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Natasha Ramos

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Fotos: Natasha Ramos/ANPG

A presidenta Dilma Roussef se reuniu ontem (20) com intelectuais, juristas, cientistas e artistas no Tuca, o teatro da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), na zona oeste de São Paulo. A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, foi convidada pela organização para prestigiar o evento do palco, ao lado dos cerca de cinquenta convidados.

Ao centro, a presidenta da ANPG, Tamara Naiz, prestigia o Encontro da Dilma com os Artistas
Ao centro, a presidenta da ANPG, Tamara Naiz. Foto: Natasha Ramos

O ato teve início pouco antes das 20h e terminou por volta das 23h30, após Dilma Rousseff discursar para o auditório lotado. Do lado de fora, onde havia um telão pelo qual assistiam ao encontro os milhares de apoiadores à reeleição da candidata, a rua Monte Alegre teve de ser bloqueada para o trânsito. O evento também foi transmitido pela internet para mais de 50.000 internautas, que acompanhavam o evento de suas casas.

O Tuca estava repleto de estudantes e figuras ilustres como o filósofo e escritor Mário Sérgio Cortella, que falou em seguida da Carina Vitral, presidenta da UEE. O diretor teatral José Celso Martinez Corrêa, o escritor e jornalista Fernando Morais, o também escritor Raduam Nassar e a sambista e deputada estadual Leci Brandão (PCdoB) também estiveram presentes.

Mário Sérgio Cortella. Foto: Natasha Ramos
Mário Sérgio Cortella. Foto: Natasha Ramos/ANPG

O jornalista e candidato ao governo de São Paulo pelo PSOL, Gilberto Maringoni, também expressou seu apoio à reeleição da candidata do PT: “Estamos entre a democracia e o abismo”, disse se referindo aos dois projetos de governo que se apresentam neste segundo turno. “Tenho várias críticas ao PT, mas, hoje, vamos falar do que nos une neste momento”, acrescentou.

Os cineastas Toni Venturi e Laís Bodanzky leram o Manifesto Pró-Dilma do Audiovisual Brasileiro, que reuniu mais de 1100 assinaturas de atores, atrizes, cineastas e pessoas do setor, entre eles Camila Pitanga, Leandra Leal, Telma Guedes, Chico Dias, Tatá Amaral e Jorge Furtado.

>>Leia o Manifesto aqui!

Toni Venturi e Laís Bodanzky. Foto: Natasha Ramos
Toni Venturi e Laís Bodanzky. Foto: Natasha Ramos/ANPG

O jurista Celso Antônio Bandeira de Mello comentou, em sua fala, a ascensão das classes mais baixas durante os últimos 12 anos: “O governo do PT tirou da miséria mais de 40 milhões de brasileiros”. O jurista Heleno Torres, o músico Antônio Nóbrega, e os rappers Thaíde e DJ Dexter também participaram do encontro, expressando seu apoio à Presidenta.

Thaíde e DJ Dexter. Foto: Natasha Ramos/ANPG
Thaíde e DJ Dexter. Foto: Natasha Ramos/ANPG

Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista e cientista político, fundador do PSDB, e Roberto Amaral, ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação no governo Lula, e ex-presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), também apoiam Dilma Rousseff. Em sua fala, Amaral considerou “traição” a aliança de seu partido com a candidatura do Aécio. “O Brasil voltar ao governo do PSDB é um retrocesso muito grande”, disse.

A escritora, artista plástica, coreógrafa e folclorista brasileira Raquel Trindade, falou em nome dos negros quando expressou seu apoio à Dilma. “Quando fui convidada para dar aula da Unicamp, havia apenas um negro na sala. Por isso, eu digo que negro consciente vota em Dilma! Por mais inclusão social”, diz Raquel com seu jeito simples e direto.

Raquel Trindade. Foto: Natasha Ramos
Raquel Trindade. Foto: Natasha Ramos/ANPG

Lideranças petistas como o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, o prefeito Fernando Haddad, o senador Eduardo Suplicy, o ex-ministro da saúde, Alexandre Padilha, e a ministra da Cultura, Marta Suplicy também participaram do ato.

Prefeito Fernando Haddad. Foto: Natasha Ramos
Prefeito Fernando Haddad. Foto: Natasha Ramos/ANPG

Em seguida, falou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que informou que em frente à Embaixada do Brasil na Argentina, em Buenos Aires, no momento do ato, estava acontecendo uma manifestação com cerca de 2.000 argentinos que apoiam a reeleição da candidata do Partido dos Trabalhadores.

Lula. Foto: Natasha Ramos/ANPG
Lula. Foto: Natasha Ramos/ANPG

Lula também comentou sobre a experiência de se ter um segundo turno nas eleições presidenciais: “Eu sou a favor de se ter um segundo turno, pois este momento permite que pessoas diferentes se juntem em favor de um projeto, e que seja o melhor.”

Ao se posicionar diante do púlpito, a presidenta Dilma agradeceu a presença de todos, iniciando pelo mestre de cerimônias, o ator Sério Mamberti. Em seguida, lembrou da crise de energia que o Brasil enfrentou durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 2001 a 2002, e a atual crise do fornecimento de água que o Estado de São Paulo enfrenta, no governo de Geraldo Alckmin. “Está na constituição, água é atribuição do Estado, enquanto energia é atribuição da União”, disse a presidenta. Ela ainda afirmou que ambas as crises poderiam ter sido evitadas se o governo do PSDB olhasse para o país de forma menos irresponsável.

Presidenta Dilma. Foto: Natasha Ramos/ANPG
Presidenta Dilma. Foto: Natasha Ramos/ANPG

“Foi um ato bastante cheio, caloroso e combativo, tanto que o teatro não comportou todas as pessoas que foram prestigiar o encontro. O local que foi escolhido também é muito significativo. O Tuca é símbolo da resistência contra a ditadura e representou, no ato de ontem, a força de quem está apoiando o partido dos trabalhadores nessa eleição, uma espécie de resistência a um projeto de governo que pretende entregar o país às forças neoliberais, como disse a Dilma em seu discurso”, disse Philipe Pessoa, diretor de cultura e eventos científicos da ANPG, que também esteve presente no encontro.

Da redação

A Uerj pode ter cotas nos cursos de pós-graduação em 2015 Fabio Motta / Agência Estado
A Uerj pode ter cotas nos cursos de pós-graduação em 2015. Fabio Motta / Agência Estado

A oferta de vagas para cotistas será limitada a 20% do número total de postos

A Alerj (Assembleia Legislativa) aprovou na última quarta-feira (15) o projeto do deputado Zaqueu Teixeira (PT) que prevê o sistema de cotas para cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado), de especialização, de aperfeiçoamento e outros instituídos nas universidades públicas estaduais.

O texto votado beneficia negros, índios, graduados da rede pública e privada de ensino superior, pessoas com deficiência, e filhos de policiais civis e militares, bombeiros e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.

A oferta de vagas para os cotistas seria limitada a 20% do total de postos. O projeto segue para análise do governador Luiz Fernando Pezão, que tem 15 dias úteis para sancioná-lo ou vetá-lo.

Fonte: R7

O plano de governo do candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves, é o maior dos planos apresentados pelos candidatos nas eleições de 2014. Apesar de sua extensão, ele trata os temas com superficialidade e em vários pontos não deixa claro como irá implementar as metas traçadas, como é o caso das metas de sustentabilidade. Quando se é presidente não basta falar o que vai fazer, mas também como fará, como disse a presidenta Dilma em um dos debates entre presidenciáveis.

Uma coisa é clara nas diretrizes apresentadas pelo candidato: o meio ambiente deve ser encarado como um negócio e este deve ser lucrativo. A forma proposta para garantir o desenvolvimento sustentável é através do envolvimento do mercado em Políticas Público-Privadas e “melhoria da governança” das empresas estatais e instituições setoriais responsáveis pelo tripé Planejamento, Gestão e Regulação. Se por um lado o candidato estimula a implantação de mecanismos que visem a maior profissionalização nas empresas estatais, por outro ele propõe diferenciação dos contratos atrelados a metas operacionais e financeiras.

Há vinte anos o governo tucano debatia a privatização da Petrobrás e sua mudança de nome para Petrobrax, visando acabar com o caráter nacional e aumentar o valor de venda da empresa. Ironicamente, o partido que quis vender um dos maiores patrimônios nacionais agora fala no programa de governo de seu candidato à presidência sobre o “resgate do papel da Petrobrás e sua valorização como instrumento vital da política energética brasileira”. Nos últimos anos a Petrobrás passa por sua fase mais promissora, especialmente após a descoberta das reservas do pré-sal. Ao contrário do que prega o PSDB, a Petrobrás tem tido sim papel vital no desenvolvimento nacional e na soberania brasileira.

            Como já é típico dos programas de governo tucanos, também não se vê uma linha sequer sobre a aplicação das decisões eleitas democraticamente na última Conferência Nacional do Meio Ambiente (2013). Aliás, algo que Aécio nunca realizou em Minas Gerais, à exceção das etapas estaduais destas Conferências, entretanto com um agravante, as propostas eleitas em MG simplesmente sumiram, foi o estado da Federação que a etapa estadual não apresentou nada de ideias a serem votadas, um completo absurdo.

Ao se falar nas propostas de saneamento, não vemos uma exploração real do problema em si. Somente ideias vagas, como “desburocratização da aplicação anual de recursos”; sem dizer como isso vai se dar, o que pode nos levar a pensamentos preocupantes, como por exemplo, em formas de se burlar a Lei de Contratos e Licitações, afinal de contas não fica claro como vai se dar esta “desburocratização”.

Outro ponto curioso se dá nas diversas propostas de estímulo e incentivo, seja para investimento em saneamento por parte de gestores empresariais, fundos de pensão, etc. Como serão estes estímulos? Nos moldes do Choque de Gestão realizado no seu estado natal, onde somente as empresas recebiam incentivos e os municípios ficavam reféns do governo federal?

 Outro ponto preocupante que se observa nas propostas de Aécio se dá na parte em que propõe “novas formas de contratação nas parcerias públicas privadas”. O que isso quer dizer? Flexibilizar as relações trabalhistas presentes na CLT? O que deve ser feito, são concursos com o fortalecimento das autarquias públicas, e não a terceirização, a exemplo do que este senhor fez em Minas Gerais com a COPASA, precarizando o trabalho dos servidores e deixando tudo a mercê da iniciativa privada.

 Outro ponto curioso que se observa são os fins dos Lixões. Mas isso era meta da Conferência de Meio Ambiente de 2009, quando Marina Silva ainda era Ministra do Meio Ambiente. A ideia era acabar com os lixões até 2013, algo que não conseguiu acontecer exatamente pela dificuldade de realização de projetos por parte do poder público municipal da maior parte das cidades médias, os tucanos vão realizar este feito de que maneira, uma vez que este problema está muito mais relacionado a incompetência administrativa municipal que federal?

Ressalta-se ainda que o candidato não apresenta em seu Plano de Meio Ambiente as soluções para o lixo hospitalar. Segundo a diretiva da última Conferência de Meio Ambiente, aprovou-se o fim da incineração, não é possível que o ex-governador de MG esteja propondo reutilização de lixo hospitalar, algo que possui padrões internacionais de descarte, com alto índice de contaminação!

Chega a ser curioso um Plano de Governo do PSDB falar no assunto água, quando o estado de São Paulo, gerido por eles a mais de 20 anos enfrenta a maior escassez hídrica desde sua fundação. Propor campanhas de conscientização sobre o uso da água é insuficiente tendo em vista as constantes demandas no país, é preciso propostas concretas, como incentivo a projetos de variabilidade de captação hídrica e metas de consumo conforme o número de habitantes, inclusive, com multas para os que desperdicem este bem público.

Alguns países, como o Chile, por exemplo, já tem sua água como bem privado, não podemos deixar que aconteça o mesmo com o Brasil, políticas equivocadas que levam a falta de água, servem apenas para sucatear a sua distribuição e dar ainda mais argumentos aos privatistas de plantão, quando na realidade o estado é e deve ser o responsável pela captação e distribuição deste bem ambiental.

Sem dúvida alguma a parte mais engraçada presente é o conceito de “Cidadania Planetária”. Os neoliberais gostam de usar terminologias globais para mascarar sua verdadeira face, a de imperialistas em busca do lucro desenfreado com propostas práticas de frenagem do desenvolvimento dos países periféricos. Somos cidadãos brasileiros! Este tipo de conceito presente na agenda do Banco Mundial não nos representa, o uso consciente do meio ambiente é sim problema de todos e todas, entretanto como se faz o uso destes bens para o desenvolvimento de cada país, é problema único e exclusivo de cada nação, sem o dedo indicador dos estadunidenses ou de seus satélites!

É inegável que uma agenda sustentável deve de fato ser batalhada em todas as esferas, em todos os encontros e conferências que o Brasil venha a liderar ou participar. Causa estranheza que no Plano de Governo tucano vejam-se apenas a proposta de que o Brasil deva liderar iniciativas de preservação dos oceanos. Por que também os demais biomas não estão presentes? Nosso cerrado vive uma verdadeira batalha pela sobrevivência frente ao agronegócio e não se observa uma linha a respeito deste bioma para defesa deste em níveis globais. Por que será? Será que a agroindústria que financia o candidato iria ficar descontente?

Quando se observa, ainda neste programa de governo, propostas de “Transição para uma Economia de Baixo Carbono para o enfrentamento do aquecimento global” cabe uma pergunta. Que tipo de economia? Por que se for para seguir o modelo de gestão ambiental que o estado brasileiro atualmente apresenta não faz sentido algum a troca de comando da nação! Não há clareza do que será realizado na prática, apenas frases feitas e propostas de senso comum. Queremos parâmetros reais e ideias inovadoras que contribuam para a preservação real de nossos ecossistemas em conjunto com o desenvolvimento econômico e social da nação!

Soa controverso também propor-se estímulos tanto ao desenvolvimento econômico como de Parcerias Público-Privadas (PPP) no entorno de Unidades de Conservação (UCs). É necessário detalhar melhor o que se quer ou se espera disso, pois desenvolver um entorno não pode ser sinônimo de degradação total, o uso sustentável por parte das comunidades presentes é fundamental e seu estímulo sim deve ser considerado.

Quanto a PPP em UCs, é preciso observar com muita atenção, pois em MG o Parque da Gandarela preservou só parte do local de onde vem a água que abastece a região metropolitana de Belo Horizonte, a parte de biogeodiversidade, será alvo de mineração da iniciativa privada, não se pode cometer este mesmo erro em outras propostas de criação de UCs.

Ainda no Plano de Governo de Aécio Neves observa-se também 2 pontos curiosos: Combate ao tráfico de animais silvestres e de produtos madeireiros. Muito digno, mas como isso se dará? É preciso detalhar que os atuais esforços do IBAMA e da Polícia Federal são ainda poucos! É preciso mais concursos em ambas as autarquias para uma melhor vigilância de aeroportos e fronteiras, isso sim pode coibir o contrabando silvestre!

Para finalizar, gostaria de expressar que, como biólogos, estas propostas não nos satisfazem, soam como mais do mesmo, ideias desconexas ou com erros jurídicos ou metodológicos, quem defende o Meio Ambiente de maneira responsável, não pode se deixar iludir pelas propostas neoliberais do PSDB, se hoje temos a menor taxa de destruição da Amazônia, foi graças aos esforços da funcionária de carreira do IBAMA e Ministra do Meio Ambiente Isabela Teixeira, que, ao contrário da ministra anterior, repassa verbas e cobra metas dos estados e municípios, sem terceirizar a ONGs um dever que é prioritariamente do estado.

De sustentabilidade, os peessedebistas só tem a mascote: tucano, porque de resto não apresentam nada de novo que possa de fato nos colocar como exemplo mundial a ser seguido, a não ser que seja de Insustentabilidade, porque se for este o objetivo, Aécio Neves está de parabéns.

1 Pedro Luiz Teixeira de Camargo é Biólogo, Especialista em Gestão Ambiental e Mestre em Sustentabilidade pela UFOP. Foi diretor da ANPG entre 2012-2014.

2 Raísa Romênia Silva Vieira é Bióloga, Mestre em Ecologia e Evolução pela UFG, e foi Vice-Presidente Reginal Centro Oeste da ANPG entre 2012-2014.

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

Por Wellington Pinheiro dos Santos*

*Engenheiro Eletrônico, Mestre em Engenharia Elétrica pela UFPE (2003), Doutor em Engenharia Elétrica pela UFCG (2009), Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Biomédica da UFPE desde 2010.

III. Economia
III.I. Ciência, Tecnologia e Inovação
As diretrizes para as áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação apresentadas no Programa de Governo do candidato Aécio Neves do PSDB estão praticamente todas contempladas no documento “Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2012-2015 / Balanço das Atividades Estruturantes 2011” (ENCTI), do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), 2012, editado e organizado pela Secretaria Executiva do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, com apoio do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

1. O programa, na sua diretriz 1, apresenta como proposta a criação de um Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, claro e com governança bem definida, acompanhado pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia – CCT. Essa discussão já vinha sendo travada desde o segundo governo Lula, tendo culminado na construção, em 2012, da Plataforma Aquarius, desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que tem como objetivo prover uma infraestrutura para governança digital que permitisse a difusão das políticas públicas brasileiras em Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação, bem como das informações estratégicas do ministério e de suas unidades e agências vinculadas, tais como os principais programas, projetos, recursos como bolsas e outros. A Plataforma Aquarius está também bem descrita em anexo do documento ENCTI. http://aquarius.mcti.gov.br/app/home/

2. As diretrizes 2-9 e 11-14 do Programa de Governo do PSDB estão presentes já no Capítulo 1 do documento ENCTI. As diretrizes 15 e 16 estão contempladas no Capítulo 2, “Balanço das Atividades Estruturantes 2011” do mesmo documento.

3. A diretriz 6 do Programa de Governo do PSDB repete a crítica ao ainda baixo nível de investimento em CT&I no Brasil, 1,2% do PIB, presente no documento da ENCTI, e estabelece como meta atingir 2% do PIB até 2020. Entretanto, o documento ENCTI indica que o percentual de 1,19% do PIB é na verdade de 2010, tendo os investimentos nacionais em P&D atingido já 1,80% neste ano de 2014, sendo que, de 2010 a 2014, os investimentos do setor privado cresceram de 0,56% a 0,90% do PIB, enquanto o dispêndio público foi de 0,62% a 9,90% do PIB, correspondendo o investimento do governo federal de 0,43% a 0,65% do PIB.

4. É importante destacar os eixos de sustentação da ENCTI, presentes no Capítulo 1 do documento, mostram que, de 2010 a 2014, os seguintes indicadores apresentaram elevado aumento:

Indicador 2010 2014
Taxa de inovação das empresas 38,6% 48,6%
Número de empresas que fazem P&D contínuo 3425 5000
Percentual de empresas inovadoras apoiadas por programas governamentais 22,3% 30%
Número de técnicos e pesquisadores envolvidos em P&D nas empresas 58046 80000
Número de bolsas CNPq de todas as modalidades concedidas 84000 120000
Número de bolsas CNPq de mestrado concedidas 11150 14000
Número de bolsas CNPq de doutorado concedidas 9500 15000
Percentual de concluintes das engenharias 5,9% 11,8%
Número de campi universitários com infraestrutura de pesquisa 303 900

5. A diretriz 10 do Programa de Governo do PSDB, que trata da ampliação do Programa Ciência sem Fronteiras para inclusão de professores e pesquisadores é por demais genérica, sendo já atendida pelo programa com o apoio aos estágios de pós-doutorado.

III.II. Comércio Exterior
O Programa de Governo do PSDB se propõe a reduzir e simplificar os processos burocráticos associados ao comércio exterior, envolvendo desde os procedimentos das aduanas à regulação e certificação de produtos por parte do INMETRO e do INPI. O programa propõe ainda a redução dos custos associados à exportação.

No entanto, o programa aponta nas suas diretrizes certas decisões que contribuiriam para a perda do papel do Brasil de protagonista no plano internacional, quando afirma que serão reavaliadas as relações comerciais com países como a China, expressa textualmente e apontada como ameaça, e outros, o que parece uma clara referência à retirada do Brasil dos BRICS. O programa afirma ainda que deverão ser concluídas parcerias com o que seria considerado o principal bloco comercial para as exportações brasileiras: a União Europeia. Afirmam ainda as diretrizes programáticas do PSDB que o Brasil deverá fazer um acordo comercial preferencial com os Estados Unidos, o que claramente traz de volta a ameaça da ALCA, afastada no primeiro governo Lula, que poderia trazer consequências profundamente danosas para a produção industrial e agrícola brasileira, como se pode perceber a partir dos acordos comerciais que o Chile de Pinochet fez com os Estados Unidos, e com a experiência do México com o NAFTA, que implicou em forte processo de desindustrialização.

III.III. Desburocratização – Simplificação
O Programa do PSDB aponta diversas diretrizes onde é atacada uma suposta cultura de burocratização e faz afirmações genéricas a respeito da necessidade de simplificação dos processos e redução da burocracia. Aqui predominam as frases de efeito, sendo o conteúdo escasso a respeito de que medidas efetivamente seriam tomadas para redução da burocracia, o que abre espaço para conjecturas a partir da experiência do governo Fernando Henrique Cardoso, de simplificação e desburocratização como terceirização, ausência de transparência e precarização de serviços públicos.

III.IV. Desenvolvimento Regional
Aqui as diretrizes programáticas novamente se reduzem a frases de efeito e afirmações vagas, mas que não se sustentam à comparação com o que efetivamente já foi realizado pelo governo Lula e está sendo feito pelo governo Dilma, que efetivaram claras e eficientes políticas que favoreceram o desenvolvimento local e regional, com prioridade para as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, o que se expressa tanto em políticas públicas e investimentos diretos em infraestrutura e crédito nessas regiões prioritárias quanto na prioridade de 30% dos recursos de editais do CNPq e da FINEP de promoção da CT&I para as regiões citadas.

III.V. Empreendedorismo
As diretrizes programáticas do Plano de Governo do PSDB aqui apontam para muitas medidas que já são parte da prática do governo federal, por meio da a Lei 10.973, de 2 de dezembro de 2004, conhecida como Lei da Inovação, que dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo.

Quanto à proposta de componentes curriculares de empreendedorismo na educação básica, profissional e superior, esses já existem na educação profissional e superior desde antes do primeiro governo Lula, tendo resultado de amplos debates na sociedade civil organizada e no Congresso Nacional.

Já em relação à simplificação dos processos envolvendo patentes, medidas vem sendo tomadas, como a automatização de processos do INPI, com virtualização e disponibilização online de processos, visando a diminuição dos prazos e a simplificação para o inventor individual, como previsto na Lei de Inovação.

III.VI. Emprego e Renda
Novamente aqui as diretrizes programáticas do Plano de Governo do PSDB não apresentam novidade além da afirmação da necessidade de diminuição da rotatividade da mão de obra no Brasil e do aumento da produtividade, sem maiores detalhes para como se daria essa redução da rotatividade com aumento da produtividade sem precarização do trabalho. Ao mesmo tempo são reafirmadas políticas de emprego e renda dos governos Lula e Dilma, tais como as que contemplam a economia solidária e o incentivo ao cooperativismo e ao associativismo, bem como o que já está presente em iniciativas como o PRONATEC.

III.VII. Infraestrutura e Logística
Aqui as diretrizes programáticas do Plano de Governo do PSDB priorizaram fazer a crítica à execução de obras estruturais por parte do Governo Dilma em detrimento da apresentação de propostas concretas, mergulhando no lugar comum e em frases de efeito.

III.VIII. Política Agrícola
As diretrizes programáticas para Política Agrícola do Plano de Governo do PSDB, na sua maior parte, são uma reafirmação do que já vem sendo feito no setor. No entanto, há dois aspectos profundamente problemáticos que saltam aos olhos de quem lê de um ponto de vista progressista:

1. Total ausência de qualquer referência à Reforma Agrária e à produção familiar. É importante destacar que a produção da agricultura familiar é responsável pela produção de mais de 70% dos alimentos consumidos nos lares brasileiros, enquanto o agronegócio, ostensivamente privilegiado nas diretrizes do Plano de Governo do PSDB, prioriza a monocultura com fins prioritários de exportação.

2. O programa propõe a substituição da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, CNTBio, por um grupo de especialistas que tomariam decisão a respeito de biotecnologia. Isso é um claro retrocesso à participação social, abrindo espaço para que exista menor transparência e decisões do setor, o que poderia vir a beneficiar a entrada indiscriminada de transgênicos, agrotóxicos e outros elementos que poderiam vir a ameaçar a biodiversidade e a segurança alimentar e nutricional, por exemplo.

Quanto ao estímulo à agricultura de baixo carbono, o documento da ENCTI, no Capítulo 1, já prevê o estímulo à construção de toda uma economia de baixo carbono, não apenas a agricultura.

III.IX. Política Industrial
As diretrizes programáticas do PSDB referentes à Política Industrial, de 2 a 11, são ricas em lugares comuns e frases de efeito, já presentes muitas vezes na Lei da Inovação e no documento da ENCTI.

No entanto, a diretriz 1 é bastante preocupante. Nela se afirma a “Redefinição do relacionamento da indústria brasileira com o resto do mundo, por meio da integração do nosso parque industrial com a indústria global e com as cadeias globais de produção”. Isso lembra as consequências infelizes da adoção do NAFTA por parte do México, que “redefiniram” as relações do seu parque industrial por meio da integração subalterna da indústria mexicana à produção industrial dos EUA, com o México absorvendo os setores de baixa e média tecnologia, produção manual e, em sua maioria, simples montagem dos produtos que entram no país na forma de O&M (somente componentes), promovendo a substituição do seu parque industrial nacional pelas chamadas “maquiladoras”, montadoras de baixa tecnologia com mão de obra precarizada e sem espaço para a criação de novos produtos.

III.X. Política Macroeconômica
Este talvez seja a seção mais clara e previsível do Plano de Governo do PSDB, muito similar a tudo que foi experimentado nos governos Fernando Henrique Cardoso. Logo no seu preâmbulo, é afirmada a “Santíssima Trindade” da visão econômica neoliberal: o tripé macro composto por metas de inflação, superávit primário e câmbio flutuante.

A primeira diretriz já afirma a autonomia operacional do Banco Central, com meta de taxa de inflação de 4,5%. Essa abordagem claramente ameaça o desenvolvimento nacional, uma vez que parte do falso princípio de que a inflação seria devida principalmente ao aumento da demanda no mercado, sendo a principal medida para combater a inflação o aumento de juros, que torna o crédito mais caro e, portanto, exerce pressão sobre a demanda. Além de essa abordagem não considerar fatores naturais e aleatórios na determinação da inflação, tais como secas, enchentes, catástrofes naturais em geral e fatores diversos internos e externos ao país, dentre eles a crise internacional de 2008, que ainda perdura, ela é uma abordagem com potencial para a indução de crises recessivas, sendo prejudicial à produção industrial e ao setor de serviços.

Além disso, a plena autonomia do Banco Central é medida não republicana, pois minimiza a influência do Poder Executivo, democraticamente eleito, sobre um órgão fundamental para o desempenho da economia nacional, colocando-o sob a influência dos bancos privados e prejudicando a efetivação de importantes políticas públicas. Em sendo assim, em uma situação de plena autonomia do Banco Central, o Estado efetivamente recua em favor dos interesses privados, pois abre mão da efetividade de suas políticas, renuncia parcialmente ao planejamento, e entrega-se ao sabor do mercado financeiro.

As diretrizes 2 e 3 afirmam implicitamente o aumento do superávit primário, o que implica, na prática, diminuição do orçamento disponível para o Estado e maior garantia para pagamento de juros da dívida interna e, eventualmente, externa, em caso de vitória do projeto neoliberal. Isso tem impacto claro nos programas sociais diversos que existem no atual governo.

III.XI. Previdência Social
As diretrizes programáticas que tratam da Previdência Social no Plano de Governo do PSDB se limitam a afirmar a existência de um déficit no sistema previdenciário. As demais são frases de efeito e repetição de diretrizes já apresentadas nas seções de Emprego e Renda e Produção Industrial.

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

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A secretária geral da ANPG, Hercília Melo, esteve presente na cerimônia de posse do Conselho Nacional de Educação (CNE), ocorrido no dia 7 de outubro, que teve como presidente da mesa o Ministro da Educação, José Henrique Paim.

O ministro destacou a expansão da Educação superior e técnica e apresentou avanços no setor por meio dos programas como Fies, Pronatec e Prouni. Destacou a expansão da pós-graduação e o aumento no número de matrículas, reconhecendo a necessidade de melhorias. Ressaltou que o investimento deve acontecer em todos os níveis do sistema de ensino e em todas as modalidades formativas. “Precisamos discutir o currículo base das escolas para que todos tenham igualdade de oportunidade”, disse o Ministro.

Representando os conselheiros empossados, Nilma Lino Gomes ressaltou a honra de participar do espaço, destacando que a diversidade do povo precisa estar contida nas políticas e ações. Para ela, o trabalho coletivo do CNE rompe barreiras educacionais: “as teias juntas das aranhas podem segurar um leão, recorrendo a um proverbio africano”, disse.

Encerrada a cerimônia, deu-se início a eleição do novo presidente. Por unanimidade, com votação em urna, foi eleito Gilberto Garcia, professor da PUC-Goiás. O presidente convocou reunião para o mês de outubro para construir o plano estratégico do CNE. Abordou o papel que tem cumprido o CNE frente a seu aniversario de 20 anos em 2015 e exaltou que pessoas humildes têm tido oportunidades através da educação.

A eleição dos presidentes e vice-presidentes das Câmaras de Educação Básica e Ensino Superior ocorreram no dia 8 de outubro.

Para Hercilia, implantar e acompanhar o PNE é a grande tarefa do CNE no próximo quadriênio: “O CNE é um potente articulador para garantia e formulação de politicas e mudanças profundas nas diretrizes curriculares. O chamamento do CNE no dia de hoje é o da participação da sociedade, entidades e movimentos sociais num trabalho conjunto para transformar as realidades educacionais. Grandes são os desafios dos conselheiros para a gestão. Temos crianças fora da escola, jovens e trabalhadores que ainda não ingressaram no ensino superior, precisamos discutir a formação de professores para a inclusão, para atender a diversidade humana. A educação que nosso país precisa é a que repudia qualquer tipo de preconceito, que contribua no processo de humanização, que transforme a realidade. O pobre tem as mesmas condições para permanecer na escola, na universidade?”

A educação básica terá atenção da atuação do CNE, segundo as falas dos conselheiros.
“Temos a aprovação da destinação de 10% do Produto Interno Bruto para a educação, de 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para o setor. Precisamos alcançar a destinação de 50% das vagas em todas as universidades para estudantes oriundos de escolas públicas. Entoamos enquanto entidade representativa da pós-graduação as lutas pela democratização da educação com responsabilidade do Estado nas transformações sociais. Enxergamos no CNE interlocutores importantes para o diálogo com os movimentos educacionais, no envolvimento de gestores, trabalhadores, estudantes e comunidades para a formulação de políticas, na análise dos contextos de influência, na implantação, implementação e ressignificação que sejam necessárias para romper com desigualdades regionais e reprodução do status quo. Temos as batalhas pela regulamentação dos cursos lato sensu, os vislumbres para os próximos processos de expansão das universidades, a valorização dos pesquisadores e da ciência, o fortalecimento da pós-graduação, da formação de jovens cientistas na educação básica, da iniciação científica e da docência, etc. Muitas são as lutas pela educação, nos juntemos!”, argumenta Hercília.

Composição
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Presidente do Conselho Nacional de Educação:
Gilberto Gonçalves Garcia
Conselheiros da Câmara de Educação Básica:
Luiz Roberto Alves (Presidente da Câmara)
Antonio Carlos Caruso Ronca (Vice-Presidente da Câmara)
Antonio Cesar Russi Callegari
Antonio Ibañez Ruiz
Francisco Aparecido Cordão
José Fernandes de Lima
Malvina Tânia Tuttman
Maria Beatriz Moreira Luce (Membro nato)
Nilma Lino Gomes
Raimundo Moacir Mendes Feitosa
Rita Gomes do Nascimento
Conselheiros da Câmara de Educação Superior:
Erasto Fortes Mendonça (Presidente da Câmara)
Sérgio Roberto Kieling Franco (Vice-Presidente da Câmara)
Arthur Roquete de Macedo
Gilberto Gonçalves Garcia
Joaquim José Soares Neto
José Eustáquio Romão
Luiz Fernandes Dourado
Luiz Roberto Liza Curi
Márcia Ângela da Silva Aguiar
Paulo Monteiro Vieira Braga Barone
Paulo Speller (Membro nato)
Yugo Okida

Confira a lista aqui do atual conselho aqui!

Da redação

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Milhares de pessoas de organizações de todo o país reuniram-se, entre os dias 13 e 15 de outubro, em Brasília para a V Plenária Nacional da campanha do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o sistema político. Esse plebiscito coletou quase 8 milhões de votos entre os dias 1º e 7 de setembro de 2014, dos quais 97% disseram SIM à constituinte. A ANPG esteve presente em todas as atividades, na presença de sua diretora de Movimentos Sociais, Maíra Gentil.

Na última segunda-feira (13), cerca de mil pessoas se reuniram em audiência com a Presidenta Dilma Rousseff, que recebeu os resultados, reconhecendo a necessidade da constituinte para reforma politica e reconhecendo também a importância de ouvir a opinião popular através de um plebiscito. “Só a manifestação popular pode ser capaz de criar condições para fazermos a reforma política, a mãe de todas as reformas”. A presidenta comentou a reivindicação dos movimentos populares, que pretendem a instalação de uma Assembleia Constituinte exclusiva sobre o tema. “Considero uma boa proposta, porque não serão aqueles que são parlamentares que vão se reformar”. Dilma confirmou ter sugerido essa proposta no auge das manifestações do ano passado, mas não obteve “a correlação de forças para fazer isso”.

No dia seguinte (14), uma comissão de entidades entregou os resultados do plebiscito ao presidente do congresso nacional, Sr. Henrique Eduardo Alves, que comprometeu-se em organizar uma reunião entre a comissão da campanha do plebiscito e os líderes das bancadas dos partidos até o mês de dezembro. Neste mesmo dia, os resultados foram entregues ao senador Eduardo Suplicy, que estava presidindo a sessão e leu este resultado no plenário do Senado; e ao secretário do Sr. Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal.

Ontem (15), na grande plenária final, as organizações consideraram vitoriosa todas as atividades, em especial a declaração da presidenta Dilma.

“A entidade prossegue junto com as 477 organizações que compõem a Campanha do Plebiscito na continuidade da luta para que a constituinte seja realizada no Brasil a fim de abrir o caminho para realização das reformas sociais de fundo e assim atender as aspirações populares”, diz Maíra Gentil, Diretora da ANPG.

Uma carta desta V plenária nacional do plebiscito pela constituinte aprovada ontem (15) será publicada nos próximos dias com as orientações para continuidade da campanha. Também será publicada uma carta das organizações presentes em apoio à reeleição da Presidenta Dilma pela possibilidade que sua candidatura expressa em fazer avançar a realização da constituinte.

Da redação

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DILMA VOLTA A DEFENDER PLEBISCITO PARA REFORMA POLÍTICA

Ato Dilma Dia do Professor
Foto: Nelson Antoine

No Dia do Professor, a Presidenta Dilma Rousseff reuniu-se com lideranças do movimento estudantil, representantes de entidades sindicais e do movimento educacional, além de diversos professores e estudantes, para dialogar com os principais atores da educação. O evento ocorreu ontem (15), no clube Homs, em São Paulo.

O encontro contou com a presença do Ministro da Educação, José Henrique Paim, o Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a presidenta da APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Maria Izabel Azevedo, anfitriã do evento, e o neurocientista Miguel Nicolelis.

Presidenta da ANPG, Tamara Naiz, e o neurocientista, Miguel Nicolelis.
Presidenta da ANPG, Tamara Naiz, entregou a Carta da Associação Nacional de Pós-Graduandos em apoio à reeleição de Dilma Rousseff ao neurocientista, Miguel Nicolelis (foto), e ao Ministro da Educação, José Henrique Paim.

A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, juntamente com as presidentas da UNE, Vic Barros, e UBES, Bárbara Melo, também estiveram presentes no Ato e entregaram à candidata a carta das três entidades em apoio à reeleição de Dilma, aprovada em reunião da diretoria plena da UNE na última terça-feira (14). Na ocasião,Tamara também entregou à Dilma a Carta da Associação Nacional de Pós-Graduandos aos pós-graduandos e à sociedade brasileira em apoio à reeleição de Dilma Rousseff à Presidência (foto).

Tamara entrega carta Dilma

“A ANPG decidiu se posicionar neste segundo turno em favor da Presidenta Dilma porque consideramos que o futuro do país que está em jogo. E porque a Dilma? Durante esse governo, nós acreditamos que o Estado assumiu um papel importante na promoção de políticas públicas que propiciam o bem-estar social da população. Houve transformações importantes no país, uma delas é a redução das desigualdades sociais, e outra é a expansão no acesso à educação, em todos os níveis. A oferta de cursos de pós-graduação, nos últimos 12 anos, mais do que dobrou, assim como o numero das bolsas de pesquisa.” explica Tamara.

“É importante destacar a efetividade de um Estado forte, com políticas públicas que garantam investimento em áreas estratégicas, como Educação e Ciência & Tecnologia. E o atual governo tem feito isso. Não queremos um retrocesso a um passado, onde essas áreas não eram vistas como estratégicas e, portanto, não tiveram investimentos significativos. É por negar esse retrocesso e para continuar no caminho de avanços que decidimos, juntamente com as outras entidades do movimento estudantil, apoiar Dilma. Claro, sabemos que ainda há muito a ser feito, o Brasil tem ainda enormes desigualdades, mas sabemos também que elas não vão ser resolvidas em poucos anos, por isso é importante continuar a construir esse caminho de mudanças”, acrescenta.

A anfitriã do evento, a presidenta da APEOESP, Maria Izabel Azevedo, abriu a sessão de falas no evento, chamando a atenção para os avanços na área educacional. “Nós professores temos que agradecer a Dilma, principalmente pela Lei de número 11.738 [de 16 de julho de 2008], que regulamenta o piso salarial do professor, evitando, como ocorreu no tempo do FHC, que os professores ganhassem menos que um salário mínimo.”

Quando tomou a palavra, a presidenta da UNE, Vic Barros, cumprimentou a presidenta Dilma e parabenizou os professores pelo Dia do Professor. Em seguida, destacou as benfeitorias dos programas sociais na área da educação implantados nos últimos 12 anos. “O Brasil hoje é o país que transforma petróleo em educação”, ressaltando as conquistas que garantem 75% dos royalties do petróleo e 50% do fundo social do pré-sal para o setor.

Após as diversas falas dos convidados, a presidenta Dilma iniciou seu discurso cumprimentando os professores e enaltecendo a função do professor. “A primeira coisa que eu quero fazer é saldar e cumprimentar todos os professores pelo seu Dia. O Dia do professor é um dia simbólico. Se existe uma categoria que o Brasil deveria valorizar é essa categoria dos Professores e Professoras. Aliás, devíamos falar parabéns ProfessorAS e depois Parabéns ProfessoRES, até porque é uma categoria integrada dominantemente por mulheres.”

A Presidenta também chamou a atenção para a importância de se valorizar a profissão do professor, uma vez que ele é o agente da educação, com a qual é possível modificar realidades. “Em minha proposta de governo, a educação está no centro de tudo, por dois motivos fundamentais. Primeiro, porque temos que consolidar o grande avanço na distribuição de renda e na inclusão social e, portanto, temos ainda que retirar 36 milhões de pessoas da pobreza extrema de e a elevar outras 42 milhões para a classe média. Isso garante que essa desigualdade se reduza, modificando, cada vez mais, a distribuição de renda do Brasil, com base numa educação de qualidade e da valorização do professor, proporcionando salários melhores para a categoria”, explicou Dilma.

“Também há outro caminho muito importante que é a educação permite: a formação de cientistas e tecnólogos, responsáveis por inovações no nosso país, que nos permitirão ingressar na economia do conhecimento. Esses são os dois fatores que esclarecem porque a educação deve ser prioridade no nosso governo”, acrescenta.

A Presidenta Dilma ainda citou a Lei que destina 75% dos royalties do petróleo que são recebidos pela União e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação como um imenso passo dado pelo governo para melhorar o setor. “Nós vamos transformar uma riqueza finita em uma riqueza permanente, que é o patrimônio que a pessoa carrega com ela”, diz.

Da redação

carta conjunta anpg une ubes

Lideranças estudantis de todo o Brasil aprovaram carta sobre posição da ANPG, UNE e UBES no 2º turno

Reunidos na última terça-feira (14), no hotel San Raphael, no centro de São Paulo, diretores da União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), além de representantes de DCEs, DAs e CAs de todo o Brasil, redigiram documento de apoio à candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República.

Após 5h de reunião e cerca de 70 intervenções das mais de 100 lideranças presentes, as entidades estudantis concluíram a carta intitulada “Os estudantes têm lado: com Dilma, contra o retrocesso”.

O texto lembra que o último período foi marcado por muita pressão e também diálogo dos movimentos sociais com o poder executivo e legislativo, o que garantiu vitórias de enorme valor para os estudantes, como a aprovação do novo Plano Nacional de Educação (PNE). Agora, os governos devem cumprir 20 metas, entra elas, a histórica destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para a educação.

Para as entidades estudantis, o PNE representa o futuro da educação e o compromisso da presidenta Dilma com a juventude e a continuidade das políticas de erradicação do analfabetismo, escolas em tempo integral, valorização do professor, regulamentação do ensino privado, mais verbas para a assistência estudantil, universalização do acesso à creche e expansão de vagas no ensino técnico, superior de graduação e pós graduação, com a predominância do caráter público.

“As e os estudantes foram protagonistas nas recentes mudanças, ocupando as ruas, escolas e universidades. Temos a perspectiva de que podemos avançar ainda mais. Por isso temos um objetivo: dizer não ao retrocesso e apontarmos as transformações que queremos para o futuro”, diz trecho da carta.

Para avançar! ANPG, UNE e UBES com Dilma

A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, expôs o posicionamento consensual de todo movimento estudantil. “O Brasil tem se transformado e nos últimos 12 anos promoveu a expansão da educação. Prova dessa política é que nessas eleições o número de analfabetos é inferior ao número total dos eleitores. O Brasil saiu do Mapa da Fome das Nações Unidas. Por isso, nossa posição é contra o retrocesso!”, enfatizou.

A presidenta da UNE, Vic Barros, destacou que, independente de qual candidato seja eleito, a UNE seguirá nas ruas defendendo as pautas justas para avançar na democracia do nosso país. “Não se trata de apoiar um partido ou um candidato, mas de identificar nesse segundo turno quais programas estão em disputa e o que eles representam. No nosso Coneg, realizado em maio e junho, aprovamos o projeto UNE pelo Brasil, uma plataforma eleitoral avançada, e no primeiro turno mais de um candidato contemplava nossas reivindicações. Mas, neste segundo turno, apenas um defende as bandeiras dos estudantes contra a maioridade penal, pelo fim dos autos de resistência, pela criminalização da homofobia, pela reforma política e a favor das metas do PNE. Por isso, é com muita tranquilidade que tomamos um lado e nos posicionamos. Dilma representa o projeto de mudanças do país. Convoco todos para fazermos uma denúncia veemente do que representa o projeto neoliberal para o país”, destacou.

Sobre a reeleição de Dilma, a presidenta da UBES, Bárbara Melo, observa o contexto político atual, comparado ao período anterior, de Fernando Henrique Cardoso. Para ela, o movimento estudantil é marcado por muitas lutas que garantiram avanços e a conjuntura atual abriu aos estudantes, entre outros avanços, a possibilidade de ingressar no ensino superior. “Se você for a uma escola e perguntar se é possível entrar na universidade, verá a esperança viva nos rostos e sonhos de muitos secundaristas. Para essa juventude, eleger Aécio Neves é eleger a direita, é perder a nossa capacidade de sonhar, a perspectiva de futuro. Por isso, nos convencemos, em posição unificada, que a UBES, a UNE e a ANPG não vão titubear e já lançam o apoio à candidata Dilma”, disse.

Nesta quarta-feira (15/10), as presidentas da UNE, UBES e ANPG entregaram para a candidata Dilma Rousseff, durante ato do movimento educacional em homenagem ao dia dos professores, realizado na capital paulista, a carta aprovada pelas entidades

Em defesa das metas dos PNE

Para as entidades, o projeto da candidatura de Dilma Rousseff é o único que representa um compromisso mínimo com as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), a maior conquista do movimento estudantil dos últimos tempos. Depois de anos de luta, passeatas e construção conjunta de todo o movimento educacional, da UNE, da UBES e da ANPG, o PNE foi aprovado e sancionado este ano. O Plano é constituído por 20 metas, com 253 estratégias, a serem aplicadas em 10 anos, que vão orientar ações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios no que se refere ao setor. A principal meta garante o investimento de 10% do PIB para a educação que será viabilizado por meio de outra vitória dos estudantes: a garantia de 75% dos royalties do petróleo e 50% do fundo social do Pré-sal para a educação.

“Os avanços obtidos nas políticas educacionais nos últimos anos estão em risco com o atual cenário de crise internacional. A candidatura de Aécio Neves reproduz o discurso de austeridade e ajuste fiscal para combater a crise, levada ao cabo na era FHC por Armínio Fraga e companhia. A lógica neoliberal em cenário de crise já se mostrou um grande equívoco no passado, onde os rombos econômicos sempre foram pagos com a verba destinada para a educação”, destaca outro ponto do documento aprovado pelas entidades estudantis.

Para o movimento estudantil, as vitórias alcançadas nos últimos tempos e as perspectivas de mais avanços, não admitem retrocesso. Na era de Fernando Henrique Cardoso, os 7% do PIB para o setor foram vetados no antigo PNE, e, enquanto oposição ao governo atual, os tucanos tentaram acabar com programas como o ProUni e a política afirmativa de cotas sociais e raciais, colocando-se contra a democratização do acesso à universidade.

Os estudantes têm lado

A carta aprovada em conjunto pela UNE, UBES e ANPG reúne motivos pelo qual os estudantes assumiram o lado de Dilma Rousseff. Os estudantes citam no documento as suas bandeiras que tem consonância com o projeto da candidata, por exemplo, a Reforma Política como instrumento para “reposicionar a disputa eleitoral com o objetivo de diminuir a influência do capital”. O texto aponta ainda outras reformas estruturais necessárias e que precisam ser enfrentadas, como a democratização e regulamentação dos meios de comunicação, a reforma agrária popular, a reforma tributária, a taxação das grandes fortunas e a reforma urbana.

O documento afirma que, nesta disputa polarizada, a neutralidade não é uma opção para os estudantes. “Por isso, posicionamo-nos ao lado daquela que melhor representa os anseios populares e as ideias mais avançadas. Estamos com Dilma Rousseff porque acreditamos no Brasil e, principalmente, na força do nosso povo”.

>> Leia aqui a carta na íntegra.

Fonte: Une

No próximo dia 26 de outubro ocorrerá o segundo turno das eleições presidenciais. Dois projetos para o Brasil estão em pauta. Um é representado pela candidata à reeleição Dilma Rousseff enquanto o outro é representado pelo senador Aécio Neves. A partir dessa polarização, que se repete desde a redemocratização, acreditamos que não é prudente ficar indiferentes, uma vez que os setores conservadores se organizam e se mobilizam ao redor de uma candidatura, a de Aécio, para tentar assumir outra vez o poder.

O último período foi marcado por grandes vitórias do movimento estudantil. Conquistamos o novo Plano Nacional de Educação que prevê até 2020 a erradicação do analfabetismo, a universalização do acesso à creche e a expansão de vagas no ensino técnico, superior de graduação e pós graduação, com a predominância do caráter público. As metas do PNE são um instrumento de transformação da nossa educação. Para alcançá-las, garantimos, derrotando os interesses conservadores, a destinação dos 10% do PIB para educação como a meta central que será viabilizada a partir de outra grande vitória que conquistamos nas ruas em junho com a vinculação dos royalties do petróleo e metade do Fundo Social do Pré-Sal para a educação pública, sancionados pela presidenta Dilma.

As e os estudantes foram protagonistas nas recentes mudanças, ocupando as ruas, escolas e universidades. Temos a perspectiva de que podemos avançar ainda mais. Por isso temos um objetivo: dizer não ao retrocesso e apontarmos as transformações que queremos para o futuro.

Os avanços obtidos nas políticas educacionais nos últimos anos estão em risco com o atual cenário de crise internacional. A candidatura de Aécio Neves reproduz o discurso de austeridade e ajuste fiscal para combater a crise, levada ao cabo na era FHC por Armínio Fraga e companhia. A lógica neoliberal em cenário de crise já se mostrou um grande equívoco no passado, onde os rombos econômicos sempre foram pagos com a verba destinada para a educação. Hoje esse mesmo raciocínio se encontra presente em estados como São Paulo, Minas Gerais e Paraná, no qual os respectivos governos estaduais dirigidos pelo PSDB, assumem um papel de esvaziamento de políticas públicas para privilegiar interesses privados, como é o caso do aeroporto mineiro para atender famílias, a falta d’água paulista, principalmente para os mais pobres, e o nítido sucateamento da educação pública seja na criminalização dos professores, na ausência de concursos públicos para o setor, na implementação de salários dos professores abaixo do piso, na ausência do repasse estadual para os municípios, ou na diminuição das vagas do ensino técnico. Esse não deve ser o caminho para o Brasil.

O discurso de combate a inflação, ora em voga, não pode ser um instrumento dos rentistas para garantir seus lucros a partir do desemprego, juros altos e uma política de austeridade. Essa ideia não serve aos e as estudantes, é necessário romper com esses fundamentos neoliberais. Para nós, a inflação se combate com mais desenvolvimento, garantindo emprego e renda a classe trabalhadora, com mais oportunidade para a juventude a fim de que se abra um ciclo virtuoso de desenvolvimento social e humano em nosso país.

As manifestações de junho mostram que a juventude quer ter mais protagonismo e participação social. Precisamos abrir um novo ciclo histórico guiado pela vontade popular. Para isso é necessário uma reforma política que amplie a nossa democracia e combata a corrupção, a qual tem a sua raiz localizada principalmente no financiamento privado de empresas em campanhas eleitorais.

O Plebiscito popular pela constituinte exclusiva e soberana pela Reforma Política, que mobilizou mais de sete milhões de votantes, demostrou a necessidade e o apelo pela superação do atual sistema político. A urgência da reforma política ficou ainda mais evidente mediante o resultado das eleições no primeiro turno, onde o poder econômico e os setores conservadores ampliaram a influência no Congresso Nacional. Somente com uma mudança profunda no sistema político conseguiremos reposicionar a disputa eleitoral com o objetivo de diminuir a influência do capital e colocar o debate de ideias e projetos de país no centro da pauta e do processo eleitoral. Assim, podemos combater a sub-representatividade que trabalhadores/as, jovens, mulheres, homossexuais, negros/as e índios encontram no Congresso. Soma-se a isso o papel que os meios de comunicação assumem ao transmitir a informação de forma parcial e tendenciosa, sendo a voz das camadas conservadoras e, assim, impedindo avanços estratégicos para a nossa sociedade.

O rumo de nossa democracia está em disputa. Nós estamos do lado daqueles e daquelas que acreditam que um país mais democrático se faz a partir da força de nossa gente, no papel dos/as estudantes, trabalhadores e trabalhadoras em concretizar um Brasil mais justo. O movimento estudantil tem um sentimento de que é necessário nos desvencilhar dos velhos obstáculos que impedem o avanço da nossa democracia. É preciso romper com os setores conservadores e oligárquicos que ainda ainda flertam com o autoritarismo, como foi a derrota de Sarney no Maranhão. Do mesmo modo, é fundamental realizar as reformas estruturais a fim de que se abra uma nova perspectiva de Brasil como a reforma política, a democratização e regulamentação dos meios de comunicação, a reforma agrária popular, a reforma tributária a fim de que taxe as grandes fortunas e a reforma urbana que possibilite usufruir melhor as cidades com acesso a cultura e esporte e a garantia do passe livre.

É com esse sentimento, cada vez mais exigente, que iremos ocupar as ruas para seguir na luta pela conquista de mais direitos e em defesa de nossas riquezas naturais. Durante toda a nossa história – do pau brasil ao café e à borracha – nossos recursos foram sequestrados em favor dos interesses estrangeiros. Essa política entreguista inviabilizou o nosso desenvolvimento por décadas. Com a descoberta de petróleo na camada Pré-Sal essa mesma possibilidade se apresentou. Nesse sentido, o movimento estudantil teve um papel fundamental em derrotar essa lógica ao conquistar a vinculação dessas riquezas para a educação. A partir desses recursos podemos construir um novo futuro mais próspero para a juventude. Porém, apesar do avanço com o novo marco regulatório do petróleo que potencializa o papel da Petrobras como operadora única dos poços de petróleo, precisamos continuar na luta para barrar os leilões dos campos da camada pré-sal.

A eleição de Aécio Neves representa a volta dos interesses mais conservadores e entreguistas que privilegia os interesses dos banqueiros e do FMI. Nós não podemos voltar a esse tempo em que o povo era subestimado para privilegiar uma pequena elite, não podemos voltar ao tempo em que as mulheres não eram vistas como protagonistas das transformações e avanços do país, em que o povo negro era alijado e marginalizado, um período em que a juventude era enxergada meramente como uma fase problemática da vida.

Nessa disputa polarizada a neutralidade não é uma opção para nós: o poder não aceita vacância. Por isso nos posicionamos ao lado daquela que melhor representa os anseios populares e as ideias mais avançadas. Estamos com Dilma Rousseff porque acreditamos no Brasil e, principalmente, na força do nosso povo.

Associação Nacional dos Pós-graduandos – ANPG
União Nacional dos Estudantes – UNE
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES

14 de outubro de 2014

A Associação Nacional de Pós-graduandos, entidade representativa de todos os pós-graduandos no Brasil, fundada em 1986, vem a público expressar sua preocupação e seu posicionamento em relação à conjuntura eleitoral desenhada no segundo turno das eleições presidenciais neste ano de 2014.

Partimos da compreensão de que o futuro do país está em jogo e que há dois projetos distintos claramente apresentados: o primeiro é representado pela candidata à reeleição, presidenta Dilma Rousseff, enquanto o segundo é representado por Aécio Neves, senador mineiro. Diante dessa conjuntura, acreditamos ser necessário tomar lado e disputar os rumos do desenvolvimento de nosso país. Afinal, o resultado do segundo turno não é indiferente à vida de nenhum de nós.

À vista de tal polarização, que não se resume a partidos e sim a projetos e modos de governo, posicionamo-nos em apoio à candidatura de Dilma Rousseff, pois compreendemos que o Brasil tem avançado e se transformado nos últimos 12 anos. As desigualdades sociais e econômicas têm se reduzido e houve uma forte expansão do acesso à educação em nosso país, sobretudo com o expressivo crescimento das vagas no ensino técnico e nas universidades, tanto na graduação como na pós-graduação. Amostra da consequência destas políticas é esta ser a primeira eleição brasileira em que o número de eleitores com ensino superior é maior do que o número de eleitores analfabetos e com o Brasil fora do mapa mundial da fome. É importante destacar que há uma mudança no papel do Estado, agora assumindo uma posição de indutor do desenvolvimento.

Hoje somos mais de 200 mil estudantes de mestrado e doutorado (sendo 84% matriculados em instituições públicas de ensino), mais de 12 mil residentes em saúde e medicina e mais de 3 milhões de especializandos em todo o país.

Vimos, nos últimos 12 anos, a pós-graduação ter saltos quantitativos e qualitativos importantes. Houve um incremento de 187% no número de bolsas concedidas pelas CAPES. O CNPq aumentou em 166% o número de bolsas concedidas. Ocorreram cinco reajustes das bolsas de pesquisa, que, embora não tenha resultado em aumento real, contrapõem os oito anos de arrocho, sem aumento algum, no governo FHC. A bolsa para o mestrado saltou de R$ 724,52, em 2002, para R$ 1500,00, em 2014. A de doutorado passou de R$ 1072,89 para R$ 2200,00 no mesmo período. O Brasil alcançou o patamar de 2,7% da produção científica mundial. É pouco, mas há 12 anos era 1,65%. Ademais, houve aumento expressivo das vagas nas universidades públicas, com a criação de mais de uma centena de novos campi e a volta dos concursos públicos para professores.

Acreditamos que as políticas públicas são importantes, como o Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado recentemente pelo Congresso Nacional e sancionado pela Presidenta Dilma, o que impõe novos e antigos desafios para a pós-graduação brasileira. O primeiro deles é atender à demanda de mestres e doutores para lecionarem no ensino superior. Estima-se que 75% do corpo docente tenha uma dessas titulações até 2022. O PNE também tem como meta a formação de 60 mil mestres e 25 mil doutores por ano. Isso implica em triplicar os recursos destinados à pós-graduação brasileira e que 50% dos docentes da educação básica tenham pós-graduação. Embora não cite a modalidade, a experiência recente aponta para a formação strictu sensu (mestrado).

Consideramos que há ainda muito a avançar em nosso país e sabemos que a desigualdade socioeconômica construída há séculos, e reforçada ao longo de nossa história, não vai ser sanada em poucos anos. Temos claro o desejo de que não podemos retroceder. Nós temos memória e conhecemos nossa história! Sabemos que na década de 1990, em que vigoraram as políticas tucanas, o governo federal defendia e praticava o Estado mínimo na promoção do bem estar social. No governo FHC, além de não expandir, as universidades públicas foram submetidas a um processo de sucateamento e de não oferta de vagas para professores permanentes, mas apenas como temporários. O neoliberalismo era o paradigma do desenvolvimento, reflexos disso foram a depauperação da educação pública, as privatizações das estatais, o pouco investimento em áreas estratégicas (como na Educação e em Ciência, Tecnologia e Inovação), a penalização dos trabalhadores e o combate à inflação a partir de cortes de gastos, juros altos e desemprego. Nesse segundo turno, está em jogo a escolha do terreno em que escolheremos lutar pelos próximos quatro anos e o candidato Aécio representa um modelo contrário ao ensino superior público e de qualidade, bem como as forças que o defendem.

Sabemos que é necessário iniciar um novo ciclo de desenvolvimento para avançarmos muito mais nas mudanças pelas quais o Brasil precisa passar. Portanto, diante de projetos tão distintos que se apresentam nestas eleições, acreditamos que é necessário que os pós-graduandos, juntos com a ANPG e suas entidades de base, tomem lado em defesa da educação pública, por mais investimentos em Ciência e Tecnologia, melhores condições de pesquisa e mais direitos.

Por tudo isso, entendemos que quem melhor representa esses interesses é a candidata Dilma Rousseff, que assume o compromisso com a reforma política e com a implementação do Plano Nacional de Educação, com metas para a expansão da pós-graduação, destinando 10% do PIB para a educação, além da vinculação dos royalties do petróleo e da riqueza do Pré-Sal para a educação pública.

Em defesa da continuidade dessas políticas e em repúdio ao receituário neoliberal, já experimentado no passado, reafirmamos nosso compromisso EM DEFESA DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA NACIONAL, assegurando que o Brasil siga avançando nas mudanças que precisa, com a reeleição de Dilma Rousseff.

Reafirmamos, portanto, apoio à Dilma Rousseff e conclamamos todos os pós-graduandos brasileiros a irem às urnas defenderem o projeto mais avançado e que possibilita mais mudanças para nosso país. Acreditamos que a neutralidade não é uma opção neste momento, pois o poder não aceita vacância.

São Paulo, 15 de outubro de 2014.

Diretoria da ANPG