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Natasha Ramos

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Cidades brasileiras reúnem milhões de manifestantes em defesa da Democracia. ANPG presente!

Milhares de pessoas ocupam as ruas do Brasil, nesta sexta-feira (18), em atos em defesa da Democracia e dos direitos sociais. Na av. Paulista, em São Paulo, diversas pessoas, dentre elas pós-graduandas e pós-graduandos se reúnem para dizer que são contra o golpe.

A ANPG, participante da Frente Brasil Popular, que convocou os atos pelo Brasil, entende que o país passa por um momento político muito delicado e, assim como outras entidades dos movimentos social e estudantil, não quer ver um retrocesso nos avanços conquistados nos últimos anos.

“A Democracia brasileira é muito jovem. Precisamos fortalece-la, pois sem democracia nenhum avanço social é possível”, diz Tamara Naiz, presidenta da ANPG.

Para além de partidos políticos, a entidade entende a necessidade de se defender a Democracia para que a história não se repita, para que outro golpe como o que ocorreu em 1964 não volte a acontecer. Quem viveu esses tempos difíceis sabe que a Democracia foi duramente reconquistada, e não deve ser perdida novamente.

“Sem Democracia é impossível lutar por quaisquer avanços e conquistas. Por isso, pós-graduandos do Brasil inteiro estão juntos hoje contra o golpe”, diz Gabrielle Paulanti, diretora da ANPG, presente na manifestação que ocorre nesta tarde de sexta-feira, na av. Paulista.

“A Democracia é uma instituição duramente conquistada. Hoje é um dia que vale anos porque estamos na rua para defender a democracia”, diz Gabriel Nascimento, diretor de Comunicação.

A manifestação na Paulista já concentra mais de 200 mil pessoas e esse número deve aumentar nas próximas horas.

Confira algumas fotos das manifestações em todo o país:

Pós-graduandos em ato na av. Paulista.
Pós-graduandos em ato na av. Paulista.

Ato dia 18 - São Paulo
Pós-graduando na Av. Paulista.

Luiz Ramos, diretor da ANPG, Tamara Naiz, presidenta da ANPG, Pedro Tourinho, Vereador em Campinas e ex-diretor da ANPG.
Luiz Ramos, diretor da ANPG, Tamara Naiz, presidenta da ANPG, Pedro Tourinho, Vereador em Campinas e ex-diretor da ANPG.

Direto do Norte do país.
Direto do Norte do país.

Manifestantes em Maceió durante os atos do dia 18.
Manifestantes em Maceió durante os atos do dia 18.

Em Fortaleza também tem pós-graduando defendendo a Democracia.
Em Fortaleza também tem pós-graduando defendendo a Democracia.

Da redação

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18 motivos

Hoje (18), a juventude sai mais uma vez às ruas de todo país para lutar por um Brasil livre, soberano e com justiça social. Nesse momento de forte ataque à democracia, elencamos dezoito motivos que norteiam as manifestações estudantis.

Conquistas como o Prouni, Fies e Cotas e o combate à corrupção que valha para todos, sem seletividade, são algumas das pautas.

Confira os motivos na íntegra:

Motivo #1
Eu vou dia 18 porque: Demoramos mais de 20 anos para recuperar a democracia.
Não abro mão!

Motivo #2
Eu vou dia 18 porque: O combate à corrupção tem que valer para todos. Abaixo a seletividade.

Motivo #3
Eu vou dia 18 porque: A corrupção só vai acabar sem o financiamento de empresas a campanhas. Reforma política já!

Motivo #4
Eu vou dia 18 porque: O pré-sal tem que ser nosso, para financiar a educação. Abaixo o PLS131!

Motivo #5
Eu vou dia 18 porque: Prouni, Fies e Cotas valem bem mais do que blablablá de meritocracia

Motivo #6
Eu vou dia 18 porque: Eu quero mais pobres, negros e indígenas na universidade. Por mais assistência estudantil!

Motivo #7
Eu vou dia 18 porque: Eu quero um país sem machismo, onde nem a presidenta nem ninguém é chamada de vaca…

Motivo #8
Eu vou dia 18 porque: Eu quero um país sem LGBTfobia pra beijar homem ou mulher, quando e onde eu quiser…

Motivo #9
Eu vou dia 18 porque: Eu quero um país sem racismo, onde negras e negros ocupem todos os espaços.

Motivo #10
Eu vou dia 18 porque: Eu não quero mais a PM matando a juventude das favelas. Selfie com a PM não. Desmilitarização sim!

Motivo #11
Eu vou dia 18 porque: Não dá pra se achar politizado assistindo apenas à Rede Globo… Democratização da mídia já!

Motivo #12
Eu vou dia 18 porque: Os ladrões de merenda continuam soltos! Indignação seletiva não

Motivo #13
Eu vou dia 18 porque: Não são os pobres que têm de pagar pela crise. Pela taxação das grandes fortunas!

Motivo #14
Eu vou dia 18 porque: Basta de política econômica que só agrada aos banqueiros. Contra o ajuste fiscal!

Motivo #15
Eu vou dia 18 porque: Eu quero a redução da jornada e o fim das terceirizações. Estudantes e trabalhadores unidos!

Motivo #16
Eu vou dia 18 porque: Eu quero a reforma agrária. Estudantes e camponeses unidos!

Motivo #17
Eu vou dia 18 porque: Eu respeito o resultado democrático das urnas. Não dá pra querer ganhar no grito…

Motivo #18
Eu vou dia 18 porque: Defender a democracia é mais do que apoiar qualquer partido. Meu lado é o Brasil!

Fonte: UNE

Apeoesp

A presidenta da ANPG, Tamara Naiz, participou, nesta quarta-feira (16), do Grito pela Educação Pública de Qualidade no Estado de São Paulo, evento promovido pela Apeoesp, com o apoio de diversas entidades do movimento estudantil e social. Para o evento, foram montadas tendas na praça da República, região central da capital paulista, onde ocorreram os debates.

Tamara integrou a mesa “Valorização dos profissionais da educação, de acordo com a meta 17 do PNE, carreira, condições de trabalho e formação inicial e continuada”, juntamente com o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão.

A meta 17, do Plano Nacional de Educação (PNE), diz o seguinte: valorizar os(as) profissionais do magistério das redes públicas da Educação Básica, a fim de equiparar o rendimento médio dos(as) demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do 6º ano da vigência deste PNE.

Atualmente, o rendimento médio dos professores da Educação Básica é 57,3% do salário médio dos demais profissionais com a mesma escolaridade (dados de 2013). A meta é que, até 2020 o salário dos docentes seja equiparado ao dos demais profissionais.

“A formação e valorização dos professores é, sem dúvida, um dos maiores desafios que temos na educação básica. Para se ter ideia, apenas 2% dos jovens brasileiros querem ser docentes. Já temos um déficit grande de profissionais da Educação”, disse Tamara.

O desinteresse dos jovens pela carreira docente na Educação Básica é apontado como um conjunto de fatores: salários injustos, ausência de planos de carreira, descaso e pouca prioridade para as licenciaturas nas universidades e difíceis condições de trabalho nas escolas.

“Essa realidade precisa ser combatida. É preciso tornar mais atraente a carreira docente, por meio da valorização salarial, formação inicial sólida, com ênfase na atuação na sala de aula, incentivo à formação continuada, plano de carreira estimulante e melhores condições de trabalho, com estruturação das escolas”, afirma a presidenta da ANPG.

Da redação

A portaria interministerial Nº 3, de 16 de março de 2016, publicada ontem (16), alterou para R$ 3.330,43 o valor da bolsa assegurada aos profissionais de saúde residentes, em regime especial de treinamento em serviço de 60 horas semanais. Esta portaria passa a vigorar a partir de sua data de publicação.

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“Os residentes, profissionais de saúde em formação do SUS, tem mais uma vez valorizado sua remuneração. Estes pós-graduandos possuem alguns direitos já conquistados (como direito a seguridade social e férias), mas ainda existem muitos desafios a serem superados como a 13ª bolsa e a diminuição da sua carga horária (atualmente 60h semanais)”, afirma Dalmare Sá, Diretor de Saúde da ANPG.

Importante destacar que a portaria que aumentou a bolsa de residência desta vez não enfoca apenas a residência médica como de outras vezes, mas reconhece todas as categorias profissionais de Saúde que possuem tal formação.

A ANPG acompanha a luta dos pós-graduandos residentes em Saúde há anos. Não é à toa que foi criado, em abril de 2012, o Fórum de Pós-Graduandos em Saúde da ANPG, durante o 22º Congresso Nacional de Pós-Graduandos, quando, inclusive, já foi realizado o I Encontro de Pós-Graduandos em Saúde.

“O Fórum de Saúde da ANPG é um espaço de debate setorial que serve para que a ANPG elabore suas posições e propostas quanto ao tema. Para participar do fórum basta estar interessado na aproximação, temos a ideia de ampliar o debate feito dentro do fórum tendo em vista o grande investimento do setor saúde no desenvolvimento científico e tecnológico”, explica Dalmare.

Além disso, a ANPG possui um representante no Conselho Nacional de Saúde, Dalmare Sá, conselheiro do CNS. Segundo ele, o papel da entidade junto ao Conselho é defender o SUS como grande e maior conquista do povo brasileiro, defender o controle social do povo na saúde e trazer questões principais sobre temáticas como a Ciência e Tecnologia e assuntos relacionados à Juventude.

Dalmare Sá durante cerimônia de posse do CNS.
Dalmare Sá durante cerimônia de posse do CNS.

“O CNS é sem dúvida o espaço institucional de articulação e organização popular mais importante da nação. Foi uma grande conquista do movimento de reforma sanitária brasileira, pois nele os usuários (que são 50% da sua composição), juntamente com trabalhadores (25%) e gestores (25%) deliberam sobre as políticas públicas de saúde, aprovam orçamento da saúde bem como pautam os avanços para o setor e os grandes embates que devem ser traçados. O seu pleno possui cerca de 130 entidades dos mais diversos movimentos. È um local institucional de confraternização, organização e troca de ideias e ideais”, opina Dalmare.

Da redação

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Artigo por Cristiano Flecha*

“De que lado você samba? Você samba de que lado?”
Chico Science

A Frente Brasil Popular convoca atos por todo o Brasil para o dia 18/3, sexta-feira. A ANPG apoia e participa dos atos. Nesse artigo quero explicar melhor a importância desses atos dentro do momento decisivo por que passa o pais.

Os atos do dia 18 de março foram convocados em uma reunião de emergência da Frente Brasil Popular após a condução coercitiva de Lula no último dia 4 de março. Uma ação de força, repudiada inclusive por ministros do Superior Tribunal Federal, já que a ação desrespeita a própria lei.

A condução coercitiva de Lula foi um ataque aos direitos elementares do ex-Presidente – observem – como cidadão. Por isso é uma agressão à própria democracia, foi um gesto no sentido de um estado de exceção, onde qualquer um pode ser preso sem que exista motivação ou justificativa legal, sendo gravíssimo.

De certa maneira, isso escancarou a manipulação política a que se presta o processo da Lavo-Jato. A ideia, entorno da qual ela se organiza é um processo de criminalização da política e vai de mãos dadas com o “fora partidos” agitado nos atos do último dia 13 que, como bem lembra Marilena Chaui, sendo o prelúdio de uma política fascista que se esgueira por trás do slogan “meu pais é meu partido”.

A campanha de ódio ao Partido dos Trabalhadores e a Lula tem um objetivo político bastante específico, o que se quer é destruir não só o PT, mas todas as organizações populares dos sindicatos às entidades estudantes, dos movimentos por moradia às associações de bairro. Por isso, não é um acaso que os atos do dia 13 foram “preparados” com ataques à sede da UNE, ao sindicato dos metalúrgicos do ABC, ao sindicato dos bancários e a sedes do PT e do PCdoB.

Os arquitetos desse movimento reacionário sabem que para impor a retirada de direitos dos trabalhadores e estudantes é preciso destruir suas organizações de luta. Eles sabem que é preciso derrotar as organizações populares para abrir caminho para a espoliação das riquezas nacionais, a começar pela entrega do Pré-Sal às petroleiras americanas.

Diante disso tudo, ainda é preciso dizer que é uma contradição que o governo de Dilma tenha se envolvido com a negociação no Senado para a aprovação a lei que quebra o regime de partilha, talvez a mais importante medida de soberania nacional adotada pelos governos do PT. É uma contradição que seja o governo Dilma que esteja aplicando uma política de ajuste fiscal às custas dos gastos em Educação e Saúde.

Tudo isso na prática ajudou os golpistas, tornando o governo a cada dia mais impopular. Daí que não haja como dissociar as coisas, a luta para que Dilma faça um governo que proteja os trabalhadores, a juventude e a economia nacional da crise (acabando com essa política econômica orienta dar para o superávit fiscal) e a luta contra o próprio golpe de Estado “constitucional” que se articula contra o seu governo.

A situação é complexa, mas, para aqueles que estão firmes do lado dos interesses dos trabalhadores e da juventude, podem ver claramente o que está em jogo. Eles sabem de que lado eles devem sambar. Para todos esses, independente de que partido político façam parte ou mesmo se não fazem parte de partido político algum, unificar na luta contra o golpe e o ajuste indo e ajudando a convocar os atos de 18 e 31 de março é um imperativo urgente.

A situação é grave, é preciso fugir do ceticismo e do fatalismo que certas posições políticas levam. Nesse sentido, é preciso compreender o caráter espúrio (verdadeiramente criminoso perante os interesses dos trabalhadores) da política de certas organizações que se auto-proclamam “revolucionárias” e “socialistas”. A posição política dessas organizações faz é dividir, em vez de unificar a luta. Diante da ameaça real – e imediata – da instauração de um estado de exceção no pais o que essas organizações fazem é, nos fatos, ajudar os golpistas.

Não é possível saber qual será o desenlace dessa situação. Nada está resolvido. É a luta que vai decidir, a mobilização popular, a força e extensão da organização dos trabalhadores e estudantes pode impor derrotar aos golpistas. As batalhas decisivas estão à frente!

*Cristiano Flecha é vice-presidente da ANPG e doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da ANPG e são de total responsabilidade dos autores.

assembleia Alerj
Diretora da ANPG, Gabrielle Paulanti, esteve presente à audiência que tratou da situação dos bolsistas FAPERJ

Na manhã desta quarta-feira (16), foi realizada audiência pública da Comissão de Educação da Alerj, que teve como objetivo discutir a atual situação dos bolsistas da FAPERJ e da pesquisa no Estado do Rio de Janeiro.

Há dois meses o pagamento das bolsas dos pós-graduandos concedidas pela FAPERJ encontra-se em atraso. Além disso, essa audiência foi convocada também para se discutir uma das medidas apresentadas pelo governo do Estado do Rio para enfrentar a crise econômica: a PEC 19/2016, que pede a redução em até 50% do orçamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro.

Estiveram à mesa, o presidente da Comissão de Educação da Alerj, o deputado Comte Bittencourt (PPS-RJ), a diretora da ANPG, Gabrielle Paulanti, a presidenta da SBPC, Helena Nader, o presidente da ABC, Jacob Palis, o presidente e o diretor científico da FAPERJ, Augusto Raupp e Jerson Lima Silva, além de deputados, reitores e pró-reitores de diversas universidades do Rio, e representantes de associações de docentes do Rio e de sindicatos.

Foi uma mobilização grande do movimento de pós-graduandos. Havia no local representantes das APGs da PUC-Rio, UFRJ, UFRRJ, UERj, IUPERJ, UENF, Fiocruz, DCE da UEZO, e centenas de pessoas, que lotaram a sala da audiência. O posicionamento dos presentes foi unânime em relação à PEC 19/2016: é um dinheiro irrisório que o Estado irá cortar isso com um ônus enorme.

“Se a cada crise econômica que acontecer a gente mexer na carta magna, então, nós temos um problema na democracia”, disse Helena Nader durante a Audiência.

Em sua fala, a diretora da ANPG, falou da importância do papel da FAPERJ, como a principal agência de fomento da Ciência e Tecnologia no Estado. Além disso, Gabrielle falou do caráter da bolsa de pós-graduação, como um direito conquistado pelo pós-graduandos, e não um benefício. “No caso da FAPERJ, o bolsistas assinam o termo de outorga, no qual atestam que não poder podem ter vínculo empregatício. Assim, a bolsa tem um caráter de próprio sustento do pós-graduandos”, disse.

Ela propôs ainda que a FAPERJ tenha independência para exercer a sua missão de Estado, ou seja, que os recursos vão direto para agência, sem a necessidade de passar pela Secretaria de Fazenda ou outros órgãos do governo, “para que a manutenção do orçamento não dependa de vontade política”.

Três APGs des universidades do Rio tiveram direito a fala. Alice Pina, representante da UFRJ, Manoele Matias, da APG UERJ e Maria Fantinati, da Fiocruz. “Essa desidratação da FAPERJ que já vem ocorrendo há mais de um ano já está se refletindo em outras áreas, como a de Saúde”, comentou Maria.

As pessoas ressaltaram que não é só a crise do Petróleo que está fazendo com que o Estado do Rio de Janeiro esteja endividado. Na verdade, o Estado do Rio de Janeiro está endividado há muito tempo. A crise no Rio de Janeiro já vem de antes da crise do Petróleo.

Ação coletiva
O secretário de Ciência e Tecnologia do Rio foi à audiência com a promessa de que o pagamento de pelo menos uma das bolsas em atraso neste momento. A outra, disse ele, deve ser paga só em julho. Isso causou profunda insatisfação aos bolsistas.

O movimento dos pós-graduandos, junto com a ANPG, as APGs, e a UEE-RJ estão articulando uma ação coletiva na justiça para que os pagamentos das duas bolsas em atraso sejam realizados imediatamente.

“Se o governo do Estado pôde isentar grandes empresas como a Light, deixando de receber da empresa 85 milhões, ela pode regularizar o pagamento da FAPERJ, principalmente dos bolsistas que são a parte mais frágil nesse processo de desidratação. É um equívoco sair da crise cortando verbas de áreas estratégicas. Os pós-graduandos têm um papel decisivo no desenvolvimento do estado. Quase a totalidade das pesquisas desenvolvidas no Estado do Rio de Janeiro à modelo do Brasil tem a participação dos pós-graduandos”, argumentou Gabrielle.

A diretora da ANPG lembrou ainda da peculiaridade da situação do bolsista que já tem uma certa vulnerabilidade, pois não tem contribuição previdenciária, atrasa sua entrada no mercado de trabalho para poder concluir a sua formação, etc. Ela lembrou também que os pós-graduandos compõem uma categoria híbrida, entre o processo educacional e a atividade laboral. “Portanto, não pagar os bolsistas significa negligenciar não só um estudante, mas também um trabalhador”, afirmou.

Foi ressaltado ainda por várias pessoas o papel protagonista do Rio como referência em grandes programas de excelência, um modelo para o resto do país. “Essa PEC vai contra tudo que o Rio representa para o Brasil, é um retrocesso”, enfatiza Gabrielle.

A resolução desta audiência foi que a Comissão de Educação vai se posicionar firmemente contra a PEC 19/2016. Os pós-graduandos continuaram mobilizados para barrar essa proposta.

Da redação

Confap
A primeira reunião do Fórum do Confap aconteceu em Brasília (Foto: Haydée Vieira – CCS/Capes)

Presidentes das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de todo o Brasil estiveram reunidos no edifício-sede da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em Brasília, para discutir questões relacionadas à gestão de recursos para o fomento à ciência, tecnologia e inovação no país. Eles participam da primeira reunião do ano do Fórum do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), realizado nestas quinta e sexta-feiras, 10 e 11 de março.

A solenidade de abertura contou com a presença do ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Celso Pansera, e do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg. Pansera destacou o esforço do ministério em trabalhar junto com as FAPs. “Estamos indo aos estados, ouvindo as fundações de amparo e vendo de que forma podemos ajudar. É dever do ministério ajudar na articulação e estratégias nacionais que permitam que a ciência mantenha a vitalidade atingida na última década”, afirmou.

Rollemberg ratificou os investimentos realizados em ciência e tecnologia no Distrito Federal. “Não tenho dúvida que um dos caminhos para encontrar solução para os impasses do presente é por meio do investimento em ciência, tecnologia e educação. Fizemos questão de honrar todos os compromissos estabelecidos com a C&T, pois temos convicção que para o desenvolvimento científico tão importante quanto garantir os recursos é garantir a regularidade dos mesmos”, ressaltou.

Cooperação
O diretor de Avaliação da Capes, Arlindo Philip Jr, celebrou o fato de o encontro ser realizado na Capes. “Este é o elo de grande relevância para o desenvolvimento do país: a relação da pós-graduação, educação e pesquisa”. Entre as atividades de articulação de Confap e Capes, Arlindo lembrou o recente protocolo de cooperação assinado com a Fapemig com foco na recuperação da bacia hidrográfica do Rio Doce.

Após a solenidade de abertura, foi realizada palestra sobre o Decreto de Regulamentação da Lei de Inovação, com a secretária-executiva do MCTI, Emília Curi. “A ciência precisa de união no setor e o Confap e as FAPs são fundamentais para esse processo. Com o novo marco, estamos reforçando uma parceria que não se acaba, ela se renova e se estende. E vamos colocar o documento aberto diante de todos em consulta pública para determinar as nossas ações”, explanou.

O presidente do Confap, Sergio Gargioni, e o diretor de Avaliação da Capes, também assinaram protocolo de cooperação, que sinalizam para a elaboração de dois editais: reuso de água nos centros urbanos, envolvendo a totalidade das FAPs; e água no semiárido brasileiro, com previsão de lançamento ainda neste semestre.

Confap
O Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa é uma organização sem fins lucrativos que tem por objetivo melhor articular os interesses das agências estaduais de fomento à pesquisa. Criado oficialmente em 2006, o Conselho agrega fundações de 25 estados, mais o Distrito Federal.

Saiba mais sobre o Confap.

Fonte: Confap

Especial Mulheres na Ciência

Pós-graduandas e pesquisadoras relatam as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na academia e na Ciência.

A professora doutora em Letras pela PUC-RS, Inara Rodrigues, fala sobre a os desafios que as mulheres enfrentam ainda hoje na Ciência.
Viemos conquistando um espaço cada vez maior na Ciência. Mas, é claro, sem dúvida, em algumas áreas mais do que em outras ainda há uma certa dificuldade da mulher se inserir. Isso tem a ver, talvez, com algumas áreas historicamente mais masculinas. Na área da Educação, não temos tantos problemas em função daquela naturalização da ideia das professoras serem em sua maior parte mulheres. Talvez por isso, no universo da Educação, conseguimos hoje ter uma representação significativa. Mas, em outras áreas, como nas exatas, os espaços são bem mais reduzidos. Temos conquistados muitos espaços com a luta feminista, mas ainda há muito que conquistar.

Franciane Conceição da Silva, doutoranda em Literatura pela PUC-MG, nos conta sobre os desafios enfrentados pela mulher negra na Ciência.

Todas as mulheres vão acabar sofrendo discriminação de gênero, principalmente, para ocupar esses espaços que foram historicamente negados às mulheres, espaços de poder, que é estar na Ciência, na Academia. Então, o fato da mulher estar ocupando esses espaços é uma vitória, mas ao mesmo tempo, quando ela chega nesses espaços ela vai enfrentar diversas dificuldades. Para uma mulher negra na Ciência, a coisa é ainda mais complicada. A mulher negra, que não era nem considerada gente, estar na academia era ainda mais impensável. Você não era nem considerada ser humano, como você poderia produzir conhecimento? Então, existem as questões das barreira do racismo e, ainda, do classicismo, pois muitas dessas mulheres negras que entram na academia vêm de classes menos favorecidas. Há todas essas barreiras para a mulher negra produzir ciência, produzir conhecimento. As mulheres na ciência ainda são minoria, e as mulheres negras são um número mais reduzido ainda.

Gabrielle Paulanti, doutoranda em literatura pela USP e diretora da ANPG, comenta o fato de muitas mulheres mestres e doutoras na ciência brasileira ainda ganharem um salário inferior ao de homens pesquisadores; e como as dificuldades enfrentadas pelas mulheres em seus cotidianos acadêmicos afetam sua produção acadêmica, representatividade e reconhecimento.

Ainda há muitos desafios para o pleno desenvolvimento e participação das mulheres no fazer científico, principalmente no contexto brasileiro. Podemos trazer uma referência na ciência que é baseada em parâmetros completamente masculinos e que não abarca as necessidades específicas das mulheres, além das dificuldades históricas da desigualdade de gênero e estruturais para a plena participação das mulheres na Ciência e na pesquisa.

A representatividade das mulheres é uma necessidade da Ciência mais do que das mulheres, como uma representação da própria sociedade, já que as mulheres são maioria no mundo e no Brasil. Então, a ciência precisa desse olhar diversificado, não só em relação às mulheres, mas de todos os segmentos da sociedade. O fazer científico precisa ser repensado em outros parâmetros, de modo que tenhamos estrutura para abarcar as necessidades específicas das mulheres, como creche, licença maternidade para as pós-graduandas, e acabar com o assédio moral e sexual nas universidades, que nós sabemos que a maioria das vítimas são mulheres.

Para a doutoranda em história econômica pela UFG e presidenta da ANPG, Tamara Naiz, são várias as dificuldades enfrentadas pelas pesquisadoras na academia simplesmente pelo fato de serem mulheres. Ela ainda comenta como as relações hierárquicas e patriarcais na Ciência afetam a produção acadêmica das mulheres.

Primeiro não são só as relações na academia que atrapalham a vida acadêmica das mulheres. As mulheres têm que se desdobrar muito para exercer sua vida acadêmica. Precisamos partir da noção de que para a mulher estar na universidade, fazendo uma pós-graduação, ela precisa conciliar uma série de questões que se inserem no papel dela na sociedade. A mulher entrou para o mercado de trabalho, mas em contrapartida, os homens não assimilaram um papel e uma responsabilidade na vida doméstica na mesma proporção. Tarefas como cuidar dos filhos e da casa ainda pesam muito no ombro das mulheres. Isso é um fator que atrapalha muito a vida acadêmica da mulher. Muitas vezes, ela precisa colocar outra mulher para fazer essas tarefas domésticas, para que ela possa exercer sua vida acadêmica com mais intensidade.

Outra questão importante a se discutir sobre a entrada da mulher na academia é o preconceito institucional. As mulheres são maioria nas universidades, mas se observar os espaços decisórios, as chefias dos departamentos, diretorias de institutos e universidades não temos essa representação feminina num nível satisfatório. Isso inclusive contribui para a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Outro aspecto é que há todo um ambiente formado há séculos pela presença masculina. Então as mulheres têm dificuldades como o desafio pessoal de deixar os filhos, até lidar com situações de machismo, situações em que muitos homens acham indesejável a presença de mulheres nos laboratórios. Muitos pesquisadores já chegaram a dizer isso, que a mulher no laboratório é uma distração para os homens, o que é algo muito desrespeitoso e até ofensivo a se dizer.

É uma cultura machista que está arraigada na sociedade, e na academia e na universidade não é diferente. Sem falar no assedio moral e sexual, que muitas mulheres sofrem. Todas essas questões são entraves cotidianos para que a mulher possa exercer de maneira mais livre e dedicada a sua pesquisa.

O principal desafio é o preconceito e a resistência que existe às mulheres em alguns espaços. Está mais do que provado que as mulheres têm as mesmas capacidades intelectuais que os homens e podem estar em qualquer espaço em que o homem esteja. Infelizmente, a sociedade ainda não conseguiu assimilar isso.

Há um ambiente em várias áreas hostil para as mulheres, claro que você explica por uma cultura machista de séculos e décadas em que essas mulheres não estiveram nessas áreas, mas nós já construímos uma outra cultura ao longo dos anos. Já era possível que as mulheres fossem grande número em diversas áreas como engenharia, física, astrofísica, mas ainda não são. Acredito que vão estar à medida que se rompa com esses espaços hostis às mulheres.

Da redação

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09/03/2016 – Luta feminista é reafirmada em marcha do Dia da Mulher

Colegas pós-graduandas/os,

Dia 18 de março, por todo o Brasil haverá atos em defesa da democracia, dos direitos sociais e contra o golpe. A ANPG, participante da Frente Brasil Popular, convoca todas e todos pós-graduandos/as para se juntar aos atos em suas cidades.

O momento político por qual passa o Brasil é grave. Acompanhamos com preocupação a deterioração da situação política e econômica em nosso pais. De fato, nas últimas semanas a situação ganhou novos contornos com ações violentas de agressão e irregularidades cometidas contra sindicatos e organizações populares.

As sedes de sindicatos, partidos de esquerda e das entidades estudantis (ANPG, UNE, UBES) foram atacadas na última semana, além de intervenções e visitas policiais nesses espaços para “averiguação de ações das entidades”, ações semelhantes de intolerância se repetiram em outros sindicatos e sede de partidos políticos.

Não podemos tolerar tais ataques e intervenções sobre a liberdade de organização civil. Somente a ação das forças democráticas e organizações populares pode reverter a escalada golpista e fascista que vemos crescendo no ambiente político brasileiro. Por tudo isso, a ANPG convoca todos/as pós-graduandos/as a irem aos atos de 18 de março de 2016 em suas cidades e a ajudar a convocar os mesmos.

Em defesa da democracia!
Não ao golpe!

Diretoria da ANPG

país. por Ascom do MCTI Publicação: 08/03/2016 | 09:24 Última modificação: 08/03/2016 | 17:48 Daniela Trivella, a garotinha que fazia perfumes usando água e álcool de cozinha, hoje é pesquisadora de novos fármacos do Laboratório Nacional de Biociências. Desde setembro, Daniela está na Universidade de Nottingham, na Inglaterra, pelo Projeto Transtar.
Daniela Trivella, a garotinha que fazia perfumes usando água e álcool de cozinha, hoje é pesquisadora de novos fármacos do Laboratório Nacional de Biociências. Desde setembro, Daniela está na Universidade de Nottingham, na Inglaterra, pelo Projeto Transtar.

Conheça a história de seis mulheres que dedicam suas vidas à produção científica e ao desenvolvimento tecnológico do país

Quando criança, Ana tinha o hábito de abrir as coisas para ver o que havia dentro. Bianca sempre foi fascinada pelas descobertas científicas. Daniela coletava flores com a prima e fazia perfume usando água e álcool de cozinha para extrair a essência e o corante das plantas. Juliana adorava as aulas de laboratório do ensino fundamental e as feiras de ciências. Liu Lin descobriu que a matemática, a biologia e a física formam o “seu” universo. O papel social da ciência foi o que despertou o interesse de Heloísa para ingressar no meio científico. O que esses nomes têm em comum?
Cada uma dessas mulheres rompeu barreiras e construiu uma trajetória de sucesso em ambientes dominados pelos homens, conquistando um lugar na ciência brasileira. Hoje, elas fazem história nos institutos de pesquisa vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A pequena Ana, que tinha curiosidade em saber o que existia dentro das coisas, hoje coordena uma das estações experimentais do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNLS/CNPEM/MCTI) para o megaprojeto Sirius. A curiosidade de Ana a colocou junto com os cientistas que aceleram as partículas que compõem os átomos a velocidades próximas a da luz para ver o que tem dentro. Formada em física pela Universidade de São Paulo, trabalha no CNPEM desde 2006.
“Minha função é pensar e planejar uma das estações experimentais do Sirius. Essa construção é uma coisa nova pra mim. Faço parte do grupo de pesquisadores que está planejando essa máquina. Estou bastante animada”, conta a coordenadora Ana Zeri. “Desde muito cedo eu sempre quis descobrir as coisas. Essa busca pelo conhecimento é um superpoder da raça humana. Temos que saber cada vez mais sobre o que nos cerca para melhorar a nossa vida”, acrescenta.
O caminho trilhado por Ana foi o mesmo escolhido, há trinta anos, pela pesquisadora Liu Lin. Nascida na China, imigrou para o Brasil com três anos. Participou do grupo de cientistas que se uniu para a construção da primeira fonte de luz síncrotron brasileira (e até hoje a única da América Latina), em 1985. Lin é uma das principais responsáveis pelos cálculos que resultaram em um dos primeiros aceleradores de elétrons de quarta geração do mundo: o Sirius.
“Desde o início achei bastante interessante os problemas propostos e acabei vindo parar no LNLS. Comecei meu trabalho aqui antes mesmo do laboratório ser efetivamente criado. Fiz parte da equipe que elaborou o primeiro projeto de luz síncrotron. Naquela época ninguém sabia como construir uma fonte de luz como essa. Tivemos que aprender tudo a partir do zero e aprendemos fazendo. Esse aprendizado do primeiro síncrotron foi fundamental pra gente fazer o Sirius.”
Divulgação da ciência
O fascínio de Bianca pelos avanços e descobertas da ciência a levou a fazer carreira no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict/MCTI). Nesta quarta-feira (9), ela completa 29 anos de trabalho no Ibict. “Comecei minha carreira no Ibict quando tinha apenas 22 anos. A ciência realmente me interessou quando entrei aqui, e me dei conta de quanta informação científica era produzida e da necessidade de esta informação ser organizada e difundida”, comenta.
Hoje, Bianca Amaro é responsável pelo desenvolvimento de mais de 70 repositórios institucionais e redes regionais. “Coordeno os projetos de acesso aberto à informação científica do Ibict, como a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), o Diretório de Políticas de Acesso Aberto de Revistas Científicas Brasileiras (Diadorim), o Portal Brasileiro de Publicações Científicas em Acesso Aberto (oasisbr), entre outros”, enumera.
No ano passado, ela foi agraciada com o prêmio Electronic Publishing Trust for Development (EPT). “É o reconhecimento internacional do trabalho que desenvolvemos no Ibict em prol do acesso aberto à informação científica há mais de uma década. Esse trabalho inclui a criação do oasisbr, que contém mais de um milhão de documentos brasileiros disponíveis para o seu download em texto completo.”
Dos perfumes para os fármacos
Formada em biologia, Daniela Trivella, a garotinha que fazia perfumes usando água e álcool de cozinha, hoje é pesquisadora do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio/CNPEM/MCTI). Os experimentos para transformar plantas em perfumes deram lugar às pesquisas para descoberta de novos fármacos. “Meu trabalho gira em torno de uma plataforma para a descoberta de novos fármacos, que vai desde a confecção de bibliotecas químicas e identificação de alvos farmacológicos, passando por diversas etapas, até a otimização de moléculas com características adequadas para produzir um fármaco”, conta.
Desde setembro, Daniela está na Universidade de Nottingham, na Inglaterra, pelo Projeto Transtar, financiado pela Capes e com a participação do LNBio. “O projeto visa formar recursos humanos altamente qualificados para desenvolver programas de descoberta de fármacos no Brasil. Abrange tanto os aspectos técnicos e científicos, como também aspectos gerenciais, essenciais para que se tenha sucesso neste complexo processo que é a obtenção de um novo fármaco”, explica.
Bacharel e doutora em Química pela Universidade Estadual de Campinas, Juliana da Silva Bernardes, a menina que adorava o laboratório da escola, trabalha há três anos como pesquisadora no Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano).
“Venho desenvolvendo pesquisa sobre produção e aplicação de nanomateriais de celulose. Esse é um assunto estratégico para o Brasil, considerando as grandes quantidades de biomassa e resíduos agroindustriais que são produzidos anualmente. Além disso, vem aumentando progressivamente a demanda mundial por produtos preparados sob um enfoque sustentável, que utilizam materiais de partida e tecnologias de transformação que reduzam o impacto ambiental e minimizam ou eliminam a geração de substâncias nocivas à saúde humana e ao ambiente”, diz.
Hoje, Juliana divide a rotina no laboratório com a maternidade. “Desde maio de 2014, vivencio a maravilhosa experiência de ser mãe, tentando conciliar uma tarefa que exige dedicação absoluta com um desprendimento ainda maior.”
Muito a fazer
A experiência dessas pesquisadoras revela o aumento da participação feminina na produção científica brasileira, mas ainda há muito a ser alcançado. Segundo levantamento do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), desde 2004, as mulheres são metade dos doutores titulados no Brasil. O percentual não reflete, no entanto, a participação delas nos laboratórios e institutos de pesquisa. Para Bianca, do Ibict, também falta visibilidade.
“Há milhares de mulheres pelo mundo que desenvolvem trabalhos científicos essenciais para a humanidade e que não têm a mesma visibilidade alcançada pelos homens”, lamenta Bianca Amaro.
“É visível nos laboratórios, universidades e centros de pesquisa a presença cada vez maior das mulheres. No entanto, é pouco expressiva a presença feminina em cargos de liderança, o que de certa forma prejudica o desenvolvimento do sistema, que deixa de contar com um recurso humano qualificado que possui condutas, valores e ações diferenciados”, acrescenta Juliana da Silva, do LNNano.
A historiadora Heloísa Bertol é um exemplo de mulher que chegou ao topo da hierarquia. Há três anos à frente do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), ela explica que há uma imagem construída sobre a mulher que atravessa diversas áreas. “Passa pelo educacional, familiar e religioso e define papéis diferentes para os sexos. Isso acaba afetando o campo profissional”, diz ela, que, ao lado da diretora do Ibict, Cecília Leite, são as únicas mulheres a comandar um instituto vinculado ao MCTI.
“As mulheres que conseguiram superar esses preconceitos trabalham normalmente. Cabe a nós, enquanto cientistas sociais, mostrar que o preconceito existe e tem que ser superado. A gente enfrenta, e o masculino ainda não está acostumado a ver a mulher como igual”, afirma Heloísa.
Para combater a desigualdade entre homens e mulheres no ambiente de pesquisa e ampliar a participação feminina na produção científica e tecnológica do Brasil, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, lançou nesta segunda-feira (7) o programa Mulheres na Ciência. “Para nós, reduzir as diferenças é fundamental”, garante o ministro.
Fonte: MCTI