Author

Natasha Ramos

Browsing

Por Hercília Melo do Nascimento

O desenvolvimento tecnológico, artístico e cultural como prerrogativas importantes para a soberania de um país e emancipação humana, confere a necessidade de reconhecer o protagonismo dos pesquisadores e de exigir responsabilidades do Estado frente à ciência. A carta aberta à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em defesa da liberdade acadêmica e das ciências humanas e sociais mobiliza reflexões acerca do processo de formação do pesquisador, inclusive na pós-graduação e constituição de sujeitos no processo de construção do conhecimento.

Ao tornar explícitosos acúmulos e percepções, o nascedouro de uma pesquisa carrega consigo afinidade investigativa e coerência com o universo vivido do pesquisador. Uma pesquisa é, sobretudo, uma opção intencional imbuída de questionamentos e anseios. Considerando “a formação uma tarefa socialmente necessária, ela deve guardar para com a sociedade compromissos ético-políticos” (CECCIM; FEUERWERKER, 2004, p. 49).

Nesse sentido, o caminho percorrido pode guardar relação com o pertencimento ao campo de pesquisa, a trajetória da formação inicial e,por conseguinte, a definição do temanão se estabelece de modo totalmente imparcial. É preciso compreender que a produção de conhecimento mobiliza diversos arcabouços teórico-metodológicos para circunscrever objetos, sendo necessárias filiações e escolhas. Kohl (2013) enaltece a relação de interdependência com o objeto de estudo, desde que se processe controle em meio a marcos conceituais de um arcabouço teórico para a compreensão das forças sociais.

As discussões nas ciências sociais e humanas contêm objetos científicos socialmente importantes e diversificados, dialogando com a realidade que precisa ser apreendida de ângulos imprevistos, inclusive, podendo ter suas abstrações convertidas em respostas práticas.

Desse modo, democraticamente, as filiações dos pesquisadores e grupos de pesquisa podem conter pressupostos epistemológicos marcados de subjetividade, na pretensão de buscar respostas e formular explicações, mesmo que provisórias, sobre modos com que se configuram as relações sociais.

Controlar a interinfluência da experiência para torná-la um guia de suas reflexões é imprescindível a todo cientista social no processo de modelagem como “artesão intelectual” (MILLS, 1959, p. 212), numa expressão de sabedoria ao aliar a vida de forma permanente no seu trabalho.

As ciências sociais e humanas, ao buscar a produção científica de diferentes abordagens metodológicas e defender investimentos para as diversas áreas de conhecimento, sugerem, ao mesmo tempo, achados empíricos e produtos teóricos quanto à superação de dicotomias, especialmente entre objetivismo e subjetivismo. Assim, as ciências sociais e humanas buscam rupturas com ideais tradicionais de ciência,numa luta pela renovação dos campos do conhecimento.

Na atualidade, pesquisadores “garimpeiros” estão sendo convocados à realização de trabalhos sem as amarras da formação e com desenhos teórico-metodológicos inovadores, no sentido de contribuir para a elevação do pensamento humano (SOUZA, 2009). A oportunidade de vivenciar a pós-graduação como locus de criação e experimentação responde aos desafios na formação de agentes com condições imateriais distintas, com apreensões do mundo a partir das relações estabelecidas, intensidade e experiência obtida.

Conferindo-se a educação permanente como desafio para gestores e instituições, os processos pedagógicos precisam, portanto, contribuir na construção de instrumentos que se contraponham à reprodução das hierarquias presentes nas áreas de conhecimento.Assim, através da valorização das abordagens escolhidas pelos pesquisadores em seus estudos e da formação de recursos humanos mais autônomos, será possível nos associarmos à recorrência de novas metodologias e a demanda por diversas formas de leitura da realidade, abrindo espaço não apenas para as ciências exatas e da natureza, mas reiterando que cada época deve realizar ciência concatenada aos seus próprios anseios. Renunciar amarras amplia caminhos.

Referências:

CECCIM, R. B; FEUERWERKER, L. C. M. O Quadrilátero da Formação para a Área da Saúde: Ensino, Gestão, Atenção e Controle Social. Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, V.14, n. 1, p. 41-65, 2004.

KOHL, Henrique Gerson. Educação e capoeira: figurações emocionais na cidade do Recife-PE-Brasil. 2012. 390 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2012.
MILLS, C. W. A Imaginação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1959.

SOUZA, E. F. Histórias e Memórias da Educação em Pernambuco. Recife: EDUFPE, 2009.

Hercília Melo do Nascimento é doutoranda em educação pela Universidade Federal de Pernambuco e ex-diretora da Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG.

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

Artigo de Isaac Roitman sobre os desafios da educação

Se o leitor espera um texto sobre a Copa do Mundo vai ficar decepcionado. O tema será sobre o desafio mais importante para o País, a Copa da Educação. Se ainda tivermos alguma esperança de termos uma sociedade justa onde todos possam realizar os seus anseios e alcançarem a felicidade, temos que ganhar esta Copa, para proporcionar uma educação de qualidade para todos independente de sua classe social.

Pensadores como Confúcio (551 a.C – 479 a.C) e Sócrates, (569.a.C – 399 a.C) já demonstravam a preocupação com o tema. Confúcio: “Diga-me e eu esquecerei, mostre-me e eu lembrarei, envolva-me e eu compreenderei”. Sócrates: “A mente não é um poço que se deve encher, mas uma fogueira que se deve acender”. Esses pensamentos foram revisitados posteriormente por John Dewey (1859-1952), Albert Einstein (1879-1855), Anísio Teixeira (1900-1971), Paulo Freire (1921-1997), Darcy Ribeiro (1922-1997), entre outros. A atual educação brasileira pode ser considerada como uma verdadeira tragédia. Muitos descrevem a situação dizendo que nossas escolas são do século 19, os professores do século 20 e os estudantes do século 21. O descompasso é evidente. Na educação básica o aluno espera ansiosamente o sinal para sair da escola. Aparentemente essa síndrome não é nova. Einstein costumava dizer: “Desperdiçamos vida, recursos e cérebros com essa escola maçante e alienada”, e completava com outras duas máximas: 1. “A educação é aquilo que permanece quando alguém esquece tudo o que aprendeu no colégio”; 2. “A imaginação é mais importante que o conhecimento”. O pai da física moderna propôs seis paradigmas para uma educação de qualidade: cultura, espírito crítico, busca dos fundamentos, ética e consciência social, criatividade, imaginação e intuição.
Paulo Freire pregava que o educando assimilaria o objeto de estudo exercendo uma prática dialética ligada à realidade, em contraposição a uma educação bancária, tecnicista e alienante. O educando criaria a sua própria educação e não seguiria um caminho previamente construído. O estudante seria um importante protagonista na sua educação expressada na sua célebre frase: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Por sua vez, Anísio acreditava que só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias, a boa escola pública. Ao mesmo tempo dizia que era contra a educação como processo exclusivo de formação de uma elite mantendo a grande maioria da população em estado de analfabetismo e ignorância.
A prioridade na revolução educacional brasileira será a conquista universal da qualidade no ensino básico. Atualmente a responsabilidade do ensino fundamental é municipal e do ensino médio estadual. É evidente que os municípios e estados brasileiros apresentam uma grande assimetria econômica e cultural. Como costuma dizer o Professor e Senador Cristovam Buarque a criança ao nascer já tem na sua testa um selo do tipo de educação que vai receber, pelo seu cpf – segmento social, e pelo seu cepe – município que reside. Colocarmos em prática a proposta desse notável educador de federalizar o ensino básico será um passo importante que permitirá a criação de uma carreira nacional que certamente induzirá uma melhor formação de professores e a consequente valorização dos mesmos, que merecem receber o mais alto salário da carreira pública, pela responsabilidade que têm de prepararem as futuras gerações. A federalização deve ser acompanhada de uma pedagogia contemporânea, priorizando conteúdos com ênfase na aquisição de valores civilizatórios em um ambiente lúdico e prazeroso. A presença da família no processo educativo é absolutamente fundamental como a ampliação de espaços culturais e esportivos acessíveis para todos.
As propostas de Priscila Cruz (Todos pela Educação) devem ser disseminadas. Ela enfatiza que o salto na educação é imperativo. “A tecnologia avança aceleradamente, os interesses dos alunos são outros, a sociedade é mais complexa, e a economia, mais interdependente. Nos últimos anos, a humanidade produziu muitos conhecimentos que têm pouco espaço no currículo atual. E, por fim, o mercado de trabalho exige novas competências”. O sucesso da Copa da Educação depende de todos nós. Ele será o melhor investimento para o futuro das próximas gerações.
Isaac Roitman é professor emérito da Universidade de Brasília e membro Titular da Academia Brasileira de Ciências.

Fonte: Correio Brasiliense

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

Após 13 dias no ar, a petição on-line denominada “Em defesa da liberdade acadêmica e das ciências humanas e sociais”, iniciativa para reunir assinaturas e promover um encontro com o presidente da Capes, Jorge Guimarães, com o propósito de discutir o fomento para as ciências humanas, foi encerrada vitoriosamente.

Foram 8.469 assinaturas individuais, 188 Grupos de Pesquisa de 58 Instituições de Ensino Superior, 57 associações científicas, entidades, blogs e revistas e 23 Programas de pós-rgaduação, de todo o Brasil. A petição foi entregue à CAPES hoje (18), para reivindicar a liberdade acadêmica e maior apoio à pesquisa para as ciências humanas e sociais.

Essa petição foi encabeçada após notícia da negação de um projeto de pesquisa envolvendo três universidades públicas brasileiras, UnB, Uerj e UFRN, por parte da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação (MEC). Segundo parecer da instituição, a negação do projeto se deu por este utilizar o marxismo “cuja contribuição à ciência brasileira parece duvidosa” como metodologia.

O projeto intitulado “Crise do Capital e Fundo Público: Implicações para o Trabalho, os Diretores e as Políticas Sociais” foi apresentado para um edital da Capes por 19 professores universitários, 9 doutorandos, 15 mestrandos e 27 graduandos da Universidade de Brasília (Unb), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Os projetos avaliados pela Capes recebem um parecer de um acadêmico que não é identificado. Com o parecer negativo, a instituição não disponibiliza verba para a pesquisa. O parecerista negou o projeto por considerar que a metodologia marxista não viabiliza que a pesquisa atinja seus objetivos.
“A formação proposta estaria no âmbito do método marxista histórico-dialético, cuja contribuição à ciência brasileira parece duvidosa”, escreveu o parecerista que ao avaliar o mérito cientifico da iniciativa voltou a questionar a metodologia.

“Projeto afirma basear-se no método marxista histórico-dialética. Julgo que a utilização deste método não garante os requisitos necessários para que se alcance os objetivos do método científico”, acrescentou.
A pesquisadora Elaine Behring, da faculdade de Serviço Social da Uerj e uma das coordenadoras do projeto, afirma que houve um cerceamento aos marxistas.
“O parecer estava descuidado, mal escrito e inconsistente. É isso que estamos questionando. O sentimento é de cerceamento. O parecerista afirmou que nossa metodologia não é unânime, mas não existe unanimidade no meio nas ciências sociais. O que ocorreu foi um patrulhamento”, afirmou.
Dos 62 projetos aprovados, mais de 90% eram ligados as áreas das ciências exatas e biológicas. A pouca presença das ciências humanas também é uma crítica do grupo de pesquisadores.

Da redação com informações do Jornal da Ciência

O tema do evento é Ciência, Tecnologia e Inovação no Desenvolvimento Regional

O 3º Simpósio de Integração Científica e Tecnológica do Sul Catarinense (Sict-Sul) será sediado no Instituto Federal Catarinense (IFC), Campus Sombrio, nos dias 15 e 16 de setembro de 2014. O evento é realizado em parceria entre Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), UFSC e IFC. As inscrições devem ser feitas no site www.criciuma.ifsc.edu.br/sict-sul/index.php/inscricao e as submissões de trabalhos estão abertas até 7 de julho, no site: eventoscientificos.ifsc.edu.br/index.php/sictsul/3sictsul.

O tema do evento é Ciência, Tecnologia e Inovação no Desenvolvimento Regional. Haverá espaço para divulgação de trabalhos na forma de pôsteres e apresentações orais. Também serão ministradas palestras, minicursos e debates.
(SD-SC, via Consecti)

Fonte: Jornal da Ciência

siteO Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional é uma iniciativa lançada pelo Ministério da Integração Nacional, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Regional, em 2009. Foi concebido como um meio de estímulo à reflexão e ao debate sobre o estágio atual da questão regional brasileira e como instrumento de promoção e divulgação da Política Nacional de Desenvolvimento Regional- PNDR.

Nas duas primeiras edições, o Prêmio homenageou dois ilustres brasileiros: Celso Furtado e Rômulo de Almeida, pela importância da contribuição de ambos para a questão regional brasileira e pela inserção do tema, a partir da década de 1950, na agenda de governo e no centro do debate nacional.

Em sua terceira edição, o Prêmio reconhece e homenageia o Professor Armando Dias Mendes, um guerreiro e incansável defensor da região amazônica, “um arauto amazônico de primeira cepa”, que do início ao final de sua jornada, sonhou com uma trajetória diferente para a região, pela qual a Amazônia migrasse da periferia do capitalismo transnacional para constituir parte ativa de um projeto nacional integrada a uma estratégia de desenvolvimento do país.

O evento tem como objetivo geral promover a reflexão, do ponto de vista teórico e prático, acerca do desenvolvimento regional no Brasil, envolvendo o poder público e a sociedade civil organizada na discussão e identificação de medidas concretas para a redução das desigualdades de nível de vida entre as regiões brasileiras e a promoção da equidade no acesso a oportunidades de desenvolvimento.

Dentre os objetivos específicos, estão:

I. Estimular o debate e a produção acadêmica sobre o desenvolvimento regional no Brasil, de modo a contribuir para a compreensão do tema e a busca de novas alternativas de intervenção no território em suas múltiplas escalas;

II. Identificar e dar visibilidade às boas práticas regionais em execução no País, no que se refere aos sistemas de gestão do desenvolvimento regional e aos bens e serviços produzidos com impactos macrorregionais e/ou sub-regionais;

III. Identificar projetos inovadores a serem implantados no território, que demonstrem potencial de transformação da realidade socioeconômica em escala macrorregional ou/e sub-regional;

IV. Ampliar a base de discussão e implementação da Política Nacional de Desenvolvimento Regional.

 Os trabalhos poderão ser inscritos nas seguintes categorias de premiação: 

I. Produção do Conhecimento Acadêmico: Concorrerão teses de Doutorado e dissertações de Mestrado, que abordem temas para o aprofundamento do conhecimento da questão regional brasileira ou para a implementação de ações comprometidas com a redução das desigualdades regionais, como forma de contribuir para a compreensão da temática e a identificação de medidas de intervenção adequadas ao estágio atual das disparidades regionais no Brasil.

II. Práticas Exitosas de Produção e Gestão Institucional: Concorrerão relatos de experiências em andamento, com resultados positivos concretos, executados por instituições governamentais nas esferas federal, estadual ou municipal, por entidades privadas e pela sociedade civil, que tenham gerado mudanças estruturais e transformações do território onde estejam instaladas e em seu entorno.

III. Projetos Inovadores para Implantação no Território: Concorrerão propostas inovadoras de atuação no território, de natureza social, econômica, cultural ou ambiental, com comprovado potencial de transformação da realidade socioeconômica em escala sub-regional ou macrorregional, voltados à  dinamização econômica e inclusão produtiva, diversificação e fortalecimento da base produtiva e manutenção da competitividade.

Constituem público-alvo do Prêmio: 

I. Pesquisadores com vínculo atual ou passado a instituição de ensino superior do país ou do exterior, desde que o trabalho seja elaborado e inscrito por brasileiro e o objeto de estudo se relacione a um tema ligado à problemática regional brasileira;

II. Pessoas vinculadas às instituições públicas, privadas, paraestatais, entidades de classe, agências e companhias que promovam o desenvolvimento regional;

III. Pessoas vinculadas às instituições da sociedade civil vocacionadas ao desenvolvimento regional, como Organizações Não Governamentais – ONGs, Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIPs, Organizações Sociais – OS, cooperativas, associações, fóruns, consórcios e conselhos;

IV. Autônomos com atividades, referentes à temática de desenvolvimento regional.

A premiação, para a Categoria I, será de:

I. Primeiro Lugar: Diploma de Reconhecimento de Mérito na categoria em que concorreu e na premiação em valores: i) Para de Tese de Doutorado: R$ 50.000(cinquenta mil reais); ii) Para de Dissertação de Mestrado: R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais).

II. Segundo Lugar: Diploma de Reconhecimento de Mérito na categoria em que concorreu e a premiação em valores: i)  Para Tese de Doutorado: R$ 25.000,00 ( vinte cinco mil reais); ii) Para Dissertação de Mestrado: R$ 13.000,00 (treze mil reais).

As premiações, para as Categorias II e III, serão de:

Primeiro Lugar: R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais); e
Segundo Lugar: R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais).

Contatos:

E-mail:   [email protected]
Telefones: (11) 2034-5344/5673

Da redação

A proposta é de autoria do senador Alfredo Nascimento (PR-AM) e será analisada pelas Comissões de Educação, Cultura e Esporte (CE) e de Assuntos Econômicos (CAE), cabendo à última decisão em caráter terminativo

Começou a tramitar no fim da semana passada no Senado o projeto que isenta do Imposto de Renda das Pessoas Físicas as bolsas de estudo e de pesquisa quando representem a única fonte de renda do beneficiário e sejam recebidas exclusivamente para essas finalidades. A proposta é de autoria do senador Alfredo Nascimento (PR-AM) e será analisada pelas Comissões de Educação, Cultura e Esporte (CE) e de Assuntos Econômicos (CAE), cabendo à última decisão em caráter terminativo.
De acordo com o Projeto de Lei do Senado (PLS) 207/2014, as bolsas de estudo ficarão isentas independentemente de se caracterizarem como doação, de os resultados da atividade representarem vantagem para o financiador ou de importarem contraprestação de serviço. A isenção prevista restringe-se ao valor da bolsa que não ultrapassar o montante anual de R$ 100 mil.
O autor propõe modificação na Lei 9.250/1995, que isenta do imposto de renda das pessoas físicas as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador nem importem contraprestação de serviços. Segundo Nascimento, pela norma atual, caso uma empresa decida oferecer uma bolsa de estudo a seu empregado para estudar no exterior, a Receita Federal fará incidir sobre os valores recebidos pelo bolsista o imposto de renda.
“Entendemos que essa tributação é injusta e deve ser afastada, de forma a estimular a utilização desse importante instrumento de financiamento de estudo, da ciência e da pesquisa”, afirmou o autor da proposta.
Nascimento ressaltou o cuidado que teve em limitar a isenção ao montante que não ultrapassar R$ 100 mil, valor que será corrigido anualmente com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A matéria aguarda recebimento de emendas na Comissão de Educação.
Fonte: Agência Senado

Por Astor Wartchow 

Formado em medicina e especializado em fisiologia e neuroengenharia, Miguel Nicolelis é um dos pesquisadores brasileiros de maior prestígio internacional, devido aos seus estudos sobre interface cérebro-máquina.

Autor do livro “Muito além do nosso eu”, seu trabalho e suas descobertas aparecem na lista das dez tecnologias que deverão mudar o mundo, de acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts-MIT (EUA).

É o primeiro brasileiro a merecer uma capa da revista Science (fundada em 1880!), a mais prestigiada publicação científica do mundo, com tiragem de 130 mil exemplares. Chegou sua hora sonhada.

Nesta quinta-feira, quando a seleção brasileira de futebol estrear, também, minutos antes, entrará em campo e na história científica outro brasileiro.

Dentre um selecionado e testado grupo de paraplégicos, e “vestindo” um exoesqueleto, ou esqueleto externo, idealizado por Nicolelis, um deles entrará em campo e dará o chute inicial da Copa do Mundo.

Exoesqueleto é um dispositivo mecânico que dará sustentação ao corpo e será capaz de mover-se obedecendo ao controle da mente do paraplégico, a partir de conexões máquina-cérebro.

Tudo isso começou quando Nicolelis conectou eletrodos de dois milímetros e meio dentro do cérebro de um macaco. Mais precisamente em cinqüenta neurônios (aleatoriamente). Vários testes e experimentos depois, o macaco já movimentava um braço mecânico como se fosse o seu próprio.

Atualmente, conseguem conectar cerca de 600 neurônios. Nos próximos anos, chegarão a 60 mil neurônios graças a uma inovadora tecnologia de eletrodos tridimensionais. Em resumo, trata-se de pesquisa tecnológica cuja aplicação principal será no campo da reabilitação neurológica, a exemplo do Mal de Alzheimer e Parkinson, entre outros.

Nicolelis sonha grande e longe. Afirma que no próximo século o corpo deixará de ser o fator limitante da nossa ação. Nossa mente poderá atuar com máquinas que estão à distância. E comandar e operar dispositivos tanto de proporções nanométricas quanto gigantescas. Seja uma nave espacial ou uma ferramenta que penetra no espaço entre duas células.

Afinal, no meio de tantos escândalos nacionais e o deserto de líderes virtuosos, sua experiência e realização será o verdadeiro gol de placa dessa Copa do Mundo.

Astor Wartchow é Advogado

Fonte: Zero Hora

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

Diante das críticas, ontem (10/06) o projeto foi retirado da Câmara dos Deputados

No último dia 9, a SBPC e ABC enviaram carta ao deputado Vicentinho (PT-SP) protestando contra o Projeto de Lei 7299/2014, de autoria do deputado, que proíbe a aquisição de publicações gráficas de procedência estrangeira pelos órgãos públicos das esferas federal, estaduais e municipais, para utilização de qualquer espécie e natureza da administração pública. Diante das críticas sobretudo da comunidade científica, na terça-feira (10/06) o projeto foi retirado da Câmara dos Deputados.
Na carta, as entidades ressaltaram que têm atuado para promover o desenvolvimento científico e tecnológico no País, de modo a aumentar a produtividade e a qualidade da ciência brasileira com impacto no bem estar social. Segundo o documento enviado ao deputado, no mundo globalizado a geração de conhecimento é cada vez mais internacionalizada.
Veja a carta na íntegra no link abaixo:
http://www.jornaldaciencia.org.br/links/Of070_PL7299.pdf
(Ascom SBPC)
http://www.sbpcnet.org.br/site/noticias/materias/detalhe.php?id=2989

Fonte: Jornal da Ciência

Docentes, técnicos-administrativos e estudantes da USP, Unicamp e Unesp deflagram greve por tempo indeterminado. Esta medida foi uma reação a deliberação do Conselho dos Reitores das Universidades do Estaduais de São Paulo (Cruesp) que congela o salário dos trabalhadores (docentes e técnicos-administrativos) das três universidades estaduais paulistas.

Faz-se importante levar em consideração alguns elementos que facilitam a compreensão dessa realidade. Segundo o Cruesp, o comprometimento do orçamento com a folha de pagamento atinge 94,47% na Unesp e 96,52% na Unicamp. Na USP, esse porcentual fica em torno de 105%. Nos últimos seis anos, o Governo do Estado de São Paulo deixou de repassar 2 bilhões de reais para essas universidades. Só em 2013, a cifra foi de 540 milhões de reais.

O caso da USP tem uma peculiaridade. No último dia 28/4, o reitor divulgou uma carta afirmando a falta de transparência orçamentaria da gestão de João Grandino Rodas (ex-reitor da USP) e que, desde 2012, a universidade perdeu R$ 1,3 bilhão de sua reserva orçamentaria. A “poupança” é usada para gastos que excedam o orçamento.

Responsáveis por 43% da produção científica do país, a situação financeira das três universidades estaduais paulistas merece atenção.

Utilizando como premissa a ideia de que a crise nas universidades públicas paulistas se dá pelo mal gerenciamento dos recursos e que não tem cabimento exigir mais verbas ao governo estadual, o colunista da Folha de S.Paulo, Hélio Schwartzman, assim como outros jornalistas da grande mídia, tem expressado que a solução para essa crise financeira seria a cobrança de mensalidades dos estudantes, principalmente daqueles que cursam carreiras financeiramente promissoras, como Medicina.

Diante desse cenário, os estudantes de pós-graduação publicam um manifesto a favor da greve e contra a privatização das universidades.

Manifesto de apoio à greve dos docentes, servidores e estudantes das Universidades Estaduais Paulista e em defesa do ensino superior público, gratuito e para todos

Nós, alunos da pós-graduação reunidos em assembleia, vimos a público manifestar nossa indignação perante aos ataques sofridos pelas Universidades Públicas do Estado de São Paulo de setores ligados ao capital financeiro que já atuam na educação e demonstram interesse no patrimônio incalculável das universidades públicas.

Entendemos que a atual proposta de arrocho salarial, vinda do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (CRUESP), é só mais uma estratégia do atual governador Geraldo Alckmin do PSDB para sucatear as universidades públicas e entregá-las de bandeja ao setor privado com uma folha de pagamento enxuta e com a garantia de extrema exploração da mais valia de trabalho acadêmico de ponta.

Além disso, vimos nas últimas semanas a grande mídia veicular uma enxurrada de matérias que insinuam que a saída da crise de financiamento público em que tais universidades estão inseridas é a cobrança de mensalidades de seus estudantes. Acreditamos que essa opinião vai de encontro aos interesses daqueles que defendem a democratização do Ensino Superior público e gratuito, que há muito se colocam contrários ao modelo de ingresso quase que exclusivo através dos vestibulares, que reafirmam critérios meritocráticos e afasta estudantes que frequentaram exclusivamente o ensino básico público, ou seja, oriundos da classe trabalhadora.

Com isso o que se quer é privatizar algo que deveria ser fruto de políticas que garantam o acesso às universidades públicas e gratuitas, já que desde sua fundação, a USP na década de 30, a UNICAMP e UNESP nas décadas de 60 e 70, frequentadas pela elite, eram mantidas pelo cofre público. No entanto, quando a pressão social, sobretudo da classe popular e trabalhadora passa a ser também por acesso e permanência ao ensino superior público e gratuito, o governo do PSDB no Estado de São Paulo propõe sua privatização.

Nós, alunos da pós-graduação, não podemos ficar indiferentes em relação à campanha de destruição das universidades públicas do Estado de São Paulo que o governo de Geraldo Alckmin está promovendo! Que só tem privatizado a educação e isso não tem significado melhora na qualidade. Chega de privatizações! Que os 10% do PIB, previsto no atual PNE seja destinado exclusivamente ao ensino público gratuito!

Diante deste quadro, nós, pós-graduandos da Faculdade de Educação da UNICAMP, manifestamos o nosso apoio aos docentes, servidores e estudantes em greve, e também reivindicamos que o patrimônio do povo de São Paulo seja fortalecido, preservando o caráter gratuito das universidades estaduais paulistas (UNICAMP, USP e UNESP), além de estabelecer mecanismos para que mais jovens ingressem nestas instituições de ensino.

Campinas, 13 de junho de 2014

Faculdade de Educação – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

A duração varia de dois a três anos, com permanência mínima no Brasil de 30 dias e, máxima de 90, a cada ano de projeto

Está aberto, até o dia 23, o segundo cronograma para envio de propostas de duas inciativas do programa Ciência sem Fronteiras (CsF) que oferecem bolsas a pesquisadores internacionais para atuar no Brasil: Pesquisador Visitante Especial (PVE) e Bolsa Atração de Jovens Talentos (BJT).

A bolsa de Pesquisador Visitante Especial visa atrair pesquisadores renomados, lideranças internacionais, que tenham destacada produção científica e tecnológica nas áreas contempladas pelo CsF. A duração varia de dois a três anos, com permanência mínima no Brasil de 30 dias e, máxima de 90, a cada ano de projeto, dividas em até três visitas anuais por períodos múltiplos de 15 dias cada.

A mensalidade é de R$ 14 mil, a ser paga ao pesquisador após completar o período mínimo de 30 dias de permanência no país. Estão previstos, ainda, auxílio deslocamento, auxílio à pesquisa – no valor de R$ 50 mil -, bolsas de doutorado sanduíche no exterior para acompanhar as pesquisas do PVE em sua instituição de origem e bolsas de pós doutorado no Brasil, com o objetivo de manter as pesquisas no país e o contato com pesquisador durante a ausência deste no país.

A Bolsa Atração de Jovens Talentos objetiva atrair e estimular a fixação no Brasil de jovens pesquisadores de talento, residentes no exterior, brasileiros ou estrangeiros, com destacada produção científica ou tecnológica nas áreas do CsF. A duração varia entre 12 e 36 meses.

As mensalidades são de R$ 7 mil para pesquisadores nível A e R$ 4,1 mil para pesquisadores nível B. Estão previstos auxílio instalação, auxílio deslocamento e auxílio à pesquisa, que pode chegar a R$ 20 mil.

Vinculação
As propostas para as bolsas de pesquisador visitante especial e atração de jovens talentos deverão estar vinculadas a programas de pós-graduação no Brasil, recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), de instituições de ensino superior e centros e institutos de pesquisa e desenvolvimento, que podem ser públicos ou privados em ambos os casos.

(Ascom do CsF)

Fonte: Jornal da Ciência