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Natasha Ramos

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Por Gabriel Nascimento[1]

Não tem meia palavra. Aécio coloca em xeque o que conquistamos fundamentalmente nos últimos doze anos. O aumento de bolsas de pós-graduação e do investimento em ciência e tecnologia podem ir para o espaço.

Se os pós-graduandos ainda não sabem, deveriam saber. Todo o plano nacional de pós-graduação está em risco. A expansão das bolsas e dos programas que formam cientistas em nossas universidades que aconteceram durante os governos Lula e Dilma estão em risco. E, para os que rezam o contrário, basta ver os discursos dos gurus de Aécio Neves, entre eles o principal, Armínio Fraga. Este senhor, consultor apresentado como proposto futuro ministro da Fazenda de um possível governo Aécio Neves, promete corte de gastos públicos como meios de baixar inflação, inflação que está controlada historicamente desde o início do governo Lula. Para quem não tem memória, é preciso lembrar que FHC entregou inflação alta e hoje a mesma se encontra pela metade. Entretanto, o grande especulador internacional não se contenta em perder muito nessa crise do capitalismo na Europa e Estados Unidos e quer avançar sobre as economias soberanas, entre elas a fortalecida economia brasileira.

Aécio é o inimigo número 1 dos pós-graduandos, das bolsas de pesquisa e das associações de pesquisadores. Se eles não declararam guerra às pautas que o candidato representa, deveriam declarar. A Associação Nacional de Pós-graduandos se prepara para reagir e declarar apoio oficial à Dilma Rousseff. As associações de pesquisadores e de pesquisa deveriam reagir publicamente. O que está em jogo é o futuro da pesquisa no Brasil e seu financiamento. Não são os grandes banqueiros que vão sofrer, são os pesquisadores em formação, é a ciência que hoje lidera os indicadores de pesquisa na América Latina. Quem não se decidir agora, não terá mais chances para reivindicar as decisões do futuro da produção intelectual acadêmica brasileira. Quando Armínio Fraga promete corte de gastos públicos, não é o superávit primário que ele vai reduzir e muito menos a amortização dos juros da dívida pública. O que ele vai reduzir são as bolsas de pesquisa, pós-graduação e produtividade.

O que está em jogo é o fim da ciência brasileira, essa que é ainda menina em quantidade de pesquisadores em atuação, mas que foi duplicada durante os governos Lula e Dilma. Hoje alcançamos, como nunca, 2,7% da produção científica mundial, o que é muito pouco, mas só pudemos alcançar após investimentos dos governos petistas. Há doze anos atrás, na era FHC, representávamos apenas 1,65% da produção intelectual no mundo. Ou seja, é inevitável admitir que crescemos, e precisamos continuar crescendo. O valor das bolsas de pesquisa e pós-graduação foi praticamente duplicado através dos reajustes que a categoria, através da Associação Nacional de Pos-graduandos (ANPG), tem protagonizado. Não há como retroceder e Aécio Neves, com a companhia nada agradável de Armínio fraga, representa esse retrocesso. É para frente que se anda, no Brasil, em sua ciência e através dos seus pesquisadores. Vai em frente, Dilma!

[1] Gabriel Nascimento é Vice-presidente Regional Centro-Oeste da ANPG.

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

Vão até a próxima segunda-feira (20) as inscrições para o I Colóquio sobre Resolução de Conflitos, que vai acontecer na UEMG – Unidade Diamantina, entre os dias 05 e 07 de novembro. As mesas redondas e palestras abordarão temas como Conciliação, Arbitragem e Mediação, sob a perspectiva das Políticas Públicas, da Educação, no ambiente familiar, na comunidade, dentre outros.

Há também o espaço para a apresentação de comunicações e publicação de resumos expandidos nos anais do evento, dentro dos Grupos de Trabalho:
• GT1: Políticas públicas e o emprego de técnicas de mediação e conciliação no Judiciário
• GT2: A promoção da diversidade e da inclusão social através da mediação escolar e comunitária
• GT3: Direitos Humanos e mediação de conflitos
• GT4: Mediação e conciliação: desafios e resultados

>>Mais detalhes sobre o evento, podem ser encontrados no site http://coloquioresolucao.blogspot.com.br/

O I Encontro Internacional sobre Educação, Promoção da Saúde e Difusão do Conhecimento, que será realizado de 22 a 25 de outubro, na Universidade de Brasília, reunirá alunos de graduação e pós-graduação da UNB, além de Coordenadores de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Enfermagem e Administração da regional centro-oeste de saúde, que incluem os Estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

A situação de saúde mundial tem sido caracterizada pela tendência de crescimento das condições crônicas e agravada pela persistência das condições agudas nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

Neste panorama, o modelo hospitalocêntrico encontra sérias dificuldades determinadas pela alta admissão Hospitalar por pacientes em condições crônicas que poderiam ser atendidos em outras modalidades de atenção à saúde, mas que acabam competindo com pacientes em condições agudas, urgências e emergenciais.

Diante da demanda exagerada acionada pela população nos hospitais pelo Brasil, a análise dos limites e possibilidades em se deshospitalizar pacientes portadores de doenças crônico‐degenerativas.

Frente a isso, este evento contribuirá significativamente para o fortalecimento de políticas públicas relacionadas à internação domiciliar no âmbito do SUS visto que se inicia com duas Regionais de Saúde populosas no Distrito Federal, gerando conhecimento sobre os limites e possibilidades na deshospitalização desta população que poderá fomentar análises futuras para as demais Regionais de Saúde do Distrito Federal.

Dentre os objetivos do Encontro, estão:
1. Analisar as políticas públicas de saúde no Brasil e Portugal dentro do enfoque promocionista de saúde;
2. Caracterizar as linhas de pesquisas dos programas de pós-graduação participantes na perspectiva de cooperação internacional na área de saúde e administração;
3. Descrever e analisar indicadores de qualidade do Programa Saúde Escola;
4. Descrever e analisar indicadores de qualidade do Programa de Educação Tutorial em Saúde na perspectiva de intercâmbios com alunos de graduação e pós-graduação.
5. Produzir conhecimento e reflexões em torno da temática educação, promoção da saúde e cooperação Internacional.
6. Difundir conhecimento na área de saúde, educação e administração.
Programação:
>> 22.10.2014
19h – Abertura Oficial Autoridades regionais e convidados internacionais – Cerimonial da UNB
19h30 – Conferência de Abertura Dra. Helena Monteiro – ISCPS Lisboa Portugal
>>23.10.2014
9h às 12h Reuniões de Trabalho:
Termo Aditivo – Cooperação Internacional Portugal X Brasil na área de Saúde.
Coordenação de Pós-graduação em Ciências da Saúde, Administração e Enfermagem
Convidada: Dra. Helena Monteiro – Portugal
Coordenadores dos Programas de PG:
– Enfermagem
– Ciências da Saúde
– Administração (mestrado profissional)
(Aberto a pesquisadores interessados)
INT – Assessoria Internacional UNB
8h10 – Mesa Redonda: MODELO DE ATENÇÃO EM SAÚDE
Saúde do Idoso
Saúde da Família: programa focalizado ou uma estratégia para a reorganização da atenção básica à saúde no Brasil?
Medicina de família: dilemas e desafios
Dra Viviane Peterle – HRPa DF
Dr. Carlos Leonardo Figueiredo Cunha – IESC- UFRJ/ LASER- FIOCRUZ
Dr. Tiago Neiva – ESF – DF
8h às 12h –  Sessão Posters Hall da FS
Coord. Dr. Felipe Belluci – MCT
14h as 16 Conferência: Formação Contemporânea em saúde: avanços, desafios e perspectivas no Brasil Convidado do MS (a confirmar)
Dr. Helsio Pinto – a confirmar
16:30 às 18h Lançamento de Livros Dr. Carlos Leonardo Figueiredo Cunha – FIOCRUZ.
Dra. Onã Silva – PPGENF – SESDF
Dra. Karen Caetano – São Paulo
Dr. William Malagutti – Universidade Estácio de Sá – SMS – SP – Vigilância Epidemiológica
>>24.10.2014
8h10h – (1) Conferência: As competências da promoção da Saúde na formação dos profissionais da saúde no Brasil: análise das diretrizes curriculares nacionais. Dra. Ana Cláudia Germani-Faculdade de Medicina-USP
10:30 às 12h – Conferência: Agenda estratégica da PS na América Latina no contexto de reorientação da formação em saúde.
Dr. Marco Akerman- Vice Presidente da União Internacional de Promoção e Educação em Saúde/ Região Latino-America
Coordenador do Grupo Temático de Promoção da Saúde da Abrasco
Professor Titular da Faculdade de Saúde Pública-USP
14 às 16h30 – Debate: Novos modelos de formação universitária no campo da Saúde
Debatedores:
1. Apresentação de resultados parciais apresentados ao MS
2. Debates em grupos de trabalhos
3. Apresentação dos encaminhamentos dos trabalhos em grupo
Dr. Naomar Almeida Filho – UFPA
Dra. Dais Rocha – DSC – UNB
Dr. Adriano – DSC – UNB
Um representante do MS- PROSAUDE.
Coordenadores do PET SAUDE Grupo 1, 2 e 3
17h às 18h – Sessão de Homenagens pelos 22 anos do Nesprom e 12 do LEPS
Entrega de Diploma de Honra ao Mérito
Homenagem Póstuma “Amilton Paulino” Convidados especiais, homenageados.
Local: Auditório da Reitoria da UNB
Editorial em Homenagem Póstuma ao DR. Amilton Paulino pela Revista Gestão e Saúde
>>25.10.2014
9h – Comissão de avaliação
Toda equipe.
Da redação

Debate UFF

Os pós-graduandos da Universidade Federal Fluminense (UFF) e a ANPG realizaram o debate, na última quarta-feira(8), com tema “Campanha Nacional pelo Reajuste das Bolsas com a Associação Nacional de Pós-Graduandos”, no prédio da Física da Universidade.

Participaram do debate a diretora de comunicação e o diretor de relações internacionais da ANPG, Gabrielle Paulanti e Gabriel Mendoza, respectivamente; além dos pós-graduandos da UFF.

Os pós-graduandos expuseram, em primeiro lugar, a própria dificuldade de organização e mobilização, que também é um resultado das próprias condições precarizadas de pesquisa. Nesse sentido, a universalização das bolsas de pesquisa foi apontada como uma prioridade, garantindo condições mínimas para o exercício da pesquisa e da atuação como agente transformador da sociedade e para o exercício da cidadania plena. Assim, a falta do direito à greve é flagrante das relações instrumentalizadas na academia, onde os representantes discentes não tem autonomia de atuação e os pós-graduandos são obrigados a submeter-se a rotinas de trabalho não regulamentadas.

Como a maioria dos alunos eram vinculados ao curso de Física, uma grande preocupação é falta de seguro insalubridade e periculosidade. Muitos alunos trabalham nos laboratórios, em contato direto com materiais nocivos à saúde ou mesmo perigosos. Assim, o documento de direitos surgiu como uma ferramenta imprescindível no avanço para melhores condições de pesquisa e de vida, demonstrando a importância da campanha por mais direitos às pós-graduandas e pós-graduandos brasileiros.

Inflamados pelos últimos comentários do professor Jorge Guimarães, presidente da Capes, acerca da contratação de professores e pesquisadores via Organizações Sociais, a conjuntura política também foi tema do debate. Foram levados em conta os anos de sucateamento da universidade pública nos anos 80 e os evidentes avanços na estrutura e democratização da pós-graduação. Entretanto, essa nova ameaça ao caráter público e autônomo da universidade apareceu com uma grande preocupação dos pós-graduandos. Por isso, também foi discutida a conjuntura política geral brasileira, evidenciando a mudança de perfil da pós-graduação nos últimos anos e as concessões políticas e econômicas feitas pelo atual governo.

“Esse debate foi muito importante para aproximar ainda mais a ANPG dos pós-graduandos fluminenses e de suas urgências específicas. Mais uma vez, pudemos perceber que os maiores entraves e dificuldades na vida acadêmica são coincidentes entre as diferentes realidades da pós-graduação brasileira, por isso torna-se urgente a campanha por mais direitos aos pós-graduandos”, diz Gabrielle Paulanti, diretora de comunicação da ANPG.

“Saímos com o indicativo para novas discussões, tentando cada vez mais integrar os pós-graduandos, e o início de uma mobilização em prol do restabelecimento da APG-UFF”, acrescentou.

“Tivemos a oportunidade de debater as dificuldades de mobilização, incluindo as componentes de um período eleitoral em que um projeto que contempla (não sem problemas) Ciência & Tecnologia voltada ao desenvolvimento soberano, se confronta com outro que é o retrocesso no ensino superior e na C&T. Em linhas gerais, o recado que pudemos dar é que a luta dos pós-graduandos não pode ser indiferente às necessidades do povo oprimido”, diz Gabriel Mendoza, diretor de relações internacionais da ANPG.

Da redação

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), entidade representativa dos pós-graduandos brasileiros, vem por meio desta manifestar-se contrária e externar sua preocupação diante das declarações do Presidente da CAPES, Jorge Guimarães, no Simpósio Internacional Excelência no Ensino Superior, realizado no Rio de Janeiro. Com autorização do MEC e MCTI, o presidente da Capes anunciou, no dia 22 de setembro, a proposta para contratação de professores com a criação de de Organizações Sociais (OSs), visando eficiência da administração pública e internacionalização das universidades.

“A ideia já tem sido levada aos nossos ministros há bastante tempo. Agora, o ministro Paim deu o sinal verde para fazermos um primeiro estudo. Entregamos a ele, e agora ele quer que a gente passe para a segunda etapa, que é a criação da OS propriamente dita. Isso implicará fazer contratos pela via de CLT, o que as universidades públicas não podem fazer porque é tudo regime jurídico único,[…]” (veja a notícia completa aqui)

Nos preocupa que a CAPES, sem nenhuma discussão com a comunidade acadêmica, lance num evento com centenas de pesquisadores uma proposta de tamanha envergadura sem apresentar, consistentemente, os pleitos para que esta proposta avance. A reivindicação do processo de criação de uma Organização Social com a finalidade de contratar docentes para as universidades sem a realização de concursos públicos, fora do Regime Jurídico Único, atende a entidades, sindicatos e movimentos sociais em defesa da educação? Em virtude das notas lançadas desde o evento promovido pela ABC, avaliamos que a proposta não esteve em diálogo e reafirmamos que nós, pós-graduandos, responsáveis por 90% das pesquisas realizadas no Brasil, também queremos contribuir sobre a questão.

“O ministro [da Educação, José Henrique] Paim e o ministro [da Ciência e Tecnologia, Clelio] Campolina estão nos autorizando a fazer uma organização social para contratar [professores], saindo do modelo clássico que demora e que nem sempre acerta muito […]” (veja a notícia completa aqui)

Para a ANPG que luta pela garantia dos fins democráticos da educação, a proposta de contratação de professores sem concurso público como forma de atrair jovens pesquisadores para as instituições de ensino superior brasileiras representa um ataque à carreira no magistério do ensino superior, com ingresso de professores com menos direitos trabalhistas, com remuneração aquém das suas atividades e, portanto, trabalhando em um regime precarizado. Com contratos deficientes e sem regime de trabalho estável, aumentam-se as dificuldades para que os trabalhadores apresentem reivindicações por melhores relações e processos de trabalhos frente aos rumos da universidade.

O exercício da carreira docente atual, por exemplo, está sendo regulada com o funcionamento de Estatutos oriundos da ditadura militar, estes que não refletem as necessidades educacionais vigentes e que necessitam de uma atualização urgente. Bastando, então, a contratação de professores via CLT para propiciar uma reconfiguração nas universidades?

“Já o contrato que hoje as universidades fazem no chamado Regime Jurídico único é para 30 anos, ninguém é mandado embora. Eu não conheço um caso assim. Então, não está funcionando e o governo já deveria ter feito isso” (http://www.sbpcnet.org.br/site/noticias/materias/detalhe.php?id=3365)

Diretamente, a proposta que se apresenta, alcança os pós-graduandos brasileiros, considerando que muitos de nós têm como projeto de vida a carreira de professor e pesquisador universitário. No entanto, já sentimos no nosso cotidiano as dificuldades de atração para fazer pesquisa. Não alcançamos a concessão de direitos que correspondam à tarefa que assumimos e temos dificuldade de acessar incentivos para a mobilidade acadêmica, apesar da defesa da internacionalização das universidades.

No 24º Congresso Nacional de Pós-Graduandos (CNPG), realizado em maio deste ano, aprovamos o Documento de Direitos e Deveres das Pós-Graduandas e Pós-Graduandos, apontando que valorizar o pesquisador é crucial para o desenvolvimento cientifico do país que queremos alcançar. Fortalecer a pós-graduação e oferecer uma formação digna são caminhos importantes para que tenhamos pesquisadores, cientistas e professores com atuação cada vez mais pujante para as necessidades e realidades sociais.

Neste sentido, a ANPG é contra essa proposta e se solidariza com todos os docentes, entidades e sindicatos nacionais que já se pronunciaram, inclusive pela acusação do “jogo de cartas marcadas” nos concursos públicos. Em defesa de melhores condições de trabalho e estudo, registramos aqui a necessidade de recomposição de quadros nas instituições e a reestruturação da carreira no magistério.

Lembramos ainda que as OS foram criadas pela Lei nº 9.637/98 no governo FHC com o objetivo expresso de desresponsabilizar o Estado pela manutenção de serviços públicos. Portanto, tornando-se um verdadeiro mecanismo de privatização desses serviços com consequências nefastas com atesta o colapso dos serviços de saúde pública do Estado de São Paulo que já entregou mais de 13 hospitais à administração de OSs.

O resultado disso foi a limitação dos concursos públicos, precarização dos serviços e das condições de trabalho dos profissionais da saúde e, pasmem, a venda de 25% dos leitos dos hospitais públicos para as empresas privadas do setor de saúde. O 24 CNPG posicionou-se ao lado das questões trabalhistas ao se solidarizar com as lutas de dezenas de sindicatos e entidades da área da saúde, por exemplo. E da mesma maneira, vemos que este é o momento de mantermos uma posição firme em solidariedade à categoria docente e suas entidades representativas.

Diante das nossas resoluções do 24º CNPG (link da resolução) e pronunciamentos dados durante o referido Simpósio, inclusive do ministro Campolina (http://www.sbpcnet.org.br/site/noticias/materias/detalhe.php?id=3364), nos colocamos favoráveis à:

·Favoráveis à revogação da Lei das OSs – Lei nº 9.637/98, solidarizando-nos com dezenas de sindicatos e entidades da área da saúde;
·Contrários à criação de OSs para a contratação de professores;
·A favor da diversificação dos modelos de bolsa e recebimento de verbas para a mobilidade estudantil a todos os estudantes;
·Favoráveis à representação discente no âmbito da IES;
·A favor da indissociabilidade do ensino-pesquisa-extensão;

Somos contrários à criação de Organizações Sociais para a contratação de professores e queremos diálogo para garantir a valorização do pesquisador no bojo do debate sobre a internacionalização das universidades.

Dito isto, a ANPG convoca todos os pós-graduandos e suas entidades a manifestar suas posições frente a proposta apresentada pela CAPES, fomentar a discussão dentro das instâncias com representação estudantil e a reunir esforços para que este modelo de contratação não se concretize. A todos os pós-graduandos e entidades que têm envidado esforços em mobilizar reuniões e manifestos à respeito: seguimos juntos em direção ao Presidente da CAPES para que seja interrompido imediatamente o processo de criação dessa OS.

São Paulo, 13 de outubro de 2014.

Diretoria da ANPG

Links relacionados:

Carta aberta da UFRGS

Artigos de opinião sobre o assunto:

Autoritarismo nas IFES e contratação de professores via OS: o enterro da carreira docente no ensino superior

Internacionalização das Universidades brasileiras e contratação de professores: Questões para o Debate

 

No final do mês de setembro foi divulgado o posicionamento da CAPES defendendo a contratação de professores universitários por Organizações Sociais (OS’s), bem como a defesa de que o processo de tomada de decisões nas universidades deveria ser restrito aos “cientistas”. Em virtude disso, REPUDIAMOS a proposta anti-democrática de limitar as decisões colegiadas nas Instituições de Ensino Superior aos docentes. Ao contrário do proposto, acreditamos que a ampliação da participação das demais categorias (servidores técnico-administrativos e discentes) é que permitirá maiores acertos nas decisões. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) já garante a ampla maioria (miníma de 70% em colegiados e conselhos) aos docentes. E os estudantes que participam de colegiados e conselhos reconhecem o quanto sua voz é importante nos mesmos, principalmente diante de decisões unilaterais e autoritárias de professores que só visualizam seus próprios interesses, através de discursos meritocráticos e pedantes.

É importante lembrar que a atividade fim das universidades públicas é o ensino, a pesquisa e a extensão. Devemos ampliar os espaços de participação para consolidar a Democracia. É estranha a posição tomada, parecendo que há, inclusive, um desconhecimento da realidade das universidades do País.

O caso recente das universidades estaduais paulistas, que passaram pela maior greve de sua existência, é paradigmático. Uma grave crise financeira se estabeleceu justamente pela falta de democracia, pela concentração de poder e pelo controle dos órgãos consultivos, cujo acesso é privilegiado apenas para uma alta casta de docentes.

REPUDIAMOS, também, a proposta de contratação de docentes e pesquisadores via organizações sociais (OS). Entendemos que esta forma de contratação precariza o trabalho docente, o que tem impacto direto na redução da qualidade da ciência praticada.

Propomos a melhoria dos processos seletivos, adotando metodologias mais transparentes e divulgação mais ampla dos concursos. ACREDITAMOS que a democracia e a transparência sempre podem incrementar a qualidade das atividades acadêmicas, administrativas ou científicas.

As Organizações Sociais (OS’s), são instituições do setor privado que atuam em parceria formal com o Estado, estabelecendo metas de serviços que estas organizações devem cumprir com os recursos públicos que lhe são repassados, sem investimento algum por parte dessas organizações e atendendo uma lógica meritocrática, reduzindo direitos humanos básicos e fundamentais, como a Educação e a Saúde, a meras mercadorias.

A contratação de docentes via OS’s, além de ameaçar a integridade dos processos seletivos, ameaça os pilares fundamentais da concepção de universidade que são: o ensino, a pesquisa e a extensão. Na lógica da empresa, a educação é entendida como uma mercadoria que é comercialiazada com o fim específico de gerar lucros, assim a pesquisa e a extensão perdem seu espaço uma vez que se tornam produtos vendáveis com maior dificuldade e demora que a qualificação profissional. Além disso, a educação privada tende a responder somente às demandas do mercado de trabalho capitalista, o que compromete a formação de um profissional crítico e que se atente para as necessidades da população.

Ainda, ressaltamos, que a terceirização contratual que caracterizaria a mediação das OSs gera uma quebra de vínculo do profissional com a entidade, o que trás resultados negativos para: as condições de trabalho, a qualidade do serviço, a valorização da carreira profissional, e afeta o comprometimento da entidade com o profissional e suas atividades.

Podemos citar o exemplo das tentativas de imposição de adesão das Universidades à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), que projetada para assumir a administração dos Hospitais Universitários (HU’s), comprova o quanto essa lógica privatista tem impactado negativamente nos HU’s. Tendo em vista que as universidades que já o aderiram tem demonstrado inúmeras problemáticas, especialmente no que tange a precarização dos contratos dos servidores.

A EBSEHR atende a mesma lógica de subcontratação de profissionais, dentre outras formas de gestão próprias da empresa privada, pois também é uma empresa, o que tenta ser mascarado pela sua origem estatal. Nos preocupa a qualidade da formação dos futuros profissionais da saúde que atuam em hospitais geridos por essa lógica, bem como dos profissionais formados por professores contratados via OS.

Será que essa consolidação da formação de médicos e outros profissionais preocupados meramente com o lucro e o status da profissão – por terem sido formados sem conhecer o conceito de saúde como direito do cidadão e dever de Estado e ignorando completamente o princípio da universalidade – que se almeja? Vale ressaltar que a EBSERH, desde sua criação, explicita o que representa uma organização social, pois ignora completamente princípios de universalidade e transparência, uma vez que sua adesão vem ocorrendo de forma arbitrária, sem considerar o posicionamento da comunidade acadêmica em diversas Universidades Federais.

Defendemos a autonomia universitária e a universidade enquanto instituição de ensino com o objetivo de gerar conhecimento, ciência e tecnologia para atender demandas da sociedade e não somente como mais um braço do mercado capitalista, pois em nossa concepção, educação não é mercadoria.

Artigo por: 

Isabela Neves de Almeida – Diretora de Instituições Públicas
Nara Fabiana Mariano Santos Mattos – Diretora de Mulheres
Ellen Caroline Pereira – Diretora de Políticas de Emprego
Leonardo Ferreira Reis – Vice-Presidente Regional São Paulo
Guilherme Koszeniewski Rolim – Diretor de Ciencia e Tecnologia

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

O Comitê Paris pela Constituinte agradeceu pelo apoio da Associação Nacional de Pós-Graduandos na luta dos estudantes e pesquisadores brasileiros residentes da Maison du Brésil. Além da ANPG, o professor da UFRJ, Francisco Esteves, a Associação Nacional de História (ANPUH), e outras entidades também apoiaram a causa dos estudantes ameaçados na França.

ANPG denunciou, em seus meios de comunicação, o abuso cometido pela Casa do Brasil na França; e contactou o Itamaraty, a embaixada da França no Brasil, o CNPq, a Capes e o MEC à respeito da situação das denúncias dos estudantes. Na quinta-feira (2), a entidade exigiu uma posição mais concreta do ministro José Henrique Paim e reforçou o pedido de intervenção do CNPq para que esta situação seja resolvida.

“A ANPG segue em contato com os estudantes e tem feito cientes diversas instâncias do governo a respeito da situação”, explica Hercília Melo, secretária geral da ANPG.

Graças à grande mobilização e à atenção que conseguiram atrair para o caso, os estudantes ameaçados não foram expulsos de seus apartamentos na Casa do Brasil na França. No entanto, as ameaças ainda não foram retiradas.

“A nota emitida pela ANPG e os contatos que tem feito no Itamaraty e MEC têm sido muito importante para nós, pois, como podem imaginar, a Direção da Maison começou uma campanha de calúnias contra os estudantes. Daí, termos publicado a carta do Prof. Francisco Esteves, da UFRJ, em defesa de sua orientanda”, declarou a direção do Comitê.

“O que pudemos compreender até agora é que a Direção da Maison, baseando-se em calúnias contra os estudantes, argumenta que a transferência acontecerá por razões disciplinares (perturbação da ordem na Maison, vandalismo, violência contra os outros moradores etc.). Essa é a resposta que estão dando à Embaixada, à CAPES e ao CNPq”, acrescenta.

Da redação

Para acompanhar a situação:
http://constituintecomiteparis.wordpress.com/
https://www.facebook.com/constituintecomiteparis

Da redação

Matérias relacionadas:

06/10/2014 – Nota da ANPUH em apoio aos estudantes ameaçados na França

06/06/10/214 – Professor titular da UFRJ defende estudante sob ameaça na França

30/09/2014 – Pesquisadores e estudantes brasileiros que vivem na Casa do Brasil na França denunciam arbitrariedades cometidas pela Instituição

A Associação Nacional de História (ANPUH) divulgou em seu site o modelo de uma moção de apoio aos estudantes brasileiros sob ameaça na França: http://www.anpuh.org/informativo/view?ID_INFORMATIVO=5097

O texto lembra que, “atualmente, milhares de estudantes e pesquisadores brasileiros, de todas as áreas do conhecimento, desenvolvem suas pesquisas no exterior. Muitos deles encontram-se na França, país que tem uma longa história de cooperação científica com o Brasil. Dezenas vivem na ‘Casa do Brasil na França’, a Maison du Brésil, residência estudantil sob a responsabilidade da CAPES localizada na Cidade Internacional Universitária de Paris.”

A moção, que deve ser endereçada aos membros do Conselho de Administração da Maison du Brésil e às autoridades diplomáticas brasileiras na França “condena o assédio moral e as ameaças de expulsão contra os estudantes e pesquisadores engajados na campanha pela Constituinte e contra aqueles que, para se defender das arbitrariedades cometidas pela Direção da Maison du Brésil, lutam para reconstruir o Comitê de Residentes.”

Da redação

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Professor titular da UFRJ defende estudante sob ameaça na França066665500996666Professor 30/09/

Pesquisadores e estudantes brasileiros que vivem na Casa do Brasil na França denunciam arbitrariedades cometidas pela Instituição

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O Professor Titular do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco de Assis Esteves demonstrou seu “repúdio ao assédio moral realizado pela Direção da Maison du Brésil” contra uma de suas orientandas, que faz estágio na França.

Em Paris, a aluna participou de atividades da campanha do Plebiscito Constituinte e também integrou a Comissão Eleitoral que participaria da reconstrução do Comitê de Residentes. A Diretora da Maison du Brésil, Sra. Monica David, afirmou que a estudante poderia ser processada sob a acusação de “fazer parte de um grupo que quer promover a desordem na Maison du Brésil”.

No relato enviado ao Departamento de Relações Internacionais da CAPES, a aluna afirma que, poucos dias após a realização de uma assembleia de estudantes, foi ameaçada de expulsão pela Diretora da Maison du Brésil. Em seguida, a Diretora da Maison apresentou, como alternativa à expulsão, a transferência forçada da estudante para a residência de outro país dentro da Cidade Internacional Universitária, o que, além de uma punição, é uma clara tentativa de desarticulação do movimento estudantil na Casa do Brasil na França.

Informado sobre a situação, o Professor Francisco de Assis Esteves, orientador da estudante, deu a seguinte declaração:

“A estudante desenvolve pesquisas sob minha orientação desde 2006, quando ingressou no Laboratório de Limnologia da UFRJ para realizar a sua iniciação cientifica. Atualmente, a estudante faz parte do Programa de Pós-graduação em Ecologia da UFRJ, no qual desenvolve seu projeto de doutorado em uma das principais linhas de pesquisa coordenadas por mim. O seu longo histórico acadêmico sob minha orientação me permite comprovar seu excelente desempenho acadêmico, cientifico e profissional como pesquisadora. A bolsa de pesquisa no exterior concedida à estudante brasileira reflete a importância das suas pesquisas no Brasil e é o resultado de anos de dedicação à produção científica.

O assédio moral ao qual a estudante foi submetida nos últimos dias pela Direção da Maison du Brésil prejudica amplamente o trabalho acadêmico individual da pesquisadora, além de causar transtornos psicológicos que trazem diversas consequências para a vida acadêmica, profissional e pessoal da estudante.

A Maison du Brésil é um espaço que deveria oferecer condições adequadas de estudo e moradia no exterior para estudantes da pós-graduação brasileira, contribuindo para a realização de pesquisas essenciais ao desenvolvimento científico do país, e não causar transtornos injustificáveis durante a estadia dos pesquisadores na França.

Diante do acontecido e relatado pela estudante, solicito o fim imediato do assédio moral, das punições e ameaças contra a estudante. É inadmissível que a estudante seja perseguida por razões que foram caluniosamente utilizadas contra ela pela Diretoria da Maison du Brésil, gerando problemas que repercutem diretamente no desenvolvimento do seu projeto de doutorado e que não estão de acordo com a politica de pesquisa no exterior favorecida pelo Ministério de Educação e pela CAPES.”

Da redação

Matéria relacionada:

30/09/2014 – Pesquisadores e estudantes brasileiros que vivem na Casa do Brasil na França denunciam arbitrariedades cometidas pela Instituição

Por: Hercília Melo do Nascimento[1]

Tamara Naiz da Silva[2]

Um pronunciamento[3] do prof. Dr. Jorge Almeida Guimarães, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no dia 22 de setembro, tem gerado grande repercussão. Trata-se da proposição de criar um novo mecanismo de contratação de professores estrangeiros de modo direto por meio de Organizações Sociais (OS’s) e com regime de trabalho baseado na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e não por Regime Jurídico[4], como nos concursos públicos atuaisdas Instituições Federais de Ensino Superior. A proposta apresentada tem sido fortemente criticada na comunidade científica e carrega consigo contradições.

Partimos aqui da compreensão de que este movimento anunciando e referendado pelos ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia (como exposto pelo presidente da Capes) vem no sentido de apresentar um plano efetivo que contribua na crescente internacionalização das Universidades e da ciência brasileira. Todavia o modelo proposto não foi fruto de um diálogo entre o poder público e a comunidade científica.

Concordamos que o tema Internacionalização é muito relevante e que essa é uma discussão necessária, que está, inclusive, nas preocupações da Associação Nacional de pós-graduandos (ANPG)[5] e de sua diretoria.

Sabemos que o avanço da ciência brasileira, em termos de quantidade e qualidade, é amplamente reconhecido na atualidade. Variados indicadores têm demonstrado os avanços da produção científica brasileira em diversas áreas como Física, Matemática, Ecologia e Geociência, tendo os impactos relativos das publicações situados próximos às medias mundiais (PNPG 2011-2020, p. 231). Mas para além de números, esperamos que a ciência vivenciada no Brasil seja capaz de favorecer e integrar os esforços de produção de conhecimentos, propondo soluções para grandes questões da sociedade, na forma de tecnologias e inovações, ressignificações dos processos de trabalho, relações sociais mais humanizadas etc.

Também consideramos que há muito espaço para avançar no sentido de internacionalizar nossos programas de pós-graduação, de proporcionar mobilidade a pesquisadores e estudantes e de fomentar as cooperações e a integração científica e tecnológica com outros países. Por conseguinte, as discussões sobre internacionalização nas áreas de ensino, ciência, tecnologia e inovação têm relevância e exigem debate cada vez mais profundo para que alcance as realidades.

Como partícipesda ANPG, entidade representativa dos pós-graduandos brasileiros,reiteramos aqui que fomentar tais debates entre os estudantes de pós-graduação é fundamental para um projeto de país que enxerga na ciência melhoria na vida das pessoas, quando temos envidado esforços em 90% das pesquisas realizadas, segundo dados da Capes.

Para nós, a valorização dos pesquisadores brasileiros não entra em contradição com a atração de pesquisadores de outros países. Contudo, ainda nos deparamos com poucos direitos para os pós-graduandos brasileiros.Não estamos incluídos na distribuição dos recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil, não alcançamos a universalização e uma política permanente de valorização das bolsas de pesquisa.

Deste modo, não podemos deixar de colocar nossas críticas à proposta apresentada pela Capes, com destaque a algumas questões:

Primeiramente, expomos o pesar pela ausência de diálogo com as representações dos professores, sindicatos nacionais Andes e Proifes, associações científicas, estudantes e sociedade civil à respeito da adoção da CLT para contratação de professores.

Em segundo lugar, registramos nossa solidariedade aos companheiros docentes, na medida em que sofreram a acusação de favorecimento nos concursos públicos, na colocação de que “Todo mundo sabe que isso é um jogo de cartas marcadas”.Consideramos que a afirmação desqualifica o sistema universitário frente à sociedadeDefendemos e acreditamos na docência como tarefa socialmente necessária, devendo guardar para com a sociedade compromissos ético-políticos e visar a formação de recursos humanos qualificados e que respeitem os fins democráticos da educação pública, gratuita e de qualidade.

A justificativa é a de absorção de docentes oriundos de outros países para contribuir para o aprimoramento de programas e desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovaçãoEssa proposta está bem no começo, mas o ministro José Henrique Paim nos autorizou a avançar nisso e estamos trabalhando junto com a academia, o IMPA e outros que têm mais experiência nisso”. Esta justificativa avaliamos quenão se sustenta quando já temos no sistema educacional a possibilidade de acolher professores visitantes, inclusive de forma temporária, apenas com a exigência de recursos para contratação e quantitativo estabelecido pela instituição.

Terceiro, como destacamos anteriormente, a forma de ingresso no serviço público é através de concurso. Mas, segundo a explanação, temos agora que levantar qual é a grande demanda, quanto seria um bom valor para começar, ver quantas pessoas gostaríamos de trazer de fora, em que nível, etc. Daí, faremos o cálculo, na ponta do lápis e esse será o contrato de gestão que vai ser proposto”. Ressaltamos que acontratação numa Universidade pública sem concurso pode significar terceirização e contratos precários de trabalho, por meio das OS’s suscitadas como caminho profícuo. Nosso temor é justamente que essa proposta de contratação se efetive, e pior, que venha a ser um parâmetro, pois seria neste perfilque ingressariam os jovens mestres e doutores que seguem para o magistério superior, onde serão trabalhadores com contratos deficientes e que terão dificuldades no preenchimento do cargo sem indicação de alguém. Sem regime de trabalho estável, caberá a este professor recém-contratado aquietar suas inconformações e reivindicações para evitar demissão.

Quarto, chamamos também a atenção para o caráter e a missão das Universidades: a Universidade é por excelência um espaço de construção de conhecimento, de vanguarda, uma instituição construída a partir do compromisso de alavancar o desenvolvimento humano e social por meio da formação de pessoas, que tem caráter científico e promoveações voltadas para os anseios do povo. Este compromisso social, conecta-se com a vida das cidades, regiões e pessoas. Não cabendo comparações com instituições “vocacionadas” exclusivamente para pesquisa.

A Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco) classificou, em 2009, a educação superior como patrimônio público, com o dever de responder às necessidades sociais por meio da pesquisa comprometida e do ensino de qualidade. Acreditamos que dessa forma a universidade contribui para o desenvolvimento do país. Para tal, torna-se importante a participação de estudantes, técnicos, professores e pesquisadores na definição das prioridades sociais no campo da educação, da ciência e da tecnologia. 

Queremos umaUniversidade para a transformação, que contribua no desenvolvimento sustentável e na inserção soberana e competente do país no cenário internacional.  Do mesmo modo, não aceitaremos retrocessos na democracia interna e da autonomia das instituições[6]. A participação política dos estudantes é a nossa defesa e não abriremos mão dela!

Nos posicionamos contra qualquer proposta  que permita que a Universidade tenha sua autonomia ferida. Os contratos e decisões terão pouca ou nenhuma participação da Universidade dentro das OS’s, tendo, geralmente, um representante no conselho diretor no modelo proposto. Após a admissão das OS’s, o contrato que foi firmado pode ser mudado com uma simples assinatura. Essa violação afronta a autonomia universitária garantida na Constituição e carrega consigo prejuízos na formação dos estudantes, que  sofrerão todas as consequências dessa instabilidade profissional e rompimento da autonomia didático-científica Essas medidas que repercutem no perfil dos trabalhadores, na organização do processo de trabalho e nas prioridades da atuação docente.

Cabe às Universidades, assim como às escolas, decidir o papel que desejam protagonizar; se a serviço da reprodução de desigualdades ou do rompimento em busca de transformação. Defendemos que as características e os critérios de provas e títulos dos concursos sejam decididos pela equipe de profissionais que irá acolher o docente e dividir a função social do seu trabalho. As lutas que temos nos envolvido junto aos docentes é pela reestruturação da carreira no magistério, que estabelece o RJU para ingresso. Defendemos também a recomposição dos quadros em vacância nas universidades, na medida em que a sobrecarga de trabalho ou ausência do serviço prejudica a todos os envolvidos.

Por último, o anúncio também trouxe em seu bojo que a maioria dos pesquisadores brasileiros está centrada nas Universidades. Como têm sido absorvidos os pesquisadores? Como estão sendo as suas formações? A pós-graduação atual estimula a diversificação da formação, partindo do pressuposto da aprendizagem significativa, que promove e produz sentidos, e sugere que a transformação das práticas esteja baseada na reflexão crítica?  Os cursos de pós-graduação permitem a diversidade de desenhos metodológicos e cenários de práticas na sua pesquisa para atender às necessidades do pesquisador? A atual predominância na formação do pesquisador para a docência não tem impacto no destino de atuação?

Portanto, nos parece que esta proposta reflete em questões eminentemente políticas e não observamos razoabilidade na decisão entre CAPES, MEC e MCTI sobre a proposta de contratação de professores. Acabar com os concursos públicos é colocar em risco os bens públicos ao transferir para uma Organização Social o patrimônio construído por tantos. Nos colocamos contrárias à contratação de pessoal na administração direta com orçamento público que integra a administração indireta da União, conforme metas e pactos de contratualização.

Dito isto, manifestamos nossas posições e apresentamos nossas preocupações à respeito dos últimos pronunciamentos da CAPES e MCTI no que tange a contratação de professores através da criação de OS.



[1] Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e secretária geral da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG).
[2] Mestre em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).
[4] O Regime Jurídico é a Lei que define os parâmetros que devem regular o relacionamento de trabalho entre empregador e empregado. No Brasil, o chamado Regime Jurídico Único (RJU)foi instituído pela Lei nº 8112/90, regulando a relação entre os servidores públicos e a administração, abrangendo servidores da Administração Direta, das Autarquias e das Fundações.Já a Lei n° 8.881-A/1965 institui o regime jurídico do pessoal docente de nível superior, vinculado à administração federal (com alterações em: Lei n° 5.539/1968, Decreto – Lei n°465/1969 e Lei n° 5.802/1972).
[5] O 24° Congresso Nacional de Pós-graduandos, aprovou em suas resoluções propostas voltadas ao tema Internacionalização da ciência brasileira.
[6]Nos referimos à afirmação do ministro Campolina de que para ele “a democracia tem que ser praticada, mas quem tem que tomar as decisões são os seus cientistas”. Esta posição é totalmente oposta ao que defendemos como diretoras de uma entidade ligada ao movimento educacional, que vemos nos estudantes sua capacidade de colaborar nos rumos das instituições, assim como os companheiros técnicos-administrativos e representantes de movimentos sociais.
Saiba mais: http://www.ebc.com.br/tecnologia/2014/09/capes-defende-contratacao-de-professores-por-organizacoes-sociais
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