responde ao modelo econômico vigente. “A educação virou um serviço de consumo que está respondendo a interesses privados e capital multinacional. Por exemplo, 0,34% do PIB está destinado para educação superior na Colômbia, muito pouco.” Essa realidade o faz questionar: se essa é a porcentagem para a educação superior, qual será o investimento destinado para a pesquisa? E informa que todos os cursos de pós-graduação na Colômbia são privados, com valores que chegam a 3.500 dólares por semestre.

“Essa situação é o reflexo da desigualdade que também existe na Colômbia: apenas poucos têm condições financeiras para acessar a pós-graduação. Por conta disso, está havendo uma fuga de intelectuais da Colômbia que buscam melhores condições para realizarem suas pesquisas”, diz.

O estudante diz que o debate da internacionalização não é apenas o da produção científica, como estava sendo discutido pelos outros palestrantes, mas a difícil situação que vivem os pesquisadores latino-americanos em seus países de origem e que buscam melhores condições em países ditos desenvolvidos.

Outra questão nesse contexto a se levar em consideração, diz Omar, é a desigualdade entre países ricos e emergentes no que diz respeito à infraestrutura de pesquisa, que é precária nos ditos países subdesenvolvidos. “Por exemplo, na Colômbia, nós utilizamos equipamentos que datam da Primeira Guerra Mundial, muito obsoletos. Se não existir um investimento real na pesquisa, não vai existir condições favoráveis para competir no âmbito da internacionalização”, diz.

Outra questão levantada pelo colombiano foi: Em que medida, o número de publicações e das citações nos artigos científicos estão contribuindo para superar as questões sociais, a situação de desigualdade e de pobreza no país?

“É possível que seja importante o avanço das produções científicas, mas este não é o único indicador que pode dar a entender que os nossos países estão desenvolvendo a ciência e tecnologia. Se o Brasil tem bastante produção científica, isso não necessariamente quer dizer que pode estar refletindo sobre sua tecnologia e pesquisa”, diz.

“Essas pesquisas científicas, acredito, devem estudar profundamente os processos de integração entre os povos latino-americanos que está acontecendo agora. Esse é o maior desafio”, acrescenta.

Ele ainda diz que é preciso gerar uma proposta científica, para que possamos abandonar o colonialismo científico da Europa. “Os países latino-americanos têm que se unir para acabar com o colonialismo científico, cultural e tecnológico. Colômbia e o Brasil tem uma diferença abismal na produção cientifica, é preciso fazer uma integração entres os países”, diz.

Segundo ele, os países latino-americanos já têm uma tradição libertária. Essa tradição deve servir para um projeto epistemológico cultural e científico independente. “Essas questões que estou colocando aqui, em meu país, ainda são pouco debatidos. A razão fundamental da academia são os estudantes. E como estudantes, temos que trabalhar na tarefa de se criar um modelo próprio de universidade e defender esta instituição como cenário de utopias, mas possíveis”, finaliza.

O seminário “A Internacionalização da Ciência Brasileira” se encerra amanhã (05), às 10h, com o a mesa “Integração, internacionalização e mobilidade científica e acadêmica na educação superior”, no campus ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial), da UERJ, na rua Evaristo da Veiga, 95, Lapa, Rio de Janeiro.

Por Natasha Ramos, do Rio de Janeiro

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Fotos: Eduardo Paulanti
A mostra de Ciência e Tecnologia da 9ª Bienal da UNE, coordenada pela ANPG, prestou uma importante reverência a um dos maiores nomes da divulgação científica nacional. Na tarde desta terça-feira (2), o espaço Largo Itabira, na Fundição Progresso, foi palco de uma bonita homenagem ao físico e professor Ildeu de Castro Moreira.
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Com falas da presidenta da ANPG, Tamara Naiz, e da presidenta da UNE, Vic Barros o professor foi lembrado pelo seu esforço em popularizar a ciência no Brasil. ‘’ O professor Ildeu é uma pessoa que trabalha há muitos anos e trabalha duro pela divulgação científica. Seu engajamento social, sua inquietude e vontade de transformação são importantíssimas para o avanço da ciência e tecnologia no país’’, pontuou Tamara.

Ildeu foi presenteado com a leitura de um cordel inspirado em sua carreira e também com a apresentação de um ator caracterizado de Albert Einstein.
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Emocionado, o professor agradeceu `às homenagens. ‘’Fico orgulhoso em ser lembrado aqui na Bienal da UNE, um espaço que integra arte, cultura e ciência. O reconhecimento é um fator importante que nos move e eu saio daqui com vontade de fazer cada vez mais’’, disse.

Da redação com informações da UNE

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Fotos: Eduardo Paulanti

Na terça feira (03), terceiro dia de atividades da 9º Bienal da UNE, no Rio de Janeiro, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) promoveu importante momento de reflexão e integração entre os estudantes estrangeiros no Brasil participantes do evento. O bom debate contou com a presença de discentes oriundos de países como Guiné-Bissau, Bolívia, Colômbia e Paraguai, e, ainda, com um representante de Cuba, o estudante da Universidade de Ciego de Anila, Ricardo Guardia Lugo, que, também é membro da Organização Continental Latino-americana y Caribenha de Estudantes ( OCLAE).

A reunião de lideranças estudantis na América Latina e da Frente Afro-latina de estudantes no Brasil serviu para a troca de vivencias e promoção da articulação entre os discentes estrangeiros presentes. Contou, ainda, com boa presença de brasileiros atentos às demandas e necessidades de seus pares africanos e latino-americanos. Ponto alto do encontro foi a articulação proposta pelo mestrando boliviano Wilbert Villca, APG USP-Capital, de estruturação de um documento a ser encaminhado às autoridades brasileiras de educação, apresentando as necessidades dos alunos estrangeiros, pontos positivos e negativos da recepção estruturada pelas Instituições Educacionais de Ensino Superior. “Importante coligar um plano de ação com os colegas de outros países latino americanos para pensar uma ação estratégica para a aproximação das relações”, disse Wilbert.

Na esquerda, Wilbert, e ao seu lado, Lassana.
Na esquerda, Wilbert Villca, e ao seu lado, Lassana Danfá.

Sobre a recepção e adaptação dos alunos africanos à realidade brasileira foi a colocação feita pelo guineense Lassana Danfá, natural da cidade de Bissau, capital da Guiné-Bissau, costa ocidental africana, e mestrando em psicologia na UFPE, Universidade Federal de Pernambuco, propôs uma revisão das leis e estatutos que regulam a presença do estudante estrangeiro no Brasil. “É preciso cuidado com a adaptação dos alunos estrangeiros para a realidade brasileira, é importante promover maior informação sobre suporte, sobre bolsas para alunos estrangeiros, e pensar em maior flexibilidade no trato com os discentes, aumentando o tempo para retorno após o final do curso, isso ainda é muito limitado e com informações contraditórias”, diz Lassana,

Completando a reunião, o convidado cubano, Ricardo Guardia Lugo, expôs a realidade da ilha caribenha em relação ao estudante estrangeiro. País que tem 700 mil pessoas na universidade, e mais de um milhão de cidadãos graduados, frente a uma população de 11 milhões de habitantes.  Entre 15 e 20 por cento dos universitários cubanos são estudantes estrangeiros, entre esses, muitos latinos americanos, primeiramente, africanos e asiáticos. Todos os repasses e atenções para os estudantes estrangeiros são de responsabilidade das organizações estudantis locais, disse o convidado.

Por Richard Santos[1], do Rio de Janeiro

[1] Jornalista e Cientista Social- APG.UNB

Seminário de Internacionalização - 2o Dia 2

Fotos: Eduardo Paulanti

Na manhã desta terça-feira (02), dando prosseguimento ao seminário “A Internacionalização da Ciência Brasileira: Realidade e Desafios”, a ANPG realizou a mesa “Internacionalização, formação e contratação de recursos humanos e a questão das Organizações Sociais na política nacional de desenvolvimento científico”, durante a 9ª Bienal da UNE.

O debate, realizado na ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial) da UERJ, contou com os palestrantes Igor Barros Cavalcante, da Coordenação de Ações Internacionais do Programa Ciência sem Fronteiras; Olgaíses Cabral Maués, do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES); e Hélio de Mattos Alves, professor da UFRJ.

Igor iniciou o debate,  abordando o Ciência sem Fronteiras: os impactos desta iniciativa, implementada pelo Governo Federal no final de 2011, e as metas do programa. “O Ciência sem Fronteiras tem como objetivo formar e capacitar jovens em instituições de alta capacidade no exterior. Para isso, busca proporcionar novas experiências em outros países, fazendo com que se tenha um processo de aprendizado diferente do que existe no Brasil. Além disso, o programa possibilita a mobilidade internacional tanto de brasileiros quantos de estrangeiros”, explica Igor.

Segundo ele, essa troca entre estudantes brasileiros e estrangeiros cria oportunidades para a interação de universidades de diferentes nacionalidades, propiciando ainda uma cooperação entre elas. Segundo dados apresentados, atualmente, o programa concede 7.559 bolsas para doutorado sanduíche no exterior, 2.642 bolsas para doutorado no exterior e 556 bolsas de mestrado no exterior*, sendo que a área de conhecimento que mais recebe bolsas é Engenharia e demais áreas tecnológicas. O fato de o programa restringir as bolsas concedidas a estudantes de pesquisas aplicadas é uma das críticas que os pós-graduandos presentes no debate levantaram.

O representante do CNPq destacou ainda o caso de Portugal, destino escolhido por grande parte dos bolsistas para o intercâmbio. O motivo principal dessa escolha é o fato de que, neste país, se fala uma língua irmã da nossa. “Portugal chega mais próximo do cenário desejado na distribuição das bolsas, com uma proporcionalidade entre graduação e pós-graduação” comenta.

Igor apresentou em seguida a distribuição de bolsas implementadas por país de destino no estado do Rio De Janeiro, e disse que, no início havia um equilíbrio entre estudantes de graduação e pós-graduação que se beneficiavam do programa, mas gradativamente a meta da graduação foi aumentada, visto a maior participação desta categoria. Segundo ele, a dificuldade em se falar uma língua estrangeira ainda é uma barreira para o processo de internacionalização.

Idiomas sem Fronteiras

A partir da detecção desse problema, foi criado o Idiomas sem Fronteiras, que começou com o nome Inglês sem Fronteiras e depois foi alterado para “idiomas”, pois “vimos a necessidade de ampliar o programa para outras línguas, como o francês, o alemão e até o mandarim”.

Ele ainda apresentou outra iniciativa do governo: o Portal estágios e empregos, dedicado a bolsistas e ex-bolsistas do Ciência sem Fronteiras. “Preocupamo-nos com o que o bolsista faria quando voltasse para o Brasil”.

Igor concluiu sua fala apontando que o “Ciência sem Fronteiras criou condições necessárias para a internacionalização da ciência brasileira, começando pelo ensino no exterior, depois ampliando para pós–graduação, ajudando no desenvolvimento do idioma e fornecendo meios para a inserção no mercado de trabalho”.

Desnacionalização da Educação

Em seguida, Olgaíses, em sua fala, discutiu a visão que se tem da questão da internacionalização, o que esse processo implica e quais são suas consequências no cenário nacional. “O objetivo [de minha fala] é analisar de forma crítica o processo de internacionalização da educação. Para tal, alguma referências, como o papel da OMC (Organização Mundial do Comércio), o papel de alguns organismos internacionacionais, como a UNESCO, e examinar os espaços educacionais criados, que, apesar de abrangerem mais a Europa, envolvem os demais países que estão fora da União Europeia. Também desejo examinar o papel do Mercosul, seu setor de educação, e discutir, ainda, em termos de Brasil, o Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) 2010-2020”, disse a professora.

Seminario Internacionalização - 2o Dia 2

Apontando dados da UNESCO, ela destacou a importância da internacionalização na educação superior dentro de um diálogo intercultural que promova a circulação do saber. Enfatizou ainda que quando falamos de internacionalização é preciso lembrar que esse é um processo que vai além do CsF. “O Instituto de Ensino Superior da América Latina e Caribenha, vinculado a UNESCO, vem trabalhando na direção da internacionalização e criou o ENLACES (Espaço Latino-Americano e Caribenho de Educação Superior)”, exemplificou. Além disso, ela citou ainda universidades criadas no Brasil com o objetivo da internacionalização da Educação, como a UNILA e a UNILAB.

A pesquisadora também apresentou dados que corroboram a visão de que a educação se tornou um negócio altamente lucrativo nos últimos anos, apontando para uma possível mercantilização deste setor, que deveria seri visto como um direito social. “Em 1998, a mobilidade estudantil faturava no mundo todo 30 milhões de dólares, em 2005, saltou para 90 milhões de dólares”, diz. Isso fez com que o capital internacional se voltasse para a área educacional. “De 1997 a 2007, houve um crescimento de 394% na oferta de vagas no ensino superior privado”, indica.

A professora não vê a atual  internacionalização com bons olhos. Segundo ela, esse proceso provoca a privatização, mercantilização e a desnacionalização da educação. “Áreas humanas não fazem parte do programa CsF, pois não interessa ao mercado. Mais uma demonstração de como a internacionalização brasileira, de programas como o CsF, está sendo feita, visando principalmente o mercado”, critica.

“Nesses moldes, o papel das universidades brasileiras passa a ser meramente treinar os recursos humanos, e não produzir o conhecimento, o que faz com que utilizemos os conhecimentos importados dos países desenvolvidos”, disse. Por fim, ela deixou a seguinte questão para reflexão: “É preciso pensar qual o modelo de internacionalização da educação nós queremos.”

Desenvolvimento do país

Hélio Mattos palestrou em seguida, ressaltando o importante papel das universidades na formação do “futuro da nação”. Ele reconheceu que o Brasil ainda é um país importador e destacou que a área de Ciência e Tecnologia é fundamental para o desenvolvimento do país.

O professor da UFRJ comentou dados citados anteriormente pelo representante do CNPq e lembrou algum exemplos históricos de internacionalização. “Ao analisarmos alguns dados clássicos desse processo, a criação da USP foi altamente relevante para o sistema das universidades brasileiras, quando o Estado importou pesquisadores altamente capacitados”, disse.

Ele lembrou ainda que os primeiros cursos de pós-graduação foram criados nos anos 60. “Esse tipo de encontro [de pós-graduandos], naquela época, não existia. Os cursos de pós-graduação no Brasil tem uma história relativamente nova. Formamos de 10 a 12 mil pesquisadores por ano, ainda é pouco para um país que é hoje a 5ª economia do mundo”, disse. E completou dizendo que um país para ser forte, precisa ser forte em Ciência e Tecnologia.

Discordando do que havia dito Olgaíses em sua fala, Hélio encara a internacionalização da ciência como algo positivo, que contribui para o processo de desenvolvimento do país. “É uma via de mão dupla. A interação é fundamental, isso de forma alguma desnacionaliza o Brasil, mas oxigena o sistema”, diz.

Hélio é a favor do intercâmbio, mas ressalva que todo aluno deveria fazer iniciação científica quando votasse desses países, empregando o conhecimento adquirido de sua experiência no exterior para a pesquisa no Brasil.

Divisão de opiniões
As intervenções dos pós-graduandos, após as falas dos palestrantes, foram diversas, e o assunto dividiu opiniões acerca do processo de internacionalização do conhecimento, criando uma dicotomia entre internacionalização versus desnacionalização. Houve quem dissesse que essa dicotomia está equivocada. Dentre as questões levantadas por eles, estão “Qual o modelo de desenvolvimento nós queremos para o nosso país?”, “Qual retorno deve ser exigido do jovem que vai ao exterior?” e “Apesar da importância de se aprender outras línguas, também não é importante reforçar a nossa língua?”.

O seminário “A Internacionalização da Ciência Brasileira” continua na amanhã (04), a partir das 10h, com o tema “Impactos sociais e econômicos da cooperação e do desenvolvimento científico e tecnológico no cenário internacional”, e vai até quinta (05), no campus ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial), da UERJ, na rua Evaristo da Veiga, 95, Lapa, Rio de Janeiro.

Por Natasha Ramos, do Rio de Janeiro

Hercília Melo, secretária geral, Tamara Naiz, presidenta, e Cristiano Junta, vice-presidente, durante a reunião da diretoria plena da ANPG. Foto: Eduardo Paulanti
Hercília Melo, secretária geral, Tamara Naiz, presidenta, e Cristiano Junta, vice-presidente, durante a reunião da diretoria plena da ANPG. Foto: Eduardo Paulanti

Na tarde desta segunda-feira (02), aconteceu a reunião de diretoria plena da Associação Nacional de Pós-Graduandos, que contou com a participação de representantes de 17 APGs (Associações de Pós-Graduandos) do Brasil, das quais 12 delas se pronunciaram: UnB, Fiocruz-Rio, USP-Capital, UFABC, UFPA, UFG, Usp-Ribeirão, UFGD, UFSC, UFLA, UFOP e Puc-Rio. A reunião foi realizada na Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), no Rio de Janeiro, aproveitando a ocasião da 9ª Bienal da UNE.

Dentre as questões levantadas pelas APGs estão pontos acerca da assistência estudantil, como a necessidade de ter o restaurante universitário e o passe livre para os pós-graduandos. As Associações salientaram também as ações realizadas no período do atraso das bolsas de pesquisa concedidas pela CAPES. A Fiocruz-Rio, por exemplo, realizou ato em protesto ao atraso das bolsas e a USP-Capital enviou uma nota aos pós-graduandos para que eles relatassem os prejuízos que tiveram com o atraso do auxílio.

A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, também comentou a atuação da entidade durante o período do atraso das bolsas. Após diversas ações da entidade e da mobilização dos pós-graduandos, a ANPG conseguiu se reunir com o Ministério da Educação e com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior, no mês passado. Dessa reunião resultou a criação de uma comissão do MEC coordenada pela CAPES para discutir políticas de inclusão e acesso à minorias sociais no mestrado e doutorado (Leia mais!). Tamara propôs a criação de uma comissão interna da ANPG, concomitante com a comissão do MEC, para acompanhar essa situação.

Durante a reunião de ontem, também foi definido o calendário deste ano da Campanha por Mais Direitos para os(as) Pós-graduandos(as) e a Caravana à Brasília por mais direitos, que deverá ser em abril, e na qual será realizado um seminário sobre assistência estudantil.

“A reunião de diretoria plena da ANPG foi aberta aos pós-graduandos que quisessem participar. Contamos com a presença de APGs, que expuseram suas questões. Isso legitima o processo de mobilização nacional e faz com que saiamos daqui mais fortalecidos”, diz Igor Dias, Tesoureiro da ANPG.
Durante a reunião, também foi aprovada a Moção pela retirada das Medida Provisórias 664 e 665, que representam uma redução de direitos aos trabalhadores. (Leia a Moção Aqui)

Da redação

A Faculdade São Judas Tadeu, com sede no Rio de Janeiro, está proibida, desde a última segunda-feira (26), de matricular novos alunos em todos os cursos de pós-graduação. A punição administrativa foi determinada pelo Ministério da Educação (MEC), por causa de “fortes indícios de que a instituição fez oferta irregular de cursos de pós-graduação lato sensu, em convênio com entidade não credenciada.”

Além da punição, a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC instaurou processo administrativo para aplicação de penalidades. Também determinou que a Faculdade São Judas Tadeu divulgue a medida restritiva para alunos, professores, corpo técnico administrativo e no site da instituição.

Conforme portaria publicada no dia 26/1 no Diário Oficial da União, depois de notificada a faculdade terá 15 dias para apresentar defesa no processo administrativo e 30 dias para apresentação de recurso contra medida cautelar de suspensão de novas matrículas.

Regulamentação do Lato Sensu
Em agosto de 2014, o Conselho Nacional de Educação (CNS) realizou audiência pública em Brasília para debater o Marco Regulatório dos Cursos de Pós-Graduação Latu Senso (Especialização). O evento contou com a participação da sociedade civil, do Poder Público e de representantes de entidades ligadas ao meio acadêmico e ao desenvolvimento científico e tecnológico, entre elas, a Associação Nacional de Pós-Graduandos.

A Comissão que analisa e estuda o marco regulatório da pós-graduação lato sensu teve a sua primeira reunião para discutir o assunto em abril de 2013. Nesta ocasião, deu-se início uma série de reuniões semanais para debater o parecer que resultaria dos trabalhos da Comissão, que se preocupou em fazer um levantamento histórico da pós-graduação no Brasil, incluindo a evolução do conceito de especialização como pós-graduação e sua normatização.

A criação dessa Comissão atende a uma reivindicação histórica da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), que é a necessária regulamentação da pós-graduação lato-sensu (com exceção da regulamentação dos programas de residência em saúde, consideradas como Especialização, que serão analisadas separadamente, visto suas peculiaridades que devem ser levadas em consideração). Para a entidade, a regulamentação e acompanhamento dos cursos de especialização é uma questão que se apresenta com muita força no sentido da garantia de direitos.

Da redação com informações da agência Brasil

Leia mais:

Marco Regulatório dos Cursos de Pós-Graduação Lato Sensu