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Natasha Ramos

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Por Alberto Consolaro

Muitas descobertas são atribuídas ao “acaso” ou “acidente”, mas a maioria é resultante da serendipidade. Quando um fenômeno, evento e observação são detectados por mentes preparadas e adequadamente interpretados, isso pode gerar descobertas, inventos e teorias para que nos adequemos cada vez mais ao mundo. Quantas maçãs e outros frutos não caíram sobre a cabeça de outros antes de Newton formular a teoria da gravidade! Mas sua mente preparada permitiu uma interpretação adequada do evento e a transformação em conhecimento. Isso se chama “serendipidade”. Pasteur afirmava: “No campo da observação, o acaso favorece apenas a mente preparada”.

Em civilizações antigas, pães embolorados eram utilizados com sucesso no tratamento de feridas irreparáveis. Mas eram os antibióticos produzidos pelos fungos que destruíam as bactérias contaminantes e davam lugar ao reparo aparentemente impossível. Em 1928, o escocês Alexander Fleming, ao retornar ao seu laboratório, no Hospital St. Mary, em Londres, após alguns dias ausente, observou o crescimento de um fungo em uma de suas culturas de estafilococos, “estragando-as”. Percebeu que ao redor das áreas com fungo não havia bactérias e sua mente preparada logo captou que o fungo produzia uma substância inibidora do crescimento bacteriano.

Seus estudos posteriores revelaram a substância bactericida denominada penicilina, pois o fungo produtor era o Penicillium notatum. Uma descoberta que mudou a humanidade, mas com certeza outras culturas bacterianas já haviam sido contaminadas por esse fungo, e muitas outras pessoas que viram o mesmo fenômeno não estavam preparadas para interpretá-lo. Esse “acaso” ou “acidente” detectado por uma mente preparada representa a serendipidade.

A serendipidade parece ser a faísca para o conhecimento e o raciocínio iluminarem um acaso. Encontrar algo que se procura pode ser o resultado de criatividade e persistência, mas encontrar algo que não se procura e estar apto a interpretá-lo como importante é serendipidade. Parafraseando Pasteur, o físico Joseph Henry afirmou: “As sementes das grandes descobertas estão constantemente flutuando em torno de nós, mas elas só criam raízes nas mentes bem preparadas para recebê-las”. A ciência progrediu muito graças à serendipidade.

O conceito da serendipidade pode ser aplicado inclusive nos relacionamentos humanos. O filme Serendipity relata o encontro de dois personagens por “acaso”. Quantas vezes, ao procurar uma palavra no dicionário, encontramos por “acaso” outra de nosso interesse. Quantos livros e filmes não encontramos por “acaso”? A partir dos acessos que você tem a sites e dos seus e-mails, os provedores colocam em sua tela apenas os produtos que o interessam, em ofertas quase individualizadas: é uma serendipidade calculada, e você acha que foi coincidência.

Dois exemplos fantásticos de serendipidade. Horace Wells, um cirurgião-dentista, foi assistir a uma demonstração de inalação de gás óxido nitroso como divertimento e se tornou o pai da anestesia. Branemark estudava microcirculação em tíbias de coelho com câmeras revestidas de titânio e viu que o osso aderia nelas: criou os implantes dentários osseointegráveis, que mudaram totalmente a odontologia.
Existe uma longa lista de descobertas e inovações por serendipidade: big-bang, bioeletricidade, borracha vulcanizada, dinamite, índigo, fotografia, insulina, iodo, náilon, polietileno, oxigênio, raios-x, sucrilhos, teflon, velcro etc.
Um professor universitário gasta parte significativa do seu tempo dedicado à burocracia, administração e política institucional, preenchimento de relatórios, levantamento de custos e gerenciamento de projetos. A outra parte do tempo fica com aulas, cursos e avaliações. É muito pequena a parte que se dedica ao laboratório e muito menos às reflexões e desdobramentos de resultados.
Além do tempo mínimo para refletir e criar, o professor está no meio de uma avalanche de informações, impossível de ser aproveitada pela quantidade e variedade. Temos que selecionar o que e quando ler. O pior: falta tempo para a ocorrência da serendipidade, criatividade e inovação que se cobra.

A mente preparada daria lugar à serendipidade, mas depende do pensar, refletir, interpretar e desdobrar resultados, inclusive com extrapolações para o lado pessoal, emocional, criativo e artístico da vida. Muitos acreditam que a “sorte” favorece alguns, que o destino facilita a vida de outros colocando os “acasos” em suas descobertas. Na verdade, a “sorte” e o “acaso” ocorrem na vida de todos, mas são poucos os que os detectam e aproveitam, pois as mentes destes estão preparadas para interpretar e desdobrar atitudes, processos e inventos para a vida. A serendipidade na evolução da ciência e da humanidade tem se mostrado essencial.

Nós criamos tempo e preparamos a mente para a serendipidade? A qualidade do tempo que passamos ligados à universidade influencia fortemente na produtividade de elevado desempenho. Paremos para pensar: por que não somos tão citados, por que não temos Nobel e por que nos cobram inovações? Me poupem: não é pelo inglês! Reflitamos.

Alberto Consolaro é professor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, jornalista e autor do livro O “ser” professor – A arte de ensinar e aprender.

Originalmente publicado em Jornal da USP

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

Apesar dos avanços, o desempenho inovador das empresas brasileiras ainda é baixo

O ambiente brasileiro para iniciativas inovadoras melhorou nos últimos dez anos, do ponto de vista de alguns indicadores. As empresas, por exemplo, têm nas universidades e institutos de pesquisas parceiros importantes para a implementação de novos projetos.

Em São Paulo, cerca de 6% dos recursos que as três universidades públicas estaduais – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de São Paulo (USP) – dedicam à pesquisa têm origem em contratos com o setor privado.

Nos Estados Unidos, a média de participação de recursos de empresas no total de investimentos em pesquisa de grandes universidades é de 6%. Comparadas com as universidades dos EUA, as três universidades paulistas estariam entre as 20 que mais recursos recebem de empresas para apoio à pesquisa. Os gastos públicos e privados com pesquisa e desenvolvimento (P&D) em São Paulo somam, atualmente, 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, percentual superior ao de Espanha, Itália ou Chile.

Apesar dos avanços, o desempenho inovador das empresas brasileiras ainda é baixo, com taxa de inovação de 35,7% – de acordo com a Pesquisa de Inovação (Pintec) 2011 -, percentual que, por fatores conjunturais, foi até inferior aos resultados da Pintec 2008, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou taxa de inovação de 38%.

Um grande desafio é a criação de ideias patenteáveis nas empresas, quesito no qual a indústria no Brasil e em São Paulo também mostra pouca competitividade. Em São Paulo, mesmo com o grande dispêndio em P&D feito por empresas, para cada mil pesquisadores empregados por empresas geram-se apenas cinco patentes registradas no país (Inpi), proporção que cai para 1,9 quando se contam as patentes no United StatesPatentandTrademark Office (USPTO).

No Reino Unido o mesmo número de pesquisadores em empresas gera 29 patentes nacionais e 36 no USPTO; na Coreia do Sul, cada grupo de mil pesquisadores de empresas gera 333 patentes no país para seus empregadores e 41 nos Estados Unidos; enquanto na Espanha mil pesquisadores empregados por empresas criam 47 patentes no país e 7 no USPTO.

Os entraves para a inovação foram pauta do encontro Inovar na Inovação, organizado pela FAPESP com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp), que reuniu representantes de empresas, universidades, institutos de pesquisas e do governo do Estado de São Paulo em 31 de março, na sede da Fundação.

“Ainda estamos longe de poder transformar o conhecimento científico em melhor qualidade de vida para a população: faltam políticas públicas para isso”, constatou Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente do Conselho Superior da FAPESP.

O Brasil ainda carece de políticas públicas alinhadas a paradigmas da economia do conhecimento, avaliou Rodrigo da Rocha Loures, presidente do Conselho de Inovação e Competitividade da Fiesp, durante o encontro. “É preciso construir ambiente de confiança e de colaboração para romper estratégias da velha economia”, disse.

Modelos colaborativos, que promovam o empreendedorismo inovador, devem fazer parte da agenda das universidades, das empresas e do governo, sublinhou José Arana Varela, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP.

Novos modelos de inovação
Os modelos de inovação inspiram-se, em sua grande maioria, em imagens matemáticas – modelos lineares, poligonais, de redes colaborativas e de concentrações – ou biológicas, como o da hélice tríplice, entre outros. “Em que pesem os avanços com o uso desses modelos, questiona-se a efetividade real dos mecanismos existentes e dos recursos aplicados para fazer da inovação um eixo estruturante do desenvolvimento econômico e social”, afirmou Ary Plonski, da Faculdade de Economia da USP.

“Há novas ideias-força em gestação”, sublinhou na palestra sobre Ecossistemas de Inovação. Uma delas é a de ecossistemas de inovação, que descreve a articulação “virtuosa” do amplo conjunto de atores e de recursos necessários para a implementação da inovação, envolvendo empreendedores, investidores, pesquisadores, universidades, investimento de riscos, assim como negócios e serviços relacionados a design, capacitação de pessoal, entre outros.

O exemplo mais conhecido de um ecossistema de inovação bem-sucedido é o Vale do Silício, na região de São Francisco, nos Estados Unidos, que reúne em uma mesma região condições para questartups e empresas de base tecnológica, fabricantes, principalmente, de circuitos eletrônicos, eletrônica e informática, cresçam com base em forte articulação, conectividade e cooperação entre atores.

A medicina também empresta modelo para a consolidação de ambientes inovadores. “A pesquisa translacional, instrumento originalmente utilizado em pesquisa médica, altera a velocidade entre a descoberta e a aplicação. Trata-se de uma forma de acelerar a eficiência de um processo, contribuindo para ampliar as experiências, a compreensão de doenças epidemiológicas e dos mecanismos básicos de doenças”, disse José Eduardo Krieger, presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e pró-reitor de pesquisa da USP, na palestra sobre Pesquisa Translacional.

Nos últimos anos, a compreensão dos mecanismos básicos de doenças tem ganhado proeminência. Tanto que, atualmente, o medicamento mais vendido em todo o mundo está voltado ao combate do colesterol elevado – principal responsável por doenças circulatórias. “Nos últimos anos, a eficiência da pesquisa translacional cresceu e está chegando aos consumidores.” Demanda, porém, um ecossistema de conhecimento.

(Claudia Izique/Agência FAPESP)

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Originalmente publicado em Agência FAPESP.

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

 

A proposta deverá compor o novo marco para o setor científico no País
A comissão especial que analisa o Código Nacional Ciência e Tecnologia (PL 2177/11) reúne-se nesta terça-feira (8) para apresentação, discussão e votação do parecer do relator, o deputado Sibá Machado (PT-AC). O substitutivo foi apresentado em outubro do ano passado e desde então vem sendo negociado com o governo. A proposta deverá compor o novo marco para o setor científico no País.
Sibá Machado pretende, com as modificações ao projeto do deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), criar ambientes cooperativos e de geração de produtos inovadores. O texto de Machado permite ao pesquisador que seja servidor público trabalhar para a iniciativa privada por até 416 horas ao ano. O Executivo, no entanto, só aceita 260 horas.
O relator apontou ainda outra questão a ser resolvida: o acesso à biodiversidade. Segundo Machado, o necessário combate à biopirataria não pode impedir o trabalho dos cientistas. “A rigidez é tamanha que hoje um pesquisador que precisa de uma amostra viva para fazer mestrado ou doutorado só consegue a licença para ter acesso a essa amostra quando os cursos já estão se encerrando”, sustentou.
O texto também busca simplificar procedimentos de contratação, de compras e de importações. Atualmente, conforme ressaltou, ao fazer uma aquisição, o pesquisador se submete à mesma legislação de licitação aplicada a gestores como prefeitos e governadores, o que constantemente atrasa o andamento dos trabalhos.
A reunião será realizada às 12 horas, no plenário 11.

Íntegra da proposta:
PL-2177/2011

(Agência Câmara)
Fonte: Jornal da Ciência

Universidade Gama Filho Foto: Divulgação
Universidade Gama Filho Foto: Divulgação

Duas instituições do Rio de janeiro foram descredenciadas pelo MEC no início do ano
O ministro da Educação, José Henrique Paim, é o convidado da audiência pública promovida pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), na quarta-feira (9), para discutir a situação dos estudantes da Universidade Gama Filho e do Centro Universitário da Cidade – também conhecida como UniverCidade. As duas instituições do Rio de janeiro foram descredenciadas pelo MEC no início do ano.
A decisão foi tomada, segundo o Ministério da Educação, em razão da baixa qualidade acadêmica, grave comprometimento da situação econômico-financeira da mantenedora e da falta de plano viável para superar o problema, além da crescente precarização da oferta da educação superior.
As universidades são mantidas pelo grupo Galileo Educacional. Os estudantes matriculados tiveram a opção de migrar para outras três instituições, selecionadas em convocação pública, por edital.
Na quarta-feira (2), o MEC deu prazo de 10 dias para que os dirigentes e representantes legais do grupo Galileo repassem todo o acervo acadêmico dos ex-alunos às instituições vencedoras do processo de transferência assistida: as universidades Estácio de Sá, Veiga de Almeida, e a Faculdade de Tecnologia Senac Rio (Fatec), que estão autorizadas a expedirem diplomas e demais documentos acadêmicos dos alunos.
Na audiência pública também serão apresentadas as diretrizes e prioridades do Ministério da Educação para o ano de 2014 e a atual situação das instituições de ensino superior privado e a sua fiscalização pelo MEC. A reunião começa às 10h, na ala Senador Alexandre Costa, sala nº 15.
Considerando que muitos estudantes de pós-graduação foram atingidos negativamente pelo descredenciamento das Universidades, a ANPG, assim como outras entidades do movimento estudantil,  estará presente na audiência para cobrar do ministro ações que resolvam a situação de forma benéfica aos estudantes.
(Agência Senado)
Da redação com informações do Jornal da Ciência

mostra científica
O prazo para submissão dos resumos para a Mostra Científica que acontecerá durante o XXIV Congresso Nacional de Pós-Graduandos, foi prorrogado.
Os trabalhos podem ser enviados até o dia 19 de abril de 2014, mediante o pagamento da taxa de R$10,00 (dez reais). Acesse o edital e saiba mais detalhes.
Edital Completo da Mostra Científica do XXIV Congresso Nacional de Pós-Graduandos
Errata do Edital da Mostra Científica do XXIV Congresso Nacional de Pós-Graduandos – Publicado em 27/03/2014
2ª Errata do Editoral da Mostra Científica do XXIV Congresso Nacional de Pós-Graduandos – Publicado em 08/04/2014
Assim como o prazo para a submissão dos trabalhos, as demais datas também tiveram alterações. Confira o novo cronograma com os prazos atualizados:
NOVO CRONOGRAMA RESUMIDO – Mostra Científica do 24º CNPG 
19 de Abril de 2014
Data limite para submissão de resumos
21 de Abril de 2014 
Divulgação da Lista Final dos Trabalhos Aprovados
27 de Abril de 2014 
Data limite para envio do documento de apresentação do trabalho
28 de Abril de 2014 
Divulgação da Programação Final
Da Redação

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Educadora discute por que a curiosidade e o interesse por temas científicos diminuem à medida que avança a vida escolar. E aponta, como um dos itens responsáveis, a incapacidade dos adultos de lidar de forma salutar com o questionamento.

Publicado em 27/03/2014 | Atualizado em 27/03/2014

Por: Vera Rita da Costa

Como dizia Carl Sagan, pode haver questões ingênuas, enfadonhas, mal formuladas, mas não há perguntas imbecis: toda pergunta é um grito para compreender o mundo. (foto: Chris Baker/ Sxc.hu)
Como dizia Carl Sagan, pode haver questões ingênuas, enfadonhas, mal formuladas, mas não há perguntas imbecis: toda pergunta é um grito para compreender o mundo. (foto: Chris Baker/ Sxc.hu)

É praticamente uma ideia de senso comum que as crianças são ‘cientistas inatos’. Elas são curiosas, observadoras, perguntadoras e experimentadoras ativas. Qualquer pai ou professor sabe disso. Mas também é notável e reconhecido por muitos o declínio da curiosidade e do interesse pela ciência que vai marcando o passar dos anos na escola.

Conforme os estudantes avançam na escolarização, a curiosidade e o interesse pelas coisas e fenômenos do mundo declinam acentuadamente, de tal maneira que, para desespero dos professores de ciências, parece ser possível traçar uma curva descendente que representa a perda do status das disciplinas científicas ao longo dos anos escolares – uma curva que parte da curiosidade extrema da criança da educação infantil, aos 4 e 5 anos, e chega ao tédio e à indiferença, praticamente absolutos, dos adolescentes do ensino médio.

Há, certamente, muitas explicações possíveis para isso e nenhuma delas, por si só, parece dar conta de um processo tão complexo. Isso não invalida, no entanto, refletir sobre elas, sobretudo se formos professores e quisermos interferir nesse declínio do interesse. Também, se formos pais, pois, embora nem sempre se discuta isso, a ciência (ou a forma de pensar da ciência) é conteúdo indispensável para o desenvolvimento da criticidade e da autonomia.

Não faria mal, portanto, se nossos filhos adquirissem um pouco mais de conhecimento científico e, com ele, um pouco mais desses ingredientes, não é mesmo?

Como praticamente tudo em educação (e em termos de comportamento humano), as explicações para o declínio do interesse e da curiosidade pelo mundo ou pela ciência se dividem em dois grupos: há aqueles que consideram ser esse processo motivado por causas biológicas e há os que veem as causas culturais como suas motivadoras. Existe ainda uma terceira possível visão do assunto: a que considera ambos os fatores – biológicos e culturais – como integrados e, portanto, como necessários para explicar o desinteresse gradativo do jovem pelo mundo que o cerca.

Um dos argumentos que sustentam a visão biológica é o fato de a atividade científica envolver muitas habilidades relacionadas à exploração ativa e à obtenção de conhecimentos sobre o mundo (como a observação, o questionamento, a coleta, a classificação e a experimentação), e de essas habilidades serem vantajosas, do ponto de vista da sobrevivência.

Como tivemos oportunidade de discutir em outro artigo, o brincar é uma das marcas registradas da infância. Por meio das brincadeiras, a criança explora o entorno (físico e social) e aprende, imitando e antecipando situações que serão vividas de forma real mais adiante em sua vida de jovem e adulto. É interessante, portanto, que na infância as pessoas ajam como ‘pequenos cientistas’, explorando ativamente o mundo em que se encontram. Também é interessante que se perguntem sobre ele, buscando com aqueles que consideram mais experientes (os adultos) respostas para o que lhes inquieta.

Porquês necessários
Ou seja, sob o ponto de vista biológico, mesmo aquele perguntar inesgotável que caracteriza a ‘fase dos porquês’ na infância teria uma função importante: adquirir rapidamente informações sobre o mundo, colocando em ação um conjunto valioso de habilidades relacionadas à curiosidade. Entre essas habilidades estão a capacidade de se admirar com o que se encontra no mundo, de se autoquestionar sobre o que é descoberto e buscar ativamente informações a respeito. Habilidades que, como se percebe, são imprescindíveis na ciência.

Ao imaginar, a criança ensaia suas primeiras hipóteses, da mesma forma que, quando experimenta algo novo, testa seus primeiros ‘experimentos’ para comprová-las. O mesmo acontece com suas perguntas: ao fazê-las, ela exercita uma de nossas habilidades mais primorosas – a capacidade de buscar ativamente informações sobre o mundo e registrá-las como aprendizados valiosos.

Mas é aqui justamente que os argumentos biológicos começam a se entrelaçar com os culturais. O que acontece com essas habilidades ao longo da vida? Será que pura e simplesmente elas declinam e desaparecem? Ou começam a ser minadas em nosso processo de socialização e, principalmente, de escolarização?

No que diz respeito à capacidade de perguntar, por exemplo, o que fazem os professores e os pais, assim como outros adultos, diante dos questionamentos insistentes das crianças? Como agem diante desse impulso natural e valioso que envolve o querer saber mais sobre o mundo em que se encontram?

De forma geral, os adultos ficam desconcertados diante das perguntas das crianças, desviam-se delas ou oferecem repostas prontas e banais. Isso, quando não se irritam ou zombam das questões dos pequenos.

Leia a entrevista na íntegra aqui!

Fonte: Ciência Hoje

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

eleições redA comissão de credenciamento do XXIV Congresso Nacional de Pós-Graduandos decidiu estender os prazos para a eleição de delegados pelas Comissões de 10 alunos na modalidade Ensino à Distância (EAD). A data limite para o envio de processos eleitorais passa a ser o dia 9/4, próxima quarta-feira. O envio de ATA Padrão, com o resultado das eleições, continua tendo como limite o dia 19/4.

Quem deseja participar do XXIV CNPG como delegado (com direito à voz e voto), precisa ser eleito por meio de processo eleitoral conduzido pela APG ou Comissão de 10 alunos. Primeiro, foi aberto o prazo para o cadastramento desses processos eleitorais pelas APGs, encerrado dia 24/3. Agora, é a vez das Comissões de 10 enviarem suas eleições.

A publicação dos processos eleitorais validados e invalidados, acompanhados de justificação sobre os motivos da invalidação, continua sendo 24/4.

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Atenção para os prazos: Eleição de Delegados para o 24º CNPG

Confira aqui o passo a passo para participar!

03/04/2014 – Credenciamento para o XXIV Congresso Nacional de Pós-Graduandos
01/04/2014 – Ministro de C,T&I  e Diretor da Capes participarão do 24º CNPG
 

SBPC

O reitor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Minoru Kinpara, proferiu, nos dias 27 e 28 de março, nas cidades de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, palestra para apresentar as atividades da 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre na Ufac no período de 22 a 27 de julho. Ele foi acompanhado pelo deputado federal Sibá Machado (PT-AC) e pelo diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Acre (Fapac), Pascoal Muniz.

Em Mâncio Lima, os alunos da escola Antônio de Oliveira Dantas ouviram com atenção a explanação dos palestrantes, atentos a todos os detalhes e informações sobre o grande encontro da ciência. Em Cruzeiro do Sul, Kinpara palestrou na escola Craveiro Costa e no Teatro do Moa para cerca de mil estudantes do ensino médio.

Durante a conversa que manteve com os estudantes do ensino médio, Kinpara chamou a atenção para a importância de os alunos participarem da 17ª Edição da SBPC Jovem. Segundo o reitor da Ufac, a programação da SBPC Jovem está articulada com o tema central da 66ª Reunião Anual: “Ciência e Tecnologia em uma Amazônia sem Fronteiras”, criando um espaço convidativo e possibilitando um encontro desafiador entre o jovem e a ciência em plena Amazônia. Entidades científicas, órgãos governamentais e associações estarão juntos nesse grande evento.

A SBPC Jovem traz uma programação diversificada, com atividades apresentadas de forma lúdica e criativa, que certamente irão despertar o interesse do público infanto-juvenil pela ciência e tecnologia, como também atrair as famílias e a sociedade em geral.

A SBPC Jovem também traz, em sua programação, a SBPC Mirim, um espaço destinado exclusivamente às crianças, organizado pela Secretaria Municipal de Educação, no qual serão realizadas oficinas, jogos, apresentações de teatro e danças, contação de histórias e atividades de iniciação à pesquisa.

As escolas poderão apresentar trabalhos de pesquisa ou propostas de oficinas, em quaisquer das áreas do conhecimento, desenvolvidos pelos professores e/ou alunos. As inscrições de trabalho ou projetos e propostas de oficinas deverão ser feitas até o dia 25 de maio, diretamente no site oficial da SBPC Jovem, que já está no ar.

Sobre a Reunião Anual da SBPC

 

A 66ª Reunião Anual da SBPC será realizada no período de 22 a 27 de julho de 2014 na Universidade Federal do Acre, em Rio Branco (AC), e terá o tema “CIÊNCIA E TECNOLOGIA EM UMA AMAZÔNIA SEM FRONTEIRAS”.

Novidades nesta Reunião:

Data: A programação iniciará na terça-feira (22) à noite, com a Sessão de Abertura, e terminará no domingo (27).

Dia da Família na Ciência: Esta nova atividade ocorrerá no final da semana. A programação será divulgada futuramente.

SBPC Indígena: Serão incluídos na programação científica debates acerca do universo indígena como “Ciência e Educação Indígena”, “Saúde Indígena”, além da realização de rituais e apresentações musicais de povos indígenas do Brasil, Bolívia e Peru.

Sociedades parceiras: Serão reunidas as principais associações científicas dos Estados Unidos, da China, da Europa e da Índia, além de pesquisadores renomados da América Latina, para participarem de debates sobre temas de impacto em política científica. Entre as Instituições estão a Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), a Associação Chinesa para a Ciência e a Tecnologia (CAST, na sigla em inglês), a Associação Europeia para Ciência (EuroScience) e o Congresso de Associações de Ciência da Índia (ISCA).

Minicursos: Os inscritos na Reunião poderão se matricular em um minicurso sem a cobrança de taxa adicional.

Envio de resumos: Há mudanças desde a quantidade de autores por resumo e a necessidade do CPF de todos, até o prazo de inscrição, que poderá ser antecipado. Mais informações nas normas de inscrição e nas normas de envio de resumo.

Como em anos anteriores o acesso é livre e gratuito em todas as atividades da reunião, exceto minicursos: conferências, mesas-redondas, encontros, sessões de pôsteres, atividades culturais (SBPC Cultural), atividades para estudantes do ensino básico ou técnico (SBPC Jovem) e exposições (ExpoT&C).

As programações serão divulgadas a partir de junho.

XIX seminario de pesquisa do CCSA

O XIX Seminário de Pesquisa do CCSA/UFRN (Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Natal), cujo tema é “CCSA: Universidade, diversidade, cultura e educação”, evidencia a preocupação do Centro de Ciências Sociais Aplicadas em consolidar um espaço para discussão e socialização do conhecimento produzido nas diferentes áreas das ciências sociais aplicadas (Direito, Economia, Administração, Serviço Social, Ciências Contábeis, Turismo e Biblioteconomia).

Tem como objetivo tornar acessível à comunidade universitária a produção científica existente no CCSA por meio da divulgação dos trabalhos apresentados; estimular a comunidade acadêmica do CCSA para a prática da pesquisa; contribuir para o desenvolvimento da pesquisa e da reflexão teórico-metodológica no campo das Ciências Sociais Aplicadas; abrir espaço para interlocução com outras áreas do conhecimento.

Período: 12/05 a 16/05 

Fonte: Site da UFRN

camara dos deputados

A expectativa da Comissão é que o PL 2177/13 seja votado na próxima semana

A votação do Projeto de Lei (PL) 2177/13, que institui o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, foi cancelada na manhã desta quarta-feira (2), na Comissão Especial, na Câmara dos Deputados. O projeto recebeu o pedido de vista coletiva pelos deputados Alex Canziani (PTB/PR) e Professor Setimo (PMDB/MA). Pelo Regimento Interno da Casa, quando há um pedido de vistas, abra-se um prazo de duas sessões para que a matéria possa voltar a ser analisada. A expectativa da comissão é que o PL seja votado na próxima terça-feira (8).

De acordo com o deputado, o texto substitutivo do deputado Sibá Machado (PT/AC), relator do PL, precisa de mais tempo para se analisado. O pedido de adiamento foi feito ao deputado pela Casa Civil, que alega não ter visto o documento final.
(Camila Cotta/SBPC)
Fonte: Jornal da Ciência