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*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade. Artigos podem ser enviados para [email protected] 

Rafael Chagas é diretor da Associação de pós-graduandos da UFF, mestrando em saúde coletiva da mesma universidade e ex-diretor de políticas educacionais da UNE.

Certamente o processo de greve deflagrado nas universidades federais há alguns dias se apresenta em um contexto diferente de outros movimentos grevistas na educação superior de anos anteriores. As últimas greves tiveram como marca a desmobilização da comunidade universitária e o pouco diálogo com o conjunto da sociedade, desgastando este legítimo instrumento dos trabalhadores. No entanto, este ano, temos assistido um movimento mais vigoroso, com novos sujeitos políticos em cena e pautas que se articulam para além das entidades tradicionais do movimento social de educação. Esse novo cenário traz um ambiente propício para a discussão do conteúdo deste movimento.

A novidade desta greve parece resultado de uma questão decisiva: De qual universidade e de qual sociedade esta greve está falando? Há de se imaginar que novos elementos na conjuntura vão exigir outras elaborações que irão implicar em novos processos reivindicatórios. Destacam-se dois pontos fundamentais em que se evidenciam mudanças importantes. Primeiro, a ampliação da universidade pública no Brasil e em segundo a diminuição da pobreza com geração de emprego e renda.  Assim, o debate se deslocou do âmbito da necessidade de existir ou não universidade pública em uma sociedade onde grande parte da população vivia na condição de miséria, para a possibilidade da universidade repensar o seu papel na democratização do país.

Estas novas condições engendram um conjunto de contradições no interior das universidades. O REUNI, programa do governo federal responsável pela ampliação da oferta de vagas e pela interiorização da universidade, também tinha por objetivo mudar a estrutura universitária no sentido de democratizá-la. Entretanto, este projeto enfrenta dificuldades para a sua plena implementação, tanto pela limitação orçamentária, quanto pela sua conformação ao caráter autoritário que caracterizou historicamente as instituições de ensino superior no Brasil. Não se imaginava que a universidade mudaria radicalmente apenas com a adesão das IFES a um projeto governamental. Os setores conservadores que se beneficiam de um modelo anti-democrático de universidade, construído há mais de 100 anos, não seriam derrotados apenas por um processo legal e burocrático. O choque entre o que tem surgido de inovador e a velha estrutura da Universidade se apresenta de tal ordem que a mobilização torna-se uma condição necessária para as propostas de mudança se viabilizarem.

Por outro lado, o fortalecimento das classes populares resultado do crescimento do trabalho e da renda no Brasil exige pensar um novo papel dos serviços públicos no debate ideológico. Os interesses privados do mercado logo se colocarão como provedores de serviços pagos de baixa qualidade, como educação e saúde, para atender esse novo mercado. A ascensão social vinculada apenas ao aumento do consumo não cria mecanismos de mudanças, ao contrário, conforma as possibilidades abertas com o crescimento econômico. Torna-se fundamental o Estado ofertar serviços públicos de qualidade e universais, com o objetivo de fortalecer a cidadania para além do consumo. Portanto, a ampliação do ensino superior público deve ser uma questão prioritária nos debates da greve, já que o crescimento das universidades federais está aquém das exigências impostas pelas transformações presentes na sociedade brasileira.

As contradições e as possibilidades presentes nesses processos de mudanças permite a construção de agendas de transformação com mais vigor pelo movimento grevista. Enquanto no passado as IFES estavam sendo sucateadas pelo desmonte operado pelo neoliberalismo brasileiro, este ano a mobilização se insere em uma conjuntura de retomada dos investimentos na universidade pública e de centralidade do ensino superior na discussão de um projeto de sociedade. Assim, passamos de um movimento de resistência ao modelo vigente a um processo de disputa de projetos, onde a universidade pública não está em questão, mas sim o que queremos dela. 

Soma-se a isso, a entrada de um novo público na universidade, resultado do REUNI, tanto de docentes como de estudantes. Esses novos sujeitos, evidentemente, pressionam para que a universidade atenda suas demandas e interesses que, na maioria das vezes, não são nem escutadas. A impressão que passa é que a universidade mantém uma relação de estranhamento com estes sujeitos, mas agora eles estão dentro dela e exigem participar de sua dinâmica. A reivindicação destes setores vai desde a infraestrutura necessária até uma nova concepção de construção do saber, mais democrática e com relevância social. Isso pode ser percebido em algumas agendas que sustentam esta greve, onde estudantes se mobilizam por condições adequadas de estudo e trabalhadores se colocam contra propostas que aprofundam a divisão do saber entre os que produzem pesquisa e os que se dedicam a docência. 

Assistimos, neste sentido, o surgimento de um novo tipo de protagonismo no interior das universidades, onde os sujeitos se organizam e estabelecem redes para além das entidades tradicionais dos trabalhadores e do movimento estudantil. Estes novos atores políticos elaboram suas pautas a partir do vivido no cotidiano e não através de modelos pré-estabelecidos ditados pelas estruturas das entidades tradicionais. Os sindicatos de trabalhadores das universidades e o movimento estudantil tem uma grande oportunidade, nesta greve, de se reinventarem e se colocarem a altura das questões de seu tempo.

Portanto, esta greve tem revelado movimentos interessantes para além do que podemos enxergar a primeira vista. Estes movimentos contestatórios, elaborados a partir do cotidiano das instituições por novos atores políticos, é onde se encontra a possibilidade desta greve conseguir superar uma concepção apenas corporativa, evidenciada em greves anteriores, e construir processos com a potência necessária para produzir mudanças radicais na estrutura das universidades brasileiras, caminhando para superar definitivamente a crise de legitimidade em que se encontra a universidade em relação ao conjunto da sociedade.

Como toda atividade humana, a ciência tem uma história – e muito interessante, diga-se de passagem. Para mostrar como unir de forma atrativa história e ciência, os Seminários em Divulgação Científica recebem em 18 de junho, segunda-feira, às 9h, a historiadora Andréa Fernandes Costa para tratar do tema “As potencialidades do uso de instrumentos científicos históricos na divulgação da Ciência em museus”.

A pesquisadora do Museu Nacional/UFRJ falará sobre a sua experiência como Chefe do Serviço de Programas Educacionais da Coordenação de Educação em Ciências do Museu e Astronomia e Ciências Afins (Mast). O evento é gratuito, não requer inscrição prévia e será realizado na sala de aula da Oficina Escola de Manguinhos.

O ciclo de palestras “Seminários em Divulgação Científica” faz parte do curso de Especialização em Divulgação da Ciência, da Tecnologia e da Saúde, uma parceria entre Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, Casa da Ciência/UFRJ, Fundação Cecierj e Museu de Astronomia e Ciências Afins, com apoio da Rede de Popularização da Ciência e da Tecnologia da América Latina e do Caribe (Red-Pop), da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência e do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia/Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social/MCTI. Saiba mais sobre o curso em www.museudavida.fiocruz.br/lato

Serviço

Seminário: “As potencialidades do uso de instrumentos científicos históricos na divulgação da Ciência em museus”, com Andréa Fernandes Costa

Evento gratuito

Horário: dia 18 de junho, segunda-feira, às 9h.

Local: sala de aula da Oficina Escola de Manguinhos

Endereço: Av. Brasil, 4365 – Manguinhos (perto da Passarela 6 e dentro do campus da Fiocruz).

Mais informações: (21) 3865-2234 ou [email protected]

Fonte: Museu da Vida

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou na última sexta-feira (8) o edital n° 25/2012 Capes-Fulbright Master of Fine Arts (MFA). O edital torna pública a seleção de bolsistas para realização de mestrado nos Estados Unidos da América na área de produção cinematográfica com vistas à formação de roteiristas. O envio das candidaturas segue até o dia 31 de agosto de 2012.

De acordo com o edital, serão concedidas até três bolsas de estudo, renováveis, anualmente e com duração máxima de três anos acadêmicos da instituição nos EUA. A seleção se desenvolverá em três fases, todas de caráter eliminatório e, a partir da segunda fase, a seleção se revestirá de caráter classificatório.

Inscrições

Os interessados poderão se inscrever gratuitamente pelo sítio da Fulbright, por meio do preenchimento de um formulário on-line e o envio do Signature Form e Argumento de Longa Metragem, documentos que deverão ser enviados anexos ao formulário online.

Benefícios

Entre os benefícios, os bolsistas da Capes receberão: Mensalidade no valor de US$ 1.150,00, paga exclusivamente nos meses de efetiva permanência nos EUA, sendo que, no primeiro e no último mês, o valor da mensalidade será pago proporcionalmente ao período de permanência na cidade de estudos; pagamento da anuidade e taxas acadêmicas da universidade norte-americana; seguro saúde complementar, no valor de US$ 90,00 mensais e auxílio deslocamento.

Acesse a página do Programa de Bolsa de Estudos para Master of Fine Arts (MFA).

 

Fonte: Ascom da Capes.

 

Iniciada em 17 de maio, a greve atinge 51 unidades em todo país (47 universidades e quatro dos 40 institutos ou centros federais de educação tecnológica) e conta, desde segunda (11) com a adesão dos técnicos administrativos. Foto: UOL

A greve dos professores das instituições federais já dura quase um mês. Iniciada em 17 de maio, atinge 51 unidades em todo país (47 universidades e quatro dos 40 institutos ou centros federais de educação tecnológica) e conta, desde segunda (11) com a adesão dos técnicos administrativos. Segundo a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que reúne 37 sindicatos, o movimento cresceu devido ao impasse nas negociações com o governo sobre reajuste salarial, recebimento de gratificações e reestruturação de carreiras.

As principais reivindicações dos trabalhadores são o aumento do piso salarial em 22,8% e a correção das pendências da carreira desde 2007. O piso atual é de R$ 1.034. Os servidores fizeram uma greve de quase quatro meses no ano passado, mas não houve negociação com o governo e a paralisação foi encerrada. O Ministério da Educação afirmou que não vai se pronunciar sobre a paralisação.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), os professores pleiteiam carreira única com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios, variação de 5% entre níveis a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35), e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho.

Os professores também querem a valorização e melhoria das condições de trabalho dos docentes nas Universidades e Institutos Federais e atendimento das reivindicações específicas de cada instituição, a partir das pautas de elaboradas localmente.

Posicionamento da ANPG

Estudantes de 19 das 47 universidades também entraram em greve para pedir melhores condições de ensino. Segundo a Andes, a greve afeta mais de 1 milhão de alunos.

APG UFPEAPG UFSJAPG UFBA, APG UFV e o Fórum de Pós-Graduandos da UFPR já aprovaram moções de apoio. Na UFRJ e na UFF os pós-graduandos paralisaram as atividades.

Na UFLA e na UFBA novas assembleias ocorrem nos próximos dias para deliberar sobre o assunto.

Para a presidenta da ANPG, Luana Bonone, a greve dos docentes explicita o grave momento da educação brasileira. “Historicamente a ANPG sempre se posicionou ao lado dos professores em momentos como esse. Acreditamos que além do reajuste salarial é necessário garantirmos 10% do PIB em investimentos para Educação e 2% do PIB para Ciência e Tecnologia”, finalizou.

A ANPG, em nota oficial, esclarece a posição da entidade e se coloca ao lado dos docentes e técnicos administrativos. De acordo com o documento: Nós, que estamos mobilizados pelo reajuste no valor das bolsas de pesquisa e que em agosto iremos à Brasília pelo atendimento de nossas reivindicações, nos colocamos ao lado dos professores para que o Governo Federal cumpra com o acordo firmado com a categoria e atenda suas reivindicações. A ANPG considera ainda que é importante que CAPES e CNPq respeitem o direito de greve dos professores da pós-graduação e dos pós-graduandos e, portanto, possibilitem o alargamento dos prazos para os estudantes da pós-graduação nas universidades em greve, considerando os calendários de reposição decididos pelas universidades.

Leia, na íntegra, a nota da ANPG sobre a greve nas universidades federais.

 

Da Redação.

NOTA DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUANDOS SOBRE A GREVE NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS

Desde o dia dezessete de maio os docentes das instituições federais de ensino superior entraram em greve por melhorias na educação pública. Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES) já são 51 instituições que aderiram à greve.

Como entidade representativa dos pós-graduandos brasileiros e comprometida com as pautas que se relacionam com o desenvolvimento e soberania nacional, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) vem a público manifestar-se solidária a este e a todos os movimentos que lutam pela qualidade e pela expansão da educação pública no país. Consideramos como legítima a pauta de reivindicações dos professores, que vai das questões de contratação, questões salariais, melhorias das condições de trabalho e carreira ao cumprimento do Acordo 04-2011 firmado pelo governo. A MP 568-2012 editada por Dilma, substituindo o PL 2203, mesmo que cumprindo parcialmente o acordo agudizou a situação de insatisfação, pois contém cláusulas rejeitadas pelos docentes e servidores.

As condições de trabalho nas universidades se agravaram pela ausência de investimentos federais na carreira docente. Entendemos que o processo de expansão deve contar também com o aumento do investimento para garantir a qualidade e a valorização daqueles e daquelas que constroem cotidianamente a universidade pública brasileira. Desta forma, solidarizamo-nos e aproveitamos a efervescência do debate para pautar algumas reflexões no intuito de contribuir com o movimento. Compreendemos que ao abordarmos a pauta da qualidade de ensino devemos considerar uma amplitude de variáveis. No bojo deste debate devemos destacar desde questões de estrutura física, número adequado de servidores técnico-administrativos e docentes – problema que também se manifesta na pós-graduação tendo estes garantia de um processo de educação permanente e valorização profissional, a questões relacionadas aos projetos pedagógicos, currículos e metodologias mais emancipadoras no processo de ensino-aprendizagem, que contemplem o processo de formação de cidadãos críticos e criativos, que tenham desejo e condições de imprimir coletivamente mudanças sociais.

Garantir qualidade assentada nestas questões passa por uma política de financiamento robusta – e aqui reafirmamos a bandeira das entidades estudantis e científicas de urgência da destinação de 10% do PIB para a educação e 2% para ciência, tecnologia e inovação, bem como da destinação de 50% do fundo social do pré-sal e dos royalties do petróleo para essas áreas. Nós, pós-graduandos, também somos atingidos pela falta de investimentos na educação e na ciência e tecnologia. O corte de 55 bilhões do orçamento da União no início deste ano atingiu diretamente os Ministérios da Educação e de Ciência e Tecnologia, expressando uma política que prioriza o pagamento da dívida externa quando destaca quase 45% do Orçamento Geral da União para tal e destina 2,89% para a educação e apenas 0,38% para Ciência e Tecnologia. Neste sentido, defendemos que mudança na lógica da política econômica é fundamental para a defesa da soberania nacional e para combater os efeitos da crise sobre a população brasileira e, portanto, estamos em luta pela recomposição desses cortes.

Uma vez que compreendemos a universidade como um espaço com potencial de constituir-se enquanto vanguarda do pensamento crítico e transformador, para além de pautar mais recursos, elemento importante, entendemos que este é o momento de pautar que esta coloque a produção de conhecimento a serviço da sociedade, que radicalize seus espaços democráticos e amplie políticas de equidade. Nesta direção, defendemos que a universidade dialogue com a sociedade e contribua através da produção de saber para com a resolução de questões de interesse nacional, em áreas como a energética, a educação e a saúde humana, por exemplo. Defendemos que participem deste processo estudantes de graduação ao doutorado, pesquisadores iniciantes e versados, aliando em parceria com a comunidade o ensino, a pesquisa e a extensão, de forma indissociável. Para que isto se concretize, é necessário investir na qualidade e expansão do acesso desde a educação infantil até a pós-graduação, a qual necessita ser ampliada, com mais programas de pós-graduação, maior acesso, permanência e maior intercâmbio e solidariedade entre programas e pesquisadores, assim como espaços institucionais para este diálogo.

Para que esta proposta se consolide, a pós-graduação necessita ser compreendida no contexto da universidade, questão por vezes esquecida, uma vez que seu financiamento majoritário provém das agências de fomento, uma vez que sua gestão é em muitos elementos partilhada com estas e sua avaliação lhe é externa. A pós-graduação habita o lócus universitário e precisa ser inserida não apenas neste espaço, mas também compreendida como elemento importante de um sistema nacional de educação, como parte indissociável e com imenso e pouco explorado potencial de contribuição a este.

Ao destacar a estrutura demandamos que ao se expandir e se interiorizar a universidade, seja buscada também a expansão com garantia de infraestrutura para a pós-graduação através da propositura de novos cursos lato e stricto sensu nos campi e unidades, sendo este um meio de proporcionar o desenvolvimento da pesquisa em colaboração com o desenvolvimento regional. A ANPG acredita que o desejo de um país soberano e socialmente justo só se efetivará no dia em que todas e todos tiverem a possibilidade de acesso à educação pública de qualidade em todos os níveis, do ensino infantil à pós-graduação.

Considerando que parte indissociável da universidade também são os estudantes, para radicalização de espaços democráticos e da equidade, necessitamos ainda que os pós-graduandos também sejam inseridos nas políticas de assistência estudantil das universidades, bem como compreendidos e valorizados em seu processo de formação e contribuição social, com garantia de estrutura e insumos para seu trabalho. Para que essa valorização seja plena, faz-se necessário também o estabelecimento de uma política de ampliação e reajuste anual das bolsas de pesquisas, de modo a garantir qualidade de vida a esses estudantes-pesquisadores. Já avançamos ao receber neste ano pouco mais de 10% de reajuste nas bolsas, todavia, pautamos o reajuste imediato de 40% e seguiremos mobilizados nesta direção.

Por fim, reforçamos que este movimento que está colocado não é e não deve ser alheio aos pós-graduandos brasileiros. Reivindicar educação de qualidade, da educação infantil ao ensino superior, faz-se necessário para garantir um país mais justo e de todos. Aproveitamos o ensejo para fazer um chamado aos pós-graduandos a se organizarem em associações (APGs) em seus cursos, programas, institutos de pesquisa e universidades, a viver a vida na universidade, contribuindo nos espaços de representação discente institucional, como os conselhos, bem como galgando a consolidação de seus próprios espaços, as APGs e a ANPG. Hoje, há uma onda de mobilizações estudantis que se somam, com suas pautas específicas, ao movimento dos docentes. Os pós-graduandos não estão alheios à necessidade de luta por melhores condições de estudo e pesquisa e também se mobilizam por avanços e melhorias na educação pública brasileira. Nós, que estamos mobilizados pelo reajuste no valor das bolsas de pesquisa e que em agosto iremos à Brasília pelo atendimento de nossas reivindicações, nos colocamos ao lado dos professores para que o Governo Federal cumpra com o acordo firmado com a categoria e atenda suas reivindicações. A ANPG considera ainda que é importante que CAPES e CNPq respeitem o direito de greve dos professores da pós-graduação e dos pós-graduandos e, portanto, possibilitem o alargamento dos prazos para os estudantes da pós-graduação nas universidades em greve, considerando os calendários de reposição decididos pelas universidades.

 

Associação Nacional de Pós-Graduandos

13 de junho de 2012

Começou hoje (13) a maratona de encontros relacionados à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20. Até o dia 22, diversos pontos da cidade do Rio de Janeiro estarão tomados pelo debate sobre desenvolvimento sustentável. Pelo menos 115 chefes de estado e de governo confirmaram presença no encontro. Segundo os organizadores, a expectativa é que mais de 50 mil pessoas participem.

 

Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental é um evento organizado pela sociedade civil global que acontecerá paralelamente à Rio+20.  

Para enfrentar os desafios dessa crise sistêmica, a Cúpula dos Povos não será apenas um grande evento. Ela faz parte de um processo de acúmulos históricos e convergências das lutas locais, regionais e globais, que tem como marco político a luta anticapitalista, classista, antirracista, antipatriarcal e anti-homofóbica.

 

Leia mais SBPC promove ciclo de palestras na Rio+20

Armazém de Popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação na Rio+20

A ANPG marcará presença em diversas atividades. Veja abaixo onde os pós-graduandos estarão representados. Se estiver participando de alguma atividade, procure pelos diretores da ANPG.

Relatos da participação dos pós-graduandos podem ser enviados para comunicaçã[email protected]

10 a 12/06 – Youth Blast – Conferência de Jovens para a Rio+20 (ONU) – Centro de Convenções Sulamérica.

11 a 14/06 – Seminário Mundial de Meio Ambiente das Juventudes e dos Estudantes (FMJD) – Museu da República.

13/06 – Tecnologia e inovação para uma economia verde e a erradicação da pobreza (COPPE/UFRJ) –Campus Fundão da UFRJ- Auditório da Coppe – CT2, 10h.

13/06 – Brasil Sustentável – O caminho para todos, Debate “Juventude e Sustentabilidade” (Ministério do Meio Ambiente) – Jardim Botânico – Auditório Tom Jobim, 9h30.

13 a 16/06 – Encontro Educação e Juventude para a Sustentabilidade (MEC, SNJ e Conjuve) – Campus Fundão da UFRJ.

15/06 – Reunião do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)

16 e 17/06 – Fórum Mundial de Mídia Livre (Cúpula dos Povos) – Campus Praia Vermelha da UFRJ

16 a 19/06 – Diálogos sobre desenvolvimento sustentável (ONU) – RioCentro/Pavilhão 1

17/6 – Juventude Brasileira e Participação Social (SNJ, Conjuve) – Arena Socioambiental, Aterro do Flamengo, 9h

18/06 – Painel sobre Fórum Permanente de Juventude na ONU (ONU) – Teatro Oi Futuro

20/06 – Marcha Mundial da Cúpula dos Povos

19, 21 e 22/06 – Momentos de Assembleia dos Povos como parte integrante da Cúpula dos Povos


Da Redação.

Atendendo a um pedido da Associação de Pós-Graduandos (APG) da PUC-Rio, a ANPG divulga Carta aberta, assinada pela APG e pelo Diretório Central dos Estudantes, na qual é revelada a calamitosa situação dos laboratórios da Universidade.

A Carta foi enviada à reitoria e, como destaca a APG, a intenção, neste primeiro momento, é abrir um canal de diálogo para o estabelecimento conjunto de soluções para o problema.

 

Carta aberta à Reitoria

Conforme anteriormente relatado à CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), através de e-mail, a Associação de Pós-graduandos da PUC-Rio gostaria de comunicar a sua preocupação em relação à segurança da comunidade PUC-Rio, evidenciada pela atual situação dos laboratórios da instituição, que não estão devidamente equipados. Não há chuveiros de emergência, nem lava-olhos, não há alarmes de incêndio, nem luzes de emergência, como tampouco um sistema de Sprinklers. Ademais, a comunidade PUC-Rio não recebe treinamento periódico para situações de emergência, e as áreas demarcadas para os extintores de incêndio são constantemente usadas para outros fins. Pedimos ainda que sejam verificadas as capelas de exaustão de gases, pois continuamente recebemos reclamações referentes ao mau funcionamento das mesmas, e que a PUC-Rio forneça gratuitamente equipamentos de proteção individual e coletiva a todos os usuários dos laboratórios.

Por fim, gostaríamos de entender como uma universidade tão comprometida com o meio-ambiente e o desenvolvimento sustentável, vide seu envolvimento com a Rio +20, não possui um sistema unificado de tratamento de seus dejetos químicos.

APG PUC-Rio

DCE PUC-Rio

 

Da Redação.

Em matéria publicada na edição do dia 8 de junho (sexta), o jornal O Globo acusa a União Nacional dos Estudantes (UNE) de gastos irregulares em convênios estabelecidos com o governo federal. As notas fiscais da entidade que tratavam da compra de bebidas alcoólicas e objetos como velas e búzios foram expostas pelo veículo e pela Rede Globo de Televisão sem o critério e o cuidado que o exercício da atividade jornalística exige. Mais ainda, sem o compromisso com a verdade, condição essa fundamental para o jornalismo sério.

Em nota oficial, a UNE rebate as acusações e esclarece que as compras, além de terem sido feitas com dinheiro privado da entidade, e não com recursos públicos, referiam-se a atividades artísticas sobre  a religiosidade afro-brasileira, integrantes da programação Bienal de Arte da UNE, o maior festival estudantil da América Latina.


Leia a nota na íntegra: 

“Não nos intimidaremos. Pelo contrário, ampliaremos nossa luta pela democratização da mídia, por uma educação para todos e por um Brasil mais justo”, afirma a nota

Não nos causa espanto o ataque arquitetado por parte da imprensa conservadora contra a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o conjunto dos movimentos sociais. Primeiro, foi a revista Veja. Agora, é pelas páginas do jornal O Globo que a microfonia da mídia golpista tenta nos atingir. A UNE é alvo porque participa da luta democrática para romper o monopólio que meia dúzia de famílias exerce sobre a comunicação no Brasil. A UNE está na mira porque demonstra a necessidade de imediata regulação das responsabilidades dos meios de comunicação.

É importante deixar claro, em respeito a todos os que acompanham a nossa trajetória de 75 anos de vida, que a UNE não cometeu irregularidades e não é alvo de investigações de nenhum tribunal de contas. Se, o pedido de investigação feito pelo procurador do ministério público junto ao TCU apontar qualquer equívoco em nossa prestação de contas, – não há provas de que tenha ocorrido- será fruto de imperícia técnica, mas nunca de má fé.

Sobre um ponto da matéria publicada nesta sexta-feira, dia 8 de junho, pelo jornal O Globo, cobramos responsabilidade na veiculação e análise das informações e esclarecemos que a compra de alguns itens de vestuário foram feitas para a construção de instalações (artes visuais) e para o figurino de peças de teatro, atividades da Bienal da UNE, o maior festival estudantil da América Latina.

Sobre a compra de bebidas alcóolicas é necessário esclarecer que os valores referentes a estes itens constavam em algumas notas fiscais, mas não foram contabilizados como parte dos gastos com o dinheiro público. Ou seja, a UNE não usou dinheiro público para pagar esses itens. A montagem de camarins e uma intervenção artística sobre  a religiosidade afro-brasileira no qual se utilizava cachaça, búzios e velas foram compradas com o dinheiro privado da entidade.

Quanto a existência de notas fiscais supostamente irregulares, a UNE esclarece que o processo de contratação foi feito via pregão eletrônico, por meio da empresa “Terceiro Pregão”, especializada em licitações para o terceiro setor. A UNE cumpriu a sua parte contratual. Caso tenha ocorrido qualquer irregularidade por parte das empresas contratadas, a UNE apoia a  investigação do ocorrido e a adoção de medidas legais cabíveis.

A União Nacional dos Estudantes participa das políticas de financiamento público a atividades culturais, esportivas e educacionais desde 1999, sempre cumprindo todas as exigências técnicas de seus convênios. Parte das nossas prestações de contas já estão aprovadas, sendo que algumas se encontram ainda em análise pelos órgãos responsáveis. A UNE reafirma seu compromisso de zelo com os recursos públicos e, se comprovado qualquer tipo de imperícia técnica em qualquer prestação de contas, compromete-se a saná-las de acordo com o que lei determina, inclusive, se for o caso, com a devolução de recursos. Dessa forma, a UNE reafirma também o seu compromisso com o Erário, honrando seus 75 anos de vida.

Infelizmente, para as poucas famílias que exercem o monopólio da comunicação no Brasil, ser verdade ou não é apenas um detalhe. O que importa, para eles, é a versão, sempre comprometida com os interesses das elites dominantes. A UNE já enfrentou batalhas piores contra estes mesmos personagens, por exemplo,  durante a ditadura civil-militar. Esperamos que a Comissão da Verdade revele os responsáveis destas empresas pela cooperação com a tortura, o assassinato e outros crimes bárbaros cometidos pelo regime de exceção, assim como a luta contra a corrupção no Brasil revele as relações mantidas entre corruptores, como o bicheiro Carlinhos Cachoeira, e os donos destas mesmas empresas.

Como não nos intimidamos no passado, não nos intimidaremos agora. Pelo contrário, ampliaremos nossa luta pela democratização da mídia, por uma educação para todos e por um Brasil mais justo.

União Nacional dos Estudantes
08 de junho de 2012

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e suas entidades associadas, dentre elas a ANPG, encaminharam na última sexta-feira (8) uma carta dirigida à ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, à ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. A carta reitera o pleito da das entidades de recuperar os recursos destinados ao CT-Petro, prejudicados pelo novo marco regulatório do setor de petróleo e gás natural – o Projeto de Lei (PL) nº 2565/2011 – em discussão no Congresso Nacional.

Conforme o documento, esse PL reduz consideravelmente os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), especificamente aqueles destinados ao CT-Petro (Fundo Setorial do Petróleo e Gás Natural), que são voltados para o financiamento da pesquisa científica e do desenvolvimento tecnológico, aplicados na indústria do petróleo, do gás natural, dos biocombustíveis e na indústria petroquímica, e também na prevenção e recuperação de danos causados ao meio ambiente por essas indústrias.

A carta reivindica também que 50% dos recursos dos royalties do pré-sal destinados ao fundo social sejam dedicados à Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação.

No mês de maio deste ano as entidades realizaram atos conjuntos em torno da pauta.

Leia mais: 

ANPG, UNE, UBES e SBPC organizam ato em Brasília: PNE Já!

 

ANPG participa de ato da comunidade científica em prol de recursos do Pré-Sal para Educação

Além da SBPC, ABC e suas entidades associadas, subscreveram a carta a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), Consecti (Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação), Confap (Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa), Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras), Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), Foprop (Fórum de Pró-Reitores de Pós-Graduação e Pesquisa), UNE (União Nacional dos Estudantes) e UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas).

 

Leia o documento na íntegra em PDF aqui.

 

Da Redação com informações do Jornal da Ciência.

 Há mais de 20 dias, os professores das universidades federais deflagraram a greve que vem atraindo outros trabalhadores e também estudantes universitários. Na terça-feira (5), mais de 400 estudantes se reuniram no Auditório de Matemática e Estatística localizado no campus Goiânia da Universidade Federal de Goiás (UFG), para declarar apoio à greve dos professores.

A greve dos professores das instituições federais, que atinge 51 unidades em todo país (47 universidades e quatro dos 40 institutos ou centros federais de educação tecnológica) deve ser ampliada a partir desta segunda-feira (11) com a adesão de servidores. Segundo a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que reúne 37 sindicatos, o movimento crescerá devido ao impasse nas negociações com o governo sobre reajuste salarial, recebimento de gratificações e reestruturação de carreiras.

Estudantes de 19 das 46 universidades também entraram em greve para pedir melhores condições de ensino. Segundo a Andes (sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), a greve afeta mais de 1 milhão de alunos.

Cerca de 2,5 mil servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) entram em greve por tempo indeterminado a partir de hoje. A categoria pede reajuste salarial e correção retroativa a 2007. A medida foi aprovada na semana passada por maioria em assembleia.

O Ministério da Educação considera a paralisação precipitada e acredita que há tempo suficiente para alterações no Projeto de Lei Orçamentária para 2013, que deve ser fechado até 31 de agosto. O Ministério do Planejamento ainda não se manifestou oficialmente sobre o indicativo de greve geral dos servidores públicos federais.

Movimentação dos pós-graduandos

No dia 22 de maio, a Associação dos Pós-Graduandos da UFLA (Universidade Federal de Lavras) realizou Assembleia Geral no Anfiteatro da Biblioteca Universitária com participação de quase 40% dos discentes regularmente matriculados na pós-graduação, a fim de discutir a questão da greve docente. A maioria dos presentes aprovou o apoio à greve dos professores e solidariedade aos seus ideais, assim como apoiar o movimento de greve nas eventuais formas de protesto que venham a ocorrer, mas “sem o compromisso de paralisar as atividades de pesquisa ou boicotar qualquer atividade proposta por docentes não aderentes à greve”. Durante a assembleia, a APG debateu as consequências do movimento, especialmente para os pós-graduandos, e definiu algumas reivindicações.

As principais solicitações dos pós-graduandos foram o funcionamento do Restaurante Universitário durante a paralisação e a disponibilização de alojamento para a pós-graduação. A manutenção desses serviços se faz necessária porque os pós-graduandos permanecem com atividades de pesquisa no campus, mesmo sem aulas. A APG também solicitou a reestruturação dos horários dos ônibus internos da UFLA e apoio dos setores da Universidade a mobilizações promovidas pela pós-graduação.

No próximo dia 13, quarta-feira, a APG da UFBA (Universidade Federal da Bahia) realizará uma nova Assembleia Geral. A greve dos docentes está na pauta. O fórum acontece às 18h, no Auditório 1 – Faculdade de Educação/UFBA (Vale do Canela).

APG UFPEAPG UFSJ , APG UFBA e o Fórum de Pós-Graduandos da UFPR já aprovaram moções de apoio.

Os estudantes da UFRJ, em assembleia que reuniu mais de 2 mil pessoas na terça-feira, 29 de maio, também aderiram à greve. Desde o dia 31 de maio os pós-graduandos da UFF (Universidade Federal Fluminense) também entraram em greve. Na pauta específica de reivindicações, estão melhores condições de infraestrutura; reajuste de 40% das bolsas de mestrado e doutorado; fim do financiamento privado a instituições públicas; fim dos cursos pagos na UFF; novos critérios de avaliação das instituições de fomento e apoio à pesquisa; suspensão imediata do calendário da CAPES, CNPq e FAPERJ no período de greve e dilatação da bolsa incorporando o tempo da greve nos prazos ordinários.A próxima reunião do comando de greve acontece na quarta (13), às 18h no Chalé da Arquitetura (Campus Praia Vermelha).

Da Redação com informações de agências e colaboração de Alessandra Farias Millezi – Coordenadora Geral da Gestão “Participação e Compromisso” APG/UFLA – 2011-2012.